Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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quarta-feira, 8 de junho de 2011
Guiné 63/74 - P8390: Agenda Cultural (130): Ciclo de Conferências-debate Os Açores e a Guerra do Ultramar - 1961-1974: história e memória(s) (Carlos Cordeiro) (3): Convite para o dia 9 de Junho de 2011
1. Mensagem do nosso camarada Carlos Cordeiro (ex-Fur Mil At Inf CIC - Angola - 1969-1971), Professor na Universidade dos Açores, com data de 5 de Junho de 2011:
Caríssimo Carlos,
Mando-te a notícia da próxima conferência, com o material, incluindo a foto do conferencista.
Um abraço amigo do
Carlos
Ciclo de conferências-debate
“Os Açores e a Guerra do Ultramar – 1961¬ 1974: história e memória(s)”
No âmbito do ciclo de conferências-debate “Os Açores e a Guerra do Ultramar – 1961-1974: história e memória(s)”, José M. Salgado Martins, coronel reformado e mestre em História Insular e Atlântica pela Universidade dos Açores, proferirá, no próximo dia 9 do corrente (5.ª feira), a conferência “O Exército na Guerra do Ultramar: a experiência de um comandante de companhia”. O evento terá lugar no anfiteatro “C” do Pólo de Ponta Delgada da Universidade dos Açores, com início pelas 17H30 e estará aberto à participação de todas as pessoas interessadas.
Trata-se de uma organização do Centro de Estudos Gaspar Frutuoso do Departamento de História, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade dos Açores, que teve início em 6 de Maio p. p., com a conferência do ten.-gen. Alfredo da Cruz “A Força Aérea na Guerra do Ultramar: experiência de um piloto de combate”.
O Coronel de artilharia José Manuel Salgado Martins é natural de Paços, distrito de Vila Real. Ingressou na Academia Militar em 1965. Desempenhou duas comissões de serviço como comandante de companhia: em Angola (1969-1971) e na Guiné (1972-1974). Colocado nos Açores em 1966, ali exerceu grande parte da sua vida profissional, tendo comandado o Grupo, depois Bateria de Artilharia de Guarnição n.º 1, o Regimento de Guarnição n.º 2, entre outras funções de comando. Licenciado em História e mestre em História Insular e Atlântica pela Universidade dos Açores, foi fundador e director do Museu Militar dos Açores desde 1999 até à sua passagem à reforma, em 2007. É autor de vários livros e artigos sobre temáticas ligadas à História Militar.
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Notas de CV:
(*) Vd. poste de 14 de Maio de 2011 > Guiné 63/74 - P8272: Agenda cultural (122): Ciclo de Conferências-debate Os Açores e a Guerra do Ultramar - 1961-1974: história e memória(s) (2) (Carlos Cordeiro)
Vd. último poste da série de 8 de Junho de 2011 > Guiné 63/74 - P8389: Agenda Cultural (129): Apresentação do livro Dias de Coragem e de Amizade, de Nuno Tiago Pinto, no dia 7 de Junho passado na sede da ADFA (Miguel Pessoa)
Guiné 63/74 - P8389: Agenda Cultural (129): Apresentação do livro Dias de Coragem e de Amizade, de Nuno Tiago Pinto, no dia 7 de Junho passado na sede da ADFA (Miguel Pessoa)
1. Em mensagem do dia 7 de Junho de 2011, recebemos do nosso camarada Miguel Pessoa, ex-Ten Pilav, BA 12, Bissalanca, 1972/74, hoje Coronel Pilav Reformado, a reportagem que se segue, referente à apresentação do livro "Dias de Coragem e de Amizade", de Nuno Tiago Pinto.
APRESENTAÇÃO DO LIVRO “DIAS DE CORAGEM E DE AMIZADE”
Este jornalista passou anteriormente pela SIC Notícias e O Independente, e está desde 2006 ligado à revista Sábado, onde é subeditor da secção Portugal.
Na mesa de honra estavam o anfitrião, Comendador José Arruda, presidente da ADFA, ladeado pelo autor, Nuno Tiago Pinto, e Marta Paixão, da editora “A esfera dos livros”. Nos extremos da mesa sentavam-se ainda o fotógrafo Rafael G. Antunes, que colaborou neste livro, e o nosso camarada Carlos de Matos Gomes, autor do prefácio da obra.
Nas palavras de apresentação do livro, Matos Gomes realçou a franqueza e lealdade que ressalta dos depoimentos incluídos na obra. Por sua vez o autor referiu que este livro retrata os momentos mais dramáticos dos cinquenta entrevistados, ex-combatentes na guerra de África.
Com esta edição o autor pretendeu assinalar os 50 anos do início da guerra colonial. A tomada de contacto com as realidades vividas pelos entrevistados acabou por ultrapassar o objectivo inicial. Afinal, trata-se de aproximar as pessoas de episódios relativamente recentes da nossa História, mas que parecem longínquos para tantos, hoje em dia; e de dar voz aos antigos combatentes, para que eles pudessem de alguma forma relatar aquilo por que passaram – ou que ainda passam, na actualidade.
Após esta apresentação iniciou-se a sessão de autógrafos, que reuniu bastantes interessados. Por curiosidade refira-se que o autor aproveitou a oportunidade para solicitar aos presentes que autografassem o seu próprio livro, nos capítulos que diziam respeito aos entrevistados.
Miguel Pessoa
Giselda com Manuel Bastos, ex-combatente em Moçambique, DFA, autor do livro “Cacimbados – A vida por um fio”.
Carlos de Matos Gomes e José Arruda, presidente da ADFA.
O presidente da ADFA com o autor, Nuno Tiago Pinto.
A Giselda folheia o livro acabado de comprar. Sobre a mesa um segundo livro, a ofertar futuramente a alguém que o mereça…
Aspecto da assistência.
O autor Nuno Tiago Pinto, acompanhado pelo fotógrafo que colaborou neste livro, Rafael G. Antunes.
Aspecto da mesa. Ao centro reconhece-se o Comendador José Arruda, presidente da ADFA, ladeado pelo autor, Nuno Tiago Pinto, e Marta Paixão, da editora “A esfera dos livros”. Nos extremos, o fotógrafo Rafael Antunes e o Cor. Carlos de Matos Gomes.
José Arruda na introdução à obra.
Carlos de Matos Gomes, autor do prefácio do livro, tendo a seu lado Marta Paixão, da editora “A esfera dos livros”.
O autor durante a sessão de autógrafos.
Aspecto da fila formada para a sessão de autógrafos.
Chegada a sua vez, a Giselda cumprimenta o autor.
[Fotos e legendagem: © Miguel Pessoa (2011) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados]
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Nota de CV:
(*) Vd. poste de 6 de Junho de 2011 > Guiné 63/74 - P8380: Agenda Cultural (128): Lançamento do livro Dias de Coragem e de Amizade, de Nuno Tiago Pinto, editado pela Esfera dos Livros: Lisboa, sede da ADFA, Av Padre Cruz, dia 7 de Junho, 18h30
Guiné 63/74 - P8388: A minha CCAÇ 12 (18): Tugas, poucos, mas loucos...30 de Março-1 de Abril de 1970, a dramática e temerária Op Tigre Vadio (Luís Graça)
Guiné > Zona Leste > Sector L1 (Bambadinca) > CCAÇ 12 (1969/71) (*) > A sempre penosa progressão no mato...
Foto: © Arlindo T. Roda (2010) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados
Guiné > Zona Leste > Sector L1 (Bambadinca) > CCS/BART 2917 (1970/72) > Um heli Al III, no heliporto de Bambadinca...
Guiné > Zona Leste > Sector L1 (Bambadinca) > CCS/BART 2917 (1970/72) > Pescadores do Rio Udunduma, afluente do Rio Geba... Na margem direita do Geba Estreito começava o regulado do Cuor... No Sector L1, só havia dois destacamentos no Cuor: Missirá (1 Pel Caç Nat + 1 Pel Mil) e Finete (1 Pel Mil)... Era uma região (o regulado do Cuor), a sul do Oio, onde o PAIGC se movimentava com relativa à vontade. Segundo o comando do BART 29917, a população sob o controlo do IN, nesta região, na península de Madina/Belel, andaria à volta dos 1900 habitantes (**)...
Guiné > Zona Leste > Sector L1 (Bambadinca) > CCS/BART 2917 (1970/72) > O espaldão do morteiro 81...
O verdadeiro comandante das NT, envolvidas na Op Tigre Vadio, foi na prática o Alferes Mil Beja Santos, o nosso Mário, profundo conhecedor da região, na qualidade de comandante do Pel Caç Nat 52, agora colocado em Bambadinca. Depois do desastre da Op Anda Cá, repetiu-se a cena, com o comando do BCAÇ 2852 a querer fazer ronco, à conta dos pretos e dos açorianos... (Estava-se no término da comissão, não se quis sacrificar nenhumas das subunidades de quadrícula do batalhão, espelhadas pelo Sector L1)...
Foto: © Arlindo T. Roda (2010) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados
Guiné > Zona Leste > Sector L1 (Bambadinca) > CCS/BART 2917 (1970/72) > Um heli Al III, no heliporto de Bambadinca...
Guiné > Zona Leste > Sector L1 (Bambadinca) > CCS/BART 2917 (1970/72) > Pescadores do Rio Udunduma, afluente do Rio Geba... Na margem direita do Geba Estreito começava o regulado do Cuor... No Sector L1, só havia dois destacamentos no Cuor: Missirá (1 Pel Caç Nat + 1 Pel Mil) e Finete (1 Pel Mil)... Era uma região (o regulado do Cuor), a sul do Oio, onde o PAIGC se movimentava com relativa à vontade. Segundo o comando do BART 29917, a população sob o controlo do IN, nesta região, na península de Madina/Belel, andaria à volta dos 1900 habitantes (**)...
Guiné > Zona Leste > Sector L1 (Bambadinca) > CCS/BART 2917 (1970/72) > O Rio Geba (Estreito) em Bambadinca ou Bafatá (?)..
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Guiné > Zona Leste > Sector L1 (Bambadinca) > CCS/BART 2917 (1970/72) > O espaldão do morteiro 81...
Fotos: © Benjamim Durães (2010) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados
A. Continuação da série A Minha CCAÇ 12 (*), por Luís Graça
(9) Março de 1970: Op Tigre Vadio, 300 homens na península de Madina/Belel, no regulado do Cuor
Esta foi seguramente a mais dramática (e talvez a mais temerária) operação conjunta que a CCAÇ 12 efectuou enquanto esteve de intervenção ao Sector L1, às ordens do Comando do BCAÇ 2852. Podia ter dado para o torto...
A missão confiada às NT era bater chamada península de Madina/Belel, no limite do regulado do Cuor, a fim de aniquilar as posições IN referenciadas do antecedente e eventualmente capturar a população que nela vivesse (espalhada por locais como Madina, Quebá Jilã, Belel e Banir, esta localização já no Oio).
Em Madina, localizada em MAMBONCÓ 8G-1, havia uma população sob controlo do IN, estimada em 1500 habitantes. Mais 400, em Banir, cuja localização era em MAMBONCÓ 8H-9 (**).
Segundo as informações de que se dispunha, existiria 1 bigrupo nesta região, pertencente à base do Enxalé e dispondo de 2 Morteiros 60, 1 Metralhadora Pesada Goryonov, além de armas ligeiras (Metr Degtyarev, Esp Kalashnikov, Pist Metr PPSH, etc).
Admitia-se também que este bigrupo estivesse reforçado com 1 grupo de Mort 82, pertencente ao Grupo de Artilharia de Sara-Sarauol [a noroeste de Madina/Belel, vd. carta de Mambonco].
A última operação com forças terrestres realizara-se em Fevereiro de 1969, não tendo as NT atingido o objectivo devido à fuga do prisioneiro-guia e ao accionamento dum engenho explosivo que alertou o IN. Verificaram-se ainda vários casos de insolação (Op Anda Cá)[ Vd. poste de 23 de Fevereiro de 2007 > Guiné 63/74 - P1542: Operação Macaréu à Vista (Beja Santos) (34): Uma desastrada e desastrosa operação a Madina/Belel ].
Veja-se este diálogo saboroso, mas surreal, entre o Ten Cor Pimentel Bastos, comandante do BCAÇ 2852, e o seu subordinado (e amigo), Alf Mil Beja Santos, comandante do Pel Caç Nat 52:
"- Meu Comandante, há duas noites que não durmo a pensar nesta operação que dentro de dias vem para o Cuor. O que me foi dito pelo Major Pires da Silva é que há dois destacamentos que deviam partir juntos e teme-se que não haja condições para tal. Gostava que revêssemos outras possibilidades para não deslocarmos mais de 300 militares em bicha, com todas as desvantagens. Por favor, peço-lhe como seu amigo que converse comigo em particular nas próximas horas. (...)
"O Pimbas cofiava o bigode, aclarou a voz, olhou-me com estima e não escondeu as suas dificuldades:
- Ouve lá, tu até és capaz de ter razão mas o Pires da Silva tem desenhado esta operação com minúcia e está muito determinado. Faz-me o favor de não o causticares, actua como se ele tivesse razão" (...).
Releia-se outro escrito do Mário, aqui publicado no blogue (em 29 de Junho de 2006):
(...) "Soube da Tigre Vadio em finais de Fevereiro de 1970, quando o Major de operações de Bambadinca [, Sampaio,] me convidou para um passeio numa Dornier sobre os céus do Cuor. Foi uma viagem que permitiu medir o crescimento militar e populacional de Madina/Belel e a sua ligação a Sara/Sarauol, uma enorme base do PAIGC com um hospital de campanha.
"No regresso desse prolongado voo de reconhecimento, o oficial informou-me discretamente que lá para os finais de Março eu iria revisitar Madina. Era o que menos me interessava a 15 dias do meu casamento, que se veio a realizar na Sé Catedral de Bissau, [com a Cristina Allen]. O ano tinha-se iniciado da pior maneira. Desde que, em Novembro anterior, passara a prestar serviço em Bambadinca, não havia um dia de descanso: colunas ao Xitole, correio a Bafatá, noites na ponte de Udunduma, patrulhamentos alucinantes à volta da pista, toda ela bem iluminada, operações no Xime, emboscadas, segurança nas obras do alcatroamento da estrada Xime-Bambadinca" ...
Mais recentemente, em 5 de Março de 1970, forças heli-transportadas tinham destruído vários acampamentos na área de Mamboncó, reagindo o IN com mort 60 na região de Belel durante a Op Prato Verde. Os RVIS apontavam para a existência de uma razoável, e já mal dissimulada, rede de comunicações (trilhos bem batidos) que, do Oio, permitiam fazer infiltrações de homens e material, na zona leste, através do Sector L1.
Participaram na Op Tigre Vadio as seguintes forças (num total de 300 homens, incluindo carregadores civis que transportaram 2 morteiros 81, granadas de morteiro 81 e de bazuca, ... mas alguém se esqueceu dos jericãs com o precioso líquido chamado... água!):
(i) CCAÇ 2636 (2 Gr Comb) + Pel Caç Nat 52 (Destacamento A)
(ii) CCAÇ 12 a 3 Gr Comb reforçados (Destacamento B)
(iii) Pel Caç Nat 54 + 1 Esq Mort 81 / Pel Mort 2106 (Destacamento C).
Guiné-Bissau > Região Leste > Sector L1 (Bambadinca) > Missirá > 1970 > Pel Caç Nat 54 > Uma unidade constituída por nharros, tugas e até turras!... A legenda é do açoriano Mário Armas de Sousa: " 1ª fila da direita para esquerda: do pessoal metropolitano, o primeiro sou eu, furriel miliciano Mário Armas; o terceiro é o 1º cabo Capitão; 2ª fila da direita para a esquerda: o primeiro é o soldado Amarante; o segundo é o soldado Bulo; o quinto é o furriel miliciano Inácio; o sexto é o 1º cabo Tomé; o nono é o soldado Samba; 3ª fila da direita para a esquerda: do pessoal metropolitano, o primeiro é o furriel miliciano Sousa Pereira; o quinto é o alferes miliciano Correia (comandante de pelotão); o sétimo é o 1º cabo Monteiro; o oitavo, africano, é o soldado Pucha (era guerrilheiro do PAIGC, foi capturado e ficou no nosso exército)"...
Foto: © Mário Armas de Sousa (2005) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados.
Esta foi seguramente a mais dramática (e talvez a mais temerária) operação conjunta que a CCAÇ 12 efectuou enquanto esteve de intervenção ao Sector L1, às ordens do Comando do BCAÇ 2852. Podia ter dado para o torto...
A missão confiada às NT era bater chamada península de Madina/Belel, no limite do regulado do Cuor, a fim de aniquilar as posições IN referenciadas do antecedente e eventualmente capturar a população que nela vivesse (espalhada por locais como Madina, Quebá Jilã, Belel e Banir, esta localização já no Oio).
Em Madina, localizada em MAMBONCÓ 8G-1, havia uma população sob controlo do IN, estimada em 1500 habitantes. Mais 400, em Banir, cuja localização era em MAMBONCÓ 8H-9 (**).
Segundo as informações de que se dispunha, existiria 1 bigrupo nesta região, pertencente à base do Enxalé e dispondo de 2 Morteiros 60, 1 Metralhadora Pesada Goryonov, além de armas ligeiras (Metr Degtyarev, Esp Kalashnikov, Pist Metr PPSH, etc).
Admitia-se também que este bigrupo estivesse reforçado com 1 grupo de Mort 82, pertencente ao Grupo de Artilharia de Sara-Sarauol [a noroeste de Madina/Belel, vd. carta de Mambonco].
A última operação com forças terrestres realizara-se em Fevereiro de 1969, não tendo as NT atingido o objectivo devido à fuga do prisioneiro-guia e ao accionamento dum engenho explosivo que alertou o IN. Verificaram-se ainda vários casos de insolação (Op Anda Cá)[ Vd. poste de 23 de Fevereiro de 2007 > Guiné 63/74 - P1542: Operação Macaréu à Vista (Beja Santos) (34): Uma desastrada e desastrosa operação a Madina/Belel ].
Veja-se este diálogo saboroso, mas surreal, entre o Ten Cor Pimentel Bastos, comandante do BCAÇ 2852, e o seu subordinado (e amigo), Alf Mil Beja Santos, comandante do Pel Caç Nat 52:
"- Meu Comandante, há duas noites que não durmo a pensar nesta operação que dentro de dias vem para o Cuor. O que me foi dito pelo Major Pires da Silva é que há dois destacamentos que deviam partir juntos e teme-se que não haja condições para tal. Gostava que revêssemos outras possibilidades para não deslocarmos mais de 300 militares em bicha, com todas as desvantagens. Por favor, peço-lhe como seu amigo que converse comigo em particular nas próximas horas. (...)
"O Pimbas cofiava o bigode, aclarou a voz, olhou-me com estima e não escondeu as suas dificuldades:
- Ouve lá, tu até és capaz de ter razão mas o Pires da Silva tem desenhado esta operação com minúcia e está muito determinado. Faz-me o favor de não o causticares, actua como se ele tivesse razão" (...).
Releia-se outro escrito do Mário, aqui publicado no blogue (em 29 de Junho de 2006):
(...) "Soube da Tigre Vadio em finais de Fevereiro de 1970, quando o Major de operações de Bambadinca [, Sampaio,] me convidou para um passeio numa Dornier sobre os céus do Cuor. Foi uma viagem que permitiu medir o crescimento militar e populacional de Madina/Belel e a sua ligação a Sara/Sarauol, uma enorme base do PAIGC com um hospital de campanha.
"No regresso desse prolongado voo de reconhecimento, o oficial informou-me discretamente que lá para os finais de Março eu iria revisitar Madina. Era o que menos me interessava a 15 dias do meu casamento, que se veio a realizar na Sé Catedral de Bissau, [com a Cristina Allen]. O ano tinha-se iniciado da pior maneira. Desde que, em Novembro anterior, passara a prestar serviço em Bambadinca, não havia um dia de descanso: colunas ao Xitole, correio a Bafatá, noites na ponte de Udunduma, patrulhamentos alucinantes à volta da pista, toda ela bem iluminada, operações no Xime, emboscadas, segurança nas obras do alcatroamento da estrada Xime-Bambadinca" ...
Mais recentemente, em 5 de Março de 1970, forças heli-transportadas tinham destruído vários acampamentos na área de Mamboncó, reagindo o IN com mort 60 na região de Belel durante a Op Prato Verde. Os RVIS apontavam para a existência de uma razoável, e já mal dissimulada, rede de comunicações (trilhos bem batidos) que, do Oio, permitiam fazer infiltrações de homens e material, na zona leste, através do Sector L1.
Participaram na Op Tigre Vadio as seguintes forças (num total de 300 homens, incluindo carregadores civis que transportaram 2 morteiros 81, granadas de morteiro 81 e de bazuca, ... mas alguém se esqueceu dos jericãs com o precioso líquido chamado... água!):
(i) CCAÇ 2636 (2 Gr Comb) + Pel Caç Nat 52 (Destacamento A)
(ii) CCAÇ 12 a 3 Gr Comb reforçados (Destacamento B)
(iii) Pel Caç Nat 54 + 1 Esq Mort 81 / Pel Mort 2106 (Destacamento C).
Guiné-Bissau > Região Leste > Sector L1 (Bambadinca) > Missirá > 1970 > Pel Caç Nat 54 > Uma unidade constituída por nharros, tugas e até turras!... A legenda é do açoriano Mário Armas de Sousa: " 1ª fila da direita para esquerda: do pessoal metropolitano, o primeiro sou eu, furriel miliciano Mário Armas; o terceiro é o 1º cabo Capitão; 2ª fila da direita para a esquerda: o primeiro é o soldado Amarante; o segundo é o soldado Bulo; o quinto é o furriel miliciano Inácio; o sexto é o 1º cabo Tomé; o nono é o soldado Samba; 3ª fila da direita para a esquerda: do pessoal metropolitano, o primeiro é o furriel miliciano Sousa Pereira; o quinto é o alferes miliciano Correia (comandante de pelotão); o sétimo é o 1º cabo Monteiro; o oitavo, africano, é o soldado Pucha (era guerrilheiro do PAIGC, foi capturado e ficou no nosso exército)"...
Foto: © Mário Armas de Sousa (2005) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados.
O verdadeiro comandante das NT, envolvidas na Op Tigre Vadio, foi na prática o Alferes Mil Beja Santos, o nosso Mário, profundo conhecedor da região, na qualidade de comandante do Pel Caç Nat 52, agora colocado em Bambadinca. Depois do desastre da Op Anda Cá, repetiu-se a cena, com o comando do BCAÇ 2852 a querer fazer ronco, à conta dos pretos e dos açorianos... (Estava-se no término da comissão, não se quis sacrificar nenhumas das subunidades de quadrícula do batalhão, espelhadas pelo Sector L1)...
No 2º volume do seu livro de memórias (Diário da Guiné: 1969-1970: o Tigre Vadio), o próprio Mário dá a entender que esta missão terá sido uma espécie de prenda de casamento, mas envenenada… Antes de o deixarem ir a Bissau para casar, embora com baixa psiquiátrica (por ter levado uma porrada, não podia ir de férias...), o comandante do BCAÇ 2852, Ten Cor Pamplona Corte Real (que substituiu o famoso Pimbas), e o major Sampaio (que foi para o lugar do Pires da Silva), preparam-no para "o banho de sangue no corredor do Oio" (sic) (p. 271).
Quem são as forças que o comando de Bambadinca quer meter na boca do lobo, para vingar o desaire da Op Anda Cá ? Como se disse atrás, mais uma vez "os pretos e os açorianos"...
A CCAÇ 2636, mobilizada pelo BII 18, tinha partido para o CTIG em 22/10/1969, ainda era portanto periquita (menos de seis meses de Guiné). Era comandada pelo Cap Mil Inf Manuel Medina e Matos. Passou por Có, Bafatá e Sare Bacar. Regressaria a casa em 6/9/1971. Em Março de 1970, a açoriana CCAÇ 2636 estava aquartelada em Bafatá.
[Imagem à esquerda: Guião da CCAÇ 2636 a companhia açoriana a que pertenceu o nosso camarada João Varanda (Có/Pelundo e Teixeira Pinto, 1969/70; Bafatá, Saré Bacar e Pirada, 1970/71)].
A africana CCAÇ 12, por sua vez, era comandada pelo Cap Inf Carlos Brito, a escassos meses de ser promovido a major. Deste o fim da época das chuvas, que não tínhamos tempo para nos coçarmos...
Desenrolar da acção:
Em 30 de Março de 1970, as forças empenhadas na Op Tigre Vadio concentrar-se-iam em Missirá (destacamento agora guarnecido pelo Pel Caç Nat 54, por troca com o Pel Caç Nat 52, comandado pelo Alf Mil Beja Santos, então conhecido como o Tigre de Missirá, que fora colocado desde Novembro de 1969 em Bambadinca).
Os Gr Comb que montavam segurança à direita (CCAÇ 12), viram aparecer na orla da mata vários grupos fugindo para norte, pelo que imediatamente abriram fogo, tendo uma das granadas caído no meio dum grupo de 3 elementos que não mais foram vistos (sic). Numa rápida batida à orla da mata, encontraram-se muitos rastos de sangue que conduziam à mata onde o IN se internou.
Depois do assalto foram referenciados mais onze elementos abatidos e nove rastos nítidos de sangue na direcção NW, além de ouvidos gritos de dor nas imediações (segundo o relatório da Op Tigre Vadio). Na busca realizada ao acampamento, verificou-se haver numa das barracas a arder seis armas carbonizadas que pareciam ser Pist Metr PPSH. Também foi vista uma bicicleta no meio do incêndio, o que vinha comprovar a utilização por parte do IN daquele meio de transporte e comunicação no corredor do Oio.
As oito casas de colmo arderam completamente, tendo-se depois completado a destruição das sete casas de adobe, assim como de todos os meios de vida existentes. Foi impossível recolher ou capturar armamento ou munições pois o fogo ateado desenvolveu-se rapidamente, começando também a mata a arder devido ao vento que soprava.
No assalto ficou ferido o soldado Mauro Balbé (3° Gr Comb da CCAÇ 12), com um tiro no antebraço, além dum outro soldado do Pel Caç Nat 52 com um estilhaço de granada de RPG-2 no peito.
Devido ao violento ataque de abelhas que se seguiu, muito material e munições (principalmente o que era transportado pelos carregadores civis) ficaram abandonados, não tendo sido possível a sua recuperação total.
Entretanto, não se conseguiu pedir mais evacuações devida à avaria dos micros do único AN/PRC-10 que nessa altura ainda funcionava (!), nem aliás a DO e o helicóptero com o reabastecimento de água chegariam já a localizar as NT naquele dia.
O que aconteceu nessa tarde ? Eis mais um excerto do testemunho Beja Santos, de 29 de Junho de 2009 (reproduzido, de resto, no seu livro de 2008):
(...) "Foi nessa altura que pedi um helicóptero para ir buscar água a Bambadinca. Negociámos uma clareira com o oficial aviador e, ao levantar, uma rajada estilhaçou o vidro. Ainda hoje me interrogo sobre a proveniência do fogo, e longe de mim insinuar que foi gente menos calma entre os nossos. O que interessa é que quando cheguei a Bambadinca, o Comandante [do BCAÇ 2852] perguntou-me porque é que eu deixara o teatro de operações. Olhei-o a direito e perguntei-lhe se ele sabia o que era um estado de desidratação total, desafiando-o a vir comigo...
"Lá regressei à mata cheio de garrafões, o helicóptero dançava com os vidros partidos, a ligação ar/terra não se fez e o oficial convidou-me a desembarcar com os garrafões num sítio qualquer. Perguntei-lhe se ele tinha consciência que não estávamos num filme de aventuras na selva e então levou-me até ao Xime, dizendo que regressava a Bissau e que depois da reparação me viria buscar. Até hoje. Dormi no Xime, sem nenhum êxito na tentativa de comunicar com as forças do Tigre Vadio" (...).
O helicóptero trouxe também o médico do batalhão, o Alf Mil Med Vidal nSaraiva... que acabaria por perder a boleia, de regresso a Bambadinca. Andou todo o resto da tarde, de 31, e toda a noite, do dia 1 de Abril, com a destroçada e desmoralizada tropa...
Os Destacamentos continuaram a progressão a corta-mato em direcção a Enxalé, transportando os feridos em macas (improvisadas) e amparando os elementos mais debilitados.
Devido à escuridão e à vegetação densa, os Destacamentos acabaram inevitavelmente a fraccionar-se, perdendo-se completamente a unidade de comando, enquanto o Pel Caç Nat 52 caminhava na vanguarda orientando-se pela bússola, uma vez que os guias, da inteira confiança do Alf Mil Beja Santos, davam provas de não conhecer a zona.
A progressão tornou-se, de resto, cada vez mais penosa devido aos crescentes casos de esgotamento físico e psicológico provocado pela marcha quase ininterrupta durante uma noite e um dia (31 de Março), e sobretudo pela terrível desidratação e pelo brutal ataque de abelhas.
Pelas 22h, as várias fracções dos Destacamentos que, embora seguissem trilho feito pelo Gr Comb que ia na frente, não tinham ligação visual ou contacto-rádio entre si, estacionaram para pernoitar a uns 8 quilómetros do Enxalé.
Reiniciou-se a marcha, ao amanhecer, a 1 de Abril, depois dos 3 Destacamentos se reorganizarem, tendo o grupo da frente atingido o Enxalé por volta das 10h da manhã, com o auxílio do PCV que orientou o deslocamento. A maior parte do pessoal, porém foi transportado de viatura a partir do cruzamento de São Belchior, depois de se ter sofregamente dessedentado com água trazida em bidões. (Assisti a cenas que julgava nunca poder ver em vida, e que são reveladoras do mais básico instinto de sobrevivência do ser humano; essas cenas inspirara-me o texto poético, já aqui publicado, O Relim Não é um Poema).
Em resultado da acção das NT, o IN sofreu quinze mortos (entre referenciados e confirmados), dez feridos confirmados e baixas prováveis, não sendo possível discriminar os elementos combatentes dos elementos pop. (Cito o relatório da operação).
Desta operação o Comando colheu os seguintes ensinamentos, conforme também consta no dito documento:
(i) A surpresa conseguida deve-se ao facto de se ter atingido o objectivo pelas 14h, hora que o IN abranda a vigilância por que sabe que as NT fazem habitualmente um alto entre as 11h e as 16h;
(i) Diário de um Tuga, de Luís Graça. Manuscrito.
(ii) História da Companhia de Caçadores 12 (CCAÇ 2590): Guiné 1969/71. Bambadinca: CCAÇ 12. 1971. Cap. II. pp. 28-29.Policopiado
(iii) História do BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70). Policopiado
Quem são as forças que o comando de Bambadinca quer meter na boca do lobo, para vingar o desaire da Op Anda Cá ? Como se disse atrás, mais uma vez "os pretos e os açorianos"...
A CCAÇ 2636, mobilizada pelo BII 18, tinha partido para o CTIG em 22/10/1969, ainda era portanto periquita (menos de seis meses de Guiné). Era comandada pelo Cap Mil Inf Manuel Medina e Matos. Passou por Có, Bafatá e Sare Bacar. Regressaria a casa em 6/9/1971. Em Março de 1970, a açoriana CCAÇ 2636 estava aquartelada em Bafatá.
[Imagem à esquerda: Guião da CCAÇ 2636 a companhia açoriana a que pertenceu o nosso camarada João Varanda (Có/Pelundo e Teixeira Pinto, 1969/70; Bafatá, Saré Bacar e Pirada, 1970/71)].
A africana CCAÇ 12, por sua vez, era comandada pelo Cap Inf Carlos Brito, a escassos meses de ser promovido a major. Deste o fim da época das chuvas, que não tínhamos tempo para nos coçarmos...
Desenrolar da acção:
Em 30 de Março de 1970, as forças empenhadas na Op Tigre Vadio concentrar-se-iam em Missirá (destacamento agora guarnecido pelo Pel Caç Nat 54, por troca com o Pel Caç Nat 52, comandado pelo Alf Mil Beja Santos, então conhecido como o Tigre de Missirá, que fora colocado desde Novembro de 1969 em Bambadinca).
A marcha em direcção ao objectivo (Madina e Belel) iniciou-se às 23h00. Anteriormente, para despistar e confundir os olhos e os ouvidos do PAIGC em Bambadinca, as NT seguiram não para Finete (como seria normal), mas para Fá. Atravessaram o Rio Geba de sintex (uma cambança morosa...), e dali seguiram para Missirá.
Por falta de trilhos e por dificuldade do terreno, muito arborizado, não foi possível fazer a progressão por itinerários paralelos, como estava inicialmente previsto, pelo que o Dest B (CCAÇ 12) teve de seguir na rectaguarda do Dest C (Pel Caç Nat 52 + Esq Mort 81 /Pel Mort 2106).
Sancorlá só foi atingida três horas e meia depois, pelas 2.45h do dia 31 de Março, por dificuldades de orientação dos guias e pelas frequentes paragens no decorrer da acção.
Quase seis horas depois da partida, por volta das 4h40, fez-se uma paragem de meia hora para descanso do pessoal.
Atingir-se-ia Salà às 7h e Queba Jilã às 8h, não se tendo detectado até aqui quaisquer sinais da presença ou passagem do IN e utilizando-se sempre um antigo trilho, muito arborizado dos lados, o que impossibilitava a progressão por colunas paralelas.
Depois de um novo alto em que se entrou em contacto com o PCV [Posto de Comando Volante], as NT atingiram o início da península onde depararam, pelas 9h, com uma extensa cortina de fogo, em frente a Madina. Pediu-se então ao PCV novas indicações e orientação, uma vez que já não se podia cumprir o plano estabelecido para a batida a desenvolver em linha conjuntamente pelos Dest A e B.
Dada ordem pelo PCV para seguirem na direcção W, torneando a queimada linear feita pelo IN, as NT encontrariam um trilho muito batido no sentido N/S e na direcção de Belel.
Seguindo o trilho, iriam detectar por volta das 14h, no píncaro do calor, um acampamento IN do lado direito, composto por oito moranças de colmo e sete de adobo. O Dest A (Pel Caç Nat 52 + açorianos) tomou imediatamente posição para o assalto enquanto 1 Gr Comb do Dest B (CCAÇ 12) se dispunha de maneira a cortar a retirada ou o eventual afluxo de reforços vindos de Madina e os outros montavam à rectaguarda e à direita a fim de interceptar quaisquer fugas para Norte.
Por falta de trilhos e por dificuldade do terreno, muito arborizado, não foi possível fazer a progressão por itinerários paralelos, como estava inicialmente previsto, pelo que o Dest B (CCAÇ 12) teve de seguir na rectaguarda do Dest C (Pel Caç Nat 52 + Esq Mort 81 /Pel Mort 2106).
Sancorlá só foi atingida três horas e meia depois, pelas 2.45h do dia 31 de Março, por dificuldades de orientação dos guias e pelas frequentes paragens no decorrer da acção.
Quase seis horas depois da partida, por volta das 4h40, fez-se uma paragem de meia hora para descanso do pessoal.
Atingir-se-ia Salà às 7h e Queba Jilã às 8h, não se tendo detectado até aqui quaisquer sinais da presença ou passagem do IN e utilizando-se sempre um antigo trilho, muito arborizado dos lados, o que impossibilitava a progressão por colunas paralelas.
Depois de um novo alto em que se entrou em contacto com o PCV [Posto de Comando Volante], as NT atingiram o início da península onde depararam, pelas 9h, com uma extensa cortina de fogo, em frente a Madina. Pediu-se então ao PCV novas indicações e orientação, uma vez que já não se podia cumprir o plano estabelecido para a batida a desenvolver em linha conjuntamente pelos Dest A e B.
Dada ordem pelo PCV para seguirem na direcção W, torneando a queimada linear feita pelo IN, as NT encontrariam um trilho muito batido no sentido N/S e na direcção de Belel.
Seguindo o trilho, iriam detectar por volta das 14h, no píncaro do calor, um acampamento IN do lado direito, composto por oito moranças de colmo e sete de adobo. O Dest A (Pel Caç Nat 52 + açorianos) tomou imediatamente posição para o assalto enquanto 1 Gr Comb do Dest B (CCAÇ 12) se dispunha de maneira a cortar a retirada ou o eventual afluxo de reforços vindos de Madina e os outros montavam à rectaguarda e à direita a fim de interceptar quaisquer fugas para Norte.
Desencadeado o assalto com bazuca, foi abatida imediatamente a sentinela e incendiadas as barracas de colmo. Como o IN reagisse com RPSH (costureirinhas) e RPG-2 enquanto iniciava a fuga para NW, foi aberto fogo de armas automáticas, dilagrama e morteiro 60.
O Dest C (Pel Caç Nat 54 + Esq Mort 81 / Pel Mort 2106), instalado na rectaguarda dos grupos de assalto, fez fogo com os dois Mort 81, batendo a mata para onde os elementos IN se refugiaram.
O Dest C (Pel Caç Nat 54 + Esq Mort 81 / Pel Mort 2106), instalado na rectaguarda dos grupos de assalto, fez fogo com os dois Mort 81, batendo a mata para onde os elementos IN se refugiaram.
Os Gr Comb que montavam segurança à direita (CCAÇ 12), viram aparecer na orla da mata vários grupos fugindo para norte, pelo que imediatamente abriram fogo, tendo uma das granadas caído no meio dum grupo de 3 elementos que não mais foram vistos (sic). Numa rápida batida à orla da mata, encontraram-se muitos rastos de sangue que conduziam à mata onde o IN se internou.
Depois do assalto foram referenciados mais onze elementos abatidos e nove rastos nítidos de sangue na direcção NW, além de ouvidos gritos de dor nas imediações (segundo o relatório da Op Tigre Vadio). Na busca realizada ao acampamento, verificou-se haver numa das barracas a arder seis armas carbonizadas que pareciam ser Pist Metr PPSH. Também foi vista uma bicicleta no meio do incêndio, o que vinha comprovar a utilização por parte do IN daquele meio de transporte e comunicação no corredor do Oio.
As oito casas de colmo arderam completamente, tendo-se depois completado a destruição das sete casas de adobe, assim como de todos os meios de vida existentes. Foi impossível recolher ou capturar armamento ou munições pois o fogo ateado desenvolveu-se rapidamente, começando também a mata a arder devido ao vento que soprava.
No assalto ficou ferido o soldado Mauro Balbé (3° Gr Comb da CCAÇ 12), com um tiro no antebraço, além dum outro soldado do Pel Caç Nat 52 com um estilhaço de granada de RPG-2 no peito.
Devido ao violento ataque de abelhas que se seguiu, muito material e munições (principalmente o que era transportado pelos carregadores civis) ficaram abandonados, não tendo sido possível a sua recuperação total.
Entretanto, não se conseguiu pedir mais evacuações devida à avaria dos micros do único AN/PRC-10 que nessa altura ainda funcionava (!), nem aliás a DO e o helicóptero com o reabastecimento de água chegariam já a localizar as NT naquele dia.
O que aconteceu nessa tarde ? Eis mais um excerto do testemunho Beja Santos, de 29 de Junho de 2009 (reproduzido, de resto, no seu livro de 2008):
(...) "Foi nessa altura que pedi um helicóptero para ir buscar água a Bambadinca. Negociámos uma clareira com o oficial aviador e, ao levantar, uma rajada estilhaçou o vidro. Ainda hoje me interrogo sobre a proveniência do fogo, e longe de mim insinuar que foi gente menos calma entre os nossos. O que interessa é que quando cheguei a Bambadinca, o Comandante [do BCAÇ 2852] perguntou-me porque é que eu deixara o teatro de operações. Olhei-o a direito e perguntei-lhe se ele sabia o que era um estado de desidratação total, desafiando-o a vir comigo...
"Lá regressei à mata cheio de garrafões, o helicóptero dançava com os vidros partidos, a ligação ar/terra não se fez e o oficial convidou-me a desembarcar com os garrafões num sítio qualquer. Perguntei-lhe se ele tinha consciência que não estávamos num filme de aventuras na selva e então levou-me até ao Xime, dizendo que regressava a Bissau e que depois da reparação me viria buscar. Até hoje. Dormi no Xime, sem nenhum êxito na tentativa de comunicar com as forças do Tigre Vadio" (...).
O helicóptero trouxe também o médico do batalhão, o Alf Mil Med Vidal nSaraiva... que acabaria por perder a boleia, de regresso a Bambadinca. Andou todo o resto da tarde, de 31, e toda a noite, do dia 1 de Abril, com a destroçada e desmoralizada tropa...
Os Destacamentos continuaram a progressão a corta-mato em direcção a Enxalé, transportando os feridos em macas (improvisadas) e amparando os elementos mais debilitados.
Devido à escuridão e à vegetação densa, os Destacamentos acabaram inevitavelmente a fraccionar-se, perdendo-se completamente a unidade de comando, enquanto o Pel Caç Nat 52 caminhava na vanguarda orientando-se pela bússola, uma vez que os guias, da inteira confiança do Alf Mil Beja Santos, davam provas de não conhecer a zona.
A progressão tornou-se, de resto, cada vez mais penosa devido aos crescentes casos de esgotamento físico e psicológico provocado pela marcha quase ininterrupta durante uma noite e um dia (31 de Março), e sobretudo pela terrível desidratação e pelo brutal ataque de abelhas.
Pelas 22h, as várias fracções dos Destacamentos que, embora seguissem trilho feito pelo Gr Comb que ia na frente, não tinham ligação visual ou contacto-rádio entre si, estacionaram para pernoitar a uns 8 quilómetros do Enxalé.
Reiniciou-se a marcha, ao amanhecer, a 1 de Abril, depois dos 3 Destacamentos se reorganizarem, tendo o grupo da frente atingido o Enxalé por volta das 10h da manhã, com o auxílio do PCV que orientou o deslocamento. A maior parte do pessoal, porém foi transportado de viatura a partir do cruzamento de São Belchior, depois de se ter sofregamente dessedentado com água trazida em bidões. (Assisti a cenas que julgava nunca poder ver em vida, e que são reveladoras do mais básico instinto de sobrevivência do ser humano; essas cenas inspirara-me o texto poético, já aqui publicado, O Relim Não é um Poema).
Em resultado da acção das NT, o IN sofreu quinze mortos (entre referenciados e confirmados), dez feridos confirmados e baixas prováveis, não sendo possível discriminar os elementos combatentes dos elementos pop. (Cito o relatório da operação).
Desta operação o Comando colheu os seguintes ensinamentos, conforme também consta no dito documento:
(i) A surpresa conseguida deve-se ao facto de se ter atingido o objectivo pelas 14h, hora que o IN abranda a vigilância por que sabe que as NT fazem habitualmente um alto entre as 11h e as 16h;
(ii) Outra razão foi ter-se convencido que as NT retiravam devido à cortina de fogo que havia lançado ao capim;
(iii) Um ataque de abelhas tem pior consequências que uma flagelação, pois que naquele caso as NT entram em estado de pânico, abandonando armamento e equipamento num instinto de defesa e tornando impossível a manobra de comando.
Faz-se por fim, para os devidos efeitos, a transcrição da mensagem 1404/C do Com-Chefe (Rep Oper):
COM-CHEFE MANIFESTA SEU AGRADO REALIZAÇÃO RESULTADOS OBTIDOS OP TIGRE VADIO. Fontes consultadas:
Faz-se por fim, para os devidos efeitos, a transcrição da mensagem 1404/C do Com-Chefe (Rep Oper):
COM-CHEFE MANIFESTA SEU AGRADO REALIZAÇÃO RESULTADOS OBTIDOS OP TIGRE VADIO. Fontes consultadas:
(i) Diário de um Tuga, de Luís Graça. Manuscrito.
(ii) História da Companhia de Caçadores 12 (CCAÇ 2590): Guiné 1969/71. Bambadinca: CCAÇ 12. 1971. Cap. II. pp. 28-29.Policopiado
(iii) História do BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70). Policopiado
(iv) Santos, Mário Beja - Diário da Guiné: 1969-1970: o Tigre Vadio. Lisboa: Círculo de Leitores / Temas & Debates. 2008.
_________________
Notas do editor:
(*) Vd. último poste da série > 16 de Abril de 2011 > Guiné 63/74 - P8112: A minha CCAÇ 12 (17): 14 e 15 de Fevereiro de 1970: Op Bodião Decidido, com a CCAÇ 2404 (Mansambo) e a CART 2413 (Xitole) em Satecuta, na margem diireita do Rio Corubal: morto um guerrilheiro e apreendido um RPG2
(**) Vd. poste de 16 de Junho de 2010 > Guiné 63/74 - P6601: Elementos para a caracterização sociodemográfica e político-militar do Sector L1 (6): Povoações sob controlo IN; Recursos; Clima e meteorologia; Dispositivo e actuação da guerrilha (Benjamim Durães / J. Armando F. Almeida / Luís Graça)
(*) Vd. último poste da série > 16 de Abril de 2011 > Guiné 63/74 - P8112: A minha CCAÇ 12 (17): 14 e 15 de Fevereiro de 1970: Op Bodião Decidido, com a CCAÇ 2404 (Mansambo) e a CART 2413 (Xitole) em Satecuta, na margem diireita do Rio Corubal: morto um guerrilheiro e apreendido um RPG2
(**) Vd. poste de 16 de Junho de 2010 > Guiné 63/74 - P6601: Elementos para a caracterização sociodemográfica e político-militar do Sector L1 (6): Povoações sob controlo IN; Recursos; Clima e meteorologia; Dispositivo e actuação da guerrilha (Benjamim Durães / J. Armando F. Almeida / Luís Graça)
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Guiné 63/74 - P8387: Monte Real, 4 de Junho de 2011: O nosso VI Encontro, manga de ronco (5): Agradecimentos da Maria Luís / Paulo Santiago, com selecção de fotos de Miguel Pessoa
Monte Real > Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > Ao centro, a Maria Luís, em representação do pai, Paulo Santiago. Ladeada pela Alice e o António Graça de Abreu.
Monte Real > Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > Humberto (sempre muito acarinhado por todos/as) e Giselda
Monte Real > Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > Três camaradas da FAP: Jorge Narciso (Cadaval), Giselda Pessoa (ou Antunes, apelido de solteira) (Lisboa) e Jaime Brandão (Monte Real / Leiria) (que não precisa de convite formal para integrar a nossa Tabanca Grande)
Monte Real > Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > Mário Bravo e Maria Lília (Porto)
Monte Real > Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > José Brás e Mariana (Montemor-O-Novo)
Monte Real > Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > António Fernando Marques e Gina (Cascais)
Monte Real > Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > Torcato Mendonça e Ana (Fundão).
Monte Real > Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > O Antóno Estácio (engenheiro técnico agrícola, tal como o Paulo Santiago, andaram a estudar juntos em Coimbra; vai lançar em breve novo livro, de temática guineense), o nosso minino Zé Manel (uma simpatia!, trazido com ternura pelo Manuel Joaquim) e o Victor Tavares (, de Recardães, Águeda) que trouxe a Maria Luís.
Monte Real > Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > A belíssima Sra Wang Hai e o seu honorável esposo...
Monte Real > Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > Em terceiro plano, Tomás Carneiro (Ponta Delgada, São Miguel, RA Açores) (foi avô neste dia, estava felicíssimo); em segundo plano, da esquerda para a direita: Jorge Rosales (Cascais), José Fernando Almeida (Óbidos, veio acompanhado pela esposa, Suzel) e Henrique Matos (Olhão); em primeiro plano, o J.L. Vacas de Carvalho (Lisboa), não se conseguindo identificar o camarada que está de costas.
Monte Real > Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > O nosso grupo do fado: da esquerda para a direita, David Guimarães (Espinho, evio acompando com o amor da sua vida, a nossa já histórica Lígia), Joaquim Mexia Alves (Monte Real / Leiria) e José Luís Vacas de Carvalho (Lisboa).
Fotos: © Miguel Pessoa (2011) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados.
1.Comentário do nosso camarigo Paulo Santiago (Águeda), com data de ontem, ao poste P8374 (*):
Camarigos:
Ainda não tive muito tempo para falar com a minha filha, Maria Luís, cheguei de França quando ela se apressava a ir para Castelo Branco [, onde frequenta a licencitura em solicitadoria, ] mas apercebi-me que gostou de participar no nosso VI Encontro (*).
Eu tinha algum receio, apesar de ela se ter voluntariado a ir, de vir de lá sem desejos de voltar a ver-se no meio de tantos cotas da idade do pai, mas surpreendeu-me pela positiva.
Da pequena conversa que tivemos, fiquei a saber que foi acarinhada pela Alice, que ficou ao lado do Sr. [António Graça de] Abreu,casado com uma Sra. chinesa [, a dra. Wang Hai], e que gostou de o ouvir falar de diversos assuntos.
Também falou com o Sr. [Joaquim] Mexia, com o Sr.Humberto [Reis], também com um meu colega da Escola Agrícola de quem não recordava o nome ( António Estácio,digo eu).
Falou ou falaram com ela outros camaradas dos quais não conseguiu recordar os nomes nos breves instantes em que falámos.
Apreciei o gesto que teve em comprar o NA KONTRA KA KONTRA, autografado pelo autor, Fernando Gouveia.
Termino agradecendo a todos os camaradas que fizeram com que a minha filha se sentisse bem num ambiente um pouco estranho para ela. Já foi duas ou três vezes a almoços à Tabanca Pequena [, em Matosinhos,] mas aí, foi comigo,o que faz alguma diferença.
Abraço a todos, Paulo Santiago
[ Revisão / fixação de texto / edição e legendagem de fotos / título: L.G.]
______________
Nota do editor:
Vd-último poste da série > 7 de Junho de 2011 >Guiné 63/74 - P8383: Monte Real, 4 de Junho de 2011: O nosso VI Encontro, manga de ronco (4): Fantástico, a todos os níveis (Mário Bravo)
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Tomás Carneiro,
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Victor Tavares
Guiné 63/74 - P8386: Convívios (348): I Encontro de Núcleos da Liga dos Combatentes do Algarve - Castro Marim, 21 de Maio de 2011 (Arménio Estorninho)

1. Mensagem de Arménio Estorninho (ex-1.º Cabo Mec Auto Rodas, CCAÇ 2381, Ingoré, Aldeia Formosa, Buba e Empada, 1968/70), com data de 29 de Maio de 2011:Camarigo Carlos Vinhal,
Saudações.
O Núcleo de Vila Real de Santo António, da Liga dos Combatentes, levou a efeito o 1.º Encontro Regional dos Núcleos do Algarve da Liga dos Combatentes [Lagos, Lagoa / Portimão, Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António (V.R.S.A.)] e Almoço de Confraternização na Vila de Castro Marim, no dia 21 de Maio de 2011.
Para o Núcleo de Lagoa, a informação sobre o decorrer do evento deu-se a “ título verbal” e por transmissão da palavra de Camarada-a-Camarada, íamos levados ao sabor da onda para os acontecimentos.
Assim, pelo que me foi dado a observar da Efeméride, da mesma fotografei e anotei o seguinte para memória:
Núcleo de Vila Real de Santo António - 1.º Encontro de Núcleos do Algarve
I - 10.00 horas – Início da chegada dos Núcleos oriundos do Algarve, bem como a recepção das individualidades Militares e Civis.
Foto 1- O Presidente do Núcleo de Lagoa /Portimão, Capitão Neto, à esquerda, dialogando com o Presidente da Liga dos Combatentes General Joaquim Chito Rodrigues e com a presença do ex- 1.º Cabo Escriturário da CCaç 464, Dembos, Maquela do Zombo – Angola 1963/65
II - 11.00 horas – Concentração junto à Sede do Núcleo de V.R.S.A. (instalada em parte de um Edifício, da Gare Marítima do Porto).
Foto 2 – Um grupo de camaradas do Núcleo de Lagoa -Algarve. Estão de pé, a partir da esquerda: ex-Soldado José António Louzeiro, CCav 1649 – Teixeira Pinto – Guiné 1967/68; ex-Fur Mil Matos, da incorporação de Moçambique – 1962/66; ex-Soldado José Francisco Vieira “Alemão”, C Cav 3378 “Kimbas”, Olossato – Guiné 1971/73; ex-Soldado Alfredo Ramos, CCaç 556, Enxalé, Bambadinca e Porto Gole – Guiné 1963/65; e eu, de blusão verde. Em baixo, o ex-1.º Cabo Manuel Rodrigues, da incorporação de Angola, e o ex-Soldado Francisco Mendes, CCaç 3444, Dembos - Angola 1971/74.
III - 11.30 horas – Rumaram os Núcleos e Entidades convidadas, em cortejo para a Igreja Matriz da Nossa senhora da Encarnação.
Foto 3 - Missa em memória dos Camaradas tombados em Combate, celebrada pelo Tenente-Coronel Capelão César Chantre.
Foto 4 - Os Núcleos organizam-se de forma a tomarem o rumo para o Cemitério Municipal.
IV - 12.30 horas – Romagem ao Cemitério Municipal, de V.R.S.A.
O Núcleo é responsável pelo Talhão do Combatente do Cemitério Municipal, no mesmo construiu-se e foi inaugurada uma Lápide “Monumento” alusiva aos que Tombaram em Combate no ex-Ultramar Português. Em cerimónia de carisma Militar, também lhes foi feita Homenagem Póstuma com atribuição de Medalhas da Cidade entregues individualmente aos seus familiares.
Pela comissão de apresentação do evento, que decorreu em cerimónia de cariz Militar, foi mencionado e enaltecido:
- Com um muito obrigado pela presença das Entidades Civis, Militares, dos Núcleos do Algarve e dos Familiares dos Camaradas Falecidos a Homenagear;
Foto 5 – Cerimónia de inauguração. Encontram-se na frente a partir da direita: Major Oliveira, do RI 1 -Tavira; Presidente do Núcleo de V.R.S.A., Coronel Joaquim Aguiar; Presidente da Liga dos Combatentes, General Joaquim Chito Rodrigues; Presidente da Câmara Municipal de V.R.S.A., Eng. Luís Gomes; Vereador da C.M. de V.R.S.A., Sr. João Rodrigues; Presidente do Núcleo de Faro, Major Henrique Pires de Oliveira, e o Presidente do Núcleo de Olhão, Sr. João António Peres.
- Todo o empenho demonstrado para a feitura deste evento, pelo Presidente da Câmara Municipal de V.R.S.A, Eng. Luís Gomes e pelo Sr. Vereador João Rodrigues.
O Presidente da Direção Central da Liga dos Combatentes, General Joaquim Chito Rodrigues, tomou a palavra e dissertou sobre:
Foto 6 – O Presidente da Liga dos Combatentes, na cerimónia de inauguração a mencionar o simbolismo do momento e da Liga dos Combatentes.
- É um prazer vir ao Algarve, estar aqui nesta cerimónia de cariz Militar e com muita honra vir inaugurar uma Lápide em Memória dos que Tombaram em Combate no ex-Ultramar Português;
- Levantamos corpos de militares na Guiné, uns foram trasladados para o cemitério de Bissau e outros entregues aos seus familiares em Portugal, porque é nossa a responsabilidade de faze-lo;
- Hoje, dizemos que fomos Combatentes, aqueles que agora estão com as fardas das Forças Armadas estão a cumprir o testemunho e ordens;
Por sua vez tomou da palavra o Presidente do Núcleo Anfitrião, Coronel Joaquim Aguiar e tendo enaltecido:
- Com um muito obrigado pela presença de todos os Núcleos do Algarve e que só assim é possível a amplitude do evento;
- Que no País existem 225 Talhões dos Combatentes e também são muitos os espalhados pelo Mundo;
- Hoje, aqui se faz a homenagem e a reflexão, destes Militares de V.R.S.A., que a partir de agora estão juntos;
Foto 7 - A Lápide inaugurada, onde constam todos os Militares do Concelho de Vila Real de Santo António caídos em combate no ex-Ultramar Português.
[Foto editada por Carlos Vinhal. Clicar na foto para ampliar]
- O que aqui se passa é uma demonstração inequívoca, de que os combatentes devem honrar a Pátria;
Foto 8 - Cerimónia da inauguração da Lápide, quando da chamada efectuada pela Comissão organizadora a fim de serem colocadas as coroas de flores, tendo já efetuado o simbólico ato, o General Joaquim Chito Rodrigues e o Coronel Joaquim Aguiar.
Foto 9 - No momento em que a Força presente executava a Salva de Tiros. À esquerda está o ex-1.º Cabo Clarim, com a sua inseparável “requinta.”
Sobre as ordens do Major Oliveira, do Regimento de Infantaria Um, de Tavira, esteve em Formatura um Pelotão e que era comandado pelo Tenente Algarvio, foram executados manejos de armas e com uma salva de tiros de conformidade com o ato.
Foto 10 - Aquando da presença de um familiar do Soldado Pára-quedista Arlindo Matias, da CCP 121 – Guiné, falecido em 02/11/71.
Após as entregas das Medalhas da Cidade, foi dada por terminada esta cerimónia, todos procuraram o seu meio de transporte e seguiram para a Quinta do Sobral.
V – 14.00 horas – Almoço de Confraternização na Quinta do Sobral, Castro Marim.
Deu-se a chegada, havendo recepção com um beberete e de seguida a acomodação dos cerca de 350 convivas no Salão, iniciando-se o esperado almoço de confraternização.
Lentamente íamos degustando os pitéus das entradas, até que foi servida uma boa sopa, seguindo-se o prato de lombo de porco com ananás, bem regado de bebidas, com um bom self-service de sobremesas, o que agradou aos convivas.
Era notório, que o ex-1.º Cabo Corneteiro Joaquim Manuel Nunes, “Beja, Évora e Faro,” com a sua “requinta” trinava de forma e a propósito com o momento.
Quanto a mim aconteceu ”Eureka,” pois ao fim de cerca de 43 anos (1968) aquando uma coluna-auto, entre Aldeia Formosa e Gandembel, finalmente agora tive a oportunidade de localizar o ex-1.º Cabo Pára-quedista José António Louzeiro Santos, natural da Cidade de Loulé. Este reencontro deu-se graças à colaboração do Capitão Pára-quedista Armando Fanqueiro, cunhado do José António.
Via telemóvel já houve contactos entre nós, das lembranças estamos comummente em sintonia e aguarda-se para breve um almoço.
O acontecimento fica para construir quando houver oportunidade, para ser colocado em forma de “Poste.”
Foi apresentado um verso, alusivo à Liga dos Combatentes:
Grito
Liga dos Combatentes?...
Valores permanentes!...
Liga dos Combatentes?...
Em todas as frentes!...
No decorrer do almoço de convívio, o Presidente do Núcleo de V.R.S.A. Coronel Joaquim Aguiar, convidou mais uma vez o Presidente da Direção Central da Liga dos Combatentes, General Joaquim Chito Rodrigues a dissertar sobre o momento e a Liga, do qual transcrevo resumidamente:
- Que os Núcleos são as instituições, com funções no âmbito dos combatentes e que são únicos representantes da Liga dos Combatentes;
- O que fomos diz-nos a História, o que queremos ser hoje e amanhã, é batermo-nos pelos valores e a felicidade dos vivos;
- Conseguimos pôr a funcionar várias creches. Concorremos a apoios do Governo, para projectos que temos para arrancar e logo que tivermos o dinheiro;
- Publicamos uma série de livros, fizemos tertúlias e temos 516 voluntários sem ganhar algo para efectuar apoio e serviços;
- Façam-se sócio, pois a Liga dos Combatentes é uma Instituição transversal da população Portuguesa,
- Temos sem-abrigos que pagam cotas, são cidadãos que apoiamos e são aqueles que o País entregou uma arma ou outro objeto para defenderam um camarada a seu lado;
A terminar disse, que foi um prazer vir ao Algarve, foi um prazer aqui estar e dou-vos um muito obrigado.
Com um abraço
Arménio Estorninho
CCaç 2381 “Os Maiorais” de Empada
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Notas de CV:
(*) Vd. poste de 8 de Maio de 2011 > Guiné 63/74 - P8246: Convívios (327): XXII Encontro do pessoal da CCAÇ 2381 - Os Maiorais - ocorrido no dia 30 de Abril de 2011 em Salir do Porto (Arménio Estorninho)
Vd. último poste da série de 4 de Junho de 2011 > Guiné 63/74 - P8373: Convívios (341): XXIII Encontro/Convívio do BCAÇ 2884 “MAIS ALTO”, Régua, 28 de Maio (José Firmino)
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