Granada de RPG-2, no museu de Kiev, Ucrânia (Fonte: Wikipedia)
Ficha do fur mil arm pes inf Asdrubal Fernandes, vítima de um horroso acidente com uma granada de RPG-2. Faleceu em 5/7/1972, no HM 241, em Bissau. Era natural de Esposende, conterrâneo do Mário Miguéis.
Fonte: Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 8.º Volume; Mortos em Campanha; Tomo II; Guiné; Livro 2; 1.ª Edição; Lisboa (2001), pág. 127 (Com a devida vénia...).
1. Mensagem do Paulo Santiago (ex-alf mil, cmdt Pel Caç Nat 53, Saltinho 1970/72), residente em Aguada de Cima, Águeda, autor da série "Memórias de um comandante de pelotão de caçadores nativos" (*):
Data - 20 de fevereiro de 2027, 01:07
Assunto - Uma ida traumática a Bissau
Memórias de um comandante de pelotão de caçadores nativos (Paulo Santigoa) (19): uma ida traumática a Bissau, a morte horrorosa do fur mil Asdrubal Fernandes, vítima de acidente com uma granada de RPG-2
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Paulo Santiago: um histórico da Tabanca Grande; tem 205 referências no blogue |
Uma manhã em meados de jun de 1972, um soldado foi chamar-me ao reordenamento de Contabane, hoje chamado de Sinchã Sambel, para vir ao quartel falar com o capitão [mil inf, Dário Loutrenço, cmdt, CCAÇ 3490 (Saltinho, 1972/74), do BCAÇ 3872 (Galomaro, 1972/74), conhecida pela alcunha do capitão-proveta, ou "Proveta"]
Desde Maio que me transferira (voluntariamente) para o reordenamento... Sentia-me melhor afastado do Lourenço. Comigo estava o fur mil Mário Rui e uma secção.
No quartel, a quinhentos metros do
reordenamento,fui ter com o capitão.
− Santiago, tem de ir a Cansonco levar o chefe de tabanca. Leva um dos pelotões da companhia . (O meu, o Pel Caç Nat 53, estava dividido, metade estava em Galomaro.)
Em março, poucos dias após regressar de Bambadinca (**), o Lourenço pede-me insistentemente para ir com ele numa operação ao Celo-Celo para armadilhar um trilho, ordem do comandante do Batalhão.
Acabei por aceder e fui com cinco Soldados do 53. Correu mal,uma operação que demoraria dois dias,acabou ao fim de uma manhã. Por teimosia e basófia do Lourenço, apanharam com um ataque de abelhas, e teve de vir um heli para evacuar militares em mau estado.
Contei este episódio há anos aqui no Blogue (***).
Com este antecedente disse que não ía a Cansonco com militares que conhecia mal.
− Não vai, vou participar!
Quase a terminar a comissão, o Proveta estava preparado para me tramar.
Falei com o médico, estava na CArt do Xitole, para me mandar a uma consulta de Psiquiatria a Bissau. Sem problemas, arranjou-me a consulta.
Ainda no tempo da Ccaç 2701, do cap Clemente, o Marcelino da Mata esteve no Saltinho a treinar oito soldados do meu pelotão (Pel Caç Nat 53) que ficavam à ordem dele (Gr Op Especiais). Conheci o Marcelino na altura.
Soubera, após a trágica emboscada do Quirafo [em 17 de abril de 1972]
e também da morte de um agente, de umas "bocas" ditas pelo Lourenço. Tinha de falar com o cap pqdt António Ramos.
Munido da consulta de psiquiatria,apanheia avioneta da sexta-feira no Xitole para Bissau.
Em 3 de julho de 1972 almocei com o Marcelino, falei-lhe no que constava sobre a morte do agente e que gostaria de falar com o cap Ramos. Concordou. Após o almoço seguimos para a Amura.
A seguir ao portão de entrada estava um grupo de Militares da PM a lavar um jipe todo ensanguentado. Disseram ao Marcelino que o fur mil Asdrubal estava a instruir um soldado sobre o funcionamento de um RPG 2, a arma disparara, atngindo o Asdrubal.
Já não fui falar com o cap Ramos.Fui com o Marcelino para o Hospital. Mal transposta a entrada,uma cena lastimável, horrível...deitado numa maca,via-se de um dos lados do tronco a cabeça cónica da granada,e do outro lado uma parte das empenagens. Nalgumas janelas tiravam fotografias.
− Marcelino,tira-me isto.
As dores deviam ser um horror mas o Asdrubal estava conciente, falava.
O director do Hospital não autorizava a entrada da maca com receio de
um explosão da granada.O Marcelino disse-lhe que, se a granada não
rebentara com o embate no tronco,já não explodia, nem devia ter a
espoleta.
um explosão da granada.O Marcelino disse-lhe que, se a granada não
rebentara com o embate no tronco,já não explodia, nem devia ter a
espoleta.
Não demoveu o médico, resolveu ir à Amura buscar um granada.
Fiquei ali junto da maca sem saber o que dizer.
Entretanto chega um heli com um ferido. Aproximei-me...Devo ter ficado branco, pálido, sem fala...na maca vinha o meu soldado balanta Putchane Obna,de alcunha "Bagaço". Vinha consciente,apanhara um tiro no braço esquerdo.
O Proveta mandara sair os oito sobre os quais não tinha qualquer autoridade...o gajo não tinha emenda.
Chegou o Marcelino com uma granada de RPG 2. Frente ao director do Hospital desaperta a cabeça,tira a espoleta, aperta a cabeça, bate-a contra o chão,e assim lá conseguiu autorização para a entrada da maca com o furriel Asdrubal.
No dia seguinte fui então falar com o cap pqdt António Ramos,a quem o Marcelino já contara as tristes cenas do Lourenço. Este recebeu passadas poucas horas uma mensagem demolidora escrita à minha frente.
O Asdrubal, clinicamente, estava morto mas continuava a falar,morreu no dia cinco [de julho de 1972]
Não houve participação, não fui à consulta.
Por vezes, lembro-me da emboscada, a pequena distância do quartel, onde o "Bagaço" foi ferido.
Por vezes, lembro-me da emboscada, a pequena distância do quartel, onde o "Bagaço" foi ferido.
Como foi possível a guerrilha estar ali ? Alguém falou ?
Paulo Santiago
(Revisão / fixação de texto, parênteses retos, links, título: LG)
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Notas do editor LG:
Vd. também poste de 23 de Julho de 2006 > Guiné 63/74 - P980: A tragédia do Quirafo (Parte I): o capitão-proveta Lourenço (Paulo Santiago)



2 comentários:
Paulo esse Lourenço era um parvalhão mas era "afilhado " do Castro e Lemos. A parvoice custou o desastre do Quirafo . Eu fui para o Saltinho pouco tempo depois com géneros e fiquei lá 3 meses. Como e óbvio desviei-me do capitão e tinha muita prática em Galomaro.
Um abraço
Juvenal Amado
Me esqueci de mendionar a imagem que tenho dele no embarque para o leste com u. Chapéu de cowboy e um revolver 45 num coldre yambem do velho oeste
Juvenal amado
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