(...) Fico feliz por saber que "não morreste na praia" e que, tal como o Camões a nado, conseguiste "recuperar o teu manuscrito" e levá-lo a bom termo. neste caso ao prelo. Tenho pena não ter conseguido acompanhar o teu "timing", a tua pedalada... Mas farei com todo o gosto uma ou mais notas de leitura. Manda também um exemplar para o nosso "crítico literário oficial", o Mário Beja Santos, a quem dou conhecimento do feliz acontecimento.
(...) Ajuda-nos também a divulgá-lo, manda-nos: (i) cópia da capa e contracapa; (ii) como e onde adquirir o livro, preço de capa, etc.; (iii) sinopse e alguns excertos: (iii) plano de sessões de apresentação (local e data). (...).
Bom dia Luís. Fico agradecido pela tua confiança. E prezo-a.
Há cerca de 20 anos, entrei no restaurante Cortiço, em Viseu, para almoçar. Numa mesa ao lado estava uma equipa de reportagem da Antena 1, creio. Não conhecia nenhum dos elementos. Como conversavam, identifiquei - julguei identificar - a voz de João Paulo Dinis, que não conhecia pessoalmente. Mas tinha a sua voz registada na cabeça, ouvida através da rádio na Guiné. Troquei com ele algumas palavras sobre a Guiné, depois de lhe perguntar se era quem eu pensava.
Tenho - temos - muitos camaradas, que gostariam de dar uma opinião para ficar registada no livro. Mas não vou falar a ninguém. Porque são muitos.
Porém, gostaria de ter a opinião do JPDinis, registada. Admito, que devido à sua experiência como radialista na Guiné, "observador" de "coisas" que nem todos viram, a sua opinião seriam um acrescento à mensagem que pretendo passar nesta Obra. Se fosse vivo, pediria ao capitão Barbosa Henriques, meu instrutor em Lamego e que fui encontrar na Guiné. Ou ao capitão Jaime Neves, instrutor em Lamego. Infelizmente já não estão entre nós. Ou ao Spínola, que me visitou quando estive internado no Hospital Militar e que mais tarde mandou um helicóptero buscar-me a Gadamael Porto e me colocou no Cumuré para descansar, antes de me vir embora com a 26ª de Comandos.
No livro II falarei de algumas "coisas" mal contadas. Dito de outro modo, contadas no modo "politicamente correcto".
Sinto que podemos deixar um trabalho que marque a diferença e diga aos nossos netos, quem realmente fomos, apesar de ignorados por quem tem o dever oficial, de respeitar o nosso estatuto de Combatentes.
Ligo-te amanhã , sábado, por volta do meio-dia.
Um abraço. Angelino.
PS - Vê se consegues contacto com o camarada da capa.~
Angelino Santos Silva > 27 de junho de 2026 às 21:41 ·
(...) O romance Geração Afro —Os Últimos Guerrilheiros do Império baseia-se na vida de quatro combatentes da Guerra Colonial Portuguesa em África: os furriéis milicianos Martins da Costa e Morais Cardoso, que em 1966 embarcaram no navio Alfredo da Silva; e o furriel miliciano António Silva e o primeiro-cabo Augusto Sousa, que em 1970 partiram a bordo do navio Niassa.
A narrativa segue também o destino dos combatentes africanos que optaram por lutar sob bandeira portuguesa, representados aqui pelo Grupo Especial de Combate (GEC) do tenente Mamadu Fodé — no qual se incluíam o furriel miliciano Domingos Djaló e o primeiro-cabo Abna Besna — e pelos tenentes João Quinara e Carlos Nhalon e o capitão Ombendi Sábado, todos homens com uma vasta experiência de guerrilha.
(...) Embora os nomes das personagens principais sejam fictícios, as suas vidas foram bem reais, tanto as dos que partiram da Metrópole como as das diferentes etnias da Guiné Portuguesa. É nesse chão sagrado e violento que o romance se desenrola.
Algumas figuras históricas serão mencionadas pelos seus verdadeiros nomes, facilmente reconhecíveis na imprensa nacional e estrangeira da época. Deste modo, prestamos-lhes homenagem, com especial relevo para aqueles que mais de perto conviveram connosco nesta dura vida de combatentes.
Os jovens da GERAÇÃO AFRO que embarcaram levavam com eles um objetivo comum: manter a presença colonial de cinco séculos, iniciada em 1418. E todos partiam imbuídos de um mesmo amor à Pátria, considerando as suas comissões uma causa justa.
Porém, à medida que os vamos ouvindo, intuímos um certo desencanto quanto ao fervor patriótico que os acompanhava no início da viagem — frustrações que começavam a ganhar corpo devido às fracas condições de alojamento nos barcos entre Lisboa e as colónias. Uma vez chegados, deparavam-se com a primeira grande estranheza ao presenciarem, logo no cais, jovens africanos empunhando armas ao serviço da nossa causa. Um facto que, ainda assim, amenizava o desencanto de uma viagem sem conforto.
Ao partilharmos o dia a dia com estes camaradas africanos, percebemos que a sua causa não era exatamente a mesma da nossa, que tínhamos embarcado na Metrópole. Com o andar do tempo compreendemos que, dentro da «nossa» guerra, corria «outra», também sob bandeira portuguesa. E concluímos que, justamente por isso, os destinos seriam divergentes.
Falaremos destes combatentes que ao nosso lado lutavam contra os seus irmãos do PAIGC.
Abordaremos também a vivência dos combatentes africanos no outro lado do conflito: os soldados do PAIGC, o partido que lutava pela emancipação total do colonialismo. Estes guerrilheiros eram irmãos, meios-irmãos, primos ou tios daqueles que, na mesma guerra, optaram pela bandeira portuguesa.
Vd, Facebook de Angelino Santos Silva
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Nota do editor LG:
Último poste da série > 9 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28168: Agenda cultural (896): Apresentação do romance, da autoria do António Carvalho, "3x44: Abel e Caim em Contrapé", Fundação Hermínia Vilar Ribeiro, Medas, Gondomar, sábado, dia 11, às 15h30. Entrada livre


































