1. Mensagem de António Rosinha, ex-colon, ex-retornado de Angola, ex-emigrante no "Brasiu", ex-cooperante na Guiné-Bissau do Luís Cabral e do 'Nino' Vieira, beirão, portuguès dos sete costados, grão-tabanqueiro de pedra e cal (com 162 referências no blogue)... Mesmo tendo sido expulso do paraíso em 1974, não perde o bom humor... mas também não se esquece..
Data - 3 fev 2026 00:26
Assunto :- 1961: duas negas aos amaricanos
Já fui à inteligência artificial e podia transcrever o que ela diz sobre o assunto, mas prefiro usar a minha linguagem e a minha memória dos meus 22/23 anos.
Nunca pensei aos 22 anos que, passados 65 anos, ver os mesmos senhores do mundo com os mesmos propósitos de continuarem a fazerem "obedecer" o mundo aos seus caprichos.
Vamos às duas "negas", em 1961, sendo que as duas, simultâneas no tempo, eram distantes geopoliticamente.
Quem foram os "heróis" que em 1961 disseram Não ao presidente americano Kennedy?
Muita gente ainda se lembra dos barbudos de Fidel Castro e da Baía dos Porcos onde a CIA bateu com a cara na porta, e a Coca-Cola foi buscar açúcar a outra colónia.
Em 1961, e durante muitos anos, não só Cuba funcionava como pura colónia norte-americana, como praticamente toda a América Latina.
E o herói Fidel Castro, embora caísse na boca de outro lobo, Khrushchev, disse "bye bye" a Kennedy! Até hoje! "Embora a luta continue", para azar dos cubanos, mas que Fidel foi único na América Latina, é inegável.
E o segundo herói que neste ano, 1961, disse um redondo Não ao presidente Kennedy foi o português António de Oliveira Salazar.
Mais ou menos, muito perto no tempo da Baia dos Porcos em Cuba, Kennedy propôs a Portugal "ajuda" para resolver o problema colonial que se tinha desenvolvido no Norte de Angola com os ataques terroristas pela UPA no "Congo Português".
Para quem não sabe, esse movimento, a UPA, já era conhecido da CIA e das missões religiosas americanas, onde havia muito disso, que já andavam por ali à muitos anos a dilatar a fé e o império.
E o chefe da UPA, que era cunhado de Mobutu, (em África quando se fala em cunhado quer-se dizer que é da mesma tribo) não iniciou a guerra de libertação de Angola, mas exclusivamente daquela região tribal, que era o Congo Português, irmão dos Congos francês e belga.
Ora os americanos já estavam com a CIA e as Missões religiosas, a financiar e fomentar a luta não só anticolonial, como anticomunista, e já tinham liquidado em janeiro, o Lumumba, tudo dentro da política Kennedy.
Como tinham liquidado o sueco Secretário Geral da ONU que, como sempre, ontem e hoje, um organismo-fantoche, e esse senhor andava a levar por maus caminhos os africanos.
Claro que Salazar só podia dar uma "nega" a esse homem que deixou um nome mítico no mundo mas não passava de um coboi como todos os outros americanos, a lei era o gatilho.
A ajuda norte-americana, só a um povo "perdido" e desesperado e incaracterístico e despersonalizado, talvez para onde hoje a Europa se esteja encaminhando arrastando todos, só assim se deva entregar tal ajuda.
Angola e Moçambique jamais seriam aquilo que conhecemos, não sabemos se angolanos e moçambicanos gostam daquilo que com unhas e dentes Portugal resguardou.
A América conseguiu a paz na Europa, na II Grande Guerra, ajudou o Vietnam, o Chile a Coreia a Somália, agora ajuda a Ucrânia, ajuda sempre quem precisa.
Houve um momento da nossa geração em que na realidade Portugal teve voz própria, com muito sacrifício, foi com um ditador, mas paciência, historicamente o nosso ditador disse Não ao presidente americano que um tiro matou.
Também foi azar, o tiro poderia ter ferido apenas.
Fico por aqui.
Faz agora anos que se diz que seria o MPLA, iniciou a primeira sarrafusca na cidade de Luanda, em 4 de fevereiro de 1961.
Cumprimentos
Antº Rosinha
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Nota do editor LG:

6 comentários:
Rosinha, o que estás a dizer é muito grave.
Então os democratas, também eram colonizadores ? Não me digas que uns tinham a fama e outros tinham o proveito. Não me digas que já tinham comando à distância.
Origado, pela tua mensagem, nunca é tarde para aprender.
A Op Mar Verde (1970) poderá ter sido "inspirada" pela Op Mangusto (1961).
Interessante: Salazar nunca chegou a cortar relações diplomáticas com Cuba.
Relações consulares desde o início do séc. XIX e diplomáticas desde 1929. Os regimes passam, as nações ficam.
Caros amigos,
As relações de Portugal com Angola sempre foram muito especiais, não fosse ela a "jóia da coroa" assim como o seu processo de "descolonização ".
Por ocaso e falando dos movimentos guerrilheiros nesse território, ouvi da boca do ex-Almirante Rosa Coutinho uma definição muito curiosa do conceito de civilizado, dizendo que: "o Mpla era o único movimento civilizado em Angola" e por civilizado ele subentendia "os que comiam bacalhau com batatas, acompanhado com uns copos de vinho tinto". Bem interessante, e fazendo um paralelo com o caso da GBissau, ficamos a saber que provavelmente o Paigc também era o único que preenchia esse critério daí as conivências e facilidades que foram concedidos e ainda hoje devem beneficiar na cabeça de muitos portugueses. Nunca é tarde pra aprender a história e sobre certos posicionamentos políticos com cheiro/aroma de bacalhau e água de Lisboa. Por outras palavras, a indisfarçável vontade do (neo)colonialismo a portuguesa.
Abraço amigo,
Cherno AB
Cherno, Alguma lógica no teu raciocínio, essa do bacalhau e do tintol, essa malta que foi para a escola de Salazar criada em 1944, a casa dos estudantes do império.
Atraiçoaram o Salazar (fingiam que apreciavam o bacalhau)e foram eles que ganharam a guerra aos outros movimentos étnicos.
O Salazar queria essa malta para ajudar a manter a colonização, sabia que não podia abrir, ia desaparecer tudo se abrisse.
O Rosa Coutinho e outro o Otelo, e mais alguns do MFA eram nitidamente pró estudantes, dos três movimentos vencedores, alguns militares também eram oriundos do ultramar.
Quem marcou bem essa malta foi a UPA em 1961, com o terrorismo no "Congo Português"
Não aceitava o MPLA no seu território.
Mesmo dentro do MPLA, também havia um pouco essa alergia aos apreciadores do bacalhau.
Embora no PAIGC, nunca esse pessoal substituísse a cachupa pelo bacalhau, nem o grog de cana pelo bagaço, mas o pessoal do PAICV estava a substituir com LUis Cabral autenticamente uma colonização tuga por uma colonização caboverdeana, pelo menos aos olhos de Nino Vieira e do "PAIG" em geral.
Mas não foram só os do MFA, gente como Otelo e Rosa Coutinho e todos os civis que apreciavam o bacalhau e o vinho (principalmente brancos e mestiços africanos) que apoiaram os movimentos vencedores, também cubanos e soviéticos viraram as costas aos movimentos com origem étnica.
Cherno, esse pensamento de Rosa Coutinho que eu desconhecia, pois fui para o Brasil para fugir do MPLA e dos outros, por isso me escapou. "o Mpla era o único movimento civilizado em Angola", com toda a propriedade podia ser aplicado ao PAIGC, agora PAICV.
Já estava na hora de na Guiné rebatizar em PAIG.
Cumprimentos
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