1. Mensagem de Mário Beja Santos* (ex-Alf Mil, Comandante do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 9 de Dezembro de 2010: Malta,
Peço desculpa pela demora no envio do meu registo referente ao dia 20 de Novembro.
Aproveito para pedir uma alteração: sempre que se escreve Azulai deve constar Azalai. Procurei escrever todos os nomes alusivos à imagem. Nem sempre andava bem dormido, por vezes a mente vagueava por outros sítios, peço desculpa por certas imprecisões.
Agora vou acabar o relato do dia 20, em que me aboletei no Bairro Joli, por incrível que pareça fiquei num 2º balcão a olhar para a bolanha de Finete, a avistar os palmeirais de Chicri e a supor que, um pouco mais à frente, e se eu estivesse num 20º andar, era possível desfrutar os meandros do Geba frente a Mato de Cão.
A partir de 21 acabou-se o turismo vadio, as passeatas erráticas. O déspota do Fodé vai tomar conta de mim, do Bambadincazinho até ao Xime, e daqui até ao Xitole. Depois procurei emancipar-me, já era tarde, mas ainda fugi de casa deste pai tirano, andei de motocicleta pelos territórios do antigo inimigo. Eu vou contar…
Um abraço do
Mário
OPERAÇÃO TANGOMAU - ÁLBUM FOTOGRÁFICO (2)
Dia 20 de Novembro de 2010
Antes de partir para a Embaixada de Portugal, onde almoçou, o Tangomau percorreu o Cais do Pidjiquiti. Dada a hora, havia pouco movimento. Mas por este cais passaram quase todos aqueles que desembarcaram nos paquetes que saíam da Rocha do Conde de Óbidos. Hoje é um puro espaço destinado a pescadores e chegadas e partidas de transporte fluvial. O Tangomau encontrou uma vedeta militar, mas é completamente interdito registar equipamentos militares de todos os tipos, formas e feitios…
A estrada de Santa Luzia tornou-se multiusos: tem comércio, edifícios de habitação, pequena indústria, sedes de ONG, serviços. Não passava pela cabeça do Tangomau encontrar uma agência funerária com matraquilhos à porta. Dito e feito, lazer e passamento sincronizados…
Estava interdito fotografar o edifício do Estado-Maior General das Forças Armadas, reduzido a escombros. Fotografou-se uma relíquia, uma guarita de controlo na estrada que dava acesso ao quarteirão da messe de oficiais e respectivos alojamentos. De referir que o muro do QG está lá, de pedra e cal
A messe de oficiais transformou-se no vestíbulo e recepção do Hotel Azalai, o último grito hoteleiro da Guiné-Bissau. O Tangomau cirandou e gostou. Afinal, até encontrou vestígios de bangalós e da piscina. Para que conste.
Uma messe de oficiais reciclada. Era um espaço de lazer com sofás, armários, bilhar, mesas para escrever. Falando por si, o Tangomau expediu aqui várias dezenas de aerogramas. Agora mudou de look e natureza. Assim tivesse acontecido com muitíssima outra arquitectura do período colonial.
Foi piscina dos oficiais, dos hóspedes do Hotel 24 de Setembro, aparece agora retocada para a inauguração do Hotel Azalai. Tem beleza e quem organizou este espaço foi feliz com o traçado do meio envolvente.
Cerca envolvente do Hotel Azalai. É melhor que os hóspedes fiquem defendidos de ver o Bairro de Santa Luzia degradado, havia ali casas bem bonitas, agora campeia a fealdade.
Os caldos Maggi estão a fazer furor na Guiné. O Tangomau encontrou esta publicidade quando descia a Pansao N’Isla a caminho da Baixa de Bissau. Até a mulher do Fodé Dahaba mandou o Tangomau comprar uma caixa das grandes para preparar a mafé no almoço de confraternização, em 25 de Novembro: vários quilos de arroz e de carne, especiarias, incluindo caldos Maggi. Seguramente que a mulher do Fodé Dahaba é uma estrela!
Isto é o estado actual do Mercado Central de Bissau. O embaixador Henriques da Silva garante que houve destruições no conflito político-militar 1998-1999. O que disseram ao Tangomau é que houve um incêndio há alguns anos atrás. Com guerra ou incêndio, perdeu-se um espaço que dava muita vida à Baixa de Bissau. O comércio faz-se à volta deste espaço, mas não é a mesma coisa.
Estado actual do Restaurante Pelicano, tinha uma vista esplendorosa sobre o Ilhéu do Rei. Fica numa encosta que dá acesso à fortaleza da Amura. No blogue, temos registado um postal com o interior do Restaurante Pelicano. Paz à sua alma!
Guarita do edifício do Comando da Defesa Marítima da Guiné. O Tangomau nunca esquecera este pormenor, viera aqui em Junho de 1969, tinha encontro marcado com o comandante Avelino Teixeira da Mota, acabaram por jantar num barco pejado de fuzileiros que iam de madrugada fazer um golpe de mão no Baio, perto do Burontoni. Hoje, o edifício pertence à Armada da Guiné-Bissau. O Tangomau, quando visitou a Ponta do Inglês, quis ir ao Burontoni e ao Baio, mas era uma grande distância, a luz caminhava para o ocaso. Mais uma razão para voltar à Guiné…
Quando o Tangomau se apresentou em Bambadinca (mais propriamente no Bambadincazinho) tinha o Fodé à espera, com uma cartilha interminável de recomendações. Ei-lo aqui, sorridente, tinha o “irmãozinho” para dar ordens, o Fodé é o mais sinuoso mandão ao cimo da terra. A seu lado, no comité de recepção, Madiu Colubali, antigo soldado milícia de Missirá e Aidja, a primeira mulher de Fodé, o ser mais paciente que o Tangomau conhece…
Fotos: © Mário Beja Santos (2010). Direitos reservados.
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Notas de CV:
(*) Vd. poste de 7 de Dezembro de 2010 > Guiné 63/74 - P7397: Operação Tangomau (Mário Beja Santos) (3): O segundo dia em Bissau
Vd. primeiro poste da série de 5 de Dezembro de 2010 > Guiné 63/74 - P7384: Operação Tangomau (Álbum fotográfico de Mário Beja Santos) (1): Dias 18 e 19 de Novembro de 2010
3 comentários:
Restaurante Pelicano ? What f... Me perdoem a expressao...mas atormenta-me esse estado de degradacao dos edificios, monumentos (e nao so, de valores tambem) na Guine...Tenho dificuldades em enquadrar a foto daquilo que foi outrora o Pelicano...Ja tentei de pino, de lado...com as pernas pro ar...mas nem por isso identifico um angulo que me remeta a imagem que tenho desse edificio, um ex libris da marginal de Bissau...
Nesse andar, nem vestigios temos um dia desses, para exibir...
Pobre Guine !
Nelson Herbert
USA
Ps: A proposito do Pelicano. Um dos guineenses, parte do grupo que assassinou Amilcar Cabral a 20 de Janeiro de 1973, foi "garcon " nesse restaurante...muito frequentado pelos entao chefes da PIDE...
Camarigos
Que saudades do Restaurante Pelicano. Um autêntico oásis para o pessoal do mato que arribava a Bissau. Ponto de passagem obrigatório para comer um "Ninho de Camarão". Foi lá que falei com o então Capitão Salgueiro Maia , meu Comandante de Esquadrão em, Santarém pela última vez.
Abraço Camarigo
Luís Borrega
Ai, os "ninhos de camarão" no Pelicano!!!
Um dia tenho que pedir à "nossa", do Miguel, Enfermeira Paraquedista que saque dos seus dotes culinários uns ninhos de camarão!!!
Ela já deu a receita, que eu tenho algures.
Um abraço camarigo para todos
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