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terça-feira, 24 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27852: Efemérides (384): Foi há 10 anos que morreu (de verdade) o nosso querido "morto-vivo", o António da Silva Batista (1950-2016), ex-sold at inf da CCAÇ 3490 (Saltinho, 1972), natural da Maia

António da Silva Baptista (1950-2016)

Foto: © João Santiago ( 2007). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto reproduzida por Beja Santos no seu poste P14454, de 10 de abril de 2015. A fonte provável é o artigo "Desaparecido em combate", de Duarte Dias Fortunato, publicado na revista da GNR, "Pela lei e pela grei", nº de abril de 2000 (*) 

[Na altura, o Fortunato era soldado de infantaria da GNR e prestava serviço no Posto Territorial de Quiaios, na Figueira de Foz; o António da Silva Batista é o último a contar da direita, de bigode, e o Fortunato o terceiro.]


Maia > Moreira > Cemitério local > Foto do Jornal de Notícias, edição de 18 de setembro de 1974, mostrando o soldado António da Silva Batista, a visitar a sua própria campa, depois do regresso do cativeiro. O título da notícia do jornal era: "Morto-vivo depôs flores na sua campa". Na lápide pode ler-se: "À memória de António da Silva Batista. Faleceu em combate na província da Guiné em 17-4-1972".

A foto, de má qualidade, foi feita pelo nosso camarada Álvaro Basto, com o seu telemóvel, na Biblioteca Pública Municipal do Porto, e remetida ao Paulo Santiago. O Álvaro Basto, ex-fur mil enf da CART 3492 (Xitole, 1971/734), mora em Leça do Balio, Matosinhos.

Foto: © Álvaro Basto (2007). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Cópia da 2.ª via da caderneta militar do António da Silva Baptista (1950-2016)... Documento emitido a 4 de Junho de 1987 (!), treze anos depois do seu regresso a casa, vindo do cativeiro...


Maia > 21 de Julho de 2007 > O encontro com o António da Silva Batista (ao centro); à esquerda, o Álvaro Basto, ex-fur mil enf da CART 3492 (Xitole, 1971/74) ; à direita, o Paulo Santiago (ex-alf mil, cmdt do Pel Caç Nat 53, Saltinho, 1970/72). Foto do João Santiago, filho do Paulo.

Foto: © João Santiago ( 2007). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

1. Fez ontem  dez anos que morreu, pela segunda (e derradeira) vez, o António da Silva Baptista, o nosso querido "morto-vivo" (1950-2016). Era natural de Crestins, Moreira da Maia. (*)

Recorde-se que o António da Silva Batista, ex-sold at inf da CCAÇ 3490, Saltinho, 1972, foi dado como morto na terrível emboscada do dia 17 de abril de 1972, em Quirafo, junto ao Corubal... Viria a ser libertado pelo PAIGC em 14 de setembro de 1974, em Aldeia Formosa, ele mais 6 camaradas por troca com 35 guerrilheiros do PAIGC (**).

A sua história teve alguma triste notoriedade, até mediática, pelo insólito. A RTP, por ex., no seu programa "Memórias da Revolução", chamou-lhe o "soldado morto-vivo" (alcunha que foi dada pelos jornais do Nporte), e associou-o às efemérides de setembro de 1974 (mès do seu regresso do cativeiro):

(...) O soldado António Silva Baptista, combatente na Guiné-Bissau durante a Guerra Colonial, no seguimento de um ataque do Partido Africano para a Independência da Guiné Bissau (PAIGC) a tropas portuguesas, foi dado morto pelas autoridades portuguesas, tendo a sua família realizado um funeral em sua memória.

 Em boa verdade, António Silva Baptista foi prisioneiro do PAIGC, tendo sido libertado em setembro de 1974. Esta história, devido à sua natureza caricata, alcançou bastante notoriedade em Portugal. (...)

Temos uma meia centena de dezenas referências  ao nosso camarada que nos deixou em 2016.

O nosso pobre camarada morreu, de facto, duas vezes, tendo sido "vítima de um processo kafkiano": 

(i) primeiro, morreu, não fisicamente, mas militar e socialmente; 

(ii) depois, roubaram-lhe a memória, roubaram-lhe os dias e as noites que passou no cativeiro!

(iii) o exército ao fim de vários "ressustcitou-o" e deu-lhe um novo BI...mas levou tempo a pagar-lhe as pensões a que tinha direito!

 
De facto, a vida do António da Silva Baptista é um daqueles relatos que transcendem o individual e se tornam parte da memória coletiva, especialmente num período tão conturbado como o pós-Guerra Colonial e o "verão quente de 1975".

A forma como a sua história foi apropriada pela literatura de cordel, vendida nas feiras e romarias, mostra como o drama humano se transforma em lenda, misturando dor, resiliência e até um certo "humor trágico-marítimo", tão ao nosso gosto... E para mais ao som festivaleiro de um acordeão (*).

É fascinante (e comovente) pensar que, enquanto era dado como morto e até enterrado, numa cova funda do cemitério da sua terra, na Maia, ele estava vivo, incomunicável, prisioneiro do PAIGC, em Conacri e depois no Boé, acabando em setembro de 1974 por regressar para visitar a sua própria campa. Macabro, insólito, miserável!

Essa dualidade entre a morte simbólica e a vida real é um tema poderoso (quase shakespeariano, se quisermos armar ao pingarelho, citando uma referência erudita!) e reflete bem as contradições da guerra e do pós-guerra.

2. Dez anos passaram sobre a morte definitiva (!) de António da Silva Baptista, mas a sua história continua a ecoar como uma das mais singulares, e também mais inquietantes, da guerra na Guiné. 

De facto, não é apenas a história de um homem que sobreviveu ao doloroso cativeiro: é a história de alguém a quem a própria sociedade declarou morto antes do tempo, e a quem o exército "escamoteou" a identidade (e o "patacão" que lhe era devido).

Na emboscada de 17 de abril de 1972, em Quirafo, junto ao Corubal, perdeu-se o rasto de um jovem soldado da CCAÇ 3490. Para o exército, para a burocracia militar, para a comunidade e para a família que aguardava notícias, a conclusão foi rápida: morto em combate. Houve luto, houve funeral (por troca com os restos mortais do António Ferreira!), houve uma campa aberta na sua terra, Moreira, Maia.

Assim terminou oficialmente a vida de António da Silva Baptista, pelo menos no papel.

Mas, enquanto o seu nome era inscrito na lista dos mortos, ele continuava vivo. Prisioneiro do PAIGC, primeiro em Conacri e depois no Boé (e depois novamente para lá fronteira), viveu dois anos e tal de silêncio, dor e invisibilidade. Esse hiato, esses dias e noites apagados da cronologia oficial, são talvez a parte mais dramática da sua história: não apenas o sofrimento do cativeiro, mas o facto de ter sido apagado da vida civil e militar, como se tivesse deixado de existir.

Graças ao nosso blogue (e sobretudo à persistência e às diligências de camaradas nosso como o Álvaro Basto, o Paulo Santiago, outros como a malta da Tabanca de Matosinhos),  foi possível ajudar a recuperar a dignidade e a honra de um camarada nosso que conheceu o inferno na terra (a emboscada do Quirafo, o massacre dos camaradas, os tiros de misericórida na nuca, a morte anunciada, a prisão, o pelotão de fuzilamento, a libertação, o regresso ao outro mundo, a visita à sua própria campa, o pesadelo kafkiano da peluda, a recuperação do BI, a atribuição das pensões, etc....).

Quando regressou, em setembro de 1974, já depois do 25 de Abril, trouxe consigo um paradoxo quase literário, próprio de um "romance do absurdo": o homem que regressou para visitar a própria campa (!). 

Poucas imagens dizem tanto sobre a guerra colonial e sobre o caos do tempo que se seguiu. A realidade, por vezes, escreve histórias que parecem saídas de um romance de Kafka ou de uma peça de  Shakespeare... 

O Batista foi um homem vivo que teve de provar que não estava morto!

Talvez por isso a sua história tenha corrido feiras e romarias, transformada em literatura de cordel e cantada ao som de acordeão. O povo tem esse modo peculiar de lidar com o drama: mistura a tragédia com o espanto, a dor com uma ponta de humor trágico. Assim foi perpetuada  a figura do “morto-vivo” (como os jornais do Norte o chamaram, a que a própria televisão retomaria mais tarde).

Mas por detrás do "faits-divers", da "anedota popular" que deu dinheiro a ganhar a feirantes,  havia um homem real, um camarada que carregou o peso de uma vida interrompida duas vezes: primeiro quando o deram como morto; depois quando, regressado, teve de reconstruir a sua identidade e a sua memória.

Recordá-lo hoje é mais do que recordar um episódio insólito. É lembrar um dos muitos destinos improváveis que a guerra produziu: vidas suspensas, histórias mal contadas, homens que ficaram presos entre a história oficial e a memória vivida (e sofrida).

E talvez seja por isso que a história de António da Silva Baptista continua a tocar-nos e é hoje tema desta efeméride (***): porque nos lembra que, às vezes, a guerra não mata apenas os corpos, também pode matar, ou tentar matar, a própria existência de um homem, naquilo que ele tem de mais precioso: a "alma", a identidade, a memória...

_______________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 23 de março de 201 > Guiné 63/74 - P15894: In Memoriam (247): António da Silva Batista (1950-2016)... A segunda morte (esta definitiva!) de um camarada a quem carinhosamente chamávamos o "morto-vivo do Quirafo". O funeral é amanhã, às 15h45, na igreja de Santa Cruz do Bispo, Matosinhos

(**) Vd. postes de:

29 de março de 2016 > Guiné 63/74 - P15911: (Ex)citações (306): A propósito da última troca de prisioneiros, em Aldeia Formosa, no dia 14 de setembro de 1974....Prisioneiros, não, "retidos pelo IN"...

11 de dezembro de 2011 > Guiné 63/74 - P9181: Troca dos últimos prisioneiros: 35 guerrilheiros do PAIGC e 7 militares portugueses (III Parte) (Luís Gonçalves Vaz)

22 de julho de 2007 > Guiné 63/74 - P1983: Prisioneiro do PAIGC: António da Silva Batista, ex-Sold At Inf, CCAÇ 3490 / BCAÇ 3872 (1) (Álvaro Basto / João e Paulo Santiago)



(***) Último poste da série > 14 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27734: Efemérides (383): O dia 14 de Fevereiro é para mim mais que "o Dia dos Namorados”, é o ‘Dia da Amizade” (João Crisóstomo, ex-Alf Mil Inf)

5 comentários:

Victor Costa disse...

Na semana passada foi enterrado o Fuzileiro Manuel Paiva Caieiro, natural de Stª Luzia de Lavos. Continuou a beber pensando talvez, que as suas memórias passavam. Conseguiu resistir todos estes anos, graças á dedicação e paciência da sua esposa que nunca o abandonou.

O Estado Português sabe exigir, mas nâo respeita, não proteje, nem dá valor aos seus combatentes nem as suas esposas.

Anónimo disse...

Paulo Santiago, há dez anos, na sua página do Facebook
23 de março de 2016, 19:54
·
António Batista.
Descansa em paz!
Em 17 de Abril de 1972,na zona de intervenção onde estava colocado,lá na Guiné,houve uma emboscada com vários mortos e feridos.Alguns corpos estavam irreconhecíveis,e a um deles foi dado o nome do Soldado António Batista,cuja família recebeu a respectiva urna,em Julho de 72,procedendo ao funeral,com honras militares,como era devido.
Em Setembro de 74,o António Batista,sepultado na Maia,a quem a família fizera o luto,apareceu em Lisboa incluído num grupo de militares que tinham estado prisioneiros do PAIGC.
Acontecera uma trágica troca...um Soldado "morto" estava vivo,e um desaparecido,estaria morto.
Com outros camaradas,fomos em 2007,em busca do Batista.Apareceu-nos,sem revolta,mas muito envelhecido,tivera história nos jornais de 74,com foto junto da "sua" campa,mas mais ninguém lhe ligara puto.Não tinha estatuto de "Prisioneiro de Guerra" nem uma Caderneta Militar actualizada.O camarada Alvaro Basto,foi incansável,conseguiu-lhe o estatuto de prisioneiro que aquele Homem (que andara largos meses,após Set/74 com um único documento de identificação,uma Certidão de Óbito) merecia.
Hoje,infelizmente,é verdade...morreu o António Batista.
Que descanse em paz!

Luís Dias disse...

Quando o BCAÇ3872, onde pertencia a companhia do Batista, em Março de 1974, aguardava no Cumeré a ordem de embarque para a Metrópole, soube-se que um soldado atirador da CCAÇ3489/Cancolim,(também do BCAÇ3872) José António de Almeida Rodrigues, que se pensa ter sido “apanhado” quando saiu para o mato sozinho ao encontro do seu GC (outros pensam que se entregou ao PAIGC)fugiu aos guerrilheiros, já no final da nossa comissão e conseguiu chegar ao aquartelamento do Saltinho, sendo levado para Bissau, onde ficou sob detenção. Foi este militar que primeiro informou que fugiu porque alguém do PAIGC lhe disse que o seu Batalhão já estava em Bissau para ir para Portugal e que nos referiu, julgo que ao então Major Moreira Campos, que o Baptista (conhecido pelo morto-vivo, porque se fez o seu enterro na freguesia donde era original) estava prisioneiro do PAIGC. Portanto a partir desse momento já se sabia que ele estava a vivo. O Baptista seria libertado uns meses depois (Setembro de 1974), após troca de prisioneiros. É conhecida a foto que veio publicada em diversos jornais, onde se vê o Baptista a olhar para a sua própria campa no cemitério da sua terra. Estes dois elementos faleceram em 2016, com um intervalo de poucos dias um do outro.
Luís Dias (Ex-Alf.Milº Infª/CCAÇ3491/BCAÇ3872

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Obrigado, Luís Dias. fizeste bem em recordar também o caso do teu/nosso camarada de Cancolim, o Zé António Almeida Rodrigues, companheiro de infortúnio do António da Silva Batista. Recordo o poste P15985:

18 de abril de 2016
Guiné 63/74 - P15985: Tabanca Grande (484): José António Almeida Rodrigues (1950-2016), grã-tabanqueiro nº 713, a título póstumo

(...) Por estranha coincidência, o Rodrigues e o Batista morreram no mesmo dia (!), ambos com 66 anos feitos, e foram companheiros de cativeiro (nas prisões do PAIGC em Conacri, Boé e Boké). A história do Batista é conhecida, até porque o seu caso teve alguma mediatismo, foi falado nos jronais e na televisão. E sobretudo no nosso blogue, onde tem cerca de meia centena de postes. A história (não menos triste) do Rodrigues, essa, era-nos desconhecida, até ao dia em que o A. Marques Lopes e o José Manuel Lopes, da Régua, nos deram a conhecer o seu caso : é o único prisioneiro, português, do PAIGC, que conseguiu, sem qualquer ajuda, evadir-se (do campo onde estava internado, na região do Boé) e chegar até ao nosso aquartelamento do Saltinho (, sede da CCAÇ 3490, a subunidade a que pertencia o Batista).

A história do Batista e do Rodrigues são distintas mas têm pontos em comum. Ambos foram feitos prisioneiros no mesmo ano (1972), com uma diferença de escassos meses (um em abril, outro em junho) e na mesma região (no sul da zona leste, setor de Galomaro)... Estiveram ambos na prisão Montanha, em Conacri, sendo depois transferidos, a seguir ao assassinato de Amílcar Cabral, para um campo de detenção na região do Boé.

Foi aqui, em 7 de março de 1974,. que o Rodrigues ensaiou, com sucess, a sua fuga de 9 dias e 9 noites, uma odisseia em que o Batista, embora aliciado, não o quis acompanhar... O Batista será entregue às autoridades portuguesas só a 14 de setembro de 1974, no processo de troca de prisioneiros.. O Rodrigues chegou mais cedo a casa, mas o resto da sua vida será um inferno.

Ambos não viviam muito longe um do outro, o Batista na Maia, e o Rodrigues na Régua. O Batista era membro da nossa Tabanca Grande e participou, pelo menos, num dos nossos encontros anuais, na Ortigosa, Monte Real, em 2010. Também pertencia à Tabanca de Matosinhos onde foi sempre muito acarinhado. (...)

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Mais um excerto desse poste, P15985:

(...) Está na altura de reparar uma injustiça: a de resgatar o bom nome e a memória do Rodrigues que as NT (e até alguns camaradas do seu batalhão) chegaram a dar como "desertor".

O Rodrigues passa, a título póstumo, a integrar a nossa Tabanca Grande, de acordo com a proposta do seu conterrâneo, camarada e amigo, José Manuel Lopes. É um ato de elementar justiça e a nossa maneira de homenagear um dos nossos, que muito sofreu em vida, na guerra e depois no regresso a casa.

Pelas pesquisas que fizemos, a verdade é que não há resgisto do seu nome, pelo menos no Arquivo Amílcar Cabral (*), como prisioneiro e muito menos como desertor. O que sabemos, por conversas com o Batista e com o Zé Manel Lopes, é o que o Rodrigues, rebelde, insubmisso, indisciplinado, causava problemas também aos seus carcereiros, e não apenas aos seus superiores hierárquicos (quando estava em Cancolim). Na melhor oportunidade, quando a vigilância dos guardas do PAIGC abrandou, ele conseguiu fugir, de canoa, de noite, escondendo-se de dia, ao longo das margens do Rio Corubal, entre a região do Boé e o Saltinho...

O Zé Manel Lopes, que mais do que camarada para com ele, foi amigo e irmão, ajudou-o a sair da miséria e do abandono em que vivia na Régua (até pelo menos ao ano de 2011), já aqui nos contou a história do Rodrigues, uma história de infortúnio e de coragem.

Consultados os nossos editores e colaboradores permanentes, não há objeções a que o nome do Rodrigues passe agora a figurar, sob o nº 713, na lista alfabética dos membros da Tabanca Grande. Tendo morrido há pouco tempo, vai diretamente para a lista dos que "da lei da morte já se libertaram". Compete-nos a nós, que ainda andamos por cá, lembrá-lo e honrar a sua memória.

Que a terra da tua terra, Zé Rodrigues, ao menos, te seja leve!. (...)