(i) o Luís, de alcunha o "Beatle", empregado de hotelaria e restauração, nascido na Benedita, Alcobaça;
(ii) é mobilizado para a Guiné, indo formar batalhão, o BART 6521/72, no RAL 5, Penafiel (jun / set 1972);
(iii) não tendo sido "repescado" para o CSM, tira a especialidade de 1º cabo aux enf, em Coimbra, no RSS (Regimento de Serviços de Saúde) (jan/mai 1972);
(iv) parte para o CTIG, por via aérea (TAM), em 22/9/1972;
(v) no CIM de Bolama, faz a IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional.
(vii) um mês depois, em 25Nov72, assumiria a responsabilidade do subsector de Có, ficando os "periquitos" entregues a si próprios.
(viii) a 2ª C/BART 6521/72 também teve que adotar um nome de guerra, neste caso "Os Có Boys"; a companhia dos "velhinhos", que eles foram render, a CCAÇ 3308, eram os "Jagunços de Có";
Nas zonas dos grandes rios ( Cacheu, Mansoa, Geba, Corubal ) os hipopótamos sempre tiveram uma relação ambígua com as populações locais: animal respeitado ("sagrado", nos Bijagós, na ilha de Orango), por vezes temido, também é fonte ocasional de carne, gordura e couro.
Em tempos de escassez, um único hipopótamo podia alimentar uma tabanca inteira durante vários dias.
Quanto ao sabor, os testemunhos de caçadores, viajantes e populações africanas de várias regiões costumam descrevê-lo assim: (i) carne escura, vermelha, muito densa; (ii) textura firme, entre vaca brava e búfalo; (iii) sabor forte, “selvagem”, mas menos intenso do que o da caça grossa africana; (iv) para alguns, seria uma mistura de vaca e javali; (v) a gordura é apreciada em certos locais, mas pode ter um cheiro intenso; (vi) a carne dos animais mais velhos tende a ser dura, exigindo cozedura longa ou fumagem (em África, muitas vezes é seca ao sol ou fumada para conservação).
Na época colonial, alguns "tugas" consideravam a carne de hipopótamo como “boa para estufados” e “muito nutritiva”, embora não fosse propriamente um produto "gourmet".
Hoje, porém, o consumo está muito mais condicionado, por diversas razões: (i) o hipopótamo está legalmente protegido; (ii) há uma dominuição drática das população (outrora muito abundante na África Ocidental, as populações de hipopótamios da Guiné-Bissau representam atualmente o extremo ocidental da distribuição da espécie); (iii) continua a haver a pressão da caça furtiva; (iv) há cada vez mais riscos sanitários ligados ao consumo de carne selvagem, sob controlo veterinário; (v) os parques naturais, como o dos Tarrafes do Rio Cacheu e o de Orango, tentam preservar a espécie.
Curiosamente, na tradição bijagó, sobretudo em Orango, os hipopótamos têm também uma dimensão simbólica e espiritual muito forte, o que limita ou proíbe a caça em certas comunidades. Já no continente, a relação foi historicamente mais pragmática.
(*) Vd. poste da série > 19 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27749: Notas de leitura (1897): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte IX: o batismo de fogo numa das primeiras colunas de Teixeira Pinto - Pelundo - Bissau (Luís Graça)







1 comentário:
A nossa tropa não caçava hipopótamos. O PAIGC, sim. Dizimou-nos no rio Corubal (durante a guerra e depois). A carne e a gordura (além do couro...) eram recursos importantes no mato... Náo se faz a guerra sem proteína A fome era negra (sem conotação racista)... Havia milhares de bocas a alimentar na bacia hidrográfica do rio Corubal... O macaco-cão (e, em menor grau, o hipopótamo) deveria ser considerado também "Herói da Liberdade da Pátria", talvez com mais mérito do que outras figuras controversas...
"Do nosso lado", só esporadicamente lá se caçava um hipótomo ou outro que fazia "asneiras" (invadia os campos de arroz, era uma autêntica "bulldozer"...). Os caçadores eram locais. A tropa ajudava "rebocar" o bicho...
Um hipopótamo adulto pesa, em média, entre 1,3 a 1,8 toneladas, com os machos podendo atingir pesos superiores, frequentemente passando as 3 toneladas. Os machos mais velhos podem chegar a mais de 3,6 mil kg (havendo registos excepcionais de até 4,5 mil kg).
Temos fotos de hipótomos que apareceram mortos. Talvez por doença. No Cacheu.
No Rio Geba, nunca os vi (em 1969/71).
Quanto ao hipopótamo-pigmeu (Choeropsis liberiensis) é considerado extinto na Guiné-Bissau há cerca de 50 anos, com os últimos registos a remontarem ao final da década de 1950. Embora nativo da África Ocidental, a sua presença atual restringe-se à Serra Leoa, Guiné-Conacri, Costa do Marfim e Libéria, preferindo florestas densas.
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