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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27631: O nosso blogue em números (111): E lá vamos blogando e rindo... E mais se publicaria se mais material houvera, parafraseando o Camões (Carlos Vinhal / Luís Graça / Eduardo Magalhães Ribeiro)


Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)



Quadro nº 1 - Número de postes editados em 2025, por editor e por mês (n=1258) (Fonte: Carlos Vinhal, 2026)

1. O Carlos dizia, o ano passado, com graça que, sendo  a idade  um posto na tropa, o nosso Blogue  já teria direito uma patente de oficial superior. Ok.

Vamos completar em abril de 2026 vinte e  dois anos. E eu gosto de acrescentar que, na Net, essa idade é já uma eternidade. 

Multiplicando por cinco cada ano, são mais de 100. Ou 10 comissões na Guiné (de dois anos cada)... 10 comissões de serviço em cada perna, multiplicando por cinco, perfaz os tais 100 anos... É por isso que chamamos centenário ao "poilão da Tabanca Grande"...

E, se assim fosse, o blogue "centenário", completamente "cacimbado", com dezenas e dezenas de milhares de léguas nas pernas, já devia estar "protésico, radioativa, parquinsónico e alzheimareado, de tantas vezes ter ido à "recauchutagem"... Ou seja, já devia estar fora do prazo de validade...

Mas, não, por  parte dos editores, autores e demais colaboradores, "lá vamos blogando e rindo"...

Falando de coisas sérias: já passou mais um ano e o  balanço até "nem é  mau de todo", como diz o Carlos, que não vai em futebóis nem triunfalismos: números são números e a verdade é que ficámos este ano (2025) a 50 postes da meta, que era ultrapassar o número do ano passado (2024) (n=1307).

Mas nós não "estamos a trabalhar para o livro dos recordes". Até porque a matéria-prima e os recursos (humanos, técnicos, financeiros...) são cada vez mais escassos. Os computadores estão velhos, os dedos trôpegos, a coluna feita num oito, a vista cansada, as teclas fod*das, os neurónios a diminuir...

2. Falando ainda de números, em mais um poste da série "O nosso blogue em números), constatamos que:
  •  em 2025 foram publicados 1258 postes, contados entre 1 de janeiro e 31 de dezembro. (O Carlos Vinhal gosta de chamar a atenção para a contagem do Blogue que é feita semana a semana, entre domingo e sábado, pelo que não condiz com a nossa estatística feita a partir do calendário civil.)

É justo realçar o  trabalho, individual, dos editores que não têm sábados, domingos e feriados. "E até parece que nem sofrem das maleitas da idade", ironiza o Carlos.

Pelo  Gráfico nº  6 e Quadro no. 1 verificamos que;
  •  o mês mais produtivo foi o de maio (com 122 postes) (em 2024, foi o de abril com 140 postes);
  • menos produtivo foi o de setembro (n=92)
Estamos reduzidos a 3 editores, e mesmo o Eduardo Magalhães Ribeiro está com uma colaboração mais pontual (o seu próprio blogue, "Rangers & Coisas do MR",  perdeu fôlego nos últimos anos). 

No essencial, tem sido o Luís Graça e o Carlos Vinhal a manter, em bom ritmo, a produção diária, fazendo questão de nunca deixar o blogue em branco em nenhum dia da semana, e procurando não defraudar as expetativas dos seus leitores.

Não são relevantes as diferenças entre a produção de um e outro: o Luís Graça tem também a sua produção própria como autor.

O Jorge Araújo, há muito "refugiado" no Próximo Oriente, na Tabanca dos Emiratos, longe da vista e do coração da Tabanca Grande (mas não da sua Maria), também por outras razões, só nos mandou 10 postes da sua lavra, em 2025... Ele, de resto, ainda não faz edição diretamente, mas por intermédio do editor LG.

E mais se publicaria se mais material houvera, parafraseando o Camões.

Já lá vai o tempo em que quase chegávamos ao pico dos Himalaias... De facto, em 2009, quase que atingíamos os 2 mil postes... Mas nessa época, estavam 4 editores  (LG, CV, MR, VB) a trabalhar em pleno e não havia mãos a medir... E os baus das recordações começam a ser vasculhados...
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 10 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27624: O nosso blogue em números (110): em 20 anos (2006-2025): média de 1.359 postes por ano... Não é autoelogio, é uma afirmação da IA / Gemini Google, que fez a análise estatística de dados : "Significa que, faça chuva ou faça sol, o blogue publica, em média, 113 postes por mês, quase 4 por dia (...), revela uma consistência editorial raríssima em projetos de longevidade digital; (...) é um registo histórico monumental sobre a Guiné e a memória da guerra; (...)parabéns por manterem esse vigor há duas décadas!"

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27630: Notas de leitura (1885): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte VIII: um quartel no coração chão mancanha (Luís Graça)


Guiné > Região de Cacheu > Có > C. 1968/7o> Vista aérea

Foto do álbum do Raul Albino (1945-2020), ex-alf mil, CCAÇ2402/BCAÇ 2851, Có, Mansabá e Olossato 1968/70.

Foto (e legenda) : © Raul Albino (2006)Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Prosseguindo  a nossa leitura do livro do Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhas da memória" (edição de autor, 2025, il., 184 pp,) (ISBN 978-989 -33.7982-0) (*). (Revisão / fixação de texto: J. Pinto de Carvalho.)

Sinopse dos postes anteriores:

(i) o Luís,  de alcunha o "Beatle",  empregado de hotelaria e restauração, nascido na Benedita, Alcobaça;

(ii) é mobilizado para a Guiné, indo formar batalhão, o BART 6521/72, no RAL 5, Penafiel (jun / set 1972);

(iii) não tendo sido "repescado" para o CSM, tira  a especialidade de 1º cabo auxiliar de enfermeiro, em Coimbra, no RSS (Regimento de Serviços de Saúde) (jan/mai 1972);

(iv) parte  para o CTIG, por via aérea (TAM), em 22/9/1972;

(v)  no CIM de Bolama, faz a IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional. 

O tom que ressalta deste livrinho de memórias é irónico, e às vezes pícaro, jocoso e burlesco, a raiar o absurdo. Vêmo-lo em Bolama, outrora capital, ultrapassada por Bissau e em 1972, já completamente decadente. Decididamente não gostava da CUF nem da Casa Gouveia, que para ele são os donos daquilo tudo. 

Após a realização da IAO, a 2ª C/ BART 6521/72 seguiu, em 290ut72 para Có, sector do Pelundo,  a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com a CCaç 3308. 

É do cais de Bolama que o Luís e os "có boys" partem para  o seu novo destino, Có, "chão mancanha", via Bissau e João Landim. 

O quartel de Có é igual a muitos outros no CTIG, feitos a pá e pica, com muito suor e alguma da Engenharia Militar (no final da guerra contam-se mais  de 220 aquartelamentos e destacamentos, sem falar nas tabancas em autodefesa).

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Claro, também como muitos outros, era um quartel construído perto de uma povoação. Neste caso, uma tabanca grande, um "reordenamento", recente, construído no âmbito da política spinolista "Por uma Guiné Melhor", com cerrca de 4 mil habitantes, alguns dos quais (talvez bastantes), tivessem framiliares no "mato", o mesmo é dizer que estavam condenados a jogar com um pau de dois bicos, a acolher os guerrilheiros do PAIGC à noite, e sorrir aos "tugas" durante o dia.

O aquartelamento em si, com 160 camas, não tinha capacidade hoteleira para alojar condignamente duas companhias, os "velhinhos" (CCAÇ 3308) e os "periquitos" (2ª C/ BART 6521/72). 

A parte fraca teve que se "desenrascar", como mandava a tropa, tanto em tempo de paz como de guerra (pp. 67-71). "Onde comer e dormir esta noite ?"... tornou-se durante 3 semanas a preocupação dos pobres "có boys"... 

Os enfermeiros vão ficar na enfermaria, deitados em macas (da II Guerra Mundial)  e numa marquesa (pág. 69). Melhor do que dormir ao relento, debaixo do poilão. 

A 2ª C/ BART 6521/72 tinha seguido  em 290ut72 para Có, a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com a CCaç 3308. E,  menos de um mês depois, em 25Nov72, assumiria a responsabilidade do subsector de Có, ficando entregues a si próprios.

E lá ficaria quase até ao fim: em 22Ago7, é substituída por um pelotão da 1ª C/BCAÇ 4615/73 e outro da lª C/BCav 8320/73 e parte para a Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso (através dos TAM).

Mas ainda voltando à descrição do "resort" turístico que calhou aos "Có Boys" ficamos a saber mais coisas, através do autor, o Luís da Cruz Ferreira:

(i) a religiosidade cristão já não era grande, a avaliar por alguns indícios: a "casa de Deus" era um mísero telheiro que, fora das horas de serviço, funcionava também como espaço de arrumos; o capelão do batalhão, instalado no Pelundo, vinha de vez em quando fazer uma visita e rezar a missa (se tivesse quórum; se não voltava para o Pelundo, quiçá agastado, não estava para gastar o seu latim);

(ii) eram todos iguais, os "tugas", mas uns mais iguais do que outros,  sempre foi assim desde o início da nacionalidade: os oficiais e sargentos tinham uma"boa  messe" (pág. 65), mas as praças não tinha refeitório, tinham que fazer fila, de marmita na mão, para levar a comida para o abrigo, a caserna ou o mangueiro mais perto;

(iii) a cantinha, acanhada e mal equipada, era de terra batida; havia um jogo de matraquilhos "caça-niqueis";

(iv) a boa notícia é que a grande maioria já  tinha a quarta classe, alguns furriéis o segundo ciclo, e os oficiais, esses, tinham as habilitações que a tropoa exigia: 7º ano ou equivalente, frequência de curso universitário, etc. (pág.66).
 

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- 65 . 



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~
Crachá da 2ª C/BART 6521/72
(Có, 1972/74)
Pormenor interessante: era uma companhia entregue aos milicianos e às praças do contingente geral (como de resto muitas outras no CTIG).  

Só o 1º sargento, o António José do Ó, era do quadro permanente. 

O comandante era  o cap mil art Américo Licínio Romeiro da Rocha. 

Milicianos também eram os comandantes das outras duas unidades de quadrícula: cap mil cav Cav Casimiro Gomes (1ª companhia, que estava no Pelundo); e cap mil art Luís Carlos Queiroz da Silva Fonseca e cap mil inf  Edmundo Graça de Freitas Gonçalves (3ª companhia, em Jolmete). (Náo registos, na Net, referentes a estes nossos camaradas.)

Para a CCS, foi um oficial SGE, aliás dois, primeiro um capitão e depois um tenente.. Já ninguém aguentava uma comissão inteira!

Os oficiais superiores do comando do batalhão, esses, coitados, lá se iam aguentando,  como podiam, à espera que a guerra acabasse por inércia, como todas as guerras acabam, mesmo até a guerra dos Cem Anos. 

Apesar de tudo o nosso "Beatle" teve sorte: foi colocado em "trabalhos melhorados", no bar de oficiais, e mais tarde no Posto Escolar Militar nº 20. Que isto de andar com "a bolsa de enfermagem do tempo da Segunda Guerra Mundial" não era para um rapaz da Benedita, c0m o 5º ano quase completo e sobretudo experiência e formação em hotelaria e restauração (ramo onde ele hoje é um empresário de sucesso).

Espero vir a poder conhecê-lo pessoalmemte na próxima quarta feira, em Algés, no 63º Convívio da Magnífica  Tabanca da  Linha. Estamos ambos inscritos.



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Fonte: Excertos de Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhas da memória" (edição de autor, 2025, pp. 59-67)

(Revisão/fixação de texto: LG)
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Notas do editor LG:

Último poste da série > 12 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27629: Notas de leitura (1884): "As Lágrimas de Aquiles", de José Manuel Saraiva, com prefácio de Manuel Alegre; Oficina do Livro, 2001 (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P27629: Notas de leitura (1884): "As Lágrimas de Aquiles", de José Manuel Saraiva, com prefácio de Manuel Alegre; Oficina do Livro, 2001 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 3 de Julho de 2025:

Queridos amigos,
O romance do José Manuel Saraiva tem a marcada distinção de entrosar do princípio ao fim a história de uma comissão na Guiné e uma paixão que irá desaguar em amor perdido. Há na narrativa um daqueles elementos barrocos que já tenho visto apreciados noutros autores, extensas tiradas envolvendo memórias, numa linguagem incompatível com a preparação de quem ouve, no caso vertente o alferes regressa ao seu aquartelamento, de que naturalmente só restam vestígios, aparece-lhe alguém de outra geração, o antigo combatente aproveita o encontro para falar de si, antes, durante e depois daquela guerra que, afinal, não lhe disse muito, mas ficaram vincadas aquelas memórias dos mortos e feridos, e então ele faz sobressair o clangor do sofrimento do que fora uma paixão avassaladora, como a vida a férias revelara o afastamento da sua apaixonada, e como, a partir daí, aquela Guiné não passara da sensaboria de uma sobrevivência sem lustre. E ele viera agora, àquele mesmo local, verter as lágrimas que então contera, a sua vida transformara-se em amargura, uma criança daquele seu tempo da guerra, é agora o adulto que ouve todo o responso. Registo a singularidade deste romance.

Um abraço do
Mário



Um regresso à Guiné mesmo sabendo que não há reencontro com amor perdido

Mário Beja Santos

O romance As Lágrimas de Aquiles, de José Manuel Saraiva, com prefácio de Manuel Alegre, conheceu a sua primeira edição em 2001; o autor tem o seu nome ligado ao jornalismo, a documentários para a televisão sobre a Guerra Colonial, caso de Madina do Boé – a Retirada e De Guilege a Gadamael – O Corredor da Morte, foi igualmente guionista de telefilme. Este seu primeiro romance tem a originalidade de integrar na comissão militar uma dolorosa história de amor, numa elaboração de discurso narrativo de alguém que volta décadas depois da guerra ao aquartelamento onde viveu e confirma que há memórias da guerra que nunca se apagam e que naquele local lhe foi confirmado que não há ponto de regresso com o amor perdido, ali a vida se cindiu, e para sempre.

Este personagem da literatura de regressos dá pelo nome de Nuno Sarmento, é um tanto alter ego do escritor que ali combateu, foi agora encontrado em estado crítico e deixou uma documentação ao amigo. E de supetão partimos para a viagem de regresso à Guiné: “Aqui fiz a guerra. Aqui aprendi a encarar a imprevisível brutalidade da morte. Aqui pela primeira vez vi morrer e aos poucos fui morrendo. Mas já nada existe de concreto senão marcas dispersas da unidade a que pertenci, das que a antecederam e lhe sucederam no infernal processo de rendições.” Recorda os seus mortos, a correspondência recebida dos pais, a vida enamorada e a paixão que trouxe de Coimbra. E vão assomando ternas lembranças da mulher amada, de nome Catarina, os primeiros desastres da guerra, o primeiro morto, as primeiras cartas enviadas para essa doce companheira.

Numa sucessão de flashbacks, vamos ver Nuno Sarmento a formar a sua companhia em Santa Margarida, a boa impressão que lhe provocou o comandante da companhia; e depois a partida para a guerra, a viagem de comboio até Alcântara, voltamos à Coimbra dos estudantes, o dia da inspeção militar na sua terra natal, o reencontro com gente da sua infância. Agora Nuno está sentado nesse local onde houve o seu quartel na Guiné, chegou o momento de mudarmos o discurso, vai aparecer um guineense a quem ele contará muitos mais do que a sua guerra. “Neste momento em que recordo o meu passado de guerreiro transitório reparo que do outro extremo do quartel, próximo do local onde se situava o abrigo dos soldados do pelotão de artilharia, agora coberto de vegetação rasteira e muito densa, surge um homem em passo lento.” Era Aliú Cassamá, então criança quando por ali passou Nuno, perguntado se viera saudoso, o antigo alferes responde: “Não foram saudades nenhumas. Ninguém tem saudades da guerra. Mas não gostaria de morrer sem voltar aqui, onde deixei perdidos dois anos da minha juventude. Acho que devemos voltar sempre aos lugares que um dia foram nossos, mesmo nas piores circunstâncias.” Aliú diz que tem uma coisa para mostrar a Nuno e vai buscá-la, regressa com um objeto retangular embrulhado num saco de plástico enegrecido, Aliú diz que é uma coisa do alferes Duarte, falecido durante a guerra.

Vem à tona mais memórias da guerra, não falta o sentimento da dor: “A guerra emudece-nos. Rouba-nos as palavras e as ideias. Deixa-nos despidos de nós. Perdemos o nome e a genealogia, a noção do tempo e dos valores. E porque não há espaço para os sentimentos tornamo-nos cruéis e assassinos, nem que seja pela brevidade de um instante. A guerra é um território absurdo e desumano, sem portas de entrada e de saída, um lugar de ódios levado ao extremo de cada homem.” Vem-lhe à mente a decisão que tomou de mandar matar um guerrilheiro em estado agonizante; lembrou-se da estima que guardara do tal alferes Duarte, sem saber bem porquê ocorreu-lhe o modo como conhecera Catarina e com ela aquela paixão que ele considerava tão sublime; vai-nos dando excertos das suas cartas de amor e o anúncio que lhe faz de que vai partir para férias, antevê tempos de felicidade na sua companhia.

Mas este romance é feito de flashbacks, Nuno acompanhado de Aliú percorrem agora outros vestígios do aquartelamento, até lhe aflora a recordação da prisão onde estivera um guerrilheiro que até merecia as simpatias dos soldados, e que um dia se invadiu, o comandante mandou fazer uma batida, sem resultado.

As férias de Nuno transformam-se num desastre, há qualquer coisa de artificioso nos laços de ternura, Catarina está tensa, ambos dizem que o outro está diferente, acabam por se ofender, Nuno sente-se magoado e decide viajar até Lisboa, na véspera do seu regresso à Guiné, Catarina procura-o em Lisboa, voltam a desconversar, a despedida, sem qualquer equívoco, é de uma tremenda frieza. A correspondência que irão trocar deixa bem claro que a relação não tem futuro, Nuno vive num estado de espírito de grande sofrimento.

E voltamos à guerra, um amigo escreve a Nuno dizendo que Catarina vivia agora um outro amor. E retoma-se a conversa entre Nuno e Aliú, vai desfiando os últimos meses da sua comissão militar, chega um novo alferes que vem substituir um oficial morto, quem chega também traz uma história de amor acidentada. Acidentes militares não faltarão não para contar, inclusive uma emboscada em que um furriel e os soldados, num estado de pânico durante uma emboscada, põem-se a milhas e deixam o alferes sozinho, o que dará um processo disciplinar.

E assim chegamos ao que Aliú traz para mostrar a Nuno:
“Quer mostrar-me um poema que o alferes Duarte deixara escrito num pedaço de cartão colado a uma placa de madeira que mantivera preso à cabeceira da cama durante toda a comissão (…). Retiro com todo o cuidado o objeto do saco de plástico e leio:


Com uma lágrima escrevi Maria
teu nome sobre as águas debruado
foi-se o nome na corrente que fazia
aos poucos partindo-se deitado.

Com uma lágrima escrevi saudade
de ti Maria amor, Maria em Paz
com outra escrevi dor, esta verdade,
nas ruas da cidade onde não estás”


Nuno compra o poema a Aliú, vai agora regressar a Bissau. Tudo isto é matéria da carta de Nuno Sarmento deixada a este seu amigo, Valentim Marques de Sousa. Nuno viera da guerra, parecia pronto a reorganizar a vida: foi explicador de português e de inglês, empregado de mesa, intérprete numa agência de viagens, contabilista, revisor no jornal, pastor no Alentejo, motorista do ministro de quem fora colega nos tempos da faculdade. Acabara na miséria, morrera da falta de amor, agora há que apressar o seu funeral. Está tudo bem claro, há guerras que nunca acabam.
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Nota do editor

Último post da série de 9 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27620: Notas de leitura (1883): Uma publicação guineense de consulta obrigatória: O Boletim da Associação Comercial, Industrial e Agrícola da Guiné (8) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P27628: O nosso livro de estilo (20): Já não eliminamos nenhum comentário, o "lixo" é guardado como SPAM para ser reciclado... Amigos e camaradas, o comentário é a seiva do poilão da Tabanca Grande!... Comentem com total liberdade e responsabilidade!

Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Sector L1 (Bambadinca) > Subsetor do Xime ou Xitole> c. 1970 > 2º Grupo de Combate da CCAÇ 12, deslocando-se numa lala, no tempo das chuvas, decurso de mais uma operação... Arquivo fotográfico de Humberto Reis (ex-fur mil at inf, OE, CCAÇ 12, Bambadinca, 1969/71). É uma das fotos mais icónicas (e pirateadas) do nosso blogue.

Foto: © Humberto Reis (2005). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]











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3. De preferência sem erros nem abreviaturas, siglas, acrónimos; evitar também as frases em maiúsculas ou caixa alta.

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5. Abre-se então uma "caixa" (ou formulário) para escrever o teu comentário que será publicado instantaneamente, sem edição prévia, sem moderação, sem "censura prévia" (leia-se: triagem de qualquer espécie)... Nós chamamos-lhe a "montra pequena" do nosso blogue. 

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O que é importante lembrar: não são permitidas abreviaturas de nomes nem pseudónimos, ou falsos perfis... Os camaradas da Guiné" (e os antigos combatentes em geral) dão a cara", não precisam de se "esconder atrás do bagabaga"...

Se voltares ao blogue, encontrarás logo a mensagem que lá deixaste. Repete as operações acima descritas para visualizar o teu comentário.

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(i) não nos insultamos uns aos outros;

(ii) não usamos, em público, a 'linguagem de caserna' (se quiseres usar um palavrão usa os astericos: p*ta; car*lho, etc, para não ofender os leitores mais sensíveis e bem educados);

(iii) somos capazes de conviver, civilizadamente, com as nossas diferenças (políticas, ideológicas, filosóficas, religiosas, culturais, étnicas, estéticas,  etc.);

(iv) somos capazes de lidar e de resolver conflitos 'sem puxar da G3';

(v) todos os camaradas têm direito ao bom nome e à privacidade;

(vi) não trazemos a "actualidade (política, económica, social, etc.)" para o blogue, etc.


6. Os editores reservam-se, naturalmente, o direito de eliminar, "a posteriori", rápida e decididamente, todo e qualquer comentário que violar as normas legais (incluindo as do nosso servidor, Blogger/Google), bem como as nossas regras de bom senso e bom gosto que devem vigorar entre pessoas adultas e responsáveis, a começar pelos comentários anónimos  (por favor, põe sempre o teu nome e apelido por baixo), incluindo mensagens com:

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(iii) tom intimidatório, provocatório, insultuoso; 

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Alguns comentários poderão, entretanto, transformar-se em postes se houver interesse mútuo (do autor e dos editores).

7. Além dos editores, há os colaboradores permanentes, membros seniores do nosso blogue, que recebem, automaticamente, na sua caixa de correio (e apreciam depois o conteúdo de) todos os comentários.

O seu papel é o de ajudar os editores a cumprir e a fazer cumprir as regras do nosso blogue. 

Alguns deles têm, aleatoriamente, poderes de administradores, podendo eliminar, de imediato, ou considerar como SPAM, comentários que infrinjam as nossas regras editoriais, o que raramemente acontece (0,2 ou 0,3%, no máximo, em 20 anos e em 110 mil comentários).

8. Aliás, já não eliminamos nenhum comentário, o "lixo" é guardado como SPAM... para ser "reciclado".

Amigos e camaradas, continuem a alimentar o blogue com os vossos comentários. É a "seiva" do poilão da Tabanca Grande.
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 4 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27601: O Nosso Livro de Estilo (19): Política editorial do blogue

Guiné 61/74 - P27627: Humor de caserna (232): As formigas e as abelhas, nossas amigas... (José Teixeira, ex-1º cabo aux enf, CCAÇ 2381, "Os Maiorais", Buba, Quebo, Mampatá, Empada, 1968/70)


Formiga de correição do género Dorylus, mais frequentes do centro e lestye de Áfrcia,. Há cerca de 200 espécies de formigas carnívoras... Não constroem colónias, são conhecidas por organizarem expedições periódicas de milhares de indivíduos.  Têm um modo de vida em constante movimento.

Fonte: Wikipedia


1. Comentário ao poste P27619 (*), assinado pelo José Teixeira (ex-1º cabo aux enf, CCAÇ 2381, "Os Maiorais" (Buba, Quebo, Mampatá, Empada, 1968/70);  régulo da Tabanca de Matosinhos;  um histórico do nosso blogue, onde tem mais de 450 referências):

Quanto ao humor no tempo da guerra, aí vai mais uma, que se perdeu no interior do Blogue.

Quando estava deslocado em Mampatá, tinha uma tarefa, em partilha com o alferes e furrieis, fazer uma ronda pelos postos de sentinela e ficar a conversar um pouco para ajudar a passar o tempo.

Uma bela noite, cheguei ao primeiro posto e sentei-me ao lado do sentinela. Passados uns dez minutos, ao levantar-me, senti um horror de picadas pelas pernas acima até aos tintins.

Como solução, foi tirar as calças e as cuecas, pendurá-las na ponta do cano da G3 emprestada e continuar a ronda pelos outros três postos.

Quanto às lassas, aprendi com um milícia no primeiro ataque que tive, em me colocar em estátua, sem mexer nem que passasse um car*lho  pela boca! Lembram-se dessa!

Pois bem, nos outros dois ataques de abelhas, aguentei pianinho, de olhos fechados, sem me mexer. O zumbido era ensurdecedor, senti-as pousar, senti o vento que provocavam ao voarem à minha volta, mas saí incólume, a tempo de salvar um camarada, todo picado e alérgico.

Um bom ano.
Zé Teixeira



2. Comentário do editor LG:

Zé, no nosso blogue, nada se perde, e tudo se transforma. A tua história pícara das "formiguinhas, nossas amigas", já a localizei (**). Aliás, volto a reproduzi-la, aqui, trata-se de uma entrada do teu diário (Mampatá, 23 de setembro de 1968).

Por outro lado, registo o vocábulo "lassas", que deve ser crioulo, como sinónimo de abelhas... Cito aqui o nosso Mário Fitas;

(...) "Por informações recolhidas,  a CCAÇ 763 será conhecida no PAIGC com a alcunha de 'Lassas'. Pelo que se veio a saber, 'lassa' será uma espécie de abelha existente na Guiné, a qual, não sendo molestada, não tem problemas, mas se for atacada é terrivelmente perigosa tornando-se fortemente enraivecida.

Esta alcunha resultaria da actuação da CCAÇ 763, pois ao chegar a uma povoação em que a população não fugisse, não haveria problemas, falava-se com a mesma e tentava-se resolver os problemas que houvesse. Em caso contrário, se a população fugisse e abandonasse as suas moranças, estas eram literalmente destruídas.

Pelo que ficou assim com este procedimento, a companhia crismada de 'Lassas'. (...)" (***)

Quanto às nossas amigas formigas, "carnívoras", julgo que se trata das formigas-correição. Temos de melhorar a pesquisa sobre este inseto que, a abelha selvagem, era um dos nossos inimigos mais temidos, talvez até mais do que o próprio inimigo em carne e osso.


3. Excerto de "O Meu diário", de José Teixeira

Mampatá, 23 de Setembro de 1968

Tudo está calmo, há dias que o IN não ataca. Todos estamos convencidos que o próximo objectivo é Mampatá e com o seu novo sistema de ataque nos vai dar que fazer.

Uma das coisas que me agrada fazer, embora perigosa, é a ronda nocturna pelos postos de sentinela. No princípio detestava, mas agora dá-me prazer. Normalmente passo um quarto de hora em cada posto, a conversar baixinho com o camarada que está de sentinela. Assim, ajudo-o a passar o tempo e a manter-se atento. Esta missão nocturna é distribuída pelos Alferes, pelos Furriéis e por mim.

Ontem aconteceu-me uma cena que dá para rir. Como é hábito, avisei com um pequeno assobio (a senha) o primeiro sentinela que me estava a aproximar. Sentei-me ao lado dele no chão e ficamos a conversar. Não notei que me tinha sentado em cima de um carreiro de formiga preta e quando me levantei senti o corpo todo a ser ferrado. 

Que dores horríveis pelo corpo todo!

Tirei a roupa toda, arranquei as formigas como pude, coloquei a roupa na ponta da espingarda e continuei a ronda completamente nu. Estava no primeiro posto, faltavam cinco. Os meus camaradas ao verem-me chegar ao posto com o fato que a minha mãe me deu ao nascer, gozaram em cheio e durante uns dias não se falou noutra coisa.

A formiga preta faz carreiros de quilómetros à procura das suas presas. Na família desta formiga existem várias funções e tamanhos físicos. Assim as batedeiras são grandes e gordas. Normalmente andam fora da fila a procurar as presas e são as mais agressivas. A fila é composta por duas alas laterais e duas alas interiores, sendo as laterais como que soldados, mais fortes que as que vão no interior, as escravas que transportam o alimento para um esconderijo debaixo da terra

Quando as batedeiras localizam a presa, morta ou viva, esta por qualquer razão em estado imobilizado, automaticamente a fila abre-se em duas e começa o envolvimento e a tomada de assalto sem que a vítima dê por nada. Quando esta se mexer sentirá milhares de ferradelas. 

Os cornos das formigas ficam de tal maneira cravados, que muitos ficam agarrados ao corpo, quando a vítima se tenta libertar. Foi isso que me aconteceu. Dizem que gostam muito de atacar os ‘tomates’ e eu que o diga!

Disse-me a Aliu Djaló que a giboia, depois de asfixiar a presa, explora a zona num raio de 20 a 30 metros e se sentir que há formigas, abandona o alimento. Acontece que como fica vários dias a deglutir o animal que caçou, se as formigas forem atraídas pelo sangue da vítima, ou a descobrirem, cobrem-na e no momento em que com o estômago cheio tenta abandonar o local, as formigas atacam e ficam com alimentação para vários dias.

São milhões de formigas. Eu vi uma cobra apanhada pela formiga, melhor, vi uma mancha negra do que fora uma cobra. (...)

(Revisáo / fixação de texto: LG)
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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 9 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27619: Humor de caserna (231): "Filhos da p*ta, m*rda, car*lho!... Quem me acode?!... Os filhos da p*ta... matam-me!": debaixo de fogo, até um padre diz asneiras: o capelão militar, madeirense, Adelino Apolinário Silva Gouveia, que o saudoso Alcídio Marinho (1940-2021), do Porto, Miragaia, evoca e homenageia aqui

(**) Vd. poste de 11 de janeiro de 2006 > Guiné 63/74 - P420: O meu diário (José Teixeira, CCAÇ 2381) (6): Mampatá, Setembro-Outubro de 1968

domingo, 11 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P26726: E as nossas palmas vão para... (28): A Magnífica Tabanca da Linha que comemora 4ª feira, dia 14, 16 anos de existência... (De "menino da Linha" a "Magnífico" vai uma grande distância... Saibam como: podem ainda inscrever-se, até ao final de 2ª feira, no próximo 63º almoço-convívio)

 

47º almoço-convívio da Magnífica Tabanca da Linha > Algés > Restaurante Caravela de Ouro > 16 de janeiro de 2020 >  Da esquerda para a direita Zé Carioca e Mário Fitas, dois "homens grandes" da Tabanca da Linha, com o nosso editor Luís Graça. Como o tempo passa, camaradas!... O 48º convívio já ficou para as calendas gregas, porque dali dois meses, os donos-disto-tudo mandaram-nos para casa, chichi e cama, vinha aí (como veio) a pandemia do século... A Tabanca da Linha só reabriria dois anos e tal depois! (*)

Foto (e legenda): © Luís Graça  (2020). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




A negrito, "periquitos", candidatos a "magníficos"

Total= 67


1. É já na 4ª feira (e não na 5ª, como é habitual), dia 14 do corrente, às 12h30, que o corneteiro da Magnífica Tabanca da Linha vai dar o toque de início das cerimónias solenes da Comemoração do 16º Aniversário desta famosa tertúlia de antigos combatentes da guerra da Guiné (**).

Guerra? Qual delas? Houve e tem havido tantas que os "meninos da Linha" até ficam com os "chips" avariados... Pois seja, guerra colonial, guerra do ultramar, guerra de África, guerra subversiva, luta de libertação... Etiquetas? É pró lado que a gente dorme melhor, diria o saudoso Jorge Rosales, o histórico 1º régulo...

As datas também não são consensuais... "Aponta, truno: "de 1961 a 1974!"... Eu bem queria esticá-la na linha do tempo, mas tiraram-me o chão, o ar e o mar", dizia o Caco Baldé...

Os magníficos (no total, e ao fim de anos 16 anos, são  equivalente a uma companhia), que estão inscritos para as festividade de 4 feira somam já 67 (cerca de 40% do total dos membros registados e elegíveis da Magnífica Tabanca da Linha) (***).

Não se esqueçam: o prazo de inscrição é até amanhã, 2ª feira, ao fim do dia. 

O melhor é telefonar para o régulo, Manuel Resende: Ou mandar-lhe um email: 

Tel - 919458210

Mail - magnificatabancadalinha2@gmail.com 

O ingresso (com direito a comer na messe de oficiais e ainda lever para a "mornaça" um bom naco do bolo de aniversário e o resto da garrafa de espumante) são 28 morteiradas e meia

Para saber mais, ver aqui o nosso poste P27610 (**):

















Dois "meninos da Linha", e ainda por cima"salesianos", que chgaram a régulos da "Magnífica Tabanca da Linha (inaugurada a 14 de janeiro de 2010): Jorge Rosales (1939-2019) e José Manuel Matos Dinis (1948- 2021)... Sempre presentes!

2. Como é que um "menino da Linha" pode tornar-se "magnífico"? Ler e  seguir as instruções do régulo (mas o melhor é mesmo inscrever-se já, para 4ª feira: almoça, e bem, come o bolo de aniversário, bebe uma taça de espumante e sai de lá... "magnífico"!!)


(...) MAGNÍFICA TABANCA DA LINHA

Este grupo [no Facebook] foi criado com a intenção de partilhar informação rápida entre todos os convivas que frequentam os nossos Convívios. Para isso todos os convivas são convidados a serem membros deste grupo, tornando-se "MAGNÍFICOS", e assim continuaremos.

MEMBROS

Só serão aceites como "MAGNÍFICOS" os convivas que satisfaçam estes três pontos:

1º - Terem sido combatentes na Guiné.

2º - Terem participado nos nossos convívios,

 que fazemos de dois em dois meses;

Após a primeira participação passam a "MAGNÍFICOS".

Ao pedirem para aderir terão de enviar 

o vosso E-mail e telefone para serem convidados. 

Após o primeiro convívio serão aceites.

3º - Que vivam na zona da Grande Lisboa,

principalmente na Linha de Cascais. (****)


PUBLICAÇÕES

Todos os almoços-convívios serão anunciados aqui, na página do Facebook,  na secção "Eventos", para facilitar as inscrições.

Os convites serão enviados simultaneamente, por e-mail e telefone para todos, pois alguns Magníficos não têm facebook, e outros nem sequer e-mail. Mas todos serão avisados.

Só são aceites publicações referentes aos nossos Convívios, ex-combatentes e suas situações, assuntos relacionados com a nossa passagem pela Guiné.

Não são aceites outras publicações.


Manuel Resende

FOTOS E DESCARGAS

Na secção "Ficheiros" estão disponíveis todas as fotos dos diversos almoços-convívios para visualização e descarga. Como sabem as fotos dos álbuns Google são comprimidas, mas ao descarregar ficam na versão original.

Um abraço a todos

Manuel Resende (...)

A Magnífica Tabanca da Linha

Grupo Privado | 162 membros

https://www.facebook.com/groups/1541868166066935?locale=pt_PT

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Notas do editor LG

(*) Vd. poste de 19 de maio de 2022 > Guiné 61/74 - P23276: Convívios (927): A Magnífica Tabanca da Linha reabre hoje, em Algés, no Restaurante Caravela de Ouro, ao fim de mais de dois anos de pandemia... Uma luzidia representação do Porto, de "O Bando" (incluindo 3 escritores), vem animar este 48º convívio, já histórico...

(**) Último poste da série 6 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27610: Convívios (1045): 63º almoço-convívio da Magnífica Tabanca da Linha, quarta feira, dia 14 de janeiro de 2026, 16º aniversário do Grupo... Bom ano e força nas canetas para os Magníficos (Manuel Resende)

(****) Último poste da série > 18 de julho de 2025 > Guiné 61/74 - P27029: E as nossas palmas vão para... (27): Rosa Serra, ex-tenente graduada enfermeira paraquedista (Guiné, Angola e Moçambique, 1969/73), homenageada na sua terra natal, Famalicão, no passado dia 9 de julho de 2025

(***) Eh, pá, não passem cavaco a estes gajos com manias... elitistas e sulistas: a Tabanca já é tão elástica que acolhe também os "meninos da Foz (do Douro"). E com muito agrado de todos, ao que parece. É pena é que ainda não tenha sido inaugurado o raio do TGV!... Estão à espera de quê? Nem o nosso pai morre, nem a gente almoça!

Guiné 61/74 - P27625: Documentos (50): Brochura "Missão na Guiné", da autoria do Estado Maior do Exército. 3ª ed. (Lisboa, SPEME, 1971, 78 pp.) - Parte VI: Informações úteis ("patacão", pensão de família, SPM, vale de correio, diferenças horárias, Emissora Nacional, TAP) (pp. 68-77)



Guiné > Bissau > Bissalanca > Aeroporto > 14 de abril de 1969  >  Dia da chegada do Professor Marcelo Caetano, chefe do Governo, marcando o  início de uma visita presidencial ao Ultramar... E o Virgílio Teixeira a pensar que o melhor de Bissau ainda era Bissalanca onde se apanhava o avião para casa (infelizmente ainda não havia ligação direta para o Porto)...

Foto (e legenda): © Virgílio Teixeira (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Capa do livro: Portugal. Estado Maior do Exército - "Missão na Guiné". 

Lisboa: SPEME, 1971, 77, [5] p., fotos.


1. Recorde-se que esta brochura era-nos distribuída já a bordo do navio que nos transportava para a Guiné (ou do avião dos TAM, a partir de finais de 1972). 

Estamos a reproduzir um exemplar da 3ª edição,  de 1971 (a 1ª é de 1967).

Tem 77 páginas (mais 5 inumeradas) e é ilustrada com  9 fotos.  Tudo a preto e branco. Nada de luxos.. A edição é do SPEME (Serviço do Publicações do Estado Maior do Exército).  Em 1967 (de 1958 a 1969) era Chefe do Estado Maior  (CEME) o gen Luís Câmara Pina (1904-1980). 

É constituída por três partes:  (i) Missão no Ultramar;  (ii) Monografia da Guiné: aspeto físico, humano e económico;  (iii) Informações úteis. 

Vamos reproduzir a parte final (pp. 68-77) com informações que na época eram úteis para o militar que acabava de chegar a Bissau: 

  • vencimento e gratifcações (das praças metropolitanas) ("patacão", uam das primeiras palavras,. em crioulo, que se aprendia);
  • pensão de família;
  • correspondência postal / SPM;
  •  transferência de "patacão" para a metrópole (e vice-versa) (por "vale de correio")
  • diferença horária
  • enissões radiofónicas (Emissora Nacional)
  • ligações aéreas (TAP)

 "Missão na Guiné" não era um texto apenas técnico e informativo. Tinha uma componente político-ideológica, como acontece em todas as guerras. Hoje, tem um valor acrescido, quer documental quer sentimental, para nós, antigos combatentes.

Esperamos que os nossos leitores possam fazer a sua apreciação (crítica) do documento. Tal como o PAIGC tinha os seus documentos de doutrinação e propaganda, também as NT tinham os seus.


2. Coisas de que ainda (ou já não) me lembrava:
  • Vencimento base + complemnentar ("patacão", uma das primeiras palavras de crioulo que a malta aprendia,essa e o "parte peso");
  • Sintonizar a Emissora Nacional (era raro ouvir rádio, nem sequer o PIFAS ou a "Maria Turra");
  • Entidade pagadora da "pemsão de família" (náo se aplicava no meu caso);
  • Aerogramas e encomendas (escrevia pouco);
  • Selos de correio (sempre preferi a carta selada ao aerograma do MNF, que era de borla);
  • Vale do correio (às vezes lá pedia algum "patacão"...);
  • Normas do SPM (Serviço Postal Militar);
  • Duas horas de diferença (em relação à santa terrinha) (já não me lembrava de todo!);
  • Duas viagens na TAP, de Boeing 727 (licença de férias, em meados de 1970), com paragem técnica no aeródromo internacional  da ilha do Sal, Cabo Verde (hoje Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, que começou a ser projetado pela Itália de Mussolini e foi construído em tempo recoirde, sendo inaugurado em 1939 com  o primeiro comercial ligando a Europa e a América do Sul).


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Fim

Fonte: excertos de Portugal. Estado Maior do Exército: "Missão na Guiné". 
 Lisboa: SPEME, 1971, pp. 68-77.


(Seleção, edição de fotos e páginas, fixação de texto: LG)

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Nota do editor LG:

Vd postes anteriores da série:

12 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27521: Documentos (43): Brochura "Missão na Guiné", da autoria do Estado Maior do Exército. 3ª ed. (Lisboa, SPEME, 1971, 78 pp.) - Parte I: "Missão no Ultramar" (pp. 7-10)

13 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27525: Documentos (44): Brochura "Missão na Guiné", da autoria do Estado Maior do Exército. 3ª ed., Lisboa, SPEME, 1971, 78 pp.) - Parte II: "Monografia da Guiné: Aspeto físico (pp. 11-23)

16 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27535: Documentos (46): Brochura "Missão na Guiné", da autoria do Estado Maior do Exército. 3ª ed. (Lisboa, SPEME, 1971, 78 pp.) - Parte IV: "aspecto humano" (pp. 25-38)

24 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27572: Documentos (48): Brochura "Missão na Guiné", da autoria do Estado Maior do Exército. 3ª ed. (Lisboa, SPEME, 1971, 78 pp.) - Parte V: aspecto humano (continuação): Governo e administração; resumo histórico (pp. 40-50)

31 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27587: Documentos (49): Brochura "Missão na Guiné", da autoria do Estado Maior do Exército. 3ª ed. (Lisboa, SPEME, 1971, 78 pp.) - Parte VI: Aspeto humano (cont): saúde e instrução pública; religiões: imprensa e rádio... Aspeto económico: agricultura e florestas; pecuária e pescas; recursos de origem mineral: energia: vias de comunicação... Mais de 300 km de estradas alfaltadas ( pp. 51-65)