Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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domingo, 31 de maio de 2026
Guiné 61/74 - P28061: Parabéns a você (2491): Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52 (Missirá e Bambadinca, 1968/70)
Nota do editor
Último post da série de 30 de Maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28059: Parabéns a você (2490): Fernando Andrade de Sousa, ex-1.º Cabo Aux. Enfermeiro da CCAÇ 2590/CCAÇ 12 (Bambadinca, 1969/71) e Joaquim Pinto Carvalho, ex-Alf Mil Inf da CCAÇ 3398/BCAÇ 3852 e da CCAÇ 6 (Buba e Bedanda, 1971/73)
sábado, 30 de maio de 2026
Guiné 61/74 - P28060: Efemérides (394): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partiu o T/T Niassa para o CTIG - Parte V: Menos de dois meses depois, a guerra acaba para o Sori Jau, o Braima Bá e o Udi Baldé, os primeiros feridos graves da CCAÇ 2590/CCAÇ12, em Madina Xaquili

O 2º Gr Comb era comandado pelo alf mil at inf António Manuel Carlão (Mirandela, 1947 - Esposende, 2018), que aparece na aqui fotografia, na primeira fila, ajoelhado, olhando no sentido oposto ao do fotógrafo. Atrás dele o soldado Arménio, o nosso "Campanhã", taxista no Porto (era cabo, antes de embarcar mas foi despromovido, por ter apanhado uma porrada, por participação do 1º srgt cav Fragata).
De pé, na terceira fila, os fur mil at inf Tony Levezinho (com quem passei ontem "um dia para mais tarde recordar", na Tabanca da Ponta de Sagres - Martinal) e o OE / Ranger Humberto Reis. Na segunda fila, meio agachados, os 1ºs cabos Branco e Alves (de alcunha o "Alfredo", já falecido).
Um grupo de combate da CCAÇ 2590 (mais tarde, CCAÇ 12) era constituído por 30 homens. Havia 4 Gr Comb. Cada grupo de combate, comandado por um alferes, tinha três secções (1 furriel e 1 cabo e oito soldados, estes africanos).
Cada secção era especializada. Havia a secção dos LGFog, com o respectivo apontador e municiador (1 LGFog 8.9, 1 LGFog 3.7). Havia a secção do Morteiro 60 (apontador e municiador ). E havia ainda a secção da Metralhadora Ligeira HK 21 (apontador e municiador). Cada combatente estava equipado com a espingarda automática G-3 e granadas defensivas. Em geral havia ainda dois apontadores de dilagrama (neste caso, 1ª e 3ª secção).
No caso da CCAÇ 259o / CAÇ 12, Spínola visitar-nos-ia várias vezes, incluindo na nossa semana de campo, em Contuboel. Tal gesto tinha um especial significado para as nossas praças africanas e para alguns de nós, quadros metropolitanos.
Confesso que nunca simpatizei com a personagem (embora fosse o com-chefe). Digo-o, sem com isso querer escamotear ou ignorar o seu papel nas mudanças operadas em Portugal com o 25 de Abril de 1974, nem muito menos ofender os seus admiradores. Para todos os efeitos, foi (e é) uma figura de referência nacional, e como tal a sua memória deve ser respeitada. Competirá aos historiadores definir o seu papel da nossa história.
Ao longo dessas curtas e rápidas semanas aprendemos a conviver com os nossos soldados fulas (e alguns futa-fulas, dois mandingas e um mancanha, num total de menos de uma centena de homens).
Nestas condições, a instrução de especialidade (bem como a IAO), como se deve imaginar, não foi nada famosa. Estávamos a 4 mil km do nosso ponto de partida, o Campo Militar de Santa Margarida, onde, ainda bem me lembro, também brincámos às guerras, e fizemos os nosso "roncos" no essencial, assalto aos "acampamentos do IN a fingir", e pilhagem de tudo o que era bebível e comestível.
Em plena época das chuvas, ainda em fase de adaptação ao terrível clima da Guiné, hostil a qualquer "tuga", em farda nº 3 , espingarda automática G3 ao ombro e cartuchos de salva nos carregadores (à cautela, não fosse o diabo tecê-las, os graduados, tugas, levavam alguns carregadores com bala real)... Estão a imaginar esta "guerra-de-faz-de-conta" ?!
Era ainda a "dolce vita" da Guiné (como eu escrevia no meu diário), aqui e ali perturbada pelas histórias (reais) que a velhice nos contava, a nós periquitos, de Madina do Boé, de Gandembel, e Guileje, "lá longe no sul"...ou mais perto, no sector L1 (Bambadinca) onde decorrera a Op Lança Afiada, três meses antes (março de 1969).
A 21 de julho, menos de dois meses depois da nossa chegada à Guiné, quando ainda nem sequer tinham sido distribuídos os camuflados à nossa tropa africana, temos a nossa primeira "saída para o mato" , seguida do nosso "baptismo de fogo", no sector L1...
De facto, em Madina Xaquili, temos o nosso primeiro ferido grave, evacuado para Bissau, a 24; e a 28, mais dois feridos graves, numa ataque nocturno àquela aldeia fula que será definitivamente abandonada pela sua população e, mais tarde (em outubro), pelas NT.
Para três dos nossos soldados africanos, a guerra havia acabado, mal começara: ficarão definitivamente inoperacionais e/ou incapacitados, não sem que um deles tenha de passar, primeiro, por outro inferno, o do Hospital Militar da Estrela, em Lisboa...
Pergunto-me, com amargura, o que será feito de vocês três, camaradas guineenses, 57 anos depois ? O mais provável é que já tenha morrido todos:
- o Sori Jau (3º Gr Combate, evacuado para o HM 241);
- o Braima Bá (inoperacional, do 2º Gr Com);
- o Udi Baldé (evacuado para Lisboa e retornado a casa com 35% de incapacidade física), também do 2º Gr Comb ?
Madina Xaquili é uma história para voltar a recordar. Ficava enter o rio Corubal e Dulombi, no sub-sector de Galomaro que foi depois transformado em Sector L5 da Zona Leste.
Postes anteriores da série >
28 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28057: Efemérides (392): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partiu o T/T Niassa para o CTIG - Parte III: Do Campo Militar de Santa Margarida ao Centro de Instrução Militar de Contuboel (ou de Bolama)
27 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28055: Efemérides (391): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partiu o T/T Niassa para o CTIG - Parte II: "o cruzeiro das nossas vidas"
Guiné 61/74 - P28059: Parabéns a você (2490): Fernando Andrade de Sousa, ex-1.º Cabo Aux. Enfermeiro da CCAÇ 2590/CCAÇ 12 (Bambadinca, 1969/71) e Joaquim Pinto Carvalho, ex-Alf Mil Inf da CCAÇ 3398/BCAÇ 3852 e da CCAÇ 6 (Buba e Bedanda, 1971/73)
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Nota do editor
Último post da série de 28 de Maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28056: Parabéns a você (2489): António Acílio Azevedo, ex-Cap Mil, CMDT da 1.ª CCAV/BCAV 8320/72 e da CCAÇ 17 (Bula e Binar, 1973/74)
sexta-feira, 29 de maio de 2026
Guiné 61/74 - P28058: Efemérides (393): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partiu o T/T Niassa para o CTIG - Parte IV: "E tudo o vento levou"... Os navios de transporte de tropas
A caminho da Guiné > A bordo do Niassa > c. 24-29 de maio de 1969 > Quadros metropolitanos da CCAÇ 2590 (futura CCAÇ 12), na viagem de Lisboa-Bissau. Da esquerda para a direita: 2º sargento Alberto Videira (já falecido), furriéis milicianos António Branquinho (já falecido), Tony Levezinho, Humberto Reis, Joaquim Fernandes, eu (Graça Henriques) e Luciano Almeida (já falecido). Na mesa de trás, ao fundo, receonhece-se, à ponta, do lado esquerdo, o João Martins, o nosso "pastilhas" (fur mil enf).
1. Foi há 57 anos que embarquei para a Guiné no T/T Niassa, regressaria 22 meses depois no T/T Uíge (*).
Recorde-se aqui a "epopeia" do transporte marítimo (e depois aéreo) de tropas para o Ultramar, a pretexto de mais uma efeméride.
Em finais dos anos 50, depois de investimentos públicos de grande envergadura, a marinha mercante portuguesa tinha atingido o seu desenvolvimento máximo. Éramos uma "potência marítima", com uma frota de 22 paquetes, somando no total de 167 000 toneladas. (Sem esquecer a frota pesqueira, e nomeadamente a "frota branca", que ia á pesca do bacalhau na Terra Nova e na Gronelândia.)
- com cerca de 30 000 toneladas cada um;
- sendo capazes de transportar mais de 1000 passageiros ou mais de 2000 soldados.
O Niassa foi o primeiro paquete fretado como transporte de tropas e de material de guerra, por portaria de 4 de Março de 1961. O Vera Cruz, por sua vez, seria aquele a fazer mais viagens, chegando a realizar 13 num ano:
- em 1961, efectuaram-se 19 travessias por nove paquetes em missão militar;
- o ritmo aumentou à medida que a força expedicionária em África crescia;
- em 1963, tinham-se efectuado 27 viagens por oito paquetes;
- e, em 1967, 33 por nove.
- até 1974, o mar foi grande via de ligação ao império, tendo mais de 90 por cento da carga e de 80 por cento do pessoal metropolitano empenhado na guerra sido transportado em navios
2. Recorramos, mais uma vez, ao nosso "enciclopédico" Pedro Marquês de Sousa, autor de "Os números da Guerra de África" (Lisboa, Guerra & Paz Editores, 2021, pp. 306 e ss.), que tem informação preciosa sobre esta matéria no seu capítulo IV (As despesas da guerra).
- Vera Cruz: 85;
- Niassa: 66;
- Uíge: 47;
- Ana Mafalda: 22;
- Índia: 13;
- Cuanza: 11;
- Império: 9;
- Pátria:7;
- Carvalho Araújo: 5;
- Arraiolos (em 1961, para Angola, e depois em 1974, para a Guiné);
- Sofala (em 1963, para a Guiné);
- Timor: 2 viagens para a Guiné em 1967; outra, em 1969, para a Guiné; em 1970, para Angola; em 1971, outra para Angola e Moçambique,
- em 1974, os navios Bragança, Cabo Bojador e Alcobaça, fizeram uma viagem para a Guiné;
- e em 1975 realizaram uma viagem a Angola e Moçambique os navios Lendas, Beiras, Amarante, Infante D. Henrique, e o Serpa Pinto;
- e ainda em 1975, mas só para Angola, viajaram o Papacostas, o Panarrange (duas viagens), o Lobito, o Novo Redondo e o Leixões (pág. 309), nomes de navios de que nunca tínhamos ouvido falar...
- não são referidos o N/M Angra do Heroísmo, o N/M Rita Maria e o N/M Alenquer;
- o N/M Lima não sabemos se alguma vez foi à Guiné;
- mas há ainda o N/M Alfredo da Silva (que viajava para a Guiné, era da SG / CUF);
- e, se calhar outros, que não nos vêm à memória.
- N/M Niassa (72)
- N/M Uíge (72)
- N/M Carvalho Araújo (26)
- N/M Ana Mafalda (22)
- N/M Angra do Heroísmo (10)
- N/M Timor (7)
- N/M Quanza (6)
- N/M Vera Cruz (6)
- N/M Rita Maria (4)
- N/M Alenquer (3)
- N/M Alfredo da Silva (3)
- N/M Ambrizete (3)
- N/M Funchal (1)
- N/M Benguela (1)
- N/M Funchal (1)
- N/M Santa Maria (1
O N/M Funchal nunca transportou tropas que eu saiba, era um navio de cruzeiro... Transportou, sim, em fevereiro de 1968, o presidente da República, Américo Tomás, e sua comitiva na visita à Guiné, ainda no tempo do gen Arnaldo Schulz. Daí ter uma referência no nosso blogue.
- 9/10 dias, Lisboa-Luanda;
- 5/6 dias, Lisboa-Bissau;
- 19/22 dias, Lisboa-Moçambique (dependendo do porto de desembarque).
Último poste da série > 29 de maio de 2026> Guiné 61/74 - P28057: Efemérides (392): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partiu o T/T Niassa para o CTIG - Parte III: Do Campo Militar de Santa Margarida ao Centro de Instrução Militar de Contuboel (ou de Bolama)
quinta-feira, 28 de maio de 2026
Guiné 61/74 - P28057: Efemérides (392): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partiu o T/T Niassa para o CTIG - Parte III: Do Campo Militar de Santa Margarida ao Centro de Instrução Militar de Contuboel (ou de Bolama)
T/T Niassa > c. 24-29 de maio de 1969 > A caminho da Guiné > CCAÇ 2590 (futura CCAÇ 12 ) > Da esquerda para a direita, fur mil at inf António Fernando R. Marques (vive em Cascais), 1º sgr cav Fernando Aires Fragata (presumivelmenet já falecido), fur mil trms José Fernando Almeida (vive em Óbidos), fur mil OE Humberto Simões dos Reis (vive em Alfragide), fur mil at inf António Manuel Martins Branquinho (1947-2013, vivia em Évora, se não erro, na Rua Heróis do Ultramar), e alf mil cav José António G. Rodrigues (falecido em 2011, morava então em Torres Novas).
O 1º sargento cav Fernando Aires Fragata iria deixar-nos ao fim de algum tempo, para seguir o curso de oficiais, na antiga Escola Central de Sargentos, em Águeda, ficando o 2º srgt at inf José Martins Rosado Piça a chefiar a secretaria da CCAÇ 2590, em Bambadinca; sei que lhe dei, ao Fragata, explicações de português, e o Humberto Reis, explicações de matemática, e o António Levezinho, também... Nunca mais soubemos do seu paradeiro. Tivemos alguns "desaguisados", era um homem de personalidade forte, e para mais de cavalaria.
T/T Niassa > c. 24-29 de maio de 1969 > A caminho da Guiné > CCAÇ 2590 (futura CCAÇ 12) > José Fernando Almeida 2º srgt at inf José Martins Rosado Piça (1933-2021) (vivia em Évora). o António F. Marques, o António Branquinho, o Fernando Fragata, o José António Rodrigues e o Humberto Reis.
T/T Niassa > c. 24-29 de maio de 1969 > A caminho da Guiné > CCAÇ 2590 (futura CCAÇ 12) > Da esquerda para a direita, José Fernando Almeida, o António Fermandes Marques e o Fernando Fragata (1º plano); o António Branquinho, o José António Rodrigues e o Humberto Reis (em 2º plano).
Muitos dos combatentes da "guerra do ultramar" (como se dizia na época, a censura não deixava dizer "guerra colonail"...) passaram por este percurso, aqui descrito ou advinhado, e nomeadamente os que foram parar ao CTIG (Comando Territorial Independente da Guiné):
- saída do Campo Militar de Santa Margarida,
- viagem nocturna, de comboio, pela linha da Beira Baixa até ao Cais da Rocha de Conde de Óbidos;
- embarque no T/T Niassa (ou no T/T Uíge ou outro);
- "adeus pai, adeus mãe, adeus amigos e companheiros, adeus minha terra que vou para longe";
- "Tejo meu, Madeira, mar encapelado dos Açores e das Canárias, vómitos e saudades";
- África Ocidental, Guiné, o insuportável calor de Bissau, LDG Rio Geba acima, Xime, Bambadinca, Bafatá, CFIM Contuboel... (ou noutros casos, Bissau, CIM Bolama).
Vale a pena conservar os tiques da linguagem castrense da época... Algumas siglas já não as sabemos descodificar... Em 1969 era ainda o país de Suas Excelências. E do respeitinho. O país do Deus, Pátria e Família. Das missas campais e das paradas militares. Do patriotismo serôdio e decadente... Por muito estranho que pareça, era o nosso país, a nossa pátria, de há cinquenta e tal anos atrás... A Pátria que tivemos e temos, e que temos de assumir por inteiro, com o bom e o mau, o menos bom e o menos mau. Não há pátrias perfeitas.
Em 3 de Agosto de 1968 (dizem), o prof António Salazar tinha caído da sua cadeira, quando fazia férias no Forte de Santo Antório do Estoril. Um mês e tal depois, em 27 de Setembro o seu antigo delfim, o prof Marcello Caetanto, vem substituí-lo na Presidência do Conselho de Ministros.
2. Adapt. de História da CCAÇ 12 (1969/71). Bambadinca: Companhia de Caçadores nº12. 1971. Capítulo I. 1-2.
Mobilização para o CTI da Guiné
Pela nota-circular nº 00864/PM-Pº 18/2590 da Secção de Administração e Mobilização de Pessoal da 1ª Repartição do Estado-Maior do Exército, de 14 de Fevereiro de 1969, era dada ordem para se proceder a mobilização da Companhia de Caçadores 2590 (CCAÇ 2590) (futura CCAÇ 12), destinada a reforço do CTIG, e tendo como Unidade Mobilizadora o RI [Regimento de Infantaria] 15.
A mesma nota determinava que os quadros da CCAÇ 2590 seriam do origem metropolitana, sendo o restante pessoal fornecido pelo recrutamento da PU [Província Ultramarina] (c. 90 praças, das quais 11 seriam soldados arvorados ou cabos).
A apresentação do pessoal mobilizado pela Metrópole fez-se no Campo Militar de Santa Margarida, de 3 a 8 de Março de 1969.
Guiné 61/74 - P28056: Parabéns a você (2489): António Acílio Azevedo, ex-Cap Mil, CMDT da 1.ª CCAV/BCAV 8320/72 e da CCAÇ 17 (Bula e Binar, 1973/74)
Nota do editor
Último post da série de 26 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28052: Parabéns a você (2488): Jorge Narciso, ex-1.º Cabo Especialista MMA (FAP) BA 12 (Bissau, 1969/70)
quarta-feira, 27 de maio de 2026
Guiné 61/74 - P28055: Efemérides (391): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partiu o T/T Niassa para o CTIG - Parte II: "o cruzeiro das nossas vidas"
1. Um velho poema meu... Quando fui para a Guiné no navio misto, de carga e passageiros, "Niassa", com pouco mais de 150 metros de comprimento. e 10,7 mil toneladas de arqueação bruta... Levava 1735 homens para a guerra (fora a tripulação, que era de c. 130)...
Durante anos recusei cruzeiros, aliás só fiz um, à Grécia, antes da pandemia, para "recordar"... Mas sou "crítico" dos cruzeiros turísticos... Ao primeiro, que fiz, em 24-29 de maio de 1969, no T/T Niassa, chamei-lhe, por ironia, "o cruzeiro da minha vida"...Já não sou mais o mesmo de há meio século atrás...Nem poderia sê-lo. Mas aqui vai, em jeito de filme do tempo do cinema mudo, com intertítulos, uma evocação "poética" desse cruzeiro, em que "viajaram" também amigos que depois fiz para a vida como o Humberto Reis, o Tony Levezinho, o António Fernandes Marques, o sargento Piça, o Arlindo T. Roda, o Luciano Severo de Almeida, e tantos outros, alguns dos quais vim aqui a reencontrar no blogue como o Carlos Fortunato, o Eduardo Estrela, o José Nascimento, o Luís Nascimento, etc.
Quando o Niassa apitou três vezes
Uma estranha maneira de dizer adeus,
um estranho povo este
que vem ajoelhar-se, no cais de partida,
não em oração para aplacar a ira dos deuses, mas vergado,
vergado à toda poderosa razão de Estado.
A tentacular força centrífuga
que, de há séculos, te leva os filhos teus, para fora,
para longe, bem para longe, muito para lá do mar.
Uma despedida breve,
com lágrimas salgadas no rosto
e lenços brancos em fundo preto.
Todas as despedidas são breves e tristes:
o momento em que o Niassa apita três vezes
e levanta a âncora,
nunca se poderia eternizar,
diz o capitão de terra, ar, mar e guerra,
lencinho ao pescoço, cheirando a Vat(e) 69,
pronto para a ação
... na mesa do king, do bridge ou da lerpa.
Passado o Bugio,
deixado para trás o velho do Restelo
desvanecido o azul da serra de Sintra,
há um briefing às cinco da tarde,
já em velocidade de cruzeiro,
no mar alto que outrora foi português.
O anúncio é do capitão,
muito pouco ou nada miliciano,
que serve de mordomo, pequeno e burguês.
que nunca ouviu falar da batalha de Dien Bien Phu
nem sabe onde fica a ilha do Como.
E o filme da noite é uma comédia, do cinema mudo,
que no T/T Niassa faz de porteiro
ao bar Cretcheu, Guiné.
Um gajo bacano, num país de bacanos, fulanos e sicranos,
de soldados rasos, primeiros cabos, furriéis, alguns forcados,
e segundos sargentos, mangas de alpaca.
Uma tragicomédia, escreverás tu no teu diário.
Cadé os oficiais ?
Cadé a elite da nação ?
Onde estão os filhos-família,
a ínclita geração,
os primeiros, a fina flor, os morgados,
os cavaleiros andantes, os primogénitos,
o sangue azul, o pedigree,
os melhores de todos nós ?
... Morreram todos em Alcácer Quibir.
Lisboa revista, revisitada, revistada,
em filme de oito milímetros,
a preto e branco ou a preto e negro, dizes tu, corrosivo,
uma só nação, valente mas ferida mortalmente,
ironiza alguém.
O Niassa colonial na azáfama do seu vai-e-vem
antes de ir parar à sucata,
inglória a sucata da história que tu perdeste
aos dezoitos anos, quando deste o teu nome para as sortes.
Estranha palavra essa, a das sortes,
que rima com desnortes e com mortes e com fortes,
que dos fracos não reza a história.
A despedida breve e triste do Niassa,
o teu primeiro e único cruzeiro da vida,
e ainda mais triste é o filme, sem som,
sem palavras desnecessárias, a preto e branco,
que alguém terá feito no cais das sete partidas,
com a noiva que ia vestida de branco
A ponte, ainda reluzente, de Salazar, o velho,
o velho abutre que alisa as suas penas,
dirás tu, Sophia, pitonisa de Delphos,
quase morto mas não enterrado.
Os últimos golfinhos do Tejo,
a última fragata de vela erguida,
a última caravela,
a última nau do cais da Ribeira,
o último império que ficou por haver,
o último marinheiro sem terra,
sinal de tempestade,
o último uísque marado
que ficou por beber, de um trago
numa espelunca do Cais do Sodré, amargo,
o mudo do Cristo Rei em terra
que outrora foi dos infiéis,
o Terreiro que continua do Paço, não do povo…
Lisboa e o seu casario, branco, sujo,
o filme a preto e branco, riscado,
um gato preto à janela,
sinal de mau agoiro.
Lisboa... e lá longe a Guiné,
Lisboa, enfim, com as suas ruínas, pré-pombalinas,
o poço dos mouros, o poço dos negros,
o lundum, a umbigada,
a procissão da Nossa Senhora da Saúde,
mais a Santa Inquisição,
zelando pela pureza da raça e do sangue,
zurzindo corpos e almas,
o Cemitério dos Prazeres ao alto,
com os seus altos ciprestes negros,
os mastros dos navios da carreira colonial,
o império por um fio, dental,
a vida, ainda curta, que se recapitula, de fio a pavio,
no último comboio da noite
que veio do campo militar de Santa Margarida.
Ah!, e os jacarandás que, em fins de maio, já choram,
de lágrimas lilases,
e as santas das nossas mães que ficaram em casa,
a acender a vela à santa das santas,
a tecer o lenço de enxugar lágrimas,
um fado que tu ouviste numa tasca do Bairro Alto,
e que já não era batido nem dançado nem cantado,
um fado apenas gemido, sussurrado.
Ordeiros os soldados,
como os cordeiros da matança da Páscoa,
anhos, dizem no Norte,
como os elétricos amarelos
que vão para a Cruz Quebrada,
empilhados, aboletados, requisitados
às mães para servir a Pátria,
o pai-patrão que lhes cobra o dízimo
em sangue, suor e lágrimas.
Mudos, agrilhoados, os básicos,
uns refratários, outros desertores,
apontadores de dilagrama,
municiadores de metralhadora,
desenfiados, traidores, atiradores,
cangalheiros, sacristães, capelães,
safados, bufarinheiros, cavaleiros,
trolhas, cavadores de enxada,
infantes, artilheiros, maqueiros,
Coitadas das mães que tais filhos pariram,
diz a letra do ceguinho,
subindo o portaló, o cadafalso,
com um nó na garganta mal disfarçado,
os lenços brancos como em Fátima no 13 de maio.
Algumas bandeiras verdes-rubras,
poucas e loucas, que os tempos não são
de exaltação patriótica.
O hino canta-se em voz de cana rachada,
em disco riscado
por senhoras, poucas e roucas,
do Movimento Nacional Feminino.
A mesma atitude, admirável, de patética resignação
perante o arbítrio dos deuses
que tudo pedem e podem, diz o capelão,
cheio de unto e de virtude,
que este é um povo religioso
porque tem o sentido do pathos,
leia-se: da tragédia inelutável,
acrescenta o bispo de merda…suma.
Senhora Nossa, rogai por nós, pecadores,
protege-nos, das minas e armadilhas,
dos fornilhos e das bailarinas,
das canhoadas e roquetadas,
das morteiradas, dos estilhaços
e dos tiros de "costureirinha",
protege-nos do IN, leia-se inimigo,
dos esquentamentos e das sezões,
dos ataques de abelhas e das formigas carnívoras,
mas também do cone de fogo
das nossas bazucas e canhões sem recuo,
das piçadas e dos louvores dos nossos comandantes...
Livrai-nos sobretudo de nós mesmos,
soldados malgré nous, soldados à força,
arrebanhados, arregimentados, requisitados,
condenados, ameaçados, camuflados,
acondicionados no porão como bestas
que vão para o matadouro.
Livrai-nos, Senhora Nossa,
da fome, da peste e da guerra,
e do marechal da nossa terra
que nos manda para tão longe.
Lisboa e as suas sete colinas
perdem-se na linha de água.
Puseste o combate do possível
na tua agenda de expedicionário da Guiné.
Puseste o fio com a medalha de ouro
ao peito, que te deu a tua namorada, coitada.
Não, não usas a cruz, o crucifixo, o amuleto,
não vais para a guerra santa,
não, senhor capelão-mor,
alguém há de rezar por ti, camarada,
para que voltes são e salvo.
Do regulamento é apenas a chapa de zinco,
com o número mecanográfico 13151468,
e o picotado ao meio,
para mais facilmente ser cortada em duas partes
que seguirão caminhos distintos,
tudo isto face ao risco, bem real e concreto,
de tu morreres longe, bem longe
da tua casa, da tua pátria, para lá do mar,
em terra que nunca te viu nascer.
Descansa, camarada,
alguém fará o teu espólio,
cerrará os teus dentes,
fechará os teus olhos,
engraxará as tuas botas,
e porá um moeda na boca
para pagares a viagem ao barqueiro Caronte,
no caso de morreres pela Pátria,
ainda jovem, belo e imberbe,
nas bolanhas, rias ou matas da Guiné
Levarás contigo a pedra-chave
que te liga ao além,
uma chapa de zinco, picotada ao meio,
que outrora era de xisto ou de grés,
entre o teu antepassado
calcolítico, castrejo, romanizado.
Respeitaremos a tua última vontade,
lavrada no cimento fresco do teu abrigo:
Camaradas (que colegas é só nas putas!,
se eu morrer aqui,
que me enterrem,
numa anta do meu país megalítico!
A bordo do T/T Niassa,
a caminho da Guiné,
24-29 de maio de 1969.
Visto, revisto, aumentado e melhorado,
__________________
Guiné 61/74 - P28054: Efemérides (390): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partia o T/T Niassa para o CTIG - Parte I: eram 1735 homens pertencentes às seguintes subunidades: CART 2520, CART 2521, CCAV 2525, CCAÇ 2527, CCAÇ 2529, CCAÇ 2531, CCAÇ 2533, CCCAÇ 2590/CCAÇ 12, CCAÇ 2591 / CCAÇ 13, CCAÇ 2592 / CCAÇ 14 , CMP 2537, além dos Pel Mort 2116, Pel Mort 2117 e Pel Can S/r 2126
N/M Niassa > Ficha técnica:
(i) navio misto (carga e passageiros), de 1 hélice;Foi neste navio, adaptado a transporte de tropas (T/T), que viajaram (!), de Lisboa para Bissau, diversas companhias independentes, com partida a 24 de maio de 1969, incluindo a CCAÇ 2590 (futura CCAÇ 12), a CCAÇ 2591 (futura CCAÇ 13) ( do Carlos Fortunato), a CCAÇ 2592 (futura CCAÇ 14) ( do Eduardo Estrela), bem como a CCAÇ 2533 (dos nossos camaradas Luís Nascimento e Joaquim Lessa) ou ainda a CART 2520 (do José Nascimento, do Renato Monteiro, etc.) e ainda a CPM 2537 (a que pertenceu o antigo secretário geral do PCP - Partido Comunista Português, Jerónimo de Sousa). Um pequeno "fait divers" para a história...
Crédito fotográfico: Navios Mercantes Portugueses (2004) (Foto aqui reproduzida com a devida vénia...) (A página foi descontinuada).
- CART 2520, Xime, Enxalé, Mansambo e Quinhamel (73 referèncias)
- CART 2521 (Aldeia Formosa, Nhala e Mampatá) (7 referências)
- CCAV 2525
- CCAÇ 2527, Bigene (2 referências)
- CCAÇ 2529 (4 referências)
- CCAÇ 2531 (3 referências)
- CCAÇ 2533 (Canjambari e Farim) (63 referências ) (referências)
- CCAÇ 2590 (25 referências( (futura CCAÇ 12) (Contuboel e Bambadinca) (506 referências)
- CMP 2537 (8 referências)
- Dos Pel Mort 2116, Pel Mort 2117 e Pel Can S/r 2126 e restantes (pessoal de do Regimento de Serviços de Ssaúde e do Depósito Geral de Adidos)... não temos nenhuma referência.
T/T Niassa > 24 de maio de 1969 > Uma imagem repetida "as nauseam" ao longo da guerra colonial: o transporte de tropas era feito em cargueiros, mistos, adaptados... As condições a bordo eram inaceitáveis para seres humanos ... Neste caso foram transportadas 13 companhias independentes. num total de 1735 homens. As praças eram "acomodadas" em beliche, nos porões, como animais levados para o matadouro. Com capacidade para 3 centenas de passageiros, além de cerca de 130 tripulantes, o T/T Niassa, a caminho do TO da Guiné aumentava a "carga humana" cinco ou seis vezes mais... Não consta que algum dia tenha havido alguma revolta a bordo: os oficiais iam em 1a. classe, os sargentos em classe turística, as praças na... 3a. classe. O poder sempre soube dividir para reinar. De resto, era "a ordem natural das coisas"...
Foto do livro "Histórias da CCAÇ 2533" [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]__________________
ÚLtimo poste da série > 26 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28053: Efemérides (389): 10 de junho de 2026, Dia do Combatente Limiano (Manuel Oliveira Pereira)
terça-feira, 26 de maio de 2026
Guiné 61/74 - P28053: Efemérides (389): 10 de junho de 2026, Dia do Combatente Limiano (Manuel Oliveira Pereira)
Cartaz das Comemorações do 10 de Junho de 2026 em Ponte de Lima. Cortesia da págima do Facebook do nosso nosso camarada Manuel Oliveira Pereira, que é advogado e membro da Liga dos Combatentes - Núcleo de Ponte de Lima; ex-fur mil , CCAÇ 3547 , "Os Répteis de Contuboel" (Contuboel, 1972/74), membro da Tabanca Grande desde 17/10/2005, portnato um dos nossos históricos.
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Nota do editor LG:
Último poste da série > 30 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27972: Efemérides (388): Memórias de Abril (1970/71/72) (José Câmara, ex-Fur Mil Inf)Guiné 61/74 - P28052: Parabéns a você (2488): Jorge Narciso, ex-1.º Cabo Especialista MMA (FAP) BA 12 (Bissau, 1969/70)
Nota do editor
Último post da série de 18 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28031: Parabéns a você (2487): Joaquim Fernandes Alves, ex-Fur Mil Art da CART 1659 (Gadamael, 1967/68)
segunda-feira, 25 de maio de 2026
Guiné 61/74 - P28051: Álbum fotográfico de Ernestino Caniço, ex-alf mil cav, Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa, e Rep ACAP/QG/CCFAG, Amura, Bissau, 1970/72 - Parte III: dissociar o binómio População / IN
Fotos (e legendas): © Ernestino Caniço (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
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Ernestinmo Caniiço, médico de famíla, inscrito da OE, desde 1977, nº 17053 |
Ernestino Caniço (ex-Alf Mil Cav, Comandante do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Acção Psicológica, QG/CCFAG, Bissau, jan 1970/ dez 1971, hoje médico, vive em Tomar, estando reformado do SNS (em 1971, era chefe da Rep ACAP o major inf Mário Lemos Pires, que será entretanto promovido a tenente-coronel; trabalhou com o então cap Otelo Saraiva de Carvalho):
Data - domingo, 24/05, 17:35 (há 13 horas)
Assunto - Rep ACAP
Caros amigos
Em resposta aos comentários ao poste P28042 (*), posso exprimir o seguinte:
A população do “mato” (“turra”) estava em fase de sensibilização e recuperação pelas NT.
Após as visitas anteriormente referidas, as populações optavam por ficar nos reordenamentos já referenciados, ou regressavam às suas tabancas.
Ninguém era “obrigado” a ficar. A decisão era sempre dos próprios de acordo com os seus critérios opcionais.
Os reordenamentos em apreço eram construídos, também, pelos militares metropolitanos e/ou pela população, que ainda colaboravam no apoio e participação na agricultura, conforme se pode verificar em algumas fotos expostas.
A população (presumivelmente balantas, a das fotos) sofrida e explorada, sem condições de vida aceitáveis no “mato,” vislumbrava alguma melhoria do lado dos metropolitanos. O seu semblante sugere-me desconfiança. Provavelmente indecisos entre a expectante melhoria da qualidade de vida e a situação deplorável no “mato”, com putativas represálias.
Os intervenientes para essa promoção, como eu, cumpria as diretivas e/ou diretrizes, do Governador e Comandante Chefe (Gen Spínola), conforme foi redigido pelo cap Otelo Saraiva de Carvalho, subscrito pelo ten coronel Lemos Pires e publicado na O.S. de 14dez71 do Com-Chefe /QG/CTIG (nos muitos contactos que teve com as populações evidenciou perfeita identificação com a manobra psicológica em curso no TO, contribuindo de forma bastante satisfatória para o cumprimento da missão da Rep ACAP).
Não me movia qualquer motivação político-ideológica, com total alheamento da mesma, e nem agora é o meu forte.
Na foto nº vê-se, de costas, alf Fidalgo numa das suas visitas: pertencia à Rep ACAP (Secção de Operações Psicológicas) e que eu fui substituir.
Aproveito para anexar mais algumas das fotografias que possuo sobre esta temática.
Um abraço,
Ernestino Caniço
Obrigado, Ernestino, obrigado por estas preciosas (e raras) fotos... Acho que respondeste cabalmente às minhas perguntas e observações, com exceção da última:
(i) era população do "mato", em fase de "recuperação / integração ?
(ii) são balantas (pelo vestuário rudimentar);
(iii) estão a visitar um reordenamento
(iv) quem seria o alferes ? da ACAP ? ou da unidade a que pertencia o reordenamento ?
(v) donde veio esta gente ? havia também guerrilheiros ?
Temos de reconhecer, mais de meio século depois, o fantástico trabalho que as NT que fizeram (sob a superior orientação da Rep ACAP / QG / CTIG, ao tempo do governador e comandante-chefe, gen António Spínola) no plano da recuperação e reintegração das populações que viviam no "mato", nas chamadas "zonas libertadas" do PAIGC.
Foram portugueses generosos, competentes e dedicados, como vocês, tu, Ernestino Caniço, o Fidalgo, o Otelo Saraiva de Carvalho, o Lemos Pires e tantos outros, que passaram pela Rep Acap, que ajudaram a comprovar que aquela guerra (e os "senhores da guerra") não podia levar a Guiné a lado nenhum, e que só havia uma via para acabar com ela: sentar à mesa todos as partes interessadas, os combatentes de um lado e do outro, e a população civil que os apoiava (ou tolerava).
Foi feita um esforço gigantesco com a construção, até 1974, de mais de 8 mil casas para alojar população sob duplo controlo ou controlo do PAIGC (que vivia no "mato"). E com as casas, veio a escola, o posto sanitário, a água potável, a estrada, o convívio pacífico interétnico, etc. Estas fotos do nosso amigo e camarada Ernestino Caniço, que depois da "peluda" licenciou-se em medicina pela Universidade de Coimbra (1976), são a prova de que as guerras não se ganham só por ação dos "rambos" e cabras-matchu" mas pela arte e engenho da paz, da empatia, da solidariedade, da partilha, da inteligência, da participação de "todos" na busca de soluções duradouras para os conflitos...
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Nota do editor LG:
Último poste da série > 20 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28042: Álbum fotográfico de Ernestino Caniço, ex-alf mil cav, Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa, e Rep ACAP/QG/CCFAG, Amura, Bissau, 1970/72 - Parte II: recuperar a gente do "mato"

























