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terça-feira, 16 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28103: Timor-Leste: passado e presente (35): Barlaque: casamento tradicional e modernidade, o verso e o reverso (resumo analítico de artigo, publicado pelo Diligente, excelente jornal digital, feito em Díli)


Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Texto: Luís Graça + Rui Chamusco

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.

Barlaque: ritual de união familiar ou ataque à igualdade de género?
Autoria: Equipa do Diligente
Fonte: Diligente (16 de julho de 2023)


1. Sobre a "Equipa do Diligente", convirá saber o seguinte:


“Sobre as pessoas. Para as pessoas”

Somos um grupo de jovens jornalistas timorenses ansiosos por melhorar a indústria dos media no nosso país. Queremos difundir informação imparcial que possa ajudar as pessoas a enfrentar todas as questões sociais e económicas com pensamento crítico.

Queremos que o povo timorense seja ouvido. Queremos que todos estejam conscientes do que se passa no nosso país.

Ambicionamos ser um projeto inovador, com uma aposta forte em trabalhos de investigação, reportagens, podcasts e outros conteúdos informativos.

Como primeiro website informativo totalmente em português, em Timor-Leste, temos a preocupação acrescida de produzir conteúdos de fácil compreensão e explicar assuntos complexos de forma simples.

Vamos dar voz aos cidadãos, promovendo debates sobre os direitos humanos e a defesa das minorias, ao mesmo tempo que mostramos ao mundo a riqueza cultural de Timor-Leste e os aspetos que o tornam único.


2. Aqui vai uma sinopse crítica do artigo supracitado, estruturada, para melhor legibilidade.   Inclui os pontos-chave, as tensões culturais e as vozes dissonantes, além de uma reflexão final que convida ao debate.

O barlaque (ou barlak, em tétum) é uma tradição ancestral timorense que formaliza o casamento através da negociação entre famílias, envolvendo a troca de bens (dinheiro, animais, adornos como belak ou kaebauk) como símbolo de união e respeito. 

Originário do termo indonésio berlaki (mulheres com companheiro para casamento), o ritual divide-se em três fases:

(i) Tuku odamantan (“bater à porta”): 

primeiro contacto entre famílias, a do pretendente e a da futura noiva, com troca de presentes simbólicos: cigarros, vinho, cabrito, noz-de-areca (equivalente à noz-de-cola africana).

(ii) Hamos dalan (“abrir o caminho”): 

cerimónia de reconhecimento mútuo, onde a mulher passa a integrar a família do homem (fetosán), e os homens da família da noiva se tornam umane (herdeiros da uma lisan, casa sagrada).

(iii) Kahe aitahan (“prenda”): 

casamento cultural, com troca de anéis e fios de ouro/p e prata; aqui, define-se se o sistema é patriarcal (kaben sai: a mulher e filhos passam à uma lisan do homem) ou matriarcal (habanin: o homem entra na uma lisan da mulher).

A Face oculta: violência, dívida e desigualdade

O artigo desmonta o mito da “união familiar” ao expor casos concretos de exploração económica e opressão de género (os nomes são fictícios, para proteger a privacidade das pessoas entrevistadas):

  • Martinha, mãe de duas filhas, recusa o barlaque por considerá-lo uma "venda de mulheres": os tios da noiva (figuras centrais no processo) decidem o valor e ficam com a maior parte, reduzindo a mulher a um objeto de transação. 

A recusa de Martinha em ser "barlaqueada" (sic) gerou conflitos familiares, mas a sua resistência expôs uma verdade incómoda: mulheres barlaqueadas são frequentemente vítimas de bullying, violência doméstica e controle excessivo por parte do marido e da família do marido.

“Se eu não fosse a um funeral ou não soubesse cozinhar, seria alvo de ofensas. Não quero ser propriedade de ninguém.”

  • Yane Maia, revisora linguística, viu o seu casamento desmoronar-se devido a conflitos entre sistemas matriarcais e patriarcais, na cultura Bunak (matriarcal), as mulheres barlaqueadas não podem pertencer à uma lisan do homem, sob pena de “maldição de morte” para si e para os filhos; a família do marido recusou um compromisso híbrido, demonstrando a rigidez de um sistema que nega autonomia às mulheres.

Mais de 50% das mulheres timorenses (15-49 anos) já sofreram violência física ou sexual por parceiros masculinos (fonte: CEDAW/ONU). 

O barlaque, segundo o artigo, agrava esta realidade: casais endividados para pagar o ritual (que pode ir até aos 20 mil dólares, num país em que os rendimentos médios mensais andam na casa dos 150 dólares) vivem sob stress extremo, gerando divórcios e agressões.
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O artigo opõe três perspetivas

Defensores
do Barlaque
Críticos
do Barlaque
Neutrais
(Antropólogos)

Eugénio Sarmento (lia-nain):

o barlaque é um fator de união familiar e respeito pela fertilidade da mulher.

 
A violência doméstica não é culpa da tradição, mas de “pessoas que não a compreendem”.
Berta Antonieta (ativista feminista):
´
o barlaque reduz a mulher a um bem material, equiparando-a a búfalos ou dinheiro.

A cultura é dinâmica e deve ser mudada.
Alessandro Boarccaech

o barlaque é um facto social com dois lados: união familiar vs. discriminação.

A violência doméstica está ligada a fatores estruturais (educação, hierarquias, álcool, políticas públicas).

Josh Trindade
(antropólogo): os objetos trocados não são para “comprar” a mulher, mas para valorizar a sua fertilidade.

Critica os “colonialistas” que julgam a cultura sem a conhecer.

Martinha/Yane Maia
:

o ritual perpetua a desigualdade e a violência, especialmente quando as famílias pobres usam as filhas como fonte de rendimento.
Paulino dos Santos (engenheiro):

propõe reduzir os custos do barlaque e de outros rituais (lia mate, lia moris) para evitar pobreza e divórcios.
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O Debate Central: Tradição vs. Direitos Humanos

O artigo levanta questões incómodas e urgentes:


(i) O barlaque é compatível com a igualdade de género?

  • Os defensores argumentam que o ritual simboliza respeito e consolida laços familiares.
  • Os críticos respondem que, na prática, a mulher perde autonomia: os tios decidem o seu valor, e ela passa a ser “propriedade” da família do marido (ou, no caso matriarcal, o homem é que se torna dependente).
(ii) O barlaque é a causa da violência doméstica?

  • Não diretamente, segundo os antropólogos: a violência tem raízes mais profundas (educação, poder, álcool).
  • Mas legitima-a: ao tratar a mulher como um bem transacionável, o ritual normaliza a sua subalternização, criando um ambiente propício ao abuso.

(ii) Pode o barlaque adaptar-se aos tempos modernos?

  • Josh Trindade sugere que o pagamento pode ser fracionado (em prestações), aliviando a pressão financeira.
  • Berta Antonieta propõe uma revolução cultural: “A cultura foi feita pelo homem, mas é dinâmica. Podemos mudá-la.”
  • Alessandro Boarccaech questiona: “Para que serve o barlaque hoje? É justo? Respeita a diversidade?

Reflexão final: um espelho para Portugal  ( e Guiné-Bissau) ?

O artigo do Diligente é um retrato cru de como a tradição pode ser ao mesmo tempo um pilar cultural e uma prisão

OkEm Timor-Leste, o barlaque é um sistema complexo, com nuances entre o matriarcal e o patriarcal, mas com um denominador comum: a mulher é o último elo da cadeia de decisão.

Paralelos com Portugal

  • A dote (ou enxoval ou bargal) em Portugal também já foi um símbolo de status e negociação familiar, mas evoluiu para um gesto simbólico.
  • A violência doméstica em Portugal (como em Timor-Leste) tem raízes culturais profundas, muitas vezes mascaradas por “tradições”.
  • A resistência de Martinha lembra as mulheres portuguesas que, nas décadas de 60/70, recusaram casamentos arranjados pelas famílias ou a submissão ao marido, "chefe da família.
  • A igualdade da mulher perante a lei em Portugal é um direito fundamental consagrado no Artigo 13.º da Constituição da República Portuguesa, que garante que todos os cidadãos são iguais e proíbe qualquer discriminação com base no sexo.A revisão do Código Civil, que entrou em vigor em abril de 1978, marcou uma revolução histórica nos direitos das mulheres em Portugal. Pela primeira vez, a lei instituiu a igualdade de género no casamento, abolindo o estatuto de dependência legal e económica da mulher face ao marido.
  • A revisão do Código Civil, que entrou em vigor em abril de 1978, marcou uma revolução histórica nos direitos das mulheres em Portugal. Pela primeira vez, a lei instituiu a igualdade de género no casamento, abolindo o estatuto de dependência legal e económica da mulher face ao marido.
  • As principais alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 496/77 incluíram: (a) fim da figura de "chefe de família": o poder de decisão exclusiva do marido sobre o agregado familiar foi eliminado; (b) gestão conjunta do património: o marido deixou de ser o único administrador dos bens do casal, passando a direção da família a pertencer a ambos os cônjuges.

Pergunta para os leitores do nosso blogue:

Até que ponto uma tradição (o "fanado", por exemplo, ou o "casamento infantil", na Guiné-Bissau) pode ser “respeitada” se ela perpetua desigualdades ou tem práticas que atentam contra os direitos humanos ?

 Será o barlaque um ritual de união… ou um mecanismo de controle social ? 

Veremos, em próximo poste, algumas semelhanças com o casamento tradicional na Guiné-Bissau.

Nota para citação: Sinopse crítica elaborada por LG +  IA  ( Vibe  / IA Mistral Medium 3.5) a partir do artigo “Barlaque: ritual de união familiar ou ataque à igualdade de género?”, publicado no Diligente, 16 de julho de 2023.

(Revisão / fixação de texto, negritos, links, título: LG)
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 11 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28012: Timor-Leste: passado e presente (34): a revolta de Manufai (dez 1911 / out 1912) - Parte I

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28102: Notas de leitura (1928): "Coragem, Altruísmo e Fé", por Rosalina Coelho Vaqueiro; Chiado Books, 2025 (2) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 5 de Dezembro de 2025:

Queridos amigos,
Temos agora o percurso desta solícita paraquedista em toda a luta armada, percorre os diferentes teatros de operações e haverá a reforma, sempre bondosa e ativa, a sua biógrafa dedica-lhe páginas esplendentes, Eugénia do Espírito Santo deixa um rasto de grande discrição, espírito magnânimo, uma paraquedista da primeira hora tão pouco referida.

Um abraço do
Mário



Capitão Paraquedista Eugénia do Espírito Santo Sousa, de Santo Antão para as guerras de África: esteve na Guiné em 1962, 1969, 1972 e 1973, temos aqui uma biografia tocante - 2

Mário Beja Santos

Há parágrafos luminosos nesta biografia que Rosalina Vaqueiro dedicou à enfermeira paraquedista Eugénia do Espírito Santo Sousa, nomeadamente o capítulo dedicado à infância e juventude em que ela viveu na ilha de Santo Antão, em Cabo Verde. Nascida em 1935, tendo feito os estudos no arquipélago, continuou a sua formação primeiro no Porto e depois em Lisboa. Tirou o curso de paraquedismo em Tancos, em 1962, ano em que faz a sua primeira estadia na Guiné, relata algumas das peripécias que viveu, uma delas merece aqui realce: “Um doente da Marinha, que trouxe em evacuação para Lisboa, queria-lhe dar 100$00, porque Eugénia lhe deu uma aspirina. A enfermeira não aceitou e recorda à sua biógrafa que ainda se lembra da mão dele estendida com os 100$00.” Era sua colega na época a Arminda Lopes Pereira.

Depois da Guiné, Angola, Rosalina Vaqueiro dá-nos o quadro em que se desenvolveu a luta armada, a partir de 1961 e as tarefas árduas que couberam a estes primeiros combatentes, um chão de mato cerrado, sem estradas, a tormentosa tarefa de desbastar árvores e o capim, abrindo caminhos rudimentares, tudo dificultado pela guerrilha que atravessava troncos de embondeiro ou abriam valas fundas que impediam a circulação de veículos militares. Eugénia estava alojada com as suas colegas enfermeiras em Luanda, no edifício da Força Aérea. Não deixava de ser extenuante a missão de evacuação dos feridos.

Seguiu-se Moçambique, a autora dá-nos agora uma sinopse dos acontecimentos nesta região, vai tomando nota das observações de Eugénia. Esta conta-lhe que um dia em Nampula perguntou a um criado de mesa se já tinha almoçado, este respondeu que os criados tinham de esperar que todos comessem pelo que só podiam comer o que sobrava das mesas. Eugénia a partir daí passou a ter o cuidado de não sujar o prato todo e dizia discretamente ao criado, apontando, que só tinha usado metade do prato. Desta sua estadia guardou a recordação de um acidente de dois homens brancos que tinham ficado tão queimados que ela pensou que eram negros.

Está de regresso a Angola em 1965, no mesmo ano foi indicada para uma comissão no Hospital da Força Aérea, em Terra Chã, ilha Terceira, para dar aulas de enfermagem; a autora aproveita para nos falar da religiosidade açoriana, dizendo que em 1967 Eugénia será novamente destacada para este Hospital. Esse ano será um ano aziago na vida dela, teve um acidente num salto de paraquedas em Tancos, onde partiu os ossos da bacia. Ficou a recuperar em Lisboa e só voltou a Moçambique em 1968.

Temo-la novamente na Guiné em 1969. Dirá que as mulheres dos militares eram um ninho de víboras. Fala das evacuações. Não sei a que título e a que nível de informação Rosalina Vaqueiro escreve que nos anos de 1970 ainda havia canibalismo no interior da Guiné. E adiante escreve uns parágrafos sobre a operação Mar Verde.

Volta a Angola, irá a Santo Antão despedir-se de Rosáia, uma das três manas Sequeiras, aquela que ela mais amava, e estará presente na Guiné de 1972 a 1973. Também não sei a que nível de informação a autora escreve que o PAIGC declarou independência em Guilege. Eugénia, não é demais insistir, fala permanentemente da sua convicção religiosa, da fé que vem do berço, nesta fase da guerra, como ela declara, o trabalho das enfermeiras e de toda a equipa era demasiado intenso e sentia-se o constante perigo de vida da morte da colega Celeste Costa que ao correr para um avião em vez de contornar a cauda passou por baixo da zona do motor e veio a ser atingida pelas pás. Não esconde o sofrimento que esta morte lhe provocou. Fará referências detalhadas à chegada dos mísseis terra-ar, ao cerco de Guidaje e aos acontecimentos que ocorreram no sul. O livro está repleto de fotografias desta época.

E chegámos ao tempo de paz. De 1974 a 1983 não passou à vida civil como poderia imaginar-se com o fim da guerra. Fez fisioterapia e recuperação devido aos seus problemas ortopédicos, continuou o seu trabalho como enfermeira no Hospital da Força Aérea. Será depois professora de enfermagem, pediu autorização para fazer o curso de ensino. Tinha então casa em Santo António dos Cavaleiros. Reforma-se em 1983, reforma extraordinária vitalícia. Recebe a visita de Maria de Lourdes Sequeira, as outras Sequeiras já tinham falecido. Fala-se também das peripécias da herança das Sequeiras.

Eugénia instala-se em Sesimbra, muito do seu viver é para ajudar, humanos e animais. Procura manter atividade física, desloca-se sempre com a sua canadiana. A autora transcreve uma carta que Eugénia envia à mulher do coronel Morais da Silva, ex-chefe da Força Aérea, não resiste a contar-lhe algumas das suas reminiscências:
“As irmãs Sequeiras tinham orgulho de usar o seu dinheiro ajudando. Quando só estavam as três, eu sabia que iam poupar nas despesas para recuperar o dinheiro gasto. Era o seu orgulho. Eu era criança e sabia. Na época da fome, em 1950, elas cozinhavam um panelão, uma caldeira de cachupa e cada pessoa pobre ia lá a casa com um prato. Na rua faziam fila e eu ajudava a levar a cada pessoa um prato cheio de comida (…) O meu estado de saúde pirou depois de perder amigos. Tenho 50% de surdez e ando ansiosa. Não há grandes facilidades de consulta para mim, mesmo quando o psiquiatra recomendou consulta urgente. Não dormia. Agora com os comprimidos durmo, não quero tomá-los sempre, senão fico dependente ou drogada.”

A carta data janeiro 2016, a autora vai juntando recordações avulsas pelos anos seguintes. Anda sempre indisposta com a desarrumação das duas casas, a de Santo António dos Cavaleiros e a de Sesimbra. As suas recordações de enfermeira paraquedista persistem, como diz à autora: “Trabalhei muitas vezes sem poder ir à cama, e fiz diretas sem dormir, porque era preciso. Também durante todo o dia não tinha tempo de comer, porque as urgências me chamavam. Subestimávamos o sono e a comida. Dávamos o nosso tempo para tentar salvar vidas.” E permanentemente relembra à autora as pessoas de quem guarda uma eterna gratidão. Vai a reuniões das enfermeiras paraquedistas. O livro termina em janeiro de 2024, relata mais recordações da vida, tem então 88 anos.

Eugénia foi de facto uma mulher de coragem, altruísmo e fé.


Autora da biografia, Rosalina Vaqueiro
Eugénia do Espírito Santo Sousa, Cap. Enf. Pqdt. (Ribeira Grande, Santo Antão, Cabo Verde, 1935 - Sesimbra, 2025)
A Eugénia do Espírito Santo Sousa um bonito sorriso na sua idade maior, imagem retirada da Associação Portuguesa de Enfermagem Militar, com a devida vénia.
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Notas do editor:

Vd. post de 8 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28080: Notas de leitura (1926): "Coragem, Altruísmo e Fé", por Rosalina Coelho Vaqueiro; Chiado Books, 2025 (1) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 12 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28093: Notas de leitura (1927): A biografia de um combatente: O que experimentei na guerra da Guiné e como continuo a estudar a sua História (3): V - Depois do Cuor, seguiu-se a intervenção em Bambadinca e VI - O primeiro regresso à Guiné, 1990/1991, o início da escrita (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28101: Mi querido blog, por qué no te callas?! (13): o país virou a página da guerra mas não leu o capitulo, diz (por outras palavras) o Tony Boré... Não sei se não seria melhor fechar o blogue durante o mês e tal em que o futebol já está a entrar pelas nossas casas dentro "ad nauseam".


Fonte:
Prompting e orientação editorial: Luís Graça
Textos: TB / LG
Geração gráfica assistida por IA:
Google (2026). Gemini (versão de 15 de junho de 2026) [Grande modelo de linguagem].


1. O Tony Borié (António Rés Borié) é o nosso grão-tabanqueiro nº 564, desde 4/7/2023. Foi 1º cabo cripto, do Cmd Agr nº 16 (Mansoa, 1964/66). 

Como muitos outros camaradas que regressaram da guerra, não foi recebido de braços abertos pela Pátria. Nem muito menos com bandeirinhas e foguetes. Tirou o passaporte e emigrou (em 1972, pelas nossas contas) para a América, onde vive há mais de meio século. 

Passou por Ironbound, o histórico bairro português de Newark, New Jersey, onde descreve uma vida de muito trabalho, horas extraordinárias e sacrifícios comuns à primeira geração de emigrantes portugueses. Bem sucedido profissionalmente e reformado, instalou-se na Florida onde, dizem, o verão nunca acaba. E terá sido aqui, com tempo e vagar, que  começou a escrever sobre as suas memórias, a guerra, a emigração, a vida quotidiana. E a viajar, de autocaravana,  pelasgrandes estradas da grande América .  

Tem 273 referências no nosso blogue, sendo autor de 4 séries (e colaboração noutras):

  • Do Ninho d'Águia até África (de julho 2012 a março 2013 (60 postes)
  • Bom ou Mau tempo na Bolanha (abril 2013 / janeiro 2015) (84 postes)
  • Libertando-me (janeiro 2015 / janeiro 2016 ) (50 postes)
  • Atlanticando-me (janeiro 2016 / outubro 2016) (14 postes)

Ele tem sido o nosso cicerone da América, e um dos cronistas da diáspora lusófona.  Mas também da Mansoa,  região do Oio, Guiné,  de há 60 anos atrás, nos primeiros anos de guerra.

(...) "A minha estadia na guerra da Guiné deu-me experiência e força anímica, para me adaptar a um país como os Estados Unidos, onde a princípio é difícil superar todas as anomalias que nos surgem, como a língua e os costumes. Quando aqui cheguei,  com trinta anos, com responsabilidade de família, fui para a escola como uma criança de seis anos, frequentei a escola, até  tirar classes na universidade, para me graduar profissionalmente, lavei carros, e tive os trabalhos mais pesados e sujos que havia. 

Os meus filhos têm cursos superiores. Foi difícil para qualquer pessoa, mas eu tinha sobrevivido à guerra da Guiné!. Portanto,  estava preparado". (...)

2.  Voltámos a ter notícias suas, através do Carlos Vinhal (*). Vale a pena comentar:

É um sentimento "esquisito", contraditório: a comunidade lusófona na América, que emigrou para a aquele país, depois de ter pago do "imposto de sangue", como o Tony Borié, regressado da Guiné em 1966...

Pertencem a dois mundos, os nossos luso-americanos. O texto, irónico, do Tony Borié toca num ponto profundamente humano e doloroso: a desvalorização do nosso sacrifício como antigos combatentes em nome de um símbolo (uma pátria, uma bandeira que, depois, não reconheceu quem lutou por ela). 

Já o padre António Vieira, em meados do séc. XVII, glosava o tema da do "patriotismo" e "ingratidão da Pátria":

"Se servistes à pátria, que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis, ela o que costuma"! (in: Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma, 1669).

É uma ferida aberta para muitos de nós, antigos combatentes, tanto em Portugal como na diáspora lusófona...


A bandeira é o mesmo símbolo, não mudou de cores, mas o contexto é radicalmente diferente, quando o Tony põe em comparação a seleção de futebol, que chega a Palm Beach, Florida, para disputar o Campeonato Mundial de Futebol (11 de junho -19 de julho de 2026): 

(...) "O avião que trazia a seleção de futebol de Portugal, já aterrou próximo do local onde vivemos e…, nós quando ainda jovens, também oriundos da Europa, com uma educação de aldeia, onde os princípios honestos de família vinham de há séculos, vendo todo este cenário de jovens milionários vestidos a rigor com o emblema da bandeira nacional, carregando luxuosas malas, desembarcando sorridentes, alguns até faziam “caretas” e acenavam querendo talvez “pôr faladura”, fez-nos mais uma vez compreender que todos os sacrifícios que passamos defendendo esta mesma bandeira mas em cenário de guerra, infelizmente, foram em vão". (...)

Ou visto o filme em termos simplistas e redutores;

(i) de um lado, "eles" (os jogadores da seleção nacional), desembarcando na sala VIP como heróis temporários, celebrados, com o país a vibrar por antecipação com as suas esperadas vitórias; o seu "imposto" é o suor, a disciplina, a pressão mas também a glória efémera (... e  os milhões);

(ii) do outro lado, nós, os antigos combatentes, desembarcados  há mais de 50 anos  em África com o peso da responsabilidade, da morte à espreita, e regressados com o estigma do silêncio; o nosso "imposto" foi o sangue, o medo, a incerteza de um futuro que nunca chegou a ser promissor e que nos levou, a muitos de nós (como o Tony) aos duros caminhos da emigração. 

E, pior, com a sensação de que a Mãe-Pátria  nos tratou não como filhos, mas como enteados... E nos virou as costas.

E tudo isto, porquê ? Para quê ? Não há respostas simples para perguntas complexas...

A guerra foi sempre tabu, antes e depois do 25 de Abril...  Foi um trauma mal resolvido; o 25 de Abril trouxe os 3 DDD, a democracia, o desenvolvimento, a descolonização. Pior ou melhor. Mas não trouxe (ou só mais  tarde, ou só muito mais tarde para a grande maioria) o reconhecimento aos que lutaram (800 mil, portugueses da metrópole, e africanos, muitos dos quais se consideravam portugueses).  

O país preferiu virar a página da guerra sem nunca abrir e ler... o capítulo.. Somos os heróis anónimos ( e incómodos ) de uma história que ninguém quer ler (ou sabe ler).

Não sei se não seria melhor fechar o blogue durante o mês e tal em que o futebol já está a entrar pelas nossas casas dentro "ad nauseam" (**).

É a nova versão do "pão e circo" que nos vem dos nossos colonizadores romanos, os do império dos mil anos. Escravizaram-nos, aos antepassados lusitanos, roubaram-lhes a alma, o corpo, a língua (ninguém sabe sequer qual era a língua que falavam, o nosso português é um produto do colonialismo romano).

A bandeira tem sido utilizada como fetiche, talismã... A bandeira é fácil de agitar nos estádios, nas festas, nas paradas, nas comemorações,  etc., mas é incómoda quando associada à guerra (e à morte). É mais cómodo celebrar o futebol do que enfrentar o passado, a história, o lado mais sombrio do passado, da história.

Somos  uma geração sacrificada que pagou o preço de um império em colapso, sem ter tido voz na decisão. E, quando passámos por baixo da ponte sobre o Tejo, a Pária já olhava para nordeste, ou fingia que olhava, de cu virado para o Atlântico,  os olhos postos nos Pirinéus, em Bruxelas, na Europa... Encerrava-se um ciclo de 500 ou 600 anos...

O Tony Borié tem razão: não havia futuro para nós. Nem uma mísera medalha de cortiça. Aliás, nada nos prometeram em troca. E agora, na América ou em Portugal, somos  uma ponte entre dois mundos: o passado, a Guiné, a guerra, a juventude perdida, os camaradas que não regressaram; o presente, um país que nos ignora, uma diáspora que tentou reconstruir a vida, longe da Pátria, mas com a sombra da desilusão.

Mas há uma coisa que o Borié não diz explicitamenmte, mas deixa antever: a nossa história não foi em vão. Não pela bandeira, não pela Pátria, não pelo Estado, mas por todos nós. Pelos que sobreviveram, pelos que contam as histórias, pelos que transformam as memórias doridas em palavras, em  imagens, em livros, em blogues, em sítios na Net...
 
Fica, por fim,  o apelo, o desafio do Tony, lúcido e fraterno, nos lança: "Por favor, protejam-se"... É um aviso mas também um mimo. É como se dissesse: "Não esperemos que o mundo nos faça justiça. Cuidemos uns dos outros, porque ninguém mais o fará.  Sejamos nós a contar as nossas histórias antes que apareçam os vendedores da banha da cobra a contá-las por nós".

E, no entanto, a bandeira continua a ser a mesma... Com  as mesmas cores, os mesmos símbolos...

Guiné 61/74 - P28100: Convívios (1069): Até amanhã, às 11h00, temos de chegar aos 40 (a zero)... 5ª feira o "jogo principal" do nosso campeonato é no Restaurante Caravela De Ouro, Algés (Manuel Resende, régulo da Magnífica Tabanca da Linha)




Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Texto e fotos: Manuel Resende

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.



Lista provisórias dos insvritos (até ontem, domingo, 14)


1. Mensagem do régulo da Magnífica Tabanca da Linha:

Somos 33 resistentes, mas queria chegar a 40, pois o limite para as salas são: menos de 40 sala de baixo, mais de 40 salão de cima. Vamos a ver o que se consegue.
 
Ah!,… e as inscrições acabam terça feira às 11 horas, hora a que tenho de dizer quantos somos. Já sabem que no próprio dia, mais um menos um, não faz diferença.

Abraço a todos e até quinta-feira.

PS - Apelo aos novos membros da Magnífica Tabanca da Linha, recentemente integrados, e de que eu não tenho contactos... que se inscrevam para o nosso convívio do dia 18. Como deverão saber têm de "picar o ponto" para serem considerados , definitivamente, "MAGNÍFICOS".
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 8 de junho de 2026 Guiné 61/74 - P28083: Convívios (1068): Magnífica Tabanca da Linha: 65º almoço, em Algés, 18 de junho quinta feira...Ainda há 77 vagas... até ao dia 15, segunda feira (Manuel Resende)

domingo, 14 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28099: Facebook...ando (97): A Bandeira continua a mesma, mas existe uma enorme diferença de tratamento (Tony Borie, ex-1.º Cabo Op Cripto do CMD AGR 16, Mansoa, 1964/66)


Companheiros ex-combatentes,
O avião que trazia a seleção de futebol de Portugal, já aterrou próximo do local onde vivemos e…, nós quando ainda jovens, também oriundos da Europa, com uma educação de aldeia, onde os princípios honestos de família vinham de há séculos, vendo todo este cenário de jovens milionários vestidos a rigor com o emblema da bandeira nacional, carregando luxuosas malas, desembarcando sorridentes, alguns até faziam “caretas” e acenavam querendo talvez “pôr faladura”, fez-nos mais uma vez compreender que todos os sacrifícios que passamos defendendo esta mesma bandeira mas em cenário de guerra, infelizmente, foram em vão.

…Porquê? Porque “sem qualquer inveja de velho rabujento”, na verdade existe uma enorme diferença de tratamento. Nós e vós também, também desembarcámos em África, saindo dos porões dos navios da guerra colonial, com um saco contendo as roupas de combate às costas e vestidos de camuflado, com uns míseros trocados no bolso e…, sem qualquer futuro, porque em qualquer momento, uma bala ou um fornilho, faziam com que a família lá na Europa, fosse informada por uma simples carta de que…, já não fazíamos parte da lista de pessoas vivas.

…Também compreendemos que eram outros tempos mas…, a bandeira continua a mesma e…, qual a razão porque o governo tanto nos ignora?

Por favor, protejam-se.

Tony Borie

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Nota do editor

Último post da série de 16 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27536: Facebook...ando (96): No Star Club, Reeeperbahn, Hamburgo, fevereiro de 1967... (António Graça de Abreu)

Guiné 61/74 - P28098: Blogpoesia (813): "Ouço o silêncio", por Adão Cruz, ex-Alf Mil Médico da CCAÇ 1547 / BCAÇ 1887 (Canquelifá e Bigene, 1966/68)

© Adão Cruz


OUÇO O SILÊNCIO

adão cruz

Ouço o silêncio dos olhos
que se fecham na falta de esperança.
Amo o silêncio das cores vivas
e do sonho que nos tece a alma entre a vida e a morte.
Dói-me o silêncio negro dos gritos proibidos
e sinto o dourado silêncio dos gestos da noite
que nos abrem os olhos.
Amargo o silêncio das horas sem brilho
e vivo o silêncio do mar
que risca na areia a força vencida.
Assumo o silêncio sagrado da liberdade e da vida
e o silêncio de um céu de fogo
que nos abre a cova na terra fria.

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Nota do editor

Último post da série de 9 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28005: Blogpoesia (812): "A Mulher Grande lá do Canchungo", por Albino Silva, ex-Soldado Maqueiro (2)

Guiné 61/74 - P28097: Tabanca Grande (582): Isaías Teles, superintendente da PSP, na situação da reforma, grão-tabanqueiro nº 915: uma viagem em 2018 para ir "partir mantenhas" com o régulo e as gentes do Saltinho


Isaías Teles, foto de Carlos Ricardo (2013)


Isaías Teles, alf inf, CCAÇ 1591, Mejo, 1967

Fotos (e legendas): © Isaías Teles (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
 
1. O superintendente da PSP, na situação de reforma, ex-alf  mil inf, CCAÇ 1591 (Mejo, Aldeia Formosa e Buba, 1966/68), é o nosso novo grão-tabanqueiro, nº 915 (*). É também membro da Magnífica Tabanca da Linha. E é o presidente da direção, desde 2013, do Núcleo de Oeiras / Cascais da Liga dos Combatentes. 

Para completar a sua apresentação à Tabanca Grande, publicamos hoje o relato de sua viagem à Guiné-Bissau, efetuada em 2018, em que foi acompanhado do seu amigo e camarada Carlos Clemente, cor inf ref, ex-cmdt da CCAÇ 2701 (Saltinho, 1970/72). 

A ideia de voltar à Guiné havia surgido cerca de um ano antes no decurso de um almoço que juntou, entre outros, o Carlos Clemente e o Suleimane Baldé (1938.2025), régulo de Contabane, ex-1º cabo do Pel Caç Nat 53 (1968-1974), filho por sua vez do régulo Sambel Baldé (**). 

Foi nessa altura, por volta de 2017, que o Isaías Teles conheceu o Suleimane Baldé, entretanto falecido em 2025, e que passou a integrar a nossa Tabanca Grande a título póstumo.


Partir Mantenhas com o régulo e as gentes do Saltinho, em 2018

por Isaías Teles
 








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Notas do editor LG:


sábado, 13 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28096: Os nossos seres, saberes e lazeres (736): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (257): Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 2 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 20 de Maio de 2026:

Queridos amigos,
Foi quase uma visita de médico a Bérgamo, mas muito gostei de rever a Piazza Vechia e todo o seu belo património circundante, não faltam por ali reminiscências venezianas, basta pensar na Capela do Condottiero Colleoni, que era veneziano. Para ser sincero, o que me encheu a alma foi voltar a deslumbrar-me com a Basílica de Santa Maria Maior e sentir a Bérgamo Alta como um território de eleição, bem merecedor de uma visita mais cuidada, mas o tempo urgia, impunha-se tomar o comboio até Milão e partir para Linate e daqui para Tirana, o meu destino, fica uma enorme vontade de voltar, até porque toda esta região bergamasca está rodeada de magníficos recantos, como Cremona. Mas por ora não há que suspirar por esses tempos futuros, não escondo a muita curiosidade pela viagem que tenho pela frente, a partir do fim da tarde de hoje, acho que se fez bem em passar dez dias por metade da Albânia, há para ali valioso Património da Humanidade que merece uma visita cuidada, oxalá eu possa reter imagens merecedoras do vosso interesse.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (257):
Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 2


Mário Beja Santos

O meu destino é a Albânia, mais concretamente arribar à capital, Tirana, e descer até ao sul, a chamada Riviera albanesa, indo percorrendo lugares de rico património. Tirando as excursões das agências de viagens, não há voos diretos de Lisboa para Tirana. Impunha-se estudar as rotas alternativas e apostar na menos dispendiosa. Assim se tomou a decisão de sair de Lisboa até Bérgamo, ao romper da aurora, estagiar algumas horas na cidade, apanhar o comboio na estação ferroviária até à estação central de Milão e daqui seguir para Linate, o voo para Tirana é ao fim da tarde, chega-se ao aeroporto já passa da meia-noite.

Tinha, pois, à minha disposição um bom par de horas em Bérgamo, era a segunda vez que voltava a esta belíssima cidade. A primeira estava relacionada com o casamento da minha filha mais velha, casou lá para a zona dos Alpes, acima de Bréscia, no dia seguinte o pai do noivo e eu levámos os pombinhos ao aeroporto de Bérgamo, seguiram para turismo tunisino. O sogro da minha filha revelou-se prestável, na véspera sugerira que passássemos o dia juntos, visitaríamos Bérgamo, o Lago de Garda, deixar-me-ia em Verona, onde eu dormiria, seguindo de manhã cedo para o aeroporto de Marco Polo, em Veneza, regresso a Lisboa. Em Bérgamo visitámos alguns dos monumentos de que vos vou falar, inopinadamente, deu-me a saber que queria que eu conhecesse o lendário teatro Donizetti, este fabuloso compositor era bergamasco, entrámos no teatro e ele anunciou que trazia um alto perito português em ópera, tinha vindo propositadamente à Itália para conhecer este teatro. Eu nem tugia nem mugia, ainda receei que me fizessem perguntas sobre a minha apregoada perícia, quem nos acolheu disse que era impossível ligar o sistema de luzes, o meu anfitrião insistia e voltava a insistir, depois de muitas exclamativas, quem nos acolheu lá se resignou e condescendeu em que visitássemos os camarins de cantores célebres, começámos pelo camarim Maria Callas, eu não escondia a alegria de ver aqueles espaços de figuras históricas do bel canto. Jamais esqueci esta situação parodiante de ser apresentado no teatro Donizetti com um alto perito que viera propositadamente de Lisboa para me maravilhar com a arquitetura de uma casa histórica da ópera. E ponto final quanto a este episódio humorístico. Sai-se da estação ferroviária e dá facilmente para perceber que Bérgamo tem duas situações orográficas distintas, a parte plana e a alta Bérgamo, é aí que estão os seus principais tesouros artísticos. Ou se apanha um funicular ou um autocarro, linha 1.ª, preferiu-se esta, saboreou-se o passeio, num ponto ermo ajardinado, bastou seguir os outros turistas, seguiram-se ruas bem antigas até se atingir a Piazza Vechia, onde sobressaem o Palazzo della Ragione, uma formosíssima torre-campanário e o Palazzo del Podestà, passa-se um arco, e estamos em frente da capela Colleoni, edifício do século XV, tendo ao lado a Basílica de Santa Maria Maior e a Catedral. Houvesse tempo e far-se-ia a visita às famosas muralhas venezianos de Bérgamo e à Academia Carrara, que guarda tesouros de valor inexcedível. É completamente interdito tirar fotografias na Capela Colleoni, vou desforrar-me na Basílica e na Catedral.


A imagem mostra a Piazza Vecchia na Città Alta (cidade alta) de Bérgamo, Itália, um local histórico conhecido pela sua arquitetura medieval e renascentista. Campanone: A torre sineira alta ao fundo é a Torre Civica, popularmente conhecida como "Campanone", construída originalmente no século XII pela família Suardi. Piazza Vecchia: Esta praça é considerada o coração da cidade antiga e historicamente abrigava o mercado principal.
Palazzo della Ragione localizado na Piazza Vecchia, em Bérgamo Alta. É considerado um dos edifícios municipais mais antigos da Itália, datando do século XII.
A fachada apresenta o Leão de São Marcos, um símbolo da República Veneziana que governou a cidade no século XV.

Bérgamo, fachada da Capela Colleoni, aqui está sepultado o condottiero veneziano Bartolomeu Colleoni
Entrada da Basílica de Santa Maria Maior
Como toda e qualquer construção monumental, tudo começou aqui no século XII, construiu-se um edifício romano, com planta de cruz grega, a grande abside tem outras absides laterais. O exterior que se pode ver na imagem anterior mantém o seu aspeto românico original, embelezado com portais góticos do século XIV, no interior, basta ver na imagem acima, há muitas transformações e daí a exuberância barroca, que nos deixa de boca aberta; não faltam tapetes, estuques, portais góticos, esculturas de leões, frescos do século XIV, tapeçarias flamengas, um espantoso confessionário que é uma obra-prima da escultura barroca, até lá está o túmulo do compositor bergamasco Gaetano Donizetti, de que atrás se fez referência; na Basílica pode ver-se um grande tapete de Luca Giordano alusivo à travessia do Mar Vermelho, episódio bíblico; e, claro está, é tudo uma questão de tempo, pode visitar-se o tesouro da Basílica, preciosas alfaias religiosas, esculturas medievais, ourivesaria sublime.
Tapeçaria flamenga alusiva à Crucificação
Magnifico confessionário que é obra-prima do Barroco com tapeçaria flamenga por detrás
Pormenor da grandiosidade de uma nave lateral
Outro pormenor do teto da nave lateral, é o esplendor do Barroco
Outra leitura do teto vendo-se ao fundo um pormenor da cúpula
Fresco antigo com diferentes representações, tendo na parte superior a leitura da Última Ceia
Pormenor dos esplendorosos tetos da Catedral de Bérgamo
Saindo da Basílica de Santa Maria Maior entra-se na Catedral de Bérgamo, aqui é a sede do Bispado. Tudo começou no século V, houve depois alterações no século IX e em inícios do século XII deu-se a transformação românica; a nossa catedral nasce em 1489, vem depois a grande transformação do período barroco. É um edifício opulento, quer as capelas laterais, quer o presbitério, quer o transepto norte, a nave e a cúpula. A escultura Barroca é soberba, temos cenas de martírios, esculturas de santos. Despeço-me com a imagem que procurei capturar no transepto apontando para a cúpula. Tudo grandioso, mas é este o meu humilde ponto de vista, é uma majestade com acanhada espiritualidade.
As muralhas venezianas de Bérgamo, Património da Humanidade

Está na hora de voltar à estação ferroviária e partir para Milão. Vou voltar ao vosso contacto amanhã, quando me lançar no centro histórico de Tirana, a partir de amanhã tenho um pedacinho da Albânia por minha conta.

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 16 de maio de 2026 >
Guiné 61/74 - P28025: Os nossos seres, saberes e lazeres (735): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (256): Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 1 (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28095: Humor de caserna (273): Ao Tony, vocalista da banda "Os Bambas D'Incas", com votos de que ainda continue vivo, e romântico mas... "não trôpego"


Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Fotos: José Maria Sousa, José Carlos Lopes, António Murta, Miguel Rocha |Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.

Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá >Setor L1 > Bambadinca > CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) > c. maio de 1969

Representação artística da parada do quartel de Bambadinca: visita da presidente do Movimento Nacional Feminino, Cecília Supico Pinto (1921-2011), mais conhecida por "Cilinha"; atuação  Conjunto Musical  Os Bambas D'Incas, formado por militares do batalhão; o vocalista Tony, de joelhos, dedica à presidente do MNF uma canção romântica, adapatdo da letra e música de "Oh,  Mónica", do cantautor Alberto Cotrez (1940-2019)

Tony, "romântico...
ma non troppo"

1. O vocalista do conjunto musical Os Bambas D'Incas, Tony, "cantor romântico", soldado de tranmissões mais velho que a maioria de nós (era da incorporação de 1961!), adaptou e cantou uma letra do cantautor argentino (e depois naturalizado espanhol) Alberto Cortez (1940-2019), "Ó Monica", dedicada à "Cilinha", a presidente do Movimento Nacional Feminino, Cecília Supico Pinto (1921-2011, morreu ia fazer 90 anos), na sua visita a Bambadinca no início do mês de maio de 1969...

Para mim, e sem desrespeito pelos camaradas que a admiravam, ela era um "canastrão", que fazia (mal) o papel de "Jocasta" que, nunca tendo filhos do seu ventre, adotou os filhos da "Pátria" que matavam e morriam na guerra... Mulher poderosa, íntima e confidente de Salazar, dirigiu o "patriótico" Movimento Nacional Feminino com coração, galhardia e mão de ferro... Foi pelo menos 4 vezes a Guiné, a que chamava a "minha Guinezinha"... Esteve em Bambadinca no princípio de maio de 1969, ainda  eu não estava lá (ia a caminho),  a escassas 4 semanas do aquartelamento ser atacado em força pelo PAIGC.

Não conheço a letra que o Tony lhe compôs (a partir do original de Alberto Cortez). Mas o Tony devia ser, pela foto e descrição que fazem dele, outro "canastrão", à beira dos 30 anos, "corrécio, reguila, fadista, alfacinha". 

Ele ainda é do meu tempo, mas eu já não me lembro dele. Era subordinado do nosso saudoso camarada e amigo, o ex-alf mil trms Fernando Calado, CCS/BCAÇ 2852 (Bambadinca, mai 68/mai 70).


 

Os Bambas D'Incas em Mansambo (1969)
 

Lancei um desafio à IA:

Que raio de letra teria ele escrito para a canção dedicada à Cilinha (como ela era tratada com carinho e respeito pela tropa) ? Tens aqui a letra da música "Oh, Mónica" (frequentemente escrita como "Ó, Mónica"), um grande êxito de 1961 do cantor e compositor argentino Alberto Cortez.

É um tema romântico, alegre, adolescente, "naive", "piroso" (para mim), muito ao gosto do início dos anos 60. Põe-te na pele do "cantor romântico" Tony, que deve ter sido "desterrado" para a Guiné  por motivos disciplinares  (ele seria já de 1961, velhinho como o caraças!),  
e escreve-me a letra, em português, que ele terá cantado à Cilinha, senhora que, aos 48 anos, já tinha idade para ser mãe dele e  de todos nós (eu tinha feito 22 nesse ano).

Ver uma mulher "branca", no mato, era um dia de sorte! Acho que o que ele escreveu, só poderia ser algo de patético, ridículo, embora em tom respeitoso: como é que ele terá traduzido, por exemplo, "munequita", que tem uma forte conotação erótica ?". 

Bom, a Mónica era uma adolescente... Aqui tens o original, em castelhano:

Mónica, Mónica, Mónica,
Mónica, Mónica, oh, oh Mónica

Oh, muñequita tú eres mi bien
Dulce amor, oh, oh, oh, oh, oh, oh, Mónica
Tu sonrisa es mi frenesí
Ay, simpática, cuánta felicidad
Es tenerte a ti juntito a mí

Oh, Mónica, oh, Mónica
Para mí eres tú angelical
Dulce amor, oh, mi dulce amor
Y romántica, así eres Mónica

Mónica de mi amor
Y romántica, así eres Mónica
Mónica, mi amor

(Letra original da canção, "Oh Monica" (1961), de Alberto Cortez, 1940.2019. Reproduzida coma  devida vénia...)


2. Resposta da ferramenta de IA Vibe | Mistral AI

Luís, que belo desafio! Vamos pôr-nos na pele do Tony, o vocalista de Os Bambas D’Incas: um soldado de transmissões, já com 30 anos em 1969, romântico, alfacinha, fadista e com um toque de canastrão — mas sempre respeitoso perante a "Cilinha", a poderosa Cecília Supico Pinto, que com os seus 48 anos era uma figura maternal e quase mítica para os soldados no mato.

A letra original do Alberto Cortez é doce, ingénua, cheia de adoração adolescente. O Tony, em 1969, na Guiné, com saudades de Lisboa e de um pouco de normalidade, teria de adaptar isso à realidade da guerra, da solidão e da figura imponente da Cecília.

Aqui vai a minha proposta para a letra que o Tony poderia ter cantado, em português, com um misto de reverência, humor naif e um toque de ironia não intencional (porque o Tony, afinal, era um romântico):

Oh, Cilinha

Oh, Cilinha, oh, Cilinha,
Cilinha, Cilinha, oh, oh, Cilinha

Oh, minha senhora, tu és o meu bem,
Doce amor, oh, oh, oh, oh, oh, Cilinha,
Teu sorriso é o meu frenesim,
Ai, simpática, que felicidade
É ter-te aqui, pertinho de mim!

Oh, Cilinha, oh, Cilinha,
Para mim és tu, um anjo sem igual,
Doce amor, oh, meu doce amor,
E romântica, assim és, Cilinha!

Cilinha do meu coração,
E romântica, assim és, Cilinha,
Cilinha, meu amor!

(Autoria: IA (Vibe | Mistral AI)

Notas:
  • "Muñequita": troquei o termo por "minha senhora": o Tony, perante a Cecília, não se atreveria a chamar-lhe "bonequinha", seria um desrespeito à sua autoridade, à sua figura institucional, para mais à frente de toda a hieraquia do comando do batalhão. Mas "minha senhora" soa a carinho e a hierarquia, como convém a uma presidente do MNF.
  • "Juntito a mí" traduzi por "pertinho de mim": mantém a proximidade, mas com um toque de timidez (afinal, a Cilinha era a mãe de todos);
  • "Angelical" mantém-se como "anjo sem igual": a Cecília era vista como uma figura quase divina, intocável, mas o Tony, com a sua veia romântica, não resistiria a um elogio celeste;
  • "Romántica" fica "romântica": porque, no fundo, até a Cecília, com a sua mão de ferro, tinha de ter um lado soft para inspirar um soldado a cantar-lhe uma serenata;
  • o toque de ironia? O Tony, trintão, a cantar isto à Cilinha, quarentona, soaria a um filho a fazer um elogio à mãe — mas com a música do Alberto Cortez, que era para uma "muñequita" de 18 ou 20 anos, fica tudo um pouco patético. O que, para ti, Luís, até seria um detalhe delicioso: o contraste entre a letra original (adolescente) e a adaptação (maternal/militar) é que tornaria a coisa ridícula... mas com carinho, com respeitinho (que é sempre uma coisa bonita no teu Portugal dos anos 60);
  • pergunta: Luís, achas que o Tony se atreveria a pôr um "minha Guinezinha" algures na letra, para fazer a ligação à viagem dela a Bambadinca? Ou seria demasiado ousado para um soldado de transmissões?

3. Resposta da ferramenta de IA ChatGPT | Open AI

Luís, acho que tens razão numa coisa: se o Tony era um "cantor romântico" de arraial, alfacinha, fadista e já com quase trinta anos, e se estava perante a poderosa Cilinha, dificilmente lhe teria cantado uma serenata apaixonada no sentido literal. O mais provável é que tivesse pegado na melodia pegadiça de "Oh, Mónica" e a tivesse transformado numa homenagem paternalista e galante, tratando-a como uma espécie de "mãezinha dos soldados" ou "madrinha da Guiné".

Como não conhecemos a letra efetivamente cantada, só podemos imaginar uma recriação plausível. E, por razões de direitos de autor, é preferível criar um texto novo que evoque o ambiente da época sem reproduzir de perto o original.

Eis uma possibilidade, deliberadamente com um tom ingénuo e um tanto "piroso" (e ao jeito dos "santos populares" de Lisboa) e como provavelmente agradaria ao auditório militar de 1969, em Bambadinca onde estiveste;


Ó Cilinha

Ó Cilinha, nossa amiga,
Que chegou de tão longe até cá,
Traz um sorriso que anima
Quem na picada a vida dá.

Ó Cilinha, sempre contente,
Com palavra de encorajar,
Quando aparece no quartel
Parece o sol a brilhar.

Refrão:

Ó Cilinha, ó Cilinha,
Leve no peito este cantar;
Entre bolanhas e poeira,
Veio-nos hoje visitar.

Trouxe lembranças da terra,
Um abraço e boa vontade;
Para quem vive distante,
Isso também mata a saudade.

Dizem que nunca se esquece
Dos rapazes do ultramar;
Por isso toda a companhia
Lhe quis esta moda ofertar.

Ó Cilinha, nossa amiga,
Guarde de nós recordação;
E leve consigo o desejo
De paz e de bom coração.



Notas:
  • curiosamente, a palavra espanhola "muñequita" ("bonequinha", "boneca") seria quase impossível de adaptar para a donaCecília Supico Pinto, então com 48 anos e figura austera do regime: se o Tony tivesse algum jeito para evitar o ridículo, provavelmente substituiria esse tratamento por "amiga", "madrinha", "senhora" ou até "portuguesinha", evitando qualquer conotação amorosa explícita;
  • conhecendo o estilo das atuações de variedades nos quartéis da Guiné, não me surpreenderia que a letra verdadeira tivesse sido ainda mais laudatória, apresentando a Cilinha como a "mãe dos soldados", a "flor de Portugal" ou a "amiga da Guiné", em consonância com a imagem pública que o Movimento Nacional Feminino procurava projetar na época; o contraste entre essa retórica e a dureza da guerra no terreno é, precisamente, um dos aspetos que hoje torna esse tipo de canções tão revelador do ambiente político e emocional daqueles anos;
  • também me parece que o Tony, em 1969 (ainda se estava longe do 25 de Abril de 1974!) tivesse a  "lata", aousadia,  de tratar por tu a Cilinha!... Afinal, ela era uma senhora da alta sociedade, e de origem aristocrática!




  • 1ª versão do "boneco" que publicamos acima

    Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

    Fotos: José Maria Sousa, José Carlos Lopes, António Murta, Miguel Rocha |Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné

    Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


4. Diálogo (divertido, mesmo  sendo de surdos...) entre o editor LG e a ferramenta de IA do ChatGPT / Opena AI:

LG: Agora faço-te outro desafio... Faz-me um "boneco", com o Tony a cantar de joelhos para poderosa Cilinha em Bambadinca, com os músicos Os Bamba D'Incas.

(Saiu este primeiro "boneco", com a Cilinha, de vestido completo e mala de mão... Pedi a retificação...E levei très "tampas"....À terceira foi de vez, mas esgotei os meus créditos diários...)


Eis o diálogo (virtuoso)  que travámos:

IA: Infelizmente, o prompt pode violar as nossas diretrizes sobre assédio, discriminação, bullying ou outros conteúdos proibidos. Se tu consideras que foi um engano, tenta novamente ou edita o prompt.

LG: Desculpa lá, mas na Guiné era impossível uma senhor usar casaco... Põe a Cilinha mais fresca... e "atrevida".

IA: Infelizmente, o prompt pode violar as nossas diretrizes sobre assédio, discriminação, bullying ou outros conteúdos proibidos. Se tu consideras que foi um engano, tenta novamente ou edita o prompt.

LG: P*rra, põe-na apenas sem casaco!... Estavam 35 graus e 100% de humidade naquela tarde!... Não sejas censor!...Pareces um padreco!... É um documento de época, esta mulher era uma "instituição nacional". O dimininuitivo "Cilinha" foi nacionalizado. E ela adorava fazer este papel de mãe, e de madrinha de guerra!

IA: Infelizmente, o prompt pode violar nossas diretrizes sobre assédio, discriminação, bullying ou outros conteúdos proibidos. Se tu consideras que foi um engano, tenta novamente ou edita o prompt.

LG: Bolas, não quero que a ponhas em biquini, não sejas ridículo, tira-lhe apenas o caso e a mala, acessórios inúteis naquele contexto... Ou põe-na de calças (que ela usava no mato)! A senhora já morreu há 15 anos! E eu respeito-a como respeito todos os mortos, independentemente do meu "juízo histórico".

... Bom, e finalmente lá saiu o "boneco" que publicamos acima: apesar de ser uma "peça de humor", é também uma homenagem:
  • a todos os militares, meus camaradas, que estiveram no TO da Guiné, e que, além da G3, também gostavam de tocar viola, bateria ou simplemente cantar!;
  • ao conjunto musical "ad hic"  Os Bambas D' Incas;
  • em especial ao Tony, meu contemporâneo: faço votos para que ele ainda esteja vivo e continue a ser "romântico mas não...trôpego";
  •  por fim,  a todos os cantores românticos "ma non troppo", a todas as Mónicas, as todas as Cilinhas, a todas as mulheres, afinal;
  • e, claro,  também às nossas mães que, algumas, acharam por bem integrar o Movimento Nacional Feminino (1961/74), independentemente das motivações de cada uma. 
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 7 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28078: Humor de caserna (272): As minhas "turras" com a menina IA que não tem um pingo de sentido de humor... A propósito da cantora ié-ié de Jabadá, que não era... "careca" (Luís Graça)