Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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sábado, 11 de abril de 2026
Guiné 61/74 - P27910: Parabéns a você (2475): Jorge Picado, ex-Cap Mil Inf, CMDT da CCAÇ 2589 / BCAÇ 2885 e da CART 2732 / COP 6 (Mansoa, Mansabá e Teixeira Pinto (CAOP 1), 1970/72)
Nota do editor
Último post da série de 9 de Abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27903: Parabéns a você (2474): Jorge Canhão, ex-Fur Mil Inf da 3.ª CCAÇ / BCAÇ 4612/72 (Mansoa, 1972/74) e Cor PilAv Ref Miguel Pessoa, ex-Cap PilAv da Esquadra 121 /GO 1201 / BA 12 (Bissau, 1972/74)
quinta-feira, 9 de abril de 2026
Guiné 61/74 - P27903: Parabéns a você (2474): Jorge Canhão, ex-Fur Mil Inf da 3.ª CCAÇ / BCAÇ 4612/72 (Mansoa, 1972/74) e Cor PilAv Ref Miguel Pessoa, ex-Cap PilAv da Esquadra 121 /GO 1201 / BA 12 (Bissau, 1972/74)
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Nota do editor
Último post da série de 6 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27891: Parabéns a você (2473): Joaquim Mexia Alves, ex-Alf Mil Op Especiais da CART 3492 / BART 3873, Pel Caç Nat 52 e CCAÇ 15 (Xitole, Mato Cão e Mansoa (1971/73)
quinta-feira, 2 de abril de 2026
Guiné 61/74 - P27882: Convívios (1054): Magnífica Tabanca da Linha, Algés: 64º almoço-convívio, 5ª feira, 16 de abril de 2026: já há 39 inscritos para o cozido à portuguesa... (Manuel Resende)
A carreira do Manuel Resende na Tabanca da Linha é uma história de sucesso: é como aquela do paquete que, numa grande empresa, chega a CEO (o topo da hierarquia). Por mérito e não por casar com a filha do patrão.
Bolinhos de bacalhau | Croquetes de vitela | Rissóis de camarão |
Últimno poste da série > 2 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27881: Convívios (1053): 53.º Almoço/Convívio do BCAÇ 3832, dia 9 de maio, em Caria, concelho de Belmonte. Concentração às 11h30/12h00 no Largo da Junta de Freguesia de Caria, seguindo-se o almoço (Paulo Matias)
terça-feira, 31 de março de 2026
Guiné 61/74 - P27874: Casos: a verdade sobre... (65): o acidente com canhão s/r 82, B-10, russo, que vitimou o 2º srgt António Duarte Parente, do Pel Caç Nat 53, no Saltinho, em 13 de maio de 1970

(...) António: não tem este o fim de comentar o teu poste (eu até nem fui nem vim de barco, pois era da FAP), antes e verificando que terás estado no Saltinho por 69/70, procurar uma eventual ajuda tua para precisar na memória um facto lamentável, que muito me marcou e do qual não fiquei com registo preciso.
Eu fui mecânico da linha da frente dos helicópteros (exactamente entre abril de 1969 e dezembro de 1970) e muitas vezes fui ao Saltinho (cruzámo-nos concerteza), nomeadamente na época das chuvas, para proceder a abastecimento de víveres.
Aliás, ali "festejei" os meus 20 anos, facto que, denunciado pelo piloto, "nos obrigou" a só dali sair depois dum copo (penso que de espumoso).
Com essas diversas viagens estabeleceram-se alguns laços de amizade, nomeadamente com um sargento (de quem não me recordo o nome) que é, esse sim, o motivo deste comentário.
Sei que numa determinada altura foi substituída a guarnição do Saltinho (fim de comissão ?), mas que o citado sargento, por ser de rendição individual, ali permaneceu com a nova guarnição. [ Substituição da CCAÇ 2406 pela CCAÇ 2701, em maio de 1970].
Um dia (que também não consigo precisar) parti numa evacuação para o Saltinho (que, diga-se, não era habitual) e qual não foi a minha surpresa (e choque) quando verifico que ela se destinava exactamente ao citado sargento.
Explicaram-nos, rapidamente, ter sido ele atingido pela gravilha projectada pelo escape do canhão sem recuo, montado num dos muros do aquartelamento, que tinha sido extemporaneamente disparado por terceiro, num tiro de experiência e demonstração.
Foi, talvez, a evacuação mais penosa das incontáveis que realizei na Guiné. Desde logo pelo seu gravíssimo estado físico (completamente crivado), pelo emocional, com a sua lúcida compreensão desse mesmo estado, finalmente porque era alguém com quem mantinha uma relação, diria de quase amizade, o que exponencia largamente o nossas próprias emoções.
Desembarcado, com as palavras de encorajamento possíveis, procurei num dos dias seguintes visitá-lo, tendo-me sido informado que tinha sido imediatamente evacuado para Lisboa.
Tendo mantido o interesse , soube muito mais tarde que não tinha resistido aos ferimentos, vindo a falecer.
Recordas ou de alguma forma tiveste algum contacto testemunhal com este caso ? (...)
A tragédia, confirmei agora a data com um camarada, deu-se no dia 13/05/70, quando já se encontrava naquele quartel a CCAÇ 2701. O 2º srgt Parente, o militar de que falas, não pertencia a nenhuma daquelas companhias, era um dos graduados do Pel Caç Nat 53, comandado naquela data pelo Alf Mil António Mota que eu fui substituir em Outubro de 1970.
O trágico acidente resultou de um disparo ocasional do canhão S/R 82, B10, naquele dia instalado no Saltinho, mais tarde foi comigo para o Reordenamento de Contabane.
Ninguém tem uma explicação cabal para o sucedido. Havia ordens expressas para a arma estar sempre com a culatra aberta, e sem granada introduzida, parece que naquele dia havia uma granada introduzida,e a culatra estava fechada.
Como aconteceu? Junto da arma encontravam-se vários militares, cap Clemente, alf mil Julião, srgt Demba, da milícia, 2º srgt Parente e ainda mais dois ou três militares. A arma para disparar, granada na câmara e culatra fechada, accionava-se o armador, premia-se o gatilho,acontecia o disparo. Diziam que alguém tocara com o joelho no armador e dera-se o disparo...
O 2º srgt Parente estava logo atrás do canhão S/R, foi parar a vários metros de distância, e tu, Jorge Narciso, sabes como ele ía. Ficaram também feridos o cap Clemente, queimaduras numa mão e virilha, e o Demba, queimaduras numa perna. Foram também evacuados para o HM 241.
Como dizes,o Parente morreu passado um mês. Já como comandante do Pel Caç Nat 53,recebi uma carta da viúva, pedindo-me ajuda na resolução de um qualquer problema que agora não recordo.
Foi um dia trágico no Saltinho.Isto é, muito dramático, o Parente tinha recebido naquele dia um telegrama, via rádio, informando-o que fora pai de uma miúda...e andara na tabanca a comprar uns frangos para fazer um jantar comemorativo do nascimento...
O alf mil Fernando Mota, da CCAÇ 2701, recebeu uma carta com a notícia que o irmão fora morto com um tiro da Gurda Fiscal. O srgt Demba da milícia foi morrer no Quirafo em 17 de abril de 1972 .. Será que o Parente ainda viu a filha antes de morrer?
Apesar de não o ter conhecido, é-me penoso falar desta tragédia. (...)
segunda-feira, 23 de março de 2026
Guiné 61/74 - P27848: Esposas de militares no mato (1): Bambadinca, ao tempo do BART 2917 (1970-72) - Parte I
Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > CCS/BART 2917 (1970/72) > Festa de anos do 1º Srgt Fernando Brito. Convívio no bar de sargentos, em meados de 1970: ainda estávamos em "lua de mel", os "velhinhos" da CCAÇ 12, e os "piras" do BART 2917, aqui representados pelo 2º Comandante, maj art José António Anjos de Carvalho, sempre fardado, sempre "militarista", amante do fado de Coimbra (já falecido, no posto de cor art ref), e o 1º srgt art Fernando Brito (1932-2014) (falecido no posto de major, depois de ter feito a Escola Central de Sargentos)...
- à direita do Brito, a Helena, mulher do alf mil at inf António Manuel Carlão, do 2º Gr Comb da CCAÇ 12 (o casal vivia em Fão, Esposende); (o Carlão que veio do CSM, já faleceu) (***):
- à direita do Anjos de Carvalho, a esposa do major art, Jorge Vieira de Barros e Bastos (mais familiarmente conhecido por Bê Bê, era o major de operações do comando do BART 2917; mais tarde cor art ref);
- e à sua direita, a Isabel, a esposa do José Alberto Coelho, o fur mil enf da CCS/BART 2917 (o casal vive hoje, ou vivia até há uns anos, em Beja).
O 1º Brito era de facto um "grande senhor 1º sargento", e que mantinha com a malta da CCAÇ 12 (os furrieis milicianos) uma "relação muito especial"... Este jantar terá ocorrido nos primeiros tempos, após a chegada do BART 2917 (em finais de maio de 1970) a Bambadinca, vindo render o BCAÇ 2852 (1968/70)...
4. No tempo do BCAÇ 2852, e até ao ataque a Bambadinca, em 28/5/1969, julgo que terão chegado a lá estar três senhoras, pelo menos:
- a esposa do comandante, o ten cor inf Manuel Maria Pimentel Bastos (também conhecido pelo seu "nick name", Pimbas), já aqui bastas vezes evocado pelo seu amigo e admirador Mário Beja Santos;
- o tenente SGE Manuel Antunes Pinheiro, chefe da secretaria do Comando do BCAÇ 2852, também lá teria a esposa até essa data;
- e creio que também a esposa do médico, David Payne (mais tarde psiquiatra, já falecido).
O Torcato Mendonça confirma:
Nos aquartelamentos do mato, dependia da companhia (CCS ou unidade de quadrícula, região, localidade, acessibilidade, instalações, segurança relativa, transportes, logística, habitação, etc.).
Para os jovens furriéis e alferes, do QP ou milicianos, "just married", acabados de casar, ou que casavam a meio da comissão, ainda sem filhos, era uma decisão aparentemente mais fácil, lógica e natural, mas não isenta de riscos, sobretudo se o militar fosse um operacional..
Apesar da "milicianização" e "africanização" da guerra ( nos 3 TO), ninguém estava à espera que aquele conflito pudesse durar 11/12/13/14 anos...
Faltam-nos testemunhos dos homens e mulheres que cresceram com os pais, militares, em comissões de serviço em África...
(*) Vd. postes de 21 de outubro de 2016 > Guiné 63/74 - P16623: Inquérito 'on line' (77): Num total de 117 respostas, 62% diz que, nos sítios onde esteve, no mato, nunca houve familiares de militares, metropolitanos ou guinenses... Comentários dos camaradas Jorge Cabral, Vasco Pires, Jorge Canhão, Rogério Cardoso, Carlos Mendes Pauleta, Eduardo Estrela, José Colaço, J. Diniz Sousa Faro e Manuel Amaro
(***) Vd. poste de 15 de julho de 2024 > Guiné 61/74 - P25744: In Memoriam (507): António Carlão (Mirandela, 1947 - Esposende, 2018), ex-alf mil at inf, CCÇ 2590 / CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadina, 1969/71) (Jorge Alvarenga, amigo da família)
domingo, 22 de março de 2026
Guiné 61/74 - P27847: Humor de caserna (250): O anedotário da Spinolândia (XXII): A carecada do Arfan Jau e o "embaraço" da senhora do capitão
Guiné > Zona leste > Região de Gabu > Nova Lamego > Quartel de Baixo > Junho de 1970 > CART 2479 / CART 11 (1969/70) > O Valdemar Queiroz (12) ao lado do alf mil Pina Cabral (13) e o 4º.Pelotão... Restantes furriéis: Pinto (5) e Macias (9).

Era, ainda com pouca idade, um grande campeão. Mas o Arfan Jau também era nosso soldado. E que grande soldado, em valentia, porte físico e humildade.
Ele era da secção do ex-fur mil Manuel Macias e logo entendeu que o furriel precisava dum guarda-costas. Para onde ia o Macias lá estava o Arfan Jau (ver acima foto do 4º Pelotão em Nova Lamego e lá está o Arfan ao lado do Macias).
O ex-alf mil Pina Cabral, cmdt do nosso Pelotão, achou que o Arfan Jau estava adquirir um estatuto especial e a tornar-se muito refilão e, para levar uma carecada por grande 'reguila', faltou pouco e assim foi. E lá o valente lutador Arfan Jau levou uma carecada disciplinar.
Coitado já não podia lutar, parece que era o cabelo que lhe dava força [tal como o Sansão da Dalila].
Um dia, o Arfan Jau ainda com uma grande carecada e com
o quico debaixo do braço, entrou, na hora do almoço, na messe de oficiais e sargentos a perguntar pelo furriel Macias .
– Então, Jau? O que é que te aconteceu? – perguntou a senhora quando o viu careca.
Respondeu o Arfan Jau, com toda a humildade e com palavras em bom português que tinha aprendido com soldados do Porto;
– Senhora, Arfan Jau cá tem cabelo, manga de fodido.
Que maravilha!!!
A esposa do Capitão ainda por lá ficou uns meses, depois por já estar em estado avançado de gravidez foi evacuada.
(*) Vd. poste de 21 de outubro de 2016 > Guiné 63/74 - P16623: Inquérito 'on line' (77): Num total de 117 respostas, 62% diz que, nos sítios onde esteve, no mato, nunca houve familiares de militares, metropolitanos ou guinenses... Comentários dos camaradas Jorge Cabral, Vasco Pires, Jorge Canhão, Rogério Cardoso, Carlos Mendes Pauleta, Eduardo Estrela, José Colaço, J. Diniz Sousa Faro e Manuel Amaro
sexta-feira, 20 de março de 2026
Guiné 61/74 - P27839: No céu não há disto: comes & bebes: sugestões dos 'vagomestres' da Tabanca Grande (51): Recordando o famoso Cozido à Portuguesa, by chef Preciosa, da Tabanca do Centro, que se reuniu pela 1ª vez em 27/01/2010
Alfragide > 17 de fevereiro de 2026 > Um Cozido à Portuguesa, by Chef Alice
Fotos (e legenda): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
1. No céu não disto. Não há Cachupa (*), nem rica nem pobre. Não há Cozido à portuguesa. Nem Bacalhau Assado na Brasa. Deve haver outras coisas boas. Ou até bem melhores. A avaliar pela publicidade que lhe fazem, ao céu, há centenas, milhares de anos. (Olimpo para os gregos da antiguidade clássica; Jardim do Éden, para os judeus; Céu, para os cristãos; Jannah, para o Islão; Svarga, no hinduísmo, etc.)
Mas agora que a primavera se arrependeu e voltou o inverno, hoje, sexta feira e se calhar sábado, "até ia um cozidinho à portuguesa", diz o nosso vagomestre de serviço (que passou dois anos na Guiné sem provar nem cheirar a farinheira nem a moira nem o nabo nem o salpicão nem o focinho de porco, e muito menos a couve portuguesa).
Foi com um prato destes que se inaugurou a Tabanca do Centro, no já longínquo dia 27 de janeiro de 2010, em Monte Real. O anfitrião foi o Joaquim Mexia Alves e a cozinheira a Dona Preciosa (foto à esquerda). E teve um nome de código, Operação Cozido à Portuguesa. E realizou-se no restaurante da Pensão Montanha (**).2. Recordo aqui a mensagem que o régulo da Tabanca do Centro escreveu então ao nosso camarigo José Belo, o nosso grão-tabanqueiro que, na altura era vizinho, do Pai Natal, bem dentro do Círculo Polar Ártico. Esses versos ficaram famosos, merecem ser aqui reproduzidos, são um hino ao Cozido à Portuguesa e à nossa camarigagem.
Nessas cabeças já gastas,
Tão cheias de incerteza,
É que o amor da Suécia
É p’lo Cozido à Portuguesa.
Diz-me o nosso camarigo,
José Belo de seu nome,
Que virá de avião, de skate, ou a pé,
Apenas para comer
O afamado cozido,
Com a malta da Guiné.
É que não sabem vocês
Que por causa de um vento estranho
Que sopra no Litoral e na Beira,
Chegou até á Lapónia
O cheiro da farinheira.
Não contente com isso,
Este ventinho maldoso
Levou também consigo
Um cheirinho a chouriço.
Coitado do José Belo,
A tiritar do frio imenso!
Quando olha para as renas, vê vacas,
E todo o verde são couves,
Cozidas mesmo a preceito.
E o vento que nunca cessa
De lhe levar o cheiro intenso!
É uma dor de alma,
Um tormento,
Não devia ser permitido,
Que odor tão salivante
Fosse nas asas do vento.
Prometo solenemente
Que te guardo a melhor parte,
Fica com esta certeza.
Não só eu,
Mas toda a gente,
Te servirão alegremente
O “Cozido à Portuguesa”.
Monte Real, 14 de Janeiro de 2010
A 13 dias do Cozido à Portuguesa!!!
Joaquim Mexia Alves
(Revisão / fixação de texto: LG)
Notas do editor LG:
(*) Vd. poste de 19 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27835: Os 50 anos da independência de Cabo Verde (24): "Catchupa é fidju di tera,/ku midju, fexon, tchouriçu,/ batata, karni na panela, / amor ki ta brilha na luz"... Cachupa é em Lisboa, na Kasa Crioula, restaurante, em Carnide
segunda-feira, 16 de março de 2026
Guné 61/74 - P27825: Manuscrito(s) (Luís Graça) (283): Maratona da amizade e da camaradagem
Lisboa > Largo da Madalena > 15 de novembro de 2009 > Pormenor da calçada à antiga portuguesa, à entrada da Igreja da Madalena... Se não forem os nossos amigos calceteiros, portugueses, de origem cabo-verdiana, já não há ninguém a faça... F*da-se, dá cabo das costas e dos joelhos!
Foto (e legenda): Luís Graça (2009). Direitos reservados
O João Crisóstomo
que a amizade não se esgota
nas questões de lana caprina.
Testa-se e reforça-se na provação.
devem ser para as ocasiões.
Todas as ocasiões ?
As pequenas e as grandes ?
As boas e as más ? Sobretudo as más ?
A estação seca e a estação das chuvas ?
A paz e a guerra ?
na adversidade, diz o provérbio.
E os camaradas, na guerra,
E os colegas nas tainadas e nas putas,
dizia o teu instrutor
de minas, fornilhos e outras armadilhas da vida.
não sairá quando quiser.
conhecem-se nas ocasiões.
Que a adversidade é o teste da amizade.
A prosperidade traz amigos,
a adversidade os afasta,
diz o chinoca da tua rua,
que não tem amigos,
a não ser o dicionário de português-cantonês,
Oh, Galissá, Galissá,
e, no inferno da guerra, inimigos,
canta o poeta, cego, da tua rua,
tocador de cora,
deambulando de tabanca em tabanca,
no que resta do regulado de Gabu.
que leva uma vida a construir,
e que num minuto pode ruir,
garante o Esquilo Sorridente,
No aperto do perigo, conhece-se o amigo.
Essa é a verdade,
até para o cão que rói o osso,
na opinião de quem em Bissorã teve um cão.
ganham espinhos, ervas, silvas, moitas, carrascos,
pedras soltas, calhaus, pedregulhos,
tornam-se abatizes, obstáculos, bagabagas,
algures na velha Guiné agora Bissau:
"a amizade é uma picada
que desaparece na areia, na bolanha ou no mato,
se não a usares todos dias".
"Amigo não empata amigo",
porque o amigo é isso,
que o amigo é para se usar, se guardar
e se resguardar.
Para se resguardar das pontadas de ar,
dos tiros tensos do canhão sem recuo
Não é para se usar, expor e deitar fora,
na berma da picada armadilhada.
(Ou foi o Sócrates, o grego, antes da cicuta ?).
A conselho amigo, não feches o postigo,
além de que amigo diligente é melhor que parente.
Sobretudo se te dói o dente.
Escreveu o Dom Dinis,
amigo disfarçado, inimigo dobrado.
E o que fazer ao amigo que não presta
e à faca que não corta,
Também se diz que os amigos novos
metem os velhos no canto ou a um canto.
Se não se diz, pensa-se.
Será assim, mano,
que os amigos também cansam
como a sarna na pele,
como a pele e as suas sete camadas ?
Não sei o que é que vocês pensam:
Uma questão que nada tem de metafísica:
ovo de uma hora,
pão de um dia,
vinho de um ano,
mulher de vinte,
amigo de trinta
e deitarás boa conta.
Margarida, Maria, Mário.
O vinho e o amigo, quer-se do mais antigo,
recomendam o outro Jorge, que é engenheiro,
mais o Picado, que foi agrónomo.
E o que farás dos teus novos amigos, Virgílio,
se for bom mete-o a envelhecer
É como os filhos do teu filho, serão dele ou não…
Que ao menos, Jorge,
Que sabem vocês,
e da terrível secura na garganta
e das lágrimas que não podíamos chorar
quando trazíamos do mato,
às costas...
e aos amigos
quando fazemos o luto pela sua perda.
sobre os amigos e a amizade.
Sem falar do 'Nino', e do Pires, e do Mané, e do Manecas, e do Indjai,
eram os mais previsíveis,
estavam sempre do outro lado da ponte...
Que à volta eles cá te esperam, Amílcar Cabral,
bom crente, bom muçulmano,
bravo combatente,
leal aos teus amigos "tugas",
tu a quem já te acusaram de mercenário.
quando os amigos que tens não os tens.
Como os velhos elefantes,
para morrer entre os teus
e seres enterrado debaixo do teu poilão,
é quando ganhares o Euromilhões.
Ou quando ficares esticado no caixão, ao comprido:
será que lá terás todos os gatos pingados da companhia ?
nem que seja a do gás e electricidade.
Amigos, amigos, negócios à parte,
dizia o teu primeiro,
Quem te avisa, teu amigo é,
leste uma vez no bilhetinho anónimo
do tempo da delação e do inquisidor-mor.
Quem seu amigo quiser conservar,
com ele não há-de negociar.
E será que se pode blogar, Carlos ?
Longe da cidade, tanto melhor, diz o Vinhal,
Mas... quem tem amigos, não morre na cadeia,
nem no exílio, dourado,
seja feio ou belo,
e mesmo que se chame José, o viking.
Um rico avarento não tem amigo nem parente.
As boas contas fazem os bons amigos.
Ao bom amigo, com o teu pão e o teu vinho.
Ao rico mil amigos se deparam,
ao pobre até seus irmãos o desamparam.
Os camaradas, comandos, páras e fuzos, dizem:
"Connosco ninguém fica para trás"...
Aquele que te tira do perigo, é teu amigo.
Bocado comido não faz amigo,
porque não é partilha...
Defeitos do teu amigo ?
Lamento, meu caro Mário, mas não maldigo
o teu nome de guerra, "Tigre de Missirá"
Em tempo de figos, não há amigos.
Chacun que se governe, Patrício,
em caso de peste (de que Deus nos livre!).
Ou de ataque de abelhas.
Ou de pânico mortal.
Ou de fobia,
Muitos conhecidos, poucos amigos:
não é nenhuma heresia,
é palavra do Senhor,
e o Senhor esteja contigo,
meu camarigo Jaquim,
e com todos nós, filhos da humanidade,
de Abel e de Caim.
Mas parece muito mais fácil
Guardem-se, entretanto, do alvoroço do povo,
e de travar com o doido.
Mas se calhar não há maior amigo
com o seu trigo que dá pão.
Olha, mulher, se não tens marido,
pouca sorte a tua,
não tens amigo e acabas na rua,
Amigo mesmo é aquele que sabe o pior
a teu respeito
e mesmo assim... continua a gostar de ti,
mesmo que tenhas perdido a tua caderneta de vôo,
meu inFélix piloto Jorge dos Allouettes...
Quando uma pessoa perde dinheiro, perde muito;
quando perde um amigo, perde mais,
quando perde a coragem e a fé, perde tudo.
é ganhar um amigo numa hora;
fácil é ofendê-lo
e perdê-lo num minuto.
O Torcato Mendonça "dixit",
que dava para a Gardunha,
a Serra da Estrela e a Cova da Beira.
escreveste tu isto no teu diário,
nas páginas dos feriados
Mas não menos sábia
é a sabedoria do mongol:
o vitorioso tem muitos amigos, fracos,
mas o vencido tem bons amigos, valentes.
E até o otomano aprendeu à sua custa:
"Quando o machado entrou na floresta,
as árvores disseram:
'O cabo é dos nossos,
as toponímias da nossa peregrinação trágico-marítima,
do Pijiguiti ao Xime,
de Bolama a Buba,
lá longe da Pátria,
é agora doce de recordar,
no lar, no doce lar,
olha o Cufar, Fitas!
Planta hoje a semente da amizade,
mesmo que não sejas lavrador,
para colheres amanhã a flor da gratidão.
Ser amigo é ser generoso,
é dar antes de te pedirem,
é um gesto gratuito.
Quiçá o mais puramente gratuito dos teus gestos.
Ou será interesseira, a amizade ?
Para ti, não é como dar aos pobres...
Aí emprestas a Deus,
tu que és Paulo e Lage, tu que és pedra,
e Deus paga-te em vida ou na morte,
com os dividendos do poder,
da glória, da fama, da riqueza
Junqueira, Condeço, Tavares,
que não possas dar-me um sorriso,
eu deixo-te o meu,
a ti que és Victor,
E "In Hoc Signo Vinces".
"Chega-te para lá, que me tapas o meu sol".
Por que o sol quando nasce devia ser para todos.
As lágrimas dos bons caem no chão,
para poderem vir a engrossar os rios da revolta
e da indignação.
Inútil tentares juntar as tuas mãos,
se elas não estiverem vazias,
diz o teu guru do Tibete, agrilhoado.
Os amigos escolhe-os tu,
os parentes são os que Deus te deu.
Quando estás certo, ninguém se lembra;
quando estás errado, ninguém esquece.
para que as sombras fiquem para trás,
À laia de conclusão,
amigos e camaradas da Tabanca Grande, de A a Z,
dá três voltas dentro de tua casa...
E sobretudo não esqueças a lição
sobre a parábola da Sabedoria e da Asneira:
"Para os erros alheios,
para os nossos próprios,
PS - Requiem para os amigos e camaradas da Tabanca Grande
(***) Último poste da série > 16 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27824: Manuscrito(s) (Luís Graça) (284): a crise da habitação não é apenas dos humanos, é também das... cegonhas que se renderam ao "fast food" e já não migram para África!













