Vila Nova de Famalicão > Ciclo de Conferências 2014 > Ideias e práticas do colonialismo português: dos fins do séc. XIX até 1974 > 4 de abril de 2014, 21h30 > Conferência do doutor Sérgio Neto, do
Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, da Universidadae de Coimbra (/CEIS20/UC): " De Goa a Luanda, pensamento e ação de Norton de Matos". (*)
1. Divulgação do evento, a pedido do Museu Bernardino Machado.
Entretanto, decorreu já. no passado dia 14 deste mês a segunda conferência deste ciclo subordinado ao título "Ideias e práticas do colonialismo português: dos fins do séc. XIX até 1974".
Fica aqui o resumo dessa sessão, de acordo a página dio Museu Bernardino Macahado (**):
Figura chave portuguesa nos finais do século XIX e nos princípios do século XX, será com Aires de Ornelas que o império colonial se tornou na chave política portuguesa até 1974. Pertencendo à geração colonialista de 1895, o Prof. Jorge Paulo Fernandes evocou Aires de Ornelas em três perspectivas: o homem, a experiência africana e as ideias colonialistas.
Aliás, estas mesmas começaram a ser difundidas pela imprensa, nomeadamente em dois títulos, nomeadamente enquanto director do “Jornal das Colónias” e na “Revista do Exército e da Armada”, fundada por Aires de Ornelas.
Numa fase inicial, Ornelas incorporou no movimento, sem sucesso e numa “fantasia sem preocupação”, nas palavras do Prof. Jorge Paulo Fernandes, que pretendia restaurar Portugal através de uma ditadura militar, numa altura em que o rotativismo estava a ser fortemente criticado pelos republicanos.
Em 1906, perante a dissidência do Partido Regenerador, Ornelas ficará ao lado de João Franco, será Ministro da Marinha e do Ultramar no governo de 1906 a 1907. Estará, assim, com o príncipe Filipe na viagem a África, indo, logo a seguir à implantação da República, para o exílio, chegando a chefiar a revolta militar de Monsanto em 1919.
A questão a saber para o Prof. Jorge Paulo Fernandes é se Aires de Ornelas é um reacionário, tradicionalista ou uma figura do tradicionalismo monárquico. Fiel monárquico, Ornelas nunca nega a ordem pela monarquia constitucional. Será, enquanto conselheiro do Rei D. Manuel em Londres, uma figura de cautela e de moderação, conselhos que incutia no próprio Rei.
No seu contacto com África, Ornelas será o que irá definir a estratégia militar em África, numa altura em que o Estado português irá possuir o armamento mais moderno e completo da época. Desta forma, com um investimento em tecnologia militar e médica, melhor preparação técnica, permitiram tais condições uma série de vitórias africanas, novas proezas que farão olhar para África de forma diferente.
Defendia Ornelas para África a soberania portuguesa pelas soberania das armas, assim como o darwinismo social (isto é, a reacção musculada). Ao mesmo tempo, Ornelas defendia igualmente uma reacção nacionalista africana, reclamando uma política administrativa para as colónias.
Defensor de uma descentralização administrativa, projectando a municipalização (ideia que já vinha de Mariano de Carvalho, uma autonomia administrativa realizada pelos portugueses de Moçambique, não da metrópole), na prática tais ideias não tiveram a sua consequência; e se esteve ao lado dos vencedores, acabou, nas palavras do Prof. Jorge Paulo Fernandes, um derrotado: o império pelo qual sonhou, terá ganho na sua importância estratégica, enquanto que as ideias descentralizadoras não tiveram o seu seguimento. (...)
2. Norton de Matos (1867-1955)
(i) Jorge Maria Mendes Norton de Matos nasceu (1867) e morreu (1955) em Ponte de Lima;
(ii) Frequentou o colégio em Braga, tendo ido depois, em 1880, para a Escola Académica, em Lisboa;
(iii) Em 1884, iniciou o seu curso na Faculdade de Matemática em Coimbra;
(iv) Fez o curso da Escola do Exército e, em 1898, partiu para a Índia;
(v) Começou aí a sua carreira na administração colonial, como diretor dos Serviços de Agrimensura;
(vi) Finda a sua comissão, viajou por Macau e pela China em missão diplomática;
(vii) O seu regresso a Portugal coincidiu com a proclamação da República (1910);
(viii) Dispondo-se a servir o novo regime, Norton de Matos foi nomeado chefe do estado-maior da 5ª divisão militar;
(ix) Em 1912 tomou posse como governador geral de Angola; s sua atuação nesta colónia revelou-se extremamente importante, ao impulsionar fortemente o seu desenvolvimento, e protegê-la da ameaça contínua que pairava sobre o domínio colonial português, por parte de potências europeias rivais (Inglaterra, Alemanha e Itália); ficará para sempre associado à criação da cidade de Nova Lisboa (hoje, Huambo), em 1912;
(x) Foi demitido do cargo em 1915, como consequência da nova situação política que se vivia em Portugal durante a Primeira Guerra Mundial;
(xi) Foi depois chamado, de novo, ao Governo, ocupando o cargo de ministro das Colónias, embora por pouco tempo: em 1917, é obrigado a exilar-se em Londres;
(xii) Mais tarde, é promovido a general por distinção e nomeado Alto Comissário da República em Angola;
(xiii) Na primavera de 1919, foi delegado português à Conferência da Paz de Veersalhes;
(xiv) Em junho de 1924, exerceu as funções de embaixador de Portugal em Londres, cargo de que foi afastado aquando da instauração da Ditadura Militar (1926-1930);
(xv) Em 1929, foi eleito grão-mestre da Maçonaria Portuguesa;
(xvi) Recebeu diversas condecorações, entre outras, a Grã-Cruz de Torre-e-Espada;
(xvii) Em 1948, participou nas eleições presidenciais de 1949, contra o candidato do regime do Estado Novo, o general Óscar Carmona (1869-1951).
Fontes: Infopédia, Wikipédia e Almanaque Republicano (, blogue donde retirámos a foto acima, com a devida vénia)
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(**) vd. poste de 6 de março de 2014 > Guiné 63/74 - P12799: Agenda cultural (306): Vila Nova de Famalicão > Ciclo de Conferências 2014 > Ideias e práticas do colonialismo português: dos fins do séc. XIX até 1974 > 14 de março de 2014, 21h30 > Conferência do prof doutor Paulo Jorge Fernandes (CEAUP): "As Ideias Colonialistas de Aires Ornelas"
Notas do editor:
(*) Último poste da série > 25 de março de 2014 > Guiné 63/74 - P12899: Agenda cultural (296): Relatos de investigação na Guiné-Bissau - Da Água à Saúde, a cargo do Professor Adriano Bordalo e Sá, dia 28 de Março de 2014 no Salão Nobre do Clube Fenianos Portuenses, Rua do Clube Fenianos, 29, Porto
(*) Último poste da série > 25 de março de 2014 > Guiné 63/74 - P12899: Agenda cultural (296): Relatos de investigação na Guiné-Bissau - Da Água à Saúde, a cargo do Professor Adriano Bordalo e Sá, dia 28 de Março de 2014 no Salão Nobre do Clube Fenianos Portuenses, Rua do Clube Fenianos, 29, Porto
(**) vd. poste de 6 de março de 2014 > Guiné 63/74 - P12799: Agenda cultural (306): Vila Nova de Famalicão > Ciclo de Conferências 2014 > Ideias e práticas do colonialismo português: dos fins do séc. XIX até 1974 > 14 de março de 2014, 21h30 > Conferência do prof doutor Paulo Jorge Fernandes (CEAUP): "As Ideias Colonialistas de Aires Ornelas"
































