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quinta-feira, 12 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27814: O armamento do PAIGC (11): A mina anticarro russa TMD, reforçada com granadas de Pancerovka P27, um LGFog, de origem checa, a que o "Zé Turra" chamava "pau de pila" e só estorvava...


Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026): Transcrição e esquema técnico elaborados com apoio de ChatGPT, modelo de linguagem da OpenAI (11 de março de 2026)


Guiné > Região de Cacheu > CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e S. Domingos, 1967/69) > Estrada S. Domingos - Susana, a meio caminho para Nhambalã > 10 de agosto de 1968 > Mina soviética anticarro, reforçada com 2 granadas de Pancerovka P-27, um LGFog, de origem checa, uma arma antitanque desenhada em 1946-1949 e produzida pela Skoda. (Lapso do Eduardo: não é Pankerovsky mas Pancerovka que em checo quer "panzer", "tanque", "blindado").

Foto alojada em Aveiro e Cultura > Arquivo Digital (e aqui reproduzidas com a devida vénia). (*)

Foto (e legenda): © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


O LGFog Pancerovka P-27, de fabrico checo.
Cortesia de Wikimedia Commons.
Infografia: Blogue Luís Graça
& Camaradas da Guiné (2026)

1. Sobre este LGFog / RPG / bazuca, sabemos que equipou os exércitos da Checoslováquia e da Polónia nas décadas de 1950-60 até ser substituído pelo RPG-7 soviético e pelo RPG-75 checo.  Já "sucata", foi parar às matas da Guiné nos primeiros anos da guerra colonial (55 unidades, entre 1964 e 1968).


Não devia ser uma arma muito portátil e "maneirinha" (tal como a nossa bazuca)... No mato, não dava jeito, com aquele capim, aquelas lianas, aquele tarrafe... Mas a besta de carga do balanta  aguentava tudo....

Quando a longa metragem da guerra ia a meio, sem direito a intervalo para o cigarro e o chichi, o "Zé Turra" acabou por trocar a panzer" pelo RPG-2 e pelo RPG-7. E, pelos vistos, foi "semeando" granadas pelas picadas da Guiné, reforçando as minas TMD russas,
anticarro, de armação em madeira.

Ficha técnica:
  • Peso da arma: 6,4 kg (não carregada)
  • Peso da granada: 3,75 kg 
  • Calibre: 45 mm o tubo, 110 mm a granada;
  • Comprimento da arma: 1030 mm;
  • Comprimento da granada: 720 mm;
  • Alcance efetivo: 200 m
  • Operação: 2 homens (atirador e municiador):
  • Cadência de tiro: 4 tiros por minuto.
Em checo, Pancéřovky quer dizer "panzer", "tanque", "veículo blindado"... 

O Pancerovka P-27  foi uma arma antitanque checoslovaca utilizada nas décadas de 1950 e 1960, sendo posteriormente substituída pelo RPG-7 soviético (introduzido em 1963) e pelo RPG-75 checoslovaco  (a partir de 1975). 

2.  História da Pancerovka P27:

Após a Segunda Guerra Mundial, um grande número de armas antitanque alemãs foi capturado na Checoslováquia, especialmente o Panzerfaust 60 (no exército checoslovaco do pós-guerra, referido como Panzer N) e o Panzerschreck. 

Daí, e logicamente, a Checoslováquia ter  começado a desenvolver a sua própria arma antitanque, capaz de penetrar qualquer blindagem com espessura, na época, até 200 mm (20 cm).

O desenvolvimento deste LGFog foi encomendado em dezembro de 1947, com a designação de projeto PPZ. A condição era um peso de até 5 kg e um alcance efetivo de 100 metros, com possibilidade de disparos repetidos. A pólvora utilizada deveria sem fumo.

O desenvolvimento foi realizado pela Konstrukta Brno (Praga) e liderado por Ladislav Urban. A partir de 1950, este LGFog foi projetado como uma arma de cano liso e grosso calibre. Em maio de 1950, a comissão de armamento concordou em introduzir a arma sob a designação Pancerovka 75, sendo o número indicativo do alcance de tiro em alvos móveis.

A produção começou na fábrica Zbrojovka Vsetín. Diversas outras modificações se seguiram e a arma foi rebaixada como Pancerovka 27.

O preço da arma em 1955 era de 1.800 CZK. O Exército Popular Checoslovaco possuía um total de 18.400 unidades desta arma nos seus arsenais, em 1958.

(...) Entre 1951 e 1953, 2600 unidades foram exportadas para a Polónia. A Albânia encomendou 1000 unidades em 1954. 

No primeiro semestre de 1957, o Pancéřovky (em checo) foi exportado para o Iémen (1000 unidades). A Frente de Libertação Nacional da Argélia recebeu um total de 48 unidades entre 1957 e 1959, e outras 100 unidades em 1961. Outra ex-colónia francesa, a Guiné-Conacri, recebeu 150 unidades entre 1958 e 1960. Entre 1967 e 1970, o Pancéřovky 27 foi exportado também para a Nigéria e o Biafra.

O número exato exportado destas armas não é claro: por exemplo, em 1967, 75 unidades foram exportadas para a Nigéria. Em 1967, também foram aprovadas vendas de armas para o Egito e a Síria, e, no mesmo ano, 10 unidades foram entregues á Frelimo, Moçambique. Entre 1964 e 1968, 55 unidades foram entregues à Guiné Portuguesa (atual Guiné-Bissau).(...) (**)

Fonte: Wikipedia > Pancéřovka 27 (em checo) (traduzido do Google Tradutor, adapt. LG)


3. Comentário do editor LG:

Na gíria do PAIGC, as armas tinham alcunhas. Este Lança Granadas-Foguete Pancerovka P-27 , tinha várias, segundo o nosso saudoso A. Marques Lopes (1945-2025) (***);
  • Bazuca Bichan,
  • Lança Grande, 
  • Pau de Pila,
  • Bazuca Chinês.
Pau de Pila é uma alcunha bem pícara!... Mas Bazuca Chinês?!... Porque carga de água? O arsenal do Amílcar Cabral, que andava de mão estendida por todo o mundo, à cata de sucata militar para expulsar os "tugas", era uma verdadeira "Torre de Babel"... Um bico de obra para o pobre do quarteleiro das "barracas" do PAIGC, que tinha armas e munições de todos os fabricantes, modelos e calibres... 

Mas o "Zé Turra", balanta, biafada, mandinga, nalu...,  não sabia nada de geografia, é natural que confundisse a Checoslováquia e a China... Que importa, começavam os dois por C ou "Tch"...

Que merda de guerra, amigos e camaradas da Guiné!... As armas são como as p*tas, que não precisam de licença para f*der. 

(Pesquisa: LG | Condensação, revisão / fixação de texto: LG)

14 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

A "Maria Turra", essa, sabia de geografia, era doutora...

Tabanca Grande Luís Graça disse...

"Zé Turra" e "Maria Turra" são formas de brincar com o IN de ontem... A guerra já acabou há muito... Resta-nos o bom humor de caserna, antes de darmos o peido-mestre...Tirando on Pedro Pires e o Manecas dos Santos (parabéns, já escreveram os seus livros de memórias, ao menos!|) , já não temos ninguém do outro lado para partilhar estas piadas de guerra... Corremos, de factro, o risco de ficarmos aqui sozinhos a falar para o bagabaga, que é como quem diz, a falar para o boneco.

Esperando que os nossos amigos de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, que simpatizavam com o PAIGC, também continuem a cultivar o bom humor...

Victor Costa disse...

Ó Luis, olha que a terra está fria.
Agora com a fotografia, já sei do que estás a falar. É principio simples e eficiente, que aciona um micro-switsh. Os pessostatos de Hp e Bp (alta e baixa pressão), utilizam o mesmo principio.

Victor Costa disse...

Pressostatos, é a palavra certa.

Anónimo disse...

Em 1968, num patrulhamento no Quitáfine, recolhi um P - 27 sem carga propulsora que acabou os seu dias no Rio Cacine. Nesse ano, no Rio Cobade(?) o PAIGC disparou uma contra uma LGFP à linha de água. O buraco foi tapado com um colchão e sistema eléctrico foi-se abaixo. E a resposta teve de ser feita a tiro Peça (metralhadora) Oerlinkon 20 mm e MG - 42. Julgo que depois os reabastecimentos passaram a ser feitos pelo "comboio do Sul". António J. P. Costa

Tabanca Grande Luís Graça disse...

pressóstato
(pres·sós·ta·to)

substantivo masculino

[Física] Instrumento que permite medir, controlar e ajustar a pressão de um fluido. = MANÓSTATO
etimologia Origem:press[ão] + -o- + -stato.

"pressóstato", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2026, https://dicionario.priberam.org/press%C3%B3stato.

Victor Costa disse...

Luis, deves procurar melhor.
Os pressostatos, também medem os gases. Até pelo menos aos anos 90 a Indústia da Refriferação utilizava, os Freon 12, 22 e 502, para baixar a temperatura das Câmaras frigorificas, para congelação e refrigeração de produtos alimentares. Através do processo forçado da evaporação e da condensação estes gases mudam do estado liquido para o estado gasoso e vice-versa e por isso os pressostatos eram utilizados na Indústria de refrigeração.
Procura pressostátos e termostátos de marca Ranco,ou Tedington.

Victor Costa disse...

Se não encontrares essas marcas, procura Danfoss.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Perguntem a uma ferramenta de IA (ChatGPT / Openai) se a mina anticarro russa, TMD, tinha um pressóstato para medir a pressão das viaturas inimigas ? Em princípio, só detonava aos 150 kg de pressão.

Resposta:

(...)" A mina anticarro soviética TMD (por exemplo a TMD‑40 ou a TMD‑44) não tinha um pressóstato no sentido técnico moderno — isto é, não media nem regulava a pressão em kg como faria um sensor mecânico calibrado.

O sistema era muito mais simples e puramente mecânico. Como funcionava o acionamento: a TMD era uma mina de pressão com uma tampa de madeira relativamente larga. O funcionamento básico era:

(i) peso aplicado (roda ou lagarta do veículo, tratando-se de um tanque) pressiona a tampa de madeira;

(ii) a tampa deforma ou desce alguns milímetros;

(iii) essa descida esmaga ou empurra um espoleta/fusível de pressão (normalmente do tipo MV‑5 fuze ou semelhante);

(iv) o fusível aciona o detonador, que por sua vez detona a carga principal (TNT).

Portanto, não há medição de pressão, há apenas cedência mecânica da tampa + resistência do fusível.

Quanto ao valor de 150 kg, que mencionas...

O valor de ≈150 kg é apenas a força mínima típica necessária para esmagar o sistema. Isso dependia de: (i) rigidez da tampa de madeira; (ii) sensibilidade do fusível; (iii) estado do material (humidade, envelhecimento) (na Guiné, a armação de madeira degradava-se rapidamemnte com as chuvas); (iv) modo de enterramento.

Por isso as fontes normalmente indicam intervalos, por exemplo: ~120 a 200 kg de pressão aproximada.

Esse valor era deliberadamente escolhido para: (i) não detonar com um homem (70–90 kg distribuídos no solo); (ii) detonar com uma roda ou lagarta de veículo militar.

Porque é que os os soviéticos usavam madeira ? É outro detalhe interessante da TMD: (i) caixa de madeira; (ii) pouca ou nenhuma peça metálica

Vantagens: (i) mais barata e rápida de produzir: (ii) difícil de detectar com detectores de metal (por isso de usa, as "picas" na Guiné); (iii) podia ser fabricada em oficinas simples.

Este tipo de mina foi muito usado na II Guerra Mundial.

Em resumo: (i) a TMD não tinha pressóstato; (ii) tinha um mecanismo mecânico simples de pressão; (iii) o valor de ~150 kg era apenas a força aproximada necessária para esmagar o fusível, não uma medição real da pressão.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Os gajos não eram burros...É uma arma suja, afinal como todas as outras.

Victor Costa disse...

Luis,
Sinto que estás mais animado, assim é que é.

Luís Dias disse...

As minas foram as mais temidas de todas as armas que os nossos militares enfrentaram nos três teatros de operações e nesse âmbito a Guiné não foi diferente. Utilizadas de forma isolada, ou conjugadas com emboscadas, limitaram fortemente a mobilidade das forças portuguesas em acções tácticas e logísticas, apeadas ou em viatura, sendo também responsáveis por atrasos nos reabastecimentos, por
destruições de veículos e, acima de tudo, pela percentagem de baixas.
Embora a estatística não esteja feita, amostragens dos três teatros de operações permitem considerar que, no mínimo, 50 por cento das baixas portuguesas (mortos e feridos) foram provocadas por engenhos explosivos. Um tipo de guerra altamente compensador para os movimentos guerrilheiros, cujos objectivos
eram apresentados do seguinte modo, nos apontamentos de um curso frequentado na Argélia por quadros do PAIGC: “Realiza-se a guerra de destruição e de minas para fazer obstáculo atrás dos inimigos, para aniquilar as suas armas modernas, ameaçá-los e paralisá-los.” 62
No entanto, a utilização das minas na guerra não foi exclusivo dos guerrilheiros, pois as forças
portuguesas também fizeram largo emprego delas e de outros engenhos explosivos (explo: fornilhos), usando-os na defesa das suas instalações, para proteger as tropas em operações e para provocar baixas, mas, ao contrário dos guerrilheiros, recorreram maioritariamente às minas anti-pessoal e às armadilhas (explo. com granada explosiva de fragmentação e rebentamento instantâneo, detonada através de arame
de tropeçar). Por parte dos movimentos de libertação, além das minas anti-carro foram também utilizados “fornilhos”, quase sempre constituídos por granadas de mão, de morteiro e de artilharia, e bombas de avião, não detonados, conjugadas com explosivos e accionadas por mecanismo de explosão – detonador eléctrico ou pirotécnico. Os “fornilhos” eram colocados nos itinerários e conjugavam o efeito das minas anti-carro com as minas anti-pessoal. (Centro de Documentação 25 de Abril, Universidade de Coimbra).

Luís Dias disse...

O Pancerovka P-27, teve origem na ex-Checoslováquia, sendo uma cópia do RPG-2 soviético, como já foi referido, mas usava uma granada parecida com a dos “panzerfaust” alemães da 2ª GM, era produzido pela fábrica “Skoda”, com o calibre 45mm (diâmetro do tubo), lançando uma granada de calibre 120mm (cabeça
explosiva da granada) a uma distância prática de 100m e capaz de perfurar 250mm de blindagem. Pesava 6,39Kg, com 109cm de comprimento, lançava a granada a uma velocidade de 76m/s. No PAIGC, chamavam-lhe o “Pau de pila”. O RPG-2, tinha um alcance entre os 100 e 150m, enquanto o RPG-7, tinha um alcance efectivo de 500m e máximo de 900m e enquanto os dois primeiros explodiam ao contacto o RPG-7, ao fim de determinado tempo, sem alcançar alvo rebentava no ar. Primeiramente a granada é lançada a cerca de 115 m/s, mas depois, com a entrada em
funcionamento do motor próprio, acelera até aos 295 m/s. Arma de carregar pela frente, podendo usar diversos tipos de granadas, embora a mais utilizada fosse a HEAT, propulsionadas por foguete acoplado ao corpo da granada, de percussão
mecânica, com estabilizadores articulados. Quando se dá a propulsão e a saída da granada do tubo e a cerca de 10/20 m depois, inicia-se uma aceleração, através do motor da propulsão, com a abertura dos estabilizadores que conferem uma melhor direcção ao projéctil. Perfura 260mm de blindagem e sabemos por accões acontecidas na estrada Piche - Buruntuma (1973) e Piche-Nova Lamego(1974), que a granada perfurava a blindagem da chaimite. Abraço a todos os camaradas.

Victor Costa disse...

Obrigado Luis Dias.
Agora sim já pecebi o esquema, estive durante muitos anos ligado à Fisica e por isso Tenho uma noção do que é a velocidade e a pressão. Sei que as pressões se medem em Fg/cm2 ou em l/in2 (libras por polegada quadrada).
Com certeza que os camaradas que iam formar Batalhão conheciam essas armas, mas eu fiquei em rendição individual. A primeira vez que ouvi falar do RPG e dos estragos que podia provocar, foi pela voz do 1ºCabo Silva de (boina e bigode), que consta da fotografia à entrada da LDG, publicada aqui em 7 de Abril de 2013.