sábado, 29 de outubro de 2016

Guiné 63/74 - P16655: Inquérito 'on line' (78): Até agora, num total de 26 respostas (provisórias), só temos 2 casos de desertores durante a comissão no CTIG. Vamos chegar às 100 respostas até 5ª feira, 3/11/2016, às 15h34 ?!


Guiné > Bissau > 29 de dezembro de 1971 > Chegada a Bissau do N/M Niassa. Foto do álbum de António Sá Fernandes, ex-alf mil, CART 3521 (Piche) e Pel Caç Nat 52 (Mato Cão) (1971/73). A  companhia independente CART 3521 viajou com o BART 3873, composto pelas CART 3492, Cart 3493 e CART 3494: a partida de Lisboa foi em 22/12/1971.



Guiné > 26 de dezembro de 1971 > CART 3521  (1971/73) > Viagem do pessoal em LDG,  a caminho de Bolama, para a IAO. Mais tarde, a CART 3521 é3 colocada em Piche.

Foto do álbum de António Sá Fernandes,  que vive em Valença, e foi alf mil, CART 3521 e Pel Caç Nat 52, tendo substituído, como comandante do Pel Caç Nat 52, o alf mil Joaquim Mexia Alves, régulo da Tabanca do Centro e nosso camarigo.


Comentário de Henrique Martins de Castro, em 17/7/2008: 

"Camasradas da Cart3521,  em especial o autor desta foto, em que está o alferes Sá Fernandes, o alf Martins, o alf Coelho e salvo erro alf Novais e mais camaradas da Cart 3521 ,eu, o Castro condutor,  não serei aquele que está sentado no banco com o relógio no pulso direito? Agradeço resposta em comentário,ou para o mail henrique_50_@hotmail.com Um abraço para todos, Henrique Martins de Castro".

Fotos (e legendas):  ©: António Sá Fernandes (2012) [Edição  e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. INQUÉRITO 'ON LINE': 

"NA MINHA UNIDADE (COMPANHIA OU EQUIVALENTE) NÃO HÁ CASOS DE DESERÇÃO"


1. Nenhum, na metrópole  > 16 (61%)

2. Nenhum, no TO da Guiné  > 21 (80%)

3. Um, na metrópole  > 4 (15%)

4. Dois, na metrópole  > 1 (3%)

5. Três ou mais, na metrópole  > 1 (3%)

6. Um, no TO da Guiné > 2 (7%)

7. Dois, no TO da Guiné  > 0 (0%)

8. Três ou mais, no TO da Guiné  > 0 (0%)


Total de respostas (provisórias), 
até às 18h00 de hoje, 29/10/2016, sábado > 26


Inquérito em curso até  3/11/2016, 5ª feira, às 15h34 (*)


2. O inquérito foi sugerido pelo nosso grã-tabanqueiro António José Pereira da Costa
 [, cor art ref (ex-alf art , CART 1692/BART 1914, Cacine, 1968/69; ex-cap art e cmdt , CART 3494/BART 3873, Xime e Mansambo, e CART 3567, Mansabá, 1972/74,] nestes termos:

(...) "Podemos lançar um inquérito 'à Luís Graça',  com a pergunta: quantos camaradas desertaram na minha unidade no TO daquela PU?  As cinco hipóteses:  nenhum, um, dois, três ou mais de três

Não se aceitam respostas do tipo 'não sei/não me lembro', uma vez que um caso de deserção numa companhia era um caso muito falado." (...) (**)


Esperemos que o número de respostas dos nossos camaradas, até 5ª feira,  chegue pelo menos à centena. 

Uma chamada de atenção: o nosso inquérito desta semana contempla as duas situações:


(i) a hipótese de deserção ter ocorrido na metrópole, 
no decurso da formação da companhia (ou equivalente) 
ou na véspera do embarque 
(caso, por ex., da CCAÇ 2402): 

(ii) ou ter ocorrido já no TO da Guiné, 
durante a comissão (incluindo o período de férias) 
(caso, por exemplo, da CCAÇ 3489)

Podem e devem ser dadas duas respostas: por exemplo, 

1. Nenhum [caso de deserção], na metrópole; e 2. Nenhum [caso de deserção], no TO da Guiné. 

Ou então: 3. Um [caso de deserção], na metrópole; e 2. Nenhum [caso de deserção ], no TO da Guiné.

______________

Nota do editor:



(**) 27 de outubro de 2016 > Guiné 63/74 - P16647: Debates da nossa tertúlia (I): Nós e os desertores (15): Desertor era o militar que (i) foi incorporado, (ii) estava nas fileiras e (iii) as abandonava ao fim de algum tempo... Desconfio um bocado do número de desertores que foi avançado pelos historiadores Miguel Cardina e Susana Martins, se for aplicada a definição exacta dos regulamentos da época (António J. Pereira da Costa, cor art ref)

20 comentários:

Vasco Pires disse...

Na minha unidade 23° Pel Art. não teve deserção, e continuo achando muito pouco provável havê-la,pois os soldados, que tinham até três mulheres,tinham um poder aquisitivo muito superior à maioria da população.
Lamento não ter números concretos para apresentar.
Forte abraço.
VP

Anónimo disse...

Amigos e camaradas,
Na foto com os quatro oficiais, o AlfMil Novais é o primeiro da esquerda. Também ele transitou para as tropas africanas. Ele foi comandante do Pel Caç Nat 66.
Nos treze meses que estive nas tropas africanas não houve desertores nos Pel Caç Nat 56 e 66.
Cumprimentos.

Tabanca Grande disse...

Vasco, não tens que "pedir desculpa"... Na minha guineense CCAÇ 12, também não houve deserções...

Primeiro, eles eram todos fulas e tinham um ódio de morte ao PAIGC...

E depois recebiam todos o equivalente q um pré de um 1º cabo metropolitano: 600 pesos (soldados de 2ª classe, do recrutamento local) + 24,5 pesos por dia por serem desanrancahados)... O 1º cabo José Carlos Suleimane Baldé, que tinha a 4ª classe, ganhava mais (em patacão) do que o colega meytropolitano, pro ser desarranchado...

Ao fim do mês, eram cerca de 1350 pesos, para um simples soldado de 2ª classe (!), "português da Guiné"... Na Guiné na época, era muito dinheiro...

Em escudos da metrópole, e aplicando a taxa de desvalorização de 10% em relação ao peso, eram 1215 escudos!...

Em 1969, 1215 escudos equivaleriam hoje a 361,21 € ...

O PAIGC não pagava pré, nem em pesos, nem escudos, nem rublos, nem em dólares, nem coroas suecas... Só prometia, para os vencedores e os sobreviventes, a glória da independência!... O problema é que o heroísmo não enche barriga nem dá para alimentar duas mulheres, no mínimo, e um rancho de filhos...

Os nossos soldados guineenses ganhavam mais do que os médicos cubanos, essa é que é a verdade!...

A terem desertado (, o que não me parece que tenha acontecido com companhias africanas como a CCAÇ 12, no final da guerra no TO da Guiné; pode ter acontecido em Angoal e em Moçambique...), só poderia ter sido pela clara perceção de que nós, os tugas, os estávamos prontos para os abandonar...

Felizmente, eu não estava lá, no pós 25 de abril, nem assisti a esse momento doloroso da passagem de testemunho da história... Acredito que tenha sido dilacerante para os "últimos soldados do império"... E foi seguramente mais trágico para os nossos camaradas guineenses que apostaram no cavalo errado...

Tabanca Grande disse...

Camaradas da Guiné, não fiquem só pelo "gosto/não gosto" do Facebook...

Precisamos da vossa voz ACTIVA no nosso blogue...

Há 730 camaradas (e alguns amigos/as) na Tabanca Grande..., quando na Guiné terão passado cerca de 200 mil...Três e meio por cento, é pouco.

Dá menos que 1 por companhia. Mil unidades (companhias ou equivalentes) passaram pelo TO da Guiné entre 1961 e 1974...

Quantos desertores houve na tua ? Responde com verdade e sinceridade...

Anónimo disse...

Comentário de António Silva na nossa página do Facebook, com data de hoje:

https://www.facebook.com/profile.php?id=100001808348667


Também estive na Guiné na CCaç 2790. Tivemos um desertor, um alferes, que segundo diziam foi de ferias de mobilização e nunca mais voltou.

Abraço todos os companheiros ex-combatentes.

Anónimo disse...

Comentário de Joaquim Ruivo na nossa página do Facebook, com data de hoje:

https://www.facebook.com/profile.php?id=100001808348667


Enquanto estive na Guiné (de Outubro de 61 a Fevereiro de 64), tive conhecimento de 2 casos de deserção: um alferes miliciano da minha unidade (caboverdiano) e um 1ª cabo cripto. Este ultimo segundo consta falava aos microfones duma emissora dum país africano, que não me lembro qual. O 1º cabo cripto deu muitos problemas no sector das transmissões porque tiveram que alterar todos os códigos...

Anónimo disse...

Comentário de José Cruz na nossa página do Facebook, com data de hoje:

https://www.facebook.com/profile.php?id=100001808348667


Na minha companhia, 3306 em Jolmete, houve um desertor, um furriel.

Ah! mas conheço um desertor do exército que, depois do 25 de Abril, veio para o país e arranjou colocação como funcionário público. Professor. Eu tive de emigrar.

Anónimo disse...


Comentário de Marques de Almeida Almeida na nossa página do Facebook, com data de hoje:

https://www.facebook.com/profile.php?id=100001808348667



Bom dia bompessoal; camaradas, eu pertenci ao Bcaç 2879 no CTIG e também tenho uma história para vos contar. Então é assim: um gajo da mihna terra da mesma freguesia,frequentmos a mesma escola mas seguimos cursos diferentes; enquanto eu embarquei para o CTIG, embarcou ele para a Antonio Maria «Cardoso como menbro da famigerada PIDE.

Arrepio-me ao me lembrar deste senhor, porquê? Como tenho divulgado, contraí uma doença muito rara, sobrevindo daí uma tuberculose pulmonar. Ainda hoje estou para saber o nome dessa doença rara, mas adiante: a minha unidade passou a ser o HMDIC complementado com o Caramulo. a farda que me vestiram não sei descrevêla. Assemelhava-se ao borel mas muito feia. Era mesmo estranha.

Passados que foram os prinmeiros dias no HMDIC pedi para me deixarem visitar os meus familiares residentes no Bareiro. Fui autorizado, vestindo a mesma farda que me vestiram na Guiné: Ao chegar ao Terreiro do Paço para apanhar o barco, fui interpelado pelo dito indivduo que se fazia aconpanhar por mais dois e sofri ali o meu primeiro interrogatório.

Perdi o transporte e penso que até eles estavam apreensivos pela imagem medonha que eu causava nas pessoas. A seguir dá-se um fenomeno muito curioso: começaram a surgir muitas pessoas a barrarem as entradas para o barco, fazendo ali mesmo uma manifestação relâmpago e as lágrimas a caírem-me em catadupa; olhei em redor e os Pides dssapareceram.

A alguém que viveu aquele dia no Terreiro do Paço comigo e se ainda estiver vivos, deixo o meu abraço fraternal e o meu mais sentido carinho a todos.

Anónimo disse...

Correndo o risco de estar a ver mal o inquérito,pergunto-me sobre a sua validade dado permitir que vários militares da mesma companhia assinalem o mesmo desertor dando origem a erro grosseiro.
Sugiro que o voto implique referenciar a unidade em causa para assim reduzir a multiplicação dos desertores (que não serão muitos).
Abraço
Mendes

Tabanca Grande disse...

Camarada Mendes, tens razão... Mas o objetivo da "sondagem" é permitir-nos falar justamente destes casos... Não temos a velidade de fazer um "estudo científico" sobre o fenómeno da deserção na Guiné... A nossa amostra será sempre "enviesada"... Este não é o instrumento apropriado...

Além disso, esta funcionaldiade do Blogger tem muitas limitações técnicas.... Não posso fazer duas perguntas ao mesmo tempo, nem muito menos perguntas abertas: por exempplo, qual foi o nº da companhia ?

De qualquer modo, temos em média um membro da Tabanca Grande por companhia... Não haverá grandes riscos de sobreposição... E há companhias que nbem sequer estão aqui representadas...

É importante que a malta responda e diga o que respondeu ... Eu já o fiz, na minha CCAÇ 2590/CCAÇ 12 não houve desertores, nem antes nem depois do embarque...

E aqui não contam os botas de caserna, o que se ouviu dizer, etc. Queremos factos, casos concretos (se é que os houve, em cada uma das nossas companhias...

António José Pereira da Costa disse...

Oh Luís!
Aperfeiçoa com a achega do Mendes.
Um Ab.
TZ

Anónimo disse...

Peço desculpa por não ter assinado o segundo comentário.
Luís, julgo que os nossos camaradas Mendes e António José da Costa têm razão. Mesmo que o inquérito não tenha base científica ele deve reflectir a realidade tanto quanto possível. Um dia tudo isto será aproveitado para ajudar a História.
Abraço.
José Câmara

Tabanca Grande disse...

Atyé 1965, haveroa "apenas" 9 desertores tugas, que se passaram para o "outro lado"... A fonet é o 'Nino' Vieira... Será também razoável considerar como0 desertores uma série de rapaziada, que dexiou as nossas forças armadas para se juntar ao movimento liderado por Amílcar Cabral... Estou a lembrara de diversos guineenses que frequentarta, o 1º Curso de Sargentos Milicianos, em Bissau, em 1959... O caso mais conhecido é o Domingos Ramos, um dos "generais" do PAIGC...


8 DE NOVEMBRO DE 2013

Guiné 63/74 - P12267: A guerra vista do outro lado... Explorando o Arquivo Amílcar Cabral / Casa Comum (7): Cartas de Marga ['Nino' Vieira] e de Luís Cabral, onde se fala dos 3 desertores de Fulacunda, presumivelmente da CART 565, elevando para 9, até ao dia 3/4/1965, o número de militares portugueses que, no TO da Guiné, tinham até então desertado...

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2013/11/guine-6374-p12266-guerra-vista-do-outro.html

Tabanca Grande disse...

Um dos 3 desertores de Fulacunda, em 1965, era, de seu nome completo, António Manuel Marques Barracosa [e não Barricosa...], de 23 anos, com o postp de 1º cabo milicianmo...

Seria mais tarde, dois anos depois, em maio de 1967, um dos 4 implicados na assalto à agência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, liderado por Hermínio da Palma Inácio, 46 anos, fundador e dirigente da LUAR, com a colaboração de Camilo Tavares Mortágua, 34 anos, e Luís Benvindo, 25 anos.

O assalto, no valor de mais de 29 mil contos na época (c. 146 mil euros, na moeda de hoje), teria sido até então o maior roubo de sempre em Portugal.

Julgado à revelia, o Barracosa foi condenado a 13 anos. Perdeu-se o seui rasto...

Tabanca Grande disse...

Os casos de deserção, não na metrópole, mas já no TO da Guiné, são, de facto, poucos ao longo da guerra, de tal modo que os nomes dos desertores são sobejamente conhecidos:

Aqui vão mais três:

Manuel Alberto Costa Alfaiate, antigo fuzileiro naval; desertopu em fevereiro de 1970;

Manuel Fernando Almeida Matos, 1º cabo, chegou à Guiné em janeiro de 1969, participou em várias operações, sobretudo na região de Bula, e desertou em abril;

Manuel Veríssimo Viseu, natuiral de Mértola, nascido em 1946, pertenceu à 15ª Companhia de Comandos, combateu em Jabadá, chegou à Guiné em Maio de 1968; quando a 15ª Companhia de Comandos estava em Cuntima, atravessou a fronteira e apresentou-se ao PAIGC.

Vd. aqui poste publicado no blogue:

22 DE MARÇO DE 2013

Guiné 63/74 - P11292: Notas de leitura (467): A palavra aos desertores portugueses (Mário Beja Santos)

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2013/03/guine-6374-p11292-notas-de-leitura-467.html

Sobre a 15ª CCmds, só temos 3 referências no nosso blogue:

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/search/label/15%C2%AA%20CCmds

Anónimo disse...

Comentário de Acácio Jesus Nunes na página do Facebook da Tabanca Grande em 29/10/2016:

https://www.facebook.com/profile.php?id=100001808348667


Na CCaç 2312, apareceu lá um tipo em rendição individual, esteve poucos meses e em Bula pirou-se com a arma. Foi o único e por onde andámos não me constou caso idêntico.

Este meliante foi acusar na rádio Conakry um alferes e o capitão de crimes que nunca se cometeram contra a população. Além de cobarde foi aldrabão.

José Botelho Colaço disse...

A maior fuga à guerra não eram os desertores, mas creio eu e até prova em contrário foram os refractários que a partir + ou - dos 13 anos até serem chamados à inspecção e incorporação nas forças militares preparavam a fuga não se apresentando quando eram chamados.
Havia vários estratagemas: Muitos dos filhos dos senhores de então eram admitidos como trabalhadores por influências, cunhas na OGMA em Alverca e assim se safavam de ir à guerra.
Por isso esta sondagem fica muito carente das fugas da ida à Guerra do Ultramar.

António José Pereira da Costa disse...

Olá Camaradas

As técnicas de "fuga" de que o Colaço fala eram legais e algumas até tinham reversos, como é o caso da ida para a pesca do bacalhau.
Creio que estamos a falar dos que não foram de todo e não aproveitaram, talvez por não saberem, os diferentes, mas poucos furos da lei.

Ao Jesus Nunes lembro que a propaganda é isto mesmo. O uso de depoimentos e testemunhos "prestados" por desertores faz parte dela.
Recordo o depoimento do Ten. Januário, que desertou em Konakry com o respectivo Gr Comb. Cmds.,antes de serem todos fuzilados, que está nesta linha. Não temos ideia nenhuma das informações que prestaram ao In e como é que elas lhes foram sacadas.

Não sei se o desertor, isto é, o que foge para o In ou para outras regiões, depois de incorporado, não terá de ter uma boa dose de coragem. É cortar com tudo e recomeçar, sem poder voltar atrás...
Houve camaradas nossos que foram recambiados da Suécia, por não terem aceitado colaborar, mesmo indirectamente, com os guerrilheiros.
Estes são pontos a considerar na apreciação do problemas.
De qualquer modo, parece-me que já avançámos ao fixarmos a diferencia entre desertor, faltoso e refractário.

Um Ab.
António J. P. Costa

Anónimo disse...

Também o nosso capitão Vasco da Gama teve o seu desertor.... Convite para revisitar este poste:

15 DE JUNHO DE 2009

Guiné 63/74 - P4532: Banalidades da Foz do Mondego (Vasco da Gama) (IV): Desertores

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2009/06/guine-6374-p4532-banalidades-da-foz-do.html


(...) Temos os que embarcaram connosco e que deram o salto quando vieram de férias à metrópole. Aconteceu a um furriel da minha companhia, o Pereira, a quem os Tigres designam por furriel fugitivo ou fugitivo, tout court. O seu não regresso à minha Companhia ainda me levou a ser ouvido pelo Pide de Aldeia Formosa que achou estranho o facto de eu não ter desconfiado de nada…

O fugitivo foi a um dos primeiros convívios da nossa Companhia, alguns anos após o 25 de Abril. Acreditem que nenhum de nós lhe cobrou o que quer que fosse, muito embora nunca mais tivesse aparecido. Conversámos e ele apenas referiu que não conseguia aguentar a situação que a nossa Companhia estava a viver e que tinha tido a oportunidade de se pirar. Eu sei que apenas pensou nele e os outros que se lixem, mas para quê fazê-lo sofrer mais com o nosso julgamento?

Cada um é como cada qual e quão diferente foi a atitude do nosso José Brás que, de férias em Portugal, recebeu a notícia da morte dos seus camaradas, o Dias e o Oliveira que morreram sem ele em Xinxi-Dari.

Nem o pai o convenceu a dar o salto e o Mejo iria continuar a ser a sua pátria por mais algum tempo…. “E sem precisar de dizer-lhe que me sentia miserável por ter deixado morrer aqueles amigos sem a minha presença de arma na mão…” (...)

mario gualter rodrigues pinto disse...

O Fuzileiro António Trindade Tavares o célebre G3, que desertou em 1968 do seu destacamento em Bissau........

Por acaso já contei a sua história aqui no Blogue. Era meu vizinho aqui no Lavradio..


Mário pinto