Fonte: Governo da Guiné-Bissau > Ministério das Pescas > Potencialidades (com a devida vénia)
Guiné > Região do Cacheu > Carta de Pelundo (1953) (Escala 1/50 mil) > Posição relativa de Có, Rio Mansoa, Rio de Co (afluente do Rio Mansoa) e Ponta Augusto Barros...
Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)
Humor de caserna (241): O mistério do peixe mole, capturado num afluente do rio Mansoa, perto da Ponta Augusto Barros
por cor inf ref Viegas Cardoso (1935-2023)
Temos muito boas recordações dele. O Carlos Vinhal e eu. Era informático na IBM, Portugal. Sempre amável e prestável. Trocávamos ideias sobre o futuro do blogue, e sobre a sua sobrevivência, depois da nossa morte física. Infelizmente, ele partiu mais cedo, em plena pandemia de covid-19. Temos a obrigação de o recordar.
Publicamos um excerto, bem humorado, das memórias do ex-cap inf, Vargas Cardoso, cmdt da CCAÇ 2402, "Lynces de Có", também ele já falecido, em 2023. Para este Volume II ele contribui com 20 textos (não participou no volume I). As suas histórias, em geral, são bem humoradas. Estão numeradas de 1 a 18 (**). Preocupava-se, para além da segurança e do desempenho operacional, com a alimentação e o bem-estar do seu pessoal.
Desta companhia, temos ainda como membros da Tabanca Grande
- Alberto [José dos Santos] Antunes (ex-fur mil trms) CCAÇ 2402 (foi depois para CCAÇ 5 - Canjadude) (natural de Coimbra a residir actualmente em Ançã, Cantanhede);
- Francisco Henriques da Silva, ex-alf mil, que depois enveredou pela carreira diplomática (vive em Sintra):
- João Bonifácio, ex-fur mil SAM (que viveu e ainda vive Canadá).
Fonte: Vargas Cardoso, cor inf ref (1935-2023) - "8. Como se pescava na Ponta Augusto Barros: o mistério do peixe mole". In: Memórias de campanha: Companhia de Caçadotres 2402 (Guiné, 1968/70), inumeradas. (coordenação: Raul Albino), vol. II, s/l, 2008, inumeradas.
(Seleção, digitalização, título: LG)
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Notas do editor LG:
(*) Último poste da série > 20 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27752: Humor de caserna (240): Olha a Maria Turra, Sardeira!... (Juvenal Amado, ex-1º cabo cond auto, CCS/BCAÇ 3872, Galomaro, 1972/74)








6 comentários:
Eu não sei exactamente qual é a amplitude da maré neste local, mas penso que deve rondar entre 5 e 6metros, (raduzindo em miúdos). Nas primeiras 3 horas de vazante a maré, desce rapidamente e o peixe que entrou pelos esteiros durante a enxente à procura de alimento, poderá ficar em seco e quanto maior fôr o seu tamnho, maior será a sua dificuldade de voltar ao leito do rio e acabará por morrer. Em Portugal a amplitude de maré raramente ultrapassa os 4 metros e só se verifica nas marés do iquinócio. O peixe e o camarão eram muito abundantes nesta região.
Sou mais peixeiro do que carneiro. Conhecem o provérbio?
O método de captura com varas, chama-se atalho. Este método permite tapar todo esteiro, ficando sujeitos a apanhar todos os peixes. No Braço Sul do Rio Mondego com larg. sup. a 500 m, faziam-se além do atrás citado, o cerco até à coroa central, o que permitia apanhar robalo,enguia e linguado, deixando escapar a tainha, muito abundante, mas de valor comercial reduzido e no caso de quererem apanhar só linguado, o cerco era feito só na coroa, permitindo a escapatória a todos os outros.
Quando estive estacionado em Vila Cacheu com o DFE 21 o método usado para “pescar” era com granada de sopro. Bem cedo, dois fuzileiros pegavam num Zebro, munidos de várias granadas e um camaroeiro e navegavam pelo rio Cacheu até uma zona onde sabia que havia peixe. Atiravam uma granada de cada vez e o outro fuzileiro apanhava o peixe com o camaroeiro. Quando regressavam ao quartel havia peixe para almoço. Como não gosto de peixe, nunca provei, contudo o pessoal adorava o peixe feito no forno, com batata e mandioca. Os danos ambientais devem ter sido enormes, contudo, nada que se compara com os golfinhos que o meu comandante “caçou “ com uma kalash. Tembem apanhou crocodilos cujas peles eram enviadas para Lisboa para sapatos, carteiras, pastas etc. Crimes ecológicos.
O segredo do peixe reside na sua confecção e no facto de estar gordo. Peixe gordo, grelhado na braza,é um espectáculo, mas grelhar, não é queimar nem secar. Linguado,sardinha,carapau,salmonetes e até a raia grelhada ou de pitau é muito bom, mas é preciso saber temperar e preparar.
E ainda falta o mais importante.
Em Portugal que é um país temperado, o peixe fresco deve ser comido no dia seguinte ao da sua captura. A partir daí, mesmo gelado, o peixe começa perder qualidade e por isso se procedia à salga para depois secar. Eu não falei do peixe morto à paulada, para não ofender ninguém, porque na Guiné, com aquelas temperaturas o peixe já devia estar bom para enterrar.
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