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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28021: Manuscrito(s) (Luís Graça) (289): Talvez o mundo fosse mais... amigável: poema para dizer hoje, ao vivo, no festival literário "Livros a Oeste 2026", Lourinhã




Lourinhã > Praia da Areia Branca > 5 de Agosto de 2007 > Baixa-mar, entre a Praia da Areia Branca e a Praia de Vale de Frades, com o forte de Paimogo ao fundo,  mais o cabo Carvoeiro, as Berlengas e o "mare nostrum"... A Alice e uma amiga do Porto, a Laura.

Foto: © Luís Graça (2007). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Cartaz do programa do festival do leitor, 14ª edição,  "Livros a Oeste 2026, Lourinhã, 12-16 de maio de 2026. Fonte: CM Lourinhã



1.  Poema para dizer hoje nos "Cantos das Palavras",  na Praça José Máximo, Lourinhã, ou na "Poesia É Que Nos Salva", no Restaurante Impostor, antigo Café Nicola, Rua Joáo Luís de Moura, no âmbito da 14ª. edição do festival literário "Livros a Oeste 2026", que este ano é subordinadoaou tema "Narrativas de Esperança" (Curador: João Morales).


A friendly world

por Luís Graça


Se todos os pescadores do mundo,
ao longo de todas as costas,
de todas as linhas do horizonte,
de todas as praias,
de todos os mares,
de todos os bancos de pesca,
de todos os icebergs,
de todas as fossas submarinas
e plataformas continentais,
de todas as ilhas e penínsulas,
de todas as pontes,
de todas as dunas,
de todas as falésias,
de todos os recifes de corais,
de todos os cabos e promontórios,
de  todos os lagos, lagoas e albufeiras,
de todas as ribeiras,
de todos os rios
de todas as rias,
de todos os portos e cais…

Se todos os pescadores do mundo
se dessem as mãos,
as canas de pesca,
os carretos,
os fios,
os anzóis,
as chumbadas,
as redes,
os covos,
os xalavares,
os camaroeiros,
os arpões,
os barcos,
as barcas,
os dóris,
os remos e as velas,
as canoas,
as pirogas,
as traineiras,
os arrastões,
o mapa das marés,.
a carta de marear,
a bússola,
o radar,
o isco,
o GPS,
o sextante,
o sonar,
mais todas as artes antigas e modernas,
do cerco, da xávega e da sombreira,
do arrasto e da ganchorra,
das redes de emalhar e de tresmalho,
da linha, dos alcatruzes e das gaiolas...

Se todos nós, no fundo,
partilhássemos o nosso pão de cada dia,
à mesma mesa onde seríamos companheiros,
mais o peixe pescado,
o peixe por haver,
fresco, cru, seco,
frito, cozido, guisado,
assado, grelhado, fumado,
salgado, congelado,
sem esquecer as batatas e as cebolas...

Se todos nós fizéssemos uma corrente humana 
ao longo  dos oceanos que nos separam, 
talvez pudéssemos  reencontrar
elos perdidos da cadeia da vida…
Talvez o mar fosse mais chão,
talvez o mar fosse mais mulher,
talvez o mundo fosse mais
pequeno,
aconchegado,
caloroso,
maneirinho,
habitável…
Talvez o mundo fosse mais…
amigável.


Luís Graça
Lourinhã, Praia de Porto Dinheiro | 11/8/2007.
Revisto, 14/5/2026
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