quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Guiné 61/74 - P24851: S(c)em comentários (17): "Por ti, Portugal, eu juro!": Memórias e testemunhos dos comandos africanos da Guiné (1971-1974), tese de doutoramento, de Sofia da Palma Rodrigues (2022), UC/CES: Resumo



Guião do Batalhão de Comandos da Guiné (1972/74)

Batalhão de Comandos da Guiné (BCmds)
Cmdt: Maj Cav Cmd João de Almeida Bruno | Maj Inf Cmd Raul Miguel Socorro Folgues | Maj Inf Cmd Florindo Eugénio Batista Morais
2º Crndt: Cap Inf Cmd Raul Miguel Socorro Folques | Cap Inf Cmd João Batista Serra | Cap Cav Cmd Carlos Manuel Serpa de Matos Gomes | Cap Art Cmd José Castelo Glória Alves
Início: 2nov72 | Extinção: 7set74 


Guiné > s/l > s/ d > O tenente graduado 'comando'  João Bacar Djaló,  ao centro, rodeado de pessoal da 1ª CCmds Africanos. Entre outros, é possível identificar o furriel “Dico” Andrade, o 1º da esquerda, o furriel Orlando da Silva, ajoelhado, no meio e o 1º da direita, em cima, o soldado Francisco Gomes Nanque, que esteve preso na Libéria após a operação a Conacri. 

Fonte: Amadu Bailo Djaló - "Guineense, Comando, Português: I Volume: Comandos Africanos, 1964 - 1974". Lisboa, Associação de Comandos, 2010, pág. 190.
 


Sofia da Palma Rodrigues

Universidade de Coimbra > Centro de Estudos Sociais (UC/CES > 
Teses de doutoramento  > Teses Defendidas > Resumo


Data de defesa > 30 de maio de 2022

Programento de doutoramento > Pós-Colonialismos e Cidadania Global

Orientação > Maria Paula Meneses e Mustafah Dhada

Resumo:

Enquanto foi governador da Guiné (1968-1973), António de Spínola fundou o Batalhão de Comandos Africanos, a única tropa de elite das Forças Armadas Portuguesas integralmente composta por africanos negros. 

A estes homens, fez promessas de uma vida melhor, garantindo-lhes que seriam eles quem comandaria os destinos do território quando Portugal vencesse a guerra (1961-1974). Que seriam eles quem, na Guiné, ficaria à frente do novo projeto de Estado que planeava implementar: um Estado pluricontinental, composto por províncias autónomas que, no seu todo, formariam o Portugal do futuro. 

O desfecho deste projeto político, que se opunha aos ventos da História que sopravam na metrópole, está no centro da análise desta tese. Ao perseguir as narrativas de homens que, depois da conquista das independências, deixaram de caber no sonho português e perderam a nacionalidade portuguesa, este trabalho questiona e aprofunda os dilemas da descolonização a partir do processo guineense. 

Tendo como base uma pesquisa multidisciplinar e multissituada (Marcus, 1995), assente nos questionamentos, reivindicações e metodologias propostas pela História Oral (Spear, 1981; Mazrui, 1985; Vansina, 1985) e pelas Epistemologias do Sul (Santos & Meneses, 2013), traz para o debate da História os testemunhos dos homens que formaram o Batalhão de Comandos Africanos da Guiné e propõe-se discutir o absolutismo da narrativa contada pelo Estado-nação (Ranger, 1971, 2004).

Palavras-chave > Colonialismo; Pós-colonialismo; Forças Armadas Portuguesas; Guiné-Bissau; História Oral

(Fixação de texto para efeitos de publicação deste poste:  LG. Com a devida vénia)
___________

Nota do editor:

6 comentários:

Ramiro Jesus disse...

Boa-noite.
Peço imensas desculpas a leitores e especialmente a mestres e doutorados, mas, sendo metropolitano branco e tendo pertencido à instituição, sem nunca lhe ter ouvido esta definição, não posso deixar de discordar da D.ra Sofia da Palma Rodrigues.
É que, do Batalhão de Comandos da Guiné (era esta a definição correta, não tinha "africanos"), também faziam parte e estavam às suas ordens, as duas Companhias de Comandos europeus que estavam no território, que, aliás, muitas vezes actuavam em conjunto. E, no meu caso em concreto, ou melhor, a minha Companhia, também esteve sedeada no próprio Batalhão no último meio ano de comissão.
É claro as "vedetas" do Batalhão eram as Companhias Africanas e terá sido para as mesmas que surgiu o Batalhão, mas a história é feita de realidades.
Saúde para todos!
Ramiro Jesus

Alberto Branquinho disse...


PÓIS!
E assim fica escrito para o FUTURO "ler a realidade" que o PASSADO foi.
Já não é a primeira vez que este blogue é testemunha de "ligeirezas" académicas e outras.
Fica para a História e... que mal vem ao mundo?

Alberto Branquinho

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Ramiro, fizeste bem em deixar claro que o Batalhão de Comandos da Guiné nãoo era constituída só pelos bravos "comandos africanos" (1º, 2ª e 3ª CCmds Africanos), mas também pelos não menos bravos comandos metropolitanos, da 35ª e da 38ª CCmds.

Há coisas que não podem passar em branco... Não sei a autora, Sofia da Palma Rodrigues (agora doutora, de plena direito, em "pós-colonialismo e cidadania global", pela velha Universidade de Coimbra) vos contactou, entrevistou, falou convosco, leu as vossas histórias da unidade, os livros que já se escereveram sobre vocês, se deu uma vista de olhos ao nosso blogue, etc.

A 35ª CCmds tem 17 referências no nosso blogue:
https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/.../35%C2%AA...

A 38ª CCmds tem 75:
https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/.../38%C2%AA...

O Batalhão de Comandos da Guiné tem 22:
https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/.../Batalh%C3...

O descritor ou "tag" "Comandos africanos" tem 115:
https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/.../Comandos...

O Amadu Djaló tem 108:
https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/.../Amadu...

O João Bacar Jaló tem 41:
https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/.../Jo%C3%A3o...

O Spínola tem 444:
https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/.../Sp%C3%ADnola

... e por aí fora. (Temos cerca de 6 mil descritores ou "tags", em 25 mil postes e 20 anos a "blogar": espero que os "epistemólogos do Sul" também percam um bocadinho do seu tempo connosco ou com nós, como se diz no Norte)...

Ramiro Jesus disse...

Bom-dia.
POIS!...
Respondendo ao Branquinho, é claro que não vem nenhum mal ao mundo, quando se consegue um título académico, baseado em factos menos rigorosos. Não será inédito, aliás e basta verificar que se os jurados aceitaram a tese, isto é, os dados como corretos, é porque sabiam tanto como a candidata.
Ora, para mim, que sofro da "doença" do "rigorosamente perfeito" e do "tem de estar tudo à esquadria", isto é inaceitável. E julgo até que se fôssemos todos mais rigorosos e exigentes, talvez estivéssemos mais desenvolvidos.
Um abraço!
Ramiro Jesus

Alberto Branquinho disse...


Ramiro: "não vem nenhum mal ao mundo", dizes. Vem, isso sim, mal ao mundo da História, pelo menos da pequena história, porque fica em texto escrito e no futuro aqueles que, porventura,o vão ler, ficarão com uma realidade, se não deturpada, pelo menos muito incompleta das "coisas".

O que mais me custa é ver/ler a ligeireza com que os novos "académicos" tratam estas coisas do passado recente. Mas ainda estamos vivos...

Abraço
Alberto Branquinho

António J. P. Costa disse...

Olá Camaradas
Julgo que podemos fazer frente aos "incletuais" cá do sítio enquanto formos vivos. E até pode ser que se consiga rectificar e aperfeiçoar qualquer coisa. Mas é difícil. Pode ser que aqueles camaradas que têm jeito para isso possam ir às "faculdades" dar testemunho das suas experiências.
E até pode ser que aprendam qualquer coisa...
Bom FdS
António J. P. Costa