Lourinhã > Praia da Areia Branca > 5 de Agosto de 2007 > Baixa-mar, entre a Praia da Areia Branca e a Praia de Vale de Frades, com o forte de Paimogo ao fundo, mais o cabo Carvoeiro, as Berlengas e o "mare nostrum"... A Alice e uma amiga do Porto, a Laura.
Foto: © Luís Graça (2007). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Cartaz do programa do festival do leitor, 14ª edição, "Livros a Oeste 2026, Lourinhã, 12-16 de maio de 2026. Fonte: CM Lourinhã
1. Poema para dizer hoje á tarde nos "Cantos das Palavras", na Praça José Máximo, Lourinhã, ou logo á noite na "Poesia É Que Nos Salva", no Restaurante Impostor, antigo Café Nicola, Rua João Luís de Moura, no âmbito da 14ª. edição do festival literário "Livros a Oeste 2026", que este ano é subordinado ao tema "Narrativas de Esperança" (Curador: João Morales).
Um mundo sem fronteiras
Se todos os pescadores do mundo
se dessem as mãos,
canas de pesca, fios e anzóis,
Se todos nós fizéssemos uma corrente humana
Luís Graça
Lourinhã, Praia de Porto Dinheiro | 11/8/2007.
Revisto, 14/5/2026
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por Luís Graça
Se todos os pescadores do mundo,
ao longo de todas as costas,
linhas do horizonte, praias,mares,
bancos de pesca, icebergs,
Se todos os pescadores do mundo,
ao longo de todas as costas,
linhas do horizonte, praias,mares,
bancos de pesca, icebergs,
fossas submarinas,
plataformas continentais,
ilhas e penínsulas, pontes e dunas,
falésias, recifes de corais,
cabos e promontórios,
lagos e albufeiras,
cabos e promontórios,
lagos e albufeiras,
rios, rias, portos e cais…
Se todos os pescadores do mundo
se dessem as mãos,
canas de pesca, fios e anzóis,
redes, covos e xalavares,
arpões, barcos e dóris
mas também remos e velas,
canoas, traineiras e arrastões,
bússola, radar, sextante e sonar,
mais todas as artes antigas e modernas,
do cerco, da xávega e da sombreira,
do arrasto e da ganchorra,
das redes de emalhar e de tresmalho,
da linha, dos alcatruzes e das gaiolas...
Se todos nós, no fundo,
partilhássemos o nosso pão de cada dia,
do cerco, da xávega e da sombreira,
do arrasto e da ganchorra,
das redes de emalhar e de tresmalho,
da linha, dos alcatruzes e das gaiolas...
Se todos nós, no fundo,
partilhássemos o nosso pão de cada dia,
à mesma mesa,
mais o peixe pescado,
o peixe por haver,
fresco, cru, seco,
frito, cozido, guisado,
assado, grelhado, fumado,
salgado ou congelado,
sem esquecer as batatas e as cebolas...
o peixe por haver,
fresco, cru, seco,
frito, cozido, guisado,
assado, grelhado, fumado,
salgado ou congelado,
sem esquecer as batatas e as cebolas...
talvez finalmente
pudéssemos tratarmo-nos tu cá tu lá,
como companheiros.
Se todos nós fizéssemos uma corrente humana
ao longo dos oceanos e demais fronteiras
que nos separam,
talvez pudéssemos reencontrar
elos perdidos da cadeia da vida...
E talvez o mar fosse mais mulher,
como dizem os pescadores da tua terra,
talvez o mundo fosse mais aconchegado,
talvez o mundo fosse mais aconchegado,
caloroso, maneirinho e habitável…
Não tinha que ser, oh não!,
nenhum mundo novo e muito menos admirável...
Apenas humano, apenas mais chão.
Luís Graça
Lourinhã, Praia de Porto Dinheiro | 11/8/2007.
Revisto, 14/5/2026
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Nota do editor LG:
Último poste da série > 9 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28003: Manuscrito(s) (Luís Graça) (288): Horóscopo poético de Arsénio Puim, nascido na ilha de Santa Maria, às 23h00 do dia 8 de maio de 1936, sob o signo Touro
Último poste da série > 9 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28003: Manuscrito(s) (Luís Graça) (288): Horóscopo poético de Arsénio Puim, nascido na ilha de Santa Maria, às 23h00 do dia 8 de maio de 1936, sob o signo Touro

1 comentário:
Belo poema! Um hino à solidariedade e à partilha.
Abraço
Eduardo Estrela
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