sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Guiné 63/74 - P16571: Blogoterapia (281): o nosso blogue, um excecional serviço público ao dispor de todas as gerações, nacionais ou além fronteiras, onde se escreve e faz ciência histórica (Jorge Araújo)



Jorge Araújo, ex-fur mil op esp / ranger, CART 3494 / BART 3873  (Xime e Mansambo, 1972/1974); doutorado pela Universidade de León (Espanha) (2009),  em Ciências da Actividade Física e do Desporto; professor universitário, no ISMAT (Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes),
Portimão, Grupo Lusófona.



1. Mensagem do nosso grã-tabanqueiro Jorge Araújo, com data de 5 de outubro de 2016 às 22:37

Caro Luís,

Boa noite.

Depois da comemoração de uma efeméride com cento e seis anos [, o 5 de outubro de 1910], eis a minha resposta ao teu contacto do final da tarde.

Não tens que agradecer a minha participação [no blogue], pois ela inscreve-se no quadro de partilha e de aprofundamento de conhecimentos, enquanto for possível, neste caso os relacionados com as nossas vivências no conflito da Guiné que, quis o destino, nele estivessemos envolvidos como actores principais... com cenários impregnados de emoções e outras tantas tensões que ainda hoje guardamos no baú das nossas memórias.

A minha persistência, que valorizas no comentário, é um gesto menor quando comparada com a tua, a de manter vivo o espaço plural que dá sentido à existência do nosso blogue, que considero um excepcional serviço público ao dispor de todas as gerações, nacionais ou além fronteiras. onde se escreve e faz ciência histórica.

No entanto, ambas as persistências são um elemento fundante da natureza humana, enquanto processo e projecto de vida, pois são a parte visivel da intencionalidade operante de cada um de nós, ou seja,, parte da intenção à acção., onde acontece superação e transcendência, de que é exemplo paradigmático a actividade física e o desporto (motricidade humana).

Porque um conflito, seja qual for o fundamento da divergência que o justificou, tem, no mínimo, dois poderes com interesses antagónicos, como é o caso em apreço. Assim, o meu propósito foi e continuará a ser o de continuar a dar conta dos factos históricos de cada um dos lados do conflito, transformando-os em factos comuns... pois a verdade é o todo...

Desculpar-me-ás, mas apetece-me citar Karl Popper (1902-1994) para enquadrar/sintetizar o que acima redigi:

 "Penso que só há um caminho para a ciência ou para a filosofia: encontrar um problema, ver a sua beleza e apaixonar-se por ele; casar e viver feliz com ele até que a morte vos separe - a não ser que encontrem um outro problema ainda mais fascinante, ou, evidentemente, a não ser que obtenham solução" (...)

É isso que iremos continuar a fazer.

Um abraço,, e até breve.

Jorge Araújo
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Nota do editor:

Último poste da série > 14 de agosto de 2016 > Guiné 63/74 - P16388: Blogoterapia (280): Amizades e Memórias que o tempo vai esfumando (Francisco Baptista, ex-Alf Mil da CCAÇ 2616 e CART 2732)

1 comentário:

Tabanca Grande disse...

Jorge, obrigado em nome pessoal, dos demais editores e colaboradores, e da toda a Tabanca Grande... Com as tuas sábias e profundas palavras "ganhei o dia"... Nada como um bom texto para me animar, também. De resto, foi um dia especial para os portugues, a escolha de um português para o lugar de secretário geral das Nações Unidas!... O que diria Salazar e Marcelo Caetano,se fossem vivos!

Mas voltando ao nosso blogue... Muita malta vai ficando para trás, temos que contar com o factor desânimo, desencanto, depressão, envelhecimento... O tempo é inexorável... O blogue vai fazer 13 anos, e temos que o repensar e, sobretudo, salvaguardar....

Há muito que o blogue já não é meu, é nosso... Valorizo muito, por isso, a tua contribuição, mais regular, nos últimos tempos... Estás a chegar às 100 referências, o que já é obra!

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/search/label/Jorge%20Ara%C3%BAjo


Quanto à tua afirmação de que estamos a "fazer ciência histórica", eu seria mais modesto e cauteloso, não vão os senhores historiadores académicos caírem-nos em cima... Eu diria antes que fazemos historiografia, e espero bem que a documentação (literária e fotográfica) do nosso blogue nos ajude, a todos, a ter um conhecimento, mais detalhado e aprofundado, dos atores e do palco da guerra colonial na Guiné (1961/74)...

Quando muito fazemos a "pequena história"... Deixemos a "grande História" para os que fazem da história uma profissão... Não precisamos, felizmente, de nos pôr em bicos de pés...