quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Guiné 63/74 - P15046: Memória dos lugares (316): Moledo, Lourinhã: a capital do amor, o palco dos amores de Pedro e Inês, ardentes, altamente explosivos, perigosos, clandestinos, subversivos, e de lesa-pátria... Também local (fabuloso, de visita obrigatória) de arte pública, para ver com os olhos... e mexer com mãos (, que nos perdoem a Inês e o Pedro lá no céu dos eternos amantes!) - fotos de Luís Graça












Lourinhã > Moledo > Arte Pública > 25 de agostod e 2015 > Inês, 2 peças de Joana Alves; "Love Captives" [Prisioneiros do amor], de Sana Hashemi Nasl


Fotos (e legendas): © Luís Graça (2015). Todos os direitos reservados


1. É uma feliz e louvável parceria que já vem de, pelo menos, 2010, e que envolve a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa,  a Câmara Municipal da Lourinhã e a Junta de Freguesia de Moledo (hoje, União das Freguesias de São Bartolomeu dos Galegos e do Moledo).  Aqui vai um excerto de notícia publicada, em 15/6/2010, na página da Câmara Municipal da Lourinhã:


(...) "Moledo Com Vida" dá mote a projecto de parceria entre a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e a Câmara Municipal da Lourinhã/Junta de Freguesia de Moledo

Associado à temática de D. Pedro e D. Inês e à sua passagem por terras da Lourinhã, estabeleceu-se uma estreita colaboração entre a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e a Câmara Municipal da Lourinhã/Junta de Freguesia de Moledo, com o objectivo de, conjuntamente, se proceder ao desenvolvimento de acções comuns, para prossecução do projecto “Moledo Com Vida”.

Assim, e, no momento, está ser desenvolvido o projecto “Escultura Pública”, o qual conta com a participação de um grupo de cinco alunos do Mestrado de Escultura Pública, que ao longo do ano lectivo 2009/2010 trabalharão a temática de D. Pedro e D. Inês de Castro, associada, essencialmente à localidade de Moledo.

Esta acção conta com a colaboração dos Professores Escultores António Matos e João Duarte, responsáveis pela disciplina “Projecto e Laboratório de Escultura Pública”, e dos alunos/escultores: Constança Clara, Denise Romano, Francisco Cid, Joana Alves e Roberto Miquelino, os quais oferecerão os seus trabalhos à Junta de Freguesia do Moledo, para exposição permanente, tendo apenas esta que disponibilizar o espaço expositivo, bem como o material para os trabalhos.

Neste sentido e, de modo sucinto, irão descrever-se as respectivas obras, sendo que quatro delas serão executadas em duas oficinas da freguesia.

Constança Clara: o trabalho pretende dialogar com dois spectos: o paço (palácio), outrora existente, que terá albergado o casal enamorado com a colaboração dos habitantes da aldeia. Neste contexto, a população oferece pedras, à escultora, que simbolizam a referida edificação que aí existiu, com as quais ela construirá a sua instalação, na zona da Beira Rio, sendo este trabalho um dos grandes pretextos para a requalificação dessa zona;

Denise Romano: numa alusão à coroação póstuma de D. Inês de Castro, este trabalho consiste numa representação de uma “ausência presente”, com a construção de um trono, no qual figura a presença da referida donzela. Os materiais utilizados são o aço inoxidável e a pedra de uma pedreira situada na freguesia;

Francisco Cid: uma representação de D.Pedro e D.Inês numa perspectiva intemporal, a qual figura sobre os seus túmulos;

Joana Alves: a impossibilidade de representar a vida sem a morte. O corpo enquanto ser em metamorfose para a morte. Neste caso o leito de morte é uma banheira em que o corpo, delicadamente, se separa da vida; onde se materializa um afastamento e se impõe uma distância. Este trabalho, todo feito em pedra, extraída de uma pedreira situada na freguesia, consiste na construção de uma banheira que assenta sobre quatro pés, réplicas dos que, no Mosteiro de Alcobaça, sustentam o túmulo de D. Inês de Castro;

Roberto Miquelino: reporta-nos ao tema do amor e, nesse contexto, surge o coração, como elemento indicador e demonstrativo do amor, através de dois ventrículos, sobre os quais se exerce a acção reflexiva. O material eleito para este coração gigante é o metal.

Trata-se, então, de um trabalho académico, que estará concluído no dia 24 de Junho de 2010, data da sua inauguração, com a participação de todos os intervenientes. Até lá, e como já foi referido, quatro dos cinco escultores estarão a trabalhar na aldeia, com o envolvimento de uma grande parte da população, seja na entrega das pedras, como acontece com o trabalho da escultora Constança Clara, seja nas oficinas locais, onde Joana Alves, Roberto Miquelino e Denise Romano, trabalham nas suas peças, a par dos outros trabalhadores das mesmas oficinas, seja nas escolas, com as visitas de estudos que têm sido organizadas pela autarquia em conjunto com as escolas da Freguesia." (...).

As fotos acima publicadas são de 2 obras recentes, inauguradas em 2014, e que eu ainda não conhecia: "Inês", 2 peças de Joana Alves; e "Love Captives" [Prisioneiros do amor], de Sana Hashemi Nasl. Há uma terceira peça, "Relógio de sol", de Teixeira Lopes (de que não tenho fotos).

O Moledo, pequena povoação do planalto das Cesaredas, terra rica de história(s) e património (cultural e natural), já aqui tem sido evocado no nosso bloguie, nomeadamente pelo seu monumento aos combatentes do ultramar, erigido em 2005. Pelo TO da Guiné, passaram, 15 dos seus filhos, todos felizmente tendo regressado vivos a casa.



Lourinhã > Moledo > 2 de Agosto de 2010 > Monumento aos combatentes do ultramar > Passei por lá, pelo Moledo, numa manhã cinzenta de verão, mas gostei do monumento erigido em 2005, em terra que foi de amores ardentes mas altamente explosivos, perigosos, clandestinos e de lesa-pátria, os de Pedro e Inês... Gostei do singelo monumento aos combatentes da(s) guerra(s) do ultramar, não apenas os mortos mas também os vivos... Não apenas os de Angola, Guiné e Moçambique... mas também os que passaram por Cabo Verde, durante a II Guerra Mundial, e mais tarde pela Índia" (...). 

Nesta pequena e bonita aldeia  do concelho da Lourinhã, distrito de Lisboa, e que foi sede da freguesia do mioledo até 2013, situada no planalto das Cesaredas, nenhum combatente morreu, por doença, acidente ou combate em África, durante a guerra colonial (1961/74)... Acima, a publica-se uma foto com, um detalho do monumento, em que se listam os 15 combatentes que passaram pelo TO da Guiné.

Foto (e legenda): © Luís Graça (2011). Todos os direitos reservados.

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8 comentários:

Jorge Portojo disse...

Me desculpem a ignorância, mas que tem a ver esta reportagem com a Guiné e tema ou temas propostos pelo blogue ?
Um abraço aos Tabanqueros

Sotnaspa disse...

ENTÃO LUIS, A LEMBRAR OS TEMPOS DE BAMBANDINCA, COM A MÃOZINHA NA MAMA FIRME DA BADJUDA.

António José Pereira da Costa disse...

Ai agora andais por ambientes Oh-bexenos?
Fiquem banzado com aquela tatuagem no bum-bum da Inês.
Já não sabem o que inventar!...
Agora até estátuas com tatuagens!...
Um Ab.

Anónimo disse...

António Santos
27 agosto 2015 19:21

Caro Luís

Estou a ver no Blogue a tua “reportagem”, sobre o Pedro e a Inês, e despertou-me a curiosidade ao ver a placa, GUINÉ, de verificar os dois nomes com apelido, Andrade. Porque julgo que dois dos meus camaradas eram ou são da região da Lourinhã.

Fui a lista e tenho um com o nome de: António José Henriques Andrade, se conseguires alguma informação agradeço.

Um alfa bravo para ti, e cumprimentos para os teus.

ASantos
SPM 2558


Cumprimentos,

António Santos
Noprodigital, Lda.
Tel.: +351 219 809 880
Fax: +351 219 809 889
www.noprodigital.pt

Luís Graça disse...

Tó Zé:

Em defesa da jovem escultora Joana Alves e do povo do Moledo da Lourinhã... Não há tatuagem nenhuma na "bunda" daquela que depois de morta foi rainha e que tem inspirado montes de artistas, a começar pelos nossos poetas...

Estás a ver mal a "coisa"... A "tatuagem" que tu vês é um defeito... do material. A pedra não é mármore de Carrara, é calcário da região das Cesaredas, por sinal um planalto que teria muito por contar, se as pedras falassem... Nos meus verdes 18 anos fiz aqui espeleologia, por estas grupas de cálcário, alguns delas com fortes vestígios da presença humana desde os tempos do paleolítico...

Jorge Portojo, meu caro e bom camarada tripeiro:

À partida tens razão, a tua pergunta é pertinente, tem todo o cabimento: o que é que a senhora, gaelga, Dona Inês e o senhor Dom Pedro, tuga, têm a ver com a Guiné e com as penas que lá passámos, em 1961/74 ?

Desculpa esfarrapada: o "editor in chief" do blogue está a fazer férias cá dentro, passou por lá, por terras do Moledo, tirou umas chapas e achou que, à falta de melhor assunto, os amores de Inês e do Pedro, plasmados em arte (efémera), podiam interessar a alguns leitores... Se calhar, é defeito do editor e da sua costela de professor...

Com um bocadinho de imaginação (e boa vontade), talvez se possam encontrar ligações longínquas à Guiné... Ainda há dias, a 21 de agosto de 2015, comemorámos (?) os 600 anos da tomada de Ceuta... Há muitas leituras possíveis do acontecimento... Mas tudo começou aqui e acabou, em 1974, com o fim da guerra dita de África, do ultramar ou colonial (conforme queiras), em 1974, na Guiné e depois Moçambique e Angola... Foi um ciclo (longo) da nossa história que se fechou...

Já no tempo do Diom Pedro, o Dom Afonso IV, o "Bravo", os marinheiros portugueses conmheciam as Canárias...Aliás, a sua redescoberta é reivindicada por Portugal em período anterior a agosto de 1336... Para chegar à costa da Guiné era preciso passar por lá...

De qualquer modo, o Moledo da Lourinhã deu 15 mancebos à Pátria para lutarem em terras da Guiné, entre 1961 e 1974... Relembrar esse facto não é demais... Os filhso do Moledo da Lourinhã também são gente e alguns dos seus avoengos terão até ajudado os pobres amantes a esconderem-se do pai tirano... Diz-se, pro aqui, que o Dom Pedro m,andava pôr as ferraduras do cavalo ao contrário para enganar os espiões do rei, seu pai...

Um abraço forte, daqui do sul, da moirama... Luís

António José Pereira da Costa disse...

Ai agora as tatuagens chama-se "defeitos"?
Se na Idade Média, as damas andavam tão pudicamente vestidas, como apresentá-las hoje naquelas poses indecorosas e "laxivas"?
A tua escultora de culto saiu-me cá uma despudorada!...
E aquela das cordas aos abracinhos? E sabe-se lá mais o quê... porque as cordas não mostram.
Um verdadeira desgraça! Pornografia servida avulso e em púbico(?), ainda por cima (ou por baixo, kisso hoje já não interessa).
Estou xucado!
Um Ab.
António J. P. Costa

Luís Graça disse...

Desculpem-me as gralhas, as "vancanças" que paguem as favas... A pobre Inês era "galega" e não "gaelga"... E, ao que se sabe, de "grã formosura"... No entanto, o "bravo" (e irascível e sanguinário) Afonso IV (mas quem somos nós para fazer "juízos" sobre os nossos avoengos, com a nossa grelha de valores do séc. XXI!!!...) só se rendeu, uma vez, e por pouco tempo, à sua beleza, quando ia com intenções de a assassinar...

Por razões de Estado, e por temer o lóbi castelhano, não teve pejo em mandar matar aquela que era a eleita do coração do seu filho Pedro, herdeiro do trono, e a mãe dos seus netos... Enfim, uma tragédia político-amorosa que ainda hoje nos emociona, a alguns de nós, poetas, artistas e quejandos...

E a viva o Moledo da Lourinhã e os quinze "bravos" (esses, sim!) que deixaram sangue, suor e lágrimas pelas terras da Guiné!

Cherno AB disse...

Amigo Luis,

Cuidado co'as maos, carago!