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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Guiné 63/74 - P7730: Parabéns a você (214): José Teixeira, ex-1.º Cabo Enf.º da CCAÇ 2381 (Tertúlia e Editores)




PARABÉNS A VOCÊ

06 DE FEVEREIRO DE 2011


Caro camarada José Teixeira, a Tabanca Grande solidariza-se contigo nesta data festiva. Sabes que és um camarigo especial entre a Tertúlia, pela tua colaboração no Blogue onde cada texto é um hino à solidadriedade que já praticavas ao tempo, e muito mais importante, pela tua actividade dentro da ONG da Tabanca Pequena de Matosinhos, sempre muito bem acompanhado pelos teus camaradas de Direcção. As vossas iniciativas a favor da Guiné-Bissau são reconhecidas e deram já muitos e bons frutos.

Assim, temos a certeza toda a Tertúlia vem desejar-te um feliz dia de aniversário junto de tua esposa, filhos e demais familiares e amigos.

Que esta data se festeje por muitos anos, repletos de saúde, porque isso se vai reflectir no bem de alguém, tendo sempre por perto aqueles que amas e prezas. Amigos não faltarão à tua volta, porque os sabes cativar e manter.

Na hora do brinde não esqueças os teus camaradas e amigos do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, que irão erguer também uma taça pela tua saúde e longevidade.
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Notas de CV:

(*) José Teixeira foi 1.º Cabo Enf.º da CCAÇ 2381, Buba, Quebo, Mampatá e Empada, 1968/70 e actualmente é membro da Direcção da Tabanca Pequena ONGD que se dedica a apoiar causas em favor do povo irmão da Guiné-Bissau

Vd. último poste da série de 6 de Fevereiro de 2011 > Guiné 63/74 - P7729: Parabéns a você (213): Ana Duarte, Fernando Franco e Hugo Moura Ferreira (Tertúlia e Editores)

Guiné 63/74 - P7729: Parabéns a você (213): Ana Duarte, Fernando Franco e Hugo Moura Ferreira (Tertúlia e Editores)

PARABÉNS A VOCÊ

06 DE FEVEREIRO DE 2011





Cara amiga Ana Duarte, caros camaradas Fernando Franco e Hugo Moura Ferreira, a Tabanca Grande solidariza-se convosco nesta data.

Assim, vêm os Editores, em nome de toda a Tertúlia desejar-vos um bom dia de aniversário junto dos vossos familiares e amigos.

Que esta data se comemore por muitos anos, repletos de saúde, tendo sempre por perto aqueles que amais e prezais.

Na hora do brinde não esqueçais os vossos camaradas e amigos do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, que irão erguer também uma taça pela vossa saúde e longevidade.
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Notas de CV:

Ana Duarte é viúva do nosso camarada Sargento-Mor Humberto Duarte, que foi Fur Mil Op Esp / RANGER do BCAÇ 4514, Cantanhez -1973/74

Fernando Franco foi 1.º Cabo Caixeiro do PINT 9288, Guiné, 1973/74

Hugo Moura Ferreira foi Alf Mil da CCAÇ 1621, Cufar e Cachil, e CCAÇ 6, Bedanda, 1966/68

Vd. último poste da série de 5 de Fevereiro de 2011 > Guiné 63/74 - P7728: Parabéns a você (212): Agradecimento do José Belo, um lusitano na terra dos Vikings

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Guiné 63/74 - P7728: Parabéns a você (212): Agradecimento do José Belo, um lusitano na terra dos Vikings



1. Mensagem do nosso querido amigo e camarada José Belo (, Joseph, para os Vikings), com data de ontem:


Luís:  Agradeço do fundo do coração as tuas palavras amigas. Juntamente com as de outros Camaradas e Amigos,  tornaram este aniversário "O MAIS LUSITANO" que tive em todos estes anos.(E são já muitos,  os anos!). 


A colagem do Miguel Pessoa, na sua tão bem conseguida triangulação Lapónia/Key-West/Cozido à portuguesa, proporcionou,tanto à minha mulher como aos filhos, uns bons momentos de gargalhadas por considerarem que ele tinha acertado em cheio na esquizofrenia TRIPLA desde irrecuperável paciente. 


Aproveito para aqui te mandar mais uma das curiosidades locais.Os trenós de festa, usados exclusivamente no norte da Suécia, em que os amigos te aparecem à porta de casa em dias festivos. (A considerar...para o cozido do próximo encontro da Tabanca do Centro!).


Um SKÅL e um grande abraço!


J. Belo

Guiné 63/74 - P7727: Notas fotocaligráficas de uma viagem de férias à Guiné-Bissau (João Graça, jovem médico e músico) (3): 9 e 10/12/2009, em busca do dari (chimpanzé), em Farim e Madina do Cantanhez...



Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez > Madina > 10 de Dezembro de 2009 > 7h32 > Um dari (chimpanzé) descendo uma árvore...




Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez > Madina > 10 de Dezembro de 2009 > 7h32 > Outra foto do  dari (chimpanzé) a descer a árvore...

 Este grande símio (o mais aparentado, do ponto de vista genético, ao ser humano) é muito difícil de observar e fotografar... Contrariamente a outros primatas que existem no Parque, com relativa abundância com o macaco fidalgo (fatango) (fotos a seguir)....


Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez > Madina > 10 de Dezembro de 2009 > 7h32 > O fatango, um autêntico acrobata...



Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez > Madina > 9 de Dezembro de 2009 > 15h50 > O macaco fidalgo...


Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez > Farim do Cantanhez > 9 de Dezembro de 2009 > 17h00 > Uma das belas árvores, seculares, do parque...


Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez > Farim do Cantanhez > 9 de Dezembro de 2009 > 17h36 > A exuberância da vegetação do parque...



Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez > Farim do Cantanhez > 9 de Dezembro de 2009 > 17h06 >  Com mais de 100 mil hectares, este parque é muito importante, segundo o IBAP - Instituto da Biodiversidade e das Areas Protegidas, com sede em Bissau: 

"Grande diversidade da fauna e da flora com a existência de várias florestas húmidas onde se destacam sobretudo as essências raras e únicas, tais como: copaifera, salicaunda, 'pau' miseria, mampataz, 'pau' de veludo, tagarra, faroba de 'lala' e outras. Ainda alberga diferentes espécies de fauna  (elefante, búfalo, baca branco, sim-sim, chimpanzé, macaco fidalgo, porco de mato), entre outros: é reconhecido por WCMC como um dos 9 sitios importantes do ponto do vista da bioiversidade.  Cantanhez é igualmente uma das 200 eco-regiões mais importantes do mundo identificadas pela  WWF."


Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez > Farim do Cantanhez > 9 de Dezembro de 2009 >9h34 > Restos da refeição (mangas) de um ou mais daris...



Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez >  Cananima > 9 de Dezembro de 20090 > 18h05 > Uma aldeia de pescadores frente a Cacine, situada na margem direita do Rio Cacine... Não existia no tempo da guerra...

Fotos: © João Graça (2009) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados


1. Continuação da publicação das notas, quase meramente telegráficas, do diário de viagem à Guiné, do João Graça, acompanhadas de algumas das centenas fotos que ele  fez, nas duas semanas que lá passou (*)... 

Nos  cinco primeiros dias (de 6 a 10 de Dezembro de 2009) vamos encontrá-lo, como médico, voluntário,  no Centro de Saúde Materno-Infantil de Iemberém

 Ao 5º dia, 9 de Dezembro de 2009,  tentou, pela primeira vez, mas em vão, ver o "despertar" dos chimpanzés do Parque Nacional do Cantanhez, em Farim. Conseguiu "apanhá-los", com a sua Nikon D60, reflex, no dia seguinte de manhã, em Madina...

Nalguns casos, por serem de todo ilegíveis ou fazerem referências muito pessoais a terceiros, optei por assinalar com parênteses rectos e reticências [...] essas partes do diário... Noutros casos, acrescentei, também dentro de parênteses rectos [   ], algumas notas da minha lavra,  decorrentes das nossas conversas sobre esta viagem (memorável, para ele)... As notas dos primeiros dias foram escritas à noite, à luz da pilha, em Imemberém, depois de um dia extenuante com dezenas de doentes nas consultas [L.G.].




Dia 5 – 9/12/2009, 4ª feira,  Iemberém

5.1 . 3º  dia de consultas – Visita aos chimpanzés.

5.2. Levantámo-nos às 5h00. Viagem até à terra da Cadi, Farim [do Cantanhez], onde estariam os chimpanzés.

5.3. Afinal não estavam em grupo. Vimos formigas a picarem o nosso corpo.

5.4. Fomos dois jipes: Cadi [, grávida de 7  meses], Antero e eu;  motorista, Alexandre, Joana e Zeca [, guia do Parque].

5.5. Ficámos à espera dos chimpanzés na casa da Cadi: Pai, ex-combatente [do PAIGC, Abdu Indjai], mostrou-me  [a sua prótese, foi amputado de uma perna durante a guerra colonial]; avó, velhinha, 70 anos, que me ofereceu um cesto para a minha mãe e outro para a Rita [, minha namorada].

5.6. Seis/sete miúdos com leishmaniose. Amanhã falar com Vera, Enf[ermeira do Centro de Saúde Materno-Infantil de Iemberém].

5.7. Voltámos a Iemberém às 10h30. Pequeno-almoço com Alex e Joana [dois investigadores portugueses].

5.8. Tabató, aldeia de músicos perto de Bafatá. Tenho que lá ir.

5.9. Consultas no Centro de Saúde: inicialmente não havia ninguém, mas foram chegando. 12/13 doentes, só 2 graves/urgentes. Escrevi cartas para a Enf Vera [, brasileira,], que não estava lá.

5.10. Um doente [que fez parte do] Batalhão Operação Mar Verde [, possivelmente, fuzileiro especial, do DFE 21].
[…]

5.12. Viagem [para visita às instalações da Televisão Comunitária Massar, em Iemberém…]. Termiteiras, árvore gigante, aldeia de pescadores [, Cananima], galhofa na viagem!

5.13. Amarildo aguardava-me na TV Massar. Cheguei atrasado 40 minutos. Pela 3ª vez! Gostou da ideia, vai-se fazer o vídeo [comunitário].

5.14. Jantar na casa da Joana, em Madina.

5.15. Vídeo do Zeca […].

5.16. Anedota [, contada pelo Zeca]: João tinha uma mulher e esta mais dois amantes: Vida e José. Quando João estava fora, [ela] avisava-os e iam para sua casa fazer ‘brincadêra’.
Um dia a mulher tinha chamado os 2 amantes com receio de que um deles não aparecesse. Nisto, João voltou sem avisar.

Primeiro, Vida bate à porta. ‘Brincadêra’. Depois bate o 2º, [José]. Vida, pensando que era o João, esconde-se no tecto do quarto. O 2º bate à porta, afinal não era o João. [Mais]‘brincadêra’.

Um 3º bate à porta, [desta vez era o ] João. O outro, José, mete-se debaixo da cama. João entra. Deita-se na cama [e exclama]:
- Ai, vida!

[O Vida, julgando-se descoberto, justifica-se:]
- Não sou  o único, não sou o único! Ah, também há um [outro] debaixo da cama!...


10/12/2009, 5ª feira, Iemberém

6.1. 4º dia de consultas. Viagem Iemberém-Bissau.

6.2. Pai muçulmano, filha com Sida. Não voltou ao Centro de Saúde. Vai morrer em breve.

6.3. Abcesso craniano drenado.

6.4. Despedidas: Vera, Amarildo, Zeca, Cadi, Domingos, Abdulai.

6.5. Visita,  de manhã,  aos chimpanzés, em Madina. Desta vez apanhámo-los.

Continua


[Fixação / revisão de texto / selecção e edição de fotos: L.G.]

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Nota de L.G.:

(*) Vd. postes anteriores:

28 de Janeiro de 2011 > Guiné 63/74 - P7686: Notas fotocaligráficas de uma viagem de férias à Guiné-Bissau (João Graça, jovem médico e músico) (2): 6/12/2009, domingo, 1ª consulta, um baptizo muçulmano, um casório católico, uma visita a uma fábrica de caju... 7/12/2009, 2ª feira: 1º dia de consultas. 42 doentes à porta do C.S. Materno-Infantil de Iemberém

Guiné 63/74 - P7726: Memória dos lugares (133): Bissau dos anos 70 (António Teixeira)



1. Mensagem de António Teixeira* (ex-Alf Mil da CCAÇ 3459/BCAÇ 3863 - Teixeira Pinto, e CCAÇ 6 - Bedanda; 1971/73), com data de 3 de Fevereiro de 2011:

Boa noite.
Junto envio algumas fotos da cidade de Bissau, tiradas no ano de 1973

Um Grande abraço
António Teixeira



Foto 1 - Avenida do Império. Parece que agora se chama Av. Amilcar Cabral. Vê-se ao fundo o Palácio do Governador e à esquerda os Correios. Mesmo em frente aos Correios ficava a célebre 5.ª Rep, do qual só se vê aqui as copas das árvores da esplanada.


Foto 2 - Messe de Oficiais do Quartel General em Sta. Luzia, hoje transformada em Hotel. Ainda dá para ver parte de uma mangueira das muitas que ladeavam os arruamentos.


Foto 3 - Piscina do Q.G., em Sta. Luzia, aqui a trabalhar em pleno.


Foto 4 - Praça do Império e Palácio do Governador. Parece que hoje está em ruínas.


Foto 6 - Porto de Bissau. Cais do Pidjiguiti.


Foto 7 - A célebre "Foto Iris", que ficava para os lados da Amura. Foi nesta casa que a maior parte de nós comprava aquelas bombas de máquinas fotográficas, como as Nikon e as Pentax.


Foto 8 - O Mercado Municipal


Foto 9 - Era por aqui que se tinha acesso à Piscina de Sta. Luzia.


Fotos 10 - Mercado Municipal


Fotos 11 - Mercado Municipal


Foto 12 - Cais do Pidjiguiti


Foto 13 - Outro aspecto da Piscina de Sta. Luzia.

Fotos e legendas: © António Teixeira (2011). Todos os direitos reservados
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Notas de CV:

(*) Vd. poste de 4 de Fevereiro de 2011 > Guiné 63/74 - P7720: Memória dos lugares (131): Bedanda, CCAÇ 6 (1972/73): Eu, o José Figueiral, o Pinto de Carvalho, o Bastos (do Pel Art), um 2º tenente da Marinha e ainda o Seco Camará, na messe de oficiais (António Teixeira)

Vd. último poste da série de 5 de Fevereiro de 2011 > Guiné 63/74 - P7722: Memória dos lugares (132): Fotos de Enxalé (Virgínio Briote/António Rodrigues)

Guiné 63/74 - P7725: Agenda cultural (106): Programa e Convite do 50.º Aniversário da Guerra do Ultramar (Liga dos Combatentes)


Programa e Convite do 50.º Aniversário da Guerra do Ultramar, no Museu do Combatente no Forte do Bom Sucesso (Belém)



Documento divulgado pelos serviços de marketing da Liga dos Combatentes (excertos:


Exmo/a Senhor/a
Apresentamos o programa da Liga dos Combatentes para a semana evocativa do 50.º Aniversário da Guerra do Ultramar e convidamos desde já a estar presente.


EVOCAÇÃO DO ESFORÇO DA NAÇÃO PORTUGUESA E DAS SUAS FORÇAS ARMADAS, NA GUERRA DO ULTRAMAR


50.º ANIVERSÁRIO DO INÍCIO DOS ACONTECIMENTOSPARTILHA DE MEMÓRIAS E HOMENAGEM A TODOS OS VIVOS, MORTOS E VÍTIMAS ENVOLVIDOS NA GUERRA


No âmbito das comemorações do Cinquentenário da Guerra do Ultramar, a Liga dos Combatentes juntamente com alguns parceiros, nomeadamente o Programa D. Afonso Henriques (ateliê de pintura do exército) e o Centro de Audiovisuais, inauguram a 11 de Fevereiro de 2011 três exposições subordinadas ao mesmo tema. No entanto, o 50.º Aniversário do Início da Guerra do Ultramar é também assinalado por um Ciclo de Conferências e o lançamento de um livro.

Durante a semana de 11 a 18 de Fevereiro de 2011, o Museu do Combatente no Forte do Bom Sucesso (junto à Torre de Belém) e a Liga dos Combatentes apresenta o seguinte Programa:



A semana evocativa do Esforço da Nação Portuguesa e das suas Forças Armadas na Guerra do Ultramar por parte da Liga dos Combatentes tem como principal intuito a aproximação dos Portugueses à sua História recente, através de uma dinâmica expositiva divulgadora do esforço e sacrifício dos milhares de militares portugueses que serviram durante o Conflito Ultramarino. (...).

Preço – a favor do programa “Liga Solidária” (o qual tem como objectivo a criação de Residências Assistidas para apoio aos Combatentes):
3€ (adultos)
2€ (crianças a partir dos 7 anos, reformados e grupos)
grátis (para sócios da Liga dos Combatentes e responsáveis de grupos em visitas guiadas)


Informações adicionais:


Exposição permanente com visitas diárias (aberto todos os dias, incluindo fins-de-semana e feriados).
Das 10:00 às 17:00


Local da exposição:


Museu do Combatente no Forte do Bom Sucesso (junto à Torre de Belém),
1400-038 Lisboa



Tel. 92 738 31 39


Visitar site: http://www.ligacombatentes.org.p/t


Nota de M.R.:

Guiné 63/74 - P7724: Notas de leitura (199): Nó Cego, de Carlos Vale Ferraz (1) (Mário Beja Santos)

1. Mensagem de Mário Beja Santos* (ex-Alf Mil, Comandante do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 3 de Fevereiro de 2011:

Queridos amigos,
São poucos os livros que se podem gabar de ter uma capa tão expressiva como esta que o Rogério Petinga concebeu para as primeiras edições de “Nó Cego”.
Não conheço outro livro com esta dimensão, tão poderosa galeria de retratos, com tantos diálogos tão afins à nossa experiência de combatentes.
É o mais universal de todos os horrores de uma guerra, em Nó Cego sente-se que o cansaço daquele capitão iria desaguar no 25 de Abril.

Um abraço do
Mário


“Nó Cego”, a obra-prima absoluta da nossa literatura de guerra

Beja Santos

A acção passa-se em Moçambique mas, com ligeiras adaptações, podia ser transferida para qualquer teatro de operações em África, tal o classicismo com que a prosa se impôs. Publicado em 1983, “Nó Cego”, de Carlos Vale Ferraz, é muito mais do que um livro irrepetível, continuamos a lê-lo em transe hipnótico, a soletrar a crueza dos diálogos que ouvimos décadas atrás, o que ali se escreve, o peso dos silêncios, foi vivido por qualquer um de nós, no emaranhado das matas, no ambiente dos aquartelamentos, nos suspiros dados a olhar, impotentes, o travejamento dos nossos abrigos, nesses lugares ermos por onde pernoitamos.

Foi uma obra de estreia de um oficial do quadro permanente que combateu nas três frentes da guerra. Não importa o que de autobiográfico o livro contém, é pouco crível que tudo quanto aqui se escreve seja fruto da imaginação ou contado por outro. O que importa é que este romance continua a ser o número um, detém a supremacia absoluta de todas as obras de grande qualidade. Nenhum outro livro foi mais ao fundo da raiva e do medo, contornando sempre com pudor a linha do intimismo mesmo no trânsito abundante dos termos chocantes, da exibição das misérias, daquele cansaço sem fim que se vai apoderando do narrador e que é transmitido como um vírus ao leitor. O classicismo de “Nó Cego” assenta porventura na magia da comunicação: é tudo limpo, sóbrio, brusco, eficiente, apologético (toda a arquitectura impele-nos para o horror da guerra e, sobretudo, para a perda de sentido daquela guerra em particular). Vale Ferraz não se subtrai aos desastres da guerra, graças ao esquematismo, à ausência de lágrimas, ele abre-nos sem disfarce o caminho para se compreender estas máquinas de justiceiros do mato, é uma companhia de Comandos, têm as suas normas próprias, os seus ritos e uma cadeia de comando muito particular. Um livro dedicado às mulheres que os amaram, aos que combateram dando o melhor da juventude e aos próprios guerrilheiros. O autor entende que precisamos de uma apresentação: o que ele escreve é ficção, as pessoas e situações narradas não aconteceram nem existiram; o autor, por sinal, é pacato e gordo, cai-lhe o cabelo e escreve de noite com os óculos na ponta do nariz. Posto este labirinto, abre-se a efabulação, estamos na primeira operação, com o sol a pino e todos a marchar na bicha de pirilau. Ouve-se uma explosão, o capitão orientou os grupos de combate, o enfermeiro partiu para os primeiros socorros:

“Dava as ordens com voz calma, como se tudo não passasse de um exercício. Depois aproximou-se do soldado ferido deitado no chão, com um dos pés transformado numa bola de massa onde se misturavam o coiro preto da bota, a terra castanha empapada em sangue e de onde surgiam tendões brancos desligados dos ossos.

À vista deste espectáculo empalideceu, não o podia evitar, sentou-se a observar o LM: uma injecção de morfina, apertar o garrote para estancar o sangue, uma injecção de vitamina K para facilitar a coagulação e, por fim, limpar o melhor possível a pasta avermelhada para a envolver num penso. Era o que restava do que fora um pé”.

Não se pode imaginar mais secura, logo a seguir há contacto, as transmissões procuram desesperadamente um helicóptero. Os figurantes vão sendo apresentados: o cabo Cabral, o da calva nascente, o Pedro, que vai sempre à frente e que ficará sem o pé, o Vergas, alto e patilhudo, o Torrão (que fora pastor no Alentejo), o Chamusca, o Casal Ventoso, o Espanhol. Existem ali conversas possíveis, afinal aquelas máquinas de matar têm sentimentos, basta conferir: “O meu capitão sabe que é raro um alentejano vir para os comandos? – e continuou: – Gozavam comigo por eu ser assim miúdo, chamavam-me alentejano dum cabrao, mesmo os oficiais e os cabos milicianos da recruta, que alentejanos e cães de caça era tudo gente de uma raça. Para lhes fazer ver que era igual aos outros, ofereci-me. Também porque me disseram que se dava menos tempo de tropa… preciso de tratar da vida… – o capitão parecia não ligar muito à conversa, mas o Torrão continuava: – O Alentejo, conhece? –e sem esperar resposta: – Aquilo é que é terra, o ar é limpo, vê-se até longi… – falava sem precisar de ouvinte. Necessitava de desabafar, de se sentir no meio de gente, a floresta assustava-o e voltava ao linguarejar cantado da sua terra – … Guardava porcos, um dia fiquei-me a ver o comboio a caminho do Algarvi, por causa dêli tive de fugir de casa, dois bácoros perderam-se, o capataz do monti queria bater-mi, queria obrigar o mê pai a pagá-los, pagar… – abanou a cabeça a olhar o céu – … Era a miséria mais negra…”. Contraponto é dado pela recordação daquele oficial que quis ir para a Academia Militar, mesmo contrariando a vontade do pai. Segue-se a brutalidade com o guia, um velho Maconde, permanentemente ameaçado pela tortura e de que ainda vai levar mais porrada na PIDE. A galeria dos figurantes vai engrossando: Pierre, o estivador, Evaristo, o guia Maconde, a companhia atravessa um vale, são surpreendidos pelas morteiradas do inimigo, o Preguiça ficou despedaçado, caiu-lhe uma granada mesmo em cima. Igualmente os alferes vão sendo apresentados, são provenientes de vários estratos sociais, o Lencastre vem de uma família com pergaminhos, entre Estoril e Cascais. Bem, a operação não foi um êxito e o novo comandante militar a seu tempo irá repontar. Vamos assistindo à tensão que se irá desenvolvendo entre o recém-chegado e os combatentes que já não vão nas lérias da estridência vã da defesa da civilização ocidental. Chega a hora desta companhia de comandos ir para nova operação, desta vez à Volta ao Mundo, temos aqui outra narrativa fulgurante: “Mueda, no dia da saída da coluna para a Volta ao Mundo, assemelhava-se a um formigueiro rebentado; camiões que andavam de um lado para o outro aparentemente sem sentido, soldados que corriam uns pelos outros, oficiais que procuravam juntar os seus pelotões, artilheiros que tentavam desesperadamente atrelar as peças e bocas-de-fogo às Berliets, caixas de raçoes espalhadas, viaturas que não pegavam e eram empurradas, barulho de motores acelerados, cheiro a óleo queimado, tudo fazia parte de uma caótica confusão da qual parecia ser impossível sair ou, pelo menos, encontrar algum responsável”. De novo embrenhados no mato, o silêncio da noite é atravessado por um grito, ficam todos em alvoroço:

“Um grito horrendo a eriçar a pele em picos de lixa, carregado de electricidade.

Um grito com vida nascendo de um uivo de suicida caindo no abismo; mal nascido e logo fugido para o negrume de árvores sombrias a receberem-no quais fantasmas baloiçando braços descarnados de ramos rendilhados em teias negras; a prolongar-se num eco de mil latidos.

Vindo de um só peito vinha de todos amplificado no estrondo das minas, nos gemidos do sargento cego a chamar pela mulher…”. É naquela confusão que se descobre que o Bento teve um ataque de epilepsia. E depois, quando retomou a caminhada, o capitão conduzia a coluna a passo de caracol pela picada onde as minas nasciam como cogumelos em estrume húmido.

(Continua)
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Notas de CV:

Carlos Vale Ferraz é o pseudónimo literário de Carlos Matos Gomes, hoje Coronel Cav COMANDO na situação reserva

Vd. último poste da série de 3 de Fevereiro de 2011 > Guiné 63/74 - P7715: Notas de leitura (198): Repórter de Guerra, de Luís Castro (Mário Beja Santos)

Guiné 63/74 - P7723: Tabanca Grande (263): João Pinho dos Santos, ex-Alf Mil da CCAÇ 618/BCAÇ 619 (Susana e Binar, 1964/66)

1. Mensagem do nosso camarada Manuel Augusto Reis (ex-Alf Mil da CCAV 8350, Guileje, 1972/74), com data de 1 de Fevereiro de 2011:

Caro Luís:
Tenho aqui um amigo, de longa data, que ao saber da nossa Tertúlia mostrou desejo de a ela se associar. Como sentia algumas dificuldades em tratar da parte inerente à sua inscrição, tomei a iniciativa de o apresentar e solicitar a sua inscrição.

Participou em dois convívios da Tabanca Pequena, portanto não se pode dizer que desconhece totalmente o ambiente de camaradagem e amizade que se vive nesses encontros.

Vive em Aveiro onde, em tempos idos, foi gerente da Delegação do Banco de Portugal em Aveiro, estando actualmente reformado.



João Henrique Pinho dos Santos, ex-Alf Mil Inf da CCaç 618/BCAÇ 619, esteve em Susana e Binar no período 1964/66.

E-mail: joaopinho.santos@gmail.com

De mim e do Pinho dos Santos vai um forte abraço para toda a tertúlia.
Manuel Reis




2. Comentário de CV:

Caro João, bem-vindo à nossa Tabanca Grande.

Estás apresentado à tertúlia pela mão do teu e nosso amigo Manuel Reis, pelo que se tiveres alguns conhecimentos de informática, não muitos, poderás começar a contar-nos as tuas experiências vividas durante a campanha de 1964/66, pouco tempo depois do início das hostilidades na Guiné. Temos já alguns camaradas na tertúlia do teu tempo, que nos contam as dificuldades sentidas nesse início de guerra, muito diferentes das de quem esteve já no final. Se vocês tinham carências de toda a ordem, inclusive falta de itinerários abertos, os mais modernos enfrentaram um PAIGC mais bem armado e melhor preparado tacticamente. Ninguém teve vida fácil, afinal.

Caro João, ficamos então na expectativa de noticias tuas.
Recebe um abraço de boas-vindas em nome da tertúlia e dos editores, com votos de que te mantenhas em plena forma para participares activamente no nosso Blogue.

Um abraço de
Carlos Vinhal
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Vd. último poste da série de 27 de Janeiro de 2011 > Guiné 63/74 - P7685: Tabanca Grande (262): António Teixeira, ex-Alf Mil, CCAÇ 3459/BCAÇ 3863 (Teixeira Pinto) e CCAÇ 6 (Bedanda), 1972/73

Guiné 63/74 - P7722: Memória dos lugares (132): Fotos de Enxalé (Virgínio Briote/António Rodrigues)


1. O nosso camarada Virgínio Briote (ex-Alf Mil Comando, Brá, 1965/67), enviou-nos a seguinte mensagem, que lhe foi endereçada em 29 de Janeiro de 2011, pelo nosso Camarada António Rodrigues, da CCAÇ 2587/BCAÇ 2885, Enxalé, 1969/71).



ENXALÉ

Caro V. Briote,

Tenho sido um leitor assíduo praticamente desde o início do "blogueforanadaevaotres".

Ao ler os trabalhos do Dr. Mário Beja Santos e principalmente o poste "Guiné 63/74 - P7557: Operação Tangomau (Mário Beja Santos) (10): O dia no Enxalé, em Madina e Belel", e como ainda ninguém fez comentários às fotos em referência, conforme o Luís Graça solicita no seu comentário, junto algumas fotos de Enxalé.

Na foto 1, vê-se uma caserna que existia no ponto mais alto de Enxalé, onde eu estive entre 25/6/1969 a 19/08/1969.

Era um edifício sem as mínimas condições de habitabilidade e tinha uma única cama. Todo o grupo dormia no chão em cima de palha de arroz com panos de tenda a servirem de colchões. A única cama era onde eu dormia, com uma maca em cima dos ferros a fazer de colchão.

As duas últimas janelas que se vêm eram dos quartos dos furriéis que pelo menos tinham camas.

Na foto 2, vê-se o meu grupo de combate à frente da caserna.

Na foto 3, vê-se a outra parte lateral do mesmo edifício, onde estavam os chuveiros.

Na foto 4, o monumento.

Na foto 5, mostra como era o monumento exibido na foto 4.

Nas restantes fotos parece-me ser diferente.

A placa que se vê na foto 7 é do Monumento da foto 6.

A foto 8, é uma foto minha, mostrando como se encontarvam os monumentos no período em que lá estive. Junto tmabém duas fotos de Bissá, talvez um dos piores destacamentos que existiam na Guiné, principalmente nos períodos das chuvas. É um dos locais com poucas referências, em tudo o que tenho lido sobre a guerra na Guiné.

Depois deste comentário deixo à sua consideração se entender dar conhecimento ao Dr. Mário Beja Santos destas fotos, assim como publicá-las. Se necessário poderei mandar as fotos com outro tamanho.

Com os melhores cumprimentos,
António Rodrigues
CCAÇ 2587/BCAÇ 2885

Fotos: © António Rodrigues (2010). Todos os direitos reservados

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Nota de M.R.:

Vd. último poste desta série em:

4 de Fevereiro de 2011 >