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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27884: Manuscrito(s) (Luís Graça) (286): o melro-preto de bico amarelo, no seu posto de sentinela na quinta de Candoz

 



Marco de Canaveses > Paredes de Viadores > Candoz > Quinta de Candoz > Sexta Feira Santa > 3 de abril de 2026, 09:50 > O melro-preto, de bico amarelo (Turdus merula), no seu posto de vigia, marcando o seu território...

Ainda anteontem o vi afugentar uma poupa (*), quando andavam à cata de insectos e sementes, num dos nossos socalcos da nossa vinha, e se encontraram quase cara a cara, ou bico a bico...É cioso do seu território, o melro... E está atento aos predadores... Há minutos paravam por aqui perto dois peneireiros... Não sei se atacam o melro... 

Também há milhafres por aqui. E raposas. O meu sobrinho, Américo Vieira, que mora aqui ao lado, cem metros mais acima,   tém uma câmara de infravermelhos e apanha muita bicharad.. Há muitas aves por aqui, felizmente. Agora está â espera que cheguem os migrantes de Abril, como o abelharuco, o papa-figos, o verdilhão, a milheirinha, o chapim-real. 

Eu sei que o melro é uma ave que se observa, hoje em dia, facilmente, nas nossas vilas e cidades, jardins, parques... Tenho-os na minha rua, em Alfragide, e aqui habituaram-se mais facilmente à presença do bicho-homem.

Em Candoz, onde há pelo menos um casal residente, são mais ariscos...Aqui fazem ninhos. Não se deixam fotografar facilmente. E eu não ainda não tive o privilégio de ouvir o seu canto madrugador, como o poeta Miguel Torga (que foi um extraordinário observador da natureza). Está visto, tenho que me levantra mais cedo...

Fotos (e legenda): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Oiço todos os dias,
De manhãzinha,
Um bonito poema
Cantado por um melro
Madrugador.
Um poema de amor
Singelo e desprendido,
Que me deixa no ouvido
Envergonhado
A lição virginal
Do natural,
Que é sempre o mesmo, e sempre variado.


Miguel Torga

S. Martinho de Anta, 3 de Maio de 1964


Fonte: Associação Cultural Música XXI > Poesia de Miguel Torga

Guiné 61/74 - P27883: Parabéns a você (2471): Álvaro Vasconcelos, ex-1.º Cabo TRMS / STM (Aldeia Formosa e Bissau, 1970/72)

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Nota do editor

Último post da série de 30 de Marco de 2026 > Guiné 61/74 - P27870: Parabéns a você (2470): Abel Rei, ex-1.º Cabo At Art da CART 1661 (Fá Mandinga, Enxalé e Porto Gole, 1967/68); António Graça de Abreu, ex-Alf Mil Inf do CAOP 1 (Teixeira Pinto, Mansoa e Cufar, 1972/74) e Rosa Serra, ex-Alferes Enfermeira Paraquedista (Bissau, 1969)

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27882: Convívios (1054): Magnífica Tabanca da Linha, Algés: 64º almoço-convívio, 5ª feira, 16 de abril de 2026: já há 39 inscritos para o cozido à portuguesa... (Manuel Resende)



A carreira do Manuel Resende na Tabanca da  Linha é uma história de sucesso: é como aquela do paquete que, numa grande empresa, chega a CEO (o topo da hierarquia). Por mérito e não por casar com a filha do patrão. 

Na  Tabanca da Linha o Manel começou, não "paquete" ou "ajudante de cozinha", mas como "paparazzo", no tempo do Jorge Rosales (1939-2019) e do José Manuel Matos Diniz (1948-2021).  Depois da morte do Rosales  e da saída do Diniz,  ainda na pandemia, o Resende mostrou os seus pergaminhos como "secretário" até chegar a "régulo"... Por isso dizemos que ele é "o mais magnífico dos Magníficos da Tabanca da Linha"... Mais do que  régulo, é o homem dos sete ofícios, a começar pelo papel de grão-mestre: acaba de chamar a capítulo, aos "confrades da confraria", para abancar no próximo dia 16 de abril na "abadia" do costume, em Algés...

Foto: © Jorge Canhão (2020). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


MAGNÍFICA TABANCA DA LINHA


Data: 16 de abril de 2026

RESTAURANTE: CARAVELA DE OURO (Algés)

Morada: Praça 25 de Abril de 1974, 1495 Algés


I N S C R I Ç õ E S : Até 13 de Abril de 2026
para: Manuel Resende - Tel. 919 458 210
manuel.resende8@gmail.com
magnificatabancadalinha2@gmail.com


+ + + + + E M E N T A + + + + +

APERITIVOS DIVERSOS

Bolinhos de bacalhau | Croquetes de vitela | Rissóis de camarão | 
Tapas de queijo e presunto | Martini |  Vinto e branco | Porto seco | Moscatel.


SOPAS

Caldo do cozido | Creme de marisco


PRATO PRINCIPAL

Cozido à Portuguesa

SOBREMESA 

Salada de fruta ou Pudim | Café


BEBIDAS INCLUíDAS

Vinho branco e tinto “Ladeiras de Santa Comba" ou outro
Águas - Sumos - Cerveja

PREÇO POR PESSOA ... 28 €
(Crianças dos 5 aos 10 anos pagam metade)

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Nota do editor LG:

Últimno poste da série > 2 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27881: Convívios (1053): 53.º Almoço/Convívio do BCAÇ 3832, dia 9 de maio, em Caria, concelho de Belmonte. Concentração às 11h30/12h00 no Largo da Junta de Freguesia de Caria, seguindo-se o almoço (Paulo Matias)

Guiné 61/74 - P27881: Convívios (1053): 53.º Almoço/Convívio do BCAÇ 3832, dia 9 de maio de 2026, em Caria, Belmonte. Concentração às 11h30/12h00 no Largo da Junta de Freguesia de Caria, seguindo-se o almoço (Paulo Matias)


Batalhão de Caçadores 3832

Guiné 70/73

53.º Almoço Convívio - 09 de Maio de 2026 - Caria

Caro Companheiro,

O Almoço/Convívio realizar-se-á no dia 9 de maio em Caria, concelho de Belmonte. A concentração está marcada para as 11h30/12h00, no Largo da Junta de Freguesia de Caria, seguindo-se o almoço e convívio entre companheiros, num espírito de amizade e camaradagem que sempre nos caracterizou.

Como chegar:

Do Sul (Lisboa/Santarém): Apanhe a A1 (direção Norte), mude para a A23 em direção a Abrantes/Castelo Branco e siga até à saída 33 - Belmonte/Caria.

Do Norte (Porto/Aveiro): Apanhe a A1 (direção Sul), depois a IP5 (sentido Viseu/Guarda). A partir da Guarda, apanhe a A23 (direção Lisboa) e saia na saída 33-Belmonte/Caria.

Coordenadas - 40° 17' 41" N, 7° 21' 51' W

O preço por pessoa é de 55 €

(crianças menores de 9 anos: grátis).

Como sabem, é necessária a confirmação atempada da presença, pelo que agradecemos que o façam até ao dia 15 de abril.

Contacto para confirmação:

António Redondo Querido - 962 967 861 / 961 477 013

Sugestões de sítios onde pernoitar:

Casa Caellas (Caria) - Contacto: 969 042 188

Mira Serra Hostel (Caria) - Contacto: 966 373 636

Casa do Castelo (Belmonte) - Contacto: 275 181 675

O Cantinho dos Cabrais (Inguias) - AL - Contacto: 926 603 361

Pousada do Convento de Belmonte - Contacto: 275 910 300

TheVagar - Countryhouse. Belmonte - Contacto: 966 492 006

Se por algum imprevisto, após a inscrição, não puderem comparecer, agradeço que me informem.

Na expectativa de poder contar com a vossa presença, enviamos um forte abraço de camaradagem.

Com estima,
António Querido

+++++ Ementa +++++

- Entradas

- Sopa: Canja de perdiz

- Prato principal: Entrecosto de Javali guisado com castanhas fritas e frutos silvestres e Vitela estufada com puré de ervilhas

- Outros acompanhamentos: salada mista, migas de feijão frade com couve e broa

- Sobremesa: Cheesecake de frutos vermelhos e Salada de Frutas

- Bebidas

- Café / Digestivo / licor

- Bolo e Champanhe
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Nota do editor

Último post da série de 25 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27858: Convívios (1052): 39.º Encontro-Convívio do pessoal da CART 3494/BART 3873, dia 6 de Junho de 2026, em Nogueira do Cravo, Oliveira do Hospital (Sousa de Castro)

Guiné 61/74 - P27880: In Memoriam (577): Mário Magalhães (1937-2026), membro da Tabanca da Linha e da Tabanca Grande, ex-srgt mil, CCAV 252 (Bafatá, Nova Lamego, Buruntuma, Bula, Caió, Mansabá e S. Domingos, 1961/63)



O nosso "veteraníssimo" Mário Magalhães (1937-2026), membro da Tabanca da Linha e Tabanca Grande (nº 742), ex-srgt mil da CCAV 252 (Bafatá, Bula, Mansabá e S. Domingos, 1961/63).




Tabanca da Linha > 34º almoço-convívio > Algés > Restaurante "Caravela de Ouro" > 16 de novembro de 2017 > Da esquerda para a direita, o Jorge Ferreira e o Mário Magalhães,  na altura já membros, recentes, da Tabanca Grande. O Jorge Ferreira, que passou a frequentar a Tabanca da Linha, no almoço-onvívio nº  32 ( Riviera Hotel, Carcavelos, 20/6/2017) deve ter trazido o  Mário Ferreira (que se estreou no almoço-convívio nº 34, aqui no Caravela d'Ouro, Algés).

Foto (e legenda): © Manuel Resende (2017). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Oeiras > Algés > Restaurante "Caravela de Ouro >36º Convívio da Magnífica Tabanca da Linha > 22 de março de 2018 > Da esquerda para a direita, Jorge Rosales (1939-2019) e Mário Magalhães (1937-2026), dois meninos da Linha, dois veteraníssimos da guerra da Guiné, 


Foto (e legenda): © Manuel Resende (2018). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].




Leiria > Monte Real > 25 de maio de 2019 > XIV Encontro Nacional da Tabanca Grande >  Mário Magalhães, o veteranos dos veteranos da Guiné, mais a esposa, Fernanda (Sintra)«

Foto: © Manuel Resende  (2019). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1.  Soubemos, pelo Manuel Resende, régulo da Magnífica Tabanca da Linha (que se vai reunir no próximo dia 16, para o seu 64º almoço-convívio), da morte recente (*), em finais de janeiro, do nosso veteraníssimo Mário Magalhães, membro da Tabanca Grande (nº 742, desde  12/4/2017) e Tabanca das Linha (desde 16/11/2017) (**), ex-srgt mil da CCAV 252 (Bafatá, Bula, Mansabá e S. Domingos, 1961/63). Tinha 88 anos.

Eis algumas notas biográficas do nosso camarada:

(i) data de nascimento: 13 de setembro de 1937;

(ii) estado civil: casado:

(iii) habilitações literárias 7º ano do liceu;

(iv) teve dois períodos de serviço militar: 
um 1º período, de 7 de abril de 1959 a 7 de março de 1961 (Escola Prática de Cavalaria, Curso de Sargentos Milicianos; BA 4, Açores, Polícia Aérea); e um 2º período, em que foi reintegrado,  em 6 de junho de 1961, no CIOE, Lamego, sendo entratanto mobilizado para a Guiné em agosto de 1961,  como furriel miliciano da CCAV 252;

(vi) até novembro de 1963, passou por Bafatá, Nova Lamaego, Buruntuma, Bula, Caió e S. Domingos; e ainda por Bula, Binar,Caió, Mansoa, Farim, Olossato, Oio/Morés, Susana, Varela, S. Domingos, Ingoré, etc.;

(vii) foi promovido a 2º srgt mil em 28/2/1963;

(viii) a sua subunidade, a CCAV 252 teve um louvor coletivo do comandante-chefe, o brigadeiro Fernando Louro de Sousa (**).

(ix) esta subunidade foi a primeira, da arma de cavalaria, a chegar à Guiné; mobilizada pelo RC 3, Estremoz, partiu em 10/8/1961 e regressou a 6/11/1963; esteve sediada em Bissau, Bula, São Domingos e Bula; o seu 1º comandante, o  cap cav António Lopo Machado Carmo   morreu em combate em 14/3/1963, nas proximidades de São Domingos; foi condecorado com a Cruz de Guerra de 2ª Classe; foi substituído pelo cap cav Luís Alberto do Paço Moura dos Santos.

2.  Para a família e amigos mais próximos, vão as condolênicias da Tabanca Grande. 

Ontem dei a triste notícia ao Jorge Ferreira, nosso grão-tabanqueiro nº 728,  contemporâneo do Mário no CTIG: o Jorge foi alf mil, 3ª CCAÇ (futura CCAÇ 5, "Gatos Pretos", a partir de meados de 1967), tendo passado por  Bolama, Nova Lamego e Buruntuma, 1961/63); o fur mil cav Mário Magalhães comandava o destacamento de Buruntuma, ainda antes da chegada do Jorge Ferreira (em outubro de 1961).
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Notas do editor LG:

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27879: Historiografia da presença portuguesa em África (523): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1965 (81) (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 7 de Outubro de 2025:

Queridos amigos,
O termo cartapácio é bem adequado a estes volumes bem pesados, e cada vez mais bem pesados, dado que o espaço ocupado pela legislação da política ultramarina não para de crescer. Tomam-se medidas para que não falte o arroz e ao mesmo tempo definem-se apoios para os produtores; há promoções, pensa-se que mais do que fidelidade são as provas de bravura, caso de Abna Na Onça e de Mamadu Bonco Sanhá. Não vem no Boletim Oficial, mas Azeredo Perdigão, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, visitou a Guiné em fevereiro, a Gulbenkian dá apoio a um conjunto de programas humanitários, como é o caso da Missão de Combate às Tripanossomíases. O efetivo da PIDE cresce a olhos vivos, está sempre a chegar gente. Foi criado o Serviço Público dos Transportes Aéreos da Guiné. E falando de nomeações, nunca se nomeou tanto professor na Guiné, será seguramente o caso das mulheres dos militares sediados em Bissau e certamente militares colocados na capital que recebem autorização para horas extra.

Um abraço do
Mário



Província da Guiné Portuguesa
Boletim Oficial da Guiné, 1965 (81)


Mário Beja Santos

Tenho pela frente um volume superior a mil páginas, a legislação emanada do Ministério do Ultramar, da Presidência do Conselho e de outros órgãos do Governo tem aqui assento, e ocupa muitíssimo espaço. No que toca à Guiné temos a rotina e o outro lado da guerra, ou seja, listas de antiguidade, concursos públicos, movimentos de pessoal, recondução dos cargos, balancete de receitas cobradas e despesas, movimentos de pessoal, mas agora uma enxurrada de concessão de créditos e empréstimos, criação de fundos permanentes, são os artifícios para que tudo aparente uma certa normalidade. Mas não se escondem as dificuldades. Logo no Boletim Oficial n.º 4, de 23 de janeiro, temos a Portaria n.º 1700, nela se diz “Havendo necessidade de promover a importação de arroz para ocorrer ao abastecimento público, considerando que é imperioso tomar medidas no sentido de impedir que o preço de venda desse arroz não ultrapasse o limite da tabela em vigor no corrente ano, durante este ano é autorizada a isenção de direitos a cobrar o despacho da importação.”

Pratica-se a ação social, como se pode ver no Boletim Oficial n.º 16, de 17 de abril, Portaria n.º 1725, é autorizada a Direção da Caixa de Providência dos Funcionários Públicos da Guiné a conceder empréstimos aos servidores do Estado vítimas do incêndio ocorrido no Bairro do Cupelom em 13 de março passado. Ficamos a saber que vão circular notas de mil escudos com a efígie de Honório Pereira Barreto. Percebeu-se que a questão do preço estável do arroz podia ser alvo de descontentamento dos produtores, pelo que, no Boletim Oficial n.º 20, de 15 de maio, pela Portaria n.º 1728, alteram-se as taxas a incidir sobre o arroz vendido na província, por forma a criar uma situação de privilégio para o arroz originário da Província, em relação ao importado, a taxa deste é aumentada.

Temos promoções de regedores, trata-se de figuras de fidelidade à soberania portuguesa. No Boletim Oficial n.º 24, de 12 de junho, é promovido por escolha ao posto de capitão de 2.ª linha o Tenente Abna Na Onça, regedor de Porto Gole e é promovido também por escolha ao posto de Tenente o alferes de 2.ª linha Mamadu Bonco Sanhá, regedor de Badora. O Boletim é recorrente na concessão de adiantamentos de tesouraria, e nunca se viu tanta tomada de posse de professores como agora. Há acontecimentos oficiais que o Boletim Oficial não transcreve, daí a utilidade em consultar o Boletim Cultural da Guiné Portuguesa. Em 10 de fevereiro chegou a Bissau o Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Azeredo Perdigão vem acompanhado pela mulher e outros membros da administração, visitará, entre outros lugares, o Museu e Centro de Estudos em Bissau, andará por Nova Lamego, Cacheu e Bolama, a Gulbenkian oferece apoio à Missão de Combate às tripanossomíases.

Ler a legislação oriunda de Lisboa, ajuda-nos a perceber como está a evoluir a guerra de guerrilhas. No Boletim Oficial n.º 30, de 24 de julho, é publicado o Decreto-Lei n.º 46410, é criado no âmbito do Ministério do Exército o Centro de Instrução de Comandos, que funcionará na Província de Angola.

Tomam-se medidas favoráveis ao abono de alimentação e subvenção de campanha. Pretende-se dar sinais públicos de austeridade, caso de circular dos Serviços de Fazenda e Contabilidade que se publica no Boletim Oficial n.º 33, de 14 de agosto, faz-se saber que as missões oficiais e comissões de serviço no estrangeiro serão consideradas apenas para casos especiais e extraordinários, reconhecidos por despacho do Ministro do Ultramar.

Os meses passam e mantém-se este misto de rotina e de sinais de alteração, temos os acórdãos e os avisos do costume, e o espaço ocupado pelos diplomas de política ultramarina continua a encorpar. No Boletim Oficial n.º 40, de 2 de outubro, é publicado o Decreto n.º 46511, foi criado o serviço público de Transportes Aéreos da Guiné (TAG), e dá-se a seguinte justificação: “O desenvolvimento que tem tido o tráfego aéreo da Província Ultramarina da Guiné aconselha a criação de um serviço autónomo que assegure da melhor maneira o financiamento do sistema de transporte aéreo.” No Boletim Oficial n.º 42, de 16 de outubro, Suplemento, é aprovada a pauta de importação aplicável às mercadorias originárias de países estrangeiros; pela importação de mercadorias sujeitas a esta pauta, além dos respetivos direitos só serão cobradas, quando forem devidas, as taxas do imposto de consumo ou de prestação de serviços e dos organismos de coordenação económica. Pretende-se obviamente travar a inflação à custa de mais problemas orçamentais.

1965 é o ano em que aumentam os efetivos da PIDE na Guiné. Iremos mesmo ver no Boletim Oficial n.º 1, referente a 1966, louvores do Governador a ações da PIDE, tudo relacionado com gravíssimos acontecimentos ocorridos em Morucunda, no concelho de Farim, em 1 de novembro de 1965. Atenda-se que no Boletim Oficial n.º 43, de 23 de outubro, pela Portaria nº 21565 são criados postos da PIDE em Teixeira Pinto e Bolama.

Outro aspeto que tem a ver com o surto de luta armada é a aprovação do Estatuto Disciplinar da Organização Provincial de Voluntários e Defesa Civil das Províncias Ultramarinas.

Em 27 de dezembro, no Boletim Oficial n.º 52, voltamos à questão do arroz. É permitida a aquisição ao produtor de arroz de pilão nas áreas de Bissau, Mansoa, Bafatá, Catió, Bissorã e Fulacunda, estabelecem-se preços de compra ao produtor e preços de venda ao público.
O Conselho de Ministros aprova fazer engenharia financeira para a Guiné, que já está económica e financeiramente depauperada
Aumentar as verbas diárias para o rancho nas Forças Armadas
Campas de Manjacos
Caçadores Fulas
Convocação para preces a Alá
Dança de rapazes Balantas
Jogo do pau entre Balantas

Estas cinco últimas fotografias foram retiradas do Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, números de 1965

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 25 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27856: Historiografia da presença portuguesa em África (522): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1964, 2.º semestre (80) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P27878: Manuscrito(s) (Luís Graça) (285): Já chegou a Primavera: "A vida não precisa de nós, mas nós precisamos da vida... E precisamos dos outros, Caeiro!"









Marco de Canaveses > Paredes de Viadores > Candoz > Quinta de Candoz > 31 de março de 2026 > Aguarelas (Imagens HDR - High Dynamic Range, tiradas sem tripé)

Fotos (e legenda): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Já chegou a Primavera. Já vi andorinhas, melros, boeiras (ou lavandiscas), pardais do telhado, pombos bravos,  peneireiros, águias-de-asa-redonda (espécie comum na serra de Montedeiras, aqui ao lado)... E poupas (que não via há muito; são migrantes) (vd. foto à esquerda) (Tal como não tenho, nos últimos tempos,  visto ou ouvido o cuco, a pega, o moxo ou até o gaio.)

Já não vinha a Candoz desde o Natal, em pleno ciclo do inverno... Entro agora no ciclo do verão. A vinha renasce, as cerejeiras estão em flor, os carvalhos, de folhagem nova,  magníficos... Só  os castanheiros ainda estão adormecidos...

Abrem-se os velhos casarões, arejam-se os quartos, escancaram-se as portadas e as janelas, limpam-se os quartos e as salas, pintam-se as paredes... para receber a família de fora, os amigos, os vizinhos, a visita pascal.

É o eterno retorno, o universo cíclico, onde tudo se repete: os mesmos gestos,  dores, alegrias, estações, rituais, ódios e paixões, esperanças e desesperos...

Não, não é apenas uma teoria cosmológica; é quase um desafio existencial: eu não viveria a minha vida da mesma forma se soubesse que ela iria repetir-se eternamente... Imagino o tédio da eternidade. 

Ligando isso ao ciclo natural das 4 estações (inverno, primavera, verão, outono),  temos uma metáfora poderosa da própria vida:

  • inverno: recolhimento, morte aparente, silêncio, sono; é tempo da espera e da introspeção;
  • primavera: renascimento, esperança, poesia;  tudo volta a florir,  sem licença em papel selado para recomeçar;
  • verão: plenitude, intensidade, explosão dos sentidos, maturidade da vida, excessos; 
  • outono: declínio, transformação, preparação para o fim (que já contém em si um novo ciclo, um recomeço).

A “poesia da primavera” nasce exatamente desse contraste: depois da dureza do inverno (e este foi particularmente duro!), a vida regressa com uma força quase milagrosa.  É isso que nos querem dizer os poetas que celebram a primavera como símbolo de renovação (exterior e interior).

2. Longe da cidade, em plena natureza, aqui em Candoz, rodeado de serras (Aboboreira, Marão, Meadas, Gralheira, Montemuro, Montedeiras...) e dois rios, o Tâmega e o Douro, vejo que  nada é fixo, tudo passa, tudo regressa, tudo morre, tudo renasce... 

E cada omega/fim  traz escondido um alfa/princípio. O eterno retorno não é só repetição: é também a possibilidade de aceitar (ou até de amar) esse ciclo.

Recordo Alberto Caeiro, de quem nem sempre gosto (depende da estação do ano, do dia e da hora, dos meus quatro  contraditórios humores, dos títulos de caixa dos jornais, etc.), mas é o poeta que vê o mundo como ele é, sem metafísica, com uma ingenuidade desarmante. E que canta a primavera como se ela se bastasse a si própria. 

Caieiro, o  poeta que aceita, com indiferença serena e serenidade indiferente, a  efemeridade da vida humana e a naturalidade da morte, como se houvesse uma realidade objetiva, independente de nós e da nossa existência humana... 

Leio este poema, em voz alta, debaixo do enorme sobreiro no cima da quinta, a 300 metros de altitude, com o Douro ao fundo, ou melhor, a albufeira da barragem do Carrapatelo e o fantasmas do Zé do Telhado e do seu bando.

Porra, Caeiro, não há aqui  espaço no teu poema para a saudade, a memória, a luta contra o esquecimento e a "vala comum", a revolta contra o absurdo ou o desejo de eternidade.  

A vida não precisa de nós, mas nós  precisamos da vida. E precisamos uns dos outros, Caeiro. 

É por isso que ainda não fechei este blogue. Estou á espera que me digam: fecha a loja. 

Precisamos uns dos outros, Caeiro, na guerra e na paz, na vida e na morte. Quanto mais não seja, para rezarem  latim sobre o nosso caixão, para nos cobrirem com a bandeira verde-rubra, para dançarem e cantarem à roda do nosso cadáver, para dispararem as Kalash para o ar em homenagem ao combatente que fomos, enfim, para nos enterrerem num cova funda, onde não cheguem as hienas do ódio e da guerra. 

Porra, Caeiro, não queiras  morrer sozinho como um cão.


Quando vier a primavera,


Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.


CAEIRO, Alberto, Poesia (Poemas Inconjuntos), ed. Fernando Cabral Martins, Richard Zenith. Lisboa: Assírio & Alvim, 2001, p. 109

(Reproduzido com a devida vénia: Casa Fernando Pessoa)
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 22 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27846: Manuscrito(s) (Luís Graça) (284): No Dia Mundial da Poesia (que foi ontem)

Guiné 61/74 - P27877: Blogpoesia (810): "Dia de enganos", por Adão Cruz, ex-Alf Mil Médico da CCAÇ 1547 / BCAÇ 1887 (Canquelifá e Bigene, 1966/68)

© ADÃO CRUZ


DIA DE ENGANOS

adão cruz

Uma gaivota beijando
a espuma branca das águas fundas
em bailado Grandi Mestri
culminando as chaminés do Cabo do Mundo.
O barco ao longe

estático no horizonte
como eu aqui de olhos fitos nas rochas.
Gaivotas bailando
Rossini
Oh!
Péchés de vieilhesse
Mascagni
Massenet
sem ponte nem horizonte
Verdi
Wagner
Bizet
sobre a espuma da tarde sem dia
do dia sem ponte
e sem horizonte
para lá das rochas negras e nuas.
Marcia Trionfale em dia de glória
dunas de espuma branca
abraçando as rochas do meu deserto
tão perto do mar imenso tocando as nuvens.
Alguém me leva nas asas da gaivota
por dentro de ti
para dentro de mim
em doce Intermezo
de rios de sol e mares sem fim.
Alguém me passeia por dentro de ti
Cavalcate Delle Valchirie
avançando a vertigem em turbilhão
até planar
bailando sobre o coração
cravado no sol poente
vermelho e quente
do sangue que verti.
Bruscamente…
o Prelúdio
voando dentro de mim
a alma que resta em Meditazioni
pelo espaço imenso
tocando aqui e ali
as penas das asas que perdi.
Vesti La Giubba meu palhaço trágico
viajante da Barcarola en nuit d’amour
com ar triunfante
Va Pensiero
sobre as asas douradas
seguro de quem se apoia
nas pedras nuas da orla do mar
esquecendo o mar que navega…
infinito…
mistério…

_____________

Nota do editor

Último post da série de 17 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27743: Blogpoesia (809): "A Fundação da Tabanca Grande", por Albino Silva, ex-Soldado Maqueiro

Guiné 61/74 - P27876: Humor de caserna (254): O anedotário da Spinolândia (XXVI): Os comparsas da FAP - Parte I


Guiné > s/l > s/d (c-. 1968/70)  > Jorge Félix, alf mil pil heli Al III (BA 12, BA 12, Bissalanca, 1968/70) e António Spínola (Com-Chefe e Governador Geral, CTIG, 1968/73)... O nosso camarada Jorge Félix foi um dos pilotos preferidos pelo Com-Chefe, no seu tempo.  (O tratamento por "pilav" era reservado aos pilotos-aviadores que vinham da Academia Militar; repare-se, por outro lado, a famosa "lancheira do governador", no banco de trás.)


Foto: © Jorge Félix (2010). Todos os direitos reservados


I. Os nossos camaradas da Força Aérea conviveram, mais regularemente com o governador e comandante-chefe António de Spínola que, nas suas deslocações praticamente diárias  ao interior da Guiné (o mítico "mato"),   usava de preferência o heli AL III.  Uma vez por outra,  deslocava-se de DO-27. 

Ao longo de cinco anos (!) (maio de 1968 / agosto de 1973), pilotos e "mecânicos", as equipas dos helis,  foram testemunhas e comparsas de muitas situações, mais ou menos engraçadas e divertidas, que deram origem a anedotas, e que hoje,l perdidas pela Net,  fazemos questão recolher e partilhar nesta subsérie "O Anedotário da Spinolândia", da série "Humor de Caserna".

Não se tome a palavra "comparsa" em sentido pejorativo, mas como figura "cinematográfica"...Sem esses comparsas (ou, melhor, "atores secundários"), muitas destas anedotas ter-se-iam, perdido...  

Aqui vão mais algumas,  que chegaram até nós e que circulam pela Net. São sempre revistas e melhoradas por nós. Comprovam, mais uma vez, o sentido de humor muito especial do general, cuja excentricidade e pose teatral eram, de resto, apreciadas pela generalidade das suas tropas. 

São também uma homenagem aos nossos "gloriosos malucos das máquinas voadores"... Ao que se saiba, nunca houve nenhum acidente  (ou sequer incidente) com o AL III ou a DO-27, em missão de transporte do nosso Caco Baldé. 


1. A pista que era insegura

Um piloto de Alouette III levava Spínola para visitar um destacamento no norte. Ao aproximar-se da zona, o piloto avisou:

— Meu general, não convém pousar já. A área não está segura.

Spínola respondeu, bruto e seco:

—  Pois então ponha-a segura.

O piloto deu uma volta larga e comentou para o mecânico ao lado:

— Está resolvido. O general já tratou da segurança.

2. A pista que era curta

Numa deslocação para a zona de Bafatá, numa DO-27, o piloto comentou antes da aterragem:

— Meu general, a pista parece curta.

Spínola olhou pela janela e respondeu:

— Parece curta… mas larga o suficiente.

Diz-se que o piloto murmurou, entre dentes:

— Pois… mas quem trava sou eu.

3. O helicóptero cpom a lotação esgotada

Num voo de helicóptero para uma tabanca perto de Bissorã, o piloto explicou:

— Meu general, o helicóptero está no limite de peso.

Spínola perguntou:

— E qual é a solução?

Resposta do piloto:

— Alguém tem de ficar em terra.

Diz quem conta que Spínola respondeu de imediato:

— Então fica o medo.

E embarcou.

4. Então, isso voa ?


Num heliporto improvisado perto de Canchungo, Spínola viu um mecânico coberto de óleo a trabalhar num Alouette.

Perguntou-lhe:

— Então isso voa?

O mecânico respondeu:

— Voa, meu general… quando quer.

Spínola replicou:

— Então hoje tem de querer.

5. O voo turbulento

Num voo sobre o Oio, o helicóptero entrou numa zona de turbulência forte. Um oficial no banco de trás estava visivelmente nervoso.

Spínola virou-se para ele:

— O senhor tem medo de voar?

— Um pouco, meu general.

Resposta de Spínola:

— Não tenha. Aqui em baixo também disparam.

6. O voo baixo

Entre pilotos da Força Aérea corria uma frase meio humorística:

—  Com o Caco voa-se sempre mais baixo, porque ele quer ver tudo... De monóculo.

E outro respondia:

—  E às vezes baixo demais… para gáudio  do turra que gosta de fazer tiro ao alvo.

(Pesquisa: LG + IA  (ChatGPT / Open AI) 

(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos e títulos: LG)

______________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 28 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27864: Humor de caserna (253): O anedotário da Spinolândia (XXV): "Senhor Comandante, espero que nos vamos entender muito bem", disse em maio de 1968 Spínola, ao acabar de conhecer o Alpoim Calvão, o qual lhe retorquiu: "Não sei se é possível, porque eu tenho três grandes defeitos: primeiro, sou oficial de marinha; segundo, não sou de cavalaria; e não sou do Colégio Militar’.

terça-feira, 31 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27875: Tabanca Grande (580): Joaquim Gregório, ex-sold at art, apontador de morteiro 60, 4º Pel / CART 2715 / BART 2917 (Xime, 1970/72), sobrevivente da emboscada de 26/11/1970 (Op Abencerragem Candente): vive em Onzain, França; senta-se à sombra do nosso poilão, sob o lugar nº 914




Joaquim Rocha Gregório,  sold at art, nº 17150669 
(segundo a HU, BART 2917, Bambadinca, 1970/72)

Nascido em 10/2/1948, foi soldado apontador do morteiro 60, 4º Pel /CART 2715 / BART 2917, "Os Fantasmas do Xime" (Xime, 1970/72)...  Vive em Onzain, no Vale do Loire (capital: Orléans). Passa integrar a Tabanca Grande, desde hoje. Senta-se à sombra do nosso poilão, sob o nº 914


Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)


1. O Joaquim Rocha Gregório  vive em Onzain, Centre-Val deLoire, France. Tem página no Facebook, e apenas duas ou três fotos da Guiné. Pertenceu à CART 2715 / BART 2917 (Xime, 1970/72).

A CART 2715 / BART 2917 (Xime, 1970/72), e a CCAÇ 12, ambas a 3 Gr Comb  participaram  na Op Abencerragem Candente, no subsetor do Xime, em 25 e 26 de novembro de 1970, a par da CART 2714(Mansambo), formando 3 destacamentos.

Uma operação de trágica memória, que se saldou por um dos maiores desastres das NT, naquele subsetor do sector L1 (Bambadinca), região de Bafatá, em toda a guerra: 6 mortes, 9 feridos graves, com sequelas tremendas no "moral" do pessoal da CART 2715 ("Os Fantasmas do Xime") que, dentro de mês e meio, iria perder o seu comandante, evacuado para o HM 241, com baixa psiquiátrica, o cap art Vitor Manuel Amaro dos Santos (1944-2014) (membro da Tabanca Grande, nº 781, a título póstumo, entrado em 26/11/2018, 48 anos depois da  Op Abencerragem Candente, sobre a qual temos cerca de 3 dezenas de referências no nosso blogue).

 Ficámos a saber que o nosso camarada Rocha também foi fazia parte da força que foi embosacada em 26/4/1970 (Os Destacamentis  A e B) e, mais concretamente, fazia parte do 4º Pelotão / CART 23715, o do fur mil mec Cunha.

2. Em novembro de 2022,  recebemos várias mensagens, pelo formulário de contacto do Blogger, da parte do Joaquim  Gregório:

sexta, 4/11/2022, 22:58

A todo os ex-combatentes da Guiné, uma boa noite.

Eu sou um ex-combatente, fiz a minha comissão no Xime, CART 2715 (1970/72).



domingo, 27/11/2022, 21:14

Obrigado pelo teu poema verdadeiro, passado perto da Ponta do Inglês. Eu fazia parte do 4º pelotão, o mesmo do malogrado furriel Cunha. Que descanse em paz.


domingo, 27/11/2022, 21:18

Eu pertencia ao pelotão do furriel Cunha. E ia nessa operação.

domingo, 27/11/2022, 21:44

Caro amigo,   gostava imenso de ser membro da Tabanca Grande. Eu estive no Xime de 70 a 72. E assisti à operação  da Ponta do Inglês.  Um grande abraço.

 3. Em 4/12/2022, 12:31, o nosso coeditor Carlos Vinhal mandou-lhe, em resposta, a seguinte mensagem:

Caro Joaquim Gregório:

Para te juntares à nossa tertúlia, manda-nos uma foto tua actual e outra do nosso tempo de Guiné, fardado, que permitam fazer fotos tipo passe para os nossos arquivos.

Queremos saber o teu posto, especialidade, Companhia e Batalhão (se for o caso), datas de ida e volta da Guiné, localidades por onde andaste, etc.

Podes, caso queiras, mandar-nos uma pequena história que te tenha marcado particularmente, com fotos legendadas, ou texto onde fales de ti para te conhecermos melhor. Caso queiras ver anunciado o teu aniversário, manda a tua data de nascimento para publicarmos o postalinho natalício.

Aqui podes inteirar-te dos objectivos do nosso blogue.

Ficamos na expectativa das tuas novas notícias. Em nome da tertúlia e dos editores em particular, deixo-te um abraço e votos de boa saúde.

O camarada e amigo, Carlos Vinhal


4. Já este ano voltou a contactar-nos e não podemos ficar indiferente à sua insistência em pedir-nos "hospedagem" na Tabanca Grande. 

terça, 24/02/2026, 22:24

Eu sou o ex soldado Gregório,  fiz parte do BART 2917,  estive no Xime e no Enxalé. Gostava de saber-se se temos direito a 100 porcento na assistência méedica. (...)  



terça, 24/03/2026, 22:56

Eu pertencia ao 4º pelotão,  ia na operação Abencerragem Candente, escapei por milagre, pertencia à secção do morteiro e várias balas furaram-me o cantil. Um abraço para todos os colegas do Batalhão 2917


terça, 24/03/2026, 23:11

Eu sou o ex-soldado Gregório, era do quarto pelotão, estava na emboscada da
Abencerrarragem Candente. Escapei por pouco, várias balas furaram me o cantil, Fiquuei para contar. Era apotador do morteiro 60. Um abraço para todos os colegas da companhia 2715 e tambem da  CCAÇ 12 e para todo o BART 2917,  são os votos sinceros do soldado Gregório



5. O Joaquim Rocha Gregório não chegou a mandar as fotos da praxe, que o Carlos Vinhal lhe pediu, mas nós acabámos por arranjá-las na sua página do Facebook (*). Por isso, ele  passa a integrar, de pleno direito, a nossa Tabanca Grande a partir de hoje (**). É mais um camarada da diáspora lusófona.

Dele sabemos mais o seguinte:
  • tem  página do Facebook (Joaquim Gregório Rocha) (desde 17/4/2016); 
  • tem endereço de email;
  • temos 3 amigos em comum no Facebook (três camaradas da Guiné: Benjamim Durães, Jorge Silva e Vicente Pinto;
  • nasceu em 10 de fevereiro de 1948 (mas não sabemos a terra da naturalidade);
  • vive em Onzain, França (Onzain foi uma comuna francesa na região administrativa do Centre, Val de Loire, departamento Loir-et-Cher; estendia-se por uma área de 29,9 km²; em 2010 a comuna tinha 3584 habitantes (densidade: 119,9 hab./km²); em 1 de janeiro de 2017, passou a formar parte da comuna de Veuzain-sur-Loire;
  • gosta de jogar às damas e de dançar;
  • deve estar reformado, vem a Portugal de vez em quando.
Espero, Joaquim, que  ajudes a abrir a porta da Tabanca Grande a mais camaradas da CART 2715. És o único representante de "Os Fantasmas do Xime", para além do teu 1º capitão, já falecido, com o posto cor art ref, o Vitor Manuel Amaro dos Santos (1944-2014).

Sentas-te à sombra do nosso poilão sob o nº 914. Esclarece-me os seguintes pontos: 

(i) és natural de Pernes, Santarém, é isso ?!; 

(ii) em França és tratado como Joaquim-Gregório Rocha (Rochá), é  isso ?!|; 

(iii) aqui serás o Joaquim Gregório (como eras conhecido no teu/nosso Xime de boas e más memórias).

Quanto ao pedido de informação que nos fazes, sobre teres ou não direito, a 100% dos medicamentos, precisamos de saber onde tens a morada atual oficial, em França ou em Portugal, e em que sistema és pensionista. Vê aqui no Balcão Único da Defesa:

Os antigos combatentes pensionistas passam a ter direito, a partir de 1 de janeiro de 2026,  a um apoio de 100% da parte não comparticipada dos medicamentos pelo SNS (Serviço Nacional de Saúde). Quando falamos de pensionistas, em Portugal, falamos da Caixa Geral de Aposentações ou da Segurança Social. Que não dever ser o teu caso, uma vez que fizeste todos os teus descontos, em França, para a Securité Sociale. 


Guiné 61/74 - P27874: Casos: a verdade sobre... (65): o acidente com canhão s/r 82, B-10, russo, que vitimou o 2º srgt António Duarte Parente, do Pel Caç Nat 53, no Saltinho, em 13 de maio de 1970





Guiné > Região de Bafatá > Sector L5 (Galomaro) > Saltinho > Destacamento de Contabane (reordenamento junto ao quartel do Saltinho, mais tarde, Sinchã Sambel, em homenagem ao régulo de Contabane > Pel Caç Nat 53 (1970/72) > O Paulo Santiago com o canhão sem recuo 82 B-10, russo, que esteve na origem do acidente, no Saltinho, que provocaria a morte do 2.º srgt Parente (apanhado pelo "cone de fogo" do canhão s/r disparado inadvertidamente por alguém)... A tragédia deu-se no dia 13/05/70, quando já se encontrava naquele quartel a CCAÇ 2701, que rendeu a a CCAÇ 2406, "Os Tigres do Saltinho" (1968/70).


Foto (e legenda): © Paulo Santiago (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)


1. O 2.º srgt António Duarte Parente não pertencia a nenhuma daquelas companhias, aq CCAÇ 2406 e a CCAÇ 2701, era um dos graduados do Pel Caç Nat 53, comandado naquela data pelo alf mil António Mota que o Paulo Santiago foi substituir em outubro de 1970. 

O canhão s/r, apreendido ao PAIGC, foi mais tarde transferido do Saltinho para o reordenamento de Contabane (hoje, Sinchã Sambel).  Mas antes disso, nos primeiros dias de novembro de 1970 foi um heli ao Saltinho buscar, por ordem do Com-Chefe, o canhão s/r 82, B10, para equipar as NT no decurso da Op Mar Verde (invasão anfíbia de Conacri, 22 de novembro de 1970). Voltaram a entregá-lo em dezembro. 

Gravemente ferido, em resultado desse acidente, o Parente foi evacuado para o HM 241,m Bissau, e a seguir para o Hospital Militar da Estrela. Morreu um nmês depois. Está sepultado na Covilhá,

2. Comentários:

(i) Jorge Narciso (*) (**)

(...) António: não tem este o fim de comentar o teu poste (eu até nem fui nem vim de barco, pois era da FAP), antes e verificando que terás estado no Saltinho por 69/70, procurar uma eventual ajuda tua para precisar na memória um facto lamentável, que muito me marcou e do qual não fiquei com registo preciso.

Eu fui mecânico da linha da frente dos helicópteros (exactamente entre  abril de 1969 e dezembro de 1970) e muitas vezes fui ao Saltinho (cruzámo-nos concerteza), nomeadamente na época das chuvas, para proceder a abastecimento de víveres.

Aliás, ali "festejei" os meus 20 anos, facto que, denunciado pelo piloto, "nos obrigou" a só dali sair depois dum copo (penso que de espumoso).

Com essas diversas viagens estabeleceram-se alguns laços de amizade, nomeadamente com um sargento (de quem não me recordo o nome) que é, esse sim, o motivo deste comentário.

Sei que numa determinada altura foi substituída a guarnição do Saltinho (fim de comissão ?), mas que o citado sargento, por ser de rendição individual, ali permaneceu com a nova guarnição. [ Substituição da CCAÇ 2406 pela CCAÇ 2701, em maio de 1970].

Um dia (que também não consigo precisar) parti numa evacuação para o Saltinho (que, diga-se, não era habitual) e qual não foi a minha surpresa (e choque) quando verifico que ela se destinava exactamente ao citado sargento.

Explicaram-nos, rapidamente, ter sido ele atingido pela gravilha projectada pelo escape do canhão sem recuo, montado num dos muros do aquartelamento, que tinha sido extemporaneamente disparado por terceiro, num tiro de experiência e demonstração.

Foi, talvez, a evacuação mais penosa das incontáveis que realizei na Guiné. Desde logo pelo seu gravíssimo estado físico (completamente crivado), pelo emocional, com a sua lúcida compreensão desse mesmo estado, finalmente porque era alguém com quem mantinha uma relação, diria de quase amizade, o que exponencia largamente o nossas próprias emoções.

Desembarcado, com as palavras de encorajamento possíveis, procurei num dos dias seguintes visitá-lo, tendo-me sido informado que tinha sido imediatamente evacuado para Lisboa.

Tendo mantido o interesse , soube muito mais tarde que não tinha resistido aos ferimentos, vindo a falecer.

Recordas ou de alguma forma tiveste algum contacto testemunhal com este caso ? (...)

(ii) Paulo Santiago (**)

Jorge: Vou tentar contar o episódio de que falas (*) , que aconteceu já depois da saída, do Saltinho, da CCAÇ 2406, a que pertenceu o António Dias [. O CCAÇ 2406, Os Tigres do Saltinho, 1978/70, pertencia ao BCAÇ 2852, com sede em Bambadinca).

A tragédia, confirmei agora a data com um camarada, deu-se no dia 13/05/70, quando já se encontrava naquele quartel a CCAÇ 2701. O 2º  srgt Parente, o militar de que falas, não pertencia a nenhuma daquelas companhias, era um dos graduados do Pel Caç Nat 53, comandado naquela data pelo Alf Mil António Mota que eu fui substituir em Outubro de 1970.

O trágico acidente resultou de um disparo ocasional do canhão S/R 82, B10, naquele dia instalado no Saltinho, mais tarde foi comigo para o Reordenamento de Contabane.

Ninguém tem uma explicação cabal para o sucedido. Havia ordens expressas para a arma estar sempre com a culatra aberta, e sem granada introduzida, parece que naquele dia havia uma granada introduzida,e a culatra estava fechada.

Como aconteceu? Junto da arma encontravam-se vários militares, cap Clemente, alf mil Julião, srgt Demba, da milícia, 2º srgt  Parente e ainda mais dois ou três militares. A arma para disparar, granada na câmara e culatra fechada, accionava-se o armador, premia-se o gatilho,acontecia o disparo. Diziam que alguém tocara com o joelho no armador e dera-se o disparo...

O 2º srgt  Parente estava logo atrás do canhão S/R, foi parar a vários metros de distância, e tu, Jorge Narciso, sabes como ele ía. Ficaram também feridos o cap Clemente, queimaduras numa mão e virilha, e o Demba, queimaduras numa perna. Foram também evacuados para o HM 241.

Como dizes,o Parente morreu passado um mês. Já como comandante do Pel Caç Nat 53,recebi uma carta da viúva, pedindo-me ajuda na resolução de um qualquer problema que agora não recordo.

Foi um dia trágico no Saltinho.Isto é, muito dramático, o Parente tinha recebido naquele dia um telegrama, via rádio, informando-o que fora pai de uma miúda...e andara na tabanca a comprar uns frangos para fazer um jantar comemorativo do nascimento...

O alf mil Fernando Mota, da CCAÇ 2701, recebeu uma carta com a notícia que o irmão fora morto com um tiro da Gurda Fiscal. O srgt  Demba da milícia foi morrer no Quirafo em 17 de abril de 1972 .. Será que o Parente ainda viu a filha antes de morrer?

Apesar de não o ter conhecido, é-me penoso falar desta tragédia. (...)
 
(iii) Paulo Santiago (***)

(...) Quanto às munições para o canhão s/r, havia uma quantidade razoável. O Julião, alf mil, CCAC 2701 (Saltinho, 1970/72), num patrulhamento,deu com um pequeno paiol com granadas para o 82B10.Na foto vêem-se algumas embalagens com granadas.


(iv) Luís Graça (***):

Recordo-me bem do Duarte Parente, do tempo de Baambadinca..  Era um dos poucos sargentos, do exército, que era operacional... na região de Bafatá. Tirando os sargentos das forças especiais (páras, fuzos, e talvez comandos), os sargentos do Exército ficavam na secretaria, ou outras funções de apoio... Não se exagera dizendo que a guerra era para os graduados milicianos e as praças do contingente geral... Os do QP, oficiais e sargentos, em geral, protegiam-se melhor...

Eu pensva que o Duarte Parente fosse alentejano, afinal era beirão. Era um gajo com piada, com quem se criava facilmente empatia. Infelizmente, deixou viúva e filha órfão, coisa que eu não sabia... Um das das "bocas" dele que ouvi no nosso bar, em Bambadinca, nunca mais a esquecerei:

- Quando eu vou na rua, só paro em dois lugares: numa taberna ou bar ou numa livraria...

Seguiu depois para o Saltinho onde conheceu o caminho do calvário que o levou à morte, um mês depois já em Lisboa, no HMP. (****)

Não temos, também, infelizmente, nenhuma foto dele. (*****)


(Seleção, revisão / fixação de texto, título: LG)
___________________


Notas do editor LG:





(*****) Últrimo poste da série > 30 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27871: Casos: a verdade sobre... (64): uma mina anticarro, reforçada, que acionámos em Nhabijões, em 13/1/1971, a que altura poderia lançar a nossa GMC ? (António Fernando Marques / Luís Graça)