quarta-feira, 2 de maio de 2018

Guiné 61/74 - P18596: Efemérides (280): No dia 1 de Maio de há 48 anos, o BCAÇ 2912 desembarcava no cais de Pidjiguiti (António Tavares, ex-Fur Mil SAM)

EXCELENTE E VALOROSO era a Divisa do BCaç 2912 - RI2


1. Mensagem do nosso camarada António Tavares (ex-Fur Mil SAM da CCS/BCAÇ 2912, Galomaro, 1970/72), datada de 1 de Maio de 2018:

Camarigos,

Neste dia 1 de Maio de há 48 anos, o BCaç 2912 desembarcava no cais de Pidjiguiti.

Quem do BCaç 2912 se reconhece na fotografia?
- Identifico o falecido Comandante.

Chegada do BCaç 2912, em 01 de Maio de 1970, ao cais de Pidjiguiti, em Bissau

Camarada (tratamento entre militares) a esta hora (19 horas) o que estarias a fazer?

- Estarias a caminho do quartel de Brá?
- Dentro do aquartelamento a tratar do teu precário alojamento?
Não sabemos!
Sabemos que já tínhamos percorrido umas milhas terrestres dentro do território guineense.
Sabemos que andávamos cheios de receber Ordens. Ordem para isto… Ordem para aquilo!

E ao final dos dias saía a Ordem de Serviço n.º. xxx do BCaç 2912.
O Comandante do Batalhão determinava e mandava publicar.

Ordens por vezes muito mal dadas pelos comandos…
Tivemos o exemplo disso!
A primeira Ordem que recebi:
- Ir à Manutenção Militar – Intendência – levantar 21 caixas de uísque. Caixas que receberam todas as mordomias até ao quartel de Galomaro.

Quartel de Galomaro, em Maio de 1970

No quartel foram distribuídas somente pelos Sargentos e Oficiais segundo Ordens do Comando. Os milicianos poucas garrafas levantaram. Constava que não faltaria uísque durante a comissão. Foi puro engano.

Embora houvesse a Ordem de não distribuir o uísque às Praças, e dentro dos possíveis, com a colaboração dos Sargentos e Oficiais milicianos, nunca lhes faltou o precioso líquido especialmente nos aniversários.
Os comerciantes vendiam as garrafas de uísque, de qualidade inferior ao da tropa, por valores exorbitantes.

Eu e um Oficial Superior por razões diferentes fomos das pessoas do Batalhão que mais lidámos com o uísque. Até essa data nunca tinha bebido a totalidade do conteúdo de uma garrafa de 0,75 l. Habituei-me a bebê-lo com Coca-Cola.

Recordação do quartel de Galomaro, em Março de 1972

No quartel de Brá encontrei a primeira pessoa conhecida da Foz do Douro. Éramos praticamente vizinhos. Falamos um pouco. Ele, Capitão Miliciano, estava em recuperação em Bissau e na circunstância com as Ordens de receber e alojar o Batalhão.
Eu e um Camarada da CCS encontrámos uma tábua, talvez de alguma cama, e colocámo-la em cima de uma mesa e os dois passámos a noite ao ar livre e de barriga para o ar sem nos mexer. Tínhamos de nos equilibrar. O tombo a dar teria mais de um metro de altura.
Entretanto as cruéis matas do Leste do Comando Territorial Independente da Guiné esperavam-nos. Infelizmente alguns militares do nosso batalhão faleceram neste Teatro de Operações… O Vietname português, de 1963 a 1974.
A primeira morte do BCaç 2912 deu-se nas águas do rio Corubal com o desaparecimento de um militar da CCaç 2701, aquartelada no Saltinho.

Passados quatro anos passaríamos a festejar livremente O Dia do Trabalhador, festejado desde 1886 nos Estados Unidos da América.

Abraço do
António Tavares
Foz do Douro, Terça-feira 01 de Maio de 2018
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Nota do editor

Último poste da série de 28 de Abril de 2018 > Guiné 61/74 - P18571: Efemérides (279): O 25 de Abril de 1974... visto de Bissau, através de aerogramas enviados por Jorge Gameiro ( REP / ACAP / QG / CC) à sua esposa Ana Paula Gameiro e ao seu filhinho Nuno Gameiro... Documentação comprada no OLX, há 5 ou 6 anos (Carlos Mota Ribeiro, Maia) - Parte III

3 comentários:

Juvenal Amado disse...

Tavares

É sempre um prazer ouvir o ler qualquer coisa sobre o nos "resorte" africano.
Marcou-nos para sempre e não paramos de falar desses tempos tão duros mas em que hera mos jovens.

Um abraço e até Sábado

Tabanca Grande disse...

Galomaro... BCAÇ 2912... 1 de maio de 1970... Rapaziada boa do meu tempo... Nessa altura eu já levava 11 meses de Guiné... R quansdo comecei a passar por lá, foi para reabastecer o Saltinho e o Xitole...Durante largos meses, de 1968 a 1969, a estrada Bambandinca- Mansambo - Xitole - Saltinho, esteve "interdita", a partir de Mansambo... Recordo-me de ter feito uma grande operação para podermos levar o reabastecimento até ao pessoal do Xitole e Saltingo... Julgo que foi em setembro de 1969... Havia articulaç~eo entre os nossos setores, Bambadinca, L1, e Galomaro, L6 (se não erro)...

Um abaraço, Tavares.

Anónimo disse...

Olá Tavares:
Como dizia um programa da TV que não via normalmente, 'A tua cara não me é estranha'.
Pois eu sou também do Porto, agora vivo em Vila do Conde, onde tenho cá 2 filhos e netos, a mais velha de 47 anos, vive na Foz. Tinha casa em frente à Católica e agora está noutro sitio e a construir uma vivenda para esses lados. A Foz, desde menino, 7-8 anos, lá ia eu da Arca d' água, a pé até à Rotunda, e aí nos electricos avenida da Boavista abaixo, para banhos no Castelo do Queijo.
Por isso talvez a gente se veja por aí, ando muito pelo NorteShopping, agora nem tanto.
Mas a minha vinda aqui é para falar do uisque. O meu BC1933 - Nova Lamego/S. Domingos, nunca lhe faltou esse precioso nectar, que aprendi também a beber lá, e até hoje continuo todos os dias. Não havia nessas terras onde passei, uma venda de uisque no comércio local, excepto em Bissau, mas só comprei aquilo que era destinado à malta, por um preço da água choca.
Estive entre 21set67 até 4Ago69.
Vamos falando,
Um AB,

Virgilio Teixeira