segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Guiné 63/74 - P16551: Inquérito 'on line' (69): ... Os filhos dos ricos e dos poderosos de então andaram comigo na escola (39%), mas não na tropa (45%) e menos ainda na guerra (52%)... Resultados preliminares (n=73)... Prazo de resposta até 5 de outubro, 4ª feira, às 19h44

1. INQUÉRITO DE OPINIÃO:~




 "OS FILHOS DOS RICOS E PODEROSOS DE ENTÃO ANDARAM COMIGO"...


Resultados provisórios, com base em 73 respostas:


4. Sim, andaram comigo 
na escola  > 29 (39%)

2. Não, não andaram comigo 
na tropa  > 33 (45%)


3. Não, não andaram comigo 

na guerra  > 38 (52%)


1. Não, não andaram comigo na escola  > 26 (35%)

5. Sim, andaram comigo na tropa  > 21 (28%)

6. Sim, andaram comigo na guerra  > 12 (16%)

7. Não sei / não me lembro  > 8 (10%)

Resposta múltipla. Votos apurados: 73

Dias que restam para votar: 2 (Termina em 5/10/2016, 4ª feira, às 19h44)

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9 comentários:

Henrique Cerqueira disse...

De principio não achei lá muito interesse neste tema.No entanto e por força das visualizações do poste acabei por me lembrar de um caso relacionado que se passou no ano de 1971 em Tavira.
Então era o seguinte:Quando estava-mos no curso de sargentos em Tavira no 3º turno de 1971 e como quem lá passou se lembrará que era mais que frequente os instruendos serem prachados com várias idas ás salinas para fazerem exercícios de ordem unida e outros , para belo prazer dos instrutores.Sim, porque de instrução não se tratava.
Mas o maior prazer dos instrutores era gozarem com o pessoal nas formaturas de almoço pois que eram tantas as idas ás salinas que não havia fardamento que chegasse para estarmos em ordem nessas formaturas e daí era constante os castigos por falta de atavio.
É então que determinado dia um dos nossos camaradas de instrução que por sinal se dizia ser filho de gente rica e que o seu pai era o dono da Tabaqueira , resolveu ir para a formatura de almoço completamente cheio de lama mal cheirosa ao ponto de mais parecer uma estátua de barro.
Não sei se era por ser rico ou não o que é certo é que nesse dia a malta teve direito a mais um tempinho para se limpar.
Lembro-me perfeitamente que esse camarada do qual não me lembro do seu nome era muito irreverente já para a época, inclusivamente vivia em Tavira com sua mulher e filho e esta era de igual modo irreverente ao ponto de tanto o nosso camarada (filho de rico) como a mulher raparem o cabelo e assim ele já evitava as carecadas e ela por sua vês se solidarizava com o marido criando ao mesmo tempo um certo estilo de revoltosos com o sistema,o que para a época era já preciso ter muita coragem.
Na altura eu admirei este casal e em especial o nosso camarada que devia ser mesmo filho de pai rico,mas isso só nos trouxe vantagem.
Espero que este camarada esteja bem e que se ainda for rico tanto melhor para ele e que saiba que foi bom estar com ele na tropa em Tavira.
Esta estória vale o que vale assim como o tema em questão.
Um abraço a todos.
Henrique Cerqueira

Tabanca Grande disse...

Henrique, bom dia!... Afinal são histórias como esta que acabas de contar, que justificam o o aparecimento de temas, objeto do inquérito que está a decorrer atéd 4ª feira... Não há estudos sérios, académicos, sobre esta matéria, de modo a podermos responder à pergunta (legítima): os mancebos portugueses da nossa geração eram todos iguais face à obrigação de cumprir o serviço militar e, em caso de guerra, defender a Pátria ?

Tens boa memória em relação à tua passagem em Tavira. Tu és do 3º turno de 1971, eu passei por lá no 4º trimestre de 1968... Mas as praxes eram as mesmas e havia alguns instrutores que usavam e abusavam do seu poder... Era natural que houvesse irreverência, resistência e até contestação (, dentro dos limites do RDM...) em relação a algumas práticas mais violentas...

Simplesmente não é irreverente, contestatário e resistente ativo só quem quer, mas também quem quer e pode... A liberdade tem um preço e os portugueses sabem disso, ao longo dos séculos e dos diversos regimes políticos. Alguns pagaram um preço bem alto pelo exercício da liberdade: prisão, tortura, morte, exílio, etc. Não vale a pena exemplificar....

Há vezes os exemplos vêm de dentro, da própria elite dirigente, dos seus filhos... Enfim, era interessante saber o resto da história: o alegado filho do dono da Tabaqueira cumpriu o resto da tropa, foi ou não mobilizado, e se sim para onde, para que serviço, etc.

Obrigado pelo contributo. Pode ser que alguém mais se lembre deste caso... Abraço. LG

Antº Rosinha disse...

Este rico de Henrique Cerqueira era um velho-rico, impunha-se pela classe porque se fosse novo-rico tinha mais dificuldade para se impor.

Os velhos ricos mesmo falidos, faziam-se respeitar com o seu cheirinho a "berço", mesmo dormindo em qualquer enxerga.













Tabanca Grande disse...


Quem era o dono da Tabaqueira em 1971 ? A CUF... E a CUF de quem era ? Dos ricos e poderosos Melo... Não estou a ver um dos filhos dos Melo no CISMI, em Tavira, em 1971... A CUF era só... o maior grupo económico português.

Aqui vai o "historial da Tabaqueira", de acordo com os seus donos atuais, a poderosíssima multinacional Philip Morris International:


http://www.pmi.com/pt_pt/about_us/tabaqueira_overview/pages/tabaqueira_history.aspx


(i) A indústria do tabaco em Portugal remonta ao século XVII, tendo "A Tabaqueira" sido fundada em 1927 pelo carismático empresário Alfredo da Silva [, fundador do grupo CUF];

(ii) Em 1927, foi criada a “A Tabaqueira” à qual foi atribuída a concessão da exploração do negócio de tabaco, durante trinta anos e que viria a ser renovada em 1958;

(iii) Em 1962, é inaugurada a fábrica de Albarraque, apetrechada com o mais moderno equipamento;

(iv) Junto da fábrica, ergueu-se um bairro residencial exclusivamente destinado aos empregados, a que se acrescentou um refeitório, um centro de comércio e uma creche; pouco tempo depois, entrava em funcionamento o posto médico, um centro cultural, uma escola e uma capela;

(v) Na década de 60, "A Tabaqueira" já detinha 60 por cento do mercado do tabaco e 70 por cento do mercado de cigarros;

(vi) Em 1975, a 13 de Maio, a Tabaqueira e a INTAR foram nacionalizadas.

(vii) A empresa pública Tabaqueira - Empresa Industrial de Tabacos, E.P., criada a 30 de Junho de 1976, resultou da integração numa única empresa da "A TABAQUEIRA, SARL" e da "INTAR - Empresa Industrial de Tabacos, SARL", que detinham praticamente a totalidade do mercado nacional de cigarros;

(viii) Em 1991, a 21 de Março, a Tabaqueira - Empresa Industrial de Tabacos, EP passa a sociedade anónima, alterando em 2 de Maio de 1999 a sua denominação para TABAQUEIRA, S.A., tendo por objecto o cultivo, a indústria e o comércio de tabacos e produtos afins;

(ix) A 28 de Maio de 1996, são aprovadas por Decreto-Lei as condições prévias para a reprivatização da totalidade do capital social da Tabaqueira, S.A., em três fases, terminando a última das quais em Dezembro de 2000, através de uma Oferta Pública de Venda; terminado o processo de privatização, empresas da Philip Morris International, Inc. detêm mais de 99% do capital social da Tabaqueira;

(x)Em 2001, a Tabaqueira lança o novo logotipo, reflexo de uma nova imagem da Tabaqueira uma empresa moderna, perfeitamente integrada no universo da Philip Morris International, Inc..

Tabanca Grande disse...

Mais uma achega:

(...) "A Tabaqueira foi fundada em 1927 por Alfredo da Silva, acabando desta feita com o Monopólio dos Tabacos em Portugal. Contudo quem esteve sempre á frente deste empreendimento foi o seu sogro D. Manuel de Mello que a soube dinamizar e fazer crescer até se tornar a maior companhia de tabacos do país, passando o Grupo CUF a dominar também este sector". (...)

http://industriacuf.blogspot.pt/2008/03/tabaqueira-cigarros-bons.html

Tabanca Grande disse...

No valioso blogue O grupo CUF - Elementos para a sua história há 21 referências à Tabaqueira:


http://industriacuf.blogspot.pt/search/label/TABAQUEIRA

Relembre-se que uma das muitas empresas do grupo era a nossa conhecida Casa Gouveia... Não se pode fazer a hiostória portuguesa do séc. XX, ignorando ou escamoteando a história da CUF...
LG

Tabanca Grande disse...

Henrique, alémn A Tabaqueira, havia Companhia Portuguesa de Tabacos (,, mais tarde INTAR)...

A Tabaqueira, criada em 1927, era empresa líder do mercado nacional, produzia e vendia marcas nossas conhecidas como Provisórios, Definitivos, Águia, Kentucky, 20 20 20, High-life, Porto, Ritz, Sintra, Monserrate ou Kayak.

A sua concorrentes era a INTAR (sucessora da Companhia Portuguesa de Tabacos), responsável por marcas como Estoril, Kart ou Marialvas. Nacionalizada em 1975, esta empresa foi fundida com a Tabaqueira.

Será que o teu camarada de 1971, no CISMI, Tavira, estaria ligada, por laços familiares, a esta INTAR ?

Henrique Cerqueira disse...

Antes de mais uma rectificação: Eu confundi os turnos e daí o meu turno em Tavira assim como a estória descrita não foi no 3º mas sim no 4º turno de 1971.(é a velhice).
Bom quanto ao facto do meu camarada ser ou não ser filho do dono da Tabaqueira,eu não sei confirmar. O que na verdade era o que corria no meio da malta . Na verdade esse meu camarada "ostentava" meios e comportamentos de pessoa abastada,embora isso não impedia que ele fosse um camarada de tropa e que provavelmente nem tivesse necessidade de se impor perante os camaradas menos "abonados $$$$ " entenda-se...Eu não fazia parte dos seus amigos que privavam com ele,mas a impressão que tinha dele era de admiração pelo seu comportamento, visto que ele tinha a "chancela" de menino rico e filho do tal.
Haviam por lá uns "pardais" armados em ricos e alguns futebolistas mais ao menos reconhecidos e que esses sim davam o seu ar de importantes e como diz o António Rosinha uma de novos ricos.Lá se iam safando isso sim.
Um abraço antes que me espalhe ao comprido que este espaço é de fraternidade e não de más línguas.
Henrique Cerqueira

Tabanca Grande disse...

Henrique, obrigado pelos teus esclarecimentos... Claro que o o nosso blogue é um "espaço de fraternidade e não de más línguas"... Isso não nos impede de falar, de maneira serenae assertiva, sobre temas mais ou menos delicados como este... Nem todos os meninos que andaram connosco na escola (no liceu, nos colégios, na universidade...) foram á tropa, como nós fomos, e nem todos os que foram à tropa, foram à guerra... Havia quem conseguisse livrar-se da tropa e, melhor ainda, da guerra ? Claro que sim... Atenção: há casos de ricos e pobres... que a sociedade portuguesa é clientelar...

Como é que isso se fazia ? Não era só pelo dienheiro... Fazia-se através das mil e uma maneiras que os portugueses de há séculos conhecem...

As histórias, num ou noutro sentido, são bem vindas.. Por razões óbvias, e de acordo com as nossas regras editoriais, não citamos nomes... a menos que sejam casos públicos...