Foto nº 1 Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Setor L5 > Galomaro > CCAÇ 3491 / BCAÇ 372 (1971/74) >
Foto nº 2 > PPSh-41
Legenda: Foto nº 1 > Luís Dias, alf mil op esp , empunhando uma pistola-metralhadora Shpagin PPSH 41, no calibre 7,62 mm Tokarev, mais conhecida por "costureirinha" e com a particularidade de ter um carregador curvo de 35 munições, em vez do habitual tambor de 71". Foto: (i) Luís Dias, reproduzida com a devida vénia, do seu blogue, Histórias da Guiné, 71-74: A CCAÇ 3491, Dulombi;
Foto nº 2 > Fonte: Wikipedia > PPSh-41
1. Comentário do Luís Dias ao poste P27921 (*):
Primeiramente dizer que concordo com quase tudo o que o Mário Dias (*) referiu sobre as diferenças entre a G3 e a AK-47, que operavam em sistemas diferentes, até por terem como origem armas diferentes.
A AK-47, mais ligada à MP44 ou StG44 alemãs (até pela fisionomia) e a HK G3 mais ligada à MP45 ou StG45 e mesmo à ML MG42 também alemãs, embora já do fim da II Guerra Mundial, foi depois lançada, pela RFA (República Federal Alemã) através da cópia da CETME de Ludwig Worgrimler (o desenhador da StG45), que depois de ter também desenhado uma arma baseada no sistema de roletes em França, que não foi aproveitada pela França, foi para Espanha, onde teve êxito com a CETME A e CETME B, que foi adoptada pelas Forças Armadas espanholas, em 1956.
Em 1956, o governo alemão (RFA) adquiriram alguns exemplares da CETME Modelo B (G3) para testarem, tendo gostado bastante da arma espanhola.
A firma Heckler & Koch (HK) foi encarregue pelo governo da RFA (que recentemente tinha sido aceite na NATO), de adquirir os direitos da arma a Ludwig Worgrimler/CETME e, com algumas alterações, apresenta a Espingarda 3 (Gewehr 3/G3), no calibre 7,62x51mm NATO, aprovada para o Exército da RFA em 1959.
E já sabemos do seu sucesso em termos internacionais. O mecanismo operativo da espingarda automática HK-G3 é semelhante ao da CETME e à StG45 (M). O seu funcionamento é por inércia, actuando os gases sobre a superfície interna do invólucro e a culatra retarda a sua abertura (“Roller-delayed blowback”) pela acção conjunta dos roletes de travamento (alojados na cabeça da culatra), da massa da culatra e da mola recuperadora.
O percutor está alojado no interior do bloco da culatra, dando-se a percussão pela pancada do cão (existente ao nível do gatilho) sobre a cauda do percutor. A alimentação é garantida pela mola do depósito (carregador). O extractor de garra, situado na cabeça da culatra, efectua a extracção da cápsula detonada no movimento de abertura da culatra e a ejecção dá-se quando a base da mesma encontra (ao nível do punho), um ejector de alavanca. Após o consumo das munições do depósito, a culatra não fica retida à retaguarda, como na FN FAL.
Quanto à Kalashnikov, a luta para impor esta arma não foi fácil, pois teve de ultrapassar diversas fases do concurso contra concorrentes bem fortes, nomeadamente: a Bulkin AB-46, a AD de Dementiev e a AS-44 de Sudayev.
Kalashnikov e o desenhador com quem trabalhava, Zaitsev, remodelaram a arma, recorrendo a modelos diversos existentes, como a Mkb42 e a StG44 alemães, as americanas USM1 Carbine e a espingarda de caça Browning/Remington M8 (a alavanca de segurança foi copiada desta última), mesmo copiando pormenores dos seus concorrentes (o pistão de gás de longo curso ligado ao ferrolho rotativo foi retirado da AB-46 de Bulkin; a ideia de grandes distâncias entre o conjunto do ferrolho e as paredes da caixa da culatra, com atrito mínimo das superfícies, foi inspirada na AS-44 de Sudayev), conseguindo, assim, ser a escolhida.
Sofreu alterações a partir de 1951, ficando como o modelo AK-47/51. O modelo de produção inicial surgiu com uma caixa de culatra de metal estampado do Tipo 1 e o modelo posterior com uma caixa de culatra maquinada, coronha e guarda-mão de madeira e câmara e cano cromados para resistirem à corrosão.
Trata-se, sem sombra de dúvida, da arma mais difundida mundialmente, participando em todos os conflitos importantes após II Guerra Mundial, em especial emprestando aos movimentos guerrilheiros uma arma que ficará como símbolo de independência e de resistência.
É a única arma que surge na bandeira que representa um país, Moçambique.
O PAIGC, para além da AK-47 e AK-47/59, surgiram nos anos finais da guerra com modelos mais modernos como a AKS e AKM e até com recurso a um tambor como carregador.
Do meu ponto de vista, o maior problema da HK G3 era o seu comprimento e mesmo o seu peso, mas eram ambas excelentes armas. (**)
(Revisão / fixação de texto, título, negritos: LG)
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Notas do editor LG:
(*) Vd. poste de 15 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27921: Casos: a verdade sobre... (68): Kalashnikovomania - Parte III: Continuo fã incondicional da G3 (Mário Dias)
(**) Último poste da série > 15 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27922: Casos: a verdade sobre... (69): Kalashnikovomania - Parte IV: Rachei o cano da minha G 3, sem tapa-chamas, na carreira de tiro... O cap 'cmd' Saraiva obrigou-me a pagar a asneira, o que bem me custou... Mais tarde, fiz as pazes com ela, foi a minha namorada até ao fim (Virgínio Briote)
(*) Vd. poste de 15 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27921: Casos: a verdade sobre... (68): Kalashnikovomania - Parte III: Continuo fã incondicional da G3 (Mário Dias)
(**) Último poste da série > 15 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27922: Casos: a verdade sobre... (69): Kalashnikovomania - Parte IV: Rachei o cano da minha G 3, sem tapa-chamas, na carreira de tiro... O cap 'cmd' Saraiva obrigou-me a pagar a asneira, o que bem me custou... Mais tarde, fiz as pazes com ela, foi a minha namorada até ao fim (Virgínio Briote)


6 comentários:
As várias ferrramentas de IA que consultei sugerem que a forma mais correta em português será "kalachnikovomania", com "o" entre "kalachnikov" e "mania". Essa grafia segue a estrutura comum de formação de palavras em português, onde o elemento de ligação "o" é usado para conectar o substantivo estrangeiro ao sufixo "mania".
Outra alternativa seria: o culto da Kalashnikov... Ou: a mania kalashnikoviana...
Lembremos aqui que o Batalhão de Caçadores Pára-quedistas nº 21 (BCP 21), a primeira unidade de paraquedistas a atuar na Guerra Colonial em Angola, a partir de 1961, utilizou (e até ao fim) a espingarda automática americana Armalite AR-10 .
Esta arma foi adquirida como uma solução de urgência para equipar as forças especiais portuguesas enquanto a produção da espingarda automática G3 não arrancava.
O BCP 21 foi criado em 1961 na sequência do levantamento insurrecional no Norte de Angola, chegando a Luanda em março desse ano.
Embora a G3 (originária da Alemanha Federal), tenha sido a arma padrão das nossas Forças Armadas, durante a guerra do ultramara (e até há pouco tempo) o lote de Armalite AR-10 de calibre 7,62 mm NATO foi crucial no início do conflito.
Curioso, continuou a ser usada em Angola... O meu amigo e camarada Jaime Silva (alf mil pqdt, BCP 21, 1970/72) só teve contacto com a arma em Luanda, quando chegou em rendição individual. Toda a sua instrução na metrópole foi feita com a G3.
Eu gostei da análise que o nosso camarada Pereira da Costa fez em 30 de Janeiro de 2013, em particular sobre o nosso Comandante Chefe o Gen. Spinola. Penso que o nosso CABO de GUERRA, era detentor de um superior nivel militar, mas servido de escassos meios colocados ao seu dispor. Eu vejo que muitos de nós misturam politica com a actividade militar, não o valorizam nem a ele nem a nós e por isso acho que devemos falar tambem dos meios e das armas utilizadas pelos americanos na guerra do Vietname em particular meios terrestres, Hélis e tropas aerotransportadas e a M16.
O Nosso CABO de GUERRA teve de fazer de tudo, até POLITICA para a qual não estava preparado.
Tenhamos pelo menos a coragem de defender o que é nosso.
Um Ab. V.C.
Vítor!
O denominado cabo de guerra, não obstante a tua opinião e de outros companheiros deste grupo de sofredores, tinha , na minha modesta opinião, uma visão muito mais abrangente na área política do que na militar. A militar era muito " mis eu scéne ", como o Luís Graça e mais alguns de nós já o catalogámos. Spínola na Guiné. Spínola pós Guiné.
O pós Guiné para mim, foi uma aposta errada do encenador político.
Abraço
Eduardo Estrela
Eduardo
Eu nunca gostei de colonialistas mas, também nunca gostei de neo-colonialistas nem de federalistas e não sou um sofredor, nem a minha actividade comercial o permite.
Mas voltando ao principio, sendo assim ele não devia ser convidado para Presidir `a Junta de Salvação Nacional, ou já esqueceste a ambiguidade do Sr. Costa Gomes, o "trabalho espectacular" que o Sr.Rosa Coutinho fez em Angola e o Conselho da Revolução que teimava em continuar com aquele "excelente " trabalho?.
Resumindo: Para mim a Politica é como uma porca criadeira, com muitos leitões e poucas têtas.
Um Ab. a todos V.C.
A democracia tem esta coisa fascinante de podermos " esgrimir " comentários duma forma civilizada e no fim darmos um abraço, mesmo que o entendimento possa ser antagónico.
Daqui te mando o meu abraço, extensivo a todos os demais companheiros.
Eduardo Estrela
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