terça-feira, 6 de março de 2018

Guiné 61/74 - P18385: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte XXII: As deslocações do batalhão ou "os meus cruzeiros azuis do Douro": (ii) 26 de fevereiro de 1968: Rio Geba, Bambadinca-Bissau, vindo de Nova Lamego


Foto nº 51 A


Foto nº 51


Foto nº 48A


Foto nº 48


Foto nº 49A


Foto nº 49 B

Guiné > Rio Geba > 26 de fevereiro de 1968 > BCAÇ 1933 (Nova Lamego e S- Domingos, 1967/69)  > Viagem de Bambadinca a Bissau, vindo de  Nova Lamego 

Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2018). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do nosso camarada Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69), e que vive em Vila do Conde, sendo economista, reformado. (*)

Assunto - Tema T032 – As deslocações do Batalhão Caçadores 1933: "Os meus cruzeiros azuis do Douro"

(i) Anotações e Introdução ao tema:

Uma parte do meu batalhão – BCaç 1933, CCS e 2 Companhias – , chegaram no navio T/T Timor a Bissau em 3 de Outubro de 1967. Eu já estava lá à espera, tinha ido a Nova Lamego em 24 de Setembro de 1967 e regressei a Bissau no dia 1 de Outubro, em serviço da minha área de especialidade [SAM].

Por isso o comando, a CCS e uma companhia operacional desembarcaram, passaram o dia nos Adidos em Brá, e às 04h00 da manhã estávamos a entrar nas lanças e nas barcaças civis rumo a Bambadinca, rio Geba acima. [Fotos já publicadas no poste anterior] (*).

Aquilo era uma confusão, pois havia que dar ‘boleia’ aos civis que queriam ir também para as suas terras e não havia outro transporte. Eram homens, mulheres, crianças, bebés, bagagem e animais domésticos. Era, como já disse, tudo ao molho em fé em Deus. [Fotos nº 51].

Eu e alguma malta – eu, alinhei sempre com os soldados e cabos condutores do meu batalhão, quase todos os furriéis milicianos e um ou outro alferes como eu. E dei-me bem, pois foram eles que me ensinaram a conduzir e assim tirei a carta lá em Bissau. E foram eles que fizeram a maior parte das festas e petiscos, para os quais eu era sempre convidado, tudo feito nas suas casernas. Tenho dezenas de fotos que são um espanto, algumas até me envergonho delas, pelo meu estado geral…

Mas correu tudo bem, apesar das piadas que eram dirigidas aos periquitos, pelos mais velhos, numa tentativa de amedrontar os mais novos, com a farda camuflada ainda limpinha, lustrosa, e hirta. O rio é medonho, os mosquitos infestam tudo, as margens de tarrafo ficam muito perto em alguns sítios, os crocodilos vão se vendo aqui e ali, e a mata que ladeia o rio é densa e nada se vê. O calor, a humidade no fim da época das chuvas é terrível, e casas de banho nem vê-las.

Os que vieram nas LDG [, lancha de desembarque grande,] parece que a coisa era bem pior, disso não me posso queixar. Estranhei que os barcos que nos transportavam eram rebocados por um pequeno barco de dois motores, tenho fotos disso. Ia a acompanhar esta coluna fluvial, uma LDM [, lancha de desembarque média,] ao largo, da qual tenho algumas fotos. Também se viu os caça-bombardeiros T6 a passar por cima numa manobra de protecção. Era tudo muito estranho.

Lá fomos comendo a ração de combate [Foto nº 48] – eu já tinha tido essa experiência, na deslocação por avião militar DC6 desde Figo Maduro até Bissau, não era uma primeira experiência. Também na recruta e especialidade já tinha tido contacto com as rações de combate.

Lá chegamos ao destino, Bambadinca, porto de rio, que voltei a visitar várias vezes, para ir ao Pelotão de Intendência nas colunas de reabastecimento. Deviam ser 12 ou 13 horas. (Voltei lá em 1984 e 1985 nas minhas viagens de visita e negócios pela Guiné. )

Então começa a faina de transportar tudo para os camiões da imensa coluna militar.

Vamos estrada acima, não era boa nem má, tinha algum alcatrão até Bafatá. Depois uma parte da coluna sai para Fá Mandinga, e o restante segue para Nova Lamego, em terra batida.

Chegamos ao cair da noite, e ficamos em sobreposição durante quase 2 semanas com o Batalhão que fomos render, era uma confusão total, cada um a procurar o melhor sitio. Eu já lá tinha o meu, pois tinha lá chegado em 24 de Setembro e tive tempo de arranjar o lugar.

No dia 25 de Fevereiro de 1968, passamos o último dia em Nova Lamego, de madrugada [, já a 26, ]  fizemos o percurso inverso[, fotos a publicadas acima, neste poste],  mas já tínhamos outro calo, os camuflados já estavam bem batidos nas pedras pelas lavadeiras lá do sítio.

Ficamos em Bissau uns 30 dias em quadrícula, aquartelados nos Adidos em Brá, e em finais de Março de 1968 lá vamos novamente para os barcos, agora fazendo o percurso Rio Cacheu acima, até São Domingos. Acho que já foi mais agradável, pois a paisagem era menos feia e medonha do que no Rio Geba [, em especial no troço do Geba Estreito, entre Bambadinca e o Xime], ou foi apenas por ser o primeiro percurso.

Nunca tivemos qualquer situação de perigo, e tudo correu bem.

Não cheguei a fazer a viagem de regresso em directo [, de Nova Lamego,] para o T/T Uíge, pois já estava em Bissau, a minha missão tinha acabado dois meses antes e fiquei encostado, primeiro no 600 em Santa Luzia, e depois nos Adidos.

Estas foram as deslocações feitas por mim em conjunto com o meu Batalhão. Junto algumas fotos, mas falta ainda muita coisa para digitalizar.

Virgílio Teixeira

Em, 29-01-2018
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9 comentários:

Tabanca Grande disse...

Virgílio, que belo e feliz instantâneo (foto nº 51): jovem casal, no "barco turra", de Bambadinca para Bissau, em 25 de fevereiro de 1968, a jovem mãe com o filho ao colo, a mamar, (lado direito) e do doutro o jovem esposo a dormitar, descaído sobre o braço esquerdo da esposa...O fotógrafo estava lá!... É uma foto de antologia, de que um dia os teus filhos e netos vão ter orgulho!

Anónimo disse...

Luis tinha já um mail feito mas ao enviar não consegui e apagou-se. Escrevo mais logo. Esta foto é do dia 26, passei a ultima noite em NL em 25, a coluna partiu de madrugada para Bambadinca em 26, todas as fotos, incluindo esta a 51, são do dia 26FEv68, excepto a primeira dia 25, o adeus a NL.
O braço direito é de Vila do Conde. Depois envio um email.
Um abraço,
Virgilio

Tabanca Grande disse...

Oscar Kilo, Victor Tango...

Já emendei... E quanto ao resto da conversa, já sabes: tens sempre aqui um ombro amigo...

Lima Golf

PS - As bajudas estão bem guardadas, para melhor ocasião...

Valdemar Silva disse...

Virgílio, então e fotos de Nova Lamego?

Ab.
Valdemar Queiroz

Tabanca Grande disse...

O álbum do Vt43 é uma "caixinha de Pandora"... Valdemar, tem paciência, não podemos publicar a toda a hora as fotos e as histórias do nosso alferes SAM... Ab, Luís

Anónimo disse...

Valdemar obrigado pelo intersse nas fotos de NL. Eu estou a preparar um dossier só sobre NL, mas leva tempo, tenho centenas de fotos e slides, e preciso de organizar e legendar, senão ando a publicar as mesmas se não fizer esse controlo. Por acaso temos o nosso Camarada Luís que não deixa fugir nada, ele tem ainda algumas para publicar, mas vai fazendo segundo o seu próprio método, eu não tenho pressa senão acabam-se em menos de um ano. Eu quero fazer uma história de NL o primeiro ponto onde pisei terras de Fulas e do interior da Guiné, foram apenas 5 meses mas tenho alguma coisa. Estas fotos do cruzeiro Geba abaixo, já são pós NL. Um dia depois de sair de lá.
Prometo ser breve, mas não depende só de mim, tenho ainda por recebre mais 300 fotos que estão a digitalizar, e isso depende de terceiros, não posso forçar senão pago muito por elas, e aqui tenho muitas de NL.
Um abraço

Virgilio Teixeira

Valdemar Silva disse...

Obrigado Virgílio, a minha pressa não é pressa nenhuma.
Como estive em Nova Lamego daí o meu interesse em particular, mas tenho apreciado
com todo o interesse todas as excelentes fotografias que tens enviado para a nossa Tabanca. Algumas são fotografias merecedoras de Prémios e esta última da família no barco e também as das bajudas felupes são excelentes fotos/documentos.

Ab.
Valdemar Queiroz

Tabanca Grande disse...

Percebo melhor por estes e outros álbuns por que é que os nossos, mulherrs, genros e notas têm dificuldades em ouvir nos falar da Guiné... Eles que hoje vivem no bem bom... É ainda bem que vivem. Mas ao menos tenham a humildade de saber ouvir nos...

Tabanca Grande disse...

... todo o bem bom e relativo, nos aprendemos a viver na merda e com a merda... É disso que eles e elas têm medo.