Só duas palavras…
ou três, talvez, no sentido de, além de agradecer o honroso convite do Autor deste livro, o Sr. António Carvalho, amigo e vizinho de há décadas, para prefaciar este seu livro dizer também, o quão valioso é este seu novo escrito para divulgar o passado recente desta terra, Medas (Gondomar), debruçada sobre o majestoso rio Douro, a cerca de 20 kms do Porto, mas tão esquecida nas suas generosas gentes e no seu contributo sacrificado para o bem-estar de outros (as minas , a carqueja…).
António Carvalho é alguém do povo, de vida simples, mas com um coração voltado profundamente para a sua terra, os seus costumes, dramas e as histórias que a marcaram no passado recente, com o que vai contribuindo para a pôr no mapa de uma região e de um país que, tantas vezes, começa e acaba na Capital, nas capitais deste mundo onde o Poder e o dinheiro são os deuses de serviço. Medas também é Portugal e não tem medo de existir.
O livro que singelamente ora prefacio, nasceu, creio bem, de uma curiosidade inabalável do seu Autor, da sua vontade indomável de serviço aos outros e, inequivocamente, da sua necessidade de deixar escrita a voz dos seus antepassados (e contemporâneos), nas suas aspirações e desventuras, para que o tempo não se cale para sempre.
O tema do livro, que também bebe da rica imaginação do Autor, não é apenas o passado, antes, se entrelaça com o presente (e o futuro?) no que revela da natureza humana. “O que é já foi e o que há-de ser também já foi” (Ecclesiastes. 3:15).
Na aparente simplicidade (culta) da narrativa, encontramos a Vida a pulsar, feita de alegrias e de tristezas, de entrelinhas , de silêncios, de partidas e de regressos infindos. Com a devida vénia direi que, às vezes, me veio à ideia, o grande Camilo Castelo Branco, enquanto parava, na leitura, de algumas passagens da escrita de António Carvalho. Terei razão?
Não sei, mas os conflitos humanos, os dilemas morais, as emoções e paixões do quotidiano humano não são muito diferentes. É a Vida.
Com este seu novo livro, António Carvalho deixa uma herança que há-de preservar Medas na história do país profundo, a qual há-de continuar a falar quando o tempo já não se lembrar de nós. (**)
António Vilar, Julho 2026
(Revisão / fixação de texto, negritos: LG)
2. Comentário do editor LG:
António Vilar é uma figura de referência da advocacia portuguesa e europeia. Nasceu no Porto em 1952. Exerce a profissão em regime liberal desde 1978 com escritório no Porto. Formou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. É igualmente uma figura de referência na social-democracia portuguesa, com intervenção pública e intelectual marcante. Discreto, mas frontal, tem, também, um notável percurso académico e obra publicada.______________
Nota do editor LG:
(*) Poste anterior da série > 13 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28180: Notas de leitura (1938): "Furriel não é Nome de Pai, Os filhos que os militares portugueses deixaram na Guerra Colonial", de Catarina Gomes; Tinta da China, 2016 (4) (Mário Beja Santos)(**) Vd. postes anteriores:


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