Pesquisar neste blogue

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27941: Casos: a verdade sobre... (72): Kalashnikovomania - Parte VII: até o ajudante de campo do gen Bettencourt Rodrigues, um tenente 'cmd', se rendeu aos encantos da AK-47 (segundo o fotógrafo António Murta) ou da SA Vz58 (na opinião do nosso especialista em armamento, Luís Dias)

 


Espingarda automática, checoslovaca, SA vz58 P (com coronha, punho de pistola, e guarda-mão; e bandoleira). Fonte: cortesia de Wikipedia




Ak-47, de origem soviética. Aos olhos de um leigo, estás duas armas podem confundir-se.

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)




Foto nº 5B, 5A, 5> Guiné > Região de Tombali > Sector S2 (Aldeia Fomosa) > Nhala > 2ª C/BCAÇ 4513 (Nhala, 1973/74) > 23 de Abril de 1974 > "O tenente guarda-costas (que ostenta o crachá dos cmds na boina, e está equipado com uma Kalash), aproveita para ler uma carta chegada da Metrópole, quero crer. Porquê? Porque o envelope é debruado pelo tracejado característico do correio aéreo."



Foto nº 2 e 2A > Guiné > Região de Tombali > Sector S2 (Aldeia Fomosa) > Nhala > 2ª C/BCAÇ 4513 (Nhala, 1973/74) > 23 de Abril de 1974 > "Depois das honras militares o general cumprimenta o cmdt de Nhala, cap Braga da Cruz, da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4513. Atrás de si, o Oficial de Dia, alf mil Campos Pereira. [No lado esquerdo da foto, vè-se o ajudante de campo de Kalash em punho.]"


Foto nº 3 > Guiné > Região de Tombali > Sector S2 (Aldeia Fomosa) > Nhala > 2ª C/BCAÇ 4513 (Nhala, 1973/74) > 23 de Abril de 1974 > "A comitiva dirige-se para o aquartelamento. À esquerda da imagem o coronel Hugo da Silva, Chefe do Estado-Maior, cumprimenta o Oficial de Dia. Em primeiro plano, de Kalashnikov, o tenente Ajudante de Campo. E guarda-costas, pareceu-me."


Foto nº 11  > Guiné > Região de Tombali > Sector S2 (Aldeia Fomosa) > Nhala > 2ª C/BCAÇ 4513 (Nhala, 1973/74) > 23 de Abril de 1974 > "As visitas preparam-se para partir. Ao volante do jipe, o Cmdt do Batalhão Ten-Cor Carlos Ramalheira e, ainda a subir, à esquerda, o Cmdt de Operações do BCAÇ 4513, Capitão Cerveira. De cigarro, à direita, o Coronel Hugo da Silva. No jipe de trás o resto da comitiva, apenas se reconhecendo ao volante o Major Dias Marques  [e o ajudante de campo que se preparava para tomar o seu lugar, atrás, no lado direito, no jipe da frente]. A comitiva dirigiu-se a Aldeia Formosa, onde o general almoçou regressando logo a seguir a Bissau."


Fotos do álbum do António Murta, ex-alf mil MA, 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4513 (Aldeia Formosa, Nhala e Buba, 1973/74). Manteve-se a mesma numeração.(*)

Fotos (e legendas): © António Murta (2015). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. É mais um caso de... kalashnikovomania ?! Podia chocar alguns de nós ao ver o ajudante de campo do governador e comandante-chefe que sucedeu ao gen Spinola optar, em vez da G3, por uma arma  com que os  homens do PAIGC nos matavam..

Mas há aqui uma dúvida: trata-se de um AK-47  (como diz o fotógrafo, António Murta)  ou de uma  SA Vz58 (como garante o nosso especialista em armamento, Luís Dias) ?

 Este último diz que é uma SA Vz58:

(...) "Na foto nº 5 é identificado um Tenente dos Comandos, referindo que o mesmo porta uma espingarda de assalto Kalashnikov. 

No entanto, a arma que ele transporta é uma SA Vz58, de origem Checoslovaca, com aparência semelhante à AK-47, mas opera num sistema diferente. 

Estas armas foram adquiridas aquando da Operação "Mar Verde", em 1970, efectuada na República da Guiné-Conacri. Continuaram a ser usadas por forças dos Comandos na Guiné (graduados) e era a arma preferida do então alferes Marcelino da Mata, quando comandava o Grupo de Operações Especiais, mais conhecido pelo Grupo do Marcelino da Mata. (...)

quinta-feira, 21 de março de 2024 às 11:41:00 WET 

2. Comentário do editor LG:

Luís Dias, obrigado pelo teu comentário. Tens "olho clínico", és  bom observador e sobretudo és especialista em armamento.... És capaz de ter razão, a arma do ajudante de campo ( e guarda-costas, o dois em um) não será uma AK-47 mas a tal SA Vz58 (a avaliar por pequenos pormenores como o feitio da coronha, o tapa-chamas, a alça. a mira, o guarda-máo,  o punho, etc., além do porta-carregadores em couro).

Do que tenho dúvidas é em relação às armas que foram adquiridas para equipar as forças que estiveram empenhadas na Op Mar Verde (22 de novembro de 1970). 

De acordo com o António Luís Marinho ("Operação Mar Verde: um documento para a história", s/l, Círculo de Leitores, 2005), foram compradas 250 espingardas automáticas AK-47, além de 20 morteiros  e 12 RPG-7, encomenda feita diretamente à então URSS (!) pela empresa portuguesa "Norte Importadora", de João Zoio, e paga pelo cheque nº 30983. no valor de 3450 contos, endossado ao inspetor da DGS, Barbieri Cardoso (pág.  79). (Essa importância seria equivalente, a preços de hoje, a mais de 1,2 milhões de euros, era muita massa.)

A título de curiosidade:

  • Cada AK-47 (equipamento completo, incluindo 4 carregadores) custava 5750 escudos em 1970 (c. de 2000 euros); loop
  •  Cada mil munições 7.62 para a Kalash custava mil euros (a preços de hoje);
  •  Já o RPG-7 (LGFog) custava 50750 escudos (c. 17,8 mil euros);
  • Cada granada-foguete perfurante (para a bazuca) andava à volta de 1750 euros;
  • O morteiro 82 era ligeiramenet mais caro que o LGFog: 53879 escudos (c. 18,9 mil euros);
  • A granada de morteiro, HE (Altamente explosiva), era mais baratinha: c. 300 euros...

(Seleção e edição de fotos, revisão/ fixação de texto, parênteses retos, título: LG)

__________________

Notas do editor LG:

8 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Fazer uma guerra fica caro... Cada vez que o Zé Turra despejava um carregador de Aka, de 30 balas, sobre o Zé Tuga, eram 30 euros que iam á vida. O Amilcar Cabral não fazia contas mas os russos ou os chineses não haveriam de esquecer-se da conta. Não há "guerras de libertação" de borla...A liberdade custa dinheiro. ontem co.o hoje. Como sempre. A liberdade custa sangue, suor e lágrimas. Por isso ela é tão preciosa para todos os seres humanos.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Em Bambadinca, os comandos africanos, no terreno da Op Mar Verde, chegaram oferecer AK-47 ( ou eram SA Vz58, como diz o Luís Dias?) por 500 pesos. Podia ter comprado uma se sofresse de Kalashnikovomania...

Tabanca Grande Luís Graça disse...

"No regresso da Op Mar Verde", queria eu dizer...

Victor Costa disse...

Não era o outro que dizia!
A Liberdade está a passar por aqui...Bem alta... Bem alta...
Até que enfim que a Guiné percebeu que: Não há almoços de borla e a factura vem sempre para alguêm pagar.
Fazem-se "grandes coisas" em nome da Democracia e da libertação do Povo.
Em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo, Amen.
UM Ab. Victor Costa

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Nas suas memórias, o Amadu Bailo Djaló ("Guineense, comando, português", 1º volume, Lisboa, Associação de Comandos, 2010, pág. 174) escreveu: "Levávamos Kalashs e íamos vestidos com roupa do PAIGC" (...). (Negritos nossos)

Tabanca Grande Luís Graça disse...

No seu livro "De Conacry ao MDLP: dossier secreto" (Lisboa, Editorial Intervenção, 1976, 237 pp.), Alpoim Calvão não fala do armamento usado na Op Mar Verde, nem muito menos do negócio da compra das armas à União Soviética. No entanto, na sucinta descrição que faz da ação, tem uma referência ao Marcelino da Mata que, no Quartel da Guarda Republicana, em Conacri, depois da morte do alferes Ferreira, "abateu os oponentes com uma rajada de AK-47" (pág. 78). (Negritos nossos)

Morais Silva disse...

No meu tempo de Gadamael tinha uma equipa de milícias (7 homens e guia) que fardava e equipava (Kalash e RPG 7) PAIGC. Efectuava acções secretas de infiltração na zona de fronteira com a Guiné Conakry.

Luís Dias disse...

Segundo informações referidas no livro do General Carlos de Azevedo, “Trabalhos e dias de um soldado do Império”, a aquisição de espingardas automáticas ou de assalto, através da firma “Norte Importadores, Lda”, com sede na Av. da República, em Lisboa, pertencentes aos irmãos Zoio (ligados à tauromaquia), à então Checoslováquia, um número não identificado de Espingardas SA Vz.58, no calibre 7,62x39mmM43. Há ainda quem diga que também se obteve algumas AK-47 da própria URSS (o que nos parece pouco provável) ou da Bulgária e um número não determinado de RPG´s (Lança granadas foguete). A arma em referência era a favorita do Marcelino da Mata, com quem estive em Galomaro, com o seu Grupo de Operações Especiais e a arma que tinha era uma SA Vz58. Há fotos dele com essa arma que posso disponibilizar, que tem muitas semelhanças físicas com a AK-47, mas operarava num sistema diferente. Trabalha por acção indirecta de gases, com tomada num ponto do cano, com curto recuo do pistão, sem regulador de gases. O travamento dá-se pelo sistema “Falling breechblock (assentamento da culatra)”. Sabe-se que muitas dessas armas ficaram no comandos e vê-se me várias fotos graduados com ela, aliás como estão nas que exibiram no Blogue. Também em Galomaro, quando o General Bettencourt Rodrigues ali esteve, tenho uma foto em que está um comando que o acompanhava, julgo ser o mesmo que identificaram, e que tem nas mãos uma Vz58. Abraço para todos os camaradas.