segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Guiné 63/74 - P16552: Notas de leitura (885): Rescaldo de uma ida à Feira da Ladra, 17/9/2016 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 19 de Setembro de 2016:

Queridos amigos,


Foi uma manhã em cheio, já nem falo de tralha avulsa como chávenas ou molduras, encontrei "Mar, Além Mar, Estudos e Ensaios" de Avelino Teixeira da Mota, publicados entre 1944 e 1947 e editados em 1972 pela junta de investigações do Ultramar, inclui trabalhos fundamentais deste grande mestre da historiografia guineense como é o caso da sua incontornável investigação sobre o descobrimento da Guiné.
V
erdadeira surpresa foi a brochura elaborada em 1969 sobre a Guiné alusiva ao Ano Internacional do Turismo Africano e onde se escreve, candidamente, que há excelentes oportunidades para investir na Guiné.
E continuamos a desfilar fotografias de uma determinada unidade militar que por ali andou entre 1959 e 1961, gozando as delícias da paz.

Um abraço do

Mário




Rescaldo de uma ida à Feira da Ladra, 17/9/2016

por Beja Santos


1969 foi o Ano Internacional do Turismo Africano e a Agência Geral do Ultramar produziu uma brochura alusiva, mostrando as atrações turísticas, comunicações, formalidades para a viagem, onde ficar, onde obter informações, não deixando de mencionar que a província tinha boas perspetivas para investimentos. Não resisto a mostrar-vos a praça Honório Barreto e um belo DS a introduzir um toque de vanguardismo; mais adiante temos o bar da Associação Comercial e Industrial de Bissau, projeto arquitetónico que foi muito acarinhado ao tempo e onde o pintor José Escada andou a trabalhar na decoração; e temos uma imagem da Praia das Escadinhas em Bubaque, seguramente estão ali militares e famílias a deliciar-se em águas tépidas.





Mais algumas fotografias referentes a uma unidade militar que andou pela Guiné entre 1959 e 1961. Impressiona a qualidade da fotografia, trata-se, como é óbvio, de imagens pacíficas, não se vislumbra mais do que curiosidade. Felizmente, as imagens têm datas e alguma explicação. Em 16 de Junho de 1960, temos uma gazela na granja, fica a incógnita se se tratará da Granja de Pessubé, onde trabalhou Amílcar Cabral de finais de 1952 a 1954. Nesse mesmo dia temos dois oficiais com poilões imponentes e escreve-se: “A. J. com o alferes Rui Cardoso junto de duas árvores tipo Guiné, perto da carreira de tiro nova”; estamos agora em Cacheu, a 2 de Fevereiro e diz a legenda que se experimenta remar numa canoa indígena junto ao cais fluvial de Cacheu; dias mais tarde, a 26 de Fevereiro, temos soldados brancos a piscarem à cana enquanto das mulheres indígenas passam por ali transportando garrafões de aguardente de cana; alguns dias antes, a 18, o fotógrafo está em Varela e regista um quadro pintado na sala de jantar do restaurante, menciona-se que a sala se encontra num alpendre género esplanada com largas vistas para o mar; e em 11 de Março temos a vista parcial do barco de guerra francês Le Bourguignon, ancorado no Pidjiquiti; e por último temos um jovem tenente a pôr a sua correspondência na caixa do correio. Subsistem dúvidas se este é o fotógrafo, é um jovem oficial que aparece em repetidas outras imagens, de um modo geral neutras e igualmente o jovem oficial guarda um ar tristonho, e veste um camuflado que, em rigor, não devia ter sido usado entre 1959 e 1961, na Guiné. Bom seria que alguém identificasse esta unidade militar, se bem que eu não escuse ir bater à porta do Arquivo Histórico-Militar.







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Nota do editor

Último poste da série de 30 de Setembro de 2016 > Guiné 63/74 - P16540: Notas de leitura (884): “Vozes de Abril na Descolonização”, a organização é de Ana Mouta Faria e Jorge Martins, edição do CEHC – Centro de Estudos de História Contemporânea do Instituto Universitário de Lisboa, 2014 - Testemunho de Carlos de Matos Gomes (2) (Mário Beja Santos)

1 comentário:

Tabanca Grande disse...

Boa colheita, Mário... A feira da Ladra é uma mina... A Luta Felupe é uma pintura de Augusto Trigo, que se encontra /opu encontrava) numa parede de um ex restaurante - café em Varela, julgo que hoje completamente em ruínas. O Augusto Trigo nasceu em 1938, em Bolama, e se não erro foi casapiano... Um notável artista plástico. Vd aqui várias referências a ele,no nosso blogue:

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/search/label/Augusto%20Trigo

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2007/10/guin-6374-p2177-artistas-da-guin.html