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domingo, 31 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28062: Nomadizações de um marginal-secante (Luís Graça) (5): Lagos, entre o Infante Dom Henrique e el-rei dom Sebstião, entre o "ice-cream" e a "bica escaldada"









Algarve > Barlavento > Lagos > 27 de maio de 2026

Fotos (e legenda): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


Sem título. Ilustração: Luís Graça (1999)


1. Estou em Lagos, Barlavento, Algarve. Já não vinha aqui desde 1981. E mesmo quando estive em Tavira (em 1968), nunca aqui vim. Tenho, de um lado, a estátua de El Rei Dom Sebastião, datada de 1973, da autoria do João Cutileiro (1937-2021), e acho-a uma obra-prima da arte portuguesa do séc. XX; e por outro, a escassas centenas de metros, a estátua do Infante Dom Henrique, de estética "estado-novista", inaugurada em 1960 (é do escultor Leopoldo de Almeida, 1898-1975).

Lagos, apesar de tudo (do cilindro compressor do turismo e do camartelo camarário) ainda conserva um secreto encanto. E é um repositório da nossa memória.

Foi uma das nossas portas para o mundo, mas também uma das rotas da escravatura...Tal como o Cacheu, na Guiné. Visitei o museu. Como antigo combatente da guerra colonial, tive acesso de borla... Mas fico sempre "deprimido", ao puxar do cartão e ao lembrar-me que também faço parte desta história, desse "filme de longa metragem"..., a história, o filme do fim de um ciclo de 600 anos.

Estou num lugar que é, ao mesmo tempo, um bilhete-postal ilustrado do meu país e um palco de memórias incómodas.

 Lagos, com a sua luz branca que cega, o seu mar azul, a sua praça coberta de jacarandás em flor, as torres brancas das suas igrejas, o casario e os restos das suas muralhas. Mas Lagos é também um espelho das sombras, pesadelos, perplexidades, misérias e grandezas da História do meu país.

Por um lado, o Infante que abriu a primeira "autoestrada da globalização" e com ela o conhecimento, a unificação dos mares, continentes e povos, o comércio, mas também as portas ao tráfico de seres humanos (e que ficou com o seu "quinhão", do primeiro carregamento de 235 escravos, aqui aportados, em agosto de 1443, a pretexto de lhes querer "salvar as almas"!). E, por outro, o rei, imberbe, "rambo", que se perdeu em Alcácer Quibir (e que nos perdeu).

E em plano de fundo, a guerra colonial que me marcou a mim e a tantos outros rapazes da minha geração, como um sacrifício estúpido, gratuito e inútil. 

 Pergunto-me todos os dias: para que é que morreram dez mil dos nossos na Guiné, Angola e Moçambique ? E as dezenas de milhares, do MPLA, da UPA, da FNLA, da UNITA, do PAIGC, da FRELIMO, que matámos ? E as centenas de milhares de angolanos, guineenses, moçambicanos e timorenses que se mataram uns aos outros, em guerras fratricidas no pós-independência ?

Conheço o peso da história do meu país na pele (e não só nos livros, é no corpo, é na alma). Não é só a estátua do D. Sebastião ou a do Infante que me incomodam, é o que elas representam. 

Afinal, a história não é só "feia" no património edificado (temos, de resto tantos "mamarrachos" por esse país fora, em granito, em mármore, em bronze)... É "feia" naquilo que ela faz connosco, naquilo que nos obriga a carregar, nas nossas memórias.

A história não é o "passado", é um fio que se estende até hoje e se prolonga no futuro: nas desigualdades, nas cicatrizes da guerra, nas narrativas desencontradas, no turismo que devora a alma dos homens e a identidade dos lugares, na "gentrificação" da nossa terra.

Apesar de tudo, encontro beleza na arte de um Cutileiro (que, ironicamente, imortalizou um rei que eu sempre detestei). E manifestei o meu apreço ao município de Lagos por ter sabido preservar o antigo mercado de escravos. Pelo menos o "casco velho" de Lagos, não foi totalmente devorado pelo desastre  urbanístico,  a ganância imobiliária e o capitalismo selvagem.

A estátua do Infante D. Henrique é pesada, afirmativa, hierática. O corpo compacto, o gesto imóvel, a monumentalidade austera: tudo nela fala a linguagem estética do Estado Novo. Não é apenas uma representação histórica; é um "programa ideológico em bronze". 

Inaugurada na efeméride dos 500 anos da morte do Infante Dom Henrique (1460-1960), ela diz muito (até pelo que omite) sobre o navegador visionário, a "escola de Sagres", o império, a "missão civilizadora", o “destino atlântico”, a honra e a glória dos grandes feitos marítimos, bla- lá.... 

Mas, talvez até mais,  ela fala de um regime que se "apoderou despudoradamente" dos nossos heróis, dos nossos maiores... 

De qualquer modo, precisamos de mitos fundadores. Todos os povos precisam de (e cultivam) os mitos-fundadores.

E o facto de eu (e o meu amigo Jaime Silva, antigo paraquedista que fez a guerra de Angola) ter entrado de borla no museu, como antigo combatente, também tem algo de simbólico: estou aqui, de algum modo, a reclamar o meu discreto  lugar na narrativa sobre o making of" do império, e a exigir que a memória não seja apagada.

Faço parte desta história, não como herói, nem como vítima passiva, mas como simples peão,   como alguém que ainda cá está, aos 79 anos, um "marginal-secante" que também reivindica o direito de não deixar que a estátua de um rei ou de um infante apaguem as vozes dos que "ficaram para trás" (navegadores, soldados, marinheiros, fidalgos, mercadores, missionários, mas também pessoas escravizadas, e nomeadamente negros de África). 

Recuso-me a glorificar o passado sem o olhar de frente, não quero fazer tábua rasa nem das nossas misérias nem das nossas grandezas. Que as temos, como qualquer outro povo.

O que fazer com a minha raiva e minha melancolia, perdido em Lagos, numa multidão de turistas que come "ice-cream" e que está aqui, uns dias, no Algarve português para carregar as "baterias da felicidade" ?

Depois da difícil tarefa que é sempre estacionar o carro nestes lugares (coitado do Jaime!), caminho de  canadianas, até à Praça Gil Eanes e encontro o "meu velho conhecido" D. Sebastião, do João Cutileiro.

Fotografo a estátua: aqui já não há pose imperial. Nem bronze triunfante. Nem honra nem oria, Nem rumo nem destino. Há apenas a  beleza e a fragilidade do mármore. Há alienação. Há um fantasma. O nosso fantasma nacional (depois do Velho do Restelo). 

O rei, despojado da parafernália guerreira, o helmo inútil  a seus pés, perdido no deserto, num campo de batalha, a batalha dos três reis, mas que ainda há de voltar numa manhã de nevoeiro. A Lagos, donde partiu. 

O contraste não podia ser mais brutal: o Infante, empoderado, altivo,  é a narrativa da ascensão; D. Sebastião, a nossa má consciência da queda, do desastre, da culpa, da impotência.

O Infante foi uma figura da nossa História que sempre me acompanhou desde os bancos da escola até à Guiné: repetida "ad nauseam". O Infante tornou-se uma liturgia cívica do Estado-Novo. Dom Sebastião era enxotado para o sótão dos nossos pesadelos, o que deixou a porta escancarada á dinastia dos Filipes de Espanha.

O Infante Dom Fernando e el-rei Dom Sebastião: o alfa e o ómega, o primeiro e o último atos da nossa tragicomédia. (Toda a História dos homens tem tragédia e comédia; a nossa também tem.)

Preciso de um café. Entro numa gelataria. Leio na parede, em letras garrafais: “You can't buy happiness, but you can buy ice cream, and that's kind of the same thing.” (em português: “Não podes comprar a felicidade, mas podes comprar um gelado, o que é quase a mesma coisa")...

Reconheço a frase popularucha, 'kitch', desde "Berlim Leste", é uma variante do provérbio que os ricos gostam de repetir, caritativamente, aos pobres: "Meus filhos, o dinheiro não compra a felicidade"... Uma outra variante decorava o meu quarto de hotel de 3 estrelas, quando lá voltei em março de 2015, a Berlim, na parte leste onde viviam os alemães de 2a.

Não gosto de gelados. Mas a bica veio fria (e eu pedira-a escaldada), ao fim de meia-hora. Há três bichas: a da esplanada, a dos gelados e a das "bicas" (para os clientes da terra, lacrobrigenses, cada vez mais raros, e os turistas nacionais como eu). 

O empregado de mesa, "indostânico" (?), não sabe o que é uma "bica escaldada", e sua, isso, sim, em bica, com tanta azáfama e calor matinal. Não tem quatro braços, como as poderosas deusas da sua terra.

O Largo do Infante fica junto do antigo mercado de escravos, um dos primeiros espaços de comércio esclavagista da Europa moderna.  O Museu de Lagos  é de visita obrigatória. Não existia em 1981.

 A História raramente é limpa quando regressamos aos lugares décadas depois. Os sítios acumulam não só pó, mas também memória pessoal, enviesamento, propaganda, ruído, silêncio, culpa, nostalgia, perda. 

E às vezes o que sangra não é exatamente a História nacional, é a (re)descoberta da distância entre aquilo em que nos ensinaram na escolinha, quando éramos "meninos e moços" e  aquilo que hoje vemos (ou que nos deixam ver).

Voltar 45 anos depois a Lagos  é  como encontrar uma versão antiga de mim  próprio, a caminhar penosamente pelas ruas empedradas. As estátuas já lá estavam, em 1981,  a do Infante nem sequer dei conta. As estátuas permanecem, mas quem as olha já não é o mesmo. Eu já não sou o mesmo. 

Desta vez, nem sequer consegui comer um xarém de conquilhas. Nem carapaus alimados. Nem um arroz de lingueirão. E as ameijoas boas da Ria Formosa estavam pela hora da morte: não tive coragem de as comprar, no mercado municipal de Portimão, a 38 euros o quilo. 

Há um Algarve de 1968 (quando fiz tropa em Tavira) que já não existe. Tal como a Lagos de 1981. Tal como o meu país e o mundo, que  já não são os mesmos de quando nasci, em 1947. 

Acho que devia ter pedido um "ice-cream" em vez da "bica escaldada".




Lagos, 1981 > Junto à estátua do rei Dom Sebastião, de José Cutileiro (1973): da esquerda para a direita, Gusto (meu cunhado), Filipe (meu sobrinho), Cristina (sobrinha da Nita e da Alice), Nita (1947-2023), Joana (minha filha), Chita (Alice, minha mulher),  Béu (minha mana mais nova)… (Ainda estavam para nascer o João, meu filho, e o Tiago, meu sobrinho, hoje ambos médicos). Dizem que a estátua nunca foi oficialmente inaugurada. De visita a Lagos, em 1973, o último presidente da República do Estado Novo, fez questão de a ignorar completamente.

Foto (e legenda): © Luís Graça  (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].
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Nota do editor LG:

10 comentários:

Alberto Branquinho disse...

Pois é, Luís,
Um Infante "sonhador", mas prático (!) e um D. Sebastião jovem furioso, motociclista, de capacete no chão, junto aos pés, pronto para se "escanchar" na mota e arrancar mar adentro a caminho do sul, de Marrocos - para onde está já virado. E o mais - isso tudo que dizes.
MaS, olhando para trás, para quem esteja a olhar o rei Sebastião, está a praia (que é o que existe somente para muitos outros), a que chamam Meia-Praia, que, afinal, é muito grande e tem a outra metade para oriente da Ribeira de Alvor.
Abraço

Anónimo disse...


Henk Eggens (by email)
31 mai 2026 18:54

Olá Luís,
Tudo bem? Estás a gostar do ambiente do Algarve?

Gostei muito das tuas reflexões (Nomadizações de um marginal‑secante) publicadas no blogue de 31 de maio. (Podes explicar‑me, por favor, o que entendes por “Nomadizações de um marginal‑secante”?)

Queria propor‑te a publicação da tradução em neerlandês do teu texto no nosso blogue Portugal Portal. Achei que poderia interessar a uma parte dos nossos leitores, que têm interesse na história de Portugal. As tuas reflexões, instigadas pelas estátuas em Lagos, mostram — de um ponto de vista pessoal — a evolução do processo de digerir o passado português, com os seus períodos mais amargos. Os holandeses passaram pelo mesmo trajeto, com a participação ativa na grande passagem dos escravos e a história vergonhosa do colonialismo neerlandês, sobretudo na Indonésia.

Mandei traduzir o teu texto numa aplicação de IA para neerlandês, reli e decidi pedir‑te autorização para publicar, com o teu nome, claro, como autor.
Gostaria apenas de retirar a parte em que relatas o gelado e a bica escaldada — pareceu‑me um pouco off‑topic e poderia distrair do foco das tuas reflexões.

Estás de acordo com a publicação? Seria provavelmente em julho ou agosto deste ano.

Mantenhas!

Henk

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Henk, sinto-me honrado com a tua escolha. Tens luz verde para publicar o que for da minha autoria, saído no blogue (a maior parte do que publico, não assino, introduções, comentários, etc.). Podes escolher outro título...ao teu gosto e percetível pelos teus leitores...

Comecei uma "nova série", em 10/2/2026, a que chamei "Nomadizações de um marginal-secante"... O termo "nomadização" é da gíria militar: os dicionários ainda não o grafaram, nessa aceção que eu lhe dou...Nomadizar, em português, quer dizer tornar ou tornar-se nômade / nômada... (do latim "nomas, adis", errante)...

Em linguagem militar, nomadização é, a partir de um pouco fixo (quartel, destacamento), fazer um patrulhamento ofensivo, extenso, regular, mais ou menos contínuo, de um território que está em disputa pelas duas partes...

Marginal-secante, por seu terno, é um termo da geometria e da sociologia das organizações: por exemplo, o ator que interceta dois sistemas de ação (o médico de saúde pública é um exemplo...).

"Nomadizações de um marginal-secante" é um título irónico: faço análises, comentários, reflexões, etc., sobre a guerra colonial na Guiné, "com um pé dentro e outro fora"... Sou um ex-combatente que se opunha à guerra, mas fui apenas um resistente passivo... Como editor de um blogue de antigos combatentes, por exemplo, não posso dar "cobertura" a refratários e desertores (não fazem parte da "Tabanca Grande")... E tenho que saber ser "equidistante" em relação às leituras mais extremadas da guerra, à esquerda e à direita do espectro político-.ideológico. Refugio-me um bocado na poesia e no conto para falar do que penso e sinto (ou pensava e sentia há 50/60 anos atrás).

Espero ter ajudado... Um alfabravo (ABraço). Luís

Fernando Ribeiro disse...

É quase unânime a condenação histórica de D. Sebastião por parte dos portugueses, como tendo sido o responsável máximo pela perda da independência nacional em 1580. Ora vejamos. O rei D. Sebastião era um jovem imaturo, ainda quase adolescente, tal como Cutileiro o representou. Se D. Sebastião se foi perder em Alcácer Quibir, foi porque todos o empurraram para isso. Todos, até o Papa! Luís de Camões (o mesmo Camões que inventou a figura do Velho do Restelo) evoca o incitamento feito pelo Papa, através do envio simbólico a D. Sebastião de uma seta, e aproveita (também ele, Luis de Camões) para incitar o rei a partir para a guerra. Que se esperaria que D. Sebastião fizesse?

https://camoesdigital.pt/obra/sobre-a-seta-que-o-santo-padre-mandou-a-el-rei-d-sebastiao-no-ano-do-senhor-de-1575/

É claro que a batalha de Alcácer Quibir também figura nos livros de História de Marrocos. Tive a oportunidade de dialogar pessoalmente com marroquinos sobre o assunto, os quais tentaram desvalorizar a importância da batalha, dizendo-me que Alcácer Quibir foi só mais uma batalha entre muitas outras ocorridas ao longo de cerca de mil anos, cá e lá. Disseram-me: «Nós ganhámos umas batalhas, vocês ganharam outras, mas isso já só faz parte do passado.» Os ódios antigos apagaram-se e hoje portugueses e marroquinos podem dialogar tranquilamente sobre as suas antigas inimizades, sem recriminações de parte a parte.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Fernando, obrigado pelo teu estimulante comentário. Quanto às "culpas" que sacas ao pobre do Camões... Será que era um 'influencer", como diríamos hoje ? Um "intelectual orgânico" do regime ? ... Um "ideólogo" ?

Em 1578, o nosso grande poeta estava doente, abandonado, pobre...Morreu miserável. Culpas, sim, teve o rei, o seu confessor, a sua corte, os seus conselheiros, os seus generais, o papa Gregório XIII... Vítima, sim, de erro de cálculo, da geopolítica, da mística cruzadística, do messianismo, do militarismo, do absolutismo de origem divina...

Tabanca Grande Luís Graça disse...

"O rei D. Sebastião era um jovem imaturo, ainda quase adolescente, tal como Cutileiro o representou"... Fernando, é uma excelente leitura tua daquela estátua. Bem como a do Alberto Branquinho que descreve o nosso rapaz como um "acelera".... Hoje em vez do helmo, a seus pés, teria um capacete na mão, e andaria numa moto BMW a 250 à hora, na autoestrada A22, até se enfiar contra um poste ou uma árvores, o corpo para um lado, a cabeça para o outro... Ainda há dúvidas se "morreu (fisicamente)" na batalha...

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Mais do que imaturo...um idiota chapado, mal formado, ignorante, megalómano, boçal, inculto, misógino,vaidoso...

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Não gosto de dizer dos mortos... Muito menos dos meus antepassados ilustres, da minha terra, Portugal...Deve haver algum pudor, alguma contenção verbal...Não gosto do estilo "bota-abaixo" do Oliveira Martins... Mas, ó Fernando, ó Alberto, tenho que reconhecer que o nosso el-rei Dom Sebastião mais do que "jovem imaturo", era...um idiota chapado, mal formado, ignorante, megalómano, boçal, inculto, misógino, vaidoso...

Se o D. Sebastião fosse vivo hoje, seria um "influencer", "motoqueiro", com discursos populistas, racistas, supremaciatas e chauvinistas no TikTok... Mas esta tragicomédia é atemporal, a de um país velhinho de quase ,mil anos que, vezes sem conta, apostou no cavalo errado, no cavaleiro errado, na altura errada, com as crenças e motivações erradas...

O que é que o Camões lhe teria dito, ao Sebastião, quando se encontraram os dois "lá no assento etéreo" ?...

"Eh!, pá, a tença que me concedeste (agora podemos tratarmo-nos por tu!) (cerca de 15 mil réis por ano, em 1572, lembras-te ?!) em apreço pela publicação de "Os Lusíadas", que te dediquei, mal dava para pagar os remédios na botica, e nem sequer deu, na verdade, para os meus amigos pagarem as tábuas do meu caixão e o trabalho do cangalheiro e do do coveiro!"...

Tabanca Grande Luís Graça disse...

O Sebastião, com uns "shots" valentes no bucho, terá dito ao Luís Vaz:

- F*da-se, vai chatear o Camões!...

A expressão é ainda hoje é usada para mandar à fava alguém que está a ser chato ou aborrecido importunar outra pessoa. Dizem que a origem da expressão remonta à estátua de Luís de Camões em Lisboa, onde os bêbados do Bairro Alto eram mandados para lá chamar pelo Gregório e falar para o boneco...

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Não gosto de dizer MAL dos mortos...