Guiné > Região de Quínara > Jabadá > CCAV 2484 (1969/70) , Os Dragões de Jabadá" > A cantora ié-ié Isabel Amora (1946-2020), atuando para os militares do aquartelamento, que ficava na margem esquerda do Rio Geba.
Representação artística, livre, desse espetáculo. Tudo indica que, nesse dia e local, a jovem artista, em princípio de carreira (e infelizmente já falecida), tenha aparecido com duas indumentárias diferentes: vestido curto, mas de manga comprida e minissaia, e na segunda parte blusa de manga curta e calça à boca de sino. A foto (inspiradora...) é do Manuel Antunes, ex-sold cond auto (CCAV 2484, "Os Dragões de Jabadá"), que vive no Canadá
1. Falar com máquinas pode até ser divertido mas também às vezes exasperante... Divertido, por enquanto... Um dia pode vir a ser um pesadelo, como foram durante 48 anos na Ditadura Militar e no Estado Novo os coronéis da censura (que não eram máquinas, eram pior, eram "calhaus")...
De vez em quando tenho as minhas "turras" com a IA. Recusa-se a fazer a ilustração que lhe peço, alegando que o meu prompt "pode violar as suas politicas de conteúdo" (sic).
Nunca diz quais são. É preciso então contestar, uma, duas, três vezes. Às vezes, falo mal: "P*rra, a foto de uma jovem cantora ié-ié, de minissaia, que vem de Portugal e vai atuar no mato, na Guiné, para os soldados portugueses e a população local... é material pornográfico ou tem conotação sexual?!... A minissaia também chegou depressa ao Portugal de finais dos anos 60!...
"E depois tens que perceber que quem está na guerra, lá no cu de Judas, a 4 mil km de casa, o que mais quer ver é um belo par de...pernas de uma jovem da sua idade!... Não lhe mandem uma matrona de média idade, fadista, como a Cilinha, mas uma garota estouvada da música ié-ié!"...
Resposta, sensata e conciliadora, por fim, da ferramenta da IA (ChatGPT / Open AI):
(....) "Camarada, pelo que descreves, não vejo nenhum problema de política em mostrar uma cantora jovem de 1969/70, de minissaia, a atuar perante soldados num quartel da Guiné. Mostrar pernas, minissaias ou moda da época não tem nada de problemático.



16 comentários:
Continuamos sem saber quem foi a artista que foi a Fajonquito atuar no tempo da CART 2742. O Cherno, claro, não se lembra do nome...(nem muito provavelmente se lembra dela). Teria então 11 anos...
Nunca fui a Fajonquito, que ficava a 30 km a norte de Contuboel. 30 km na Guiné era uma enorme distância. O máximo que fui, nessa altura em que estive no CIM de Contuboel (junho/julho de1969) foi Sonaco (a nordeste de Contuboel). Voltarei lá mais tarde para comprar vacas, quando fui gerente, por um mês, da messe da messe de sargentos (e oficiais) em Bambadinca (a messe era a mesma, os espaços das refeições é que eram segregados, como na África do Sul do "apartheid").
E a propósito de messes: como é que podíamos ganhar aquela guerra, com um exército clássico e "classista", com espaços segregados (como a messe e o rancho geral) ? Metaforicamente falando, era um corpo, com a cabeça, o tronco e os membros separados... Não éramos companheiros à mesa, não comíamos o mesmo "pão", como é que haveríamos de ser "camaradas"? Reproduzíamos, na Guiné, a estratificação social do velho Portugal: nobreza, clero e povo...O Spínola veio baralhar o "tabuleiro de xadrez", mas também nunca o vi a comer do rancho com o Zé Soldado... General era general.
Acrescente-se este precioso apontamento do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa (via IA do Google):
(...) O termo "turra" surgiu na década de 1960, durante a Guerra Colonial Portuguesa, como uma abreviatura e corruptela militar para "terrorista". Era usado pelas forças armadas portuguesas para designar os guerrilheiros independentistas africanos (do MPLA, UNITA, PAIGC, etc.) que lutavam contra o domínio de Portugal.
A palavra rapidamente se popularizou devido à sua sonoridade e por cruzar com a gíria militar e popular pré-existente "andar às turras" (que significa teimar, discutir ou bater a cabeça).
Enquanto os colonos chamavam os guerrilheiros de "turras" (terroristas), o termo correspondente e depreciativo que os combatentes africanos usavam para os soldados portugueses era "tuga".
Para aprofundar o seu contextO, erificar o debate sobre o impacto histórico destes termos de calão (tuga e turra) no artigo do Portal Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.
Segundo o Priberam:
Turra
(tu-rra)
substantivo feminino
1. [Informal] Ato ou estado de quem repete ou mantém uma afirmação, uma ação ou um comportamento, sem desistir ou aceitar recusa (ex.: tem uma turra de opinião com o colega). = ALTERCAÇÃO, TEIMA, TEIMOSIA
2. [Informal] Pancada dada com a testa ou com a cabeça (ex.: dar uma turra).
adjetivo de dois gêneros
3. [Informal] Que tem o hábito de teimar (ex.: que forma tão turra de ver as coisas). = CATURRA, OBSTINADO, TEIMOSO
4. [Informal, Depreciativo] [História] Relativo aos guerrilheiros ou aos movimentos independentistas africanos nos tempos da guerra colonial portuguesa.
5. [Informal, Depreciativo] [História] Diz-se de ou guerrilheiro dos movimentos independentistas africanos nos tempos da guerra colonial portuguesa (ex.: chefes turras; os oficiais reuniram com os turras).
às turras
• [Informal] Em desavença, em conflito (ex.: andar às turras; em vez de resolverem finalmente o problema, preferem ficar ali às turras). = DESAVINDO
etimologia Origem: redução de caturra.
"turra", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2026, https://dicionario.priberam.org/turra.
Como é que um Capitão não havia de valer uma merda,quando a primeira obra que fez no quartel foi separar, na messe/bar, oficiais de sargentos??
Curiosamente,o capitão era miliciano.,Dário Lourenço,assim se chamava o segracionista.
Paulo, nas sedes de batalhão, como Bambadinca, Bafatá, Nova Lamego, Aldeia Formosa, Catió, Teixeira Pinto, QG/CTIG, etc., era a prática corrente... No Saltinho, vocês eram poucos, e o teu capitão Clemente, mesmo sendo QP, tinha a visão correta das coisas: o espírito de corpo de um exército começa à mesa... Ninguém percebeu isto na Guiné, nem o Spínola que não largou (nem podia largar) os seus "tiques de classe"...Como, de resto, todos os "populistas".
Paulo, mas eu não sei se em Fajonquito, ao tempo da CART 2742 e do infortunado cap art Carlos Borges de Figueiredo as messes eram separadas... Faltam testemunhos da malta essa companhia, dr quem não temos nenhum representante, registado formalmente, no blogue... Tirando, claro, o "djubi" do Cherno Baldé, que pertencei a todas as subunidades que por lá passaram... Se não fora ele (e o Cortes), nada sabíamos de Fajonquito.
No Saltinho,ao tempo do Clemente,havia dois pelotões em destacamento,logo dois Alf não estavam no quartel.Sobravam dois da 2701,a que juntavam o Alf Médico,eu próprio,e algumas vezes,Alf em estágio para curso de capitães. Foi-se a 2701,continuaram os dois destacamentos,o Médico em permanência acabou-se,assim como acabaram os Alf. estagiários que apenas eram colocados em Companhias comandada paras por oficiais QP. Eu transferi-me para o Reordenamento de Contabane,hoje Sinchã Sambel,onde estava a quase totalidade do 53.
1964 no mato Cachil Ilha do Como C. caç. 557 o comandante capitão Ares teve esse conhecimento de camarada messe única, só no mês em que esteve de férias o 2º comandante implementou a messe de sargentos e oficiais. mas quando ele regressou após a "queixinha" dos seus subordinados voltou tudo à primeira forma, sem que antes tenha dado em privado aquilo que se chama uma "pixada" aos seus actores.
P *rra, camarada, que isto já não é representação artística, é fotografia hiperrealista!...A riqueza de pormenores, o corpo da artista, o quartel, a assistência, o amplificador... O ChatGPT tem melhorado muto a qualidade das imagens, e já não dá erros de português...
Ir atuar à Guiné também não era para todos/as...Era mais "arriscado" do que ir a Angola ou até Moçambique. Mas também se ganhava algum"patacáo", e era uma forma de promoçáo, sobretudo para quem estava no início de carreira, como a Isabel Amora.
Mas atenção, estes espectáculos no interior do mato eram raros, mais raros do que as sessáoes de cinema. A disponibilidade de artistas era muito menor, e a "logística" mais complicada: MNF, TAP, FAP, Exército, etc. E quem apanha estas coisas era a malta das CCS - Companmhias de Comandos e Serviços, onde estavam os escriturários,. os sacristões, os capelães, os vagomestres, os soldados básicos, os majores e tenentes coronéis...Operacional da CCAÇ 12, nunca me lembro de ver ou ouvir em Bambadinca um espetáculo musical...Nem com a prata da casa!...
Na C. Caç 2753, "Os Barões " quer no K3 durante cerca de um ano, quer em em Mansábá na parte final da comissão, a messe e bar eram para oficiais e sargentos! Nos destacamentos de Bironque e Madina Fula, não havia nem bar nem messe, só precárias barracas tendo como cobertura folhas de palmeira!
O Dr. José Alberto Martins Faria era o médico responsável da Zona de Acção da CCaç.2701.
O Dr. Faria nasceu em Guimarães.
Faleceu em 2007.
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