segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Guiné 63/74 - P16634: Agenda cultural (503): DocLisboa 2016 - 14º Festival Internacional de Cinema (20-30/10/2016): retrospetiva do cinema documental cubano: passou hoje, dia 24, às 15h30, na Cinemateca, o filme "Madina Boé", do realizador José Massip (1926-2014), filmado presumivelmente na região do Boé e na base de Boké (Guiné-Conacri)









Fotogramas do filme "Madina Boe" (Cuba, 1968, 38'), do realizador José Massip (1926-2014), obtidas a partir da função "print screening" do teclado do PC e da visualização de um resumo, em vídeo (28' 22'') ,   disponibilizado no You Tube, na conta "José Massip Isalgué". 

O documentário foi carregado no You Tube no dia da morte do cineasta (ocorrida  em Havana, em 9/2/2014=. O documentário chama-se "Amílcar Cabral" (e pode ser aqui visualizado): é narrado em espanhol, tem subtítulos em espanhol, mas também pequenos diálogos em crioulo e em português (por ex., com o médico dr. Mário Pádua, angolano branco, oficial do exército português, de que desertou, tendo saído de Angola para se juntar mais tarde ao PAIGC). ~

Há sequências de cenas que vão da preparação militar a saídas paar atacar posições portuguesas, da caça às refeições, das jogatanas de futebol ao quotidiano do hospital de Boké (ou será o hospital de Ziguinchor, no Senegal, onde o Mário Pádua esteve originalmente colocado ?), enfim, até a uma visita de Amílcar Cabral às "tropas em parada"...

Enfim, Cuba não mandou, para o PAIGC, apenas instrutores, conselheiros militares e médicos, mandou também cineastas com o talento de um José Massip. Até nisso Amílcar Cabral foi hábil, soube pôr o cinema e os cineastas de vários países ao seu lado, contrariamente aos políticos e generais portugueses do Estado Novo... O cinema português não tem, que eu saiba,  um único filme com a assinatura de um cineasta de prestígo sobre a guerra na Guiné (1961/74)...




Madina Boé

José Massip
1968 / CUBA / 38’

24 OUT / 15.30, CINEMATECA – SALA M. F. RIBEIRO

Sinopse: "Filmado nas áreas libertadas da Guiné-Bissau, durante a sua guerra de libertação de Portugal, o filme segue o Exército Popular para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde, documentando a educação política dos combatentes, as técnicas de guerrilha e o treino físico." (Fonte: DocLisboa' 16; o programa em pdf está disponívelo aqui)


Outros três filmes cubanos que passaram nesta sessão:

Hombres del Cañaveral 
Pastor Vega 1965 • CUBA • 10’ 

Um dia na vida de trabalhadores voluntários das cidades na colheita da cana-de-açúcar. Reflexo do debate ideológico em torno das qualidades morais do trabalho numa sociedade revolucionária, mas sem traço da propaganda do panfleto político. 

Guantánamo 
José Massip 1967 • CUBA • 63’ 

A história desta localidade, submetida durante mais de 50 anos à influência da base naval estado-unidense de Caimanera, e a sua transformação após o triunfo revolucionário.    

Gente en la Playa 
Néstor Almendros 1960 • CUBA • 12’

 Almendros quis filmar o dia seguinte à nacionalização das praias privadas, em Cuba. O que aconteceu foi a invasão desses sítios pelo povo, ávido de conhecer os locais onde os sócios de clubes recreativos se divertiam.

Retrospectiva Por um Cinema Impossível: Documentário e Vanguarda em Cuba

"Com a mudança radical da realidade cubana, nos anos 1960, e por oposição política e estética ao cinema de Hollywood, nasce um novo cinema em que o documentário tem um papel primordial. Esta retrospectiva, com curadoria de Michael Chanan, feita em parceria com o Museo Reina Sofia e em colaboração com a Cinemateca de Cuba, traz-nos o trabalho desta nova vaga de documentaristas cubanos – que tem em Santiago Álvarez e Julio García Espinosa as suas figuras centrais –, perspectivando-o com as obras de cineastas estrangeiros que mantiveram relações com Cuba, na década de 1960 – destaques para Agnès Varda, Chris Marker e Joris Ivens."


José Massip (1926-2014)


RTVE.es / AGENCIAS > Muere el director José Massip, impulsor del nuevo cine cubano
09.02.2014

(...) Impulsor del cine cubano

José Massip fue uno de los fundadores del Instituto Cubano de Arte e Industria Cinematográficos (Icaic), y uno de los impulsores del denominado "nuevo cine cubano" desde los primeros años de la década de los años sesenta del siglo pasado. En el año 2012 recibió el Premio Nacional de Cine, como reconocimiento a su trayectoria de más de 50 años en el sector.

Massip, nacido en La Habana el 28 de junio de 1928, contaba con una sólida formación intelectual que no solo reflejó en su obra cinematográfica sino también como poeta, investigador y profesor. Se graduó de la carrera de Filosofía y Letras por la Universidad de La Habana y más tarde en Sociología por la Universidad de Harvard, en Estados Unidos.

Fue uno de los fundadores de la sociedad cultural "Nuestro Tiempo", que reunió a numerosos intelectuales, escritores, músicos y artistas de la plástica que se oponían a la política del régimen de Fulgencio Batista, derrocado al triunfar la revolución cubana el 1 de enero de 1959. Massip consideró a "Nuestro Tiempo" como el antecedente más importante del Icaic porque opinó que esa sociedad "significó un espacio cardinal en la historia de la cultura cubana".

Documentalista y corresponsal


En 1955 se integró a un grupo de jóvenes realizadores que filmó el documental "El Mégano", una denuncia de las precarias condiciones de vida y trabajo que tenían los carboneros de la Ciénaga de Zapata de la isla, que está considerado como el antecedente más importante del cine cubano de la Revolución.

Massip también fue corresponsal de guerra en África y su experiencia durante las guerras de liberación de Guinea Bissau y de Angola las llevó al cine a través de varios documentales como Angola: victoria de la esperanza que dirigió en 1976, y además escribió el libro Los días del Kankouran.

Como investigador ofreció conferencias y escribió artículos y ensayos sobre la historia de Cuba, entre ellos, colaboró con el historiador Emilio Roig de Leuschenrig en el libro de éste Ideología de Antonio Maceo.

4 comentários:

Vasco Pires disse...

"Na guerra,a verdade é tão preciosa,que deve andar sempre com uma escolta de mentiras"
Sir Winston Spencer Churchill
1874-1955
Pela transcrição. VP

Tabanca Grande disse...

Não vi ainda (nem vou ver, por falt de tempo, amanhã) o filme "Madina Boe", do cubano José Massip. Gostaria, todavia, de o ver. Pelo "making-of" do filme, que me parecer ser a sequência de imagens que estão disponíveis no You Tube ("Amílcar Cabral, c. 28 minutos), percebe-se que não estamos perante uam mera peça de propaganda, tosca, boçal, primária... O realizador é um homem culto e inteligente, com uma sensibilidade socioantropológica a que não é estranha a sua formação académica e o tipo de cinema documental que faz...Há uma diferença enter cinema militante e a mera propaganda filmada...

Um detalhe: antes de partir para operações, a rapaziada do PAIGC reune-se em grupo para rezar (os crentes, os muçulmanos, mandingas, biafadas, nalus...). Os animistas (balantas, etc.), por turno, evocam os seus irãs e enfeitam o corpo com montes de amuletos (que os irá proteger contra as balas dos tugas). Um simples "fotocine" seria incapaz de captar estas imagens....

Outro detalhe: a jogatana de futebol, com relato e tudo!... E depois o ar ufano do instrutor de canhão sem recurso, Cardoso, de seu nome, que é um "craque", no meio daqueles cepos todos... Mas joa-se à bola, "na nora do recreio", como a gente jogava á bola, em Madina, em Cancolim ou em Bambadinca...Um simples "fotocine" seria incapaz de captar estas imagens....

Não interessa onde, mas é óbvio que a jogatan não se desenrolou na região do Boé... O campo pelado só pode ser na base de Boké...

"Madina do Boé" é um símbolo, um marca... de que o Cabral se apropriou relativament cedo, talvez até como resposta à morte do Do ingos Ramos, em novembro de 1966. Acho que o Spínola foi idiota ao dar de bandeja Madina do Boé ao PAIGC...

Repare-se que o filme é de 1968, estamos a um ano ou mais de retirada de Madina do Boé, em 6/2/1969... Mas há imagens de carcassas de viaturas das NT que foram ficando pelo caminho, entre Cheche e Madina do Boé... Não dá para perceber ao certo, co0m rigor, onde é que algumas destas cenas de mato foram rodadas... Pelo tipo de vegetação (savana arbustiva, com árvores de pequeno porte e dispersas) e pela proximidade com o rio (Corubal), tudo indica que tenha sido no Boé, e não no Cantanhez, na época seca (talvez outubro de 1967 a março de 1968)...

A região do Boé, dada a proximidade da fronteira da Guiné-Conacri. era mais confortável e segura para uma equipa de cinema estrangeira, cubana ou outra...

Anónimo disse...

ATENÇÃO CAMARADAS...

AMANHÃ É DIA 25 DE OUTUBRO.

A SESSÃO FOI HOJE... 24.

Ab. Jorge Araújo.

Tabanca Grande disse...

Jorge, tens toda a razão... Ontem foi 2ª feira... Que raio de confusão a minha!... Já emendei o título do poste... LG