Lúcio (Esox lucius), peixe do rio, frito, com arroz de ervilhas e cenoura... Para matar saudades do sável que este ano "cá tem", diz a "chef" Alice.
Fotos (e legendas): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. Há meses, pelo menos desde as vindimas (*), que os vagomestres da Tabanca Grande não dão notícías, o mesmo é dizer, sinais de vida. Com todos os inconvenientes que isso traz para o moral da tropa.
Agora que é a época do sável e da lampreia, ainda pior. Nem sável nem lampreia nem comes & bebes...
A lampreia há anos que não a aprovamos, está mais cara que a lagosta... E o sável, este ano, teima em não aparecer na banca da nossa peixeira. O melhor período para a pesca e consumo seria agora, mas sável nem vê-lo.
Talvez na sexta santa, dia 3 de abril deste ano, a gente ainda apanhe algum sável retardatário no Douro Bar Petiscaria, na Barragem do Carrapatelo, São Cristóvão da Nogueira, Cinfães. Sem sável, não há Quaresma nem Páscoa, diz a "chef" Alice, que é do tempo em que o sável e a lampreia iam à mesa dos pobres.
Até lá, e para matar saudades, frita-se o lúcio,
que é um predador voraz que foi desgraçadamente
introduzido nos nossos rios e barragens, vindo da América e de Franaça, para grande gáudio dos pescadores desportivos e desespero dos ambientalistas..
![]() |
| Lúcio (Esox lucius). Fonte: cortesia da Wikipedia |
introduzido nos nossos rios e barragens, vindo da América e de Franaça, para grande gáudio dos pescadores desportivos e desespero dos ambientalistas..
Pode chegar a 1 e tal metro e aos 20/30 quilos (e, pior, viver até aos 30 anos!)... A "carne" é saborosíssima
e, frito, tem poucas espinhas. Temo-lo encontrado na peixeiria do Auchan Alfragide, em geral exemplares com 2 quilos e tal / 3 quilos, e a 6 euros o quilo.
Não sei qual a sua proveniência mas o mais provável é ser do Rio Guadiana ou afluentes.
O segredo é saber cortá-lo, tal como o sável, em postas finas. E depois saber fritá-lo. Ainda não está nos hábitos gastronómicos dos portugueses.
__________________
Nota do editor LG:
11 comentários:
Pois eu cá, hoje almocei caldeirada de enguias - na Gafanha da Nazaré - que, por acaso, não eram lá grande espingarda. Seriam de "aviário", isto é, de viveiro.
Um abraço!
Ramiro, estás-me a fazer crescer água na boca...Uma ou duas vezes por ano passo pela Costa Nova e Vagueira... O ensopado de enguias da tua terra é obrigatório... Mas também adoro as enguias fritas. Dantes chegavam ao rio Douro...Agora as que se lá comem devem ser também de viveiro... Um alfabravo. Luís
Eu ainda faço caldeirada de enguias, com molho feito a parte, para depois temperar no prato e também faço ensopado. Este ano as coisas estão complicadas, a energia ainda não voltou e a água no Estuário continua barrenta.No pico da maré da Lua passada, a salinidade conseguiu chegar às 16gr. de sal por litrro. Esta "festa" já dura há mais de dois meses e penso que as ameijoas já tiveram dias melhores.
Resta-me esperar para o fim da semana para confirmar, uma coisa é certa, as areias estão limpas e a me.da que os habitantes da cidade fazem, já foi toda para o mar
Essa do viveiro até tem piada.
Que eu saiba, Aveiro produz sal, desde o tempo da Condessa Mumadona,(anterior à nacionalidade). para sabermos o que é um viveiro, temos primeiro que compreender o circuito da água desde a sua entrada na comporta até a superficie de cristalização.
Depois de passar a comporta a água entra num reservatório, que os velhos chamavam viveiro. Este espaço funciona em serpentina e tem como objectivo ir melhorando a qualidade da água. Quando chega ao fim da serpentina, quando a água entra na vasa é porque está pronta para entrar no circuito da salina.
Todo o peixe, enguias, camarões e carangueijos ficou retido no dito viveiro, que no fim da safra vai ser pescado para ajudar a pagar as despezas. Como vêem é simples.
Penso que o Ramiro deve ter comido enguias da Murtosa.
Victor, estás nomeado "vagomestre da Tabanca Grande"... Há tachos melhores, eu sei, mas é o que te posso arranjar por enquanto...Para a próxima partilhas a tua receita quer da caldeirada quer do ensopada de enguias...Já vi que és professor catedrático em matérias de comes & e bebes e também mais peixeiro do que carneiro como eu (bolas, nascemos à beira-mar!)...
Acredita que é coisa que não ainda passou pelo "estreito" de muitos amigos e camaradas da Guiné...E há até quem pense que enguia é cobra, mas enguia não é cobra, não...Nem a lampreia nem a moreia...
E mais as nossas enguias vão desovar no mar dos Sargaços e no fim morrem. Os seus filhos regressam e quando chegam aos estuários dos rios já juvenis, foi-lhes atribuido o nome de meixão. a sua captura é ilegal, mas continua a ser pescado e vendido a preços astronómicos para Espanha e não é para viveiros, mas para pratos refinados.
Por causa desta actividade ilicita, há cada vez menos enguias nos estuários.
Eu aprendi a fazer caldeiradas de enguias com o marnotos (produtores de sal) e penso ser uma forma mais corecta.
Num almoço podem existir, mulheres e crianças e por isso a caldeirada é temperada a meio sal, para todos comerem. no fim da caldeirada cozer, retira-se uma parte do caldo para uma tijela para serem adicionados, piri-piri e mais sal e depois do caldo ser bem misturado, cada tempera a comida à sua vontade.
A informação é de borla.
Venha o saboroso sável frito fininho!
É uma delícia mas em Março ainda não o vi!
Não me falem em enguias. Lampreia, ou moreia, não são cobras mas parecem, mas são espécies repugnantes só de ver.
Já lá vão os tempos em que em Fevereiro ou Março se comprava na estrada de Entre os Rios bom sável que era amanhado nas bancas e partidas as postas.
Vamos comendo uns petiscos, tipo petinga vhaquibzubhis, sardinha pequenina, umas fanecas muito pequenas etc
Bom apetite
Vt
As postas da chefe Alice tem bom aspecto, mesmo sendo sucedâneo do Sável.
O acompanhamento impecável.
No Céu não há disto!
Vt e
O sável na Figueira sempre teve pouca procura, por isso os pescadores vendem-no para fora.
Nas enguias, aquilo a chamamos machos, são na relidade fêmeas.
Virgilio!
Se tu visses, as ditas fêmeas com 90gr. de peso, com umas pedras de sal marinho, grelhadas na braza e depois temperadas, com molho de limão, acompanhadas com um Anselmo Crespo, não ias resistir.
Onde fui buscar esse Crespo?
Como é evidente eu referia-me aos vinhos verdes Anselmo Mendes e deixem de pensar tanto nos fritos porque o figado agradece. Peixe grelhado dá muito trabalho, mas é muito bom e fazem esperar o Céu.
O Céu, também tem coisas boas. Hoje vi o Sol nascer, por cima das montanhas da Lousã, ás 6h e 50mn.
Tirei varias fotografias mas, o melhor ainda está para vir no próximo mês de Maio.
Enviar um comentário