segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Guiné 63/74 - P16609: Inquérito 'on line' (75): as primeiras 66 respostas, a três dias do fim do prazo (5ª feira, dia 20): só em 28 casos havia famílias de militares, não guineenseses, no mato... "Lembremos que o maior número de militares do quadro não estavam longe de belas cidades como Luanda, Benguela, Uíge, Malange, Lourenço Marques, Beira, Nova Lisboa e Bissau, por exemplo, onde não faltava nada (comentário de Antº Rosinha)


Guiné > Bissau > Anos 70 > Quartel General em Sta. Luzia > Piscina, a que tinham acesso os oficiais do QP e milicianos,  e seus familiares. Foto do álbum do nosso saudoso António [Henriques Campos] Teixeira,  o "Tony"  (1948-2013), ex-alf mil da CCAÇ 3459 / BCAÇ 3863, Teixeira Pinto, e CCAÇ 6,  Bedanda,  1971/73) (*)


Guiné > Bissau > s/d [, meados dos anos 60] > Av Carvalho Viegas, um das ruas da baixa, onde o comércio tinha tudo... Bilhete postal, nº 129, Edição "Foto Serra" (Colecção "Guiné Portuguesa")


Guiné > Bissau > s/d   [, meados dos anos 60] > Aspecto parcial  da cidade, Câmara Municipal à direita, Palácio do Governador ao fundo à esquerda... Bilhete postal, nº 133, Edição "Foto Serra" (Colecção Guiné Portuguesa")


Guiné > Bissau > s/d  [. meados dos anos 60] > Um cidadezinha colonial, feita a régua e esquadro, desenhada pela República, desenvolvida com o Estado Novo (a partior dos anos 40)... Vista parcial da baixa com o estuário do Geja e o ilhéu do Rei, ao fundo... Bilhete postal, nº 117, Edição "Foto Serra" (Colecção "Guiné Portuguesa").

Colecção: Agostinho Gaspar / Digitalizações: Bogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2010). (**)


I. INQUÉRITO 'ON LINE':

 "NO MATO 
NO(S) SÍTIO(S) ONDE EU ESTIVE, NA GUINÉ,
HAVIA FAMILIARES NOSSOS"...


As primeiras 66 respostas:


1. Sim, esposas (não guineenses)  > 

19 (28%)

2. Sim, esposas e filhos (não guineenses) >  
9 (13%)

3. Sim, familiares guineenses (sem ser das milícias)  > 
9 (13%)

4. Não, não havia >  
35 (53%)

5. Não aplicável: não estive no mato  > 
2 (3%)

6. Não sei / não me lembro  > 
0 (0%)


Termina dia 20/10/2016, 5ª feira, às 6h52. O inquérito admite até duas respostas: por exemplo 1 e 3; 2 e 3. (***)


2. Comentário de Antº Rosinha (***):

[ Antº Rosinha, em Pombal, 2007:  é um dos nossos 'mais velhos', andou por Angola, nas décadas de 50/60/70, do século passado, fez o serviço militar em Angola, foi fur mil, em 1961/62, diz que foi 'colon' até 1974... 'Retornado', andou por aí (, com passagem pelo Brasil), até ir conhecer a 'pátria de Cabral', a Guiné-Bissau, onde foi 'cooperante', tendo trabalhado largos anos (1987/93) como topógrafo da TECNIL, a empresa que abriu todas ou quase todas as estradas que conhecemos na Guiné, antes e depois da 'independência'; é colunista do nosso blogue com a série 'Caderno de notas de um mais velho']

Este pormenor das famílias dos militares irem [ou poderem ir] para o Ultramar,  pode ser um ponto de vista para explicar muita coisa sobre a durabilidade da Guerra.

A vida da maioria dos oficiais e sargentos (não milicianos) e muitos tenentes e capitães milicianos, casados,  com filhos quer no liceu ou na primária ou mesmo na Universidade, tornou-se numa rotina bem "oleada" que corria sobre esferas, em plena Guerra do Ultramar.

Lembremos que o maior número de militares do quadro não estavam longe de belas cidades como Luanda, Benguela, Uíge, Malange, Lourenço Marques, Beira, Nova Lisboa e Bissau,  por exemplo, onde não faltava nada.

E nessas cidades havia casas para arrendar e o pessoal do quadro tinha direito a "subsídio de renda de casa", quer na metrópole ou no Ultramar, e evidentemente, o subsídio de cada filho menor ou enquanto estudasse.

E lembremos que essa rotina bem "oleada" continua em quantidade e qualidade com comissões em "Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Guarda, Bragança..." (em ondas curtas compridas e comprometidas) por mais alguns anos de 1974, até aos anos 80, com concursos e promoções e preenchimento das imensas "vagas" do quadro.

É que a luta continuou indefinidamente, Porquê ?  A explicação deve ser a mesma pela qual não se explica cabalmente por que é que os capitães de Abril só apareceram em 1974 e não em 1968.

A guerra não acabou para todos em 1974, houve uma (boa) continuação para alguns.

Canquelifá, Buruntuma, Binta é uma coisa... outra coisa é outra coisa.

Tem que haver memória.
Antº Rosinha

7 comentários:

J. Gabriel Sacôto M. Fernandes (Ex ALF. MIL. Guiné 64/66) disse...

Alguma guerra se ganha nestas condições?
Posso afirmar que, em 1964/65, com algumas poucas excepções, ainda não era assim.

José Marcelino Martins disse...

No meu caso, por estar colocado numa unidade da Guarnição de Recrutamento Local, estas questões são um pouco atípicas.

As tropas africanas, na sua maioria, pelo menos na CCAÇ 5, eram casados e alguns com já bastante tempo de tropa. Em 1974, quando foi extinta, havia recrutados de 1961 tendo, nesse caso, feito o pleno da guerra.

As mulheres e os filhos, que viviam na parte civil agregada ao quartel, só não os acompanhavam nas operações no mato. Nas colunas à sede do batalhão, marcavam sempre presença.

No caso de europeus, apenas, e estou a tentar reportar desde 1961 a 1964, apenas houve uma residente efetiva. A esposa de um capitão que foi destacado do comando da CCS do Batalhão de Nova Lamego, para a CCAÇ 5. Em tempo recorde foi construido, dentro do perímetro militar, um abrigo para alojar o casal. A senhora ficou em Nova Lamego apenas o tempo da construção do abrigo. Assim que ficou "habitável" transferiu-se para Canjadude, frequentando o refeitório dos graduados, nas refeições, à excepção do pequeno almoço, que o serviço de "catering" lhes levava.

Um outro caso, posterior à minha presença, houve um Furriel QP que esteve doente, vindo a falecer, que não foi evacuado, mas foi "patrocinada" a presença da esposa no aquartelamento.

Sim. Estiveram do aquartelamento mulheres e filhos, de militares, quer africanos quer europeus.

E mais não sei.

Manuel Luís Lomba disse...

Isto de nos havermos desempenhado em África como portugueses de lei ou antigos, conforme os gostos, tem muito que se lhe diga!
No contexto deste inquérito e do escrito por este nosso "mais velho", venho trazer à colação um facto - historicamente irrelevante, para a generalidade da historiografia contemporânea, institucional e académica.
Nas suas evocações como movimento "libertador", o MFA sempre invocou, honestamente, haver nascido do sentimento e da revolta corporativa da classe dos capitães, na oportunidade do decreto governamental da extensão das regalias do Quadro Permanente aos Milicianos. Lembramos aos "criadores de factos" que não foi bem assim: os milicianos continuavam a não ter direito a "subsídio de renda de casa"...Competia-lhes viver na guerra e não "em família"!

Manuel Luís Lomba

Mario de Oliveira disse...

Com a honestidade á frente, confesso que, enquanto militar, não tive família de "sangue" na Guiné. Tinha, isso sim, a "família guineense com toda a sua amizade e carinho para comigo" enquanto ao serviço da Messe de Sargentos (1 mês e picos) e, depois na Messe de oficiais...até terminar. Como já disse antes, esta amizade e este carinho, convenceu-me (e não só, porque havia uma oferta de trabalho) a ficar por ali. Depois vem a família, antecipado do casamento na Metrópole a 9-6-69. Por curiosidade ou não - planeamento não foi - nasce a minha única filha no Hospital Simão Mendes (Bissau...ou Bissaulónia no meu ainda por publicar livro com o mesmo, com o mesmo título. Assim se esta parte interessa ao blogue, aqui vai. Por ali ficamos eu, mulher e filha até Agosto de 1981. Altos baixos, mais baixos que altos, mas sempre olhando em frente, incluindo organizar uma caravana (eu e outros) através da Mauritânia...e desse no que desse, ara para irmos armados até aos dentes. Eu tinha 24 "pêras" de sopro...só para assustar...e outros tinham outros brinquedos. Não foi necessário, por circunstâncias várias. Mas, tratando-se ter família cerca, é complicado á brava. Alfabraco, como diz o LG.

Mario de Oliveira disse...

Perdão, na frase por curiosidade ou não, deve ler-se que, na mesma data de 70 (9-6-70) nasce a minha única filha.

José Botelho Colaço disse...

Penso que nos primeiros anos da guerra no verdadeiro mato não havia um mínimo de condições além disso a cultura que nos foi ministrada também não ajudava nada para que tal acontecesse, os filhos e esposas não guineenses coabitarem connosco no mato.
Na companhia C. caç 557 1963/65 a única mulher que nos fez companhia foi a esposa do Dr. mas só nos finais de 1964 quando no regresso do mato (Ilha do Como) a Bissau e nos fixamos em Bafatá aí a Drª Maria Luísa foi uma companheira amiga e presente no dia a dia além do Dr. ela era e ainda é para nós militares da 557 a nossa amiga Drª.
Um abraço Colaço.

Anónimo disse...

armandino oliveira
18 out 2016 21:06

Boa tarde meu amigo Luís Graça

Fiquei muito triste , para não dizer revoltado ,
com as imagens da piscina do QG de Bissau , parece um SPA .
Enquanto milhares estavamos na selva , combatendo , morrendo ,
vendo colegas e amigos sendo destroçados e outros se suicidando ,
pegando malária , em condições bem degradantes , psicológicamente .
Não posso gostar desse artigo , é uma afronta a todos que foram para a GUERRA !
Só louco ou insano levaria a família para o campo de batalha , só no QG de Bissau .
Era furriel miliciano do BCAV 1897 , estive em Mansoa , Mansabá e Olossato ( 1966/1968 ).
Creio que entendes a minha revolta .

Abraços
Armandino