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terça-feira, 10 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27808: Bom dia, desde Bissau (Patrício Ribeiro) (63): O antigo hospital militar, HM 241 (e depois "complexo hospitalar 3 de agosto"): "E tudo o vento levou"...


Foto nº 1


Foto nº 2


Foto nº 3

Guiné-Bissau >Bissau > Bairro da Ajuda, na estrada Bissau - Brá - Bissalanca > Antigo Hospital Militar 241, depois Complexo Hospitalar 3 de Agosto, a seguir a independência, e que rapidamente se degradou até à ruína total > 4 de março de 2026 >  Eis o que resta hoje...

Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Guiné > Bissau > "O Pavilhão de Tisiologia do Hospital de Bissau foi projetado por Lucínio Cruz e Mário de Oliveira, entre 1951 e 1953 para doentes tuberculosos, e construído a pedido do governo da província à entrada de Bissalanca, a cerca de 6 km do centro da cidade, numa altura em que algumas valências são gradualmente implantadas fora do sector hospitalar existente no centro de Bissau. Erguido no recinto do atual Hospital 3 de Agosto, atualmente em ruínas, em 1962 funciona já como novo hospital militar, situação que se prolonga com a guerra colonial." (Ana Vaz Milheiro)

 Foto (e legenda): © Mário Beja Santos (2013). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Mensagem do Patricio Ribeiro,  "embaixador"  da Tabanca Grande em Bissau:

Data - quarta, 4/03/2026, 20:39
Assunto - Antigo Hospital Militar

Luís,
Hoje foi com surpresa que vi que já não há as paredes do Hospital "3 de Agosto", o antigo hospital militar português onde muitos sobreviveram.

Abraço, Patrício

2. Comentário do editor LG:

Pois é, Patrício, andamos todos distraídos... Há muito que esta unidade de saúde era uma ruína completa: já em 1994 chocava os profissionais que lá haviam trabalhado...  Chegou a ser, no tempo da outra senhora, o melhor hospital da África, subsariana, com exclusão da África Austral do "Apartheid"

Vd. aqui uma reportagem da RTP:

Degradação do Hospital Militar na Guiné-Bissau

1994-08-25 00:02:49

Bissau, degradação do Hospital Militar choca aqueles que lá trabalharam, pois era considerado o melhor equipado, de todas as colónias portuguesas.

Resumo analítico: Imagens de arquivo do hospital totalmente degradado, da Guerra Colonial e ferido em maca; declarações de Felino Almeida, antigo diretor do hospital, sobre o imperdoável estado de conservação.

Fonte: RTP Arquivos

Soubemos agora, por pesquisa na Net, que a demolição do antigo Complexo Hospitalar 3 de Agosto em Bissau, Guiné-Bissau, já tinha tido início em abril de 2025, devendo em seu lugar construir-se um novo Hospital de Referência. 

Segundo notícias de Bissau, a infraestrutura original, abandonada após a independência e em ruínas, é (ou era) para  ser substituída por um hospital moderno com tecnologia de ponta, numa área de 33 mil metros quadrados, fruto da cooperação com os Emirados Árabes Unidos. Pelo menos era essa promessa do deposto Presidente da República Umaro Sissoco Embaló, há quase um ano atrás.

Pelo que se deduz das fotos recentes do Patrício Ribeiro, o edifício (ou o que dele restava, as paredes) foi arrasado pelas máquinas da engenharia militar mas ainda não há notícias (nem sequer a primeira pedra) do prometido novo hospital de chave na mão....

4 comentários:

Victor Costa disse...

Se a memória não falha!
Em Março de 1974, para além deste edificio que consta da fotografia, existiam também dois edificios cobertos com telha lusalite de construção tosca. Foi num desses edificios que eu e o Fur. Mil. Zé Bilhau dos Piratas do Guilege, visitámos vários feridos. Havia um corredor central, com camas de um lado e do outro, mas tudo limpo e foi nesse local que eu vi pela primeira vez, estilhaços a sairem de um corpo humano.
Voltei a ve-los varios anos depois, num almoço organizado pelo Zé Bilhau no Restaurante "O Peleiro" do Paião, que pertençe a dois ex- combatentes com cerca de 78 anos, mas muito activos. Ontem estive estive com eles e ainda não sabemos quem é o primeiro a deixar de trabalhar.
A organização e a disciplina continua a ser, a regra da CASA.

Anónimo disse...

na reportagem da RTP fiquei com a ideia que o médico é/era o Dr. Felino de Almeida que tinha consultório na cidade do Porto. V.Briote

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Sim, Virgínio, era o dr. Felino de Almeida (que aparecia a comentar em 1994 a reportagem sobre o estado total de ruina do HM 241, em Bissau)... Digo era, porque ele já morreu em janeiro de 2011. Em 1969, era o diretor do HM 241 e tinha o posto de major. Devia ser médico militar de carreira.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Morreu em 28/1/2011, no posto de ten-cor médico, da Secção de Apoio / RRRD ... Nome completo: António Campos Felino de Almeida. Era major em 1969, e diretor do MH 241.

Com base nas Ordens do Exército Português, descobri que a sigla RRRD refere-se à Repartição de Recrutamento, Reserva e Disponibilidade.

Esta repartição está inserida na Direção de Administração de Recursos Humanos (DARH) do Exército Português e é responsável por processos administrativos relacionados com o pessoal militar, tais como: Gestão de situações de licença ilimitada; Processos de reserva e disponibilidade de oficiais, sargentos e praças; Secção de Apoio (SecApoio/RRRD) que dá suporte a estas áreas.