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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28020: III Viagem a Timor-Leste: 2019 (Rui Chamusco /ASTIL) - Parte V: semana de 3 a 9 de março“: "Castelo de cinco quinas / Só há um em portugal, / Que fica à beira do Coa, / Na cidade de Sabugal"



Sabugal > s/df > "Castelo de 5 quinas" > Foto da galeria da CM Sabugal
(com a devida vénia...)




Rui Chamusco, antigo professor
de música, reformado, é cofundador e líder
 da ASTIL - Associação dos Amigos Solidários
com Timor Leste

1.  Continuação da publicação de excertos das crónicas da III Viagem (2019) (*), de Rui Chamusco a Timor Leste.


Já publicámos excertos das crónicas da I viagem (2016), II (2018) e VI (e última) (2025). 

Depois meteu-se a pandemia, e o Rui só voltou a Timor Leste em 2023 (IV viagem), e anos seguintes: 2024 (V viagem) e 2025 (VI viagem). 

Este ano de 2026, não  irá por razões de saúde, embora ainda acalente a esperança de lá ir passar o Natal...

Está hospitalizado, depois de uma bem sucedida intervenção cirúrgica no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, tendo surgido entretanto algumas complicações pós-operatórias. 

Fazemos votos para que regresse, depressa e bem, à sua casa na Lourinhã, a sua segunda terra natal. (Nasceu em Sabugal.)


Crónicas da III viagem a (e estadia em) Timor Leste (janeiro- abril 2019): semana de 2 a  a 1 de março

por Rui Chamusco
 

04.03.2019, segunda feira - A guerra do espaço

O que outrora parecia ser somente um filme, hoje já é realidade.

Vem isto a propósito da viajem do Dr. Manuel Meirinho, que chegou a Dili um dia depois da data prevista. Estranho a tal ocorrência, tentei saber por que é que isto acontece(aconteceu). 

O grande amigo J.Ascenso deu-me a explicação que precisava:
quando há países em guerra o seu espáco aéreo não pode ser violado. Ora a Índia e o Paquistão estão em guerra declarada, e portanto, sem poderem sobrevoar os seus espaços aéreos, todos os voos têm de contornar a sua viajem pelos espaços aéreos permitidos.”

E pensamos nós que lá por cima é que se anda bem! Qualquer dia o céu será como a terra: latifúndios e minifúndios, onde um palmo de espaço será o suficiente para declarar guerra ao vizinho do lado. Com a mentalidade individualista, qualquer um terá atitudes e comportamentos de tudo querer, de ser mais que o outro. “O que é teu é meu; o que é nosso é nosso”. E assim vamos fazendo as nossas guerras espaciais,
assim na terra como nos céus.

Fiquemo-nos ao menos por aqui, com estas guerras de manjerico e manjerona, onde, se for necessário, resolvemos os problemas à chapada e ao murro, ao sacho ou à cacetada. E viva a “justiça de Fafe!” porque com Fafe ninguém fanfe...

Nota: Vim depois a saber, pelo Dr.Manuel Meirinho, que o desvio da rota aérea se deveu a poeiras que povoaram a atmosfera e que impediram uma aterrizagem segura.

06.03.2019, quarta feira - A pontualidade portuguesa


Na Europa, e sobretudo em Portugal, falamos da pontualidade suíça, talvez até mais por alusão aos relógios suíços que são de qualidade excelente. Esse complexo de pontualidade, inerente ao nosso modo de ser, tem pouca aplicação aqui em Timor, em terras de oriente. E já por diversas me dei conta disso mesmo.

Ontem, a pedido da família Aurora, fui mais uma vez à escola CAFE em Taibessi, a fim de falar com a coordenadora Professora Mabilde sobre a transferência de um aluno, Jetónio Ribeiro, que abandonou a escola Farol. Tinhamos combinado com o pai estar às 8.30 horas em Ailok Laran para depois nos dirigirmos à escola CAFE.

Muito tranquilamente os minutos iam passando e o Venâcio, pai do rapaz, nunca mais aparecia. Foi preciso que a Aurora, irmã do Venâncio, se irritasse ao telefone, dizendo que o Ti Rui está à espera, chateado, para que finalmente respondesse “ já vou”. Já dentro do carro perguntou-me: “que horas são”. E respondi-lhe “quase nove”. 

E pronto. Lá foi andando nas calmas, que aqui não se pode andar depressa pois as estradas (caminhos) são horríveis. Felizmente chegamos a tempo, e ainda tivemos de esperar.

Portanto mais que pontualidade portuguesa eu direi impaciência portuguesa. Não sei se é bom ou se é mau. Mas o Eustáquio diz que as doenças somos nós que as criamos,
que as metemos na cabeça e que, por isso, também as podemos tirar de lá. 

Temos de estar sempre contentes. “Se chovi, contenti; se não chovi, contenti; se comi, contenti; se não comi, contenti. Sempri contenti!...” 

Ajuda a deitar fora, a aliviar, a curar. Já antes do Eustáquio mahatma Ganhdi (1869 - 1948) dizia:

 “Aquilo que não dizemos acumula-se no corpo, transformando-se em noites sem dormir, em nós na garganta, nostalgia, dúvidas, insatisfação e tristeza. O que não dizemos não morre...MATA-NOS.”

Aqui está, como diria São Francisco de Assis, a verdadeira alegria.

06.03.2019 - Dia de anos

A Aurora faz hoje 51 anos. Esta mulher, que apesar do AVC de que foi vítima há sete anos e que lhe limita os movimentos do lado esquerdo, nunca está quieta, orientando a vida da casa. É uma guerreira que bem merece uma festa de anos. Por isso, sem que ela se apercebesse, o Eustáquio, o Gaspar e eu fomos às compras, para que á noite os pudéssemos festejar condignamente. Houve flores do quintal, houve bolo de anos, e até vinho do Porto.

A Aurora é uma pessoa muito emotiva. Por isso fez um grande esforço por controlar as suas lágrimas. Estou certo que não irá esquecer estes momentos e que, com toda a sua vontade de viver, irá celebrar muitas mais festas de aniversário. Que assim seja!...

08.03.2019, sexta feira  - Encontros, protococolos e outras coisas mais...


Ao longo deste curto caminhar da ASTIL (há mais ou menos um ano e meio) têm surgido apoios importantes de pessoas e instituições que muito nos têm ajudado neste caminho. Eu direi até que sem estas preciossas colaborações não teríamos chegado onde já nos encontramos.

Embora na retaguarda, são a nossa proteção e amparo, e vão nos dando ânimo e meios para prosseguirmos a nossa luta na linha da frente. Somos os “novos guerrilheiros”, desarmados. A nossa grande arma é a solidariedade que, a pouco e pouco vai criando um mundo melhor para estas crianças e jovens que nos rodeiam, respeitam, agradecem com os seus sorrisos e amam de coração.

Uma das instituições que nos tem dado o seu apoio constante é o município de Sabugal, através do seu executivo camarário, facilitando-nos locais para encontros e ações do projeto em causa, cedendo-nos um espaço para a sede da Astil, apoios
económicos pontuais, etc...

Desde maio de 2018, aquando da nossa segunda estadia, que andamos a preparar a geminação entre os municípios de Liquiça e Sabugal, pretendendo assim que se possa
estabelecer uma cooperação mútua entre estes dois municípios.

Hoje foi um dia muito importante, dando-se um passo significativo neste processo.

Aproveitando a estadia de uma semana em Dili do Dr. Manuel Meirinho, presidente da assembleia municipal de Sabugal, por motivos profissionais, reservamos a manhã de sexta feira para, no município de Liquiçá, se lavrar e assinar a carta de intenções.

Numa cerimónia carregada de protocolos, com a presença de representantes de todos os serviços deste distrito, cumpriu-se a assinatura desta carta de intenções em português e tetum, as duas línguas oficiais de Timor Leste, e que ficou devidamente
documentada através das fotos da praxe.

Feita a despedida nos moldes habituais de apertos de mão e vénias, tivemos ainda uma visita à escola CAFE de Liquiçá, onde a maioria dos professores são portugueses. 

Mais um momento único e intenso, onde até ouvimos a quadra: 

Castelo de cinco quinas
Só há um em portugal,
Que fica à beira do Coa,
Na cidade de Sabugal. 

Imaginem-se as emoções que tivemos de controlar.

E assim vamos afirmando por aqui a nossa portugalidade...

(Revisão / fixação de texto, negritos, itálicos: LG)
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Nota do editor LG:

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