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sábado, 25 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27953: Os nossos seres, saberes e lazeres (732): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (253): No Convento de Chelas, revivendo o passado na Guiné (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 2 de Abril de 2026:

Queridos amigos,
Aqui se conta como se respondeu ao convite feito pelo senhor Diretor do Arquivo Geral do Exército para conhecer a instituição e o seu património histórico. Andava eu à cata de dados biográficos do Tenente Médico João Vicente Santana Barreto, de quem escrevi uma monografia, enviei vários emails, não obtive resposta até que chegou um telefonema do seu principal responsável dando-me a saber que nada havia ali sobre o tenente médico, mas gostava muito de me convidar, talvez houvesse surpresas. E muitas tive, aquele Arquivo tem uma fabulosa riqueza de dados, é incompreensível que os historiadores não batam aqui à porta. Do que me coube como grande surpresa foi encontrar um auto de declarações de que perdera completamente a memória, tudo relacionado com uma famigerada operação onde não faltou miséria humana, essa sim, guardo-a na memória, como uma das situações mais tenebrosas que me foi dado a viver. E nada mais direi, é segredo que se leva para a tumba.

Abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (253):
No Convento de Chelas, revivendo o passado na Guiné


Mário Beja Santos

Há muitos anos aqui cheguei para pedir fotocópia de documento que me desse gratuitidade de propinas na vida académica, a mim e às minhas filhas, trata-se de uma legislação que atribui a quem teve condecorações ou louvores de generais prefeitos em guerra essa compensação. Mais recentemente, enviei emails insistentes ao Arquivo Geral do Exército, aqui instalado, pedindo informações sobre um médico natural de Goa, tenente, que trabalhou na Guiné de 1919 a 1931, a quem dediquei uma monografia, João Vicente Sant'Ana Barreto, para além de médico de doenças tropicais é o único autor de uma História da Guiné. Dirigi-me aqui como ao Arquivo Histórico Ultramarino, Arquivo Histórico Militar, Arquivo Nacional da Torre do Tombo e Biblioteca Nacional. Não obtive resposta desta diligência, e eis que estou na fila de entrada para um avião que me leva para Frankfurt e recebo um telefonema, contactava-me o senhor Tenente-Coronel Simões de Oliveira, Diretor do Arquivo Geral do Exército, dizendo-me que não havia nenhum processo referente a esse tenente médico, mas gostava muito que eu visitasse a instituição. Prontamente disse que sim, até porque lhe queria pedir o favor de ver se eu podia encontrar os contactos de três camaradas que comigo conviveram em Missirá e Bambadinca.

Largos meses depois, proporcionou-se o encontro, tinha ido à RTP África falar sobre o meu livro Guiné, Bilhete de Identidade Tomo II, tomei um autocarro, foi fácil de chegar aqui, ao Convento de Chelas. É mais uma história assombrosa do nosso património, este Convento de S. Félix, uma das instituições religiosas mais antigas da cidade, aqui se encontraram vestígios romanos e visigóticos que podem ser vistos no Museu Arqueológico do Carmo, sofreu profunda remodelação a partir de 1604, acolheu as Freiras de S. Agostinho, aqui viveu na juventude D. Leonor de Almeida Portugal, a Marquesa de Alorna e futura poetisa Alcipe, a família fora perseguida no Processo dos Távoras, por decisão do Marquês de Pombal; com a extinção das ordens religiosas, veio a degradação, instalou-se aqui uma fábrica da pólvora, mais tarde o Arquivo Geral do Exército e também por aqui andou o Batalhão de Serviço de Transportes. A galilé e o Portal de Igreja estão classificados como monumento nacional desde 1930, é o vestígio manuelino que antecede as transformações do início do século XVII, a austera arquitetura maneirista.

O senhor Tenente-Coronel recebe-me com a maior das afabilidades, visitamos estruturas azulejares já sujeitas a conservação e restauro, foi me dado a apreciar a delicada volumetria do claustro, cometeram-se para aqui no passado algumas barbaridades, arrancaram-se as oliveiras substituindo-as por palmeiras, no centro do claustro a fonte e a estrutura azulejar reclamam obras profundas. Neste acolhimento, sou convidado a ver o meu processo, sento-me e dou subitamente, enquanto folheava a documentação nele existente com um auto de declarações datado de março de 1969, tratava-se da famigerada Operação Anda Cá, que decorreu nos dias 21 e 22 de fevereiro desse ano, o Comandante do Agrupamento do Bafatá, o então Coronel Hélio Felgas, mandara instalar o inquérito, a evolução da operação cheirara-lhe a esturro, percebia-se à légua, até pelas alegações feitas após operações de vários oficiais, se tinham tomado deliberações que conduziram ao abandono da operação.

Reli todo o texto das minhas declarações neste processo, voltei a sentir a profunda mágoa por ter calado a verdade de tudo o que tinha acontecido a partir do momento em que um soldado de uma das companhias que faziam parte do efetivo da operação em que eu e os meus soldados já estávamos a ouvir vozes no acampamento de Madina, nos fundos do regulado do Cuor, pisou um fornilho, ficou completamente destroçado e mutilado ficou um dos meus sargentos de milícia, Fodé Dahaba, felizmente ainda vivo, acompanhou-me em 2010 na visita que fiz para me despedir dos meus soldados.

Prosseguiu a visita aos ficheiros, há para ali cerca de 15 milhões de fichas de gente que fez recenseamento militar desde meados do século XIX à atualidade, é impressionante, deve ser um dos mais lautos pitéus que se pode dar a sociólogos, peritos em estatística, entre outros, poder ver estes mancebos em altura, peso, medições cranianas, habilitações, profissões, e muitos mais dados.

Eu vinha também com alguns pedidos, antes de partir para a constelação de Oríon, gostava muito de abraçar camaradas muito queridos com quem vivi a seu lado a plenitude da solidariedade militar, o António Fernando Ribeiro Teixeira, o António Silva Queirós e o Alcino Barbosa. Vários computadores são postos a trabalhar, a primeira investigação anda à volta de saber se o militar recebe aquele complemento de cerca de 100€ em outubro ou novembro. Encontrou-se o Teixeira, já escrevi para o Lugar do Calvário, em Felgueiras; apareceram as fichas do Queirós e do Barbosa por outras vias, o senhor tenente-coronel assegurou-me que irá à cata destes processos por outras vias.

Saio de Chelas feliz por esta visita ao passado, viajo de autocarro com a memória aos turbilhões, lembrando estes meus camaradas que tanto gostava de rever, o Teixeira e o seu elevado profissionalismo como cabo das transmissões, o muito que trabalhou como trolha na reconstrução de Missirá, o Queirós, o responsável pelo nosso armazém de víveres, conhecido por 81, era com ele que eu punha a funcionar o morteiro 81 nos momentos que tivemos de flagelações, e guardo a muita mágoa de nada ter sabido do Alcino Barbosa, evacuado depois da mina anticarro de 15 de outubro de 1969, com fratura do calcâneo, a única coisa que sei é que ele voltou para a sua terra, perto de Amarante.

Estou em ânsias em saber por onde param estes meus inesquecíveis camaradas.
António da Silva Queirós, de olhar banzado diante da ruína do Unimog 404, vitimou mortalmente o Manuel Guerreiro Jorge, houve igualmente sete feridos
Não se pode dizer que o Convento de S. Félix não tinha uma boa extensão
A ligação do Convento com a Igreja, entrada pela porta à esquerda
Galilé e Portal Manuelino, monumento nacional desde 1930
Enquanto visitava estes corredores de ficheiros onde se guardam referência a mais de 15 milhões de mancebos desde meados do século XIX, só me lembrava daquela conservatória inventada por José Saramago para o seu romance Todos os Nomes, ficheiros que levavam até aos abismos da escuridão, pensando na riqueza de elementos que a historiografia portuguesa tem aqui ao seu dispor.
Confesso que tinha esquecido completamente este auto de declarações, tudo isto se passou em 19 de março de 1969, tinha saído do Hospital Militar 241 onde fizera uma operação a uma exostose no joelho direito, mal sabia eu que nesse dia com o anoitecer Missirá ficou num pasto de chamas, ia começar a maior aventura da minha vida, recuperar tudo o que fosse possível, lutando contra o tempo, a época da chuva estava à porta.
Cada vez que eu vejo esta fotografia recordo aquele boné que estava completamente sebento, penso que passou pela cabeça de toda a gente
A aprazível fonte do Convento de Chelas, foi sujeita a alterações e está a pedir muitas obras
Imagem de uma parede que foi totalmente recuperada
Pormenor do claustro do Convento de Chelas
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Nota do editor

Último post da série de 18 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27930: Os nossos seres, saberes e lazeres (731): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (252): Imprevistos em dó maior, a empatia dos ambientes, felicidade é ter algo que amar (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P27952: Convívios (1063): 54.º Convívio da CCAÇ 414, que se realizará no próximo dia 3 de Maio de 2026, em Aveiro (Manuel Barros Castro, ex-Fur Mil Enfermeiro)

"SEMPRE EXCELENTES E VALOROSOS" (Catió e Cabo Verde, 1963/1964)

54.º Convívio da CCAÇ 414

Dia 3 de Maio de 2026 em Aveiro


1. Mensagem do nosso camarada Manuel Barros Castro, ex-Fur Mil Enfermeiro da CCAÇ 414, Catió (1963/64) e Cabo Verde (1964/65), com data de 24 de Abril de 2026:

O próximo dia 3 de Maio, sob a batuta do ex-furriel miliciano Daniel, será o dia do 54.º Convívio da Companhia de Caçadores 414.

Terá lugar na linda cidade de Aveiro, com concentração junto à Sé Catedral, pelas 10H00, em cuja missa serão lembrados os camaradas falecidos.
Seguir-se-á o almoço no já conhecido Hotel Miliá.

Obrigado,
Manuel Castro
(Tabanqueiro 793)

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Nota do editor

Último post da série de 24 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27947: Convívios (1062): XXX Convívio da CCAÇ 3398, dia 9 de Maio de 2026, em Águeda (Joaquim Pinto Carvalho, ex-Alf Mil Inf)

Guiné 61/74 - P27951: Efemérides (386): "O POEMA", alusivo à efeméride de hoje, 52 anos do 25 de Abril de 1974, da autoria do nosso camarada Juvenal Amado, ex-1.º Cabo CAR do BCAÇ 3872


O POEMA

Desceu pelas calçadas
Ao ritmo cadenciado dos passos
Percorreu os bairros e acordou toda agente
Não respeitou a ordem instituída


Penetrou e iluminou as caves
Tocou nos clandestinos
Acendeu a acendalha da esperança
Encheu-nos o olhar de mar


Transmitiu-se de boca em boca
Expandiu-se nos abraços
Ganhou esperança nos cânticos
Permitiu que se ouvisse o que era inaudível


O poema não dormiu
Multiplicou-se nos espasmos dos amantes
Chamou mudos à rua para que tivessem voz
Os surdos ouviram a poesia pela primeira vez


Atravessou muros e abriu grades
Foi fraternal


O poema abrigou quem tinha frio
A poesia saiu de cada movimente e cada gesto
No nascer do novo dia o poema sorriu
Finalmente tinha afastado a escuridão dos tempos
E o poema ditou a Liberdade.


25 de Abril 2026
Juvenal Sacadura Amado

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Nota do editor

Último post da série de 25 de Abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27950: Efemérides (386): O 25 de Abril é um poema universal (Adão Cruz, ex-Alf Mil Médico da CCAÇ 1547)

Guiné 61/74 - P27950: Efemérides (386): O 25 de Abril é um poema universal (Adão Cruz, ex-Alf Mil Médico da CCAÇ 1547)


25 DE ABRIL, FLOR SEM TEMPO

adão cruz

O Vinte e cinco de Abril é um poema universal. É muito difícil entender a alma quase cósmica dos valores, dos princípios, e dos magníficos versos deste profundo poema. Recordar o 25 de Abril não é relembrar apenas o facto concreto de um golpe militar e de uma revolução popular, com mais cartazes ou menos cartazes, mais canções ou menos canções, ainda que de iniciativa extremamente louvável. Recordar e comemorar Abril é ensinar em tudo quanto é lugar, na escola, na rua, no trabalho, que o 25 de Abril foi um portentoso fenómeno universal de iluminação das consciências, de abertura das catacumbas fascistas, um glorioso hino à liberdade com repercussão e geração de profundas mudanças sociais e mentais não só em Portugal mas em todo o mundo.

O vinte e cinco de Abril foi um dos fenómenos político-sociais de maior importância pedagógica dentro de uma sociedade encarcerada em mitos, preconceitos, obscurantismos e grilhetas mentais que formataram e aviltaram a vida até meados do século passado. Os seus valores intrínsecos, mal-entendidos e mal interpretados por muita gente, mesmo gente de cultura, foram repensados e desenvolvidos ao longo dos anos e percorreram o mundo de lés-a-lés, reproduzindo-se como elevados conceitos de deveres, direitos, dignidade e justiça do cidadão do mundo. Mas este entendimento, infelizmente, apenas fazia parte daquela humanidade sonhadora, senhora da mentalidade saudável do homem sério, honesto e bem-intencionado. Pondo de lado a enorme ignorância, a incultura, o obscurantismo de qualquer espécie de que muita gente não era culpada, uma parte do mundo é feita de gente sem ponta de humanidade, sem consciência, sem honra nem dignidade, cultivando o ódio e a vingança, vivendo a corrupção e o deus dinheiro acima de tudo, o poder a qualquer preço, a guerra como instituição e a morte como indústria.

O 25 de Abril foi o mais importante fenómeno político-social da nossa história moderna. O mais fascinante renascer da vida de todos aqueles que tinham dentro de si a terra preparada para nascerem cravos. Foi uma rajada de vento estilhaçando as janelas do tempo e deixando entrar o futuro e os sonhos pela mão dos pequenos gestos de cada um de nós. Uma generosa pincelada de cor e de vida nas paredes gastas da existência, nas palavras desencantadas e nos rostos mortos da esperança. O abrir da madrugada que há tanto tempo se recusava a ser dia. A praça do entusiasmo era demasiado grande e a alegria brotava em cada esquina, entoando canções que ardiam no ventre da arte e da poesia. Eram muitas as certezas, ainda mais as incertezas e uma cândida ingenuidade brilhava em todos os olhos. Acreditava-se que neste pérfido mundo eram todos almas grandes, as únicas capazes de ultrapassar a fronteira para além da qual o homem adquire a dimensão da cidadania, da honra e da dignidade.

Ao calor do 25 de Abril se deve o germinar da revolucionária ideia de que é na relação com os outros que nós percebemos quem somos e que o sentido da nossa existência é o sentido da nossa coexistência. A maior conquista do 25 de Abril foi, de facto, o nascimento de uma necessidade crescente de sentir a beleza, o autêntico, a verdade, o gosto da vida para cada um e para todos, a solidariedade, a sede de saber e a consciência da soberania da liberdade e da justiça.

Comemoramos hoje os cinquenta e dois anos do nascimento de uma vida por que tanto lutámos. Mas é com alguma tristeza que penduramos o cravo na lapela e uma lágrima nos olhos. Não sabemos ao certo se é dor ou alegria o que sentimos, quando abrimos ao sol as portas de Abril e vemos os seus inimigos espumando de raiva ou comemorando com toda a desfaçatez a honrosa revolução que sempre odiaram. Não nos deixemos iludir com o que se passa na Assembleia da República, onde a hipocrisia é maior do que o monte de cravos ali aprisionados nesse dia.

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Nota do editor

Último post da série de 13 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27917: Efemérides (385): "Para o Adriano", poema do nosso camarada Adão Cruz, ex-Alf Mil Médico da CCAÇ 1547 / BCAÇ 1887 (Canquelifá e Bigene, 1966/68)

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27949: Agenda Cultural (890): Rescaldo da apresentação do livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos, que teve lugar no passado dia 21 de Abril, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 24 de Abril de 2026:

Confesso que me foi muito reconfortante apresentar este livro na casa onde me bacharelei e licenciei, aqui me apresentei vindo da Guiné, com o estatuto de estudante-militar, encontrei muita solidariedade de colegas que me facultaram apontamentos das aulas e preciosas referências bibliográficas, que me permitiram ir paulatinamente fazendo exames enquanto trabalhava na Agência Militar. Presidiu à sessão de apresentação o Professor José Pedro Serra, académico e diretor da biblioteca da Faculdade de Letras, contei com os prestimosos comentários de dois investigadores de gabarito, a quem devo admiração e muita amizade, António Duarte Silva e Eduardo Costa Dias, ambos com estudos de referência tanto sobre a colónia como o período posterior, da Guiné Independente.

Tive a alegria da comparência de várias dezenas de amigos, limitei-me a enunciar os principais tópicos que abordei no livro sobre os séculos XIX e XX: os conflitos diplomáticos com a França e com o Reino Unido, a questão do Casamansa e a questão de Bolama, as iniciativas políticas de Honório Pereira Barreto, que se revelaram determinantes para a configuração do atual Estado, as guerras do Forreá, o desastre de Bolor, a formação do distrito autónomo da Guiné, a formação da Província da Guiné, a ocupação militar, o destaque das medidas políticas dos principais governadores, tais como Carlos Pereira, Velez Caroço, Carvalho Viegas e Ricardo Vaz Monteiro, pondo ponto final com a governação do comandante Sarmento Rodrigues, que pôs a Guiné no mapa não só do Império português como no contexto africano, criando um espaço autónomo na chamada África Ocidental francesa.

Braima Galissá fez um memorável recital, ele é de facto um exímio tocador de Korá, tem um espetáculo marcado para o Centro Cultural de Belém, no dia 9 de maio, pelas 17h, intitulado Bela-Nafa, uma sugestão cultural para todos os nossos confrades que vivem em Lisboa e arredores.

Aspecto da sala
Na mesa: o autor Mário Beja Santos; o investigador e historiador António Duarte Silva, no uso da palavra; o Director da Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, José Pedro Serra e o Prof. Jubilado do ISCTE, Eduardo Costa Dias
José Pedro Serra no uso da palavra
O nosso confrade Mário Beja Santos, autor do livro em apresentação, usando da palavra
José Pedro Serra; o economista Jorge Braga de Macedo e o autor Mário Beja Santos
Braima Galissá, exímio tocador de korá, durante o seu recital
Mário Beja Santos e Braima Galissá

OBS: - Edição e legendagem das fotos: Carlos Vinhal
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Nota do editor

Último post da série de 16 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27925: Agenda Cultural (889): Apreciação de Philip Havik ao livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos, que será apresentado no próximo dia 21 de Abril de 2026, pelas 17h30, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Guiné 61/74 - P27948: As nossas geografias emocionais (65): O Jorge Ferreira, no CIM de Bolama, em junho/julho de 1961




Foto nº 1 > Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar > c. junho /julho de 1961 > O alf mil Jorge Ferreira, o segundo a contar a esquerda. 


Foto nº 2 >  Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar > c. junho /julho de 1961 > O alf mil Jorge Ferreira, o primeiro a contar da direita


Foto nº 3 > Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar > c. junho /julho de 1961 > À porta de armas...


Foto nº 4 > Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar > c. junho /julho de 1961 > O alf mil Jorge Ferreira, na entrada do CIM de Bolama: é o segundo a conta da direita


Foto nº 5 >Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar (CIM)  > c. junho /julho de 1961 > Entrada do CIM 


Foto nº 6 > Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar > c. junho /julho de 1961 > Recrutas guineenses em formatura (1)


Foto nº 7 > Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar > c. junho /julho de 1961 > Recrutas guineenses em formatura (2)


Foto nº  8 > Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar > c. junho /julho de 1961 >   Paisagem



Foto nº 9 > Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar > c. junho /julho de 1961 > O Jorge Ferreira à civil


Fotos (e legendas): © Jorge Ferreira (2026). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Jorge Ferreira em Buruntuma
(nov 61 / jul 62)

1. O Jorge Ferreira tem 40 referências no nsso blogue. É um dos nossos VCC ("velhinhos como o caraças...). Não em idade (é um jovem, vai fazer 88 anos no próximo dia 4 de julho), mas em antiguidade na tropa.

Entrou para a Tabanca Grande em 19/9/2016 (nº 728) (*)

Em meados de 1960, tinha concluído o 3º ano da licencitura em Ciências Sociais e Políticas (ISCSPU / UTL), quando foi chamado para a tropa. (Os últimos dois anos do curso serão completados depois de regressar à metrópole em julho  de 1963.)

Em maio de 1961 é  mobilizado para a Guiné. Ficou no CIM de Bolama a dar recruta a tropas do recrutamento local  (2 turnos). É colocado em Nova Lamego na 3ª Companhia de Caçadores Indígenas (a partir de 1/4/1967, sesignada por CCAÇ 5, "Gatos Pretos", Canjadude, até à sua extinção, em 1974).

Entre  novembro de 1961 e julho de 1962, esteve em Buruntuma, na fronteira com a Guiné-Conacri, quando ainda a guerra não tinha começado oficialmente... Esteve a comandar um pelotão  de 40 homens (metade do Esquadrão de Cavalaria nº 252, e metade do recrutamento local, da 3ª CCI).

A sua comissão de serviço no CTIG foi de 25 meses.  As fotos que apresentamos são do início da sua comissão quando foi colocado como instrutor no CIM de Bolama (**).

2. Informação adicional sobre a 3ª CCAÇ  I (José Martins, nosso colaborador permanente, ex-fur mil trms, CCAÇ 5, Canjadude, 1968/70):



 (i) esta unidade foi constituída em 1 de fevereiro de 1961, como unidade da guarnição normal do CTIG;

(ii) era formada por quadros metropolitanos e praças indígenas do recrutamento local;

(iii) iniciou a sua formação adstrita à 1ª CCAÇ I (que passou a designar-se, a partir de 1/4/1967, CCAÇ 3);

(iv) em 1 de agosto de 1961, com a constituição de dois pelotões, substitui a 1ª CCAÇ I na guarnição de Nova Lamego;

(v) desloca elementos para guarnição de várias localidades do Setor Leste, por períodos e constituição variáveis, sendo de destacar as localidades de Che-Che, Béli e Madina do Boé;

(vi) passou a guarnecer, em permanência,  as localidades de Béli e Madina do Boé instalando, em 6 de maio de 1963, um pelotão em cada localidade;

(vii) em 1 de abril de 1967 passa a designar-se por Companhia de Caçadores nº 5, com sede em Canjadude.

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Notas do editor LG:

Guiné 61/74 - P27947: Convívios (1062): XXX Convívio da CCAÇ 3398, dia 9 de Maio de 2026, em Águeda (Joaquim Pinto Carvalho, ex-Alf Mil Inf)

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Nota do editor

Último post da série de 19 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27931: Convívios (1061): XXVII Encontro-Convívio da CCAÇ 4150/73, dia 10 de Maio de 2026, na Mealhada (Albano Costa, ex-1.º Cabo At Inf)

Guiné 61/74 - P27946: Notas de leitura (1916): "A Partilha de África", por Conde de Penha Garcia; Lisboa, 1901 (2) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 15 de Janeiro de 2026:

Queridos amigos,
Confiro ao interesse a esta conferência do Conde de Penha Garcia pela forma como ele estruturou a sua exposição quanto à natureza da nossa presença em África até ao século XIX e como as ambições das potências coloniais levaram à partilha do continente africano na Conferência de Berlim, que exigiu a Portugal a delimitação de fronteiras, confirmou o direito a possuirmos o Império colonial com as parcelas que vieram a tornar-se independentes em 1974 e 1975. As pressões sobre a bacia do Zaire, a baía de Lourenço Marques, territórios da Guiné, eram muito fortes, quer do lado francês quer do lado britânico, no final da sua exposição o Conde de Penha Garcia argumenta com suavidade que o desafio crucial que se irá pôr em África quanto à presença portuguesa era o ritmo acelerado com soldados, colonos, missionários, administração e instituições sólidas que garantissem eficiência colonizadora. Recorde-se que ninguém sonhava que meio século depois iria emergir um irreversível surto independentista dentro dos ventos da História.

Um abraço do
Mário



A partilha de África segundo o Conde de Penha Garcia - 2

Mário Beja Santos

Muito antes de estar na presidência da Sociedade de Geografia de Lisboa, o Conde de Penha Garcia, José Capelo Franco Frazão, que recebeu o título nobiliárquico no reinado de D. Carlos, várias vezes deputado na monarquia, Ministro da Fazenda, adepto de João Franco, com duelo travado com Afonso Costa, licenciado em Direito, tendo vivido em exílio no advento da República, regressado a Portugal com o 28 de maio, presidiu à Escola Superior Colonial, desportista na esgrima e no tiro, colaborador na Exposição Internacional de Paris para a qual escreveu o livro sobre as colónias portuguesas, em 1931, proferiu uma conferência na Sociedade de Geografia em 1896, brochura publicada em Lisboa em 1901.

É um texto de inegável interesse, penso que poderá funcionar como elemento complementar a uma obra que classifico como muito importante sobre a presença portuguesa em África, da autoria do Marquês do Lavradio, recensão que também pus à disposição dos meus confrades. Vejamos a argumentação expendida por este monárquico conservador, um indiscutível investigador colonial.

Estamos agora no aceso das corridas entre as potências europeias com vontade de possuir colónias em África. O rei dos belgas criara a Associação Internacional Africana, com sede em Bruxelas, quer disputar o Congo e apresenta a Associação como de carácter internacional para abrir ao mundo culto os caminhos dos sertões africanos. Há expedições em marcha, parte-se de Zanzibar estabelecem-se missões em Uganda e no Tanganica. Stanley anda pelo Congo, a Associação vai ocupando a bacia do Zaire; em 1880, era fundada Leopoldville. Dois países seguiam inquietos as ambições do rei dos belgas: Portugal e a França. Este último enviou o explorador Brazza a reconhecer o interior e a assegurar à França uma parte da rica bacia do Zaire.

Portugal reatou negociações para obter reconhecimento das suas velhas pretensões territoriais, tendo obtido da Inglaterra, em 1888, o reconhecimento para a sua fronteira ao norte, mas houve protesto da Alemanha e da França, o Tratado não pôde ser ratificado. É nesta atmosfera que Portugal lembra a conveniência de se dirimirem as questões numa conferência internacional. A Alemanha tomou a direção da conferência, iniciara planos de colonização da costa oriental, no Tanganica, havia missionários alemães envolvidos, muitos comerciantes industriais alemães já tinham implantado negócios em África; em 1883, a bandeira alemã flutuava no Togo e nos Camarões e em 1885 estabeleceu-se o protetorado alemão na costa de Zanzibar.

Em 1882, deu-se um grave acontecimento no norte de África. A Inglaterra, sob o pretexto de reprimir a revolta de Arabi-Bey ocupara o Egipto, seria o ponto de partida para a penetração em regiões do Sudão e estabelecia-se um plano de um grande Império africano do Cabo a Alexandria. Os ingleses diziam que a ocupação do Egipto era transitória, afinal não foi. Também os italianos recorreram a expedições, sonham em criar um Império que incluísse a Eritreia, a Somália, a Abissínia, a Líbia. A concorrência era desenfreada, recentes descobertas no centro de África tiveram como efeito exacerbar que todos os países quisessem reservar para si uma parte desse extenso mercado. O que mais preocupava Portugal era a questão do Zaire, queria guardar para si exclusivamente a chave da grande bacia do Zaire.

E assim chegámos à Conferência da Berlim, cujos fins eram, no dizer do Príncipe de Bismarck associar os indígenas à civilização, abrir o interior ao comércio livre, suprimir a escravatura, propagar por todos os meios a educação e a instrução dos indígenas. A ideia fundamental da conferência era garantir o acesso do interior a todas as nações comerciantes e fixar alguns pontos do Direito Público africano. Conferência com vários pontos agendados: estabelecimento da liberdade comercial na bacia do Zaire e do Níger; declaração de neutralidade da bacia convencional do Zaire; obrigação de impedir e comprimir a escravatura; liberdade de propaganda religiosa; regulamentação do direito de ocupação das costas; estabelecimento de uma comissão internacional para elaborar regulamentos e vigiar a observação da convenção; e fazer o reconhecimento do Estado Livre do Congo.

A Conferência de Berlim lançou as bases do moderno Direito Público em matérias africanas; consagrou o princípio da política de ocupação. Logo em seguida, as potências coloniais entabularam relações diplomáticas para a delimitação das suas feiras de influência e foram celebrados Tratados repartindo um continente quase três vezes maior do que a Europa. Acabou destruído o projeto português da ligação das duas costas, a Inglaterra cobiçava a região entre o Niassa e o Tanganica, separou brutalmente as nossas possessões africanas, metendo-lhes de premeio dois protetorados britânicos. Portugal concebera o plano de ligar as suas duas possessões por via fluvial, baseava-se no domínio em certas regiões costeiras e em muitos pontos do interior. Quebrava a tradicional ideia de ligar as duas costas, havia que delimitar as fronteiras das nossas possessões africanas.

E chegámos às conclusões da conferência do Conde de Penha Garcia na Sociedade de Geografia de Lisboa em 1896. Para ele, à nossa velha política comercial em terras de África era preciso substituir a política de ocupação, para ali transferir em força o soldado, o comerciante, o missionário e o colono, só assim se poderia assegurar a posse do vasto Império colonial, e profere:
“Tudo indica que o século XX se notabilizará por um largo progresso na colonização africana. Aos espaços intertropicais o homem branco tem apenas levado a sua atividade comercial, mas tempo virá em que o ideal de organizar sociedades negras estáveis o seduza. Portugal tem em África uma importante missão a realizar, que nem a tradição histórica, nem a história política do continente africano desaprovam.
A velha raça portuguesa encontra nos nossos domínios africanos mais de um ponto em que se perpetue. A nossa política colonial, a quem compete a direção e organização deste movimento de expansão, não deve, porém, esquecer que a Conferência de Berlim criou uma época nova na vida política africana. Portugal necessita de tornar efetivo o seu domínio no importante quinhão que lhe veio a caber na partilha do continente negro.
Não é isso tarefa fácil para quem possui 2.126.110 km2 de terras avassaladas, mas, acusem embora de otimismo a conclusão desta conferência, não é justo descoroçoar da energia e do esforço dos que quase um século dominaram o mundo asiático, e apesar da decadência e dos reveses, souberam colonizar o Brasil.”


Para o investigador tem interesse consultar os apêndices que o orador juntou, como é o caso do mapa da divisão política do continente africano, onde se indica a área e a população dos Estados Indígenas Independentes e das colónias e esferas da independência europeia. O orador cita os números apresentados pelo Capitão-Tenente da Armada Ernesto Vasconcelos no que ele escreveu sobre as colónias africanas, onde erradamente atribui à Guiné uma superfície de 11.384 km2.

Retrato pertencente à Coleção da Sociedade de Geografia de Lisboa
Obra do Conde de Penha Garcia, 1931
Imagem da Conferência de Berlim, o chanceler alemão cumprimenta um dos delegados, a delegação turca está à direita
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Notas do editor:

Vd. post de 17 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27927: Notas de leitura (1914): "A Partilha de África", por Conde de Penha Garcia; Lisboa, 1901 (1) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 20 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27935: Notas de leitura (1915): "Querido Pai, uma conversa entre ausentes – Cartas da guerra 1961-1975", por Ana Vargas e Joana Pontes; Tinta da China, 2025 (4) (Mário Beja Santos)