Adriano (Miranda) Lima: mindelense da diáspora, nascido em 1943, é cor inf ref, vive em Tomar desde 1963. Serviu muitos anos no RI 15. Nao passou, na guerra de África, pela Guiné, mas sim por Angolas e Moçambique. Escritor, tem-se interessado pela história, património e cultura da sua terra. É igualmenet assíduo colaborador de jornais e blogues de (ou com referência a) Cabo Verde. É membro da nossa Tabanca Grande desde 2012.
Tem cerca de duas dezenas e meia de referências no nosso blogue. É autor, nomeadamente. dos livros " "Forças Expedicionárias a Cabo Verde na II Guerra Mundial" e "Dr. José Baptista de Sousa – O Homem, o Médico e o Militar". Ambos, edição de autor, publicados em 2020.
1. Mensagem do Adriano Lima, comentando o poste P27669 (*)
Data - 3 fev 2025 02:49
Assunto - E se... ? Invasão do Mindelo em 1942
Amigo Luís, boa noite.
Só reajo agora porque, infelizmente, problemas familiares forçaram-me a fazer uma pausa na minha rotina habitual.
Agradeço este interessantíssimo trabalho, que li com imenso gosto e muito gozo.
As meninas da IA fizeram o que delas era de esperar, reproduzindo fielmente a história do que realmente aonteceu. O que, noutra circunstância, poderia ter acontecido está bem reproduzido nas imagens aos quadradinhos e comentado com refinado humor pelo editor do blogue.
Olha que quem lê até é levado a pensar que és um mindelense de gema, ou seja, que bebeste a água do Madeiral, expressão que antigamente se usava para caracterizar o natural da ilha que melhor se identifica com os seus usos e costumes (a água que abastecia a ilha vinha de uma nascente no lugar com esse nome, Madeiral).
Na idiossincrasia mindelense cabe um humor típico e que não tem paralelo no resto do arquipélago. Parece que isso se deveu à influência da comunidade inglesa, que em grande parte impulsionou o desenvolvimento da cidade e do porto. O crioulo de S. Vicente incorpora no seu léxico termos ingleses com mais ou menos adulteração.
Quanto à independência do território, se se realizasse hoje um referendo, acredito que a maior parte da população a rejeitaria e optaria por uma autonomia semelhante à dos Açores e Madeira.
Aliás, isso só não aconteceu muito por influência da célula do MFA local. Os cabo-verdianos pensavam que iam fruir das mesmas liberdades cívicas dos metropolitanos em Portugal e por isso criaram 2 ou 3 partidos que defendiam essa opção ou algo nessa linha. Os seus líderes foram presos e encarcerados no campo de Tarrafal, e é importante frisar que tudo aconteceu durante o período de transição, por obra e graça da célula do MFA local, que se identificava, com grande activismo revolucionário, com a ala mais esquerdista do Movimento.
Enfim, a mágoa de muitos cabo-verdianos é que saíram da ditadura do antigo regime para serem entregues a outra ditadura, a do PAIGC, que recebeu de mão beijada o poder.
Um abraço amigo
Adriano
Adriano
2. Sobre o Madeiral: segundo a Wikipedia, é uma aldeia no centro-sul da ilha de São Vicente, Cabo Verde, junto à estrada entre a cidade do Mindelo e a aldeia do Calhau. A montanha a sul da aldeia, com o mesmo nome, atinge os 675 m de altitude.
Sobre o abastecimenmto de água à cidade do Midnelo, encontrei este apontamento (que faz sentido partilhar):
Blogue Esquina do Tempo > Nôs Terra, Nôs Gente” – Água do Madeiral e da Vascónia em São Vicente
Sobre o abastecimenmto de água à cidade do Midnelo, encontrei este apontamento (que faz sentido partilhar):
Blogue Esquina do Tempo > Nôs Terra, Nôs Gente” – Água do Madeiral e da Vascónia em São Vicente
Brito-Semedo, 19 out 22
(...) A 27 de maio de 1886, a Empresa de Águas do Madeiral fez chegar as águas das nascentes do Madeiral à cidade do Mindelo.
Essa água era armazenada em depósitos: um no Lombo Tanque, outro no alto do Matadouro Velho e um terceiro na Morada, situado entre o Tribunal e a traseira da Igreja Católica. Essa era a água para toda a serventia da casa, vendida a dois tostões a lata de vinte litros.
Ah, havia ainda a água dos fontenários existentes à volta da Morada, Canalona, em Chã de Alecrim, onde as mulheres iam lavar a roupa; Fonte Doutor; Fonte Cónego; Fonte Filipe; Fonte Inês; Fonte Francês; Fonte do Cutú; Fonte de Meio; Fonte Nova; etc.
Por essa mesma altura, a Empresa Ferro & Companhia possuía uma pequena frota de navios-tanques, os “vaporins d’ága”, que transportavam água potável das nascentes do Tarrafal de Monte Trigo, em Santo Antão, para abastecimento aos barcos que escalavam o Porto Grande e que tinha o seu depósito no quintalão da Vascónia, situada frente ao edifício da capitania e ao Pelourinho de Peixe. Também vendia água a 4 tostões a lata, porque era de melhor qualidade e usada para beber, normalmente guardada em pote de barro da Boa Vista para se manter sempre fresca.
A água dessalinizada, ou a água da JAIDA (**), só viria a surgir em 1971.
Manuel Brito-Semedo (...)
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Notas do editor LG:
(*) Último poste da série > 25 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27669: Os 50 anos de independência de Cabo Verde (19): E se o Porto Grande e o Mindelo tivessem sido invadidos e ocupados pelos Aliados, em 1942?... Uma brincadeira da História Contrafactual...

4 comentários:
Um dia tudo isto tinha que acontecer. No caso de Cabo Verde houve eleições, mas de lista única. Eu não estava lá, o Adriano também não. O que pensam os "patrícios" hoje ? Os so arquipélago e os da diáspora ? A memória dos povos e muito curta.
Isto é como o divórcio, neste caso litigioso. O balanço da independência tem de ser feito pelos cabo-verdianos. Eu não sou cabo-verdiano mas desejo o melhor para o povo de Cabo Verde.
Procuramos sempre um "bode expiatório" quando as coisas correm mal ou menos bem. No caso da "ruptura" de Cabo Verde com Portugal, os cabo-verdianos tinham muitas razões de queima do Regime derrubado em 25 de Abril de 1974. Mas em 1975 estávamos em plena guerra fria.
Gostei.
Eu acho que problema nâo foi gerra fria, mas sim do MFA. Não se podem culpar os outros pelas me.das que fizemos. Cada um deve assumir as suas responsabilidades.Uma coisa eu também concordo, a memória dos povos é curta.
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