Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
Pesquisar neste blogue
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Guiné 61/74 - P28070: Parabéns a você (2492): João Moreira, ex-Fur Mil Cav da CCAV 2721 (Olossato e Nhacra, 1970/72)
Nota do editor
Último post da série de 31 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28061: Parabéns a você (2491): Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52 (Missirá e Bambadinca, 1968/70)
quarta-feira, 3 de junho de 2026
Guiné 61/74 - P28069: Efemérides (395): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partiu o T/T Niassa para o CTIG - Parte VI: CCAÇ 2591/CCAç 13, "Os Leões Negros" (1969/71)
Foto do álbum de Adriano Silva, ex-fur mil, CCaç 13 (a companhia passou por Bissau, Bolama, Bissorã, Encheia, Binar e Biambi;foi substituída, em Binar, em finais de março de 1970, pela CCAÇ 2658, que terá mais tarde, numa coluna de Nhamate a Binar, 8 mortos.
Foto: Cortesia de Carlos Fortunato, ex-fur mil, CCAÇ 13 (1969/71), o melhor sítio na Net sobre companhias individuais que estuveram no CTIG > Guerra na Guiné - Os Leões Negros > CCAÇ 13, Binar, 1970
1. Uma das companhias que seguiu connosco (CCAÇ 2590 /CCAÇ 12) no T/T Niassa, com destino à Guiné, em 24 de maio de 1969 (fez agora 57 anos), foi a CCAÇ 2591 (será extinta em 18 de janeiro de 1970, dando origem à CCAÇ 13).
Infelizmente temos escassas referências à CCAÇ 2591. Alguma informação estava disponível no sítio criado e administrado pelo nosso amigo e camarada Carlos Fortunato: CCAÇ 13 -Os Leões Negros: Memórias da Guerra na Guiné (1969/71), já há muito descontinuado. Felizmente foi recuperado, como arquivo morto, podendo ser consultado aqui, no Arquivo.pt:
https://arquivo.pt/wayback/20100531194155/http://leoesnegros.com.sapo.pt/index.html
2. Comecemos pelas fichas de unidade das CCAÇ 2591 e CCAÇ 13
![]() |
Carlos Fortunato : tem cerca de uma centena de referências |
Companhia de Caçadores n.º 2591
Identificação: CCaç. 2591
Unidade Mob: RI 16, Évora
Cmdt: Cap Mil Art Álvaro Alberto Durão
Divisa: "Conduta brava e em tudo distinta"
Partida: Embarque em 24Mai69; desembarque em 30Mai69 | Extinção em l8Jan70
A subunidade foi constituída com quadros e especialistas metropolitanos e enquadrou pessoal natural da Guiné, da etnia Balanta, tendo efectuado a 2ª fase da instrução de formação no CIM, em Bolama,
Em 05Nov69, foi colocado em Bissorã, como força de intervenção e reserva do BCaç 2861, tendo sido empregada em várias acções, patrulhamentos e emboscadas nas regiões de Namedão, Cate e Camã.
Em Jan70, destacou dois pelotões para Binar, a fim de efectuar a segurança e protecção dos trabalhos da estrada Binar-Nhamate.
Em 14Jan70, a subunidade foi colocada em Binar, a fim de colaborar nos trabalhos de recuperação das populações da área da península de Encherte e na instalação e autodefesa dos reordenamentos.
Em 18Jan70, a subunidade passou a designar-se CCaç 13, sendo subunidade de guarnição normal, a partir daquela data.
Observações - Não tem História da Unidade.
Fonte: livro Resenha histórico militar das Campanhas de África, 7º Volume, Fichas das Unidades, Tomo II - Guiné
Companhia de Caçadores n.º 13
![]() |
Carlos Prata, membro da Tabanca Grande desde 24/11/2011 |
Identificação: CCaç 13
Cmdts:
- Cap Mil Inf Álvaro Alberto Durão
- Alf Mil Inf (Ranger) Adelino Manuel de Almeida Pimenta Correia
- Cap Mil Inf João Carlos Carvalho de Castro
- Cap Mil Cav (Ranger) Carlos Matos de Oliveira - 06/72 a 03/74
- Cap Cav Carlos Alberto Duarte Prata - 03/74 a 04/74(?)
- Cap Mil Inf Humberto Manuel Teixeira Gonçalves de Figueiredo - 05/74(?) a 08/74
Continuou instalada em Binar, então orientada para a segurança e protecção dos trabalhos dos reordenamentos da península do Enxerte, tendo estabelecido o seu estacionamento em Nhamate, a partir de 02Fev70, com os seus pelotões disseminados por Manga, Encherte e Unche.
Em 14Mar70, substituída no subsector de Nhamate pela CCaç 2658, foi colocada em Bíambe, passando então à dependência directa do CAOP l como subunidade de intervenção e reserva daquele comando e, a partir de 30Mai70, do BCaç 2861., tendo tomado parte em diversas operações realizadas nas regiões de Encherte, Queré, Chaté-Inquida e Mores, entre outras.
Em 12Jun70, foi deslocada para Bissorã, a fim de assumir a responsabilidade do respectivo subsector, em. substituição da CCaç 2.444, ficando integrada no dispositivo e manobra do BCaç 2861 e sucessivamente do BCaç 2927, do BCaç 4610/72 e do BCav 8320/73.
Em 20Ago74, foi desactivada e extinta.
do AHM).
o_________________
Último poste da série > 30 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28060: Efemérides (394): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partiu o T/T Niassa para o CTIG - Parte V: Menos de dois meses depois, a guerra acaba para o Sori Jau, o Braima Bá e o Udi Baldé, os primeiros feridos graves da CCAÇ 2590/CCAÇ12, em Madina Xaquili
Guiné 61/74 - P28068: S(C)em comentários (89): O "ouro branco" do caju e a "Suiça Africana (Cherno Baldé / António Rosinha)
1.1. Cherno Baldé:
O autor e editor do texto (LG) fala da produção do caju pós-colonial como se tratasse de uma visão e orientação económica bem construída e aplicada no terreno. Não há nada mais errado.
A ideia apareceu na época colonial, provavelmente nos anos 40/50, a década da visão abrangente de longo prazo e de todas as obras de infraestruturas no território iniciadas com o consulado do Sarmento Rodrigues.
O que aconteceu no pós-25A74 é uma completa desordem na economia. O PAIGC não tinha uma política económica definida, o regime do Luís Cabral, um grande sonhador e voluntarista, quis transformar um país recém-independente, agrário, desprovido de quadros técnicos e de especialistas e sem infraestruturas, num país industrializado, com fábricas e numa aventura de substituição de importações.
Os camponeses, que eram o pilar da economia colonial, foram completamente ignorados, o sistema produtivo, de fomento e captação vs distribuição através da rede de lojas e armazéns no mato em que se apoiavam, foi desmantelado na tentativa forçada de criação de uma nova rede controlada pelo Estado (Armazéns do Povo), o que desincentivou a produção do amendoim em larga escala.
Como uma desgraça nunca vem só, então a facilidade da sua produção, aliada ao volume das receitas, acabou por conquistar a totalidade do território e familias, e com isso levar ao abandono das outras culturas, inclusive alimentícias como os campos de arroz e milho.
1.2. António Rosinha:
"Os camponeses, que eram o pilar da economia colonial, foram completamente ignorados", diz o Cherno.
A lavoura salazarista do azeitinho, da corticinha, da sardinhinha... termos que atiravam à cara dos transmontanos, beirões, minhotos, algarvios e madeirenses, não era para eles.
Isso do óleo de palma, amendoim, caju...isso não era para eles.
O Luís Cabral e seus irmãos das outras colónias sonhavam mais alto. Luís Cabral queria industrializar, mesmo depois dele ainda ficou aquela de que a Guiné ia ser a "Suíça africana",
Só mesmo os barcos da Sogeral (CUF) com tripulação cabo-verdiana, gastava gasóleo para se desviar da rota de Luanda e subir o Geba até Bissau para levar uns tantos barris de vinho e aproveitava e carregava uns tantos tambores de chabéu para as suas fábricas de sabão do Barreiro.
Sem CUF e sem cabo-verdeanos não havia ânimo para uma segunda Guiné. (**).
quarta-feira, 3 de junho de 2026 às 00:14:00 WEST
(Revisão / fixação de texto, título: LG)
________________
(*) Vd. poste de 2 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28066: Guiné-Bissau, hoje: factos e números (7): caju, a nova "semente do diabo" ? - Parte I
Guiné 61/74 - P28067: Guiné-Bissau, hoje: factos e números (8): caju, a nova "semente do diabo" ? - Parte II
1. O cajueiro (Anacardium occidentale), ainda não era muito abundante na Guiné, no nosso tempo, na época da guerra colonial (1961/74).
É uma planta tropical deveras interessante, tanto do ponto de vista botânico como económico.
O cajueiro é originário do Nordeste do Brasil, especialmente das zonas costeiras entre os estados do Maranhão e do Rio Grande do Norte.
Foram os navegadores portugueses que, a partir do século XVI, o levaram para África e para a Índia, onde se adaptou extraordinariamente bem.
Hoje, muitos africanos (a começar pelos nossos amigos guineenses) pensam que o caju é uma planta autóctone. Na verdade, trata-se de uma das mais bem-sucedidas "exportações" biológicas realizadas pelos portugueses durante a expansão marítima.
O nome científico Anacardium deriva do grego kardia , que quer dizer "coração" ( devido à forma da fruta).
É conhecido pelos nomes derivados do original da língua tupi, akaîua: caju, acajaíba, acajuíba, caju-comum, cajueiro-comum, cajuil, caju-manso, cajuzeiro e ocaju.
Em Moçambique é ainda conhecido como mecaju e mepoto. O nome inglês cashew é derivado da palavra portuguesa, de pronúncia similar, caju, do tupi acaju.
Na Venezuela, o cajueiro é denominado merey, mas em outros países da América Latina é chamado marañón, provavelmente devido ao nome da região onde foi visto pela primeira vez, o estado brasileiro do Maranhão.
O cajueiro anão anda em média nos 4 metros de altura.
- a castanha de caju (a semente);
- o pedúnculo carnudo ("maçã de caju"), consumido fresco ou em sumos;
- aguardentes e licores (como a célebre "feni" de Goa, o "vinho de caju" da Guiné-Bissau e do Brasil);
- madeira;
- cascas;
- óleo da casca da castanha (utilizado na indústria química).
Em 1964, o caju era de reduzida ou quase nula importância. A economia agrícola colonial estava centrada no amendoim, coconote, óleo de palma, arroz e mais algumas culturas alimentares (sorgo, milho, fundo, mandioca...).
Depois da independência, e sobretudo a partir dos anos 1980, o Estado guineense e os organismos internacionais (FMI, Banco Mundial) incentivaram fortemente a expansão dos cajueiros. O país precisava desesperadamente de dívisas.
O resultado foi impressionante:
- cerca de 90% das famílias rurais dependem hoje do caju;
- o caju representa aproximadamente 90% das exportações do país;
- as exportações ultrapassaram recentemente as 250 mil toneladas anuais;
- a maior parte da produção segue para a Índia e para o Vietname, onde a castanha é descascada, processada e reexportada com muito maior valor acrescentado.
A Guiné-Bissau produz enormes quantidades de castanha bruta mas transforma localmente apenas uma pequena fração. Ou seja:
- exporta matéria-prima ( como no tempo do colonialismo);
- importa pouco rendimento industrial;
- cria relativamente poucos empregos industriais.
- políticas agrícolas dos governos pós-independência;
- projetos do Banco Mundial e de outras agências internacionais;
- interesse dos comerciantes indianos;
- extraordinária adaptação da espécie aos solos pobres e ao clima guineenses.
- dá pouco trabalho, exige relativamente poucos cuidados;
- funciona como uma espécie de "conta bancária ao viva";
- produz castanhas vendáveis todos os anos.
Durante os anos 1950 e 1960, Moçambique era um dos maiores produtores mundiais de castanha de caju. Existiam fábricas de descasque e processamento que empregavam milhares de trabalhadores.
Depois da independência, a guerra civil e várias políticas económicas desastrosas provocaram o colapso de grande parte da indústria.
Nos últimos anos tem havido alguma recuperação, sobretudo nas províncias de Nampula, Zambézia e Cabo Delgado.
A expansão do caju na Guiné-Bissau teve efeitos contraditórios, uns positivos, outros negativos:
- rendimento monetário para centenas de milhares de camponeses;
- reflorestação parcial de algumas áreas;
- redução da erosão dos solos.
- substituição de culturas alimentares (nomeadamente, arroz, milho...)
- dependência excessiva de um único produto;
- vulnerabilidade aos preços internacionais, às flutuações do mercado ao envelhecimento dos pomares e ás alterações climáticas;
- trabalho infantil (e feminino) na apanha e processamento artesanal, problema que continua a ser denunciado por várias ONG e outras organizações.
Muitos de nós, antigos combatentes, que servimos na Guiné nos anos 1960 e início dos anos 1970, passámos por extensas áreas onde praticamente não existiam cajueiros.
Em poucas décadas, o cajueiro transformou-se numa das marcas da paisagem rural guineense, mais emblemática aínda do que a do amendoim na época colonial (cuja área de cultivo seria da ordem dos 100 mil hectares).
Eis um tema que vamos continuar a desenvolver no nosso o blogue: como a Guiné passou, em meio século, de um território onde o caju era marginal para uma economia quase inteiramente dependente da castanha de caju.
terça-feira, 2 de junho de 2026
Guiné 61/74 - P28066: Guiné-Bissau, hoje: factos e números (7): caju, a nova "semente do diabo" ? - Parte I
- Amendoim > 31,4 mil toneladas | 107,8 mil contos | 3,4 contos por tonelada
- Coconote > 11,9 mil toneladas | 31,2 mil contos | 2,6 contos por tonelada
- Óleo de palma > 87,7 toneladas (1960/63) | 381 contos | 4,3 contos por tonelada
Segundo séries estatísticas da FAO, a produção de castanha de caju na Guiné-Bissau rondava apenas as 2 mil toneladas em 1961.
Um estudo histórico refere que as primeiras exportações documentadas ocorreram em 1966, e que nesse período o caju ocupava apenas o quarto lugar entre os produtos exportados, muito atrás do amendoim e do coconote. Em 1970 as exportações eram ainda da ordem das 1,2 mil toneladas.
Portanto, para 1964, a ordem de grandeza plausível será:
- poucos milhares de hectares (talvez 2 mil a 5 mil ha, mas esta estimativa deve ser tomada com muita prudência);
- produção anual na casa das 2 a 3 mil toneladas de castanha;
- praticamente nenhuma indústria local;
- peso económico insignificante quando comparado com o amendoim.
Hoje estamos noutra galáxia. A produção recente oscila entre 120 mil e 200 mil toneladas anuais, conforme os anos e as campanhas. Em 2024, por exemplo, foram reportadas cerca de 178 mil toneladas, das quais 163 mil toneladas exportadas.
A área plantada é frequentemente estimada entre 200 mil e 250 mil hectares, embora os números variem conforme as fontes e os critérios utilizados. O país tornou-se um dos maiores produtores africanos e o caju representa cerca de 90% das exportações
- era o principal produto de exportação da Guiné;
- representava 76% do total (em 1965, um pouco menos: 61%);
- área cultivada: 100 mil hectares (=25% do total);
- produção: c. 65 mil toneladas;
- rendimento médio: 0,65 toneladas por hectare;
- regiões de maior produção: Farim, Bafatá e Gabu.
3. Quem tomou a decisão política?
A questão é interessante porque não houve propriamente uma decisão única nem há um "pai do caju".
A expansão começou ainda no final do período colonial, quando a quebra da produção moçambicana abriu espaço no mercado internacional.
Mas a verdadeira transformação ocorreu após a independência.
Os governos do PAIGC, desde a década de 1970, favoreceram a plantação do cajueiro porque:
- era uma cultura resistente;
- exigia pouco investimento;
- dava rendimento monetário rápido às famílias rurais;
- permitia obter divisas num país com escassas exportações.
Durante os anos 1980 e sobretudo 1990, com os programas de ajustamento estrutural apoiados pelo FMI e Banco Mundial, o modelo consolidou-se: a Guiné-Bissau passou a exportar castanha em bruto, principalmente para a Índia e mais tarde para o Vietname.
Ou seja, a responsabilidade política é repartida entre:
- os últimos anos da administração colonial, que reintroduziram o produto nos circuitos comerciais;
- os governos do PAIGC pós-independência;
- as instituições financeiras internacionais (Banco Mundial, FMI) que incentivaram culturas de exportação.
4. Pergunta o leitor: foi um erro?
Não há um resposta simples. O caju trouxe benefícios reais:
- rendimento monetário para centenas de milhares de famílias;
- entrada de divisas;
- integração de regiões rurais na economia de mercado.
Mas os custos também são evidentes (ambientais, sociais, económicos, alimentares, etc.). Diversos estudos alertam para o avanço dos cajueiros sobre antigas áreas agrícolas e florestais e para a dependência excessiva de uma única cultura de exportação.
O problema maior não seria tanto o cajueiro em si, mas o facto de ele ter passado a dominar o sistema agrícola.
Quando o agricultor troca arroz, milho, sorgo, mandioca ou hortas por cajueiros, fica dependente de vender castanha para depois comprar alimentos.
Se o preço internacional cai ou se a campanha corre mal, a segurança alimentar deteriora-se rapidamente.
A Guiné-Bissau vive hoje uma espécie de paradoxo:
- exporta quase duas centenas de milhares de toneladas de castanha;
- mas continua a importar arroz em grandes quantidades.
Há algo de estruturalmente frágil nisto: o país passou de uma dependência colonial do amendoim ("mancarra") para uma dependência pós-colonial do caju. Mudou o produto, mas não desapareceu a lógica de especialização excessiva.
O desafio seria transformar o caju numa componente importante da economia, sem deixar que ele substitua as culturas alimentares tradicionais nem destrua os sistemas agroflorestais que durante séculos garantiram a subsistência das tabancas.
Essa é hoje uma das grandes questões económicas e ecológicas da Guiné-Bissau.
(*) Últiomo poste da série > 6 de junho de 2025 > Guiné 61/74 - P26890: A Guiné-Bissau, hoje: factos e números (6): Exportar caju e importar arroz: uma fatalidade?
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Guiné 61/74 - P28065: Fauna e flora (29): as cegonhas-brancas do Cabo Sardão, no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (Luís Graça)
Portugal > Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina > Odemira > Cabo Sardão > 30 de maio de 2026
Fotos (e legenda): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].1. No passado sábado, dia 29 de maio de 2026, de regresso do Algarve e percorrendo a Costa Vicentina e Sudoeste Alentejanio, até Sines, avistei e fotografei três ninhos de cegonhas brancas (Ciconia ciconia), em sítios incríveis, em rochas que se erguem a pique, sobre o mar...
A última observação minha fora feita em 2015 (se não erro) ... Pergunto-me: o que leva estas aves a fazer os seus pesados ninhos, no Cabo Sardão, que fica no concelho de Odemira, entre as praias de Zambujeira do Mar e Almograve no cima das arribas marítimas, a bastantes metros acima do mar, em locais perigosas e inóspitos, para elas próprias e para suas crias? De que é que se alimentam ? E quantos ninhos haverá mais, ao longo desta costa emblemática entyre o Cabo de São Vicente e o Cabo Sardão ?
Eis o resultado das pesquisas, rápidas, que fiz na Net, com recurso a diversas fontes, incluindo a uma ferramenta de IA (ChatGPT / Open AI):
2. As fotografias mostram um fenómeno muito especial do sudoeste de Portugal: as cegonhas-brancas a nidificar nas arribas marítimas da Costa Vicentina. Trata-se de um caso raro à escala mundial.
À primeira vista parece uma má escolha, mas para as cegonhas é exatamente o contrário (Foto nº 4). Os principais motivos são:
- proteção contra predadores terrestres: raposas, cães assilvestrados, javalis e outros predadores (não conseguem chegar facilmente a estas plataformas rochosas isoladas);
- escassa perturbação humana: as arribas são locais relativamente tranquilos durante a época de reprodução;
- disponibilidade histórica de locais de nidificação: ao longo de gerações, as cegonhas regressam frequentemente às mesmas zonas onde nasceram;
- vantagem de vigilância: de um ponto elevado conseguem observar uma grande área para procurar alimento e detetar perigos.
- quedas de crias devido ao vento;
- tempestades e mar agitado;
- colapso parcial dos ninhos;
- dificuldade de acesso em anos de condições meteorológicas adversas.
Curiosamente, os ninhos podem atingir mais de uma tonelada após muitos anos de reutilização e reforço.
Embora estejam junto ao mar, as cegonhas-brancas do Cabo Sardão não vivem apenas de recursos marinhos. A sua dieta é muito variada, sendo aves carnívoras e oportunistas:
- insetos grandes (gafanhotos, escaravelhos);
- lagartos e outros répteis (pequenas serpentes)
- ratos e outros pequenos mamíferos;
- anfíbios;
- minhocas;
- pequenos peixes;
- crustáceos (caranguejos...) e outros invertebrados costeiros;
- ocasionalmente restos de peixe encontrados perto da costa.
As zonas agrícolas e pastagens no concelho de Odemira fornecem grande parte do alimento para os adultos e para as crias.
A informação sobre a dieta resulta do conhecimento ornitológico estabelecido para a espécie Ciconia ciconia, amplamente documentado em guias de aves europeias e estudos científicos.
O número varia de ano para ano. Na costa sudoeste portuguesa, entre o litoral de Odemira e Vila do Bispo, costuma existir uma população reprodutora de algumas dezenas de casais, frequentemente entre 50 e 80 ninhos ativos, dependendo das condições anuais e dos censos realizados. (È uma estimativa baseada em números históricos da população nidificante da costa sudoeste; náo se encontrou uma fonte recente e oficial que confirme esse intervalo para 2025/2026.)
O VII Censo Nacional da Cegonha-branca (2024) foi realizado pelo ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e Florestas), integrado no Censo Mundial da espécie. mas os resultados detalhados por região parecem ainda não estar amplamente publicados.
O Cabo Sardão é um dos locais mais emblemáticos e visíveis desta população, mas os ninhos distribuem-se por vários quilómetros de arribas da Costa Vicentina.
O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina identifica expressamente a nidificação da cegonha-branca em falésias e arribas marítimas como uma das características marcantes da região, destacando, entre os locais emblemáticos, o Cabo Sardão (onde se situa o respetivo farol, cuja construção data de 1915; vd. foto nº 6).
As fotografias que tirei são muito interessantes porque mostram precisamente dois exemplos típicos dos chamados "palheirões" (fotos nºs, 1, 2 e 3), rochedos isolados junto às arribas onde estas cegonhas estabeleceram uma estratégia de nidificação praticamente sem paralelo no resto do mundo.
Além disso, os ninhos parecem estar em bom estado e ocupados por adultos em plena época de reprodução . O primeiro ninho, em particular, mostra bem a enorme estrutura de ramos acumulada ao longo de vários anos, típica das cegonhas que reutilizam o mesmo local sucessivamente.
Aqui há um valor frequentemente citado na literatura e em fontes de divulgação científica: erca de 40 ninhos/casais nidificando em rochedos marítimos no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.
É importante notar que este número aparece em várias fontes derivadas de censos anteriores e pode não refletir exatamente a situação de 2024 ou 2025
O que existe são referências de campo e observações continuadas indicando "vários ninhos" distribuídos pelas arribas e pelos "palheirões" (rochedos isolados) ao longo de alguns quilómetros de costa.
(iv) Evolução ao longo dos censos
A tendência geral da cegonha-branca em Portugal foi de crescimento muito forte nas últimas décadas. Por exemplo:
- em 2014 foram registados 11 690 ninhos ocupados em Portugal Continental durante o censo nacional;
- em 2024 decorreu o VII Censo Nacional, mas os resultados finais nacionais ainda não aparecem facilmente acessíveis nas fontes públicas que consultei.
Para a população específica das arribas da Costa Vicentina, as referências históricas apontam para:
- instalação inicial de poucos casais;
- expansão gradual ao longo do século XX;
- estabilização posterior em algumas dezenas de casais reprodutores.
A populaçãode cegonhas-brancas da Costa Vicentina é considerada a única, conhecida no mundo (ou pelo menos da Europa), que nidifica regularmente em arribas marítimas sobre o oceano (que podem chegar aos 40 metros).
(...) A cegonha-branca nidifica praticamente de norte a sul do país, sendo notoriamente mais comum a sul da bacia hidrográfica do rio Tejo, excluindo a serra de Monchique.
A norte ocupa a faixa litoral de forma quase contínua até Viana do Castelo e o interior ao longo da raia de Trás-os-Montes e Alto Douro e da Beira Alta, estando apenas ausente do distrito de Viseu.
É uma espécie generalista que utiliza um grande leque de habitats, como mosaicos de cereais de sequeiro, arrozais, pastagens e pousios, lameiros, montados abertos, mas também zonas húmidas como charcas, açudes, pauis, rios, ribeiras, lagoas costeiras e estuários.
Os ninhos são instalados em árvores (choupos, eucaliptos, pinheiros, freixos, azinheiras, sobreiros ou oliveiras), em edifícios (chaminés, telhados, ruínas, igrejas, silos), em postes de eletricidade, apoios dedicados e postes telefónicos ou escarpas fluviais.
Na costa sudoeste nidifica em falésias costeiras e palheirões, situação única na Europa. Pode nidificar tanto isoladamente como em colónias, quer monoespecíficas, quer partilhadas com garças e colhereiros.
É mais abundante no Alentejo e Ribatejo, regiões que concentram mais de 75% da população nacional. Os distritos de Beja, Évora e Setúbal são aqueles que apresentam as densidades mais elevadas a nível nacional.
É ainda muito abundante nos distritos de Castelo Branco e Faro e a norte, no baixo Vouga, na ria de Aveiro e no baixo Mondego.(...)
(Fonte: Excertos de Atlas das Aves Nidificantes de Portugal > Inês Catry > Ciconia ciconia, cegonha-branca) (com a devida vénia...)
O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina identifica expressamente a nidificação da cegonha-branca em falésias e arribas marítimas como uma das características marcantes da região, destacando o Cabo Sardão entre os locais emblemáticos. ICNF explica ainda que essa adaptação terá resultado da escassez histórica de árvores altas e construções, sendo os rochedos isolados os locais mais seguros contra predadores.
O portal oficial Natural.pt (gerido pelo ICNF) refere expressamente "cegonha-branca a nidificar nos rochedos e arribas marítimas (caso único no mundo)".
_________________
Nota do editor LG:
Último poste da série > 20 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28041: Fauna e flora (28): O "pis-cabalo", ou hipopótamo-comum (Hippopotamus amphibius): um futuro incerto: haverá, no máximo, umas 3 centenas na Guiné-Bissau
Vd. também poste de 16 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27824: Manuscrito(s) (Luís Graça) (284): a crise da habitação não é apenas dos humanos, é também das... cegonhas que se renderam ao "fast food" e já não migram para África!
Guiné 61/74 - P28064: In Memoriam (580): Major-general Paraquedista Heitor Hamilton Almendra (1932-2026): cerimónias fúnebres hoje, às 13h00, na Igreja da Força Aérea, em São Domingos de Benfica, seguindo depois o funeral para o crematório dos Olivais
Nascido em Zoio, concelho de Bragança, em 18 de dezembro de 1932, integrou a geração de militares que construiu e consolidou a arma paraquedista portuguesa, distinguindo-se tanto em campanha como em funções de comando.
Tem uma brilhante carreira militar (fez cinco comissões de serviço no ultramar, incluindo Timor, Angola, Guiné e Moçambique).
Após o 25 de Abril, desempenhou funções de elevada responsabilidade militar, comandando a Escola e o Corpo de Tropas Paraquedistas, e teve papel relevante nos acontecimentos de 25 de Novembro de 1975.
Segundo nota do sítio oficial da Presidência da República, "o Major-General Almendra foi o primeiro Oficial-General Paraquedista e goza de enorme prestígio no seio nas Forças Armadas, em especial junto das tropas paraquedistas. Ao longo da sua ilustre carreira militar recebeu inúmeras condecorações, destacando-se o grau de oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito e duas medalhas de valor militar com palma, uma grau ouro e outra grau prata".
As cerimónias fúnebres completam-se hoje, com missa de corpo presente às 13h00, na Igreja da Força Aérea (antigo convento de São Domingos de Benfica, Pupilos do Exército, Lisboa), seguindo o funeral às 14h00 para o Crematório dos Olivais.
Os votos de pesar da Tabanca Grande para a família enlutada e os antigos camaradas de armas.
Guiné 61/74 - P28063: III Viagem a Timor-Leste: 2019 (Rui Chamusco /ASTIL) - Parte VII: semana de 18 a 24 de março: aqui não há andorinhas a anunciar a Primavera
Rui Chamusco, professor de música, reformado, é cofundador e líder da ASTIL - Associação dos Amigos Solidários com Timor Leste: é ntauraç ds Malcata, Sabiugal; vive na Lourinhã; é membro da Tabanca Grande. |
1. Continuação da publicação de excertos das crónicas da III Viagem (2019) (*), de Rui Chamusco a Timor-Leste.
Já aqui publicámos excertos das crónicas da I viagem (2016), II (2018) e VI (e última) (2025).
Depois meteu-se a pandemia, e o Rui só voltou a Timor Leste em 2023 (IV viagem), e anos seguintes: 2024 (V viagem) e 2025 (VI viagem).
Este ano talvez lá volte, mas apenas pelo natal, se a saúde o permitir. Natural da Malcata, Sabugal, vive na Lourinhã, onde é professor de música, reformado. Teve há dias alta do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, estando a recuperar de uma delicada intervenção cirúrgica. Daqui vai um abraço meu, de amizade fraterna, com votos de rápida e efetiva recuperaçáo da saúde. Ruizinho, espero poder-te abraçar de novo, dentro de dias, na Lourinhã.
19.03.2019, segunda feira - 1º aniversário da inauguração da Escola São Francisco de Assis
Projeto de Solidariedade em Timor Leste - ASTIL
Faz hoje, dia 19 de março, um ano que a Escola São Francisco de Assis (ESFA) em Boebau foi inaugurada. Apenas com um ano de existência, muito se tem feito para que a ESFA vá caminhando, com passos certos, rumo à sua sustentabilidade e
funcionamento.
de Liquiçá.
Ainda sem capacidade de resposta para as 75 crianças inscritas inicialmente, a escola funciona com um grupo de 40 crianças que frequentam o ensino pre escolar, assistidas por duas auxiliares de educação com formação e estágios no “Mundo Mágico” de Dili, instituição credível que a educadora Diana Rebelo dirige, e que graciosamente nos apoia com toda a dedicação.
Ano após ano, iremos acrescentado as turmas de 1º, 2º, 3º e 4º anos de escolaridade, até atingirmos os nossos objetivos: uma escola de ensino pre escolar e primário, com eferências de ensino do programa do ministério, da língua portuguesa e da música.
A par da luta por estes objetivos, preocupa-nos a contratação e a fixação de
educador(a) de infância e de professores do 1º ciclo, a fim de garantirmos o
funcionamento pleno deste estabelecimento. Por isso vamos começar a campanha de angariação de fundos para a construção no local de uma casa para professores residentes, com as condições de habitabilidade necessárias, que nos permita motivar docentes a aqui exercerem as suas funções.
Quero uma vez mais agradecer a colaboração de todos os amigos e pessoas de boa vontade que ao longo destes três anos nos têm apoiado. Queremos continuar a merecer a vossa confiança. Este projeto de solidariedade é obra de todos nós. Com a participação de todos, e sobretudo com a ajuda de Deus, havemos de conseguir um mundo um pouco melhor, particularmente para estas crianças esquecidas das montanhas de Luiºçã / Manatti / Boebau e das famílias pobres deste país irmão.
CONTAMOS CONVOSCO!...
Rui chamusco
20.03.2019, terça feira - É primavera com certeza...
Esta é a estação do ano mais desejada. Porque a vida se renova na natureza, porque os rebentos, as flores e as folhas das árvores reaparecem, porque os dias vão crescendo, etc, etc... Assim, nós ocidentais, estamos acostumados a recomeçar de três em três meses cada uma das quatro estações do ano, e a sermos levados musicalmente por Vivaldi a ouvir “as quatro estações”, com destaque para “a sagração da Primavera”.
Pois é. Aqui por este extremo oriente, só contam duas estações: o verão e o inverno.
Da primavera e do outono nem sequer se fala. O que por cá marca a mudança é o
período das chuvas. De resto mal se nota se é inverno ou verão. No inverno como
chove quase todos os dias, são as enxurradas e os caminhos enlameados; no verão é a poeira e um pouco mais de calor.
Em todo o caso, prefiro soletrar a canção que todos os anos e cantava para os meus
alunos:
primavera / Com o sol sempre a brilhar./
21.03.2019, quarta feira - “ Entendeu?”... “Não, não entende!”
Pode ser caricato, mas é assim mesmo.
A mãe da Mércia (afilhada do amigo José Escada) veio a meu pedido falar comigo
para esclarecimento de uma situação do programa de apadrinhamento. Depois do
cumprimento habitual, perguntei à senhora:
− Sim. Um pouco.
Pelo sim e pelo não voltei a perguntar-lhe:
É assim. Em terra estrangeira, sem o domínio da língua dos falantes, quando tu pensas que disseste alguma coisa, não disseste nada. Apenas falaste...
22.03.2019, quinta feira - Tão longe e tão perto...
As novas tecnologias (computadores, telemóveis, facebooks, whatsapp,etc...) dão-nos possibilidades, mesmo aos mais velhos, de entrar em sintonia com os nossos amigos, independentemente da distância a que nos encontremos.
Vem isto a propósito do encontro do mês de Março que os professores aposentados do concelho de Sabugal organizam, percorrendo as terras deste território, e que inclui o almoço como alimento para o corpo e a visita cultural como alimento para o espírito.
Quis a organização que este mês fosse realizado em Malcata, terra que me viu nascer, crescer e viver intensamente ao longo deste setenta e dois anos que já conto.
Sendo eu um malcatanho ferrenho e um frequentador assíduo deste enconttros,
imaginem como vivi este acontecimento à distância. Tão longe e tão perto destes
meus amigos e de tudo o que neste dia por lá aconteceu.
22.03.2019 - Mensagem
![]() |
| Fundadores: Rui Chamusco, Glória Sobral e Gaspar Sobral |
Sei que hoje, terça feira, o almoço de convívio dos prof aposentados vai ser em
Malcata, na Tasca do Manel. Claro que, como grande apreciador destes almoços e
orgulhoso malcatanho, não poderia deixar de estar presente, ainda que ausente por grande distância. “Longe da vista, mas perto do coração.
Sei que, à semelhança da outra vez, a MariZé, a Isabel, o Manel e o Zé vão tudo fazer para que seja um almoço memorável. Eles são sempre assim: incansávéis em servir os seus clientes, e muito mais os amigos de sempre. Beijos e abraços para eles e, já agora, o vosso aplauso...
Eu por aqui vou lutando, neste momento com alguns problemas de saúde mas que estão a ser tratados. Como beirão genuíno, resisterei até que a carne os ossos
aguentem. Já lá vão 14 kg.
Neste momento temos lutado em várias frentes. Desculpai os termos “lutando”,
“lutado”, mais próprios de linguagem guerrilheira. Mas é assim que me sinto por aqui.
Somos os novos guerrilheiros, com outras armas, lutando por outras causas. A nossa grande arma é a solidariedade, que embora seja uma palavra desgastada, é a que melhor nos define. É para nós uma honra, e particularmente para mim, podermos contar com a vossa colaboração e sobretudo com a vossa amizade
No dia 19 próximo faz um ano que foi inaugurada a Escola São Francisco de Assis, em Boebau / Manati, nas montanhas de Liquiçá. Tem-nos sido difícil manter o seu funcionamento por diversas razões:
Por isso já tomamos a decisão de, quanto antes, começarmos a construção de uma casa para professores residentes e voluntários, que orçamentamos + ou - em 20 mil dólares. Talvez com esta infraestrutura a funcionar possamos resolver bastantes dos problemas que neste momento nos preocupam.
Está também em fase de construção, creio que em Maio estará concluída, a
reconstrução da casa de “família do Sr. Vitor” [um antigo guerrilheiro da FRETILIN] . O Colega Carlos Almeida poderá, se assim o entender, dar-vos mais esclarecimentos sobre esta causa solidária.
Também o programa de apadrinhamento de crianças/Jovens necessitadas (à volta de 50), me têm ocupado bastante tempo. Tento a todo o custo que as motivações que levaram ao apadrinhamento não esmoreçam, criando laços e pontes para que as relações entre padrinhos e afilhados se solidifiquem. Obrigado a todos o padrinhos e madrinhas aí presentes.
Desculpai estar a ocupar-vos tanto tempo com “as minhas coisas”. Mas, como estais na minha terra, senti-me no direito de vos chatear.
Se aí estivesse, de certeza que vos tocaria e cantaria a canção “carquejinha”. Assim não sendo, despeço-me com um GRANDE ABRAÇO para cada um de vós, e até que um dia Deus queira.
Hoje, em Malcata,
Rui da Ti Laurentina
Obs - Confesso-vos que, enquanto vos escrevia estas linhas, por diversas vezes limpei as lágrimas... Saudades, amizades? Mas “as coisas vulgares que há navida não deixam audades”...
(Revisão / fixação de texto, negritos, itálico, parènteses retos, título: LG)
________________________
Último poste da série > 18 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28032: III Viagem a Timor-Leste: 2019 (Rui Chamusco /ASTIL) - Parte VI: semana de 10 a 17 de março: a polícia e a pedagogia da chapada


















