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domingo, 14 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28099: Facebook...ando (97): A Bandeira continua a mesma, mas existe uma enorme diferença de tratamento (Tony Borie, ex-1.º Cabo Op Cripto do CMD AGR 16, Mansoa, 1964/66)


Companheiros ex-combatentes,
O avião que trazia a seleção de futebol de Portugal, já aterrou próximo do local onde vivemos e…, nós quando ainda jovens, também oriundos da Europa, com uma educação de aldeia, onde os princípios honestos de família vinham de há séculos, vendo todo este cenário de jovens milionários vestidos a rigor com o emblema da bandeira nacional, carregando luxuosas malas, desembarcando sorridentes, alguns até faziam “caretas” e acenavam querendo talvez “pôr faladura”, fez-nos mais uma vez compreender que todos os sacrifícios que passamos defendendo esta mesma bandeira mas em cenário de guerra, infelizmente, foram em vão.

…Porquê? Porque “sem qualquer inveja de velho rabujento”, na verdade existe uma enorme diferença de tratamento. Nós e vós também, também desembarcámos em África, saindo dos porões dos navios da guerra colonial, com um saco contendo as roupas de combate às costas e vestidos de camuflado, com uns míseros trocados no bolso e…, sem qualquer futuro, porque em qualquer momento, uma bala ou um fornilho, faziam com que a família lá na Europa, fosse informada por uma simples carta de que…, já não fazíamos parte da lista de pessoas vivas.

…Também compreendemos que eram outros tempos mas…, a bandeira continua a mesma e…, qual a razão porque o governo tanto nos ignora?

Por favor, protejam-se.

Tony Borie

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Nota do editor

Último post da série de 16 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27536: Facebook...ando (96): No Star Club, Reeeperbahn, Hamburgo, fevereiro de 1967... (António Graça de Abreu)

12 comentários:

José Botelho Colaço disse...

Tony este assunto dava um grande livro. Um forte abraço Colaço.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Grande regresso, Tony!...Não páras de nos surpreender. Tocas numa ferida que nunca cicatrizará. A não ser quando morrermos todos Estás á vontade para comparar os dois cenários: a tua/ nossa chegada a Bissau, desembarcado/s de velhos navios de carga e passageiros, adaptados a transportadores de tropa... Chegados para fazer uma guerra. E agora estes putos, milionários, mimados, famosos, que chegam á tua nova terra para disputar o campeonato mundial de futebol.

O contraste é por demais evidente. Mas a bandeira é a mesma. O simbolismo é que é diametralmente oposto. Se regressarem a Patria campeões serão heróis por uns dias. E terão as honrarias que os heróis merecem.

Nós, dizes bem, fomos e continuaremos esquecidos. Na nossa terra ou na diáspora. A guerra acabou há mais de meio século. O país virou a página mas nunca leu o capítulo. Somos os heróis anónimos ( e incómodos ) de uma história que ninguém quer ler (ou sabe ler).

Não sei se não seria melhor fechar o blogue durante o mês e tal em que o futebol já está a entrar pelas nossas casas dentro "ad nauseam".

É a nova versão do "pão e circo" que nos vem dos nossos colonizadores romanos, os do império dos mil anos. Escravizaram-nos, aos antepassados lusitanos, roubaram-nos a alma, o corpo, a língua ( ninguem sabe qual era a língua que falávamos, o português é um produto do colonialismo romano...).

Hélder Valério disse...

Este amigo "Tony", por quem nutro um grande respeito e consideração, coloca uma pergunta pertinente e que é "... qual a razão porque o governo tanto nos ignora?", a partir da comparação entre o tempo em que nós (coletivamente) fomos participar numa guerra em África, nas condições em que fomos, e as condições dos novos "guerreiros".
Para essa pergunta podemos encontrar muitas e variadas respostas, mas haverá, certamente, alguém do governo ou dos seus apoiantes, que dirá que se tem feito o possível, que agora já temos "isto e aquilo", que não se pode fazer tudo de uma vez, etc.
Pois é, também.
O teu recado último, o conselho de "cuidem-se", é apropriado, sim senhor, mas há coisas que são inevitáveis, resultantes do inexorável avanço do tempo.
Seja como for, enquanto por cá andarmos, temos de manter a "chama viva", a chama das nossa memórias.
Abraço.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

"Lá estão aqueles velhadas a carpir as mágoas. Arre, porra, que nunca mais desamparam a loja!... E ainda por cima perderam a puta da guerra!" - já ouço nas redes socais o coro dos eternos vencedores, dos impolutos, dos que estão sempre na mó de cima, dos que nunca engoliram um vexame, um desastre, uma magoa, parafraseando o Álvaro de Campos.

Anónimo disse...

Olá companheiros que nunca vou esquecer. O Carlos publicou um daqueles escritos que vou colocando no Facebook, que não é mais do que um desabafo daquilo que vou vendo e me faz lembrar o esquecimento e até desprezo em que a nova geração de governantes colocou os companheiros ex-combatentes. Tenho a plena consciência, de que não adianta nada escrever, MAS FAZ-ME BEM GRITAR, GRITAR, GRITAR e..., também para que as novas gerações vejam que ainda por cá andamos!. .A todos vocês obrigado do coração pelos simpáticos comentários, Bem hajam, e claro, protejam-se porque cada vez somos menos. Tony Borie.

Alberto Branquinho disse...

PÓIS!
E... ,além disso, não chamem a "isto" DESPORTO, pois que, além de tudo o mais, até tem aproveitamento político.

Eduardo Estrela disse...

" a pátria honrai que a pátria vos contempla"
Só que a magana da pátria contempla mais uns do que outros.
Melhor, os outros somos nós os esquecidos, lembrados só circunstancialmente e tratados abaixo de cão. Há que continuar a sementeira das memórias. Parar é aquilo que o adversário pretende.
Abraço
Eduardo Estrela

Antº Rosinha disse...

As voltas que o mundo dá, passados 50 anos com o fim da guerra das independências das nossas ex-colônias africanas, vemos hoje uma dessas ex-colónias a discutir o campeonato mundial de futebol.
Caboverde, entre os grandes do mundo da bola.

antonio graça de abreu disse...

O lamento dos coitadinhos do blogue. Perdemos a puta da guerra. Coitadinhos de nós, portugueses. Tristeza. Do outro lado, o PAIGC, vitorioso, construia o mundo melhor, sem colonialismo, a sociedade mais justa.
Essa boa gente, eram os novos e vitorioso vencedores que
têm passado os anos a roubar e a matarem-se uns aos outros. Em nome do povo bom da Guiné Bissau.

Abraço,

António Graça de Abreu

Eduardo Estrela disse...

Na Guiné lutámos contra o PAIGC, que tinha nas suas fileiras muitos guerrilheiros oriundos de Cabo Verde. Por mero acaso, Cabo Verde não progrediu nada antes pelo contrário, é a " desgraça" que todo o mundo vê.
Abraço e paciência
Eduardo Estrela

Eduardo Estrela disse...

Façamos da nossa inteligência a alavanca capaz de aceitar a realidade .
Abraço
Eduardo Estrela

Hélder Valério disse...

Oh António, francamente! Que raio de participação é essa? Estás convertido no "bota-abaixo"? Então, quando apareces é para procurar dividir os leitores entre "nós, os bons, os patriotas, os impolutos e os outros, os coitadinhos, os lamentosos, os chorões"?
Acho que o Tony não merece ser enquadrado nessa categoria de "lamentos dos coitadinhos".

Repara que o que ele faz, o que escreve, até podia ser enquadrado na crítica geral dos "ex-combatentes" ao poder instalado e aqui engloba todos os poderes sucessivos, portanto até também ao gosto dos atuais exploradores de sentimentos, cujo estilo de provocação e manipulação pareces alinhar.

Sabes, António, o Blogue, este Blogue, é tão multifacetado nas suas diversas vertentes (repositório de memórias, procura de clarificação de acontecimentos, historiografia, reencontro de camaradas, escape de fantasmas para alguns, etc.) que a sua "validade" ultrapassa largamente as tentativas, oriundas de diversos lados, de destabilizar, de "cansar", de procurar desmotivar.

É feio! Muito feio.