
Prompting e orientação editorial: Luís Graça
Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
Geração gráfica assistida por IA:
Google (2026). Gemini (versão de 13 de julho de 2026) [Grande modelo de linguagem].
1. A maior parte de nós (talvez 4 em cada 5) nunca telefonou para casa, quando esteve ao serviço da Pátria na Guiné... Telefonar era um luxo. A maior parte da malta, sobretudo os da "província", ainda não tinha telefónico fixo em casa... E depois era um exercício "penoso e moroso", além de caro, tentar ligar do mato para Portugal... Para um SOS, mais valia um telegrama ou até uma aerograma: era muito mais barato!" (*).
Em nunca sequer tentei ligar em 22 meses de "desterro". Mas estou a tentar reconstituir o meu "circuito de voz", se por acaso tivesse querido telefonar dos CTT de Bambadinca para os meus pais na Lourinhã...
Com a ajuda da IA, e depois de muitas "calinadas" de parte a parte, lá chegámos a esta BD que resulta de várias versões, colagens e emendas... A IA nunca contou com a sabotagem dos postos telegráficos por parte do partido do senhor engenheiro Amílcar Cabral, que era agrónomo mas devia perceber alguma coisa de telegrafia e telefonia com fios (de cobre), proque os mandou cortar... Eu, pela minha parte, que não sou engenheiro nem muito menos percebo de transmissões, estava piamente convencido de que em 1969 havia cabos submarinos a ligar a Guiné à nossa terra (à beira-mar plantada). Fiz confusão, o meu pai é que foi para o Mindelo, Cabo Verde, em 1941, para guardar os cabos submarinos...(**)
Em 1969, não havia nenhum cabo submarino ligado à Guiné, nem telegráfico, nem muito menos coaxial.
O cabo submarino que existia em Bolama, lançado em 1893 pela companhia britânica West African Telegraph Company,já tinha sido abandonado e desativado décadas antes (o tráfego comercial de cabos telegráficos para aquela zona da costa africana foi sendo progressivamente desligado à medida que as estações de rádio entraram em cena na primeira metade do século XX). E cabos coaxiais submarinos na Guiné?|... Nunca existiram até ao fim da guerra.
O circuito histórico exato de 1969 era o seguinte: as comunicações de Bambadinca para a Lourinhã dependiam a 100% da via aérea (rádio) na sua primeira e mais longa etapa.
O verdadeiro percurso daquela chamada era este:
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| ~ A antena de rádio mais alta de Bambadinca, c. 1969/70. Vista aérea Foto: Humbertio Reis / Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné |
Como os postes telegráficos da rede civil terrestre tinham sido cortados e sabotados pelo PAIGC logo no início do conflito, o posto dos CTT de Bambadinca dependia de um posto emissor de rádio HF (instalado no quartel, dentro do perímetro de arame farpado, pior razóes de segurança)
A minha voz saía de Bambadinca pelo éter e era captada em Bissau pela estação central dos CTT.
(ii) O grande salto transatlântico (Bissau ➔ Lisboa via Rádio Marconi)
Aqui entra a tecnologia da época. A central de Bissau não injetava nada num cabo submarino. O sinal era retransmitido por potentes emissores de onda curta (HF) da Companhia Portuguesa Rádio Marconi (CPRM) instalados na Guiné.
A minha voz viajava por propagação ionosférica; as ondas de rádio subiam, batiam na ionosfera (a camada alta da atmosfera), faziam ricochete e voltavam a descer, cruzando os 4 mil quilómetros de distância em frações de segundo até serem captadas pelas gigantescas antenas de receção da Marconi em Portugal (como a mítica Estação de Receção de Alfragide ou de Vendas Novas).
Aqui entra a tecnologia da época. A central de Bissau não injetava nada num cabo submarino. O sinal era retransmitido por potentes emissores de onda curta (HF) da Companhia Portuguesa Rádio Marconi (CPRM) instalados na Guiné.
A minha voz viajava por propagação ionosférica; as ondas de rádio subiam, batiam na ionosfera (a camada alta da atmosfera), faziam ricochete e voltavam a descer, cruzando os 4 mil quilómetros de distância em frações de segundo até serem captadas pelas gigantescas antenas de receção da Marconi em Portugal (como a mítica Estação de Receção de Alfragide ou de Vendas Novas).
(iii) A rede terrestre (Lisboa ➔ Lourinhã)
Só quando o sinal de rádio vindo de Bissau aterrava nas antenas da Marconi em Portugal Continental é que ele era transformado em sinal elétrico de linha telefónica:
A Marconi passava a chamada para a rede dos CTT em Lisboa.
A partir de Lisboa, a chamada seguia pelos cabos aéreos de cobre ou feixes hertzianos terrestres nacionais, subindo pela Estremadura até chegar à central manual dos CTT da Lourinhã, onde a telefonista finalmente completava a ligação para o destinatário.
Só quando o sinal de rádio vindo de Bissau aterrava nas antenas da Marconi em Portugal Continental é que ele era transformado em sinal elétrico de linha telefónica:
A Marconi passava a chamada para a rede dos CTT em Lisboa.
A partir de Lisboa, a chamada seguia pelos cabos aéreos de cobre ou feixes hertzianos terrestres nacionais, subindo pela Estremadura até chegar à central manual dos CTT da Lourinhã, onde a telefonista finalmente completava a ligação para o destinatário.
2. Porque é que era tão difícil e instável a ligação Guiné-Bportugal ? Uma verdadeira "lotaria"!
Não havia a estabilidade de um cabo submarino debaixo de água. Dependia-se inteiramente do estado do tempo e da atividade solar. Se a ionosfera estivesse instável, a chamada "caía", o ruído estático tapava a voz e os operadores tinham de ficar horas à espera que a frequência "abrisse".
Havia pouquíssimos canais de rádio disponíveis na Marconi para o tráfego civil/militar simultâneo, o que gerava as célebres listas de espera de dias nos postos dos CTT do mato.
Afinal, o único fio que nos unia, a nós militares, à metrópole era, ironicamente, invisível e passava pelas ondas de rádio (e não por nenhum cabo submarino, como alguns de nós pensávamos).
Não havia a estabilidade de um cabo submarino debaixo de água. Dependia-se inteiramente do estado do tempo e da atividade solar. Se a ionosfera estivesse instável, a chamada "caía", o ruído estático tapava a voz e os operadores tinham de ficar horas à espera que a frequência "abrisse".
Havia pouquíssimos canais de rádio disponíveis na Marconi para o tráfego civil/militar simultâneo, o que gerava as célebres listas de espera de dias nos postos dos CTT do mato.
Afinal, o único fio que nos unia, a nós militares, à metrópole era, ironicamente, invisível e passava pelas ondas de rádio (e não por nenhum cabo submarino, como alguns de nós pensávamos).
(Pesquisa: LG + Fundação Portuguesa das Comunicações + IA (Gemini / Google)
Condensaçáo, revisáo / fixação de texto, negritos: LG)
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Notas do editor LG.:
(*) Último poste da série > 4 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28155: Humor de caserna (278): Na Spinolândia, namorar não era proibido... o preço da chamada telefónica para a metrópole é que era proibitivo!... Que o diga o Humberto Reis, o nosso "cartógrafo" e "ranger" (que está agora no "estaleiro", e a quem desejamos rápida recuperação)
A ilha assumiu grande importância geoestratégica durante a Segunda Guerra Mundial devido à sua infraestrutura de comunicações: (i) Cabos Britânicos: eram os mais antigos e numerosos, sendo perados pela Western Telegraph Company: aziam as conexões cruciais do Império Britânico ligando Portugal continental (Carcavelos), Madeira, Brasil, e a costa ocidental de África; (ii) Cabos Italianos: operados pela Italcable, cabos ligavam a Itália à América do Sul, passando por Cabo Verde (com amarração na praia da Matiota).











2 comentários:
Agora percebo melhor o interesse da Itália de Mussolini pela Guiné e Cabo Verde...Se as potências do Eixo tivessem ganho a guerra, os cabo-verdianos e os guineenses estariam hoje a falar italiano...
Humor àparte: digam-me lá como é que se podia defender um império...que não tinha cabos... submarinos ?!...E para mais um povo de marinheiros que abriu a primeira "autoestrada" (marítima) da globalização...
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