Guiné > Região do Oio > Bissorã > BCAÇ 2861 (1969/70) > 1970 > "À esquerda o alferes graduado capelão Augusto Batista, à direita o ten cor inf Polidoro Monteiro (já falecido), cmdt do batalhão. Foto tirada em dia de festa balanta,,, Por detrás, a Casa Gardete, do comnerciante José Gardete Correia,m pai dio médico e deputado pelo círculo da Guiné Manuel Gardete Correia. No primeiro andar da Casa, então utilizada como quartos dos oficiais, a senhora que está à varanda era a esposa do capitão, comandante da CCS.
Foto (e legenda): © Armando Pires (2009). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. O último comandante do BART 2917 (Bambadinca, 1970/72), João Polidoro Monteiro, infelizmente já falecido, merece ser aqui destacado, na série Humor de Caserna, subsérie O Anedotário da Spinolândia, por ter ficado na na nossa memória, pela sua liderança, pela sua personalidade, pelas histórias que deles se contavam, pela interação que teve com alguns de nós, malta da CCS/BART 2917, e subunidades de quadrícula, além da CCAÇ 12, Pel Caç Nat 53...
| Armando Pires, Monte Real, 2014 |
− Não me tomem por periquito, que de guerra venho eu farto.
Depois, a ordem que obrigava todos os militares a andarem devidamente fardados e ataviados quando não em serviço (???).
Se esta não fosse já um mimo, a cereja em cima do bolo veio de seguida. Íamos fazer exercícios de protecção ao aquartelamento. Poupo-vos ao relato e consequências, embora fossem de ir às lágrimas.
Já mais tarimbado na função, o Paulo Santiago, ex-comandante do Pel Caç Nat 53, aqui nos relatos da Tabanca Grande mostra-o, ao Polidoro, numa foto tirada nas margens do Geba, ali no Mato Cão, exibindo um magnífico troféu de caça.
Com a mais respeitosa vénia ao Santiago, recoloco aqui a tal foto, ao lado de uma outra tirada por mim, em Bissorã, pedindo-lhes que descubram a semelhança.
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| ´ David Guimarães, Guiné-Bissau, 2001 |
Perguntava eu, bem perfilado, ao Polidoro Monteiro:
− Meu comandante, a nossa missão é ir ensinar o caminho a esta gente...Proponho que ensinemos o início dos caminhos por onde passamos tantas vezes....
Resposta:
− Vai-te f*der, seu car*lho, quero que lhes ensinem a toca....
Deu em riso, como é evidente....
O Polidoro Monteiro foi o único tenente-coronel que usava arma e eventualmente percorria um pedaço de caminhos connosco... Gostava muito de passear no Xitole, pois de manhã gostava de ir até Cussilinta, ao banho, no Corubal, e à noite ir à caça às lebres que iam para junto da mancarra (amendoím], na Tabanca de Cambessé, à guarda do aquartelamento do Xitole....
Sempre vi nele um bom militar e era da inteira confiança de Spínola.... Aliás ele era tenente-coronel de infantaria e foi colocado por Spínola em Bambadinca para ir comandar o BART 2917, em substituição do ten-cor art Magalhães Filipe, que era o comandante inicial do Batalhão (...).
A gota de água para retirar o comando ao Magalhães Filipe foi a operação na Ponta do Inglês onde morreu aquela secção do Cunha [da CART 2716, do Xime]...
Ainda sobre o Polidoro Monteiro... Um dia ele manda um rádio para o Xime com a seguinte nota:
Luís Graça e Humberto Reis: vocês já não estavam lá, creio, mas que isto se passou, passou... O Polidoro era assim, um bom comandante, a nível operacional... Dizia quantas asneiras havia no dicionário... Muito operacional mas bom sujeito... Vocês conheceram-no ainda (...).
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Paulo Santiago, Pombal, 2007 |
Não sei a razão, mas em Bambadinca, havia, como dizer?, uma certa cumplicidade entre mim e o Polidoro. Entendíamo-nos muito bem, já o mesmo não acontecia com o 2º comandante, o [major art] Anjos de Carvalho, um militar emproado, bom para andar na parada, esperando ver um militar com menos atavio, ou que se esquecesse da continência, para de imediato lhe foder a vida.
Agora vou "entrar" com o Armando quando cita aquela apresentação do Polidoro ("Não me tomem por periquito que de guerra venho eu farto").
− Car*lho..., não me tomem por periquito que de guerra venho eu farto ?!
Agora, ainda a propósito da foto, reparem no outro personagem, o alf mil médico Vilar, ja "completamente apanhado" na altura (e hoje... psiquiatra). Olhem para a arma que ele segura: é uma carabina de caça 22...Não é que ele lhe acoplou aquela imensa baioneta (comprada na Feira da Ladra) de uma Kropatschek ?! (...)
4. Comentário do editor LG:
Companhias de quadrícula do BART 2917 (Bambadinca, Setor L1, maio de 1970/março de 1972, ) (comandado por ten cor art Domingos Magalhães Filipe, e depois por ten cor inf João Polidoro Monteiro):
(i) CART 2714, sita em Mansambo (Cap art José Manuel da Silva Agordela);
(ii) CART 2715, sita no Xime (Cap art Vitor Manuel Amaro dos Santos, 1944-2014; alf mil art José Fernando de Andrade Rodrigues; cap art Gualberto Magno Passos Marques; cap inf Artur Bernardino Fontes Monteiro; cap inf José Domingos Ferros de Azevedo)
(iii) CART 2716, sita no Xitole (Cap mil art Francisco Manuel Espinha de Almeida) (...).


























