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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27603: O nosso blogue em números (109): Portugal, Brasil e Guiné-Bissau representam mais de 40% do total de visualizações de página, por país (n=16 milhões) (2010-2025)

 


Infografias (Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, 2026)


1. Continuamos a publicar alguns números sobre a nossa atividade bloguística em 2025.

O nosso blogue atingiu, no final do último ano, cerca de 17,8 milhões de visualizações de páginas (grosso modo, de "visitas", o que não é exatamente igual a "visitantes", que podem ser regulares ou ocasionais...) (Gráfico n.º 2). 

Já temos explicado como esta  contagem é apurada:   

(i) 1,8 milhões desde o início do blogue, em 23/4/2004 até final de maio de 2010 (de acordo com o nosso primeiro contador, o  Bravenet);

e (ii) c. 16  milhões, desde então e até 31/12/2025 (segundo o contador do Blogger).

 
De acordo com o gráfico nº 2.

  • em 10 anos, de 2004 a 2013,  tivemos uma média anual de meio milhão de visualizações de página  ou "visitas"; 
  • nos últimos 12 anos, de 2014 a 2025, a média anual ultrapassa já o milhão (houve uma queda na pandemia de Covid-19).

2.  Em relação ao período que vai de final de maio de 2010 ao final de dezembro de 2025,  há a destacar o seguinte no que diz respeito à distribuição do nº de páginas visualizadas por país (Figuras nº 1 e nº 2 e Gráfico nº 3):

 

Figura n.º 1 - Mapa-múndi com a distribuição do número de visualizações de páginas, do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (n=16 milhões), desde maio de 2010 a final de 2025. Madeira, Açores e Guiné-Bissau estão também assinalados (embora por pontos minúsculos). Sobre Cabo Verde e outros países lusófonos não temos dados (devem estar incluídos nos "Outros").


Fonte: Blogger (2026)




  • os nossos visitantes continuam a ser oriundos sobretudo (mais de 60%) de Portugal (35,6%) e dos EUA  (25%);
  • no topo 10, o Brasil aparece em 4º lugar (4,4%),  a seguir à Alemanha (5%) e antecedido pela França (4%) (dois países da União Europeia onde também há importantes comunidades lusófonas de incluindo muitos antigos combatentes);
  • no top 20 apraz-nos registar que  a pequena Guiné-Bissau aparece em 17º lugar, com um total acumulado de 68,6 mil visualizações, a seguir à Espanha (n=98,9 mil), mas à frente da Itália (n=67,5 mil) e da China (n=67,4 mil) e Outros   (o resto do mundo) (n=2 milhões);
  • Portugal (35,6%), Brasil (4,4%) e Guiné-Bissau (0,4%) representam, só por si, mais de 40% dos nossos "visitantes";
  • a Suécia está agora em 9º lugar, mas à frente da Rússia que é o 10º;
  • estava em 6º o ano passado:  será que a saída (mesmo que temporária), para os States, do nosso querido José Belo e das suas renas..., ajuda a explicar esta descida ?



Figura 2 -  Distribuição do número de visualizações de página do nosso blogue,  por país, desde final de maio de 2010 a final de dezembro de 2025 (Números absolutos) (n=16 milhões). Três países lusófonos ( Portugal, Brasil e Guiné-Bissau) aparecem no top20.

Fonte: Adapt. de Blogger (2026) 

 (Continua)


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Nota do editor LG:

Último poste da série > 2 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27594: O nosso blogue em números (108): Ao longo do ano de 2025, tivemos um número de visualizações de páginas superior a 2,09 milhões (e 4,51 mil comentários)

domingo, 4 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27602: Agenda cultural (909): Lisboa, Panteão Nacional, Concerto de Ano Novo, domingo, 4 de janeiro de 2026, 18h00: Kimi Djabaté (balafon e voz) e Iaia Galissá (cora)


1. Eventos > Concerto de Ano Novo no Panteão Nacional

Comece o ano com sons diferentes. Concerto de Ano Novo no Panteão Nacional, domingo, dia 4 de janeiro, às 18 horas,  Kimi Djabaté e Iaia Galissa, balafon e kora. 

Entrada livre, limitada à capacidade da sala. Acesso por ordem de chegada.

Fonte: Panteão Nacional > Eventos (com a devida vénia)


2. Comentário do editor LG:

Kimi Djabaté tem 11 referências no nosso blogue. É seguramente o músico e intérprete da música da Guiné-Bissau com uma carreira internacional mais conhecida e consolidada. Fez agora 25 anos de músico profissional. É um dos raros que se pode dar ao luxo de viver apenas da sua arte. É natural de Tabatô, perto de Bafatá. A nossa Tabanca Grande acolhe e apoia os artistas da Guiné-Bissau.
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 14 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27422: Agenda cultural (908): Sessão de lançamento da biografia de Eugénia Sousa (1935-2025). "Coragem, Altruísmo eFé", da autoria de Rosalina Coelho Vaqueiro: Biblioteca Municipal de Sesimbra, sábado, 15, às 15h00

Guiné 61/74 - P27601: O Nosso Livro de Estilo (19): Política editorial do blogue

Gravura digital > People (Luís Graça, c. 1999)


Gravura digital > Vidas (Luís Graça, c. 1999)


Gravura digital  > Redes (Luís Graça, c. 1999)


BLOGUE LUÍS GRAÇA & CAMARADAS DA GUINÉ > 

POLÍTICA EDITORIAL

As opiniões aqui expressas, sob a forma de postes ou de comentários, assinados, são da única e exclusiva responsabilidade dos seus autores, não podendo vincular o proprietário e editor do blogue, bem como os seus coeditores e demais colaboradores permanentes.

Todos os postes têm editor. E os comentários não assinados terão que ser eliminados. Mas antes o autor anónimo terá uma oportunidade para corrigir o lapso

O nosso blogue é também uma Tabanca Grande. Originalmente, chamámos-lhe Tertúlia. Tabanca é um termo mais apropriado: nela cabem todos os amigos e camaradas da Guiné, e essencialmente os antigos combatentes.

Neste espaço, de informação e de conhecimento, mas também de partilha e de convívio, decidimos pautar o nosso comportamento (bloguístico) de acordo com algumas regras ou valores, sobretudo de natureza ética:

(i) respeito uns pelos outros, pelas vivências, valores, sentimentos, memórias e opiniões uns dos outros (hoje e ontem);

(ii) manifestação serena mas franca dos nossos pontos de vista, mesmo quando discordamos, saudavelmente, uns dos outros,  o mesmo é dizer que evitaremos:
  • as picardias, 
  • as polémicas acaloradas, 
  • os insultos, 
  • a insinuação torpe,
  • a maledicência, 
  • a violência verbal, 
  • a difamação, 
  • os juízos de intenção,
  • o bullying, a intimidação, o assédio, etc.) (comportamentos, de resto, criminalizados pela lei portuguesa).

(iii) socialização/partilha da informação e do conhecimento sobre a história da guerra do Ultramar, guerra colonial, guerra de África ou luta de libertação (como cada um preferir);

(iv) não há limites temporais para os temas a abordar no blogue, direta ou indiretamente relacionados com a guerra da Guiné (1961/74), mas idealmente vão da época colonial ao 25 de Abril de 1974 e a á  descolonização;

(v) não trazemos a atualidade para o blogue (nomeadamente em matéria político-partidária); em termos mais sintéticos, "não falamos de política, religião e futebol";

(vi) carinho e amizade pelos nossos três povos, o povo português, o povo guineense e o povo cabo-verdiano (e, por extensão, os demais povos com quem queremos manter laços de amizade e cooperação: os são-tomenses, os angolanos, os moçambicanos, os goeses, os macaenses, os timorenses...);

(vii) respeito pelos adversários do passado, por um lado, e as Forças Armadas Portuguesas, por outro (que estão acima dos regimes políticos);

(viii) recusa da responsabilidade colectiva (dos portugueses, dos guineenses, dos cabo-verdianos, dos fulas, dos balantas, etc.) (um conceito jurídico que não existe nem aceitamos);

(ix) recusa também da tentação de julgar (e muito menos de criminalizar) os comportamentos dos combatentes, de um lado e de outro; não diabolizamos nem santificados ninguém;

(x) não-intromissão na vida política interna dos 3 países (Portugal, Guiné-Bissau, Cabo Verde), salvaguardando sempre o direito de opinião de cada um de nós, como seres livres e cidadãos  a viver em Portugal, na diáspora lusófona, na Guiné-Bissau, em Cabo Verde, etc.

(xii) respeito acima de tudo pela verdade dos factos (devendo, em contrapartida, dar tempo e espaço ao "contraditório");

(xiii) liberdade de expressão (entre nós não há dogmas nem tabus; pode haver temas fracturantes, como o dos "desertores", por exemplo, que devemos evitar abordar num blogue que é essencialmente de antigos combatentes);

(xiv) direito ao bom nome e à privacidade (evitamos publicar nomes completos, endereços postais, nºs de telefone endereços de email, etc., contra a vontade dos interessados);

(xv) respeito pela propriedade intelectual, pelos direitos de autor... mas também pela língua (portuguesa) que nos serve de traço de união, a todos nós, lusófonos.

PS1- Defendemos e garantimos a propriedade intelectual dos conteúdos inseridos (texto, imagem, vídeo, áudio...).

PS2 - Uma vez editados, os postes não poderão ser eliminados, tanto por decisão do autor como dos editores do blogue, mesmo que o autor decida deixar de fazer parte da Tabanca Grande (poderão, no entanto, ser suspensos por decisão do Blogger, o nosso "senhorio", se este entender que um dado poste viola as "regras da comunidade" e a "política de conteúdos".

PS3 - Qualquer outra utilização dos nossos conteúdos, fora do âmbito e do propósito do blogue, necessita de autorização prévia dos editores e dos autores (por ex., publicação em livro, programa de televisão, reportagem jornalística, documentário, filme).

PS4 - Os autores e comentadores  que aqui escrevem têm total liberdade para seguir ou não o Novo Acordo Ortográfico. O editor Luís Graça segue o Novo Acordo Ortográfico.

Luís Graça & Camaradas da Guiné
31 de Maio de 2006, revisto em 3 de janeiro de 2026
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 2 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27593: O Nosso Livro de Estilo (18): Periodicamente convém lembrar o que (não) somos e as nossas regras de conduta enquanto blogue da Tabanca Grande - Parte I: "Não somos bandeira de ninguém, somos memória de todos"

sábado, 3 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27600: S(C)em Comentários (85): O que é que o PAIGC entendia por "zonas libertadas"? (Zeca Macedo, ten DFE 21, Cacheu e Bolama, 1973/74, a viver nos EUA desde 1977)

José Macedo, em 1971,
quando frequentava 0 1º ano da 
Escola Naval (que não completou).
Foi 2ten RN, DFE 21 (Cacheu e Bolama,
1973/74); vive nos EUA desde 1977.

1. Comentário do Zeca Macedo, ao poste P27583 (*):

Camaradas parece que existe muita confusão sofre o que queria o PAIGC dizer que controlava 2/3 do território da Guine Bissau. 

Estava o PAIGC a afirmar que nessas zonas Portugal não exercia soberania efectiva (exemplo da Coboiana), o PAIGC governava na prática, a população vivia sob instituições criadas pelo PAIGC (armazéns do povo, hospitais, escolas) e a guerrilha tinha superioridade operacional. 

Quando o PAIGC afirmava controlar 2/3 do território e chamava a essa parte de "área libertada" estava a usar o termo com um sentido politico, militar e simbólico. 

As "zonas libertadas" (ZL) eram espaços onde o PAIGC instalava estruturas de "Estado Paralelo", organizando escolas, postos de saúde, tribunais populares, sistema de recolha de impostos e comités locais de administração. 

Nas chamadas ZL o PAIGC tinha liberdade de movimento militar. Os guerrilheiros circulavam, recrutavam e treinavam combatentes. Montavam bases, depósitos de armamentos, fardas e munições.

Era território fora do controlo efectivo da administração colonial portuguesa. Eram zonas onde Portugal não conseguia manter presença permanente excepto em operações pontuais (Ilha do Como, Bachile, Madina e outros) e a autoridade prática era exercida pelo PAIGC.

Espero que este pequeno texto que estou a submeter, com a ajuda da IA/Gemini, possa esclarecer o significado de "zonas libertadas". (**)

Feliz Ano Novo

Zeca Macedo, tenente DFE 21
Vila Cacheu, Bolama
Guine Bissau 1973-74

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025 às 18:03:00 WET 
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Notas do editor LG:


(**) Último poste da série > 14 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27527: S(C)em Comentários (84): O povo Balanta / Brassa foi empurrado para os braços do PAIGC pelo comportamento inicial, pouco prudente, das chefias militares portuguesas... Claro, pagou um preço muito alto: foi a "carne para canhão" do Amílcar Cabral (Cherno Baldé, Bissau)

Guiné 61/74 - P27599: Os nossos seres, saberes e lazeres (716): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (237): Granada, Carrera del Darro e depois à volta da Alhandra - 4 (Mário Beja Santos

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 18 de Dezembro de 2025:

Queridos amigos,
Quando se pega num guia tipo Michelin e se pesquisa em Granada, encontramos três estrelas, o topo da excelência. Podemos ficar a saber o elementar sobre o alojamento, a restauração, os entretenimentos, os diferentes pontos do comércio. Os guias remetem para a Capela Real e para a Catedral, o que encontrar no casco histórico, as igrejas, privilegia-se no centro da cidade a Carrera del Darro que vai da Porta de Santana e acaba no Passeio dos Tristes. Passeamos por aqui deixando para trás a cidade moderna e o panorama muda por completo, parece que estamos num povoado antigo, vemos pontes de pedra e depois começam a aparecer edifícios de referência como o Museu Arqueológico, a Igreja de S. Pedro e S. Paulo, os banhos árabes e também a Igreja de Santa Ana e S. Gil. Mas é no guia tipo Michelin que vemos as três estrelas dadas à Alhambra e ao Generalife, e depois chegamos ao Palácio de Carlos V que é contemplado com duas estrelas.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (237):
Granada, Carrera del Darro e depois à volta da Alhandra - 4

Mário Beja Santos

Antes de entrar propriamente na Carrera del Darro, um dos lugares icónicos de Granada, e mesmo antes de caminhar para o monumento individual mais visitado do mundo, a Alhambra, importa explicar que esta rua de Granada, a Carrera del Darro é de uma indizível beleza. Granada situa-se nas férteis margens do Rio Genil, o Darro é seu afluente, divide as colinas do Sacromonte e Albaicín de Alhambra. Percorremos a rua e sentimos a história, há para aqui uma reminiscência do período da prosperidade económica de Granada, no tempo da dinastia Nasrid, talvez o ponto mais alto da cultura islâmica em solo espanhol. Teve comunidade judaica, era local de refúgio para os mouros expulsos da pátria.
Viveu séculos de declínio, nos séculos XVII e XVIII. Foi muito importante para a descoberta não só europeia de Granada quando o jornalista Washington Irving publicou os seus Contos de Alhambra, em 1832, e os pintores românticos descobriram os motivos orientais do castelo vermelho.

Despeço-me da Carrera del Darro falando da Igreja de S. Pedro e S. Paulo e dos banhos árabes, situados ali perto. A primeira imagem que vos mostro foi tirada ainda no passeio em Albaicín, sei perfeitamente que não há nada nela de espetacular, mas está ali o protótipo do modo de viver andaluz, as persianas protetoras do imenso calor e aquele branco, uma genuína herança árabe, para repelir os raios solares.

Ali à saída do Museu Arqueológico temos a Igreja de S. Pedro e S. Paulo em estilo mudéjar (é um estilo que se aplica a edifícios cristãos que tem influências da arte hispano-árabe) edifício do século XVI. O seu interior é claramente maneirista e barroco, é de planta de cruz latina com seis capelas. A nave central tem nas suas paredes uma coleção de magníficas cornucópias com emblema da irmandade dedicada à adoração de Cristo no sacramento da eucaristia; todas as suas seis capelas estão devidamente ornamentadas. Da sua torre, que, confesso subi um tanto amedrontado, uma escadaria íngreme que prossegue numa torre com a escada em caracol com precária proteção, tem-se uma vista soberba sobre a colina da Alhambra.


O protótipo da casa andaluza
A Igreja de S. Pedro e S. Paulo, perto do Museu Arqueológico de Granada, é visível uma torre da Alhambra, estamos na Carrera del Darro.
Vista do Altar-Mor da Igreja de S. Pedro e S. Paulo
Púlpito e pormenor do interior na Igreja de S. Pedro e S. Paulo
O assombroso teto em caixotão da Igreja de S. Pedro e S. Paulo
Os banhos árabes de Granada são os mais importantes de toda a Espanha. O nome espanhol é El Bañuelo, situam-se perto do que resta da Ponte de Cadí, têm a típica estrutura árabe, remontam aos séculos XI e XII, estão muito bem conservados. Estão formados por várias salas que têm a ver com o vestuário, os pontos de reunião e massagem e banho. Têm belas abóbadas onde não faltam capitéis romanos, visigodos e do período do califado. Cá fora veem-se perfeitamente as torres e as muralhas da Alhambra.
O que resta da Ponte de Cadí, fez parte da época de ouro árabe de Granada, era conhecida como Porta Ponte, resta este poderoso pilar e um tramo do arco em ferradura.
Procuro com estas três imagens mostrar o que há de fascinante nesta caminhada, o Rio Darro no fundo, o casario em paralelo à rua, parece que está pendurado, e as pontes que funcionam ligam sinuosamente a rua à monumentalidade da Alhambra.
Uma rua tipicamente árabe no casco histórico de Granada, na vizinhança da Carrera del Darro
Praça de Bib-Rambla com a fonte barroca chamada de Neptuno
Entrada na Alhambra pela Porta da Justiça
A Porta da Justiça vista com mais pormenor. A “Puerta de la Justicia” foi construída em 1348, sob o reinado do Sultão Yusuf I, o que faz dela uma das entradas mais antigas de. A Porta da Justiça também era conhecido por outros nomes, como Bib Axarea ou Portão dos Exames, devido à sua localização perto de tribunais e escritórios administrativos.
O desenho e os pormenores de construção refletem a arte Nasrida no seu período mais refinado. Este arco maciço em forma de ferradura ergue-se alto com entalhes intrincados que o adornam de cima a baixo. O arco mais exterior está adornado com inscrições que louvam Alá e versículos do Alcorão, enquanto uma moldura quadrada interior ostenta belos padrões de arabescos que significam o paraíso na terra. A parte superior alberga um balcão ao ar livre – “balcão do carcereiro” – que era utilizado para fazer anúncios públicos.

Porque agora o passeio prossegue para a inexcedível beleza da Alhambra. Recorde-se que os árabes chegaram a este ponto da Andaluzia no século VIII, o lugar tinha o nome de Castilia, eles mudaram o nome para Medina Elvira, a capital do território granadino. Fez-se anteriormente uma breve súmula do Califado de Córdova, referindo que é no tempo dos Almóadas e dos Almorávidas que Granada ganha imponência. De facto, a época mais gloriosa da Granada árabe inicia-se no ano de 1236 quando Granada passa a ser de facto e de direito a capital da Espanha muçulmana. Foi precisamente durante este esplendoroso período que a Alhambra se tornou no monumento único que é.
Não sendo possível visitar o seu interior, atrelei-me a uma visita guiada; há quem diga que o nome da Alhambra resulta de pôr em castelhano, palavras árabes que significam castelo vermelho. Pois precisamente é na harmonia arquitetónica do arco em ferradura da Porta da Justiça que a visita guiada vai começar.

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 27 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27577: Os nossos seres, saberes e lazeres (715): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (236): A Sevilha de um viajante apressado, nem pode acudir à Sevilha essencial: Granada, ainda com a Alhambra à distância - 3 (Mário Beja Santos

Guiné 61/74 - P27598: História de vida de um capelão militar: Horácio Fernandes / Francisco Caboz (1935-2025) - Parte I: Arribas do Mar (Ribamar, Lourinhã), a família (o pai, a mãe, o avô materno)


Francisco Caboz, "alter ego" de Horácio Fernandes
(Ribamar, Lourinhã, 1935 - Porto, 2025)

Lourinhã > Ribamar/Porto Dinheiro ou Atalaia/Porto das Barcas ? > c. 1920 > A família Maçarico tinha um estaleiro de construção naval, em Ribamar. Com a industrialização e a modernização dos estaleiros navais, o avô paterno do Horácio Fernandes acabou por emigrar para a América, nos anos 20.  Nunca mais voltou nem deu notícias, deixando na terra a mulher e três filhos menores, entre eles o pai do Horácio.  Soube-se, muito mais tarde (por volta de 1959, quando o Horácio estava para ser ordenado padre e o seu passado da família foi escrutinado, por denúncia)  que já tinha morrido na Califórnia.

Fonte: Cortesia do Espaço Museológico de Ribamar: Olhar o Mar (Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)


1. Na sua dissertação de mestrado em ciências da educação, pela Faculdade de Psicologia e Ciências das Educação da Universidade do Porto (1995), Horácio Fernandes descreve, nas páginas 102-106,   a sua terra, "Arribas do Mar" [leia-se Ribamar, da Lourinhã, que é também a terra da minha bisavó paterna, Maria Augusta (Maçarico) (1864-c.1938), que era irmã da Maria da Anunciação, bisavó paterna do Horácio].

Descreve igualmente as 3 figuras da família que o marcaram: o pai, a mãe, o avô materno  (nascido por volta de 1875)... 

O avô paterno, Fernandes (Maçarico),  nunca o chegaria a conhecer: quando disse a Missa Nova, em 1959, ele já tinha morrido na América.

É uma história de vida, bem dura, em tempos muito difíceis, que merece ser conhecida dos nossos leitores. O Horácio nasceu em 1935. 

 A maior parte de nós, que nasceu já 10 ou mais anos depois do Horácio, ainda se reconhece nesta narrativa autobiográfica (aqui resumida, na sua dissertação de mestrado,  em pouco mais de 3 dezenas de páginas). 

Foi a partir deste trabalho académico que, 14 anos depois, ele publicaria o seu livro de memórias "Francisco Caboz: a construção e a desconstrução de um padre" [ Porto: Papiro Editora, 2009, 185, (7) pp. ISBN 978-989-636-446-5].

Francisco Caboz é o "alter ego" do Horácio Fermandes, entretanto falecido, recentemente, em novembro de 2025, aos 90 anos). (O livro está esgotado, não sei se os herdeiros terão intenção de fazer uma 2ª edição ou reimpressão.)

O Horácio Fernandes vestiu o hábito franciscano, tendo sido ordenado padre em 1959. Foi capelão  no exército e na marinha mercante. Deixou o sacerdócio em 1972. Casou, passou a viver no Porto. Teve 3 filhos. Estava reformado da Inspeção Geral de Educação onde trabalhou 25 anos na zona norte. Em 2006 doutorou-se em ciências da educação pela Universidade de Salamanca, Espanha. Reencontrei-o por volta de 2015, na Tabanca de Porto Dinheiro.

Lourinhã > c. 1920 > Alvarina de Jesus Sousa, da família Maçarico. Morreu 1922, de tuberculose, a terrível doença da época. Era filha de Francisco José Sousa, da Lourinhã, comerciante de peixe, e de Maria Augusta, de Ribamar.



Maria Augusta de Sousa  (Ribamar, 1864- Lourinhã, c.1934). S/ d.

A  avó materna do meu pai Luís Henriques (1920-2012), Maria Augusta, nasceu em 28 de outubro de 1864, em Ribamar, ou melhor, em Casais de Ribamar, hoje integrados na vila de Ribamar. Pertencia ao clã Maçarico: filha de Manuel Filipe e Maria Gertrudes. ( A sua ascendência está documentada até, pelo menos, a meados do séc. XVIII.)  

Veio a  casar na Lourinhã, com um peixeiro, Francisco José de Sousa (1864-1939). O casal teve 7 filhos.   Terá morrido com “cerca de 88 anos”, segundo o meu pai, ou seja no início dos anos 50, o que ponho em dúvida. Já li ou ouvi  algures outras datas: 1920, 1934…

Fotos: arquivo da família.

 

Excertos da dissertação de mestrado "Francisco Caboz: de angélico ao trânsfuga: uma autobiografia" (FPCE / UP, 1995) 

CAPITULO 4º - A CONSTRUÇÃO DA VOCAÇÃO, A MISSÃO E A DESCONSTRUÇÃO DO HABITUS (pp. 102-136)


Parte I -  Arribas do Mar (Ribamar, Lourinhã), a família (o pai, a mãe, o avô materno) (pp. 102/106)

«Casinha de pobre,
Lareira de altar,
Borralho quentinho
E tudo a rezar. »

 (Afonso Lopes Vieira)

(...) "Este capítulo tem um registo assumidamente duplo: é fenomenológico, biográfico, no tratar a vida de Francisco Caboz, tal como ela foi vivida por si e dita; é sociológico, analítico, na medida em que é significativa de uma ordem económica social e política. Da dialéctica das duas resultará, porventura, a nosso ver, a proficuidade do método que utilizamos." (...) (pág. 102)


1- Arribas do Mar

Arribas do Mar, aldeia de Francisco Caboz, estava predestinada a ser viveiro de três vocações sacerdotais nos anos 30/40. Isolada entre dois concelhos «saloios», Lourinhã e Torres Vedras, a agricultura de subsistência e a pesca sazonal eram os seus únicos recursos.

Lisboa, que distava 50 Km, ficava muito longe, já que as estradas que lhe davam acesso eram intransitáveis e o percurso inseguro, sujeitos os transeuntes a frequentes assaltos. Só a pé ou a cavalo é que era possível transpor tão curta-longa distância. O mar era a única saída possível.

Sempre com o credo-na-boca se o mar embravece, esta gente é ao mesmo tempo desconfiada, crente e devota. Quase todos analfabetos, prostam-se e veneram, temendo alguém que é mais do que eles e que constantemente os ameaça. Santos, bruxos, mulheres de virtude, todos são requisitados em marés de azar: doenças dos homens e dos animais, do corpo e da alma, amores estragados e maresias.

A escola existia, mas secundariamente em relação à omnipresença do Mar: o mais importante era saber:

  • fazer um "côvo" para apanhar lagosta, lavagante ou navalheira;
  • fazer um camaroeiro e uma sartela para atrair o peixe na maré vazia;
  •  consertar uma rede;
  • medir os fundões em braças;
  • lançar a poita;
  • manejar a vela, o remo e o leme;
  •  «safar a tralha», o que não se aprendia nos bancos da escola.
A aldeia de Francisco era, digamos assim, a realização nas suas potencialidades mais substantivas do salazarismo, enquanto projecto político: imobilismo social, pobre, conformada, trabalhadora, disciplinada vivendo o quotidiano ao ritmo do anti-quotidiano (...).

-102- 


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2. A família de Francisco



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(Continua)

(Seleção, edição, revisão / fixação de texto, título: LG)


Capa da dissertação de mestrado do Horácio Neto Fernandes, "Francisco Caboz: do angélico ao trânsfuga, uma autobiografia". Porto:  Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. 1995, 147 pp. (A dissertação, orientada pelo Prof Doutor Stephen R. Stoer, já falecido, está aqui disponível em formato pdf).

Guiné 61/74 - P27597: Parabéns a você (2450): António Ramalho, ex-Fur Mil Cav da CCAV 2639 (Binar, Bula e Capunga, 1969/71)

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Nota do editor

Último post da série de 28 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27579: Parabéns a você (2449): António Figuinha, ex-Fur Mil Enfermeiro da CCS/BCAÇ 2884 (Bissau, Buba e Pelundo, 1969/71)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27596: Notas de leitura (1880): Uma publicação guineense de consulta obrigatória: O Boletim da Associação Comercial, Industrial e Agrícola da Guiné (7) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 4 de Novembro de 2025:

Queridos amigos,
Os reveses sucedem-se, diz o editor que há problemas graúdos na tipografia, e vem por aí um grande abalo, a morte do presidente da Direção, António Flamengo, homem de grande prestígio, o seu desaparecimento marca o Boletim mais do que a compreensível consternação. Vimos anteriormente que as colaborações se vão reduzindo, há apelos sucessivos para o pagamento das quotizações. Em 1965 será muito pior, o Boletim só terá uma edição, de janeiro a dezembro. Teixeira da Mota escrevera ao presidente, fazendo-lhe um relato dos seus trabalhos sobre os Rios da Guiné, estava assessorado por António Carreira e Rogado Quintino. É um documento redigido com extrema vivacidade de que aqui se publicam alguns parágrafos. O Boletim já não esconde que se encontra num estado de orfandade, à deriva.

Um abraço do
Mário



Uma publicação guineense de consulta obrigatória:
O Boletim da Associação Comercial, Industrial e Agrícola da Guiné – 7

Mário Beja Santos

A crise está instalada, o sonho da publicação regular do Boletim apagou-se. Em 1964 aparecerão dois números, um de janeiro a março e outro de abril a dezembro. A guerra instalada está a deixar marcas profundas. O desânimo ainda é contido, mas ainda se procura mostrar que existe um poder reivindicativo e há o anseio de participar nas decisões ou fazer reverter as medidas que condicionam a iniciativa privada. Escreve-se no primeiro dos números o seguinte:
“Luta a Associação por se impor nos sectores económicos, já que, por função constitui elemento consultivo do Governo da Província. Os seus 700 associados de todas as proveniências, à face dos acontecimentos, encaram o futuro sombrio, agravado por uma carência de recursos, entre os quais não é o menor importante a falta de unidade entre eles mesmos. O Governo apoia, as entidades oficiais prometem, os organismos oficiosos auguram. Mas no confronto com os territórios vizinhos e concorrentes, o panorama não se modifica e mais do que nunca há fé pouco lisonjeira para a Guiné.
Os recursos agrícolas sempre foram mal aproveitados; as indústrias de transformação, até há pouco existentes, são hoje exíguas; a regularização dos rios mais do que descuidada; a rede rodoviária abandonada; apenas dois técnicos agrícolas e ausência de crédito; o elevado custo dos transportes para as madeiras; o quase monopólio da mancarra; o descuido dos produtores de coconote cujo teor de acidez e impurezas o desvalorizam irremediavelmente.”


Há sempre avisos, consultórios, noticiário económico. Ficamos a saber que o Prefeito Apostólico da Guiné, D. João Ferreira fez uma Conferência na Associação com o título "Juventude, Educação e Liberdade".

A Associação, mesmo atendendo ao futuro sombrio, marca a sua cadência de exigências e o que a seguir se escreve é merecedor da atenção dos investigadores:
“Nos domínios da agricultura, continua a maior parte dos trabalhadores carecida dos favores da técnica. Trabalha-se na incerteza, um objetivo imediato da recuperação de terrenos para o cultivo de arroz, quando milhares de hectares de campo continuam incultos, por falta de apoio ao trabalhador.
Não se vê uma charrua, não se lobriga um trator. Os métodos agrícolas são primitivos, as pragas de séculos, a rentabilidade da terra de baixíssimo teor, o descoroçoamento uma constante, a desesperar.”


E prossegue o diagnóstico, começando pela mancarra o coconote e as madeiras: “São os principais produtos de exportação da Província da Guiné. Cerca de sete firmas locais exportam mancarra. Três deles são agentes dos fabricantes, na Metrópole. Aos restantes cabe a situação de enteados, investindo avultados capitais na compra para se sujeitarem ao tempo, ao aviltamento do preço de venda. A Metrópole, onde apenas três ou quatro grandes empresas o podem fazer, é o exclusivo importador.” E dá-se uma sugestão que é a de, à fixação de contingentes de exportação na Província, corresponda na Metrópole, por ofício da Comissão Reguladora de Oleaginosas, a pré-distribuição dos lotes de mancarra de todos os exportadores e, principalmente, daqueles que não representam interesses estranhos pelos únicos fabricantes nacionais: CUF, Sabões e Macedo & Coelho, como exclusiva forma de impedir que os nomeados continuem sujeitos aos jogos de empurra, e cheguem a termo da campanha sem terem assegurada a colocação do produto.

Veja-se o que se escreve sobre o coconote:
“A liberalização preconizada, deu os seus resultados em relação ao coconote. À maior exigência dos mercados estrangeiros e à concorrência de outros produtores, se deve, pelo menos, a valorização do coconote guineense. Reduziu-se o teor de impurezas; baixou a acidez, a produção escoa-se com regularidade.”


Tece-se uma dura crítica ao que se passa no setor dos transportes, isto quanto à indústria e comércio de madeiras, observando que a Sociedade Geral e a Companhia Colonial de Navegação afirmam não lhes interessar o transporte de madeiras da Guiné para a Metrópole, não se podendo também esquecer os preços proibitivos da rentabilidade dos fretes. A concorrência das empresas brasileiras que exploram as florestas da amazónia revelava-se esmagadora.

E o editorial ainda apontava com esperança para o futuro desde que se criassem serviços agrícolas tecnicamente eficazes, se fomentasse a produção do arroz, se eliminassem os direitos de exportação em madeiras, borracha, castanha de caju, frutas e leguminosas.

O número que vai até dezembro é bastante incolor, mas traz uma novidade, uma carta-artigo de Teixeira da Mota dirigida ao então presidente da Associação, António Flamengo, dá-lhe informações pessoais:
“Com a ajuda e colaboração de outras pessoas (entre elas António Carreira e Rogado Quintino) estou a preparar a publicação de uma série de volumes, em português e francês, onde serão editadas e comentadas antigas descrições portuguesas relativas aos Rios da Guiné, dos séculos XVI e XVII, parte delas completamente desconhecidas até agora, e que vêm trazer grandes novidades e surpresas.
Nessas velhas páginas revela-se o conhecimento verdadeiramente extraordinário que os portugueses então já tinham dos costumes e características dos numerosos grupos étnicos que vão dos Jalofos do rio Senegal aos Limbas dos montes da Serra Leoa. Para além da ação, também se revelam muitos revezes e fracassos, e muitos homens movidos apenas por propósitos e ambições ilegítimas.


Alguns casos, entre muitos. Um Diogo Carreiro, que por força das circunstâncias foi educado de pequeno em Marrocos, se tornou uma autoridade em questões islâmicas, foi Ministro do Xerife, conseguiu fugir para Portugal, meteu-se num barco com o qual venceu um navio de franceses na barra do Senegal (1565!), subiu este rio com o intento de chegar a Tombuctu e descobrir as fontes do ouro transportado pelas caravanas do deserto para Marrocos, e acabou por morrer às mãos de um Jalofo, ficando sepultado à beira do rio, passando depois o seu túmulo a ser venerado pelos nativos, que o consideravam um grande doutor das leis islâmicas. Um tal Ferreira, cristão-novo do Crato, alcunhado o ‘Ganagoga’ porque falava todas as línguas dos nativos, deslocando-se livremente por todos os matos (1580!), e que veio a casar-se com uma filha do Imperador dos Fulas de Galam, no alto Senegal. Um Roque Lopes de Castelbranco, natural de Santiago, que indo pelo rio de Buba numa embarcação, vendo dois elefantes a atravessar de uma margem para outra, cavalgou um deles e dentro de água o matou à punhalada. Um tal Henriques, ourives, que viveu entre os Bagas do Rio Nuno, em época em que estes se dedicavam a colecionar as caveiras dos brancos que abatiam, para utilizar como taças para a bebida. Dois portugueses, um branco e outro preto, náufragos de um galeão na Costa da Libéria, e que indo por terra se incorporaram no exército dos terríveis Sumbas, então assolando a Serra Leoa e aí praticando os mais violentos atos de canibalismo. Outros portugueses, servindo como arcabuzeiros e artilheiros nas lutas entre fações nativas na Serra Leoa ou ajudando o Rei dos Cassangas.”


E prossegue falando da missionação dos Jesuítas, a sua ação na Serra Leoa, e muitos mais outros casos, um nunca acabar. Cinco anos depois de ter escrito esta carta-artigo Teixeira da Mota regressava à sua muito querida Guiné, desta vez como chefe do Estado Maior do Comando da Defesa Marítima da Guiné, foi aí que o voltei a ver, em 1969, estadia curta, teve colisões frontais não só com a Marinha como com o Comando-Chefe, acabou a sua comissão em Angola.

Veremos no próximo número que a vida está cada vez mais difícil para editar este Boletim.


Brigadeiro Arnaldo Schulz, Governador da Guiné, 1964-1968
Publicidade nos tempos da licra
Mulher Nalu
Lavadeiras no rio Geba
Rapariga da etnia Pajadinca
Choro de Manjacos

Estas quatro imagens foram retiradas de alguns números do Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, 1964

(continua)

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Notas do editor

Vd. post de 26 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27574: Notas de leitura (1878): Uma publicação guineense de consulta obrigatória: O Boletim da Associação Comercial, Industrial e Agrícola da Guiné (6) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 29 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27583: Notas de leitura (1879): Um comandante do PAIGC, o homem dos mísseis Strela e de Guidaje, vem depor para a História (Mário Beja Santos)