
Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52
1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 11 de Junho de 2026:
Queridos amigos,
Iniciei a visita à cidade museu de Gjirokastër, Património da Humanidade, possui uma das fortalezas mais imponentes de toda a península balcânica, casas de arquitetura otomana que cortam a respiração, tudo em pedra, um singelo museu etnográfico onde até se guarda o berço do ditador Enver Hoxha, nasceu neste local, Gjirokastër é também a terra natal do maior escritor albanês do século XX, Ismail Kadaré, preferi andar um tanto à solta a contemplar a cidade em pedra, possui uma mesquita bem curiosa que quando o regime de Enver Hoxha decidiu que a Albânia era um país ateu, em 1967, foi transformada em escola de artes circenses. Ainda houve a tentação de ir visitar o parque arqueológico de Adrianópolis, fundada pelo imperador Adriano, mas o deslumbramento de toda aquela pedra pesou mais alto, ainda tenho imagens para vos mostrar.
Um abraço do
Mário
Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (261):
Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 6
Mário Beja Santos
Mostrar-vos a miniatura do mapa da Albânia não é um puro acaso, nasce da preocupação de vos dar conhecimento quanto ao itinerário seguido, no decurso desta viagem; houve partida em furgão de Tirana até Pogradec, para admirar o Lago Ohrid, seguiu-se depois para Korçë, há quem lhe chame uma pequena Paris, é, no mínimo, bonita e cosmopolita; mais adiante, graças a nova viagem em furgão chegou-se a Përmet, esperava uma maravilhosa igreja ortodoxa, como se mostrou; e daqui rumou-se para a espantosa Gjirokastër, um justificado Património da Humanidade.
Chega-se à cidade e lembra o que me aconteceu quando se chega a Bérgamo, a parte de baixo é igual a todas as outras, toma-se um táxi e em dado momento ganha-se a perceção que entrámos num mundo antigo, ruas de Bazar engalanadas com tapetes Kilim, a grande mesquita, poupada aos acontecimentos de 1967, quando o regime de Enver Hoxha decretou que a Albânia era um país ateu, destruíram-se templos ou converteram-se em ginásios, escolas de circo e muito mais coisas. É em povoações como Gjirokastër que sentimos uma Albânia que tem um dos povos mais antigos da Europa. Aqui subsistem vestígios de uma fortaleza imponente do século XIII, não deixa de nos assombrar que em torno desta cidadela se expande uma cidade singularíssima em pedra, que se iniciou nos primeiros anos do século XIV. Com a ocupação otomana, tornou-se um centro administrativo, aqui residia o Paxá. A cidade começou a crescer no século XVII e teve o seu desenvolvimento final no século XIX, tal como a conhecemos hoje.
A vista não se cansa de olhar para esta urbanização, possui bairros próprios, mas a unidade urbana salta à vista. Casas em pedra, ruas em pedra. Obviamente que o edifício de maior grandeza é a cidadela, teve benfeitorias até à década de 1810, ao tempo de um senhor feudal que deixou marca, Ali Paxá de Tepelena. O mercado coberto foi no passado um dos conjuntos arquitetónicos mais importantes da cidade, veio depois aa ser reconstruído em finais do século XIX no local onde hoje o encontramos, o grande bazar. É evidente que o visitante vem condicionado pelo que vem escrito nos guias, dão destaque ao património otomano, casas de vários andares, construídas em terreno rochoso, com características na distribuição interna, o ponto máximo do refinamento é o quarto de acolhimento dos hóspedes, o interior das outras divisões é de grande sobriedade. Preferi andar um tanto à deriva, tive a sorte de ficar num lugar perto do grande bazar e comecei a incursão pela fortaleza que possui dois museus, preferi cirandar e viver a atmosfera nesta cidade museu. O andar à deriva fez-me perder a visita a um dos bunkers que o regime mandou fazer na década de 1970, quando se supunha, que dentro daquela paranoia das invasões e de guerra termonuclear, que era determinante salvar a vida aos quadros comunistas. Sobre este assunto, limito-me a reproduzir fotografias do interior dessa construção da Guerra Fria.
Castelo de Gjirokastër, imagem retirada do site Tripadvisor, com a devida vénia. O castelo serviu de prisão durante o regime comunista, hoje a então área prisional foi transformada no museu dos armamentos.
Tanque italiano Fiat L6/40, de 1940, a generalidade destes tanques foi destruída em batalha, este exemplar foi encontrado na costa sul da Albânia, é uma peça de museu. Imagem retirada na visita ao museu dos armamentos.
Imagem da parte histórica de Gijirokastër, e, lá em baixo, coberto pela nuvem, a parte nova da cidade. A imagem é tirada do castelo, um dos mais velhos da Península Balcânica, parece um navio, como se procura mostrar noutra imagem, tem poderosas muralhas, uma área museológica, no seu interior realiza-se de cinco em cinco anos um altamente prestigiado Festival Mundial do Folclore, dado que a cidade é um centro de canto tradicional polifónico.
Vista aérea do Castelo de Gjirokastër
A torre do relógio do Castelo, a omnipresente envolvência das montanhas
Realiza-se neste local um dos mais importantes festivais de folclore de todo o mundo, de 5 em 5 anos
A Casa Zekate é uma das preciosidades do património otomano, construída entre 1811 e 1812, a casa pertencia a um dos servidores do Paxá. Na sua imensidade, dispunha de divisões para guardar os alimentos, entre a cave e o rés-de-chão, estábulos, o andar para os servidores e um amplo espaço para os proprietários. Impressiona com o seu aspeto de casa fortaleza.Quarto dos proprietários
Quarto dos hóspedes
Na impossibilidade de aqui se mostrar o interior de todas as divisões, nomeadamente dos terceiro e quarto andares, divisões com muitíssimo interesse pela lógica de ocupação do espaço, pois há casas de banho com banhos turcos, salas de estar, espaços de convívio, etc. veja-se uma cama no terceiro andar, por baixo da escada.Vista do quarto andar que permite ver a lógica de uma urbanização um tanto uniforme, transita-se sempre por chão empedrado.
Museu etnográfico de Gjirokastër, um pormenor
Duas imagens do bunker da Guerra Fria em Gjirokastër
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Nota do editor
Último post da série de 4 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28157: Os nossos seres, saberes e lazeres (739): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (260): Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 5 (Mário Beja Santos)















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