Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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segunda-feira, 30 de março de 2026
Guiné 61/74 - P27870: Parabéns a você (2470): Abel Rei, ex-1.º Cabo At Art da CART 1661 (Fá Mandinga, Enxalé e Porto Gole, 1967/68); António Graça de Abreu, ex-Alf Mil Inf do CAOP 1 (Teixeira Pinto, Mansoa e Cufar, 1972/74) e Rosa Serra, ex-Alferes Enfermeira Paraquedista (Bissau, 1969)
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Nota do editor
Último post da série de 27 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27861: Parabéns a você (2469): Armando Pires, ex-Fur Mil Enfermeiro da CCS/BCAÇ 2861 (Bula e Bissorã, 1969/70); Carlos Vinhal, ex-Fur Mil Art MA da CART 2732 (Mansabá, 1970/72) e Eduardo Magalhães Ribeiro, ex-Fur Mil Op Esp da CCS/BCAÇ 4612/74 (Mansoa, 1974)
domingo, 29 de março de 2026
Guiné 61/74 - P27869: Fotos à procura de...uma legenda (202): No Dia Mundial da Poesia e da Árvore (Joaquim Pinto de Carvalho, régulo da Tabanca do Atira-te ao Mar)
Lourinhã > Atalaia > Porto das Barcas > Tabanca do Atira-te ao Mar > 21 de março de 2026 > > Escreveu o fotógrafo (e poeta) Joaquim Pinto Carvalho, régulo da Tabanca do Atira-Te ao Mar e nosso colaborador permanente (para as questões jurídicas): "Dia Mundial da Poesia e da Árvore: poesia suprema: nenmhum poeta é capaz deste poema". Assinado: JAPCarvalho.
1. Belíssima (e feliz) imagem, Joaquim, daquelas que nos fazem ficar em silêncio, por um instante, suspensos sobre o mundo, as suas misérias e grandezas... (Tirada a 50 metros da arriba, do terraço da tua casa./
A fotografia com que celebraste o teu/nosso on Dia Mundial da Poesia e da Árvore (!) tem vários elementos ou signos que são quase “versos” visuais:
(ii) o reflexo vertical na água (quase como uma coluna de luz, um eixo estruturante da vida e do mundo);
(iii) a árvore seca (ou, pelo menos, despida) recortada, quase humana, como uma figura solitária que observa o contraste entre vida/luz e morte/esqueleto (uma sentinela que foi morta mas que teima em permanecer de pé no seu posto)...
Joaquim, isto não é só registo, "instantâneo", tecnologia!.. Há interpretação, há escolha, há ação, há silêncio... E logo por ti, que és um místico, um poeta, um músico, um coralista, um artista... Por isso, estar aqui discutir onde acaba a fotografia e começa a poesia, é discutir o sexo dos anjos.
“Poesia suprema: nenhum poeta é capaz deste poema”... Suprema legenda, mas também saudavelmente provocadora. Estás a dizer: a natureza faz o poema que o homem não consegue escrever.
2. Deixemos, Joaquim, aos nossos leitores o desafio (e o privilégio) de legendar a tua foto ou completar a tua legenda... Obrigado pela tua dádiva... Que bela prenda neste Dia da Poesia e da Árvore!
No entanto. eu gostaria de a "contextualizar": não é uma fotografia qualquer, igual a milhares de outras sobre o pôr do sol tiradas do alto de uma arriba; não, esse sítio é um " lugar com alma", a Tabanca do Atira-te ao Mar...
É uma das nossas "geografias emocionais", um lugar que tem tudo o que faz memória, como na nossa Guiné : refúgio, emoção, partilha, "medo lá fora e vida cá dentro"...
Na Tabanca do Atira-te ao Mar, aprendemos juntos que o mundo podia fechar as portas, as janelas, os portos, os aeroportos, as fronteiras... Podia confinar-nos mas não á nossa amizade e á nossa camaradagem...
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Último poste da série > 18 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27832: Fotos à procura de... uma legenda (201): um falso Vhils em Évora, património mundial da humanidade ?
Guiné 61/74 - P27868: Esposas de militares no mato (4): Canjadude, lá no "cu de Judas" (José Martins)
Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Canjadude > CCAÇ 5 > c.1973/74 > Um "foguetão 122mm" que atingiu o alvo mas, felizmente, não rebentou. O PAIGC chamava-lhe pomposamente "jacto do povo", tinha um efeito mais psicológico do que eficaz em termos destrutivos (quando o artilheiro falhava o alvo; o alcance era de 20 km).
No meu caso, por estar colocado numa unidade da Guarnição de Recrutamento Local, estas questões (*) são um pouco atípicas.
As tropas africanas, na sua maioria, pelo menos na CCAÇ 5, eram casados e alguns com já bastante tempo de tropa. Em 1974, quando foi extinta, havia recrutados de 1961 tendo, nesse caso, feito o pleno da guerra.
As mulheres e os filhos, que viviam na parte civil agregada ao quartel, só não os acompanhavam nas operações no mato. Nas colunas à sede do batalhão, marcavam sempre presença.
No caso de europeus, e estou a tentar reportar desde 1961 a 1964, apenas houve uma residente efetiva. A esposa de um capitão que foi destacado do comando da CCS do Batalhão de Nova Lamego, para a CCAÇ 5 ("Gatos Pretos").
Em tempo recorde foi construido, dentro do perímetro militar, um abrigo para alojar o casal. A senhora ficou em Nova Lamego apenas o tempo da construção do abrigo. Assim que ficou "habitável" transferiu-se para Canjadude, frequentando o refeitório dos graduados, nas refeições, à exceção do pequeno almoço, que o serviço de "catering" lhes levava.
Um outro caso, posterior à minha presença, foi o de um Furriel QP que esteve doente, vindo a falecer, que não foi evacuado, mas foi "patrocinada" a presença da esposa no aquartelamento.
Sim. Estiveram do aquartelamento mulheres e filhos, de militares, quer africanos quer europeus. (**)
E mais não sei.
Notas do editor LG:
(*) Vd. poste de 17 de outubro de 2016 > Guiné 63/74 - P16609: Inquérito 'on line' (75): as primeiras 66 respostas, a três dias do fim do prazo (5ª feira, dia 20): só em 28 casos havia famílias de militares, não guineenseses, no mato... "Lembremos que o maior número de militares do quadro não estavam longe de belas cidades como Luanda, Benguela, Uíge, Malange, Lourenço Marques, Beira, Nova Lisboa e Bissau, por exemplo, onde não faltava nada (comentário de Antº Rosinha)
sábado, 28 de março de 2026
Guiné 61/74 - P27867: A Nossa Guerra em Números (49): BCAÇ 3872 (Galomaro, 1971/74): Flagelações e ataques aos quartéis e às tabancas; minas ativadas e detetadas; emboscadas e contactos (Luís Dias)
O Batalhão, em conjunto com 4 companhias independentes, embarcou no Niassa, não em 25 de março, mas em 28 de março de 1974, tendo chegado a Lisboa no dia 4 de abril de 1974. E são registo oficiais, dos quais se esperava melhor acerto nas datas.
Abraço.
sexta-feira, 27 de março de 2026 às 18:38:00 WET
(ii) Já agora publico mais elementos gerais
- Flagelações e ataques aos nossos quartéis
CCAÇ 3489 - CANCOLIM
2 Flagelações em 1973
2 Flagelações em 1974
CCAÇ 3490 – SALTINHO
4 Flagelações em 1973
2 Flagelações em 1974
1 Ataque/flagelação em 1972 c/1 IN morto confirmado e prováveis feridos IN
- Minas ativadas e detetadas
Saltinho:
- Emboscadas | Contactos | Flagelações auto
CCAÇ 3490
CCAÇ 3491
CCS
- Ataques a tabancas em autodefesa e tabancas indefesas
- Tabanca indefesa de Mali Bula/Galomaro, em 1/2/72;
- Tabanca de Umaro Cossé/Galomaro, c/2 feridos civis, em 7/12/72;
- Tabanca de Campata/Galomaro, em 20/6/72;
- Tabanca indefesa de Sinchã Mamadu/Saltinho, na mesma data de 20/6/72;
- Tabancas indefesas de Sana Jau e Bonere/Saltinho, em 30/6/72;
- Tabanca de Cassamange/Saltinho, em 15/7/72;
- Tabanca indefesa de Guerleer/Galomaro, c/ morte de 3 prisioneiros civis e 1 ferido grave, em 27/7/72;
- Tabanca de Patê Gibele/Galomaro c/ 1 sarg. milícia morto+1 ferido grave e 2 feridos ligeiros da pop., em 11/8/72;
- Tabanca de Anambé/Cancolim c/1 morto (CCAÇ 3489)+3 feridos também da mesma CCAÇ, que ali estava de reforço, em 5/9/72;
- Tabanca de Sinchã Maunde Bucô/Saltinho, c/3 feridos IN confirmados, em 20/9/72;
- Tabanca de indefesa de Bujo Fulpe/Galomaro, em 26/9/72;
- Tabanca ainda indefesa de Bangacia/Galomaro, com 1 milícia e 2 civis mortos, no mesmo dia (26/9/72);
- Tabanca de Dulô Gengele/Galomaro, com 3 mortos IN confirmados e 3 mortos civis (que tinham sido feitos prisioneiros antes do ataque e que foram abatidos+1 ferido grave e 1 ferido ligeiro dos milícias e 4 feridos graves da pop e 5 feridos ligeiros da pop., em 17/10/72;
- Tabanca indefesa de Sarancho/Galomaro, com 2 mortos civis e 2 feridos civis;
- Tabanca indefesa de Samba Cumbera/Galomaro, c/1 ferido grave da pop., em 13/11/72;
- Tabanca de Cansamange/Saltinho, 17/12/72;
- Picada Saltinho-Galomaro c/16 elementos da pop. capturados e roubados dos seus haveres (dinheiro), em 18/1/73;
- Tabanca de Bangacia/Galomaro, c/2 mortos civis+2 feridos civis+2 feridos milícias, em 1/2/73;
- Tabanca de Campata/Galomaro, c/5 mortos do IN e 1 capturado+3 mortos milícias e 3 mortos civis, em 16/3/73;
- Tabanca de Sinchã Maunde Bucô/Saltinho, em 14/5/73;
- Tabanca de Bangacia/Galomaro, em 18/9/73;
- Tabanca de Madina Bucô, em 20/1/74
No comentário do Luís Dias, umas pequenas correções nas flagelações a tabancas/ Saltinho até Agosto/72, mês em que regressei em fim de comissão:
Tabanca de Sinchã Maunde Bucô/Saltinho,em 14/5/73
Tabanca de Madina Bucô,em 20/1/74
É a mesma tabanca, o nome correto é o primeiro,mas era mais conhecida por Madina, era a tabanca antes de chegar ao Quirafo vindo do Saltinho.
Não consta da lista, mas esta tabanca foi flagelada numa data em que eu ainda estava no Saltinho,talvez Junho ou Julho.
Sana Jau e Bonere. não conheço, não ficavam na zona do Saltinho
Notas do editor LG:
(*) Vd. poste de 26 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27859: Fichas de unidades (40): BCAÇ 3872 (Galomaro, 1971/74), CCAÇ 3489 (Cancolim), CCAÇ 3490 (Saltinho), CCAÇ 3491 (Dulombo e Galomaro): Divisa: "O inimigo vos dirá quem somos"
Guiné 61/74 - P27866: Os nossos seres, saberes e lazeres (728): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (249): Notícia póstuma de uma notável exposição dedicada a Rogério Ribeiro - 2 (Mário Beja Santos)

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 9 de Março de 2026:
Queridos amigos,
Não posso dizer que coro de vergonha pelo facto de não ter publicado em tempo oportuno este relato de visita a uma importantíssima exposição sobre a obra neorrealista de Rogério Ribeiro. Do itinerário do artista, do seu experimentalismo permanente em que deixou a obra no desenho gráfico, na cerâmica e na faiança, no mural, na tinta-da-china, na linogravura e na gravura, na água forte, na litografia, no guache e na aguada, e fiquemos por aqui, se deixou notícia no texto anterior chamando a atenção para a organização da exposição que abre com um módulo de Mar e Sargaço, o seguinte intitulado de Terra e Campesinato, e hoje aqui se dá o destaque aos módulos sobre o Operariado e outras Fainas, a Família e o Quotidiano, o Corpo e Rosto e, finalmente, Ecos do Realismo, em que se pode apreciar que o artista evoluiu, mas nunca deixou de revelar o valor da dignidade humana, nunca escondeu a sua frustração, num mundo que oprime os mais desfavorecidos. E convido os interessados a adquirir o catálogo de referência da exposição, para além de nos mostrar o extraordinário talento de Rogério Ribeiro, traça o que de mais importante e significativo foi o fenómeno cultural que deu pelo nome de neorrealismo.
Um abraço do
Mário
Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (249):
Notícia póstuma de uma notável exposição dedicada a Rogério Ribeiro - 2
Mário Beja Santos
Decorreu no Museu do Neorrealismo uma exposição intitulada Fazer Crescer a Vida, Rogério Ribeiro e o neorrealismo, aconteceu entre finais de maio e outubro do ano passado. A tudo assisti na inauguração, uma apaixonante apresentação feita por David Santos, o diretor científico da casa, lá voltei duas vezes, e sabe-se lá por que negligência ou inércia fui demorando a intenção de pôr por escrito a chamada de atenção para este acontecimento cultural de gabarito, ainda por cima acompanhado de um catálogo de referência.
Penitencio-me da minha falta, o que se segue não passa de uma tentativa de redenção.
A homenagem que o Museu do Neorrealismo prestou a Rogério Ribeiro é, a todos os títulos, tocante. O magnífico catálogo, é uma obra de referência. O curador e diretor científico da casa disserta sobre este fenómeno artístico assente no amor ao povo, no mostrar a dignidade do trabalhador como mensagens indutoras à alegoria à transformação do mundo. Todos estes artistas plásticos, pode hoje ponderar-se à distância, acompanhavam um cânone, mas possuíam uma sintaxe específica, e Rogério Ribeiro revelou desde muito novo um olhar distinto, quer quando ele trabalhou a obra plástica sobre a recolha do sargaço, a monda do arroz ou a ceifa; o trabalhador, fosse a mulher arranjando peixe ou mondadeira, o homem como feirante, cosendo redes, ou ambos em duros trabalhos, o que há peculiar neste artista são cores, traços, ajuntamento de gentes que nos falam do real do quotidiano.
A exposição organizava-se em módulos, logo no primeiro intitulado Mar e Sargaço, logo destaque para a figura feminina, na recolha das algas, mas não faltam pescadores, a simbologia de que a união faz a força, e fica bem claro e o artista plástico vê com previsão um conjunto de formas que o que lhe dará no futuro, caso dos quadros com representação de barcos. Segue-se o módulo de Terra e Campesinato, aparece a máquina, a debulhadora, cores por vezes ciclâmicas em contraponto com linogravuras a preto e branco, mondadeiras trabalhando numa atmosfera quase tropical. É muito vasto o campo de observação de Rogério Ribeiro, experimentando formas com que possa mostrar o trabalho das mulheres nos arrozais, camponeses embiocados, sentados em tendas, estudou à minúcia as posições de homens e mulheres acocorados, em grupos ou isolados.
Outro módulo é dedicado ao Operariado e outras Fainas, aqui se pode ver, se dúvidas subsistem, que o valor do realismo social é uma constante do seu traço desde a década de 1950 até à viragem do século, é como se houvesse uma ética inabalável na atenção aos homens e mulheres sobretudo no exercício das mais duras posições. Rogério Ribeiro nunca escondeu que era um artista político, e nunca cedeu a uma liberdade criativa que fazia parte do seu engajamento, expressões do seu sonho de libertação social.
O módulo Família e Quotidiano é um tópico sempre presente na obra de Rogério Ribeiro, claramente associado a um sentimento de comunidade e solidariedade: a figuração da maternidade, a manifestação de afetos, a apresentação do pai como figura protetora e o núcleo familiar como expoente da coesão, o último reduto da confiança e do amor. Era um dos vetores da ficção neorrealista, a família inspira e sustenta uma ideia de progresso, um mundo melhor, não disfarçando o trabalho político, mostrando um quotidiano humilde, marcado por pequenos trabalhos domésticos, mas onde o lazer e a esperança constituem valores que definem um horizonte a alcançar.
Estamos agora no penúltimo módulo intitulado Corpo e Rosto. Escreve-se no texto da exposição:
“Desde os seus tempos de iniciação artística que o retrato e a representação dos corpos constituem na obra de Rogério Ribeiro eixos decisivos de perceção sobre o real, numa consciência de observação que o conduzirá à expressão do social. Os retratos produzidos por Rogério Ribeiro confirmam, como em todo o neorrealismo, uma realidade social que não abdica da esperança da sua transformação. Porém, esse vínculo humanista não inviabiliza, antes exige, soluções estéticas alimentadas pela arte moderna. Na sua diversidade estética, é possível identificar nestes retratos valores que vão do realismo ao expressionismo.”
O último módulo intitula-se Ecos do Realismo, assim identificada no texto de apresentação da exposição:
“Mesmo nos trabalhos que ecoam já uma memória do realismo original, a obra do Rogério Ribeiro prioriza o reconhecimento sobre o valor da dignidade humana e a sua frustração por um mundo que oprime os mais desfavorecidos. Determinada por um vínculo de compromisso e firmeza, uma tensão formal, baseada numa crescente gestualidade, percorre o trabalho do artista neste período.”
Nota do editor
Último post da série de 21 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27843: Os nossos seres, saberes e lazeres (727): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (248): Notícia póstuma de uma notável exposição dedicada a Rogério Ribeiro - 1 (Mário Beja Santos)
Guiné 61/74 - P27865: Agenda Cultural (886): A Sociedade de Geografia de Lisboa vai promover uma Conferência (em formato híbrido) promovida pela Secção de Antropologia, no próximo dia 17 abril de 2026 pelas 14h45, no Auditório Adriano Moreira, intitulada: “República da Guiné-Bissau: entre narrativas dedicadas à luta da libertação e aos dias de hoje”
O Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa tem a honra de Convidar V. Ex.ª a assistir à Conferência (em formato híbrido) promovida pela Secção de Antropologia, que se realiza no próximo dia 17 abril de 2026 pelas 14h45, no Auditório Adriano Moreira, intitulada:
“República da Guiné-Bissau: entre narrativas dedicadas à luta da libertação e aos dias de hoje”.
Será oradora a Prof.ª Doutora Catarina Casanova.
Ingressar na reunião Zoom
https://us06web.zoom.us/j/81969866566?pwd=nn9ia0nfige7e4u1Q5tiOPuz6j5qeS.1
ID da reunião: 819 6986 6566 - Senha: 335512
Sociedade de Geografia de Lisboa
Rua das Portas de Santo Antão, 100
1150-208 Lisboa - Portugal
213425401 - 935425401
www.socgeografialisboa.pt
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Nota do editor
Último post da série de 23 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27849: Agenda Cultural (885): Centro Português de Fotografia (antiga Cadeia e Tribunal da Relação), Porto: Exposição temporária: "África Vista por Duas Gerações (1938-1995) | Ernst Schade e Carol Alexander Schade, de 07.03 a 28.06.2026. Entrada livre
Guiné 61/74 - P27864: Humor de caserna (253): O anedotário da Spinolândia (XXV): "Senhor Comandante, espero que nos vamos entender muito bem", disse em maio de 1968 Spínola, ao acabar de conhecer o Alpoim Calvão, o qual lhe retorquiu: "Não sei se é possível, porque eu tenho três grandes defeitos: primeiro, sou oficial de marinha; segundo, não sou de cavalaria; e não sou do Colégio Militar’.
![]() |
| O cmdt Alpoim Calvão numa tira da banda desenhada “Operação Mar Verde”, da autoria de A. Vassalo (ex-fur mil comando Vassalo Miranda, nosso camarada da Guiné), uma edição da Caminhos Romanos, 2012. |
1. Não sei sei se existiam "rivalidades" e "picardias" entre generais e almirantes das nossas Forças Armadas, no tempo da outra senhora... E, se existiam, qual o seu fundamento sociológico e histórico...
(...) Pergunta o jornalista:
− Quando conheceu António de Spínola?
− Senhor Comandante, espero que nos vamos entender muito bem.
E eu respondi:
−Não sei se é possível, porque eu tenho três grandes defeitos: primeiro, sou oficial de marinha; segundo, não sou de cavalaria; e não sou do Colégio Militar’.
Ficou um silêncio de morte, que ele quebrou ao rir-se à gargalhada, acrescentou o Alpoim Calvão. E adiantou ao jornalista:
− Spínola alterou a estratégia da guerra. O que mudou? − nova pergunta do jornalista.
− A guerra teve uma continuidade, mas Spínola tornou-se mais agressivo. Intensificou as operações, mas também o apoio às populações. No COP3 fartei-me de fazer casas que eram entregues aos nativos. As populações gostavam mesmo do Spínola. Ele aparecia de helicóptero, com o ajudante, fosse onde fosse. Tinha um certo carisma, aparecia com o monóculo, luvas, camuflados retocados pelo alfaiate, fazia figura.
Nota do editor LG:
sexta-feira, 27 de março de 2026
Guiné 61/74 - P27863: Notas de leitura (1908): "Portugal em África depois de 1851 (Subsídios para a História)", pelo Marquês do Lavradio; edição da Agência Geral das Colónias, 1936 (8) (Mário Beja Santos)
1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 28 de Janeiro de 2026:Queridos amigos,
O Marquês do Lavradio que revela-se altamente documentado, tem o privilégio de acesso a um arquivo notável, o da sua família, diplomatas com correspondência trocada com governantes de Londres e Lisboa, investigações em trabalhos de Caldas Xavier, António Enes, obras de Mouzinho de Albuquerque ou de Alberto de Almeida Teixeira sobre Alves Roçadas, muita pesquisa feita no Arquivo Histórico Ultramarino, descreve-nos neste resumo a ocupação de Angola, escreve de modo incisivo, gostando das descrições naturalistas exuberantes como vai fazer sobre a região dos Dembos, detalha as campanhas de ocupação por toda a Angola e o que houve que fazer quando os alemães invadiram o sul. e não se esquece de enfatizar que a escassos quilómetros de Luanda a hostilidade das populações era praticamente total. Iremos seguidamente ver o que aconteceu em Moçambique.
Um abraço do
Mário
Um livro assombroso, o Império Colonial Português no microscópio, na década de 1930, pelo punho do Marquês do Lavradio – 8
Mário Beja Santos
Portugal em África depois de 1851, subsídios para a História, pelo Marquês do Lavradio, foi ditado pela Agência Geral das Colónias em 1936, trabalho que terá sido concluído em 1934. Goza da singularidade deste aio do Rei D. Manuel II ter tido acesso aos arquivos britânicos e possuir um repositório intitulado o Arquivo Lavradio, o seu pai, diplomata em Londres, correspondeu-se com diferentes governos britânicos, expediu notas para Lisboa e deixou relatórios da maior pertinência.
Abordámos anteriormente o chamado Regime dos Prazos, no fundo concessões a particulares, que se veio a revelar desastroso, passou-se em revista as companhias majestáticas e chegámos agora à ocupação efetiva. De novo o Marquês do Lavradio nos faz revelações surpreendentes que, em boa-fé, nos leva a interrogar como foi possível termos vivido à sombra daquele mantra do Estado Novo de que estávamos de pedra e cal há 500 anos em África.
Veja-se o que ele diz da nossa presença em Angola, Guiné e Moçambique:
“Em Angola, no distrito do Congo, no interior de Landana, o estado de guerra era permanente; no distrito de Luanda, às portas da capital, os Dembos consideravam-se independentes; na Lunda negociávamos, mas não tínhamos posto algum; no distrito de Benguela, onde a influência portuguesa se estendia mais, ainda em 1902 o gentio atacava a Fortaleza do Bailundo; no distrito de Moçâmedes o posto militar do Humbe era insuficiente para dominar a região e nem sempre se podiam considerar seguras as suas comunicações com o litoral; além Cunene dominavam os Cuamatas e Cuanhamas, que opunham tenaz resistência ao domínio português.
Na Guiné, não éramos quase autorizados a sair da Praça de Bissau durante o dia e nunca o podíamos fazer durante a noite.
Em Moçambique, ao sul do Save, dominava o Gungunhana, cujas hostes chegavam a ameaçar Lourenço Marques; na Zambézia, os prazos que cercam Quelimane eram portugueses de facto, mas a Maganja colocara-se num estado de completa independência; nos territórios de Manica e Sofala, que iam fazer parte da Companhia de Moçambique, não havia sinal algum de ocupação e domínio; no distrito de Inhambane apesar da submissão dos indígenas, vivia-se sob o peso do terror que inspiravam os Vátuas.”
E num tom quase de epopeia, e com pormenores onde domina o sopro épico, o Marquês do Lavradio fala de uma época gloriosa, de heróis destemidos que submeteram o gentio. Em termos literários, a narrativa chega a ser empolgante. Não nos sendo possível alongarmos em minúcias, começa-se com o retrato do que foi a ocupação de Angola:
“Subir a majestosa serra da Chela, atravessar o planalto, passar o Cunene, internar-se nas vastas regiões do Cuamato, Cuanhama e Evale não era possível no princípio do século atual.
Foi em 1845 que pela primeira vez se tentou a ocupação do Gambos, seguindo-se em 1859 a tentativa de ocupar o Humbe para o que para ali seguiu uma pequena força; a falta de recursos em tropa regular e dinheiro fizeram abandonar a ideia de ocupar o Cunene. Em 1863 retiram os postos militares do Humbe e dos Gambos e em 1880 a ocupação do distrito de Moçâmedes reduzia-se a algumas feitorias da Costa.
Em 1880, o estabelecimento de uma colónia bóer no planalto de Huila e a fundação da missão católica do Espírito Santo chamaram de novo a atenção do Governo português para essas regiões e o Humbe é novamente ocupado.
Em 1885 os Hotentotes atacam o posto do Humbe, no regresso à reação aos rebeldes o comandante do posto é morto juntamente com 52 dos seus homens.”
A descrição é completíssima, escrevem-se as diferentes expedições e a forma como iam sendo dominados os povos dentro do território angolano. O custo em sangue suor e lágrimas foi enorme. Falando das operações sobre os Cuamatos, dirá o autor que houve dez ações que custaram a vida a 5 oficiais, 53 praças brancas, 8 indígenas e registaram-se 139 feridos, foi assim que se ocupou o sul de Angola.
Voltando à região dos Dembos, às portas de Luanda, o autor lembra uma frase de Henrique Galvão, que era “uma região negra, impenetrável, onde nem sequer os indígenas que trajavam à europeia eram admitidos”. Dava-se o caso de o nosso domínio e influência ter sido grande no fim do século XIX, quando da inauguração do caminho-de-ferro de Matadi, os enviados do rei do Congo, ao serem apresentados aos representantes de Portugal, deram sinais de submissão. Em 1872 uma revolta não castigada levara os Dembos à independência, desdenhando do nosso poder e manifestando-se agressiva e insolentemente.
É muito bela e expressiva a apresentação que o autor faz desta região dos Dembos:
“A região é das mais inóspitas da África portuguesa; negras cadeias de montanhas encabeleiradas de exuberantes abundâncias de vegetais, espessas, emaranhadas, pujantes, assentando numa série de contrafortes que servem de base a planaltos interiores, atingindo por vezes altitudes de 1300 a 1500 metros; vales atulhados de vegetação, ásperas ravinas, ora cortadas a prumo ora em declives vertiginosos; subidas tão ásperas que tornavam necessário cavar degraus para os cavalos passarem; descidas tão penosas que os próprios homens, agarrados às trepadeiras e arbustos, mal se aguentavam; planícies alagadiças; linhas de água frequentes, que na época das chuvas transformam as margens em lameiros intransitáveis; vegetação luxuriante, que chega a forma maciços impenetráveis; temperaturas que atingem 47 a 48ºC; terreno empestado de mosquitos e mosca tsé-tsé; tal era a região onde, em 1907, uma coluna de 900 homens, em grande parte formada por condenados, ia escrever uma das mais belas páginas da nossa história colonial.”
Heroísmo atrás de heroísmo, a ocupação da Lunda, depois de duras campanhas, ocupação, em 1887, de Santo António do Zaire, mas em 30 de janeiro de 1900 os povos do congo atacavam e roubavam a missão católica de Santo António do Zaire.
Vamos seguidamente falar das páginas de heroísmo da ocupação de Moçambique.
“O combate durou três dias, entre 17 e 20 de Agosto de 1915, e terá constituído a maior batalha campal alguma vez ocorrida em solo africano entre tropas indígenas e europeias. Apesar da diferença qualitativa, dum grau de eficácia e letalidade incomensuravelmente superior do armamento luso, a verdade é que o cerco às nossas tropas durou três dias, tendo um só combate durado 10 horas, chegando as forças nativas a aproximarem-se até a uns escassos 50 metros do quadrado.”
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Notas de editor
Vd. post de 20 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27840: Notas de leitura (1906): "Portugal em África depois de 1851 (Subsídios para a História)", pelo Marquês do Lavradio; edição da Agência Geral das Colónias, 1936 (7) (Mário Beja Santos)
Último post da série de 23 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27850: Notas de leitura (1907): "Os Descobrimentos Portugueses, Viagens e aventuras", I volume, por Luís de Albuquerque, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Editorial Caminho, 1991 (Mário Beja Santos)
Guiné 61/74 - P27862: Humor de caserna (252): O anedotário da Spinolândia (XXIV): Na "cidade" em construção de Nhabijões, com o comandante dos fuzileiros "encallhado" no rio Geba (Jorge Mariano, ex-alf engenheiro químico, BA 12, Bissalanca, jan 71/out 72)
Não resistimos a reproduzir aqui no nosso blogue, com a devida vénia ao autor e ao blogue em boa hora criado, em junho de 2007, pelo nosso histórico e saudoso grão-tabanqueiro Victor Barata (1951-2021). Referimo-nos ao blogue Especialistas da Base Aérea 12, Guiné 65-74, agora sob o comando do João Carlos Silva, também membros da Tabanca Grande, e do Mário Aguiar).
A meio da Comissão consegui lugar num quarto em Bissau junto à messe de oficiais, e passei a montar o meu escritório nocturno neste local que, depois de uns uísques, fechava todos os dias.
Passava por lá também nessa ocasião, a horas mortas, o major ['cmd' Almeida] Bruno, das Operações Especiais , onde se encontrava com o cap pára [António] Ramos (já falecido), tmbém das Operações Especiais.
Um dia vi chegar o major Bruno e contar com grande entusiasmo uma decisão magistral que o gen Spínola teria tomado, que era de construir uma nova “cidade” a sul do Geba, pelo que entendi na altura, a sul de Bambadinca, na outra margem para cortar as infiltrações do IN por esta zona.
Certo dia, passado o mês sobre o atrás referido, estava na Sala de Operações com o comandante Moura Pinto, o piloto Oficial de Dia e o srgt pil que normalmente transportava em heli o gen Spínola (cujos nomes não recordo) e este piloto conta a seguinte cena, que passo a transcrever.
Parece que a operação para a construção da tal “cidade” teria sido iniciada, teria sido marcado o dia D para o arranque, tinha sido enviado um pelotão de Engenharia com as máquinas e uma companhia de Fuzos para fazer a segurança.
Como de costume, o gen Spínola ás 06h30 foi de heli com Srgt Pil que contou a estória, para inspeccionar o andamento dos trabalhos.
Chegados, aterraram junto ao acampamento dos Fusos e estava tudo muito desorganizado, era muito cedo, e o general chama um fuzo e pergunta:
− Quem é comanda desta m*rda…? ( Overnáculo era uma característica do general)
Como facilmente se percebe o general começa a ficar nervoso e pede que o chamem imediatamente. Bom, mas agora há outro problema: não há rádio para comunicar com a LDG.
Então o general manda levantar o heli para comunicar com a LDG. Ao fim de algumas tentativas, conta o srgt pil, lá consegue comunicar com a LDG e diz que o gen está no acampamento e quer falar com o comandante da força.
Bom, agora outro problema acontece. Para viajar da LDG para terra havia apenas um zebro mas um grumete atrevido andava a fazer piões no meio do Geba e naturalmente não tinha levado rádio.
O general ainda mais furioso manda o srgt pil ir com o heli indicar ao grumete do zebro para ir para LDG. O que acontecia, é que quanto mais sinais o sargento fazia, mais entusiasmado ficava o grumete e mais acelerava sem perceber que o estavam a chamar.
O general já estava “possesso”! Manda apresentar o comandante da força em Bambadinca e dirige-se para lá, aterra e fica á espera.
Depois desta cena o nosso comandante de Marinha, já sabia o que lhe ia acontecer, vestiu a farda branca, tomou o zebro e dirigiu-se a Bambadinca.
O pior foi que entretanto a maré tinha descido e o zebro não chegava ao cais, ficava naquele lodo castanho a uns 5 metros da costa.
O Comandante de Marinha nessa altura disse:
O General furibundo diz:
(Seleção, revisão / fixação de texto, parênteses retos, título: LG)
"Nhabijões era considerado um centro de reabastecimento do IN ou pelo menos da população sob seu controle. As afinidades de etnia e parentesco, além da dispersão das tabancas, situadas junto à bolanha que confina com a margem sul do Rio Geba, tornava-se impraticável o controle populacional.
A CCAÇ 12 participaria directamente neste projecto de recuperação psicológica e promoção social e económica da população dos Nhabijões, fornecendo uma equipa de reordenamentos e autodefesa, constituída pelos seguintes elementos (que foram tirar o respectivo estágio a Bissau, de 6 a 12 de Outubro de 1969):
- alf mil at inf António Manuel Carlão (1947-2018) (originalmente o cmdt do 2º Gr Comb, que passou a ser comandado por um fur mil) (já falecido);
- fur mil at inf Joaquim Augusto Matos Fernandes (comdt da 1ª secção 4º Gr Comb):
- 1º cabo at inf Virgilio S. A. Encarnação (cmd da 3ª secção do 4º Gr Comb);
- e sold arv at inf Alfa Baldé (Ap LGFog 3,7, do 2º Gr Comb)
Numa primeira fase estava previsto levar a efeito:
- a desmatação do terreno;
- a fabricação de blocos de adobe;
- a construção de 300 casas de habitação com portas, janelas e cobertura de zinco;
- a construção de equipamentos sociais (1 escola, 1 mesquita, fontes, acessos, etc.).
"A partir de janeiro/70 seria destacado um pelotão da CCS/BCAÇ 2852 a fim organizar a autodefesa de Nhabijões. Admitia-se a possibilidade do IN tentar sabotar o projecto de reordenamento, lançando acções de represália e intimidação contra a população devido à colaboração prestada às NT.
"A partir de abril de 1970, o reordenamento em curso passaria a ser guarnecido por 1 Gr Comb da CCAÇ 12. Na construção de novo destacamento estiveram empenhados o Pel Caç Nat 52 e a CCAÇ 12, a 3 Gr Comb, durante vários dias.
"A segunda fase do reordenamento (colocação de portas e janelas e cobertura de zinco em todas as casas, abertura de furos para obtenção de água, etc.) começaria quando o BART 2917 passou a assumir a responsabilidade do Sector L1 (em 8 de junho de 1970).
Mas também pagámos (a CCAÇ 12 e a CCS/BART 2917) um alto preço por este êxito: recordemos as duas minas A/C accionadas no dia 13 de janeiro de 1971, vitimando mortamente o sold cond auto da CCAÇ 12, Manuel da Costa Soares, e ferindo, com gravidade, o alf mil sapador Luís Moreira (da CCS/BART 2917), os fur mil Joaquim Fernandes e António F. Marques (este, esteve dois anos no hospital), os sold Ussumane Baldé, Tenen Baldé, Sherifo Baldé, Sajuma Baldé (todos da CCAÇ 12, 4º Gr Comb) e ainda um soldado da CCS / BART 2917 (cujo nome não me ocorre agora).
No meu caso, foi o meu dia de sorte, ia na GMC, no lugar do morto, que accionou a segunda mina, a explosão deu-se n0 rodado duplo, traseiro, do meu lado.
Guiné 61/74 - P27861: Parabéns a você (2469): Armando Pires, ex-Fur Mil Enfermeiro da CCS/BCAÇ 2861 (Bula e Bissorã, 1969/70); Carlos Vinhal, ex-Fur Mil Art MA da CART 2732 (Mansabá, 1970/72) e Eduardo Magalhães Ribeiro, ex-Fur Mil Op Esp da CCS/BCAÇ 4612/74 (Mansoa, 1974)
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Nota do editor
Último post da série de 25 de Marco de 2026 > Guiné 61/74 - P27854: Parabéns a você (2468): Rui Silva, ex-2.º Sarg Mil da CCAÇ 816 (Bissorã, Olossato e Mansoa, 1965/67)
quinta-feira, 26 de março de 2026
Guiné 61/74 - P27860: In Memoriam (576): Fafe também teve os seus heróis, entre eles o meu amigo e companheiro de escola, Coronel José Augusto Nogueira Ribeiro (1940-2017) (Manuel Barros Castro, ex-Fur Mil Enfermeiro)
Milhares, muitos milhares de jovens perderam uma boa parte da sua juventude ao longo da guerra colonial.
Fafe, como todo o país, respondeu ao chamamento e muitos por lá deixaram a vida ou vieram estropiados.
Fafe também teve os seus heróis, sendo de destacar o meu amigo e companheiro de escola, Coronel José Augusto Nogueira Ribeiro que, com a devida vénia, aqui exalto, valendo-me do livro “Os últimos Guerreiros do Império”:
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Alf mil Nogueira Ribeiro, 4ª CCAÇ, Bedanda, c. 1964/66. Arquivo do blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné |
(ii) aluno inteligente e vivo, frequentou a escola primária da freguesia, seguindo os estudos no Seminário Diocesano de Braga até ao 7.º ano;
(iv) em 1963, como Oficial Miliciano, foi mobilizado para o CTI da Guiné-Bissau onde cumpriu a primeira comissão até Maio de 1966, na 4ª CCAÇ (Bedanda, 1964/66) (futura CCAÇ 6, a partir de 1967):
(vii) em Agosto de 1974 ingressou no Quadro Especial de Oficiais (QEO) e em 1975 foi colocado no Batalhão de Infantaria da Guarda e, de 1979 a 1990 no Batalhão de Infantaria Mecanizada da 1.ª Brigada Mista Independente; nesse período, mais propriamente, em 1983, foi promovido, por distinção, ao posto de Major;
(viii) foi ferido duas vezes em combate.
(ix) recebeu várias condecorações, como:
- Grau de Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, de Lealdade e Mérito, com Palma;
- Medalha da Cruz de Guerra de 2ª. Classe;
- Medalha da Cruz de Guerra de 3ª. Classe, Medalha de Cruz de Guerra de 4ª. Classe;
- Medalha de Mérito Militar de 2.ª. Classe;
- Medalha de Mérito Militar de 3.ª. Classe;
- Medalha da Ordem de Aviz – Grau de Cavaleiro;
- Medalha de Prata de Comportamento Exemplar;
- Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar;
- Medalhas Comemorativas das Campanhas da Guiné, de Moçambique e de Angola;
- Prémio Governador Geral da Guiné e 22 louvores, 12 dos quais em Combate.
Manuel Barros Castro
Fafe, 24 de Março de 2026.
Nota do editor
Último post da série de 7 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27802: In Memoriam (575): António Lobo Antunes (1942-2026): "Que o País os beije antes de os deitar fora, e lhes peça desculpa" (seleção de uma crónica de 2008, por António Graça de Abreu)






































