
1. É mais um caso de... kalashnikovomania ?! Podia chocar alguns de nós ao ver o ajudante de campo do governador e comandante-chefe que sucedeu ao gen Spinola optar, em vez da G3, por uma arma com que os homens do PAIGC nos matavam...
Mas há aqui uma dúvida: trata-se de um AK-47 (como diz o fotógrafo, António Murta) ou de uma SA Vz58 (como garante o nosso especialista em armamento, Luís Dias) ?
(...) "Na foto nº 5 é identificado um Tenente dos Comandos, referindo que o mesmo porta uma espingarda de assalto Kalashnikov.
quinta-feira, 21 de março de 2024 às 11:41:00 WET
2. Comentário do editor LG:
Luís Dias, obrigado pelo teu comentário. Tens "olho clínico", és bom observador e sobretudo és especialista em armamento.... És capaz de ter razão, a arma do ajudante de campo ( e guarda-costas, o dois em um) não será uma AK-47 mas a tal SA Vz58 (a avaliar por pequenos pormenores como o feitio da coronha, o tapa-chamas, a alça. a mira, o guarda-máo, o punho, etc., além do porta-carregadores em couro).
Do que tenho dúvidas é em relação às armas que foram adquiridas para equipar as forças que estiveram empenhadas na Op Mar Verde (22 de novembro de 1970).
De acordo com o António Luís Marinho ("Operação Mar Verde: um documento para a história", s/l, Círculo de Leitores, 2005), foram compradas 250 espingardas automáticas AK-47, além de 20 morteiros e 12 RPG-7, encomenda feita diretamente à então URSS (!) pela empresa portuguesa "Norte Importadora", de João Zoio, e paga pelo cheque nº 30983. no valor de 3450 contos, endossado ao inspetor da DGS, Barbieri Cardoso (pág. 79). (Essa importância seria equivalente, a preços de hoje, a mais de 1,2 milhões de euros, era muita massa.)
A título de curiosidade:
- Cada AK-47 (equipamento completo, incluindo 4 carregadores) custava 5750 escudos em 1970 (c. de 2000 euros); loop
- Cada mil munições 7.62 para a Kalash custava mil euros (a preços de hoje);
- Já o RPG-7 (LGFog) custava 50750 escudos (c. 17,8 mil euros);
- Cada granada-foguete perfurante (para a bazuca) andava à volta de 1750 euros;
- O morteiro 82 era ligeiramenet mais caro que o LGFog: 53879 escudos (c. 18,9 mil euros);
- A granada de morteiro, HE (Altamente explosiva), era mais baratinha: c. 300 euros...
(Seleção e edição de fotos, revisão/ fixação de texto, parênteses retos, título: LG)
__________________
Notas do editor LG:
(*) Vd, poste de 1 de dezembro de 2015 > Guiné 63/74 - P15432: Caderno de Memórias de A. Murta, ex-Alf Mil da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4513 (31) (1): Dia 23 de Abril de 1974, visita do General Bettencourt Rodrigues a Nhala
(**) Último poste da série > 21 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27936: Casos: a verdade sobre... (71): Kalashnikovomania - Parte VI: A AK-47 "made in China", que matou camaradas nossos (António Graça de Abreu, sinólogo)
8 comentários:
Fazer uma guerra fica caro... Cada vez que o Zé Turra despejava um carregador de Aka, de 30 balas, sobre o Zé Tuga, eram 30 euros que iam á vida. O Amilcar Cabral não fazia contas mas os russos ou os chineses não haveriam de esquecer-se da conta. Não há "guerras de libertação" de borla...A liberdade custa dinheiro. ontem co.o hoje. Como sempre. A liberdade custa sangue, suor e lágrimas. Por isso ela é tão preciosa para todos os seres humanos.
Em Bambadinca, os comandos africanos, no terreno da Op Mar Verde, chegaram oferecer AK-47 ( ou eram SA Vz58, como diz o Luís Dias?) por 500 pesos. Podia ter comprado uma se sofresse de Kalashnikovomania...
"No regresso da Op Mar Verde", queria eu dizer...
Não era o outro que dizia!
A Liberdade está a passar por aqui...Bem alta... Bem alta...
Até que enfim que a Guiné percebeu que: Não há almoços de borla e a factura vem sempre para alguêm pagar.
Fazem-se "grandes coisas" em nome da Democracia e da libertação do Povo.
Em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo, Amen.
UM Ab. Victor Costa
Nas suas memórias, o Amadu Bailo Djaló ("Guineense, comando, português", 1º volume, Lisboa, Associação de Comandos, 2010, pág. 174) escreveu: "Levávamos Kalashs e íamos vestidos com roupa do PAIGC" (...). (Negritos nossos)
No seu livro "De Conacry ao MDLP: dossier secreto" (Lisboa, Editorial Intervenção, 1976, 237 pp.), Alpoim Calvão não fala do armamento usado na Op Mar Verde, nem muito menos do negócio da compra das armas à União Soviética. No entanto, na sucinta descrição que faz da ação, tem uma referência ao Marcelino da Mata que, no Quartel da Guarda Republicana, em Conacri, depois da morte do alferes Ferreira, "abateu os oponentes com uma rajada de AK-47" (pág. 78). (Negritos nossos)
No meu tempo de Gadamael tinha uma equipa de milícias (7 homens e guia) que fardava e equipava (Kalash e RPG 7) PAIGC. Efectuava acções secretas de infiltração na zona de fronteira com a Guiné Conakry.
Segundo informações referidas no livro do General Carlos de Azevedo, “Trabalhos e dias de um soldado do Império”, a aquisição de espingardas automáticas ou de assalto, através da firma “Norte Importadores, Lda”, com sede na Av. da República, em Lisboa, pertencentes aos irmãos Zoio (ligados à tauromaquia), à então Checoslováquia, um número não identificado de Espingardas SA Vz.58, no calibre 7,62x39mmM43. Há ainda quem diga que também se obteve algumas AK-47 da própria URSS (o que nos parece pouco provável) ou da Bulgária e um número não determinado de RPG´s (Lança granadas foguete). A arma em referência era a favorita do Marcelino da Mata, com quem estive em Galomaro, com o seu Grupo de Operações Especiais e a arma que tinha era uma SA Vz58. Há fotos dele com essa arma que posso disponibilizar, que tem muitas semelhanças físicas com a AK-47, mas operarava num sistema diferente. Trabalha por acção indirecta de gases, com tomada num ponto do cano, com curto recuo do pistão, sem regulador de gases. O travamento dá-se pelo sistema “Falling breechblock (assentamento da culatra)”. Sabe-se que muitas dessas armas ficaram no comandos e vê-se me várias fotos graduados com ela, aliás como estão nas que exibiram no Blogue. Também em Galomaro, quando o General Bettencourt Rodrigues ali esteve, tenho uma foto em que está um comando que o acompanhava, julgo ser o mesmo que identificaram, e que tem nas mãos uma Vz58. Abraço para todos os camaradas.
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