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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27884: Manuscrito(s) (Luís Graça) (286): o melro-preto de bico amarelo, no seu posto de sentinela na quinta de Candoz

 



Marco de Canaveses > Paredes de Viadores > Candoz > Quinta de Candoz > Sexta Feira Santa > 3 de abril de 2026, 09:50 > O melro-preto, de bico amarelo (Turdus merula), no seu posto de vigia, marcando o seu território...

Ainda anteontem o vi afugentar uma poupa (*), quando andavam à cata de insectos e sementes, num dos nossos socalcos da nossa vinha, e se encontraram quase cara a cara, ou bico a bico...É cioso do seu território, o melro... E está atento aos predadores... Há minutos paravam por aqui perto dois peneireiros... Não sei se atacam o melro... 

Também há milhafres por aqui. E raposas. O meu sobrinho, Américo Vieira, que mora aqui ao lado, cem metros mais acima,   tém uma câmara de infravermelhos e apanha muita bicharad.. Há muitas aves por aqui, felizmente. Agora está â espera que cheguem os migrantes de Abril, como o abelharuco, o papa-figos, o verdilhão, a milheirinha, o chapim-real. 

Eu sei que o melro é uma ave que se observa, hoje em dia, facilmente, nas nossas vilas e cidades, jardins, parques... Tenho-os na minha rua, em Alfragide, e aqui habituaram-se mais facilmente à presença do bicho-homem.

Em Candoz, onde há pelo menos um casal residente, são mais ariscos...Aqui fazem ninhos. Não se deixam fotografar facilmente. E eu não ainda não tive o privilégio de ouvir o seu canto madrugador, como o poeta Miguel Torga (que foi um extraordinário observador da natureza). Está visto, tenho que me levantra mais cedo...

Fotos (e legenda): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Oiço todos os dias,
De manhãzinha,
Um bonito poema
Cantado por um melro
Madrugador.
Um poema de amor
Singelo e desprendido,
Que me deixa no ouvido
Envergonhado
A lição virginal
Do natural,
Que é sempre o mesmo, e sempre variado.


Miguel Torga

S. Martinho de Anta, 3 de Maio de 1964


Fonte: Associação Cultural Música XXI > Poesia de Miguel Torga

5 comentários:

Anónimo disse...

Sempre ligado ao mundo natural, seja em Candoz ou noutro sítio qualquer, de máquina em punho, ouvidos atentos e olhos abertos. Bem mereces esse descanso desperto, nosso caro Luís.
Continuação de boas férias.
Um grande abraço.
Carvalho de Mampatá

Victor Costa disse...

Pois é mesmo assim. Podar e impar, rebentos, grelos e parras, cachos de uvas, colher, fermentar, retirar o vinho para as pipas, lagar. aperto final, retirar o engaço para a lambiqueira e depois provar um bagaço com 22%. de álcool mas,di-me tu Luis, o que faz aquele tubo de plástico de 3/4" naquele local?
Não me digas que recebes água da montanha para serviço da casa sem pagares direitos ao Estado? Ai... Que crime que estais a praticar...Se os Camarada sabem est.is fod.do.




Eduardo Estrela disse...

Sem comentários!!!!!!!!
Grande abraço Luís Graça. Henriques para alguns. Cidadão do Portugal de todos, motor da memória colectiva que vai prevalecer para a verdade do futuro e contra os enviesados que andaram durante 50 anos a fugir aquilo que sempre foram
Para todos e não obstante o que nos diferencia, um grande e fraterno abraço já que pisámos o mesmo chão vermelho da esperança de DOIS povos.
Eduardo Estrela

Eduardo Estrela disse...

Na próxima terça feira 7 de Abril vou almoçar com um Rodrigues de Mampatá, anterior ao Carvalho. É um amigo de infância.
Vocês não fazem ideia dos filhos de Vila Nova de Cacela que foram defender a Gouveia e a Ultramarina, quer dizer a pátria. Já cheguei à conclusão que os decisores o faziam por maldade.
Já ardem nas profundezas do fogo eterno que sempre citaram.
Abraço
Eduardo Estrela

JOAO CRISOSTOMO… disse...

“Adorei” a maneira simples mas até emocionante de celebrar a Páscoa e a chegada da Primavera, com fotos de melros cantadores e poesias do Miguel Torga. Bonito mesmo! Que as melodias dos melros nos ajudem a levar os nossos “ corações ao alto”.
João e Vilma, Nova Iorque