segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Guiné 63/74 - P16768: (De)Caras (62): O Amaro dos Santos [1944-2014] que eu conheci (António J. Pereira da Costa, cor art ref)


Guiné > Região de Tombali > Mampatá > CART 6250 (1972/74), "Os Unidos de Mampatá"  > Maio de 1974 > Um bigrupo do PAIGC, a caminho de um encontro (desta vez, pacífico) com o pessoal aquartelado em Mampatá.

Do outro lado do Rio Corubal, já na região de Bafatá, no setor L1 (Bambadinca), no subsetor do Xime, três anos e meio antes, em 26 de novembro de 1970, por volta das 8h50, no decorrer da Op Abencerragem Candente, a CART 2715 e a CCAÇ 12 sofreram uma violenta emboscada, de que resultaram 6 mortos e 9 feridos graves entre as NT.

Quinze dias depois, Spínola (e os seus "inspetores") visita o aquartelamento do Xime (CART 2715) e tece duras críticas ao comando do BART 2917 (Bambadinca, 1970/72). Na altura o BART 2917 estava a ser alvo de uma inspeção, que se prolongou de 16 de novembro a 19 de dezembro de 1970.

Foto: © José Manuel Lopes (Josema) (2008). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Estrada (alcatroada) Bambadinca - Xime > Chegada ao Xime, em 9 de março de 1974, da CCAÇ 3491 (Dulombi, 1971/74), para embarque em LDG a caminho de Bissau. A esta companhia pertencia o nosso camarada Luís Dias. O Xime era a grande porta de entrada na zona leste...Até ao fim da guerra, o PAIGC manteve, com as NT, um braço de ferro neste subsetor, matendo pressão sobre o Xime e a navegação no Rio Geba Estreito (Xime-Bambadinca). A construção da nova estrada alcatroada Xime-Bambadinca reforçou a importância estratégica desta antiga sede de regulado e posto administrativo...

Foto: © Luís Dias (2008). Todos os direitos reservados. [[Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Mensagem de António José Pereira da Costa 



[António José Pereira da Costa, cor art ref (ex-alf art , CART 1692/BART 1914, Cacine, 1968/69; ex-cap art e cmdt , CART 3494/BART 3873, Xime e Mansambo, e CART 3567, Mansabá, 1972/74; tem mais de 110 referências no nosso blogue]


Data: 27 de novembro de 2016 às 19:43
Assunto: Uma Foto do Amaro dos Santos


Fui camarada do Amaro dos Santos [, que foi o primeiro comandante da CART 2715, Xime, até à data da sua evacuação, para o HM 241, em 1/1/1971] (*)

Aqui vai a única foto [, de baixíssima resolução,] que me foi possível fazer dele. Foi no dia em que entrei na artilharia, estava ele no 3.º ano e eu no 2.º

Depois encontrei-o na BAC 1,  em Bissau,  em janeiro de 68, quando ele regressava à "Metrópole".

Perguntamos-lhe como era a guerra e a resposta dele foi marcante:
- Eh,  pá,  a guerra,  pá...

E parou à procura das palavras. E não foi capaz de, subalterno a subalterno, dar-nos uma ideia clara do que se passava. E tinha razão.

Depois estivemos juntos no Grupo de Artilharia da Brigada de Stª Margarida (em Leiria).

Nunca falámos dos seus traumas do Xime nem me apercebi que tivesse quaisquer problemas psíquicos.

Um Ab.
TZ

2. Comentário do editor:

Penso que nunca mais voltei a encontrar o Amaro dos Santos, no Xime ou em Bambadinca, depois daquele fatídico dia 26/11/1970. E nunca mais voltei a cruzar-me com ela na vida. Falámos apenas ao telefone, uma meia dúzia de vezes, entre fevereiro e junho de 2012, dois anos antes da sua morte, ocorrida em 28/2/2014.

Nunca o vi sequer à civil, tinha de  Bambadinca e do Xime uma vaga ideia da sua fisionomia. E não esquecerei mais o dia em que ele teve, em Bambadinca, uma discussão com o 2º cmdt do BART 2917,  que o perturbou imensamente e que afetou o moral  de  todos nós... Não ouvi nem assisti a essa discussão, mas chegaram-me ecos, através dos alferes que frequentavam a messe de oficiais. Julgo que essa discussão foi em público. Alegadamente o 2º cmdt tê-lo-à ameçado nos seguiintes termos:"O nosso capitão  Amaro dos Santos vai e torna a ir [à Ponta do Inglês] nem que seja amarrado a uma GMC!"...

Lembro-me, isso, sim,  de ver o Amaro dos Santos, completamente transtornado a entrar na messe de sargentos (que era contígua à nmesse de oficiais), com a malta pronta a sentar-se, e ele lançar um salto de felino sobre as garrafas de vinho que estavam alinhadas para a refeição (, deve ter sido à hora do almoço!)...

Há imagens que não se apagam... Imagine-se o efeito devastador que cenas como esta tinham sobre o moral do pessoal... E, sem o sabermos, tinha acabado de decorrer, em 22 de novembro de 1970, a Op Mar Verde... Estávamos todos em "alerta máxima" sem saber a razão... E o subsetor do Xime era "pressuposto" estar desfalcado, em termos de efetivos do PAIGC...
O motivo das mensagens que ele me enviou (e dos tefefonemas que eu  lhe fiz, por  minha iniciativa) foi a publicação, no nosso  blogue, de um despacho do Com-chefe,  de 7/1/1971, relativo à visita de inspeção ao BART 2917 (Bambadinca, 1970/72) e às suas subunidades. O documento,  de 12 páginas, incluía uma parte relativa á visita de inspeção do Xime [pp. 5/7], realizada em 12/12/1970, mais de duas semanas depois da Op Abencerragem Candente. Essa inspeção estava a decorrer desde 16 de novembro de 1970...

O Amaro dos Santos pediu-me (e depois exigiu-me, na defesa do seu bom nome e honra) que retirasse o poste relativo ao Xime e ao seu comandante, e que omitisse o seu nome em todos os postes. Reagia, assim, "a quente", em 2012, dois anos depois da  publicação desse  despacho (em maio de 2010) (!!!)...

Acabei por retirar esse poste, a título excecional, por entender que estava a agravar o seu sofrimento psíquico. Mas este excerto tem, hoje,  interesse documental, historiográfico, para os amigos e camaradas da Guiné...

Relendo-o,  sem paixão,  com serenidade, parece-nos  que não viola as nossas regras editoriais. De resto, o documento não fala em nomes mas sim em cargos: o comando do batalhão, o comandante da companhia...

Em suma, não posso, hoje, privar os nossos leitores de terem conhecimento do seu conteúdo (que nos chegou às mãos através do Benjamim Durães e do Jorge Cabral). E espero que ninguém mais se sinta eventualmente injustiçado pelas críticas feitas pelos inspetores de Spínola... Entretantio, passaram-se 46 anos, e estes factos pertencem à história e são do domínio público....

O poste P6335 [e não P9335, como era referido pelo Amaro dos Santos, nas mensagens que me enviou], esse, sempre esteve "on line" e é relativo à visita de inspeção a Mansambo [CART 2714] (**), bem, como aos destacamentos de Afiá e Candamá, visita essa realizada em 18/11/1970, portanto, uma semana antes da Op Abencerragem Candente.

 O poste da polémica era o P6368 [11 de maio de 2010 > Guiné 63/74 - P6368: O Spínola que eu conheci (20): "Erros graves cometidos do ponto de vista de segurança explicam o êxito da emboscada do IN, em 26/11/1970, na região Xime-Ponta do Inglês" (Benjamim Durães / Jorge Cabral / Luís Graça)].

O poste P6368 foi o único desta série que foi retirado do blogue... Não o vamos repor  aqui mas sim reproduzir o essencial do seu conteúdo, para ficarmos com o conhecimento integral do documento do Com-Chefe...E convidamos os nossos leitores a fazer a sua apreciação crítica.

Como se percebe, o teor do despacho dá, compreensivelmente, um grande destaque aos erros de planeamento e de comando que levaram ao desastre de 26/11/1970.  Faz críticas duras ao comando do BART 2917 mas também não poupa elogios a oficiais subalternos, como o comandante do destacamanto do Enxalé (*).

A visita de inspeção ao Xime faz-se a 12/12/1970, quando o Amaro dos Santos ainda era, formalmente, o cmdt da CART 2715. Tinha acabado de fazer 26 anos, em 18/11/1970. Só será evacuado, por razões de saúde, em 1/1/1971 (primeiro para o HM 241, em Bissau, e depois para a Metrópole).  

Claro que o despacho sobre o Xime é cruel: ninguém (Spínola e os seus inspetores) se apercebe e dá importância ao sofrimento de um comandante operacional que, antes de ser militar, é um homem.

O Amaro dos Santos sentiu-se, mais do que visado, vexado, conforme se deduz das mensagens que me mandou por telemóvel, desenvolvendo a partir daí um complexo persecutório. Repare-se na data das suas mensagens e no seu teor:





Ele, coitado, já não está cá para se "defender" ou "justificar" ou"acrescentar" o que quer que seja... mas também, em 2012, me pareceu emocionalmente muito perturbado para podermos prosseguir um diálogo construtivo baseado nas nossas experiências e memórias...  Recordámos, mesmo assim,  esses tempos, reconstituímos pormenores da emboscada, falámos do blogue, que ele seguia, etc.

Em conclusão, fomos também duas vítimas daquela emboscada. O fatídico dia 26/11/1970 continua a perseguir-me ao fim destes anos todos, como perseguiu o resto da vida do Amaro dos Santos...

Do Amaro dos Santos, só posso dizer que  em combate teve um comportamento heróico. Em contrapartida, como  camarada que "da lei da morte já se libertou",   só posso desejar lhe que descanse finalmente em paz. Creio que ele era crente e encontrou na fé algum conforto em vida. Por fim, a sua memória é honrada, por todos nós, aos olhos de todos nós, incluindo a sua família, filhos e netos, e os seus antigos camaradas da CART 2715 e do BART 2917, com a sua integração, a título póstumo, na lista dos membros da Tabanca Grande




Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Xime > c. 1969/70 > Vista aérea (parcial) da tabanca do Xime, onde estava sediada uma unidade de quadrícula...  Entre maio de 1970 e março de 1972, era a CART 2715 / BART 2917, comandada até ao fim do ano de 1970 pelo cap art Vitor Manuel Amaro dos Santos (1944-2014), suibstituído temporariamente pelo alf mil José Fernando de Andrade Rodrigues, açoriano (1947-2014), também nosso grã-tabanqueiro,  nº 671,  a título póstumo.

Foto: © Humberto Reis (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


3. Excerto do despacho do Com-Chefe, de 7/1/1971, relativo à visita de inspeção ao BART 2917 (Bambadinca, 1970/72), um documento de 12 páginas (**)

(...) 7. Visita a Xime em 12dez70 

 [pp. 5/8] [os parênteses retos são da responsabilidade do editor]

- A impressão colhida na inspecção à Companhia do Xime foi má.

- O Comandante da Companhia revelou uma muito precária preparação táctica par conduzir a sua subunidade no mato, nomeadamente no que toca a noções elementares de segurança.


Com base na descrição que me foi feita da acção realizada em 26 de Novembro na região Xime-Ponta do Inglês [, Op Abencerragem Candente] , conclui que o êxito da emboscada do IN se deve fundamentalmente a erros graves cometidos pelos Comandos de Batalhão e Companhia, do ponto de vista de segurança. Ao primeiro por ter marcado um itinerário a percorrer numa operação tirando iniciativa ao Comandante da Companhia, e ao segundo por não se ter deslocado em adequado dispositivo.


É evidente que uma força que se desloca no mato por uma picada [, a antiga estrada Xime-Ponta do Inglês,] constitui um objectivo altamente vulnerável para uma emboscada.


Encontrei a Companhia com fraco moral em consequência das baixas sofridas (***), e não encontrei por parte dos Comandos a determinação de cumprir a missão cometida às forças emboscadas. Uma emboscada é um incidente e não pode nunca constituir motivo impeditivo do cumprimento de uma missão.


O Comando do Batalhão deveria ter imediatamente, com reforço ou não, providenciado no sentido de no mais curto prazo de tempo ter sido reconhecida a região de Ponta do Inglês (objectivo da operação).


- O Comando da Companhia desconhecia a quem competia a responsabilidade da área do Destacamento do Enxalé durante o espaço de tempo em que aquele Destacamento esteve temporariamente dependente do CC [Comando da Companhia ?]; assim como também não teve conhecimento da altura em que cessou aquela responsabilidade.


É incompreensível tal situação.


- O Comandante de Companhia queixou-se que passam barcos de noite no Xime sem que este tenha conhecimento, o que dificulta o cumprimento da sua missão. Este problema deveria já ter sido coordenado pelo Comandante de Batalhão, ou posto superiormente.


- Não tem sido respeitada a orgânica das subunidades.


A Companhia do Xime foi reforçada com 1 Grupo de Combate de Mansambo [,CART 2714,] que foi desmembrado ficando o seu Comandante no Xime a comandar uma secção, e tendo sido destacadas para o Enxalé duas Secções. Essa solução carece de lógica e afecta os laços orgânicos.



- Há que averiguar as condições em que está a ser pago, com carácter permanente, pessoal nativo destinado a “picagem”, pois não é permitida a utilização de pessoal nativo a título permanente (O Tenente-Coronel Robin esclarecerá este assunto).

- A tabanca de Xime não tem chefe. O Comandante do Batalhão já devia ter levantado este problema junto da Administração.


- Verificou-se que a Companhia não emprega minas e armadilhas, especialmente em zonas onde não há população, o que não tem justificação, face à carência de meios disponíveis.

- A população da tabanca [do Xime] encontra-se completamente entregue a si própria, desconhecendo o que terá de fazer em caso de ataque e apresentando as suas armas em estado manifestamente precário de limpeza, nem tão pouco as sabendo utilizar. Não há qualquer plano de defesa da tabanca.


- O Comandante da Companhia desconhecia o plano de tráfego de canoas no Rio Geba, o que é inadmissível. Como é possível controlar o tráfego quando se desconhecem os respectivos condicionamentos (zonas amarela, azul e vermelha) ?


- O plano de defesa do Xime necessita de ser elaborado em novas bases, em ordem a englobar a defesa da tabanca.


- Não está a ser tirado rendimento da mobilidade da Artilharia [, 20º Pel Art / GAC 7,] que se deve deslocar por entrada para apoiar operações nas zonas nevrálgicas.


-Os abrigos da defesa encontram-se concentradas em determinadas zonas em detrimento de defesa global do quartel e tabanca.


- Não está a ser tirado rendimento da metralhadora Breda que se encontra mal localizada.


- Na missão atribuída à Companhia refere-se que deve colaborar na defesa de Bambadinca. Como ? 

_____________

Notas de L.G.:

(*) Vd. poste de 26 de novembro de  2016 >  Guiné 63/74 - P16762: Efemérides (240): a Op Abencerragem Candente, 6 mortos, 9 feridos graves... Faz hoje 46 anos... Msn do antigo cmdt da CART 2715, Vitor Manuel Amaro dos Santos (1946-2014), em 2/3/2012, dois anos antes de morrer, dizendo: "Ando a viver o inferno do Xime"...

(**) Vd. poste de 7 de Maio de 2010 > Guiné 63/74 - P6335: O Spínola que eu conheci (19): "Fiquei francamente mal impressionado com a visita à Companhia sediada em Mansambo" (Benjamim Durães / Jorge Cabral / Luís Graça)

Vd. também os restantes postes:

23 de maio de  2010 > Guiné 63/74 - P6455: O Spínola que eu conheci (22): Conclusão da visita de inspecção ao BART 2917 (Benjamim Durães / Jorge Cabral / Luis Graça)
15 de maio de 2010 > Guiné 63/74 - P6396: O Spínola que eu conheci (21): Fiquei com óptima impressão do subalterno Comandante do Destacamento do Enxalé (Benjamim Durães / Jorge Cabral / Luís Graça)

6 de maio de 2010 > Guiné 63/74 - P6327: O Spínola que eu conheci (17): A visita de inspecção ao Xitole e às tabancas em autodefesa de Sinchã Madiu, Cambesse e Tangali em 16 de Novembro de 1970 (Benjamim Durães / Jorge Cabral / Luís Graça)

6 de Maio de 2010 > Guiné 63/74 - P6326: O Spínola que eu conheci (16): A visita de inspecção ao BART 2917 e suas subunidades, Sector L1, Bambadinca, de 16 de Novembro a 19 de Dezembro de 1970 (Benjamim Durães / Jorge Cabral / Luís Graça)

(**) Companhias de quadrícula do BART 2917 (maio de 1970/março de 1972) (comandado pelo ten cor art Domingos Magalhães Filipe e depois pelo ten cor inf João Polidoro Monteiro):.

(i) CART 2714, sita em Mansambo (cmdt: cap art José Manuel da Silva Agordela):

(i) CART 2715, sita no Xime (cmmdts: cap art Vitor Manuel Amaro dos Santos, alf mil art José Fernando de Andrade Rodrigues, cap art Gualberto Magno Passos Marques, cap inf Artur Bernardino Fontes Monteiro, cap inf José Domingos Ferros de Azevedo)

(iii) CART 2716, sita no Xitole (cmdt: cap mil art Francisco Manuel Espinha de Almeida)


(***) Desta emboscada resultaram 6 mortos (uma secção inteira, massacrada) e 9 feridos graves... Os mortos foram o guia e picador da CCS / BART 2917, Seco Camará (, natural e residente no Xime, mandinga); e, da CART 2715, o Fur Mil Joaquim de Araújo Cunha, 1º Cabo José Manuel Ribeiro, o Sold Fernando Soares, o Sold Manuel da Silva Monteiro e o Sold Rufino Correia de Oliveira.


(****) Último poste da série > 16 de novembro de 2016 > Guiné 63/74 - P16726: (De)Caras (61): Um bravo do meu pelotão, o 1.º cabo apontador Manuel Lucas dos Santos: evocando aqui uma delicada escolta a uma coluna que, em 16 de maio de 1973, foi do Pelundo a Jolmete resgatar 6 cadáveres (Francisco Gamelas, ex-alf mil cav, Pel Rec Daimler 3089, Teixeira Pinto, 1971/73)

5 comentários:

Anónimo disse...

O capelão Arsénio Puimn escrevi aqui há tempos oo seguinte:


(...) O José Fernando tinha 67 anos. Ele, eu e o sargento Saúl, do Faial, de quem nunca mais soube nada [, 2º srgt art Saul Ernesto Jesus Silva}, éramos os únicos açorianos do BART 2917 [, sediado em Bambadinca, 1970/72, com a CART 2715 no Xime, a CART 2714 em Mamsabo e a CART 2716 no Xitole].

(...) Lembro também o capitão Amaro dos Santos, com quem conversei bastantes vezes nas minhas estadias no Xime, nomeadamente depois da emboscada de 26 de Novembro de 1970. Nessa altura passei no Xime alguns dias, também a pedido do comandante do Batalhão [, BART 2917,], para prestar algum apoio moral à Companhia.

O capitão [Vitor Manuel] Amaro dos Santos era uma pessoa sensível e marcada, e numa altura falou-me das cartas comoventes que a mãe do furriel Cunha escrevia para a Companhia. Tenho ideia de que também escrevi a ela uma carta, como capelão.

Descansem em Paz todos os nossos camaradas falecidos!

Vd. poste

11 DE NOVEMBRO DE 2014

Guiné 63/74 - P13871: In Memoriam (205): José Fernando de Andrade Rodrigues (Ribeira das Taínhas, Vila Franca do Campo, 1947- Rio de Mouro, Sintra, 2014)... O único açoriano do BART 2917, além do 2º srgt Saúl Ernesto Jesus Silva, e de mim próprio (Arsénio Puim, ex-alf mil capelão, CCS/BART 2917, Bambadinca, 1970/72)


https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2014/11/guine-6374-p13871-in-memoriam-205-jose.html

alma disse...

Só 40 anos depois é que descobri que a visita do Caco, em 19/12/1970, a Missirá, tinha sido uma Inspecção. Entretanto já escrevera " SEXA, O CACO EM MISSIRÁ", publicada no Blogue a 13/6/2006. Abraço. J.Cabral

Tabanca Grande disse...

Alfero Cabral, o Spínola não ia sozinho, tendo levada os seus "inspetores" (ten cor Robin, etc.), que faziam parte da sua corte... Já não me lembro da visita a Bambadinca, mas deve ter sido o terror ká pelo comando e CCS do BART 2917...

Naturalmente, não foi ele que fez o relatório ou o despacho, deve ter feito também as suas observações pessoais e assinado por baixo...

Relembro aqui o plano da visita ao BART 2917 e subunidades (incluindo o teu destacamento de Missirá, repara que ele não foi a Fá Mandinga, agora sede da 1ª Companhia de Comandos Africanos, envolvidos na Op Mar Verde...


16 nov 1970:

Visita de inspecção ao BART 2917 [Comando: principais deficiências e anomalias]. Visita a Xitole em 16Nov1970. Visita às tabancas de Sinchã Madiu, Cambesse e Tangali em 16Nov1970.


18 nov 1970:

Visita a Mansambo em 18Nov1970. Visita a Afiá e Candamã em18Nov1970.


Reçpara que há uma "hiato" cronológico: em 22 de novembro de 1970, a Guiné-Conacri é invadida e h+a tropas portugueses nesta Op Mar Verde... O momento é extremamente delicado, Spínola considera a operação um falhanço, é preciso fazer a gestão (político-militar) dos "estragos"...DSaía a 4 dias dá-se o "desastre"da op Abencerragem Candente,,,

O nosso Com-chefe só volta à rotinas das inspeções,,, quase um mês depois da visita a Mansambo, Aftá e Candamã:


12-19 dez 1970

Visita a Xime em 12Dez1970. Visita Dembataco em 15Dez1970. Visita a Taibatá em 15Dez1970. Visita a Amedalai em 19Dez1970.

Visita Enxalé em 15Dez1970. Visita a Nhabijões em 15Dez1970. Visita a Finete em 19Dez1970. Visita a Missirá em 19Dez1970.

Conclusão.

... Ainda te recordas das "piçadas" que levaste ?

Tabanca Grande disse...

Na visita do Spínola a Missirá, quase na véspera de Natal (18 dez 1970) m ele foi acompanhado de 3 majores e 1 capitão (a observação é tua)...

Relembro o que vem no despacho "a teu respeito":


(...) 14. Visita a MISSIRÁ em 19DEZ70 (**)

- O heliporto está muito atrasado, não tendo sido cumprido o determinado pelo CC, que estabeleceu a data do Natal para inauguração de todos os heliportos da Província.

- O esquema de defesa apresenta-se manifestamente deficiente; Abrigos muito mal construídos e falta de trincheiras.

- Ao sinal de alarme o pessoal concentrou-se nos abrigos em precaríssimas condições para tirar rendimento do armamento, com a agravante de entre os abrigos se situarem áreas não vigiadas nem batidas pelo fogo.

- Foi notada a carência de reabastecimentos devido ao “sintex” (único meio de reabastecimento) se encontrar avariado. Trata-se de um problema que compete resolver aos Comandos imediatamente superiores.

- A impressão geral da Inspecção a este Destacamento foi má.

E já agora a "conclusõa geral" desta inspeção do BARt 2917, no nosso tempo:


15. CONCLUSÃO

A impressão geral da Inspecção ao Batalhão de Artilharia Nº 2917 foi francamente desfavorável. O Comando do BART não se encontra devidamente integrado no cumprimento da sua missão, pelo que terá de reajustar conceitos e rever modalidade de acção à luz de um novo espírito.

No campo propriamente da execução, o Batalhão não tem exercido acção de controlo e de inspecção sobre as suas Companhias, porquanto todas as anomalias constatadas pelo Comandante-Chefe já deviam ter sido remediadas pelo Comandante do Batalhão. Salvaguarda-se a acção diligente do Comandante do XITOLE e a do Comandante do Destacamento do ENXALÉ.

O Sr. Comandante-Adjunto Operacional deverá advertir o Comandante do Batalhão e orientá-lo no sentido de serem corrigidas urgentemente as anomalias verificadas.

16. DESPACHO:

- Dê-se conhecimento deste Despacho aos CMDTS de CAOP, BAT e COP. Bissau, 07 de Janeiro de 1971 O COMANDANTE-CHEFE

...................

Portanto, não era pressuposto este documento chegar ao conhecimento dos comandantes de companhia nem de destacamento, incuindo o Amaro da Costa...

aa) ANTÓNIO SEBASTIÃO RIBEIRO SPINOLA

alma disse...

Luís! Segundo me lembro, não levei nenhuma piçada.Os Majores fizeram muitas perguntas e o Caco só uma- Se o Com. de Bambadinca, já tinha ido a Missirá. Como faltavam 6 dias para o Natal,não me ocorreu tratar-se de uma Inspecção. Aliás como relato na minha estória, o Spínola voltou 3 dias depois, na que foi sim uma visita de Natal.Abraço J.Cabral