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domingo, 6 de dezembro de 2009

Guiné 63/74 - P5416: Os nossos camaradas guineenses (21): Homenagem aos COMANDOS fuzilados, que combateram por Portugal (Manuel Amaro Bernardo)


1. O Sr. Coronel Manuel Amaro Bernardo, que se encontra na situação de Reforma, enviou-nos a seguinte mensagem, reportando-se à homenagem aos COMANDOS africanos guineenses fuzilados, que muito agradecemos e passamos a publicar:

No monumento aos Combatentes do Ultramar

Portugal homenageia os “comandos” guineenses (fuzilados) que combateram no Exército Português

(…) Mas se nós, portugueses (…) nos defendemos com unhas e dentes contra uma agressão injusta e abominável, então passaremos a praticar uma política de genocídio, o que faz pôr os cabelos em pé aos próprios calvos deste mundo dementado. As coisas que se dizem sem resquícios de pudor intelectual e moral. (…)

Cunha Leal, in “A Gadanha da Morte” (1961)

Em boa hora e depois do grande esforço feito pela Associação de Comandos, ao longo de vários anos, a Liga dos Combatentes, zeladora da manutenção e conservação com dignidade, do património que é o Monumento dos Combatentes do Ultramar e do Museu do Combatente existente no Forte anexo, prestou, em nome de Portugal, a homenagem aos 53 militares “Comando” da Guiné, que foram clandestinamente fuzilados pelo PAIGC, “apenas” por se terem combatido com valor e honra, no Exército Português.

Os nomes destes militares foram agora colocados nas paredes daquele Forte do Bom Sucesso, à semelhança do que já sucedera como o do Ten-Coronel Maggiolo Gouveia, fuzilado com seus companheiros de infortúnio pela FRETILIN, na antevéspera do Natal de 1975, nos arredores de Aileu/Timor.

Como considero ter havido uma quota-parte de contribuição no esforço despendido, ao publicar em 1987, o livro “Guerra, Paz e Fuzilamentos dos Guerreiros; Guiné 1970-1980” (2007), quero agradecer aos dirigentes da Liga dos Combatentes, na pessoa do General Chito Rodrigues, o facto de terem considerado estes insignes militares (20 oficiais, 29 sargentos e 4 soldados) como representantes dos milhares (segundo o General António de Spínola) de guineenses igualmente fuzilados e enterrados em valas comuns pelo então novo governo da Guiné-Bissau.

Tal aconteceu a outros militares dos três Ramos das Forças Armadas, milícias, autoridades gentílicas, cipaios, etc., que o General Nino Vieira, no jornal oficial do PAIGC, na sequência do golpe de Estado em que tomou conta do poder em Bissau, em 1980, considerou serem 500, enterrados em valas comuns de 35 a 38 pessoas.

A este propósito, considero que já devia ser tempo das actuais autoridades da Guiné-Bissau assumirem a suas responsabilidades históricas em relação a tais acontecimentos, antes de pedirem a ajuda humanitária ou a cooperação com Portugal. É que tal foi praticado, sem as vítimas serem julgadas nem ouvidas de acordo com os mais elementares dos Direitos do Homem. Na minha perspectiva ocorreu um autêntico genocídio.

Não quero deixar de destacar aqui e agora o grande militar que foi o meu amigo Coronel José Pais, falecido devido às sequelas dos ferimentos em combate na Guiné e que me exigiu a denúncia (em livro) do sucedido, antes de nos deixar em 2006; foi um oficial que sempre se empenhou em causas nobres de defesa dos desprotegidos e das vítimas das injustiças praticadas em Portugal e nos territórios ultramarinos.

Um genocídio em Angola e um massacre em Moçambique…

Assim como estes vergonhosos acontecimentos ocorreram durante alguns anos desde 1974, quando o PAIGC funcionava sob o “patrocínio” da então URSS (União Soviética), o genocídio que tinha caído inesperadamente sobre a populações brancas e nativas do Norte de Angola, em Março de 1961, segundo vários investigadores, terá sido apoiado pelos EUA, aquando da presidência de John Kennedy.

Nessa altura, em quatro dias de terrorismo fanático, foram levados a efeito assassínios de cerca de 7.200 pessoas (1.200 brancos), com tortura prévia, violações de mulheres e crianças e muitas mutilações de cadáveres.

Recordo que normalmente os escritores e jornalistas portugueses imbuídos de uma cultura de esquerda apenas costumam salientar alguns esporádicos massacres, durante a Guerra do Ultramar - infelizmente à semelhança do que tem ocorrido em qualquer guerra ao longo dos tempos -, como o foi o de Wiriyamu, em Dezembro de 1972.

Sobre este caso, uma comissão da ONU (com países então adversos de Portugal), que não chegou a ir a Moçambique, veio dizer, em 1974, que tinha sido 400 o número de mortos. Marcelo Caetano afirmara anteriormente que era menos de um quarto desse quantitativo e eu, em 1994, depois de investigar sobre o assunto, concluí ser um número inferior a metade dos indicados (entre 154 e 188). Face ao descrito se pode avaliar a perspectiva com que se fazem análises sobre alguns acontecimentos conforme o posicionamento político ou os interesses de cada grupo, movimento de libertação ou país.

Voltando à Guiné…

Cunha Leal (1888-1970), um político que vinha do tempo da Iª República, e foi sempre um elemento activo contra o regime do Estado Novo, afirmava a propósito das declarações de Amílcar Cabral ao “Le Monde”, de 14-6-1961 e transcrito no seu mencionado livro (“Gadanha da Morte”):

(…) Como se acaba de ver, mais uma vez, vem a talhe de foice a impertinente e inconcebível tese de que nós, os portugueses, é que estamos a desencadear uma guerra de extermínio contra os povos africanos. Homens armados com equipamentos vindos de países comunistas, atacam inesperadamente, matam e esquartejam os colonizadores brancos, gabando-se ainda por cima, das suas sinistras façanhas, como o fizeram a um correspondente do “Le Monde”. Isto – repito – é para o sr. Amílcar Cabral, para os seu colegas de gang e – o que é mais lamentável – para um grande sector do chamado mundo civilizado, uma operação legítima, senão humanitária.

Mas se nós, os portugueses (…) nos defendemos com unhas e dentes contra uma agressão injusta e abominável, então passaremos a praticar uma política de genocídio, o que faz pôr os cabelos em pé até aos próprios calvos deste mundo dementado. As coisas que se dizem sem resquícios de pudor intelectual e moral!”

Curiosamente este estilo de posicionamento do então líder do PAIGC, Amílcar Cabral, continuou a prosperar no decorrer de toda a Guerra do Ultramar, nas designadas elites da oposição ao regime e na propaganda e manipulação da opinião pública mundial contra Portugal.

E a onda chegou até Paris, onde Mário Soares ficou imbuído do designado “espírito descolonizador”, também transmitido pelos seus amigos dos movimentos de libertação; deste modo, quando chegou a hora de descolonizar no pós-25 de Abril, desconhecendo o que na realidade ocorria nos territórios, avançou para a entrega imediata das nossas possessões africanas.

Mário Soares por um lado e Melo Antunes por outro, apressaram-se a fazer a descolonização, antes designada por exemplar e que este oficial, pouco tempo antes de falecer, já a apelidava de trágica. Quero ainda recordar o grande abraço de Soares a Machel, em Lusaka, quando ainda morriam militares portugueses em operações de combate em Moçambique.

Enfim, a história isenta deste período ainda está por fazer. Espero que todos os bons portugueses, actores e observadores dos eventos, que ainda estão vivos, possam colaborar neste desiderato.

Mais uma vez endereço as minhas felicitações à Associação de Comandos por ter lutado para que os nomes dos “seus” comandos guineenses tenham sido inscritos no Memorial dos Combatentes.

Igualmente, em meu nome, dos seus familiares e dos “comandos” guineenses exilados em Portugal, renovo os meus agradecimentos públicos à Liga dos Combatentes por ter salientado os nomes destes valorosos militares, que foram clandestinamente fuzilados “apenas” por terem combatido com coragem e tenacidade (muitos ao longo de uma década), no Exército Português.

Coronel Ref. Manuel Bernardo
8-11-2009
____________
Nota de M.R.:

Vd. postes do mesmo autor, sobre esta mesma matéria, em:

6 de Dezembro de 2009 > Guiné 63/74 - P5415: Os nossos camaradas guineenses (20): Homenagem aos “Comandos” africanos fuzilados na Guiné (III) (Manuel Amaro Bernardo)

Vd. último poste da série em:


6 de Dezembro de 2009 > Guiné 63/74 - P5414: Os nossos camaradas guineenses (19): Camaradas do Pelundo lêem o Diário da Guiné de Graça de Abreu (António Alberto Alves)


Guiné 63/74 - P5415: Os nossos camaradas guineenses (20): Homenagem aos Comandos africanos, fuzilados no pós-independência (Manuel Amaro Bernardo)


1. Do Cor Inf Manuel Amaro Bernardo, que se encontra na situação de Reforma, recebemos a seguinte mensagem, homenageando os COMANDOS africanos que foram fuzilados clandestinamente,na Guiné-Bissau, após a independência, com pedido de publicação:

Homenagem aos “COMANDOS” africanos fuzilados clandestinamente na Guiné

"(…) Onde estavam os que hoje tão convenientemente pretendem utilizar os fuzilamentos como bandeira política? Hoje, com o passar das décadas, tudo se torna, para alguns, tão nítido, tão simplista. (…)"

José Belo, ex-Alf Mil /Guiné, em 1-12-2009

Apresentando o seu comentário no site de Luís Graça, como reflexões circunstanciais a propósito deste tema, este senhor, imbuído de uma perspectiva de esquerda, típica dos considerados sectores culturalmente mais evoluídos da sociedade portuguesa, acaba por querer desculpar o que é indesculpável…

Já que se pode presumir que o seu texto vem endereçado à minha pessoa, vou tentar explicar que não tem razão. Eu não me oriento por agendas políticas encomendadas, nem utilizei os fuzilamentos como
bandeira política.

Este processo de investigação dos factos ocorridos na Guiné decorreu de um pedido que me fez o camarada do meu Curso de Infantaria (1956-60), Coronel José Clementino Pais, pouco tempo antes de falecer, em 2006, devido às sequelas resultantes do rebentamento de uma mina na zona de Farim, onde, em 1972, comandava a CCaç 14.

Foi assim que, apesar de nunca me ter deslocado à Guiné, avancei com a publicação, em 2007, do referido livro, "
Guerra, Paz e Fuzilamentos dos Guerreiros: Guiné 1970-1980". Nele, e dirigindo-me a este oficial, pode ler-se:

(…) Pois é Zé. Agora é a minha vez de te dizer: Paz à tua alma. Podes repousar em paz, com a certeza de que vou tentar cumprir a promessa que te fiz, há cerca de três meses: denunciar o sucedido com os teus soldados da Guiné e muitos 'comandos' africanos (a maior parte dos oficiais e sargentos das três companhias existentes) fuzilados após a independência deste território.

Carnaxide – Março de 2006

As listagens dos fuzilados

Já que voltei de novo a ser acusado de apenas salientar os 'comandos' africanos, posso referir que do meu texto anterior datado de 8-11-2009 e não publicado no
site de Luís Graça (junta-se em anexo, assim como as duas relações abaixo indicadas) já se destacavam os dois anexos constantes do citado livro e onde as listagens dos fuzilados eram referidas:

1. Relação nominal de 86 ex-militares, milícias, régulos e cipaios, que incluía 14 fuzileiros especiais (7 sargentos e 7 marinheiros), com base na informação num livro do Ten-Coronel Queba Sambú, dissidente do PAIGC e na então existente Associação Portuguesa dos Antigos Combatentes da Guiné (apoiada pelo José Pais).

2. Relação nominal dos 53 oficiais, sargentos e praças, 'comandos' africanos da Guiné, fuzilados clandestinamente (à semelhança dos anteriores) homenageados pela Liga dos Combatentes, na cerimónia de 14 de Novembro passado.

Recordando outras circunstâncias…

O ex-combatente José Belo refere no seu texto:

(…) O ajuste de contas surgiu na primeira oportunidade; mas não teria sido possível algo de semelhante se alguns dos fuzilados tivessem, noutras circunstâncias, tido a mesma oportunidade em relação aos guerrilheiros?

É uma pergunta menos conveniente, mas de considerar, tendo em conta que alguns de nós conheceram pessoalmente muitos dos fuzilados. Para nós, os que não pretendem utilizar estes CAMARADAS que ao nosso lado (tantas vezes à nossa frente!) lutaram, carregaram aos ombros os seus/nossos mortos, comungaram literalmente a mesma terra vermelha de sangue... não existem "agendas políticas", como não deverão existir complexos colectivos de culpas.

Sobre o comportamento dos 'comandos' africanos em operações, o Furriel Comando Júlio Jaquité (Ob cit pp´351) afirma:

Quando o Luís Cabral, em certo dia, na TV em Lisboa, afirmou que os comandos africanos eram assassinos, eu telefonei para essa estação de televisão e perguntei como é que se fazia um programa daqueles sem nos convidar.

Os 'comandos' africanos, em relação à população, não matavam ninguém; e, quando prendíamos militares do PAIGC, éramos obrigados a entregá-los no Comando-Chefe para serem ouvidos. Era expressamente proibido matar alguém no mato.

E este graduado esclarecia ainda:


(…) quando alguém era feito prisioneiro ninguém o podia magoar, pois era punido, tanto disciplinarmente, como em Tribunal Militar, que existia em Bissau e funcionava. Estas eram as ordens do General Spínola, que eram cumpridas. A alguns prisioneiros até era dada uma casa e arranjado emprego. (…)

Agora pergunto eu. A existir este tipo de comportamento em operações, alguém acredita que os 'comandos' africanos guineenses viessem a praticar tais fuzilamentos clandestinos em massa?

À semelhança do Doutor Manuel Rebocho, que numa tese de doutoramento (agora em livro) veio questionar o comportamento dos oficiais do quadro permanente (QP) do Exército em operações no Ultramar, também José Belo faz a distinção entre os das "agendas políticas” e os que combatiam e morriam no terreno.


Apenas recordo que a maior parte dos oficiais do QP da minha geração fez quatro comissões por escala no Ultramar; isto é, estiveram no início da guerra em Angola e acabaram por tentar acabar com a guerra, com a sua contestação, que levou ao 25 de Abril de 1974.

Eu, por exemplo, depois dos tempos de subalterno (alferes e tenente), fui sempre nomeado para comandar companhias, até Dezembro de 1973, quando regressei da 4.ª comissão em Moçambique.

E muitos morreram e ficaram feridos, como o José Pais, que num livro publicado (
Histórias de Guerra; Índia, Angola e Guiné, 2002, por mim prefaciado), descreve o que lhe sucedeu, numa conversa havida com o seu enfermeiro africano:

(…) -Tem cuidado, que pode haver mais minas – disse-lhe o capitão ainda consciente.
-Não faz mal, nosso capitão – respondeu o Queta valentemente.
- Pede sangue para Farim O Rh+. Não me dês água. Tenho a barriga furada. Vou ter muita sede. Se me dás água, matas-me.
- Fica descansado nosso capitão. Eu sabe.

Deu-lhe a morfina, fez-lhe o garrote, pôs-lhe um penso na femural arrancada, que esguichava sangue, como uma torneira. (…)

Deste modo, espero ter esclarecido os leitores sobre a maneira como avancei para este trabalho que, à semelhança de outros realizados em relação a Moçambique e Timor, além da investigação feita nos arquivos, são incluídos os depoimentos dos participantes nos acontecimentos para, no futuro, se poder fazer uma mais realista reconstituição histórica.


E termino lembrando a opinião de um investigador americano (J. P. Cann) sobre a nossa Guerra do Ultramar:


(…) Em 1971, o Exército dera credibilidade a Portugal em todos os teatros de operações e encontrava-se preparado para aguentar um compasso de espera, a fim de negociar uma descolonização. (…)

Cor Ref Manuel Amaro Bernardo
3-12-2009


Anexo I

Lista dos africanos (com excepção dos 'comandos') fuzilados na Guiné (Provisória), Abril de 2006
  • Nome * Posto * Colocação * Data/local fuzilamento
- Adelino Sousa (1)
-
Adulai Dabó (2) 2.º Sarg. Fuz Esp DFuz Esp 22
-
Aladje Alansó Camará (2) Cmdt de milícia / Jabadá
-
Alarba Baldé (1) (2) Régulo
-
Alfa Baldé (2) Soldado Inf Pel Caç Nat 53
-
Aliu Baldé (2) Sold de milícia /Mansabá (?)
-
Aliu Baldé (2) Soldado Inf CCaç 18
-
Amadu Baldé (2) (3) Soldado Inf CCaç 18
-
Anastasio Sidi (2) Furriel
-
Ansumane Mané (2) (3) Cmdt de milícia / Gampará
-
Arnaldo Quinde Baldé (2) 2.º Sarg Inf CCS/QG
-
Baba Galé Jaló (2) Sold Inf CCaç 18
-
Bacar Alansó Cassamá (2) Cmdt de milícia / Empada
-
Bacar Baldé (2) Soldado Inf CCaç 18
-
Bacar Seidi (2) Soldado Art GAC 7
-
Bacarzinho (2) Soldado Inf 5.º Curso Cmds
-
Bará Dabó (2) Soldado Inf CCaç 14
-
Bawali Tcham (2) Cmdt de milícia / Empada
- Beleté (2) Cabo de mílicia
-
Boi Baldé (3) Marinheiro Fuz. Esp. (?)
-
Bonco Sanhá (1) (3)
-
Braima Candé (2) Sold de milícia / Farim
-
Braima Jau (2) Soldado Inf CCaç 18
-
Braima Sani (2) (3) 2.º Sarg. Fuz Esp D Fuz Esp 21
-
Braima Sano (3) Marinheiro Fuzileiro Esp. (?)
-
Cabá Santiago (2) Cmdt de milícia / Bissorã
-
Calido Baldé (2) (3) Marinheiro DFuz Esp 22
-
Califa Baldé (2) 2.º Sarg Fuz Esp DFE21
-
Coio Baldé (2) Régulo
-
Constantino Aliu Sani (2) Soldado Inf 4.º Curso Cmds
-
Dadi Baldé (1) 1.º Cabo cipaio
-
Dantil Mendes (2) Cmdt de milícia /Jolmete
-
Demba Ganó (2) Soldado Inf CCaç 11
-
Demba Julde Baldé (1) (2) Régulo de Fajão Quito (Bafatá)
-
Dicó Baldé (2) Soldado Inf CCS/QG
-
Domingos Ensá Djassi (2) 2.º Sarg Fuz Esp DFE 21
-
Gabriel Cherno Baldé (1) (2) 1.º Cabo PSP Cumeré
-
Galilo Dabó (2) Cmdt de milícia / Empada
-
Galo Baldé (1) Régulo de Canadú (Bafatá)
-
Henrique Sello Jaló (2) Soldado Art GAC 7 Pixe
-
Iancuba Camará (1)
-
Irineu (2) Soldado Inf (?)
-
Isaac Dias Ferreira (2) Soldado (?)
-
Jaime Seidi (1)
-
Jaló Seidi (2) Soldado Art GAC 7
-
Jamanca Seidi (1)
-
João Batista (2) 1.º Sarg Enf Dep Adidos Bissau
-
Joaquim Baticã Ferreira (2) Régulo 1976
-
Luntam Indjai (2) (3) 2.º Sarg Fuz Esp DFE 21
-
Malagueta (…) (1) Cabo cipaio
-
Malam Cassapá (2) Civil / Adm de Catió
-
Malam Sani (2) Soldado Inf.ª CCaç 14
-
Malam Turé (2) Furriel Inf CCaç 21
-
Mama Braima Seidi (2) 2.º Cmdt de milícia
-
Mama Djam Jaló (2) Sold de milícia / Mansabá
-
Mama Jabel (2) Ex-deputado
-
Mama Saliu Jaló (2) 1.º Cabo Inf CCaç 5
-
Mama Samba Candé (2) Soldado Inf Pel Caç Nat 53
-
Mamadu Aliu Seidi (2) Marinheiro DFE 21
-
Mamadu Bangura (1)
-
Mamadu Bobó Jaló (2) Soldado Inf Farim (?)
-
Mamadu Bonco Sanhá (1) (2) Régulo Bambadinca
-
Mamadú Embaló (2) Cabo de mílicias
-
Mamadú Jual Baldé (1) Filho de régulo (Bafatá)
-
Mamadú Sanhá (1) Milícia de régulo Bambadinca
-
Mamadu Seidi (2) Cmdt de milícia / Mansabá (?)
-
Mamadu Sissé (1)
-
Manuel Seidi (2) Marinheiro
-
Marçal Sambú (2) 2.º Sarg Fuz Esp DFE 22
-
Mário Adjabá (2) 2.º Sarg Fuz Esp DFE 22
-
Mateia Baldé (1)
-
Miguel Francisco Pires (2) Soldado Inf CCS/QG
-
Mori Baldé (2) Soldado Inf CCaç 18
-
Napoleão Jaló (2) Soldado cond Marinha
-
Obeara Sambú (1) Mulher (Fuzilada c/ o 'Cmd' João Uloma) Canjambare
-
Pedro Lopes (3) Marinheiro Fuzileiro Esp (?)
-
Per Sanhá (2) Soldado 'Cmd' (?) .
-
Quindi Baldé (2) 1.º Sargento / QG Farim
-
Quissima (1)
-
Saco Baldé (2) Sold de milícia / Cuntima
-
Salium Queta (2) Furriel Inf CCaç 5 Bissau
-
Samba Ganha Baldé (2) Régulo
-
Sambaro Candé (1) (2) Cmdt de milícia / Mansabá
-
Sambel Baldé (1) (2) Régulo
-
Sambel Coio Baldé (1) (2) Antigo régulo de Fajão Quito
-
Sancum Baldé (2) Régulo
-
Sandem Dabó (3) Marinheiro Fuz Esp (?)
-
Sello Jaló (1) (2) Soldado Inf Farim
-
Sidi Jaló (2) Soldado Inf CCaç 12
-
Suleimane Dembel Baldé (1) Cipaio
-
Surna Jau (1)
-
Tabê Dabó (1)
-
Tamba Jau (1) Soldado Cumeré
-
Tcherno Djau (1) (3)
-
Uri Baldé (2) Sold. de milícia / Mansabá
-
Uri Jaló (2) Soldado Inf Esquadrão Bafatá (?)

Notas:

(1) Queba Sambu (Tenente Coronel e quadro superior dissidente do PAIGC) “Ordem para Matar (…)”. Lisboa, Ed. Referendo, 1989.
(2) Informação da Associaçãp Portuguesa dos Antigos Combatentes da Guiné.
(3) Consta da lista do PAIGC (
Nô Pintcha, de 29-11-1980)

Anexo II

Lista dos comandos africanos fuzilados na Guiné (Provisória)
  • Nome * Posto * Colocação * Data/local fuzilamento
- Abdulai Queta Jamanca (1) (4) (6) Tenente“Cmd”CmdtCCaç 21MAR1975 * Bambadinca * Inc.12-1-1956, n.5-1-1937/Farim(1.ª CCmdsAf/Príncipe fula)
-
Adriano Sisseco (1) (2) (4 ) (9) Capitão “Cmd” 2.ªCCmds Af./74 18-12-78 * Portogole * Inc. 5-1-1964, n. 10-8-1941/Bolama
-
Alfa Candé (3) Furriel “Cmd” 2.ª CCmds Af./74 * 1975 * Mansoa
-
Alfa Embaló (1) (3) Furriel “Cmd” 2.ª CCmds Af./74 1975 * Cumeré * (Gr. Vingadores) (7)
-
Aliu Sada Candé (1) (4) (6) Alferes “Cmd” CCaç 21 (2.ª CCmds Af/74) * Bambadinca * Inc. 6-5-1966, n. 8-5-1944/Aldeia Formosa
- Amarante Sadja (3) (4) Furriel “Cmd” 3ª. CCmds Af./74 * Cumeré * Inc18-4-1966, n. 1945/Bissorá
- Américo Lamine Camará (1) (3) Furriel “Cmd” 2.ª CCmds Af./74 * 1975 * Cumeré
-
Anastácio Moreira Ferreira (1) (2) Furriel “Cmd” Bat. Cmds Af/74 MAR1975 * Cantchungo * Inc. 13-9-1964(4), n. 12-6-1942/?
-
António Mendonça (1) (3) Furriel “Cmd” 2.ª CCmdsAf/74 * Portogole * Inc. 2-1-1970, n. 20-2-1947/Cacheu (regressado de Dakar)
-
António Samba Juma Djaló (1) (3) Alferes “Cmd” 1.ª CCmds Af./74 1975 * Bambadinca * Inc. 3-4-1967 (4), n. 5-10-1944/Fulacunda
-
António Vasconcelos (1) (3) (4) Alferes “Cmd” 3.ª CCmds Af./74 DEZ 1975 * Bafatá * Inc. 11-1-1956, n. 15-2-1936/S. Domingos
-
Armando Carolino Barbosa (1) (2) Tenente.“Cmd” 2.ª CCmds Af./74 * Bambadinca * Inc. 28-6-1964 (4), n. 11-10-1946/Bafatá
-
Aruna Candé (1) (3) (4) 1.º Sarg. “Cmd” 2.ª CCmds Af./74 * Cuntima * Inc. 2-8-1970, n. 11-6-1946/Farim
-
Augusto Filipe (1) (3) (4) 2.º Sarg. “Cmd” 1.ª CCmds Af. * Cumeré * Inc. 2-1-1970, n. 16-8-1948/Mansoa
-
Bacar Djassi (1) (4) Tenente “Cmd” 3.ªCmds Af./74 * Cumeré * Inc. 26-5-1962, n. 7-1-1944/Fulacunda
-
Bailo Djau (2) (3) (4) Alferes “Cmd” 2.ª CCmds Af./74 1986 * Cumeré * Inc. 3-4-1967, n. 3-4-1946 (fuz. depois de ter sido preso no Senegal)
-
Belente Mepe (8) Furriel “Cmd” (preso em 19-11-1974)
-
Braíma Baldé (1) (2) (3) (4) Alferes“Cmd”CCaç21(1.ªCCmds MAR75) * Bambadinca * Inc. 2-1-1960, n. 2-8-1939/Bafatá
-
Braima Bari (1) (4) Furriel “Cmd” 2.ª CCmds Af./74 * Cumeré * Inc. FEV 1965
-
Braima Camará (3) Furriel “Cmd” Gr.Vingadores (7) * 1975 * Bissau
-
Braima Turé (8) Furriel “Cmd”/ Gr. dos Vingadores 1975(?) * Cumeré(?) * n. 8-8-1948 (preso em 12-12-1974)
-
Bubacar Camará (1) (3 ) (4) Furriel “Cmd” 3.ª CCmds Af./74 * Cumeré * Inc. 2-1-1970, n. 26-1-1946/Cacheu (Gr. Vingadores) (7)
-
Carlos Bubacar Jau (1) (3) (4) Alferes “Cmd” 2.ª CCmds Af. * Cumeré * Inc. 7-11-1971, n. 13-3-1946/Bafatá
-
Carlos D. Facene Samá (1) (3) (4) 2.º Sarg. “Cmd” 2.ª CCmds Af./74 * Portogole * Inc. 2-1-1970, n. 15-8-1949/Farim
-
Cicri Marques Vieira (2) (3) (4) Tenente “Cmd” 2.ªCCmds Af./74 18-12-78 * Portogole * Inc. 15-8-1968, n. 27-1-1945
-
Col Quessanque (3) (4) 1.º Sarg. “Cmd” 3.ª CCmds Af./74 * Mansoa * Inc. 13-1-1958, n. 13-1-1938 (fuzil. púb)
-
Cube Jaló (1) (3) (8) Sold. “Cmd” BCmds/3.ª CCmds 1979 * Bissau
-
Dabo Baldé (1) (4) Furriel “Cmd” 2.ª CCmds Af./74 * Portogole * Inc. 24-10-1966, n. 24-10-1947 (regressado de Dakar) (3)
-
Demba Cham Seca (1) (2) (3) (4) (6) (9) Alferes “Cmd” CCaç 21 25-03-75 * Bambadinca * Inc. 2-1-1960, n. 12-1-1939 (1.ª CCmdsAf./74)
-
Fodé Baió (4) 1.º Sarg “Cmd” 1.ª CCmds Af./74 * Mansoa * Inc. 24-10-1966, n. 1945/Farim
-
Fodé Embaló (3) (4) 1.º Sarg. “Cmd” 1.ª CCmds Af./74 * Bambadinca * Inc. 27-5-1961, n. 1942/ Gabú
-
Francisco Alenquer Imbadé (1) (3) Furriel “Cmd” 3.ª CCmds Af./74 * (?) * Inc. 24-1-1971, n. 20-5-1950
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Granque Camará (1) (3) (8) Soldado “Cmd” 3.ª CCmds Af/74 * 1979 * Bissau
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João Uloma (1) (3) (4) Alferes “Cmd”1.ª CCmds Af./74 * Camjambare (Oio) * Inc. 6-1-1953, n. 8-1-1932/Susana-S. Domingos.
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José Aliú Queta (1) (3) (4) 1.º Sarg. “Cmd” 2.ª CCmds Af./74 * Mansoa * Inc. 3-4-1967, n. 16-4-1946/Mansoa
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Justo Orlando Nascimento Lopes Tenente “Cmd” 1.ª CCmds Af./74 * Cumeré * Inc. 5-1-1963 (1) (2) (4), n. 12-12-1942/Cacheu
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Luís Assaul (3) Soldado “Cmd” 2.ª CCmds Af. * 1986 * (?)
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Malam Baldé (2) (3) (4) (5) Alferes “Cmd” CCaç 20 (3.ª CCmds Af./74) * Cumeré * Inc. 16-1-1959, n. 10-12-1940/Pirada-Gabú
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Mamadu Jaló (1) (3) 1.º Sarg “Cmd” 2.ª CCmds Af/74 * Bafatá * (Gr. Vingadores) (7)
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Mamadu Saliú Bari (1) (4) Alferes “Cmd” 2.ª CCmds Af./74 1977 * Cumeré * Inc. 5-1-1964, n. 9-11-1940/Bafatá
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Manga Mané (1) (2) (3) Furriel “Cmd” 1.ª CCmds/74 DEZ 1975 * Zinguichor * (regressado do Senegal)
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Marcelino Moreira (1) (3) Alferes “Cmd” 2.ª CCmds/74 1975 (?) * Mansoa (?) *
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Marcelino Pereira (1) (3) (4) Alferes “Cmd” 2.ª CCmds Af./74 * Cumeré * Inc. 5-8-1965, n. 27-6-1946/Mansoa
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Mário Bubacar Jaló (1) (3) Furriel “Cmd” 3.ª CCmds/74 * (Portogole?) * Farim, (regressado de Dakar)
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Mussa Camará (1) (3) (8) Furriel “Cmd” 1.ª CCmds Af./74 * 1975 * (?)
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Quecumba Camará (1) (3) (4) 1.º Sarg. “Cmd” 2.ª CCmds Af./74 * Mansoa * Inc. 3-4-1964, n. 1943/Bissorá (fuz. Público)
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Samba Baldé (1) (4) Furriel “Cmd” 1.ª CCmds Af./74* Cumeré * Inc. 2-8-1970, n. 15-8-1946/Bafatá
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Sijali Embaló (3) (4) Furriel “Cmd” 1.ª CCmds Af./74 * Cumeré * Inc. 24-10-1966, n. 7-5-1946/Bafatá
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Silvério Samba Baldé (4) Furriel “Cmd” 2.ª CCmdsAf/74 * Bambadinca * Inc. 2-1-1969, n. 15-1-1947/Gabú
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Tomás Camará (1) (2) (4) (5) Tenente “Cmd” Cmdt CCaç 20 * 1978 * Cumeré * Inc. 8-1-1961 (25 ABR no HMP) n. 1943/Cacine-Catió (1.ª CCmds Af/74)
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Tumane Queta (1) (3) Soldado “Cmd” BCmds (CCS) 1975 (?) * Cumeré
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Zacarias Saiegh (1) (2) (4) (9) Capitão“Cmd” 1.ªCCmds Af./74 18-12-78 * Portogole * Inc. 4-5-1966, n. 5-1945/Cacheu
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Zeca Lopes (3) (4) 1.º Sarg. “Cmd” 1.ª CCmds Af./74 * Biombo * Inc. 1968, n. 28-8-1947/Bissau

Resumo:

Oficiais (20): Sargentos (29): Praças (4 soldados).
1. 2 capitães 1. 8 1.ºs sargentos
2. 6 tenentes 2. 2 2.ºs sargentos
3. 12 alferes 3. 19 furriéis
Totais: 20 oficiais + 29 sargentos + 4 soldados = 53 militares


Notas:


(1) In Queba Sambú (quadro superior/dissidente do PAIGC, em 1987).
Ordem para Matar (…). Lisboa, Ed. Referendo, 1989.
(2) Informação da viúva
(3) Informação da Associação Portuguesa dos Antigos Combatentes da Guiné
(4) Informação da Associação dos Cmds.
(5) Em Junho/73 fora nomeado para a CCaç 20, tendo regressado à CCmds de origem, em AGO/74 (Doc. em arquivo no ex-RCmds)
(6) Em Junho/73 fora nomeado para a CCaç 21, extinta em Agosto de 74, tendo regressado à CCmds onde pertencia (relação de documentos de matrícula em arquivo/ex-RCmds)
(7) O Grupo dos Vingadores era comandado pelo Marcelino da Mata.
(8) Consta da listagem do PAIGC (
Nô Pintcha, de 29-11-1980).
(9) Na sua certidão de óbito (em anexo) consta “ faleceu de fuzilamento”.

Num programa da RTP 1, em 9-5-2006 (
Em Reportagem) foi abordado este tema, com entrevistas de Nino Vieira, Almeida Bruno, Alpoim Calvão, Loureiro Cadete e Caçorino Dias e embaixador Leonardo Matias.
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Nota de M.R.:

Vd. poste do mesmo autor, sobre esta mesma matéria, em:

1 de Dezembro de 2009 > Guiné 63/74 - P5380: Os nossos camaradas guineenses (13): Homenagem aos 53 comandos africanos fuzilados no pós-independência (Manuel Bernardo)

Vd. último poste da série em: