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domingo, 1 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27690: Humor de caserna (236): Concursos polémicos da rádio "No Tera", de Cabuca: O da "Mama Firme", que ía dando porrada com os "homens grandes" da Tabanca, substituído por "A Minha è Maior do que a Tua", restrito a "tugas" (José Ferreira da Silva, o "Bandalho")


Jornal de caserna "O Abutre", da 2ª CART / BART 6523/73 (Cabuca, 1973/74)




O Zé Ferreira não é um gajo qualquer... é um senhor gajo, ex-fur mil op esp, "ranger", CART 1689 / BART 1913 (Fá, Catió, Cabedu, Gandembel e Canquelifá, 1967/69), passou pelos melhores "resorts" turísticos da Guiné do seu tempo, deu e levou porrada de criar bicho, e não regateou à Pátria o pagamento do imposto de sangue, suor e lágrimas. 

E acrescente-se ou lembre-se: a sua CART 1689 não foi uma companhia qualquer de "tropa-macaca":  foi distinguida com a “Flâmula de Ouro do CTIG”... A ela pertenceu também o nosso alferes,  escritor  e grão-tabanqueiro  Alberto Branquinho.

O Silva da CART 1689, o Zé Ferreira da Silva, membro ilustre do Bando do Café Progresso, conhecido popularmente entre a gente do Norte como os "Bandalhos",  integra a nossa Tabanca Grande desde 8/7/2010.

 Tem mais de 180 referências no nosso blogue, onde é autor de três memoráveis séries, que elevaram o obsceno, o nojento, o brejeiro, o pícaro, o anedótico, o trivial, o caricato, o ridículo, o grotesco, o absurdo, o trágico-cómico, a bandalhice... ao altar sublime da arte de bem saber contar histórias no intervalo da guerra (Memórias boas da minha guerra; Outras memória s da minha guerra; Boas memórias da minha paz).

Tem 3 livros publicados. Tem um outro na forja. Há dias deu  sinal de vida (no passado dia 29, em comentário a um poste antigo, P24921), depois de uns "problemas de saúde" que está, felizmente, a superar: "Tenho tido umas mazelas (2 AVC, bronquite crónica, Gripe A, Zona, etc) agravadas com o Alzeimer da minha mulher. Todavia, vivo na esperança de reatar a aproximação ao Blogue e de terminar o 4º livro"...

Quem escreve isto, tem fibra de combatente e de campeão!... Bato-te a pala, Zé!... Emocionado! (LG)


Humor de Caserna > Concursos polémicos da rádio "No Tera", de Cabuca: o da "Mama Firme", que ia dando porrada com os "homens grandes" da Tabanca, substituído por "A Minha é Maior do que a Tua", restrito a "tugas"

por José Ferreira








Durante uns dias, a rádio "No Tera" (a nossa terra, em crioulo), de Cabuca, ao tempo da 2ª CART /BART 6523, em 1973, anunciou o "Concurso Mama Firme".

Esperava-se, desta forma, classificar e premiar as medidas peitorais das mulheres Cabucanas. 

Diga-se, de passagem. que a tropa se esforçou imenso para que as suas conhecidas, especialmente as suas lavadeiras, ali viessem expor o seu porte. 

O Carlos Boto, o diretor da rádio, e que fora o promotor da ideia, esteve quase a levar um enxerto de porrada do corpulento milícia Jeremias, devido às insistências junto de sua mulher.

Quem também não gostou da ideia, foi o chefe de tabanca Mamadu, que lembrou aos radialistas que às mulheres de Cabuca estava vedada a participação em concursos de beleza. E justificou:

 Poderíamos premiar a beleza interior porque somos nós que a fazemos e não a beleza exterior, porque essa é um produto de Deus.

Dececionados pelo fracasso, os promotores da iniciativa, reunidos de emergência, resolveram considerar a sábia sentença do chefe de tabanca e alterar para um “Concurso de …P*ças”. Reservado a " tugas".

Naquele dia, a emissão da rádio abriu excecionalmente às 15h00, por forma a poder publicitar massivamente a forçada alteração do concurso anunciado.

Foi no refeitório, por volta das 17h30, que se iniciou o evento. 

Para começar, ninguém queria mexer em p*ça alheia. Teve que ser o Oficial Dia, o alf mil op esp/ ranger António Barbosa a assumir a função de Juiz Árbitro.

 Decididamente, sacou da faca de mato e traçou sobre a mesa uma linha para servir de medida-limite para admissão ao concurso. E avisou:

– Quem não chegar ao traço, fica logo de fora e quem o ultrapassar mais, ganhará uma garrafa de whisky.

Não levou muito tempo a que aparecessem alguns a “experimentar” a medida. Porém, não satisfeitos, voltavam para trás, e exercitavam-se a “tocar ao bicho”, na esperança de que ele crescesse de forma satisfatória. 

Aliás, ninguém abdicou de se exercitar ali mesmo, ... descaradamente. Numa das mesas viam-se o Matosinhos, o Carvalho e o Maia em acção, ao mesmo tempo que olhavam afincadamente para a mesma revista… erótica.

Quem não se desenrascava era o Zé Faroleiro, cuja fama e porte de machão eram bem conhecidos. Por mais festas que fizesse ao animal, não conseguia despertá-lo.

– Ó filhos da p*ta! Seus badalhocos!!!– gritou o vagomestre, surgindo dos lados da cozinha. 

E acrescentou:

–  Não tendes vergonha de sujar a mesa onde comeis, com pintelhos e pingos de p*orra???!!!  Francamente!!!

O concurso ficou pontualmente suspenso, precisamente quando havia algumas dúvidas quanto ao vencedor. Furioso, o vagomestre chamou o básico Pequenitaites, ajudante da cozinha:

– Ó faxina, vem cá. Traz um pano húmido e limpa esta mesa.

Quando este se aproximou, tomou conhecimento das medidas que apontavam para o possível vencedor. De repente, exclamou:

 – Se é assim, eu bem  podia ganhar!

A gargalhada foi geral. Mas o básico aproximou-se e, um tanto envergonhadamente, abriu a braguilha, sacou o marmanjo e, meio encoberto pelo pano da limpeza, pousou-o sobre a mesa.

Como o Pequenitaites parecia que não atingia a medida maior, logo alguns intervenientes (os mais avantajados) tentaram afastá-lo. 

Porém, o básico subiu para um pequeno tijolo de barro para poder chegar com os testículos ao tampo da mesa e poder competir em condições de igualdade.

– Ei, pá!!! F*da-se!!! Mas que grande p*ça!!! – exclamaram abismados, os presentes.

Todas as outras murcharam e… ficaram desclassificadas.


************

Nota do autor:

Doze anos depois do regresso, o Ricardo Figueiredo teve a oportunidade de saber da boca do Pequenitaites que o tamanho do seu pénis só lhe trouxera dissabores. Confessou-lhe que as namoradas se assustavam e que a mulher que mais amara, trocara-o por um lingrinhas que era conhecido por “Pilinha de Gato”.

Fonte - Adapt de José Ferreira - Clube Cabuca. In:  "Memórias Boas da Minha Guerra, Volume III. Lisboa: Chiado Books, 2019, pp. 207-2014.

(Revisão / fixação de texto, título: LG)
_________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 15 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27635: Humor de caserna (235): "Cuidado com a língua, ó noviço! (João Crisóstomo, Nova Iorque)"... Análise literária da ferramenta de IA europeia, Mistral: "uma crónica deliciosa, que mistura história, humor e crítica social com mestria"

8 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Oh, Ricardo, os "abutres de Cabuca" já estavam completamente apanhados.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Cabuca era literalmente o fim da picada.

Anónimo disse...

Virgílio Teixeira
Rir só faz bem.
Já ri o suficiente
O Zé bandalho, do progresso que tanto Frequentei quando tinha aulas de Economia nos Leões.

O BART 1914 é da geração do 1911 e 1915 com quem tive o privilégio de contactar.
Já me perdi no telemóvel.
Volto mais tarde

Quando estes últimos e possivelmente o 1914 partiram o meu BCAC1933 passou a ser o mais antigo.
O Zé, meu contetrrâneo do Porto esteve em 1967-1969.tak como eu com alguns meses de diferença.
Lembro que o bart1911 que estava no 600 regressou em maio. Eu estava no 600 a acabar a minha função e prestar contas ao Estado dos gastos das companhias todas e foram muitas as que passaram pela minha alçada do CA do BCAC1933.
Cabuca estive lá algumas vezes, quando estive entre 22set67 a 26fev68
Depois mudamos de poiso, julgo eu por não termos arcaboiço para tão grande zona que estavam dependentes. No total

Anónimo disse...

Zé Ferreira já fiz bastante asneira.
A escrever comentários no telemóvel, ao fim de umas linhas já na vejo para trás
, daí a esta salsagada.
Corrijo o bsrt1913 é da geração do 1911 também de artilharia.
Estive em Cabuca nos anos 84 e 85, com um projecto.
Se no nosso tempo havia buracos de NL para Cabuca, agora o jeep grande cabia nos buracos, era de vomitar as tripas.

Não existia nada nem aldeias

Fomos até um charco onde faz fronteira a Guiné Conacry.
Mosca tse tse.
Canqulifa também pertencia ao meu batalhão, eram 18 unidades, no total
O nosso batalhão não tinha tomates para tão grande área.
Daí fomos de vela.
ADEUS GABU
VT

Alberto Branquinho disse...

Luís

Grande ideia esta de "ressuscitar" uma/esta "histórinha" do Zé Ferreira. Se ele não aparecer aqui, vou telefonar-lhe para ele vir ver.
Apesar de "andar com ele mesmo às costas" e arrastando consigo a sua "cara-metade", quando lhe telefono, depois do relatório do dia-a-dia, acabamos por nos despedir entre gargalhadas.
Abraço

Tabanca Grande Luís Graça disse...

O Zé há dias deixou aqui vários comentários.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

A postes antigos. O que já é bom sinal

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Tem um quarto livro na forja