Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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sábado, 4 de outubro de 2025
Guiné 61/74 - P27284: Parabéns a você (2422): Artur Conceição, ex-Soldado TRMS da CART 730 / BART 733 (Bironque, Bissorã, Jumbembem e Farim, 1965/67) e Inácio Silva, ex-1.º Cabo Apont Metralhadora da CART 2732 (Mansabá, 1970/72)
Nota do editor
Último post da série de 3 de Setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27279: Parabéns a você (2421): Hélder Valério de Sousa, ex-Fur Mil TRMS TSF (Piche e Bissau, 1970/72)
sexta-feira, 3 de outubro de 2025
Guiné 61/74 - P27283: Agenda cultural (904): Continuação da minha visita em 21 de setembro à exposição “Venham mais cinco, o olhar estrangeiro sobre a revolução portuguesa, 1974-1975”. Para ver até 23 de Novembro de 2025, no Parque Tecnológico da Mutela, Almada (Mário Beja Santos)
Queridos amigos,
"Venham mais Cinco, O Olhar Estrangeiro Sobre a Revolução Portuguesa, 1974-1975", é uma exposição soberba como auxiliar da História, por nos trazer à memória eventos que acompanhámos na época, mais não seja pelos órgãos de comunicação social. Como se escreve na folha de sala, "De um dia para o outro aterraram em Lisboa fotógrafos das maiores agências internacionais, jovens e veteranos, que captaram imagens por todo o país, acompanhando a sucessão vertiginosa dos acontecimentos. Muitos vieram em missões de curta duração, outros instalaram-se vários meses para perceber e retratar o que se passava. Quase tudo era surpreendente para os estrangeiros: a situação política inédita num país europeu, o quotidiano dos portugueses, a forma como a política entrava na vida da população. Eram fotógrafos experientes. Tinham um olhar incisivo, procuravam imagens para as capas de revistas de maior tiragem, mas também revelavam empatia, encantamento e genuíno interesse antropológico. Durante cerca de um ano e meio fotografaram tudo e transmitiram ao mundo esse novo conceito: a revolução dos cravos. Após 50 anos, alguns arquivos desapareceram. Assim, em casos excecionais, quando não houve acesso a negativos nem a provas de papel, decidiu-se reproduzir fotografias publicadas em livros. À data de hoje é a única forma de partilhar imagens únicas, de um período decisivo da história e que nunca estiveram reunidas em Portugal."
Um abraço do
Mário
Continuação da minha visita em 21 de setembro à exposição “Venham mais cinco, o olhar estrangeiro sobre a revolução portuguesa, 1974-1975”.
Exposição de visita obrigatória, ajusta-se à Educação para a Cidadania, oxalá que percorra o País todo
Mário Beja Santos
A exposição decorre no Parque Tecnológico da Mutela, em frente das ruínas da Lisnave, pode ser vista até 23 de novembro. Porquê Venham mais cinco? É o título de uma canção de José Afonso, inicialmente escolhida para ser tocada na Rádio Renascença na madrugada de 25 de abril de 1974, como senha do início do golpe militar. Mas, como esta canção estava proibida na rádio, a senha acabou por ser substituída por Grândola, Vila Morena. Através deste título, os organizadores prestam homenagem a José Afonso.
Na folha de sala o curador da exposição, Sérgio Tréfaut, recorda in memoriam Margarida Medeiros, pelo seu papel essencial neste levantamento único de imagens:
“Venham mais cinco foi uma ideia que surgiu no verão de 1993, quando Margarida Medeiros e Ana Soromenho propuseram que se fizesse uma grande exposição com as imagens dos fotógrafos estrangeiros que haviam retratado o processo revolucionário português. No ano seguinte seria comemorado o vigésimo aniversário do 25 de abril. Margarida e eu rumámos a Paris e mergulhámos nos arquivos das grandes agências internacionais, vasculhando milhares de provas de contacto.
Três décadas depois, a expedição abre as suas portas. Entre o início da nossa pesquisa, no outono de 1993, em Paris, e o seu recente desaparecimento, Margarida Medeiros tinha-se transformado numa das maiores especialistas de fotografia em Portugal, autora de livros de referência, curadora de exposições e responsável pela formação de várias gerações de estudantes. Esta exposição nasceu da nossa amizade.”
Na primeira visita pus o foco nos acontecimentos ligados ao 25 de abril e às primeiras transformações sociopolíticas e económicas ocorridas no país. Senti, no entanto, que ainda havia algumas imagens a captar, seguindo depois para os acontecimentos da Reforma Agrária, as eleições do 25 de abril, as independências e o retorno de muitos, e, finalmente, o 25 de novembro, com este evento diminuiu drasticamente o interesse do olhar estrangeiro sobre a Revolução portuguesa. Vamos, pois, a este punhado de imagens que tenho o maior prazer em partilhar convosco.
Sebastião Salgado, dezembro 1975, Angola. Hospital recebe soldados feridos da Frente Nacional para a Libertação de Angola (FNLA) e civis atingidos durante a fuga
Alain Mingam, Getty Images, 11 de novembro de 1975, Luanda. Crianças-soldado durante um desfile no dia da independência
(Fotos editadas por CV)
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Notas do editor:
Vd. post de 26 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27258: Agenda cultural (902): "Venham Mais Cinco", o olhar estrangeiro sobre a revolução portuguesa, 1974-1975, exposição fotográfica para ver até 23 de Novembro de 2025, no Parque Tecnológico da Mutela, Almada (Mário Beja Santos)
Último post da série de 30 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27270: Agenda cultural (903): Convite para a Conferência Círculo do Mar - "Dar Voz Às Guarnições" - Ultramar 1961-1974, dia 16 de Outubro de 2025, pelas 17 horas, a ter lugar na Sociedade Histórica da Independência de Portugal, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, Lisboa (José Maria Monteiro, ex-Marinheiro Radiotelegrafista)
Guiné 61/74 - P27282: Memórias dos últimos soldados do império (8): os "últimos moicanos" - Parte V: afinal, foi apenas um capítulo da História de Portugal, que se encerrou, mas não definitivamente... E a comprová-lo está o nosso blogue ... que ainda (r)existe (Luís Graça)
Cartaz gerado, a partir de fotos e indicações nossas, por uma assitente de IA (ChatGPT). A imagem representa os últimos moicanos do nosso blogue...
Sim e não... A expressão "o último dos moicanos" é usada como referência aos últimos sobreviventes ou resistentes de uma causa, de um povo, de uma era, etc.
Inspirada na obra literária de James Fenimore Cooper ("O Último dos Moicanos" que eu nunca li, data de 1826, quando muito posso ter a "história" nalguma banda desenhada na minha infància), o uso da metáfora evoca uma sensação de resistência solitária, de testemunho de um mundo desaparecido ou em vias de desaparecer... (E temos tantos exemplos de comunidades, organizações, causas, movimentos, etnias, povos, nações, etc., a começar por África, a quem podíamos chamar "os últimos moicanos")...
Penso que a expressão ficou no ouvido sobretudo de quem viu o filme, baseado naquela obra literária, e que adoptou o título homónimo, de 1992, "O último dos moicanos", do realizador norte-americano Michael Mann.
Baseado no livro de James Finimore Cooper, 'O Último dos Moicanos', é uma história de amor sem fronteiras, uma recriação detalhada da turbulenta América colonial e uma saga excitante sobre a guerra entre ingleses e franceses, no século XVIII, por um pedaço do solo americano. Hawkeye é um homem criado por índios e que luta por justiça e pelos princípios moicanos. Cora Munro é filha de um oficial britânico. Eles apaixonam-se e juntos enfrentam a ira do cruel e vingativo Magua."(...)
Ao aplicar esta metáfora (que é mais uma expressão de humor de caserna do que uma "verdade histórica"...), o Abílio Magro & Companhia (**), os últimos militares portugueses a deixar Bissau em setembro e outubro de 1974, bem podiam descrevem-se a si próprios como os últimos estafetas de uma corrida de 500 anos, os remanescentes de um poder (colonial) que acabava de passar à História.
Sem o dramatismo da saída dos americanos de Saigáo, eles eram os últimos representantes de um exército que "passava a bola", o poder, aos "novos senhores da guerra", o PAIGC... Sem derrota militar, acrescente-se!"...
É claro que a expressão também carrega um misto de melancolia, nostalgia, saudade... (A Guiné, as suas paisagems, as suas gentes, mais do que a guerra, ficaria nas nossas boas memórias, e temos lá voltado em "turismo de saudade", os "tugas" são desconcertantes, são sentimentais, são solidários...).
Objetivamente falando, o Abílio Magro & Companhia foram também as derradeiras testemunhas de um "capítulo da História de Portugal" (como se a História tivesse capítulos, com princípio, meio e fim...).
Capítulo que não se encerrava definitivamente. Afinal, a Guiné-Bissau é um país que quer (e que precisa de) continuar a manter relações, agora menos assimétricas, com Portugal: é cá que vêm tratar-se no SNS (e infelizmente também morrer) os antigos dirigente ou combatenets do PAIGC (como o Luís Cabral, em 2009, o Aristides Perereira, em 2011, o Duke Djassy, em 2025,. só para citar alguns que me ocorrem de momnetp), é cá que muitos doentes vêm fazer hemodiálise, é cá que os muitos dos seus futuros médicos, engenheiros, professores, advogados, etc., estudam, é cá que muitos guineenses vivem e trabalham, etc.
Para além do facto histórico (a saída dos últimos militares portugueses, que de resto já lá voltaram, mas agora em "missões de paz" da ONU...) a expressão traduz sobretudo um estado de espírito.
Para alguns, sim, poderá ter sido um sentimento de abandono e de desilusão. Foi, por certo, mais para os nossos camaradas guineenses, a que fora prometida uma paz honrosa... e que optaram por ficar na sua terra (em rigor, não tinham alternativa, Portugal não era a sua casa).
Nunca tendo sido uma colónia de povoameno, a Guiné não desperta, por parte dos "civis" que lá nasceram, viveram ou trabalharam o mesmo sentimento de "saudosismo" que experimentam os "retornados" de Angola e Moçambique...ainda hoje.
Acredito que houvesse, nessa época, uma atmosfera ambivalente, em Bissau, de nervosismo, ansiedade e alívio, capaz de gerar sentimentos contraditóriso: afinal, os "tugas" estavam desejosos de regressar a casa e em Lisboa os jovens gritavam "nem mais um soldado para as colónias"... Estupidamente ?
"Nem mais um soldado para as colónias!"... Slogan que irritava solementye os desgraçados dos "últimos moicanos"....Afinal, alguns desses jovens, que ainda não tinham ido à tropa nem muito conmhecido a realidade das colónias, a militar (alguns, a maioria eram simpatisdanets) na extrema-esquerda (e nomeadamente maoísta) viriam a ter, anos depois, boas carreias políticas, diplomáticas, académicas, empresariais,. etc.
Em suma, a expressão "último dos moicanos" ou "últimos moicanos" do Império, em setembro e outubro de 1974, em Bissau, significa a representação simbólica do fim do ciclo imperial português, mas também o início de um ciclo de esperança para os dois povos...
PS - O editor LG tinha deixado o seguinte comentário no poste P15618 (e que mantém, após ter lido ou relido o poste do Albano Mendes de Matos, P27278):
(...) Há algo de pungente na tua descrição, tão singela, ingénua e ao mesmo tempo tão realista e quase cinematográfica dos últimos dias de Bissau... São pinceladas, são apontamentos, são "flashes", são pequenos detalhes de uma atmosfera, única, a da véspera de se partir, definitivamente, para casa e deixar atrás a tralha da História, e as ruínas de uma guerra, que vai, contudo, continuar a arder em lume brando...
Acho que, quem como tu, foi um dos últimos guerreiros do império, mesmo tendo sido um honestíssimo e patriótico amanuense, não mais poderia esquecer esses últimos dias, essas últimas horas...
O teu "prisioneiro da ilha das Galinhas" é um "boneco" bem apanhado!... Estou a imaginar a cara de desagrado, nojo, confusão e impotência dos nossos "maiores" (em geral, majores, tenentes coroneis e um ou outro coronel) ao tropeçar, à portas do QG, com o teu "moicanho"...
Obrigado, mano Magro, por mais este delicioso naco de prosa!..
(*) Último poste da série > 2 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27278: Memórias dos últimos soldados do império (7): os "últimos moicanos" - Parte IV: "Já na estrada do aeroporto, olhei para trás. Duas lágrimas saltaram-me dos olhos, recordando o sangue português derramado naquelas paragens. Era estrangeiro numa nova nação." (Albano Mendes de Matos, ex-ten SGE, GA/ e QG/CTIG,1972/74, hoje ten cor ref e escritor)
Guiné 61/74 - P27281: Tabanca da Diáspora Lusófona (36): O meu "Labor Day" (1 de setembro) e um "party" luso-esloveno-americano (João Crisóstomo, Queens, Nova Iorque)
Foto nº 1 > Nova Iorque > Queens > 1 de setembro de 2025, "Labor Day" > Ser solidário (1): O João e a Vilma
Assunto - Sinal de vida
Caro Luis Graça,
A verdade é que estes “parties” nos ajudam muito a nós mesmos. De certa maneira os maiores beneficiados somos nós.
As primeiras 3 fotos são dum “party" no dia 1 de Setembro (o correspondente ao 1º de Maio em Portugal): uma espécie de “ snack” às 16.00 pm com salada de fruta, um grande bolo, e outros variados, refrigerantes etc. Foi a melhor maneira que encontrei para dar um pouco de vida e alegria a alguns dos séniores (e alguns familiares que os visitavam nesse dia) que moram num “assisted living building” (**) na nossa rua (otos nºs 1, 2 e 3),
As outras fotos são dum “party de "parabéns e boas-vindas” a dois jovens amigos da Eslovénia ( que conhecíamos de anteriores visitas a Nova Iorque) e que agora vieram trabalhar e viver nos Estados Unidos (Fotos nºs 4, 5, 6, e 7))
(Revisão / fixação de texto: LG)
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Notas do editor LG:
(*) Último poste da série > 13 de julho de 2025 _ Guiné 61/74 - P27011: Tabanca da Diáspora Lusófona (35): O meu "Four of July", aniversário da grande Nação Americana, em que os cachorros quentes ("hot dogs") e hambúrgeres grelhados da tradição foram substituídos pelo nosso bom bacalhau (João Crisóstomo, Nova Iorque)
Resposta com a ajuda do assistente de IA / Gemini:
Um "assisted living building" (ou "assisted living residence") em Nova Iorque é uma unidade habitacional para pessoas idosas ou com deficiência que necessitam de algum apoio nas atividades diárias, mas que não precisam do nível de cuidados médicos intensivos de um lar de idosos (nursing home). Portanto, não se confunde com o nosso "centro de dia para idosos" ou "lar de terceira idade"
As principais características incluem:
(i) Habitação: os residentes vivem nos seus próprios apartamentos ou quartos privados dentro de um complexo com áreas comuns.
(iv) Regulação: no Estado de Nova Iorque, estas residências são licenciadas e reguladas pelo Departamento de Saúde do Estado (New York State Department of Health) para garantir a segurança e a qualidade dos cuidados. O objetivo é proporcionar um ambiente que se assemelhe a uma casa, promovendo a dignidade, autonomia e independência dos residentes.
(***) O "Labor Day", equivalente ao nosso 1º de Maio , "Dia do Trabalhador", é feriado federal nos EUA. Celebra-se na primeira segunda-feira ("monday") de setembro: (i) homenageia a luta dos trabalhadores americanos por melhores condições de vida e de trabalhao; e (ii) e marca o fim não oficial do verão.
A data é comemorada com desfiles, piqueniques e eventos ao ar livre, sendo uma oportunidade de descanso e lazer para as famílias.
O " Labor Day" surgiu no século XIX como resultado da luta do movimento operário em prol de melhores condições de trabalho e redução da jornada de trabalho
O final do século XIX ,nos EUA; foi um período de intensa industrialização, marcado por longas jornadas de trabalho (frequentemente de 12 horas diárias, sete dias por semana), baixos salários e condições de trabalho insalubres e perigosas (acidentes de trabalho, doenças profissionais...). Coemnaçaram a ganhar força os sindicatos, com orgamização de greves e manifestações.
É nesse cenário que que surge a ideia do "Labor Day"...A primeira celebração do Labor Day ocorreu em 5 de setembro de 1882, em Nova York, organizada pela Central Labor Union (CLU). Milhares de trabalhadores marcharam da Prefeitura até a Union Square, em um evento que combinou um desfile com um piquenique para as famílias dos trabalhadores.
O Estado do Oregon foi o primeiro a aprovar uma lei para reconhecer o feriado em 1887. Tornou-se feriado federal, de àmbito nacional, em 1894, após a greve de Pullman, que trouxe as condições de trabalho para a luz da ribalta. Foi dos mais dramáticos conflitos sociolaborais da história americana:
A greve, que começou como um protesto contra cortes salariais e a alta dos preços das rendas de casa. numa cidade-empresa controlada pela Pullman Palace Car Company. Espalhou-se rapidamemnte por todo o país, aralisando os transportes ferroviário.
A resposta do governo federal não se fez esperar e foi dura, com o envio de tropas para reprimir a greve. Houve mortes. P Presidente Grover Cleveland acabou por assinou a legislação que estabelecia o Labor Day como um feriado nacional legal, em 28 de junho de 1894. Mas at+e essa dat Até 1894, mais da metade dos Estados já havia adotado a data.
No essencial, o "Labor Day" celebra as conquistas históricas do movimento operário (a jornada de trabalho de oito horas, salários mais justos, saúde e segurança do trabalho, direito à organização sindical).
Na cultura da América, simboliza também omo o fim, não oficial, do verão. Sendo um fim de semana com ponte (o feriado é sempre à segunda), é uma oportunidade para uma última viagem de verão, churrascos, piqueniques e eventos ao ar livre. As escolas e universidades geralmente iniciam seu ano letivo após o Labor Day.
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A escolha de da primeira segunda feira de setembro para o Labor Day nos EUA foi, em parte, uma tentativa de distanciar o feriado das conotações socialistas e anarquistas do 1º de maio, Dia Internacional dos Trabalhadores. O 1º de maio tem suas raízes na revolta de Haymarket, ocorrida em Chicago em 1886, e está associado a uma tradição mais politizada e de protesto do movimento operário internacional.
Guiné 61/74 - P27280: Manuscrito(s) (Luís Graça) (274): Vindimas, ainda são o que eram ? - Em Candoz, sim, no essencial - II (e última) Parte
Foto nº 20 > Quinta de Candoz > Vindimas > 11 e 19 de setembro de 2025 > Videira (jovem) carregada de uvas da casta Pedernã (ou Arinto).
Foto nº 22 > Quinta de Candoz > Vindimas > 11 e 19 de setembro de 2025 > Casta Avesso (típica sa subregião de Baiáo, aqui ao lado,a 500 metros, em passando a linha do camainho de ferro do Douro).
Foto nº 24 > Quinta de Candoz > Vindimas > 11 e 19 de setembro de 2025 > Casta Loureiro (cultivada principalmente na zona norte-litoral da Região Demarcada dos Vinhos Verdes: subregiões de Lima, Cávado, Ave)
Foto nº 25 > Quinta de Candoz > Vindimas > 11 e 19 de setembro de 2025 > Casta Loureiro: é pela folha que se conhece a casta... Loureiro e das demais. (Eu ainda tenho que ver a etiqueta, que o nosso "engenheiro" fixa nas videiras é para os vindimadores não se fazerem a devida seleção...)
Foto nº 26 > Quinta de Candoz > Vindimas 11 e 19 de setembro de 2025 > Um luxo de uvas, que foi para a Aveleda, em Penafiel...Impecáveis, sem um bago podre ou seco... Deram 13,8 graus de álcool provável... Não adianta: a Alveleda só paga melhor até 11,5º... Mas ajudamos a empresa a ser talvez a melhor da Região Demarcada dos Vinhos Verdes. Devíamos ter pelo menos direito ukm "like", na página do Facebook da Aveleda, somos uma das formiguinhas que trabalham para eles...
Foto nº 28 > Quinta de Candoz > Vindimas > 19 de setembro de 2025 > Está na hora do almoço...
Foto nº 29 > Quinta de Candoz > Vindimas > 19 de setembro de 2025 > Apesar do trator, há muito trabalho braçal... E sobretudo muito boa interajuda, cumplicidade, boa disposição... É isso que é a magia das vindimas nas terras do Zé do Telhado... (O fantasma dele ainda vagueia por aqui à noite,)
Foto nº 30 > Quinta de Candoz > Vindimas > 19 de setembro de 2025 > Uma pausa para retemperar forças e beber a "bejeca"... (Super Bock, no Norte, passe a publicidade; cada "tribo" tem direito à sua idiossincrasia; só eu é que sou plural: tanto bebo do branco como do tinto, da Sagres ou da Superbock...
Foto nº 31 > Quinta de Candoz > Vindimas > 19 de setembro de 2025 > Já têm sido, nas vindimas, muito mais à mesa... Desta vez só foram 18, pelos pratos que eu contei... A uma sexta feira, dia útil da semana, nem todos os "citadinos" podem comparecer à chamada...ou simplesmente fazer o gosto ao dedo... Eu, por exemplo, não cortei um cacho de uvas (minto, cortei alguns)... O meu papel foi o do fotógrafo, que é mais confortável. Mas alguém tem de se "sacrificar" e deixar registos para a posteridade, escrever as histórias, as memórias, os afetos...
Foto nº 32 > Quinta de Candoz > Vindimas 11 e 19 de setembro de 2025 > O tacho desta vez foram... "tripas à moda do Porto"...A "chef" Alice esteve á frente do departamento dos "Comes & Bebes" durante as vindimas....Comida apropriada para os trabalhadores da vinha... Um prato tripeiro (e patriótico) por excelências... Oxalá, Enxalé, Inshallah, a gente apanhasse disto no "rancho" na Guiné... Tínhamos ganho a guerra, naqueles anos, só a comer esparguete com cavala, ou bianda com bianda... e a beber "água de Lisboa" (quer dizer, do Beato)...
Último poste da série > 29 de setembro de 2025> Guiné 61/74 - P27266: Manuscrito(s) (Luís Graça) (273): Vindimas, ainda são o que eram ? - Em Candoz, sim, no essencial - Parte I
Guiné 61/74 - P27279: Parabéns a você (2421): Hélder Valério de Sousa, ex-Fur Mil TRMS TSF (Piche e Bissau, 1970/72)
Nota do editor
Último post da série de 29 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27265: Parabéns a você (2420): António Bastos, ex-1.º Cabo At Inf do Pel Caç Ind 953 (Cacheu, Farim, Canjambari e Jumbembem, 1964/66)
quinta-feira, 2 de outubro de 2025
Guiné 61/74 - P27278: Memórias dos últimos soldados do império (7): os "últimos moicanos" - Parte IV: "Já na estrada do aeroporto, olhei para trás. Duas lágrimas saltaram-me dos olhos, recordando o sangue português derramado naquelas paragens. Era estrangeiro numa nova nação." (Albano Mendes de Matos, ex-ten SGE, GA/ e QG/CTIG,1972/74, hoje ten cor ref e escritor)
(Viii) já em Angola, havia publicado, em 1973, o caderno de contos africanos «O Jangadeiro», dos quais foram apreendidos 300 exemplares pela PIDE/DGS;
(ix) é também licenciado em Antropologia Cultural e Social e mestre em Ciências Antropológicas;
(x) foi professor na Universidade Moderna;
- o Eduardo Magalhães Ribeiro (nosso coeditor) (ex-fur mil OE, CCS / BCaç 4612/74, Cumeré, Mansoa e Brá; seguiu para a Guiné já depois do 25 de Abril, tendo regressado na última viagem, no T/T Uíge, em 15/10/74; de alcunha, "o pira de Mansoa);
- o Abílio Magro, ex-fur mil amanuense, Chefia do Serviço de Justiça e Disciplina (CSJD), QG/CTIG, março 1973/ setembro 1974);
- o Albano Mendes de Matos, entáo tenente SGE, GA/ e QG/CTIG - Secçáo de Milícias e Chefe de Contabilidade, 1972/74, hoje ren.cor ref; natural do Fundão, vive em Oeiras,.
Também não podemos esquecer o valioso contributo do nosso amigo Luís Gonçalves Vaz, membro da nossa Tabanca Grande (nº 530) e filho do cor cav CEM Henrique Gonçalves Vaz (último Chefe do Estado-Maior do CTIG - 1973/74) (que deixou Bissau, às 2h30 do dia 14 de outubro de 1974, tendo viajado nos TAM com o brigadeiro graduado Carlos Fabião e restantes militares
A qualquer deles, incluindo o Manuel Belexa Ferraz, se aplica a expressão " o último dos moicanos" (leia-se: soldados do império): o Abílio Mgro, rgressado a casa em fins de setembro, nos TAM; o Albano Mendes Matos, a 14, também de de avião; e o Eduardo, a 15, no T/T Uíge.
O texto que republicamos a seguir, agora nesta sérien (*), é um dos textos mais pungentes que eu já li sobre sobre a saída das NT. Escrito com rigor jornalístico, mas também grande sensibilidade, ou não fora o autor um escritor de talento
Foi um momento emocionante o meu último dia na Guiné-Bissau, em 13 de outubro de 1974.
O pessoal que restava do meu serviço, Contabilidade, saiu para o aeroporto de Bissalanca, logo pela manhã, como quase todos os militares que ainda lá se encontravam. Levaram rações de combate para as refeições. Creio que com receio de algum acontecimento.
As famílias avisaram esses ex-soldados para se deslocarem a Bissau, para exigirem o pagamento. Eu tinha pedido à Emissora da Guiné para avisar todas as pessoas, militares e civis, e as empresas que tivessem a receber alguma coisa do Exército Português, que o comunicassem até, creio, ao dia 10 de outubro [de 1974].
Interessante foi o caso de uma Casa de Instrumentos Musicais pedir o pagamento de 6 clarins que tinham sido fornecidos ao Comando Militar da Guiné... em 1940.
Disse aos ex-soldados que já não havia dinheiro e o tesoureiro já se encontrava em Portugal.
Em novembro/dezembro [de 1974] enviei o dinheiro devido ao 6 militares, não tendo conhecimento se o receberam.
Quando, na estrada, me preparava para caminhar, surgiu um jipe com um militar do PAIGC, mulato, de meia-idade, que me disse:
Contei-lhe o sucedido e logo se prontificou levar-me à Amura, mas que lhe ensinasse o caminho, porque só tinha ido a Bissau, durante a guerrilha, uma vez, de noite, ao cinema na UDIB (União Desportiva Internacional de Bissau).
Conduziu-me no jipe, não à Amura, mas a um restaurante de um primo do meu condutor, português a quem o Governo da Guiné pediu para não sair, porque era o chefe da fábrica de descasque de arroz, situada numa ilhota, no rio Geba, em frente de Bissau [, o ilhéu do Rei ].
Lá encontrei o meu condutor com uma grande bebedeira, não podendo conduzir o jipe. Disse-lhe que não se embebedasse mais, porque às 11 horas da noite tinha que estar junto do jipe, em frente do restaurante do primo, para irmos para o aeroporto.
Almocei e jantei na casa do referido locutor [o Silvério Dias]. e andei pelas ruas e pelos bares de Bissau. Só encontrava guineenses que me cumprimentavam e desejavam boa viagem e muita sorte.
Dei por mim a olhar para as memórias portuguesas que ficavam por aquelas paragens: edifícios, estátuas, toponímia. E a recordar a história que me tinham ensinado, com navegadores, guerreiros, missionários e pacificadores. Imaginei os primeiros portugueses a chegar àquelas terras. E eu, agora, o último a passear pelas ruas de Bissau, no fim do Império.
Estavam lá mais portugueses, o Governador e alguns militares, mas não saíam à rua. Às 23 horas [do dia 13 de outubro de 1974, domingo ]. , foram sob escolta para o aeroporto.
Um pouco depois das 11 horas da noite, dirigi-me para o jipe. O condutor estava melhor da bebedeira. Com ele estava o primo. Alguns negros param a olhar para nós. Aproximaram-se. O jipe arrancou. Os guineenses ficaram a acenar, de braços levantados. Descemos pela avenida principal, subimos pelo lado do campo de futebol.
Sentia uma sensação estranha. Já na estrada do aeroporto, olhei para trás. Duas lágrimas saltaram-me dos olhos, recordando o sangue português derramado naquelas paragens. Era estrangeiro numa nova nação.
Já perto do aeroporto, o condutor perguntou-me:
− Meu tenente, onde deixo o jipe?
− Atira-o para uma barreira!
Parámos à entrada do parque do aeroporto. Desci com a pequena mala. O condutor colocou uma sacola no chão, subiu para o jipe e conduziu-o até uma pequena ladeira, ao lado da estrada, um pouco antes do aeroporto, para onde o encaminhou com um pequeno empurrão.
No aeroporto, para entrarem no último avião da Guiné, estavam o Governador, o Comandante Militar, alguns militares coadjuvantes, oficiais, sargentos e meia dúzia de soldados.
Para apresentarem cumprimentos de despedida, chegaram alguns chefes militares do Exército do PAIGC e o Presidente da Câmara Municipal de Bissau.
Era o fim da colónia ou província portuguesa da Guiné, já independente desde o mês de Agosto.
Albano Mendes de Matos
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Notas do editor LG:
(*) Último poste da série > 2 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27277: Memórias dos últimos soldados do império (6): os "últimos moicanos" - Parte III: a viagem Bissau-Lisboa, a bordo do T/T Uíge, em 15 de outubro de 1974 (Eduardo Magalhães Ribeiro / Luís Graça)




























