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quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Guiné 61/74 - P23674: Historiografia da presença portuguesa em África (337): Viagem por alguns títulos da Coleção Pelo Império, da Agência Geral das Colónias (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 13 de Janeiro de 2022:

Queridos amigos,
A coleção Pelo Império teve vida afortunada nas décadas de 1930 e 1940, são escassas as referências a acontecimentos guineenses, dedica-se uma monografia a Honório Pereira Barreto, há uma referência à obra de Senna Barcelos e temos depois algumas expedições militares, que aqui se transcrevem. Pode ser que no desenvolvimento desta pesquisa ainda surja mais alguma surpresa. Estava mergulhado nesta leitura quando retirei de um cartapácio dedicado ao Boletim Geral das Colónias algumas apreciações do antigo Governador Leite de Magalhães, que em 1931 foi retirado da Guiné numa revolta republicana de que aqui já se fez larga referência. O artigo em causa foi publicado em julho de 1932, é um pouco mais do que uma mera curiosidade.

Um abraço do
Mário



Viagem por alguns títulos da Coleção Pelo Império, da Agência Geral das Colónias

Mário Beja Santos

Nas décadas de 1930 e 1940, a Agência Geral das Colónias publicou um número impressionante de monografias referentes a figuras distintas da colonização, operações de ocupação e pacificação, e até investigadores e políticos marcantes ligados à criação do Império Africano.

O número 118, publicado em 1947, é dedicado a Cristiano José de Senna Barcelos, figura da Armada de grande distinção, no blogue já se fez larga referência aos seus "Subsídios para a História de Cabo Verde e da Guiné". É autor do texto o Tenente-Coronel Joaquim Duarte Silva. Vejamos um resumo que pode levar o leitor a interessar-se pelas investigações de Senna Barcelos, do maior relevo para o conhecimento da Guiné. Este oficial da Armada começou por escrever em 1892 um Roteiro do Arquipélago de Cabo Verde, um trabalho de caráter técnico, evidenciou aqui as qualidades de meticuloso investigador. Era natural da ilha Brava, sua terra natal. Em janeiro de 1899 foi nomeado para proceder, com a máxima economia, a estudos geográficos e hidrográficos no Arquipélago de Cabo Verde, auferindo apenas os seus vencimentos como se tivesse embarcado em qualquer dos navios em serviço no arquipélago.

Indiscutivelmente a sua obra capital são os "Subsídios para História de Guiné e Cabo Verde". A Academia Real das Ciências de Lisboa tomou a seu cargo a publicação do trabalho. Estes subsídios compõem sete partes, vão de desde 1470 a 1889. Escreve o autor Senna Barcelos se distingue pelo desassombro das suas opiniões, não gostava de louvaminhar e nunca escondeu o martírio do povo cabo-verdiano. Era um martírio que inspirava comentários acerbos, verdadeiros gritos de revolta. Senna Barcelos criticou profundamente as medidas tomadas por D. Manuel I como as de autorizar a execução de brancos e de pretos cristãos que se mostrassem rebeldes em sair da Guiné, bem como também criticou a penas brutais aplicadas aos lançados da Guiné, apesar de eles muitas vezes serem traidores à Pátria, colocando-se ao serviço de estrangeiros como pilotos e práticos nos rios e portos da Guiné – aplicava-se-lhes a pena de morte em caso de reincidência. Como Comandante da Canhoneira Rio Ave, tomou parte em operações militares e foi condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada.

Do número 55 desta coleção, com o título Glórias e Martírios da Colónia Portuguesa, tendo como autor o General Ferreira Martins, vejamos as referências à Guiné, com destaque para a campanha de 1908. Em dezembro do ano anterior chegaram à colonia o Capitão Ilídio Nazaré e o Tenente D. José de Serpa Pimentel, respetivamente Chefe e Subchefe do Estado-Maior da futura expedição. Nazaré foi encarregado do comando de um destacamento incumbido de proteger o restabelecimento das comunicações telegráficas que os Biafadas tinham cortado na região de Quínara, estavam revoltados no início de 1908. Em 19 de março desse ano desembarcava a expedição de Macuas destinada a castigar o régulo Infali Soncó. O Governador Oliveira Muzanty conduzia as operações. Juntou-se uma companhia da Marinha, uma companhia mista da Infantaria (deportados europeus e atiradores indígenas), em 1 de abril foram transportados para o Xime, ponto de concentração. Do Xime seguiram para Bambadinca, daqui para Canturé, aqui se travou o primeiro combate, houve resistência, mas a povoação foi assaltada e incendiada. Mais adiante destrui-se a tabanca de Madina, último reduto do régulo, a 9 era hasteada a bandeira portuguesa no Cuor. Chegou, entretanto, uma companhia de Macuas, forneceram-lhe armas, ficaram acantonados em Carenquecunda.

A expedição militar volta-se agora contra os Papéis insubmissos, a artilharia bombardeou Intim, Badim e Antula, os aguerridos Papéis atacaram a coluna, mas as povoações caíram, tivemos baixas. Deu-se combate muito duro no alto do Intim, foi o último ataque dos Papéis e Balantas, a campanha de 1908 terminou em 11 de maio.

Segue-se a referência à campanha do Oio de 1913, liderada pelo Capitão Teixeira Pinto. Ele contou com a ajuda de Vasco Calvet de Magalhães, Administrador da Circunscrição de Bafatá, e da Abdul Injai, andou disfarçado de comerciante para reconhecer a área, na direção Mansoa-Farim. Descreve-se os ataques gizados por Teixeira Pinto, ele conta com um pelotão de Infantaria, duas peças de artilharia e centenas de auxiliares, está apoiada por duas lanchas-canhoneiras, encontra resistências, mas vai marchando a coluna para Morés, há recontro, destroem-se tabancas, distingue-se pelo seu heroísmo e bravura Abdul Injai. Em 7 de junho de 1913 a bandeira portuguesa foi hasteada em Mansabá.

O autor dedica um capítulo aos mártires da Guiné, 1914, refere abundantemente a resistência encontrada para ocupação ao longo do século XIX, assassínio de governadores, a chacina de Jefunco, em 1878, da força comandada pelo Tenente Calisto dos Santos, todos massacrados e muito mais. Escreve o autor: “Ao findar o século, pode dizer-se que as únicas regiões onde era reconhecida a nossa autoridade eram as ocupadas pelos povos Mandigas e Fulas, à exceção do Oio, onde, em 1897, uma pequena coluna comandada pelo Tenente Graça Falcão foi trucidada, escapando milagrosamente este oficial, mas não tendo a mesma feliz sorte o Tenente António Caetano e o Alferes Luís António. Seguiram-se, no primeiro decénio do século atual, as campanhas, menos infelizes, empreendidas de 1901 a 1909 pelos Governadores Júdice Biker e Muzanty”.

E descreve os trágicos acontecimentos de 5 de fevereiro de 1914, saiu de Mansoa um pelotão de Cavalaria comandado pelo Alferes Manuel Augusto Pedro, com a missão de reconhecer o local onde conviria lançar uma ponte. Segundo a narrativa de um sobrevivente, a coluna foi atacada pelo gentil de Braia, a massa atacante empurrou o pelotão do Alferes Pedro para junto do rio. Aqui foi morto a tiro, os outros tentaram salvar-se caminhando para o lodo onde foram trucidados à catanada, entretanto subia a maré, não foi possível tirar o cadáver do alferes do lodo nem dos restantes soldados do pelotão, veio uma força auxiliar, mas era tarde.

Aqui se põe fim aos apontamentos tirados da Coleção Pelo Império, vamos separadamente fazer referência a um curioso documento assinado pelo antigo Governador Leite de Magalhães e publicado no Boletim Geral das Colónias, em 1932.


José Henriques de Mello
Pelotão da Companhia Mista. Fotografia de José Henriques de Mello
No Xime, durante a campanha do Cuor, 1908. Fotografia de José Henriques de Mello
No Xime, manufatura do rancho de Infantaria, 1908. Fotografia de José Henriques de Mello
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Notas do editor:

- Fotos editadas por CV

Último poste da série de 28 DE SETEMBRO DE 2022 > Guiné 61/74 - P23650: Historiografia da presença portuguesa em África (336): Imagem do nosso Império Africano num atlas inglês de 1865 (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 – P23673: Agenda cultural (815): Apresentação do meu 11.º livro "Bola de Trapos - Crónicas Desportivas do Baixo Alentejo, 1904 a 2022", Edições Colibri, no próximo dia 11 de Outubro, pelas 19h00, na Bibiloteca Municipal José Saramago, em Beja (José Saúde)


Capa do livro do Jose Saúde: "Bola de trapos: crónicas desportivas do Baixo Alentejo, 1904-2022". 
Lisboa: Edições Colibri, 2022


1. O nosso Camarada José Saúde, ex-Fur Mil Op Esp/RANGER da CCS do BART 6523 (Nova Lamego, Gabu) - 1973/74, enviou-nos a seguinte mensagem.

Camaradas,

Somos, hoje, seres humanos que o tempo paulatinamente se encarregou em transformar os nossos corpos, corpos outrora esbeltos, jovens esguios que partiram rumo à desconhecida guerra da Guiné, onde a peleja no terreno nos fora literalmente comum. Sim, sobrevivemos, mas houve outros camaradas que, infelizmente, por lá perderam a vida, outros, de lá vieram estropiados e são muitos aqueles que presentemente convivem com tão nefastas situações, outros, com a mente extorquida dos horríveis sons das armas, enfim, fomos, afinal, “carne para canhão”, restando agora um oceano de recordações. Somos, também, usados septuagenários, em particular, onde a memória jamais será extorquida de cenas vividas no palco da guerrilha.

Camaradas, não obstante o meu AVC que já leva 16 anos de existência, e com o lado direito remetido ao silêncio, lá vou passando entre os pingos da chuva, reencontrando-me com o universo da escrita, debitando textos e lançando obras que visam deixar memórias para as gerações presentes e vindouras conhecerem as histórias de um passado repleto de saudade.

Neste contexto, no próximo dia 11 de outubro, terça-feira, 19h00, na Biblioteca Municipal José Saramago, em Beja, será lançado o meu 11º livro intitulado “Bola de trapos – Crónicas Desportivas do Baixo Alentejo 1904 a 2022”, com a chancela da Edições Colibri, cujo editor é Fernando Mão de Ferro.

Fica o meu convite a todos os camaradas e amigos, assim como a sua introdução – Memórias desportivas -, e o texto de abertura da obra - A bola de trapos -.

Camaradas e amigos, espero por vós.


A bola de trapos

Viajo pelas sumptuosas asas do vento, dou por mim a recordar hilariantes recordações desportivas que o tempo jamais ousará apagar da consciência de pessoas que teimam relembrar o evoluir do extraordinário prodígio, mas nas suas diversificadas vertentes. Ao longo de uma maratona da escrita, que já vai extensa, cerca de 40 anos dedicados ao jornalismo, procurei trazer à estampa convicções semanais para que o leitor se identifique com os conteúdos desportivos que, por força de uma razão maior, tendem cair no limbo do esquecimento caso não haja bem-aventurados temerários que se predisponham em assumir o tão meticuloso desfecho. Memórias benéficas, em meu entender, que o imensurável prazo da persistência humana vai consumindo num painel assumidamente cada vez mais restrito.

Admito que a audácia não foi, e nem tão-pouco o é, talhada pelo prisma da facilidade, uma vez que debitar narrativas num determinado contexto requer a aquisição de conhecimentos e, sobretudo, de certezas no momento em que o autor se debruça sobre os conteúdos dos específicos textos por ele elaborados. Reconheça-se, porém, que a minuciosidade como os temas são trabalhados mostra, obviamente, o seu respeitoso saber.

Olhando para um amarelecido baú que contém muitas centenas (mais de um milhar) de narrativas desta essência, deparo-me com profícuas realidades que tornam o fenómeno mais sólido no exato momento em que se desenrolam pequenos fios de perseverantes meadas, sendo o resultado final resultante em proveitosos artigos que nos conduzem a saberes circunscritos num espólio que, sob a minha pena, acondiciono nesta existência terrena.

Iniciei-me no trabalho jornalístico em meados da década de 1980. “O ÁS” foi a rampa de lançamento que me transpôs para outros patamares regionais e nacionais, passando, depois, pelo “Diário do Alentejo” (“DA”), onde me mantenho como colaborador, sendo que em ambos os periódicos fiz questão em debitar crónicas pessoais sobre a autenticidade do desporto regional no Baixo Alentejo, desde os seus primórdios.

Comecei com “O ponto de vista”, seguindo-se o editorial no jornal “O ÁS”, como diretor, “Opinião” e “Bola de trapos” no “DA”. Todas, ou quase todas as semanas a minha cabeça não descansa na procura de um assunto que mereça reverência e, naturalmente, lugar num meio onde a exiguidade da velha notícia desportiva tende a escassear.

Sei que a predisposição para abarcar a responsabilidade de tamanha aventura terá um dia o seu fim. Mas, enquanto o toque do hastear da bandeira não soar, manter-me-ei hirto na missão que outrora assumi, subscrevendo pequenos textos que espero que sejam do agrado de todos.

Nesta conjuntura, deixo-vos mais uma obra intitulada “Bola de trapos”, cuja temática assentam em realidades desportivas na região
.

A bola de trapos


Num indelével sentimento onde a dócil melancolia esbarra numa mente que usufrui, por enquanto, a possibilidade em recordar imagens de outrora que se multiplicaram em hábitos desportivos de crianças alinhadas com o prazer do jogo, revejo o normal habitat da miudagem e a sua frenética luta em despiques com a célebre bola de trapos. 

Somos originários desses obsoletos tempos. Recordo, com uma saudade imensa, a algazarra dos rapazes de rua, assim como os saudáveis desafios em terrenos vadios, agora transfigurados em betão armado, e logo à tona da memória aparecem reproduções das manhãs domingueiras que envolviam jogatanas de futebol, sendo as balizas demarcadas com duas pedras num campo substancialmente irregular. Naquele tempo as bolas de borracha eram escassas e por vezes lá aparecia o menino mimado, filho de gentes da alta sociedade, que presunçosamente metia inveja ao resto da moçada, com uma bola de borracha amarela, marca “Pirelle”, debaixo do braço. 

A redondinha era sinónimo de excêntricos prazeres e sobretudo de entrega dos “putos” ao duelo. O menino, que não jogava patavina, mas tinha que fazer parte infalível de uma das equipas porque era o dono da bola, cedo se apercebia que a raia miúda não lhe passava a redondinha e toca a interromper o entusiasmante dérbi da pequenada. De rabo alçado lá fugia que nem uma flecha rumo à sua mansão. A ralé, pouco importunada com a leviana atitude do garoto, jogava mãos à bola de trapos e o jogo prosseguia. 

Aliás, as oportunidades em dar uns chutos numa esfera de borracha eram, nesses tempos, coisa rara. A bola de trapos, feita com uma meia roubada à mãe, afigurava-se como uma preciosidade que a ralé juvenil muito se regozijava. Lembro, também, as bexigas de porco recolhidas pela malta em épocas das matanças no matadouro da terra. 

Tudo isto é conversa do passado, é verdade, mas um passado onde despertaram craques que percorreram enormes percursos futebolísticos quer em termos nacionais quer internacionais. Hoje, olhamos para a realidade presente e logo damos conta que tudo desliza para o mundo da facilidade. As crianças de agora têm outros mecanismos competitivos, vestem equipamentos de marca, calçam botas de qualidade, as bolas são excecionais, jogam em campos relvados, ou sintéticos, e têm um público, geralmente familiar, a puxar pela equipa. Nós jogávamos em agrestes terreiros infestados com ervas daninhas onde residiam cacos de vidro, sendo que alguns dos nossos companheiros jogavam descalços, os fatos de treino era a roupa domingueira, para quem a tinha, não havia assistência aos jogos e fugíamos das forças da ordem sempre que o polícia de giro detetasse as nossas presenças. Bem-haja a conquista da liberdade e o progresso que a Revolução dos Cravos facultou!



Abraços camaradas e amigos, 

José Saúde

Fur Mil Op Esp/RANGER da CCS do BART 6523

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 Nota de M.R.: 

Guiné 61/74 - P23672: Mi querido blog, por qué no te callas?! (6): A todos os meus confrades, aqui deixo o registo de um punhado de reflexões sobre o futuro do nosso blogue (Mário Beja Santos)


Guiné-Bissau > Região do Cacheu > Ingoré > 1998 > Esta foto, com a Zélia Neno, ex-companheira do Xico Allen, chegou-nos por mão do Albano Costa, com a seguinte legenda: “Esta foto vale pela imagem, e os brancos em África converteram-se? Não é que ficaram a ver a Zélia [Neno] a puxar o burro, mulher de armas!"... A propósito, não temos tido notícia desta nossa amiga, "veteraníssima", uma das primeiras a integrar a Tabanca Grande...

Qual entretanto a relação desta foto com o tema desta série "Mi querido blog, por qué no te callas? "... Metaforicamente falando, o nosso blogue pode ser comparado a um burro velho mas teimoso, que se recusa a envelhecer e, no fim, a ir para o matadouro... 

Dizem que os burros podem viver entre 30 e 40 anos, em média, podendo excecionalmente chegar ao meio século...  Na Guiné do nosso tempo, eram já uma raridade, mas houve quem ainda os visse a carregar pesados sacos de mancarra e até se faziam  com eles umas "burricadas"... 

Enfim,  a experança média de vida do burro depende muito dos trabalhos impostos pelo dono e pelos cuidados que lhe são prestados... No caso do nosso blogue, a sua expetativa de vida já não pode ser tão grande: não é que o "burro" seja muito velho (tem 18 anos), os "donos" é que estão a ficar velhotes... (Atenção: 18 anos na Web é quase uma eternidade!)

Mas ao nosso blogue também se aplica o provérbio da Guiné, em crioulo: "Buru tudu karga ki karga si ka sutadu i ka ta janti" (O burro, com pouca ou muita carga, se não é açoitado,  não anda)... 

Caros leitores, toca a... "tocar o burro"!... O mesmo é dizer: deem-nos dicas, façam-nos críticas, sugestões e comentários, depois de lerem este poste... que começa pro ser  um "aviso à navegação". 

Faltam-nos padrinhos e afilhados, o mesmo é dizer, "sangue novo"... A "velhice" tem que fazer a sua parte, "apadrinhar" os "periquitos"... Onde estão os "últimos soldados do império"? Qurem apanhou o 25 de Abril? Quem regressou nos últimos  aviões dos TAM e nos últimos navios T/T?

Este ano só entraram, até à data, 9 novos membros da Tabanca Grande, um por mês, e destes nove, três foram-no a título póstumo... O ano passado, que foi de pandemia (como o de 2020), tivems 31 novos membros, dos quais 13 a título póstumo...  

Amigos e camaradas da Guiné: não deixemos que sejam os nossos queridos mortos a alimentar os que ainda estão vivos...

Foto (e legenda): © Albano Costa / Zélia Neno (2006). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

 

1. Texto do nosso colaborador permanente, Mário Beja Santos, com data de 3/8/2022, e que só agora é publicado, por razões de oportunidade (*):

A todos os meus confrades, aqui deixo o registo de um punhado de reflexões sobre o futuro do nosso blogue

Meu caro Luís,
 
É de elementar justiça, a todos os títulos, dirigir-me primeiramente a ti, foi graças ao nosso reencontro, em 2006, que me abriguei no blogue que tu fundaste em boa hora e que se tornou no eixo principal das memórias da guerra da Guiné, é possuidor de um acervo incomparável, merecedor da atenção dos estudiosos das novas gerações, tal o valor da informação ali acumulada, isto para já não referir aquele imbatível acervo fotográfico que fará inveja a qualquer arquivo, em qualquer ponto do globo. 

Daí de saudar calorosamente pela porta que abriste ao companheirismo, à permanente assembleia dos camaradas da Guiné e outros visitantes, só num país ingrato como o nosso é que tu não és alvo de uma distinta consideração pelo que criaste de raíz e pelo inultrapassável serviço público que o blogue presta ao país.

Acompanho diariamente o blogue, não posso escrever sem olhar para o fruto do tempo, e constato que a nossa idade introduz limitações que devemos aprender a ultrapassar. Admito que possamos crescer um pouco mais, aceito perfeitamente que ainda há muito para dizer, mas estou seguro de que há condicionalismos irrefragáveis:  a 
concorrência de redes sociais, o facto da nossa memória se ir esgotando sobre o que vivemos e partilhamos com outros,  há qualquer coisa como meio século ou mais, o que atualmente se publica espelha essa rarefação e considero que chegou a hora de conjugarmos esforços para que se faça uma reflexão séria sobre o futuro do blogue.
  • primeiro, temos um potencial invejável, podemos com ele conviver com outros parceiros, logo todos aqueles blogues de antigos combatentes que queiram entrar connosco em parceria, mais não seja no intercâmbio de informações, notícia de obras publicadas, realização de eventos, etc.; 
  • há as instâncias universitárias onde se estuda a guerra colonial, em vários pontos do país, bem podíamos procurar estabelecer protocolos; 
  • há as bibliotecas, se é facto que a Biblioteca Nacional teoricamente recebe todas as publicações, nós não temos acesso fácil a edições de autor
  • há outras bibliotecas que estão prontas a cooperar (eu próprio beneficio da delicadeza do bibliotecário da Biblioteca da Liga dos Combatentes), 
  • há nas Forças Armadas instituições e publicações com quem nós podíamos intensificar o intercâmbio.
O blogue ganharia dimensão de um espaço mais amplo, sem detrimento da manutenção dos nossos conteúdos específicos.

Mais cabeças poderiam seguramente contribuir (e de certeza com aportes mais válidos) sobre o futuro do nosso blogue. É esta dimensão de património histórico-cultural que eu venho pôr à vossa consideração, sugerindo ao fundador do blogue que organize oportunamente um encontro de gente disponível que traga na sua agenda sugestões de engrandecer o futuro do blogue, não devemos desdenhar as nossas idades e legar às novas gerações este dever de memória que diariamente acarinhamos aqui. 

É o que sumariamente me ocorreu de dizer-vos, tenho 77 anos, gozo felizmente de alguma saúde e não sinto qualquer abalo no meu entusiasmo em manter de pedra e cal a colaborar regularmente com o blogue

Que o debate nos ajude a preparar um risonho amanhã, para que todos os nossos testemunhos não fiquem gelificados num qualquer arquivo. 

Recebam a muita cordialidade do Mário


2. Já em tempos, em  21/11/2017, o Mário tinha partilhado connsoco algumas das preocupações e reflexões sobre o futuro do blogue. Como não temos a certeza de ter sido publicado, aqui fica o texto, em complemento do que acima reproduzimos:

Caríssimo Luís,
Saúde e fraternidade,
De há uns meses a esta parte que te ando para escrever. Cumpre-se a ordem natural da vida, nós e os nossos companheiros de blogue vamos envelhecendo, as inscrições de novos bloguistas chega naturalmente a conta-gotas, enfim, não podemos reinventarmo-nos, estamos insistentemente numa atmosfera de manutenção, a criatividade terá os seus dias contados.

Devemos saber prever os próximos anos, é uma pertinência e é um ato de responsabilidade: como manter vigoroso, interativo e muito útil o nosso blogue? Só a ti cabe tomar uma decisão de revigoramento.

Eu venho dar uma sugestão e nada mais. Faria uma curta reflexão sobre o futuro do nosso blogue a partir dos dados da atualidade, convidaria aí uns 20 camaradas para uma jornada de reflexão, num qualquer ponto do país, umas boas horas a partir pedra e a juntar ideias salutares para um futuro promissor.

Adianto algumas ideias da minha lavra:

  • alargar as parcerias com os três ramos das forças armadas, pedindo-lhes intercâmbio do que tem a ver com o passado e presente da Guiné – artigos, memórias, cooperação, etc;
  • estabelecer um protocolo com os demais blogues relacionados com a guerra da Guiné, sempre na perspetiva do intercâmbio, do noticiário, de uma bolsa de artigos de opinião
  • pedir entrevistas aos Pupilos do Exército, ao Colégio Militar, Academia Militar, propondo-lhes visitas de camaradas nossos para falar da Guiné e daquela guerra.

    Não me quero estender mais, exigi a mim próprio notificar-te que temos uma vida curta pela frente e gerámos um património que é inalienável e fulcral para qualquer investigaçã séria que se venha a fazer no futuro sobre a guerra da Guiné, seja a que título for. Depois dizes-me o que pensas.

    Um abraço sempre fraterno do Mário.
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    Nota do editor:

    Último poste da série > 3 de março de  2021 > Guiné 61/74 - P21964: Mi querido blog, por qué no te callas?! (5): O que irá acontecer aos nossos blogues e demais sítios na Net quando, pela ordem natural das coisas, formos transferidos para o Batalhão Celestial? Considerações sobre o futuro (Rogério Freire, fundador e editor do sítio CART 1525 - Os Falcões)
  • Guiné 61/74 - P23671: Recordando o Amadu Bailo Djaló (Bafatá, 1940 - Lisboa, 2015), um luso-guineense com duas pátrias amadas, um valoroso combatente, um homem sábio, um bom muçulmano - Parte II: 1962, recruta em Bolama e instrução de especialidade no CICA / BAC, Bissau: o racismo primário do cmdt da CART 240


    Guiné > Ilha de Bolama > Carta de Bolama (1952) > Escala 1/50 mil > Bolame, detalhe

    Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2022)


    1. Continuamos a reproduzido, aqui no blogue, alguns excertos do livro de Amadu Bailo Djaló, "Guineense, Comando, Português" (Lisboa Associação de Comandos, 2010, 229 pp.). O livro está esquecido, a edição está há muito esgotada, mas o Amadu Djaló continua na nossa memória e nos nossos corações.

    É um documento autobiográfico, único, sem paralelo (entre os militares guineenses do recrutamento local) , indispensável para quem quiser conhecer a guerra e a Guiné dos anos de 1961/74, sob o olhar de um grande combatente luso-guineense, que teve de fugir da Guiné depois da independência e que em Portugal se sentiu tratado como um português de 2ª classe, cmo outros combatentes. e nomeadamente os que serviram no Batalhão de Comandos da Guiné.

    Membro da Tabanca Grande,. tem mais de 6 dezenas de referências no nosso blogue (onde foi sempre muito estimado e acarinhado em vida).

    Em homenagem à memória do nosso camarada Amadu Djaló (nascido em Bafatá, em 1940 e falecido em Lisboa, no Hospital Militar, em 2015, com 74 anos), e com a devida vénia aos seus herdeiros, à Associação de Comandos (que oportunamente, ainda em vida do autor, editou o seu livro de memórias, entretanto há muito esgotado), e com um especial agradecimento ao Virgínio Briote que, na qualidade de "copydesk" (editor literário) e grande amigo do autor e coeditor jubilado do nosso blogue, nos facultou o "manuscrito" (em formato pdf), vamos reproduzir aqui mais umas páginas do seu livro. 

    O Amadu Djaló relata aqui as suas peripécias como recruta no CIM de Bolama )Jan / março de 1962) e depois na instrução de especialidade no CICA / BAC em BIssau.





    Capa do livro de Bailo Djaló (Bafatá, 1940- Lisboa, 2015), "Guineense, Comando, Português: I Volume: Comandos Africanos, 1964 - 1974", Lisboa, Associação de Comandos, 2010, 229 pp, + fotos, edição esgotada.



    Recruta no CIM de Bolama e instrução de especialidade no CICA / BAC, em Bissau (1962)

    por Amadau Bailo Djaló (*)



    Recruta em Bolama no primeiro trimestre de 1962


    Embarquei na 3ª feira, dia 9 de janeiro de 1962, rumo a Bolama, onde cheguei cerca das 13h30.

    Ao atracar, o cobrador do barco, reconhecendo que era recruta, disse-me:

    – Olha, vem ali o capitão.

    Já no cais, dirigi-me ao capitão e entreguei a guia de marcha.

    – Por que é que só vens agora?

    Como fiquei calado, voltou a fazer a mesma pergunta. Mantive-me calado, não tinha nada para dizer.

    – Apresenta-te no quartel – ordenou.

    Fiquei tão receoso que nem perguntei para onde ficava o quartel. Foi uma mulher, com um filho ao colo, que me disse para cortar à esquerda, que logo o veria. Aproximei-me do portão e cumprimentei a sentinela.

    – O que queres?

    Que vinha para a tropa, respondi.

    Chamou o cabo da guarda, que me fez idêntica pergunta:

    – Que queres?

    Dei a mesma resposta, que vinha para a tropa.

    – Entra!

    Fui atrás, apontou-me um banco comprido e mandou-me aguardar. Estava a pensar na minha Bafatá e nos meus pais quando ouvi um toque de uma corneta e o reboliço enorme de duzentos e cinquenta recrutas a saírem das casernas.

    Entretanto, chegou junto de mim um sargento, que mais tarde vim a saber que era o 1º sargento Perdigão, que me mandou acompanhá-lo a uma arrecadação, onde estavam centenas de fardas empilhadas. Mandou tirar um fardo e levá-lo para a caserna, para me fardar. O peso era tanto que fui ajudado por um cabo, o 1º cabo José Maria. Na caserna, enquanto me fardava, chorava lágrimas de desespero, de tristeza e de saudade dos meus pais. E também, por pensar que ia estar fora de casa três anos, que era o tempo de serviço militar obrigatório.

    Acabei de me fardar e fui à procura de um pelotão onde houvesse gente de Bafatá. Só encontrei duas pessoas conhecidas, o Molo Baldé, meu conhecido desde a infância, e outro rapaz de Bafatá. Não me deixaram ficar nesse pelotão, encaminharam-me para outro, o 5º, que era comandado por um 1º sargento, já com uma certa idade. No dia seguinte, destinaram-me outro pelotão, comandado pelo alferes Mendes.

    Não jantei na minha primeira noite no quartel. A comida não cheirava bem, não tinha boa apresentação, com muitas moscas em cima dos pratos. O meu colega do lado segredou-me:

    – Tens que aguentar. É assim, pouco a pouco a gente habitua-se.

    Não conseguia tragar aquela comida com a facilidade que via nos outros. Comia para não passar fome.

    Vinte e seis dias depois, chegaram de Bissau o capitão Bispo e o sargento Cruz para nos fazerem exames psicotécnicos.nNo fim dos testes, o capitão e o sargento regressaram a Bissau, e passados alguns dias, soubemos os resultados.

    Dos sessenta e tal recrutas tínhamos sido aprovados vinte e cinco. Recebemos as guias de marcha com destino a Bissau, para frequentar a escola de condução. Foi uma viagem agradável, chegámos à tarde e apresentámo-nos no CICA [2] / BAC.


    Em Bissau, no CICA / BAC, em março de 1962, 
    para tirar a especialidade de condutor auto rodas


    Os acontecimentos passavam a correr. Ainda há pouco tempo andava pelo Senegal com o meu primo e agora, um ano depois, já tinha feito a recruta e preparava-me para tirar a especialidade de condutor auto. A instrução na escola de condução iniciou-se no dia seguinte.

    Depois de iniciarmos, em março de 1962, as aulas de código e de condução, chegou a altura dos exames, que duraram dois meses, agosto e setembro.

    No primeiro exame, a 20 de agosto, éramos três, eu e mais um fomos aprovados, o outro ficou inapto. Durante este período fomos prestando serviços de guarda ao Palácio, polícia, faxinas, reforços e capinagens.

    Estes trabalhos não eram de carácter definitivo, mas estávamos a ver o tempo passar, sempre a fazermos estes serviços, enquanto os colegas da BAC, também da mesma escola, já estavam a exercer as funções de condutores.

    Porque estes serviços se estavam a prolongar e não víamos forma de exercermos a nossa função, em princípios de novembro de 1962, falei com os meus colegas que estavam nesse dia de faxina ao refeitório, e combinámos falar com o capitão Simões, da 4ª repartição do Quartel General. Abordámo-lo e coloquei-lhe o assunto:

    – Meu capitão, nós somos condutores da 1º incorporação de 1962. Já fizemos exames em agosto e setembro. Estamos em princípios de novembro e só estamos a fazer serviços de guarda ao palácio, guarda à porta de armas, reforços, faxinas e capinagens. Viemos pedir ao meu capitão para nos colocar nas respectivas companhias.

    – Já acabaram a instrução e já fizeram exame?

    – Acabámos os exames em 20 de Setembro – respondi..

    Na nossa frente, o capitão telefonou para o CICA., a fim de falar com o capitão Bispo, comandante deste destacamento, que na altura, não se encontrava no gabinete, mas já que estava a ligação feita, falou com o 1º sargento Cruz, a quem perguntou:

    – Os homens da 1ª incorporação ainda não fizeram os exames?

    – Não, meu capitão, ainda não, respondeu o sargento.

    – Mas estão aqui a dizer que já acabaram os exames!

    O 1º sargento disse que ia procurar saber o que se passava e, momentos depois, connosco ainda no gabinete, voltou a ligar.

    – Meu capitão, só falta fazerem a adaptação a viaturas pesadas.

    – Bom, podem retirar-se, que eu amanhã vou mandar viaturas para o CICA para se adaptarem.

    Retirámo-nos mais satisfeitos.

    No dia seguinte, a promessa estava cumprida, foram recebidas três viaturas pesadas, para nos adaptarmos durante uma semana, e no fim estacionámo-las no parque, depois de lavadas e arranjadas.

    Os serviços é que continuaram, não tinha havido nenhuma alteração, tudo continuou na mesma até aos princípios de dezembro.



    Lisboa > Museu Militar > 15/4/2010 >
    Amadu Bailo Djalo, feliz,
     no lançamento do seu livro.
    Foto: Luís Graça (2010)
     
    Preto é como tartaruga (ou o primário rascismo do comandante da CART 240)


    Quando estávamos no CICA/BAC, como adidos, com o exame já feito e à espera de colocação, aconteceu um episódio que nunca mais esqueci.

    Nessa altura, estávamos a fazer serviços, sem direito a folgas: sentinela à porta de armas, guarda ao Palácio do Governador-Geral, reforços, faxinas ao refeitório, plantão à caserna. Em cada semana alinhávamos quatros dias e folgávamos três. Mas, nestes dias de folga chamavam-nos para fazer capinagens. Este serviço não tinha escala, quando acabavam de fazer a chamada para os outros serviços, os que não tinham sido chamados iam para a capinagem.

    Num dia em que fiquei de folga, o 1º sargento ordenou-nos que fossemos atrás dele. Dirigimo-nos para a arrecadação, levantámos as catanas e, então o 1º sargento deu ordem para irmos capinar á volta da messe de oficiais de Santa Luzia. Mas que, antes de irmos capinar, devíamos ir ter com um capitão da CART 240, que queria falar connosco. 
     [3]

    Fomos levados pelo 1º sargento ao gabinete do capitão. Quando a porta do gabinete se abriu, o capitão perguntou se algum de nós percebia português. Alguém apontou para mim e eu passei para a frente dos meus colegas com a função de traduzir as palavras do capitão. Não fui com muita vontade, mas não me podia esquivar. O capitão disse-me para ouvir bem para depois transmitir tudo aos nossos colegas que não entendessem.

    – Vocês vão capinar para a messe de oficiais. Mas é para capinar, não é para brincar, ouviram? Vou passar de jipe várias vezes no local. Se vir algum de vocês de pé, leva um castigo a sério, ouviram bem?

    E continuou:

    Eu vim de Angola e sei muito bem o que é o preto! Vocês sabem o que é o preto?

    Com todos calados, o capitão continuou:

    – O preto é como a tartaruga. Só quando lhe chegamos fogo ao cu, é que tira a cabeça! Ouviram bem? Perceberam tudo?

    – Sim, senhor, meu capitão..

    Despachou-nos e saímos logo a correr para o local indicado, sem ser preciso traduzir a conversa. Todos tinham percebido, ninguém abriu a boca até perto da messe. Só quando lá chegámos, um colega disse:

    – Este capitão é mesmo mau! 

    Depois desta frase do colega, cada um de nós deu um nome diferente ao capitão. Pela minha parte, ele era um diabo, não era um ser humano. Um homem com tanta cultura, oficial do Exército Português, não deveria tratar deste modo os subordinados.

    A gente não levou esta história muito a mal. Era apenas um capitão com menos competência, com uma consciência fraca. Conhecíamos outros oficiais e sargentos, falávamos todos os dias com militares europeus, e nunca ouvi nenhum a utilizar esta linguagem para uma pessoa com cor de pele diferente.


    Tropa é tropa, e tu  vais para Bedanda  


    Há um mês e tal que tínhamos feito a adaptação às viaturas pesadas, ainda estacionadas no parque, e nós continuávamos no serviços de guarda ao Palácio, a fazer faxinas, capinagens, reforços e nunca mais víamos a nossa situação definida. Num dia em que estava de faxina ao refeitório, decidimos voltar ao capitão Simões e fomos à 4ª repartição.

    – Meu capitão, desculpe, voltar a incomodá-lo novamente, mas a nossa situação está na mesma, continuámos a fazer guardas, reforços, faxinas e capinagens, condução é que não.

    – Já acabaram a adaptação?

    – Há um mês e tal que terminou, meu capitão!

    O capitão voltou a pegar no telefone e ligou para o CICA, para falar com o agora major Bispo, mas não o encontrou no gabinete. Falou com o 1º sargento Cruz a quem perguntou:

    – Os condutores ainda não acabaram a adaptação?

    – Não, meu capitão, ainda não acabaram!

    – Mas, como é isso? Estão aqui à minha frente cinco soldados e – interrompendo, virou-se para mim – que números são os vossos?

    - Somos o 25[1]/A, 13/A, 11/A, 15/A e 18/A.

    Tomados os números de cada um de nós, o capitão retomou a conversa com o 1º sargento, e deu-lhe os nossos números.

    – Meu capitão, vou já contactar com os instrutores – respondeu o sargento.

    Ficamos a aguardar no gabinete. O 1º sargento, momentos depois ligou para o capitão.

    – É verdade, meu capitão, esses soldados já acabaram a instrução.

    – Bom, então, mande-me o relatório com os nomes e respectivos números para eu os colocar – respondeu o capitão.

    – Podem ir embora e, muito brevemente, vocês vão ser colocados nas respectivas companhias.

    Ficámos com receio de alguma reacção contra nós, pelo facto de termos voltado a contactar o capitão Simões e lembrei-me de dizer aos colegas que, ao sairmos do QG, o fizéssemos a correr para o refeitório, para não sermos identificados por alguém que estivesse à porta a espiar-nos. O que veio a acontecer. Quando cheguei ao refeitório, logo à primeira ordem de chamada ouvi:

    – Amadu, o nosso 1º sargento Cruz mandou-te chamar!

    – Não posso sair, estou a trabalhar respondi.

    Estávamos atrasados no serviço. Veio outro soldado a quem dei a mesma resposta, que estava a trabalhar, que não podia sair daqui, ainda não tínhamos posto as mesas, que estávamos a lavar mais de duzentos pratos, centenas de colheres, facas, garfos, copos.

    Quando estávamos a pôr as mesas voltou outro soldado, para eu ir falar ao 1º sargento.

    – É pá, estou a trabalhar, não posso sair daqui agora, ainda nem acabamos de pôr as mesas!

    – Amadu, o nosso 1º sargento está ali à porta, à tua espera – replicou.

    Olhei, os olhares encontraram-se e vi o 1º sargento fazer-me sinal. Não tive outro remédio, dirigi-me ao seu encontro.

    – Vocês é que foram ao capitão Simões?

    – Sim, meu 1º..

    – Aonde é que queres ser colocado?

    – Em qualquer lado, meu 1º!

    – Parece que terás pedido colocação em Bafatá ou Gabu, ou não?

    – Não é bem assim. O tenente Carrasquinha é que tinha pedido para eu ser lá colocado, mas para mim tanto faz.

    – Entendi – replicou o 1º sargento, e  despediu-se.

    Voltei para o refeitório, praticamente com a certeza de que não iria ser colocado em Gabu. O tenente Carrasquinha tinha escrito uma carta, de que eu próprio fui portador, ao tenente António Silva, seu cunhado, em que pedia que me arranjasse colocação no Gabu.

    Dez dias depois, salvo erro, estava de plantão na guarita sul, pelas 15h00, quando chegou junto de mim, um soldado que me disse que me vinha substituir. A hora a que eu terminava o serviço era às 18, e a razão de me vir substituir era que ia haver a concentração de todos os adidos na parada da guarda, frente ao gabinete do 2º comandante da BAC.

    Aí, o tenente Trindade comunicou-nos as novas colocações. Eu, como os outros nove condutores, fui colocado na 4ª Companhia de Caçadores, em Bedanda, no sul. Uma surpresa que não foi muito grande para mim.

    Terminada a leitura do comunicado, feitas as colocações nas respectivas companhias e dada ordem para dispersar, dirigi-me ao QG para saber das razões de ter sido colocado em Bedanda, quando havia um pedido para eu ser colocado no Gabu-

    – Amadu, onde vais ? – interrompeu-me, o 1º sargento Cruz.

    Que me queria despedir dos colegas, foi a minha resposta.

    – Não vais – interferiu o tenente Trindade.

    – Porquê?

    – Porque não vais! E para aqui, imediatamente – salientando bem com um gesto.

    Obedeci e calei-me. Entretanto, o tenente foi-se aproximando de mim. Fiquei tão atarantado que até me esqueci de me pôr em sentido. Deu-me um soco, com força, na barriga, que me obrigou a dobrar. Um alferes, de nome Garcia, que estava ali, quando eu me estava a dirigir para a caserna, chamou-me e aconselhou-me a ir para Bedanda e, dois ou três meses depois, que requeresse a transferência para onde quisesse. E que não ligasse ao que aconteceu. Mas eu estava incomodado, fui-me sentar na parada, junto às árvores, num canto.

    Ao longe vi o tnente Trindade dirigir-se a mim. Quando se aproximou levantei-me e pus-me em sentido. Então ele perguntou-me:

    – Então já sabes para onde vais?

    – Sim, meu tenente!

    – Para onde?

    – Para Bedanda, meu tenente!

    – Pois, é tropa!

    ______

    Notas do autor ou do editor ("copydesk")_

    [1] Na recruta foi-me atribuído o nº 251. 25/A, i.e. 25 de Adidos.

    [2] CICA (Centro de Instrução de Condução Auto). BAC (Bateria Artilharia de Campanha). 

    [3] A CART 240 (Bissau, jul 61 / out 63) teve dois comandantes, o cap art Manuel Fernando Ribeiro da Silva (1932-2021) e o cap mil inf António Gomes de Oliveira e Sousa. O primeiro  fez três comissões de serviço no ultramar, a primeira na Guiné e as duas a seguir em Moçambique  (1966/68 e 1969/71). O Amadu Djaló pode estar, involuntariamemte, a cometer alguma injustiça ao referir-se ao "capitão da CART 240", sem mencionar o seu nome... 

    Esta subunidade foi mobilizada pelo GACA 2. Mas havi autra companhia de artilharia, a CART 250: mobilizada pelo RAP2, esteve na Guiné, sempre em Bissau, entre agosto de 1961 e novembro de 1963. Teve 3 comandantes: cap art José Maria Eusébio Alves; cap inf Manuel Viegas de Sousa Lopes; e  cap mil art António Francisco do Vale... (Não sabemos se algum deles era de Angola, ou estivera antes em Angola.)

    Em 1962, não há nemhuma CART a chegar à Guiné. E são apenas quatro as unidades e subunidades: BCAÇ 356 (Bissau, Cufar, Catió, jan 1962/jan 1964); EREC 385 (Bafatá, jul 1962 / juk 1964)... e duas companhais de infantaria: a  CCAÇ 273 (mobilizada pelo BII 17, tendo estado em Bissau, Catió, Cacine e Cabedé)  e a CCAÇ 274 (mobilizada pelo BII 18, esteve em Bissau e Fulacunda)...Comandantes: cap inf Jerónimo Roseiro Botelho Gaspar e cap inf Adérito Augusto Figueira, respetivamente.  (Nota de LG).

    [Seleção / revisão / fixação de texto / subtítulos / negritos, para efeitos de edição deste poste: LG. ]

    _____________

    Notas do editor:

    (*) Vd. poste de 22 de setemebro de 2022 > Guiné 61/74 - P23638: Recordando o Amadu Bailo Djaló (Bafatá, 1940 - Lisboa, 2015), um luso-guineense com duas pátrias amadas, um valoroso combatente, um homem sábio, um bom muçulmano - Parte I: Não fomos todos criminosos de guerra: Deus e a História nos julgarão

    Vd. também postes de:

    19 de setemebro de 2022 > Guiné 61/74 - P23627: (In)citações (220): Homenageando os bravos do Batalhão de Comandos da Guiné (Raul Folques, em 15/4/2010, na sessão de lançamento do livro do Amadu Djaló, "Comando, Guineense, Português")

    18 de setembro de 2022 > Guné 61/74 - P23625: Guidaje, Guileje, Gadamael, maio/junho de 1973: foi há meio século... Alguém ainda se lembra? (12): A Op Ametista Real: o batalhão de comandos em Cumbamori, no Senegal, 19 de maio de 1973 (Amadu Bailo Djaló, alf graduado 'comando', 1940-2015)

    14 de setembro de 2022 > Guiné 61/74 - P23615: Bedanda, região de Tombali, no início da guerra - Parte I: Testemunho de Amadu Djaló (1940-2015), relativo ao período de dezembro de 1962 a junho de 1963

    terça-feira, 4 de outubro de 2022

    Guiné 61/74 - P23670: Agenda Cultural (814): Convite para a apresentação do livro de poesia "Palavras que o Vento (E)leva", de José Teixeira, a levar a efeito no próximo dia 12 de Novembro de 2022, pelas 16h30, no Centro Cultural de Leça do Balio, Rua do Mosteiro, 4465-703 - Leça do Balio



    SINOPSE

    O poeta é sobretudo um artesão, do tempo, do silêncio e da(s) palavra(s), matéria(s)-prima(s) com que recria, molda, reinventa, constrói a realidade: "Preciso tanto das palavras do silêncio / Como do eco que ele imprime"… Para o poeta a realidade não existe, a não ser reconstruída e renomeada. A poesia alimenta-se do silêncio, da dor, do sofrimento, da angústia, mas também da coragem e da fé. O silêncio é um continuum da palavra, ou a palavra é um continuum do silêncio, mas também da reflexão, da ação, da mudança e da liberdade. "A palavra é a sombra da ação / E também revolução".


    DETALHES DO PRODUTO

    "Palavras que o vento (e)leva"
    Autor: José Teixeira
    ISBN: 9789893740026
    Ano de edição: 07-2022
    Editor: Poesia Impossível
    Dimensões: 138 x 219 x 11 mm
    Encadernação: Capa mole
    Páginas: 140
    Preço: 12,00€


    ********************

    OBS: - O livro pode ser, desde já, pedido directamente ao autor José Teixeira (jteixei@msn.com) que o enviará pelo correio.

    ____________

    Nota do editor

    Último poste da série de 4 de Outubro de 2022 > Guiné 61/74 - P23668: Agenda Cultural (813): Convite para a apresentação do livro "Rua do Eclipse", de Mário Beja Santos, a levar a efeito no próximo dia 13 de Outubro de 2022, pelas 17h00, no Salão Nobre do Palácio da Independência, Largo São Luís, 11, em Lisboa

    Guiné 61/74 - P23669: Pedaços de um tempo (António Eduardo Ferreira, ex-1.º Cabo Condutor Auto Rodas da CART 3493) (17): Uma emboscada junto ao cais do rio Cumbijã

    1. Mensagem do nosso camarada António Eduardo Ferreira (ex-1.º Cabo Condutor Auto Rodas da CART 3493/BART 3873, Mansambo, Fá Mandinga, Bissau, 1972/74) com data de 21 de Julho de 2021:

    Amigo Carlos

    Tinha pensado não voltar a falar de Cobumba, mas hoje, talvez por me lembrar de um funeral que lá aconteceu, levou-me a voltar a falar daquele sítio. Embora gostasse de esquecer, mas por tudo aquilo que nós lá vivemos não me é possível.


    Certo dia um grupo de elementos da nossa companhia foi a Cufar, como acontecia algumas vezes, tendo usado o nosso sintex. Nesse dia eu estava de serviço de condutor, ao fim da tarde fui com a viatura e mais três ou quatro camaradas para o cais, junto ao rio Cumbijã, onde estivemos durante algum tempo à espera que eles chegassem para os trazer de volta ao destacamento.

    Enquanto esperávamos, os Fiat iam bombardeando não muito longe de nós. Naquele tempo, ao contrário do que acontecia antes dos strela por lá terem chegado, altura a que eles faziam os bombardeamentos era bastante mais afastada do solo o que nos permitia vê-los. Durante o tempo que lá estivemos à espera, a conversa não parou, durante a qual alguém afirmou que a Maria Turra tinha dito que breve nos iam atacar. Era coisa tão normal ela dizer que nós não demos importância, dizia muitas coisas que não eram verdade. “Quando em Mansambo fomos atacados, a primeira e única vez enquanto lá estivemos, no outro dia ela apareceu na rádio a dizer que nos tinham feito grandes estragos, entre os quais a destruição de um abrigo, o que era mentira, dentro do destacamento, nesse dia, apenas caíram duas granadas.”
    Entretanto os Fiat terminaram o seu trabalho e foram embora. Passados poucos minutos de terem partido começamos a ouvir alguns rebentamentos, e a nossa primeira reação foi pensar que eles tivessem voltado, pensamento que durou apenas breves instantes, rapidamente nos apercebemos que afinal éramos nós que estávamos a ser atacados. Ataque continuado e diversificado no armamento por eles utilizado, tendo sido o que demorou mais tempo dos vários com que fomos flagelados enquanto por lá permanecemos. A sorte naquele dia esteve do nosso lado, mas o susto motivado pela impotência com que nós fomos confrontados junto ao rio, foi terrível, nada podíamos fazer. Com uma das armas utilizada, o morteiro 82, eles conseguiram colocar uma granada de cada lado da picada com uma distância de cerca de quarenta ou cinquenta metros, uma da outra, desde o início das primeiras tabancas até a poucas dezenas de metros do local onde nós nos encontrávamos, que era a uma distância de cerca de quinhentos metros. Restava-nos ir para dentro do rio, naquela altura com a maré muito baixa. Foi o que fizemos, recordo-me de com as mãos tirar o lodo para os lados e me ter deitado nesse espaço, um disparate mas naquele momento tudo nos ocorria ao pensamento.

    O armamento por eles utilizado estava distribuído por quatro locais: os RPG 7, um do lado de Pericuto, outro do lado oposto, início da mata de Cablolo; o canhão s/r deles, era daqueles que quando se ouvia a saída, a granada já estava a cair; o morteiro 82, dada a precisão com que eles colocaram as granadas junto à picada, só podia estar na direção da mesma, penso eu. Porque a sorte esteve do nosso lado, apenas tivemos um ferido leve, o apontador de um dos nossos canhões sem recúo, o que fez com que ele tivesse feito apenas um disparo.

    Passados largos minutos passamos a contar com a ajuda dos obuses de Catió. Se os camaradas que tinham ido a Cufar, têm chegado alguns minutos antes, tudo nos podia ter acontecido, dado o trajeto que nós tínhamos de fazer para regressar ao destacamento, atendendo à precisão com que eles colocaram as granadas junto à picada.

    Entre a população houve uma vítima mortal, uma senhora. No outro dia efetuaram o seu funeral, tendo sido enterrada junto à tabanca onde morava. Nesse dia apareceram por ali algumas pessoas vindas de outros locais. Ao fim do dia havia alguns com pedaços daquilo que nos parecia ser carne de porco, não chamuscado, gostava de saber se seria alguma tradição Havrá alguém que saiba?

    António Eduardo Ferreira

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    Nota do editor

    Último poste da série de 22 DE JULHO DE 2021 > Guiné 61/74 - P22395: Pedaços de um tempo (António Eduardo Ferreira, ex-1.º Cabo Condutor Auto Rodas da CART 3493) (16): A caminho de Mansambo com o pensamento na Nazaré

    Guiné 61/74 - P23668: Agenda Cultural (813): Convite para a apresentação do livro "Rua do Eclipse", de Mário Beja Santos, a levar a efeito no próximo dia 13 de Outubro de 2022, pelas 17h00, no Salão Nobre do Palácio da Independência, Largo São Luís, 11, em Lisboa




    A todos aqueles que puderem dar-me companhia nesse dia e àquela hora:

    Estava previsto este lançamento para 15 de setembro, por razões muito ponderosas a que não me devo furtar, houve que alterar a data, tive a compreensão da Comissão Portuguesa de História Militar, a data foi alterada para 13 de outubro, pelas 17 horas. Terei uma satisfação enorme em falar-vos desta paixão luso-belga onde se irá imiscuir, por indiscutíveis razões do coração e dos rotores da memória, acontecimentos de uma guerra que ocorreu nalguns lugarejos da então província da Guiné, e só uma imaginação descabelada é que pode encontrar pilares de consistência entre uma guerrilha e contra-guerrilha que as novas gerações praticamente ignoram e o encontro de dois cinquentões que se entregam à mais arrebatada epistolografia. Se esta temática de algum modo vos acicata a curiosidade e a minha companhia não seja de desmerecer, prometo não defraudar-vos sobre esta história que começou num breve encontro, corria o ano 1999.

    Com a muita cordialidade,
    Mário para muitos (ou Mário Beja Santos para todos)

    ********************

    Em Bruxelas, um breve encontro entre cinquentões, temos paixão e guerra na Guiné

    Apresentamo-nos, há aperto de mão, ela chama-se, percebi bem, Annette Cantinaux. E desabridamente pergunto-lhe se podemos almoçar juntos, ocorreu-me, imagine-se, a ideia de um romance, trata-se e alguém que combateu na guerra da Guiné, que ama uma belga, os dois não podem por enquanto, por razões profissionais, viver juntos, telefonam e escrevem muito, ele procura todas as oportunidades para regressar a Bruxelas, para estar junto da mulher amada, ela é intérprete profissional, vive em Bruxelas, na Rua do Eclipse.
    Annette Cantinaux, vejo-lhe bem na face, está arrelampada com o pedido que lhe faço, mas acede, iremos almoçar juntos e falar-lhe-ei do que me está a passar pela cabeça, este estranhíssimo rompante de alguém que tem tanto que fazer e que recua 30 anos, até ao tropel de uma guerra. Pasmo-me com a resposta dela: “Parece que me reservou um papel que me assenta bem, na vida real, sou uma mulher divorciada, com filhos a singrar na vida, até me posso de dar ao luxo de me embeiçar por um português, vamos vivendo juntos à experiência e no entretanto damos um ao outro elementos para o seu romance”.
    Assim começa uma espiral de palavras cruzadas, de encontros em Bruxelas e em Lisboa, ela às vezes sente-se uma anti-Penélope, vai coligindo e montando uma trama à volta de uma estranhíssima história que tem a ver com uma guerra de guerrilhas que ela totalmente desconhecia, junta as peças, telefonam-se, ele envia-lhe montanhas de correio, até o correio eletrónico é fervente, e ela dirá, sempre radiante que aquele título de romance, Rua do Eclipse, que começou num inesperado encontro, é o galvanizador das suas vidas, como aconteceu.


    Mário Beja Santos

    ********************
    DETALHES DO PRODUTO

    Rua do Eclipse
    de Mário Beja Santos
    ISBN 9789897557743
    Edição/Reimpressão 07-2022
    Editor: Edições Humus
    Dimensões: 143 x 210 x 26 mm
    Páginas: 416

    ____________

    Nota do editor

    Último poste da série de 30 DE SETEMBRO DE 2022 > Guiné 61/74 - P23657: Agenda Cultural (812): "CONTOS DO SER E NÃO SER", livro da autoria de Adão Cruz (ex-Alf Mil Médico da CCAÇ 1547/BCAÇ 1887), posto ontem, dia 29 de Setembro, à venda

    Guiné 61/74 - P23667: Facebook...ando (68): Fernando Serrano, ex-fur mil enf, CCAÇ 2637 (Teixeira Pinto, 1969/71), professor do ensino básico reformado e poeta de grande sensibilidade e talento


     N/M Uíge >  Algures no ocenao Atlântico a caminho do CTIG > 25 de outubro de 1969 > Missa a bordo... Entre as companhais que seguiam no T/T Uíge estava a CCAÇ 2637 (Teixeira Pinto, 1969/71), mobilizada pelo BII 18, Ponta Delgada... Desembarque em Bissau em 28/10/1969. A foto foi publicada na página do Facebook da Tabanca Grande,em  18 de setembro de 2022,  às 21:48 pelo Fernando Serrano,  ex-fur mil enf da CCAÇ 2637, natural de Penamacor, professor do ensino básico, reformado, e candidato a membro da nossa Tabanca Grande. Reside desde 1972 em Linda-A-Velha onde deu aulas, juntamente com a esposa. (*)


    Guiné > Região de Cacheu > Teixeira Pinto > CCAÇ 2637 (1969/71) > Escreveu o Fernnando Serrano, evocando os fabulosos  fins-de-tarde naquela terra verde-rubra: "Quando, ao cair da tarde /A leve aragem vinha brincar com as folhas das palmeiras,/ Ganhava outro sentido a palavra "Saudade"... Publicado na Tabanca Grande, sexta-feira, dia 30 de setembro de 2022, 22h23


    Algés > 19 de maio  de 2022 > Mangífica Tabanca da Linha > 48º Convívio > O Fernando Serrano, novo membro da Magnífica Tabanca da Linha. É natural de Penamacor. Mora em Linda-A-Velha, freguesia de Algés, Linda-a-Velha e Cruz Quebrada-Dafundo Foto de Manuel Resende.

    Foto (e legenda): © Manuel Resende (2022). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


    O poeta e a sua musa, Fernando e Cacilda > "No dia do nosso 51º aniversário... de vida a dois". Página do Facebook de Fernando Serrano, domingo, 18 de setembro de 2022, 21h48.

    Palavras

    Se te disser mil palavras em poema,
    Ou se te escrever duas mil em prosa,
    Nelas lerás:"Leve fragância de alfazema"
    Ou "um duro espinho e linda rosa."

    Também "Tu és a mulher que Deus me deu.
    E  "Tu és a minha terra prometida…"
    "Tudo o que é meu é também teu.
    E ainda  "Tua é toda a minha vida."

    "Na guerra foste a companheira leal,
    Que em cada dia quis estar comigo.
    No meio do mais violento vendaval

    Sempre em ti a minha nau achou abrigo."
    Se só mil palavras te disser ou escrever,
    Mil outras ficarão, decerto, por dizer.


    1. No passado dia 22 de setembro, no decurso do  49º almoço-convívio da Magnífica Tabanca da Linha, em Algés, conheci o Fernao Serrano, "periquito" nesta tertúlia... Fiquei, na mesa, ao seu lado.  E desde logo o convidei para integrar a Tabanca Grande, o que ele aceitou. Temos trocado galhardetes. Ele ficou de me mandar as duas fotos da praxe e duas linhas de apresentação. 

    Fiquei a saber que era professor do ensino básico, tal como a esposa, e que era natural de Penamacor, conterrâneo, amigo, colega e camarada do Libério Lopes (ex-2º srgt mil, CCAÇ 526, Bambadinca e Xime, 1963/65). 

    Falámos também da sua terra, e do seu ilustre conterrâneo, o maior médico português do séc. XVIII, António Nunes Ribeiro Sanches (Penamacor, 1699 - Paris, 1783), cujas obras (as principais, em edição moderna da Universidade da Beira Interior, em formato pdf), lhe fiquei de mandar uma cópia em próxima oportunidade.

    O Fernando reside desde 1972 no concelho de Oeiras onde deu aulas juntamente com a esposa. Foi furriel mil enfermeiro da "açoriana" CCAÇ 2637 (Teixeira Pinto, 1969/71), mobilixada peloa BII 19, POnta Delegada, e de que não temos  nenhum representante na Tabanca Granden(*)

    O Fernando Almeida Serrano conhece e aprecia o nosso blogue, tendo manifestado a vontade em juntar-se aos 864 membros da Tabanca Grande. É membro da Tabanca da Linha, desde maio de 2022.

    Tem uma página na Net "Guiné-Recordações" que também já nos acolheu:  trata-se de uma página no Facebook, de um grupo privado, com 5 mil membros. Foi criado há 2 anos.. Tem também a sua página pessoal no Facebook
     (**)

    Fomos dar um vista de olhos à algumas das coisas que tem posto na nossa página do Facebook e na sua págima pessoal. Vejo que é um poeta de grande talento e sensibilidade, como se comprova pelo primoroso soneto (um "hendecassílabo", soneto de 11 sílabas métricas).

    Parabéns. E daqui vai , para ti, Fernando, um alfabravo fraterno. Luís

    segunda-feira, 3 de outubro de 2022

    Guiné 61/74 - P23666: Os nossos seres, saberes e lazeres (529): Trabalhos de pintura da autoria de Jaime Machado, ex-Alf Mil Cav, CMDT do Pel Rec Daimler 2046 (3)



    1. Publicamos hoje mais cinco trabalhos de pintura de autoria do nosso camarada Jaime Machado, ex-Alf Mil Cav, CMDT do Pel Rec Daimler 2046 (Bambadinca, 1968/70), enviados ao nosso blogue em 2 de Setembro de 2022,  que estamos a mostrar na série "Os nossos seres, saberes e lazeres".
    Muçulmano - Acrílico sobre papel 30x42
    Árvore - Acrílico sobre tela (espátula) 40x50
    Floresta - Acrílico sobre tela (espátula) 40x50
    Flores - Acrílico sobre tela (espátula) 40x50
    Abstrato - Acrílico sobre papel 30x42
    ____________

    Nota do editor

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    Último poste da série de 1 DE OUTUBRO DE 2022 > Guiné 61/74 - P23659: Os nossos seres, saberes e lazeres (528): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (70): Voltar à minha querida Bruxelas, depois da pandemia - 8 (Mário Beja Santos)